quinta-feira, 29 de junho de 2023

Polícia Federal não perde tempo reprime madeireiros e traficantes dentro da terra indígena Arariboia

 

A Araribóia é a maior terra indígena do Maranhão, na transição entre o Cerrado e a Amazônia. Ocupa uma área de mais de 410 mil hectares, onde vivem quase 10 mil indígenas Guajajara e Awá Guajá. Os agentes destruíram 177 máquinas e caminhões usados no beneficiamento e transporte da madeira e explodiram fornos das carvoarias. A destruição de equipamentos durante operações de fiscalização é prevista por lei desde 1998 e regulamentada por decreto em 2008.Os agentes prenderam oito em flagrante e cumpriram um mandado de prisão preventiva de um suspeito que era procurado em outra operação, no início de 2023. Os investigados poderão responder por crimes de receptação qualificada e por armazenamento de madeira sem comprovação de origem. O valor das multas aplicadas chega a quase R$ 17 milhões."Trata-se da terceira ação da Polícia Federal executada na região, no ano de 2023, o que vem refletindo na redução no número de alertas de desmatamento, em comparação a 2022, caiu mais da metade. Outras ações continuarão sendo executadas nos próximos meses", afirma o delegado da PF Daniel Alves.

sábado, 24 de junho de 2023

12 domingo comum - NÃO TENHAIS MEDO! (Mt. 10, 26-33)

NÃO TENHAIS MEDO.......de ser o que vocês são, com suas luzes e sombras, sem disfarces e sem camuflagens! De se expor publicamente, e de proclamar de cabeça erguida o que sentem e o que pensam! De defender e construir valores e sonhos que são indefensáveis para a 'onda global'! De ir contra correnteza, e de não adular nem o governante e nem o líder religioso da moda! Daqueles que torturam e assassinam o seu corpo, mas não conseguem corrompê-los!

....MAS TENHAIS MEDO.......daqueles que a toda hora falam em Deus, Família, Pátria e Liberdade, mas são dominados pelo ódio e a intolerância, e detestam a justiça! Daqueles que lhes prometem felicidade plena, poder ilimitado e dinheiro fácil, utilizando o nome de Deus  acreditando que vocês poderão se convencer  que é verdade! Daqueles que se disfarçam de 'pastores carismáticos, de guias iluminados, e de pessoas de bem', mas que têm o poder sedutor e diabólico de 'comprar a sua alma'.....

RESISTAM, LUTEM, E NÃO SE ESCONDAM: VOCÊS SÃO SAL E LUZ DO MUNDO! 


São João, o batista - Conversão ética, não 'religiosa'!

João, o Batista, praticava o ‘seu próprio’ batismo. Um batismo que não servia para cancelar supostos pecados originais, nem para inserir os batizados numa hipotética comunidade eclesial devolvendo-lhes uma filiação divina que nunca havia sido negada. Nada disso! João fazia mergulhar nas águas do batismo somente aqueles que lhe prometiam estarem dispostos 'a dar uma  túnica a quem não tem e a fazer o mesmo com a comida; não cobrar mais do que a lei manda; não usar violência, não extorquir e não prender ilegalmente as pessoas’. Um batismo que passava pela assunção pública de compromissos éticos, os únicos capazes de reverter, - possivelmente, mas não certamente - o destino que já estava escrito para Israel: a sua autodestruição. João deixava claro que não adiantava oferecer a carteira de identidade hebraica, de pertença a uma religião ou etnia, como passe livre para evitar a ação do ‘machado já posto às suas raízes para cortá-los’ definitivamente. João pregava uma reviravolta social e ética, mas ele mesmo desconfiava da sinceridade daquelas ‘raças de víboras’! A nós a coragem e o espírito de autêntica conversão para provar que a humanidade ainda pode evitar o machado da sua autodestruição


sexta-feira, 23 de junho de 2023

Surto de virose atinge os Awá no Maranhão. Uma criança morre e outras 11 são hospitalizadas em condições precárias

