quarta-feira, 17 de agosto de 2016

AS SETE OBRAS DE MISERICÓRDIA COPORAIS. UMA NOVA COMPREENSÃO - Por Claudio Bombieri

I - Dar de comer a quem tem fome –
 Muitas vezes ouvimos expressões do tipo: ‘passa fome porque quer’ Só quem está de barriga cheia e perdeu todo tipo de sensibilidade ousa explicar o drama da fome dessa maneira. E tenta justificar a sua indiferença diante de milhões de seres humanos desnutridos. Muitos não compreendem que no ‘planeta da fartura’ extensos grupos humanos vivem na permanente insegurança alimentar pela forma injusta segundo a qual nós humanos nos administramos. A fome é causada muito mais pela péssima distribuição dos bens produzidos e pela concentração de terras, do que pelas péssimas condições climáticas ou pela suposta passividade dos famintos. Sem entender as causas profundas da existência de mais de um bilhão de vítimas da fome nesse planeta não nos é possível vivenciar plenamente essa obra de misericórdia corporal. A fome, portanto, se é produzida pelo nosso iníquo sistema social e político, - e não pelas fatalidades da vida, - só poderá ser superada por nós mesmos, de forma coletiva e institucional. Já o papa Francisco nos alerta sobre o fato de que ‘ o cuidado com a cidade-polis, ou seja, a Política com ‘P’ maiúsculo, é a mais alta expressão da caridade. O próprio Jesus naquele significativo gesto de ‘multiplicar pães e peixes’ pediu que fossem os próprios discípulos a ‘dar de comer’ de forma bem organizada, pedindo que a multidão fosse dividida ordenadamente em grupos (Lc. 9,13).  Naquele gesto Jesus deixou claro que antes de multiplicar pães era necessário multiplicar sensibilidades, solidariedade, articulação e justiça. Aliás, sem ‘ter fome e sede de justiça’ dificilmente haverá o ‘bem-aventurado’ encontro entre a comida e o que tem fome. Sem sentir dentro de si fome e sede de equidade e de compaixão sempre haverá quem alimente a indústria da fome. Esta obra de misericórdia corporal não visa, portanto, a distribuição aleatória e individual de pão/comida a quem não tem. Ela mira, principalmente, a extinguir toda forma de cobiça humana, de acumulação criminosa, de desperdício de alimentos, de especulação de preços dos alimentos ou, pior, da sua transformação em combustível para carros! Ela nos diz que as boas ações individuais, embora louváveis nos momentos emergenciais, - e até como práticas pedagógicas de compaixão, - são insuficientes para debelar o flagelo da fome corporal.  Como nos lembra papa Francisco no seu discurso na sede da FAO ‘devemos ser livres de pressões políticas e econômicas para cuidar da irmã e mãe terra, para evitar que se autodestrua.... superando a indiferença sempre mais crescente de governos e grupos humanos, pois a  fome e a desnutrição jamais podem ser considerados um fato normal ao qual se habituar, como se fosse parte do sistema. Algo deve mudar em nós mesmos, na nossa mentalidade, nas nossas sociedades’.

