domingo, 12 de abril de 2026

Domingo da oitava de Páscoa - É HORA DE DESTRANCAR PORTAS!

Trancar portas não resolve! Não seremos jamais poupados de ameaças e perseguições. Trancar portas só nos ilude, temporariamente, de que estamos seguros e protegidos, mas de quem, afinal? Trancar portas impede que olhemos para a cara de quem, supostamente, nos persegue, e possamos enfrentá-lo no diálogo, nas argumentações, no testemunho. Trancar portas impede que os gritos e os clamores de milhões de crucificados cheguem os nossos surdos ouvidos. Trancar portas não irá impedir que façamos as contas, mais cedo ou mais tarde, com os nossos medos e covardias. Enfim, é muito mais o que perdemos do que ganhamos ao fechar as portas do nosso coração! Difícil ver e crer no Ressuscitado numa igreja trancada, fechada, refém de seus medos interiores e de ritos que tornam o Ressuscitado um mero fantasma que entra e sai sem arranhar o nosso jeito ser! O Ressuscitado pode penetrar sim, nas nossas jaulas sagradas, mas não nos convence e nem nos mobiliza para missão, pois o medo distorce a realidade e deforma os supostos discípulos! Pobre aquela igreja que acha que é somente no silêncio da adoração do pão eucarístico não partilhado, que emudece os clamores dos famintos, que vai fazer a experiência vital do Ressuscitado!!! É preciso ousar, romper o silêncio alienante e o temor sagrado e destrancar portas como fez Tomé, o Dídimo, o gêmeo de Jesus. É enfiando o dedo nas feridas e nas veias abertas da humanidade, curando, assistindo, protegendo vidas que experimentaremos vida! Talvez descubram os que os nossos perseguidores são os nossos próprios medos! A hora é de destrancar portas para não morrermos asfixiados!

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