 A comunidade indígena awa-guajá da aldeia Awá, localizada no Maranhão, enfrenta um surto de gripe no território. No dia 10 de junho, uma criança, de um ano, faleceu por causa de complicações da doença enquanto tentava chegar ao hospital mais próximo da aldeia, na cidade de Alto Alegre do Pindaré. Crianças e adultos adoeceram nos últimos dias na comunidade indígena. Até o momento, nenhuma equipe médica foi enviada até o local. Sem médicos na unidade de saúde da aldeia Awá, os doentes são atendidos somente por técnicos de enfermagem. No hospital da cidade de Alto Alegre do Pindaré, uma médica que estava de plantão afirmou a um grupo de indígenas que a unidade não possuía estrutura para atender todos os pacientes. De acordo com os awá-guajá, a direção da unidade de saúde disponibilizou então transporte para transferi-los até o Hospital Municipal de Santa Inês, onde novamente foram recusados por causa da escassez de leitos. As crianças foram medicadas e encaminhadas para Bom Jardim. Após o falecimento do bebê de um ano, outras 11 crianças precisaram de internação e três delas apresentaram sintomas com quadros mais graves da doença. No hospital de Bom Jardim, uma ala foi reservada para receber exclusivamente os indígenas doentes, vítimas do surto gripal. “Desde quarta-feira a gente vem recebendo um fluxo maior de indígenas, mais de oito já foram internados aqui”, disse Jairon Pereira, coordenador do hospital de Bom Jardim. Construída em 2017, a Unidade Básica de Saúde (UBS) da aldeia Awá nunca passou por uma manutenção e sofre com a falta de instrumentos médicos. O posto, por exemplo, conta com apenas um aparelho de nebulização disponível para uso.

Segundo o advogado Diogo Cabral, especialista em direitos humanos, equipes médicas do  Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) e da Secretaria de Saúde Indígena realizarão a assistência na aldeia Awá. “O Conselho Estadual de Direitos Humanos fará uma missão na região e também, através de sua associação, os Awá encaminharão informes para o Conselho Nacional dos Direitos Humanos, para a Relatoria Especial de Povos Indígenas das Nações Unidas e também para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos”, afirmou Diogo. Em relação ao óbito da criança awá-guajá, a Prefeitura de Alto Alegre do Pindaré informou que o bebê já estava morto quando chegou no Hospital Municipal João Antônio Santos. Por meio de nota a prefeitura de Alto Alegre do Pindaré informou que a criança já tinha ido a óbito quando deu entrada no Hospital Municipal João Antônio Santos. O órgão também afirmou que depois da morte do bebê, mais sete crianças foram levadas ao hospital de Alto Alegre do Pindaré e que todas elas receberam atendimento. (Difusora)

sábado, 17 de junho de 2023

11º domingo – Nós TOD@S somos, hoje, @S DOZE! (Mt.9,36-10,8)

Muitas vezes nos consideramos impotentes e incompetentes para modificar a realidade em que nos encontramos. Alegamos que não temos formação adequada, que os deveres de família nos ocupam sobremaneira, que somos frágeis e insignificantes diante dos grandes protagonistas e formadores de opinião, e de lideranças sociais e políticas que governam o planeta. Ignoramos que nós mesmos somos chamados, na condição e do jeito que somos, a construir, permanentemente, a ‘Governança de Deus’. O mundo do jeito que Deus Pai quer! Fingimo-nos de surdos para não ouvir a voz interior, inventamos pretextos inverossímeis, delegamos covardemente a outros um dever que é nosso, pessoal e intransferível: o de libertar pessoas, motivá-las, apoiá-las, assisti-las e protegê-las. Fingimos esquecer que se Jesus para reconstruir a ‘Nação’ escolheu, simbólica e didaticamente, 12 pessoas, é porque, na realidade, Ele estava a chamar TOD@S. Longe de Jesus escolher uma elite de homens, de seguidores pur@s e sant@s, Ele nos convida a acrescentar nessa ‘lista dos doze’ - que indica totalidade, -  também o nosso nome. De homens e mulheres com rosto e identidade dispost@s a colocar energia e tempo para gerar VIDA!