II - Dar abrigo e afeto aos desamparados -
Jorge Houassi é um jovem de 28 anos, alto, magro, negro. Natural de Haiti, terra pobre e castigada pelo terremoto, Jorge chegou ao Brasil 5 anos atrás à procura de emprego. Batia de casa em casa. Desconfiadas, as pessoas nem abriam a porta. Passava a noite deitado debaixo de uma puxada de uma velha casa abandonada. Várias vezes foi submetido a vergonhosas manifestações de racismo. Só depois de quase um mês de peregrinar pelas ruas da cidade descobriu um ‘abrigo’. Era o salão paroquial da igreja de Nossa Senhora de Guadalupe que a comunidade o havia transformado em casa de acolhida para moradores de rua e refugiados estrangeiros. A partir daquele momento a esperança voltou a renascer na vida de Jorge. Jorge havia experimentado de um lado o mesmo drama de Maria e José, o de não encontrar um aconchego físico e afetivo, mas, do outro lado, graças à paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, ele havia experimentado também o que significa ‘misericórdia’. A grande imprensa, em geral, não informa que inúmeras paróquias da nossa igreja católica no Brasil, de Norte a Sul, vêm dando um verdadeiro exemplo para governos estaduais e municipais do que significa amparar o desabrigado e desamparado, ao acolher não somente milhares de cidadãos vindos da Síria, do Haiti, do Congo e de outros países da América Latina, mas também a muitos moradores de rua. Não só os abriga fisicamente como os ajuda a encontrar emprego, legalizar a sua permanência no País e, principalmente, a curar as feridas da dor e da rejeição. Hoje, no mundo, mais de 51 milhões de pessoas de diferentes países para fugir da guerra e da fome se arriscam a atravessar os desertos do medo, os Mediterrâneos e os Oceanos da intolerância e da hostilidade.  Assistimos, simultaneamente, a um novo e intenso êxodo de multidões para as grandes cidades. O número de cidadãos no mundo que moram em favelas nas grandes cidades aumentou de 760 milhões, em 2000, para 863 milhões, em 2012. Segundo o IBGE de 2012 no Brasil existem cerca de 2 milhões de moradores de rua, e quase 7 milhões de pessoas vivendo em moradias precárias. O Papa Francisco continua a conclamar a sociedade a mudar as estruturas iníquas, mas também convida, concretamente, as famílias de ‘coração misericordioso’ a abrirem as portas da sua casa e do seu coração para acolher e confortar as vítimas da guerra e da intolerância familiar. Isso mesmo: muitas pessoas no nosso País, por serem vítimas do álcool, de entorpecentes, de doenças mentais ou, simplesmente por serem idosos, são humilhadas e expulsas de suas casas por seus próprios familiares. Largadas na rua só conhecem o desprezo público. Essa trágica realidade indica que chegou a hora de termos menos cercas elétricas, e mais compaixão coletiva; menos alarmes, e mais abrigos físicos e afetivos; menos ‘limpeza social de mendigos’ e mais políticas assistenciais efetivas. A Cidade e as nossas casas não podem ser transformadas em ‘casas de detenção’, ou em novos ‘campos de concentração’. Para os misericordiosos permanece o desafio/testemunho de construir a ‘casa comum’ onde todos os seres vivos encontram respeito e proteção. Infelizmente, em pleno 2016 ‘os pássaros têm seus ninhos, e as raposas suas tocas, mas muitos ‘filhos dos homens ainda não têm onde pousar a cabeça’ e tranquilizar o coração.
 
III. Assistir os enfermos, curar suas feridas e amenizar sua dor
Às vezes fazemos a experiência de nos sentir potentes. Sentimos que as nossas forças físicas e mentais respondem positiva e sincronicamente às solicitações dos compromissos do nosso cotidiano. Sentimos uma enorme disposição interior tão grande que podemos enfrentar os piores desgastes, sem sentir cansaço. A vida parece correr serena e repleta de sentido. Sonhamos e torcemos para que esse estado de bem-estar intenso possa perdurar infinitamente. Não é o que acontece para nós mortais. Verdade é que quando fazemos a experiência contrária, a do mal-estar físico e mental, da doença, da dor, da fragilidade, sentimo-nos totalmente deslocados. A terra parece faltar debaixo de nossos pés. Começamos a nos interrogar sobre o porquê de tamanho sofrimento conosco. Perguntamo-nos, até, se não seria, por acaso, o resultado de alguma punição divina. Na doença tudo parece se inverter. A vida parece perder o seu sentido e brilho. Descobrimos que quando adoecemos é o nosso ser como um todo que padece. E que mesmo tendo um ótimo tratamento clínico nem sempre mantemos a serenidade interior que tínhamos outrora. Descobrimos que somos fatalmente vulneráveis, e isso nos assusta. Nessas horas damos fé que precisamos sim de atendimento médico digno, mas também de pessoas que mantenham sua mão apertada na nossa. Precisamos sim de acesso gratuito e universal a consultas, internações e remédios, mas também de pessoas amáveis que nos ajudam a dar sentido também à nossa dor e ao nosso sofrimento. Precisamos sim humanizar os nossos hospitais e clínicas, asilos e casas, mas também de sermos amáveis com os nossos pais acamados, com o nosso filho em cadeira de roda, com o nosso vizinho dependente de entorpecentes. Talvez essa obra de misericórdia corporal seja a que mais torna compreensível a atividade quase frenética de Jesus em se aproximar sistematicamente dos doentes. Os evangelhos nos mostram que era a compaixão visceral de Jesus que o motivava a superar o medo de tocá-los, e de se contaminar. Jesus compreendia que a ele só cabia ‘levantar, e reerguer’ moralmente o doente. Ou seja, valorizar a sua fé interior e a sua vontade de viver e voltar ao convívio social. Afinal, era a fé do próprio doente que, de fato, curava. Nem sempre a nossa fé nos cura da forma que nós desejamos. Quando fazemos a experiência de doenças prolongadas ou irreversíveis, talvez a fé nos ajude a somente encarar e a aceitar aquela dor. A descobrir que também nessas horas a nossa vida continua a ter sentido.  Paradoxalmente compreendemos o poder da fé que cura quando ao nosso lado, nos momentos de maior fragilidade encontramos quem nos assiste diuturnamente. Que não desperdiça palavras para nos consolar ou para nos conformar, mas que simplesmente está conosco. Com alegria e amabilidade.