sexta-feira, 16 de junho de 2023

O que infecta o berlusconismo? - Por Vito Mancuso

O que exatamente infecta o berlusconismo? Vou responder logo, mas primeiro quero lembrar esta frase de Hegel: "A filosofia é o próprio tempo apreendido em pensamentos". Eu acho que aquilo que vale para a filosofia, aplica-se mais ainda para a economia e a política: seu sucesso depende estritamente da capacidade de saber apreender e satisfazer o desejo do próprio tempo. Berlusconi foi muito bom nisso. Com suas antenas pessoais (funcionando bem antes de instalar em Cologno Monzese as antenas de suas emissoras) ele soube apreender o desejo profundo do nosso tempo, reconheceu a alma leve e se colocou à sua caça exercendo todas as artes de sua sorridente e persistente sedução. Desta forma, se transformou em uma espécie de sumo sacerdote da nova religião que já há tempos havia tomado o lugar da antiga, sendo a religião de nosso tempo não mais a liturgia de Deus, mas o culto obsessivo e obcecado do Eu. O berlusconismo representa da maneira mais esplêndida e sedutora a derrubada da antiga religião de Deus e a sua substituição pela religião do Eu. E o nosso tempo se sentiu interpretado por ele no mais alto grau, atribuindo ao fundador as maiores honras e transformando-o um dos homens mais ricos e poderosos não só da Itália. Falei de berlusconismo como uma infecção, mas o que exatamente infecta? Não é difícil a resposta: a consciência moral. O berlusconismo representa o flagrante fim do primado da ética e o triunfo do primado do sucesso. Sucesso atestado através da certificação do aplauso e do consequente ganho imparável.

Desde os primórdios da humanidade, o conceito de Deus representou exatamente a emoção vital segundo a qual existe algo mais importante do que o meu Eu, do meu poder, do meu prazer (independentemente deste "algo" ser o único Deus, ou os Deuses, ou a Urbe, a Polis, o Estado, a Ciência, a Arte ou qualquer outro). O berlusconismo representou tal rebaixamento do nível de indignação ética da nossa nação a ponto de coincidir com a própria morte da ética nas consciências dos italianos. Bem, o triunfo do berlusconismo representa a derrota dessa tensão espiritual e moral. Como religião do Eu, proclama exatamente o oposto: não há nada mais importante do que Eu. Certamente não é por acaso que o partido-empresa de Berlusconi nunca teve um sucessor, e agora, morto o fundador, é provável que não tenha um bom fim.

Certamente, esta religião do Eu assume como condição imprescindível o que permite ao Eu afirmar sua primazia sobre o mundo, ou seja, o dinheiro. O dinheiro era para o berlusconismo o que a Bíblia é para o cristianismo, o Alcorão para o islamismo, a Torá para o judaísmo: o verdadeiro livro sagrado, a única Palavra sobre a qual jurar e na qual acreditar. O berlusconismo foi uma religião neopagã segundo a qual tudo se compra, porque tudo está à venda: empresas, casas, políticos, magistrados, homens, mulheres, jogadores de futebol, cardeais, corpos, palavras, almas. Todos têm um preço, e é preciso apenas faro e dinheiro para pagar e obter os melhores para si. Quem (de acordo a doutrina do berlusconismo) não deseja ser comprado? O berlusconismo representou tal rebaixamento do nível de indignação ética da nossa nação a ponto de coincidir com a própria morte da ética nas consciências dos italianos. Consciência que, de fato, hoje em dia está em coma, principalmente nos palácios do poder político. Mas o que significa a morte de ética? Significa o desmando da vulgaridade, termo a ser entendido não tanto como um uso de linguagem imprópria, como no sentido etimológico que se refere ao povo comum, populacho, plebe, ou seja, ao populismo como procedimento que tudo mede com base nos aplausos, como medidor de aplausos permanente que transforma os cidadãos de seres pensantes em espectadores que batem palmas. Ou seja: não é certo o que é certo, mas o que recebe mais aplausos. Aqui está a morte da ética, aqui está o triunfo do que politicamente se chama de populismo e que representa a degeneração da democracia em oclocracia (em grego antigo "demos" significa povo, "oclos" significa populacho).

O berlusconismo efetivamente arrasou na mente da maioria dos italianos com o valor da cultura, reduzindo tudo a espetáculo, diversão, simpatia falsa e descaradamente superficial, sedução. A sedução deve ser entendida no sentido etimológico de se-ducere, ou seja, recondução para si mesmo de cada coisa, de acordo com aquela religião do Eu que foi o verdadeiro credo de Silvio Berlusconi e da qual não será fácil libertar e purificar a nossa "pobre pátria" (como a designava, justamente pensando no berlusconismo, Franco Battiato).

O artigo é do teólogo italiano Vito Mancuso, ex-professor da Universidade San Raffaele de Milão e da Universidade de Pádua, publicado por La Stampa, 13-06-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.


Operação na Arariboia combate invasores que levam morte a indígenas

Uma força-tarefa prendeu quatro suspeitos na Terra Indígena (TI) Arariboia, no Maranhão, por interceptação e armazenamento ilegal de madeira. As prisões integram as ações coordenadas da operação Arariboia Livre. A operação, iniciada na segunda-feira (12), atende a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e envolve 150 agentes das polícias Federal e Militar, do Ibama e ICMBio do Maranhão e de mais quatro estados. Doze madeireiras e moveleiras foram autuadas por não apresentarem licença ambiental e documentos que comprovem a procedência da madeira armazenada. 

Os agentes apreenderam, até o momento, mais de 200 metros cúbicos de madeira, o equivalente a 8 hectares de floresta desmatada. A operação segue em atividade durante o resto da semana. Além da TI Arariboia, os agentes estiveram na T.I. Porquinhos, do povo Apãnjekra-Kanela. Lá encontraram duas carvoarias com quase 100 fornos. O Ibama deu um prazo de 24 horas para verificar a documentação dos operadores. Neste ano, essa é a terceira operação realizada na TI Arariboia. O território abrange cinco municípios no centro-sul do Maranhão e é bastante fustigado por invasores. A terra indígena do tem uma área de 410 mil hectares. Nela vivem cerca de 10 mil indígenas dos povos Tenetehara/Guajajara, além dos Awá-Guajá em situação de isolamento voluntário, que acabam sendo agredidos pelos madeireiros invasores no interior da floresta. À imprensa, a superintendente do Ibama no Maranhão, Cilene Brito, afirmou que um dos objetivos é combater a migração de madeireiros. Ela explica que o movimento é comum de ocorrer com as grandes serrarias.  “Com essas serrarias menores e movelarias, a gente está começando a estudar esse risco de migração. Vamos manter o monitoramento contínuo para readequar as ações de fiscalização”, afirma.  

Genocídio - “A gente só pede que a Justiça aconteça, porque isso aí não é normal. O que está acontecendo nessa região é um genocídio. Está muito violento, muito perigoso para todos nós, principalmente em Arame”. A fala é de um indígena Guajajara que preferiu não se identificar e está relacionada ao ataque de fevereiro, mas reflete os anos a fio de convivência com mortes que poderiam ser evitadas com mais proteção à Terra Indígena. Outro fator que aumenta os riscos de “mortes matadas” entre os Guajajara é que o povo estruturou uma guarda do território, os Guardiões da Floresta, coibindo e expulsando invasores. Muitos dos assassinados eram guardiões. 

Um terço dos defensores mortos - Estudo das entidades Justiça Global e Terra de Direitos mapeou 1.171 violações de direitos humanos entre 2019 e 2022 . Entre elas, os indígenas assassinados correspondem a 29,6% dos defensores mortos, sendo que de 2021 a 2022 o número quase dobrou, de 10 para 17 casos. Os indígenas correspondem a 29,6% dos defensores mortos. O Maranhão é o estado com maior número de assassinatos de lideranças indígenas (com 10 casos), seguido de Mato Grosso do Sul (9), Amazonas e Roraima (7, cada um). No total, foram 50 ocorrências desse tipo. Para os realizadores do estudo, o incentivo à mineração em territórios indígenas, a intensificação de ações de grileiros e fazendeiros e a ausência de políticas públicas de demarcação de terras estão entre os fatores que motivaram os assassinatos de defensores indígenas. A operação Arariboia Livre atua no sentido de mitigar os últimos quatro anos de ações anti-indígenas que visam “passar a boiada” sobre as terras indígenas, em especial a TI Arariboia  (Renato Santana)


quinta-feira, 15 de junho de 2023

Berlusconi - Aliança trono e altar, da igreja de Ruini

A grande aliança entre a Igreja italiana liderada pelo Cardeal Camillo Ruini e Silvio Berlusconi, começou a desmoronar em 2009 com o aparecimento do escândalo acompanhantes-prostituição que atingiu o então primeiro-ministro, e se esfacelou definitivamente em novembro de 2011, quando caiu o governo liderado pelo Cavaliere. Mas, ao menos simbolicamente, a situação já havia se complicado alguns meses antes: em fevereiro do mesmo ano, de fato, em Roma, durante a grande manifestação de mulheres promovida pelo movimento "Non una di meno", havia subido no palco a Irmã Eugenia Bonetti, religiosa engajada há muitos anos na luta contra o tráfico de seres humanos e a prostituição como forma de escravidão moderna, para dizer em termos claros: “As notícias constantes que nestas ultimas semanas se sucedem de forma descarada nos nossos jornais e programas de televisão e de rádio nos deixam consternados e nos levam a pensar que ainda estamos muito longe de considerar a mulher pelo que ela realmente é e não simplesmente como um objeto ou uma mercadoria a ser usada”. Afinal, não era tanto o lado judicial da história a ter colocado em dificuldades a alta cúpula da igreja e a ter indignado parte do mundo católico, mas justamente a insustentabilidade moral, ética, do escândalo em que o primeiro-ministro estava envolvido. 

O cardeal e os católicos adultos

No entanto, Ruini permaneceu ligado ao Cavaliere se, ainda nos últimos dias, quis lembrar como seu grande mérito aquele de ter evitado a vitória dos ex-comunistas em 1994 (o muro de Berlim já havia caído desde 1989). E talvez o cardeal até tenha ficado ainda mais grato a Berlusconi por ter se oposto com força àquela parte dos católicos pós-democratas-cristãos que escolheram ir para o lado do centro-esquerda na segunda República, os chamados católicos adultos, dos quais Romano Prodi foi o expoente mais proeminente, que acreditavam na autonomia da esfera política e pública em relação a uma visão confessional e de vieses clericais da sociedade. Afinal, diante do risco de a igreja perder peso específico e papel na vida civil, o chefe dos bispos não hesitou em fazer um pacto de ferro com o Cavaliere e confiou-lhe a defesa dos princípios avaliados pela igreja como "não negociáveis": não aos casamentos e uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, não ao testamento vital, não à procriação assistida; enquanto era necessário apoiar as escolas católicas, os sistemas de saúde católicos até forçar o princípio de subsidiariedade a favorecer a intervenção do setor privado social (e portanto católico) na gestão dos serviços públicos. A igreja de Ruini foi ao mesmo tempo, no plano internacional, muito prudente no tema da migração e, portanto, fortemente refratária em termos de abertura ao diálogo com outras religiões e culturas; de fato, era alinhada, ainda que com tons mais brandos, à abordagem teo-con promovida pela Casa Branca liderada por George W. Bush. O projeto neoconservador e neoconstantiniano, marcado por family days, do cardeal Ruini, no entanto, chocou-se contra dois obstáculos intransponíveis. Em primeiro lugar, o fato de que o próprio Berlusconi havia sido, por meio de suas emissoras de TV e do modelo empresarial e político que promovia, a escala de valores de que era portador, um dos mais poderosos fatores de descristianização da sociedade italiana; em segundo lugar, a crise econômica que se abateu sobre o país a partir de 2008, colocando a Itália num processo de declínio econômico e social que ainda hoje persiste, mostrou o quanto de irrealista e de frágil havia no projeto de Ruini.

.... Também é verdade que uma forte patrulha de expoentes católicos, principalmente de centro-direita, agia como anteparo aos pedidos cada vez mais urgentes vindos da conferência episcopal. Com a chegada de 2011, porém, a crise do moderno pacto trono-altar tornou-se irreversível e também a extrema tentativa de promover Roberto Formigoni como novo líder da centro-direita, contando com as tropas da CL, não teve sucesso. Também porque no meio tempo algo também havia se quebrado na igreja. Enquanto isso, a concorrência entre a secretaria de estado do cardeal Tarcisio Bertone e a CEI em relação à gestão das relações com a política italiana abriu uma profunda crise na Igreja e nas relações com a Cúria vaticana, se seguiu uma temporada de venenos, golpes baixos e lutas internas nada edificantes. Finalmente, não se deve esquecer que os desdobramentos das aventuras financeiras do berlusconismo também chegaram ao Vaticano quando veio à tona o escândalo dos "grandes eventos"; as investigações trouxeram à tona as conexões entre uma especulação sem escrúpulos liderada por empresários, altos funcionários do Estado, oportunistas e ambientes do Vaticano. Dessa mistura nasceu a convicção entre os cardeais de todo o mundo que tivesse chegado a hora de liberar a Santa Sé da relação preferencial com a Itália e iniciar profundas reformas na gestão das finanças do Vaticano. (Francesco Peloso, jornalista)


Capitais brasileiras não completaram os estudos para minimizar os efeitos das mudanças climáticas

De 27 cidades, 17 não completaram os estudos para minimizar e enfrentar tragédias causadas pelos extremos climáticos. Em maio, Aracaju e Porto Alegre, duas capitais brasileiras separadas por mais de 3 mil quilômetros, enfrentaram o mesmo evento extremo: chuvas intensas. Na capital gaúcha, os temporais na primeira semana do mês corresponderam praticamente à média histórica de todo mês de maio. Um deslizamento destruiu quatro casas no Morro da Cruz, desalojando dez pessoas e ferindo duas. Já na capital sergipana, em cinco dias choveu mais do que a média histórica do mês de maio. Deslizamentos levaram à interdição de três imóveis e 16 famílias foram retiradas de suas casas por causa do risco de transbordamento do rio Poxim. As chuvas em Aracaju e Porto Alegre não são casos isolados. Com intensidades diferentes, eventos extremos como esses já ocorrem por todo o país devido às mudanças climáticas. Segundo alertam cientistas, a tendência é que se tornem cada vez mais fortes e frequentes. 

Segundo apuração da Agência Pública, Aracaju e Porto Alegre ilustram o despreparo das capitais brasileiras para responder aos desafios postos pela emergência climática. Elas estão entre as 17 das 27 capitais (incluindo o Distrito Federal) que não possuem planos municipais de mudanças climáticas. Além de Aracaju e Porto Alegre, as seguintes capitais não possuem plano de mudanças climáticas: Florianópolis, Vitória, Campo Grande, Goiânia, Cuiabá, Palmas, Porto Velho, Macapá, Boa Vista, Manaus, Belém, Maceió, São Luís, Teresina e Natal. (IHU)


domingo, 11 de junho de 2023

10º domingo - Misericórdia quero, e não louvor! (Mt. 9,9-13)

Se Jesus chama Mateus, um pecador público, para segui-lo e fazer parte do seu grupo, todos os outros pecadores se sentem legitimados em, pelo menos, se aproximarem Dele! Jesus nasceu para ser sinal de contradição, e não é para menos! Segundo a 'religião' só os purificados podem aceder ao templo, mediante abluções e ‘lavagens’ de vários tipos. E, para amolecer o coração de um Deus punitivo é preciso oferecer muitos sofrimentos e dores sem fim. Ainda imaginamos que Deus poderá nos escutar só mediante uma bela confissão, uma santa comunhão, muitas mortificações e muito louvor. Ledo engano. Ainda hoje Jesus continua nos lembrando que Ele prefere o exercício da misericórdia a todo tipo de ritualismo e devoção. Não condena nem ritos e nem orações desde que estejam sempre acompanhadas pela compaixão misericordiosa que, em geral, é o que nos falta. Sem isso, tudo vira hipocrisia e alienação religiosa!


quarta-feira, 7 de junho de 2023

Corpus Christi - Devoção ou fé?

 


A festa do Corpus, hoje em dia, parece ter se tornado um mero espetáculo de devoção, e não de fé.  A preocupação parece ser a de quantificar os devotos numa procissão, e não a de organizar os que deveriam se comprometer a combater a fome e a promover os verdadeiros banquetes que incluem  e que protegem os corpos famintos, dilacerados e violentados!  A devoção extrai do cotidiano um 'objeto', isola-o do resto, e o venera como algo prodigioso, supostamente capaz de modificar, por si só, uma realidade em que o ser humano se acha incapacitado. Já a fé encontra suas raízes/motivações em gestos e em testemunhos históricos significativos e totalizantes em que a própria pessoa é o agente transformador. A fé compromete integralmente a pessoa, o tempo todo, em todas as circunstâncias, e exige o seu engajamento concreto, e não só contemplativo. A impressão que temos é que a festa do Corpus e a relativa 'adoração da hóstia' não refletem e não reproduzem os gestos originários dos banquetes permanentes em que Jesus se engajava totalmente para saciar as múltiplas fomes de numerosos famintos....A fé subverte, já a devoção tranquiliza e conforma. 

'Lavagem de bois' é cada vez mais comum em naturalização do desrespeito ao meio ambiente

De esquema em esquema, a lógica do desrespeito à proteção ambiental se mantém lucrativa. A situação apurada pela Repórter Brasil desta vez envolve a criação ilegal de bois em terra indígena e uma gigante no setor da carne (que já apareceu por aqui algumas vezes). Documentos mostram que pecuaristas que arrendaram de forma irregular fazendas dentro do território do povo Xavante escoaram este gado para outras propriedades em seu nome ou de familiares, localizadas em municípios vizinhos. Estas fazendas para as quais os bois eram escoados forneciam animais para a JBS – situação característica de uma manobra conhecida como “lavagem de gado”, quando produtores encobrem a origem ilegal de seu rebanho, registrando a passagem dos bois por uma fazenda que não tem impedimentos socioambientais para vender ao frigorífico. A brasileira JBS é a maior empresa de alimentos do mundo.


Governo lança edital para diminuir impacto das drogas entre indígenas

 

Os ministérios da Justiça e Segurança Pública e dos Povos Indígenas lançaram, nesta segunda-feira (5), em Brasília, edital no valor de R$ 3 milhões para financiar projetos de desenvolvimento sustentável em territórios indígenas ameaçados pelo narcotráfico e pelo crime organizado.  O evento ocorre no Dia Mundial do Meio Ambiente (05 de junho). A mesma data marca o primeiro ano dos assassinatos do indigenista e funcionário licenciado da Funai, Bruno Pereira, e do jornalista britânico Dom Phillips, no Vale do Javari, oeste do estado do Amazonas. O edital será coordenado pela Secretaria Nacional de Política sobre Drogas (Senad) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que, pela primeira vez, constrói uma política voltada às populações indígenas, de acordo com a secretaria da Senad, Marta Machado.  A secretária enumerou as consequências da atuação do crime organizado aos povos originários, que precisam ser prevenidas e combatidas com urgência. “O agravamento dessa situação impõe às populações indígenas uma série de violências, ameaças, coações, assassinatos de lideranças, violência e exploração sexual, trabalho forçado em atividades ilícitas, cooptação de jovens para o tráfico, disponibilização indevida de drogas em seus territórios. O avanço das organizações criminosas sobre as terras indígenas também impacta em questões de saúde indígena, como doenças e distúrbios associados ao abuso do álcool e de outras drogas”. 

Lançado para reduzir impacto do narcotráfico em populações indígenas, o edital vai financiar os trabalhos de organizações indígenas e comunitárias. São três os eixo de atuação:: -Enfrentamento de situações de vulnerabilidade social de jovens e adultos indígenas, por meio da geração sustentável de renda e participação social; -Prevenção de violência sexual física simbólica contra mulheres indígenas ou a mitigação dos efeitos dessas violências com ações de acesso a direitos para proteção, amparo e acolhida -Redução e prevenção de invasões territoriais por narcotraficantes e outras redes criminais. “Entendemos que as ações de repressão que vêm sendo retomadas e conduzidas pelas polícias devem andar par e passo com as ações de acesso a direitos e de desenvolvimento social e humano que fortaleçam as comunidades e as tornem mais resilientes”, esclarece Marta Machado. A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, presente no evento, reconheceu a fragilidade histórica na proteção dos territórios indígenas contra o narcotráfico e disse entender que a Funai poderá contribuir para a construção de políticas indígenas dentro da rede governamental.   “Quem mais que poderá orientar todas essas propostas de projetos, como o único órgão indigenista federal do nosso país, que tem a expertise nessa diversidade que estão os povos indígenas, mas também tem uma atuação local? A Funai, nesse governo, tem se colocado na mesa para o diálogo e também para propostas”, pontuou a presidente da Funai. (Repórter Brasil)


Timbira do Maranhão da escabiose e do abandono

Taynara tem apenas oito meses de idade. Há pelo menos metade desse tempo, ela convive com pequenas erupções na pele, coceira intensa e ferimentos constantes por todo o corpo. Fábio Timbira, pai da menina e liderança indígena da aldeia Esperança, no Território Indígena (T.I) Geralda Toco Preto, diz que o problema é comum às crianças das T.I.s do município de Itaipava do Grajaú, no interior do Maranhão. “A gente só sabe que é sarna porque algumas pessoas daqui, incluindo eu e minha filha, conseguimos ir ao centro de Itaipava e mostrar ao médico. Acho que a essa altura todo mundo da aldeia, criança e adulto, já esteve ou está com isso”, diz. Altamente contagiosa, a escabiose, conhecida como sarna humana, é um problema sério na região há pelo menos cinco meses. Fábio Timbira diz que essa os primeiros casos foram da doença no território, que hoje abriga 30 indígenas das etnias Timbira e Kreepum-Kateyê, foram vistos em novembro do ano passado. “É muito difícil de cuidar porque quando uma pessoa melhora, outra na casa dela está doente, e aí ela pega a doença de novo. Esse é o tipo de coisa que precisa de um tratamento coletivo, precisa ser todo mundo ao mesmo tempo, ou não resolve”, explica Fábio Timbira. Na página do site do Ministério da Saúde dedicada ao tema, há a recomendação de cuidado simultâneo entre pessoas que ocupam o mesmo espaço e podem estar expostas à doença. “Algumas das nossas crianças tiveram inclusive que raspar a cabeça para tratar a coceira no couro cabeludo. Isso acaba com a autoestima delas”, conta Timbira. 

À Agência Pública, lideranças indígenas locais enviaram cópia dos e-mails à secretaria de Direitos Humanos do estado do Maranhão nos quais pedem, reiteradamente, ações que facilitem o acesso a serviços de saúde. O problema foi levado ao Ministério Público Federal, em abril deste ano, numa reunião onde foram discutidos também outros temas, como abastecimento de água e energia. De acordo com as lideranças que participaram do encontro, uma ação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) ocorreu duas semanas depois no território, mas os moradores avaliam ter sido um esforço frustrado pela falta de logística. “Para nós não deu certo. Entregaram umas pomadas, ficaram pouco tempo, não explicaram nada sobre como prevenir, pareciam que estavam com pressa. Não deu tempo de avisar as outras aldeias, nós corremos, tentamos ligar para o pessoal vir pra cá correndo, mas não deu tempo. Ou seja, não adiantou de nada”, diz Gelson Guajajara, liderança da aldeia Araruna, a 40 quilômetros da Esperança, na T.I. Urucu-Juruá, onde vivem 85 pessoas da etnia Guajajara. Por lá também há um surto de sarna humana. Gelson Guajajara diz que o atendimento beneficiou apenas os poucos indígenas, que estavam no momento da ação da Sesai e a reinfecção da doença logo voltou a ocorrer. A partir das orientações encontradas no posto de saúde da cidade, Fábio Timbira diz ter comprado pomadas e sabonetes para o tratamento. Mas, como não há distribuição gratuita desses itens, nem todas as famílias conseguiram acesso. “Imagino que, somando todos nós, já foi mais de mil reais em pomadas. Tudo do nosso bolso”, lamenta. Questionada sobre a ação, a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), vinculada ao Ministério da Saúde, informou apenas que “foram realizados procedimentos como aferição de pressão arterial, teste rápido de glicemia capilar, antropometria, dispensação de medicação, acolhimento e escuta qualificada. Os especialistas da pasta atenderam indígenas gestantes, hipertensos e com queixas dermatológicas”.


sábado, 3 de junho de 2023

TRINDADE SANTA - QUEM VÊ JESUS, VÊ O AMOR DO PAI!

 

É difícil acreditar no amor de alguém que nós não conhecemos a não ser que a pessoa que nos fala desse amor, ela também, nos ame de verdade. Ou seja, podemos sentir o amor ou os cuidados de alguém que não conhecemos somente mediante os gestos concretos de amor de alguém que está ao nosso lado nos dando afeto e proteção. Os esquecidos e excluídos de Israel ao saborear os gestos de compaixão e de acolhida de Jesus podiam, de alguma forma, imaginar e crer que o Deus que eles não viam e nem conheciam poderia ser como Jesus. Podiam sentir que Deus os estava amando e acolhendo, pois o mesmo o sentiam e viam em Jesus. Jesus inverte a lógica da religião oficial judaica, e de todas as religiões: Deus é igual a Jesus, e não Jesus igual a Deus! Se Deus pudesse ser visto ELE agiria e amaria como Jesus. Com o testemunho de Jesus, Deus não precisa mais procurado, mas somente acolhido. O Deus não conhecido já veio até nós na pessoa de Jesus. Trindade é isso: amar como um Pai, acolher plenamente como um filho o amor do Pai, e possuir um Espírito de coragem para reproduzir e multiplicar permanentemente esse amor. E sermos, enfim, tão amorosamente ‘humanos’ ao ponto de sermos, de fato, ‘divinos’... como o foi o Homem/Deus, Jesus.