IV -Dar água ao sedento, ou seja, defender o direito universal à água
A crise de abastecimento de água potável está a atingir todas as regiões do nosso País, mas de forma mais dramática, a região nordestina. E não é de hoje. Nos interiores nordestinos, milhares de pessoas, todos os dias, têm que percorrer vários quilômetros para buscar água de péssima qualidade em açudes públicos, bicas, cacimbas, ou aguardar um carro-pipa da prefeitura que nunca chega. Açudes e cacimbas que ficam - às vezes, - ao lado de açudes bem abastecidos de fazendas de deputados e de coronéis. Isto não é consequência somente do flagelo da seca, supostamente natural. É fruto, também, de má gestão pública e de negações políticas.  No Brasil, segundo um relatório do Ministério das Cidades, cerca de 41% de toda a água tratada no país é desperdiçada, (em países da Europa não passa de 9%). Mais de 15% dos nossos domicílios não possuem água devidamente tratada. Nem falemos das indústrias altamente lucrativas das ‘águas minerais’ que sob a bandeira da venda de  água pura e cristalina fazem verdadeiras fortunas às custas de pessoas ingênuas. Há algo diabólico nisso tudo. De um lado possuímos existe uma escassa educação em utilizar de forma responsável o precioso líquido, e do outro, há uma clara tentativa de administrar a água como sendo uma mercadoria. Isto já vem gerando conflitos de todo tipo em muitas regiões do planeta, com perspectivas mais dramáticas para um futuro próximo. A consequência da ‘cultura do desperdício’ associada à ganância sem limites é evidente: uma progressiva e dramática escassez de água, e  um número sempre maior de famílias sem acesso, e sem poder pagar a água fornecida. O que significa, então, para um misericordioso ‘dar de beber a quem tem sede’ no contexto de hoje? Se é verdade que permanece válido o gesto de ‘dar um copo de água fresca aos pequeninos’, - e isto nos torna ‘merecedores de recompensa (Mt. 10,42) -  é evidente  que temos diante de nós o desafio bem maior de ‘saciar a sede de justiça’ que arde em tantos corpos ressequidos pela fome, a sede, e a exclusão social. Matar a sede de justiça, exigindo respeito aos direitos fundamentais de todo ser vivo é a base mínima sobre a qual podemos tornar possível o acesso universal ao bem mais precioso que Deus deu a todos os seres vivos. 

V - Vestir os sem roupa, e revestir de dignidade seus corpos
‘Nu saí de minha mãe, e nu voltarei para lá (Jó 1,21) Nada iremos levar para o outro lado, menos ainda roupa de grife, nos alerta Jó! É bem verdade que descartamos e doamos roupa, mas muitas vezes é para aderir aos novos lançamentos da moda. Uma forma elegante para renovar o estoque pessoal. Doamos roupa pessoal a necessitados anônimos. O nosso gesto de doação é, na maioria das vezes, um gesto impessoal, e não uma expressão de comunhão com os ‘des-vestidos’ por uma sociedade iníqua e indiferente. Essa obra misericordiosa de ‘vestir quem está nu’ tem como pano de fundo não somente a constatação de que milhares de pessoas têm morrido ao longo da história da humanidade pelo frio intenso, por falta de abrigos decentes, mas também por terem sido ‘des-vestidas’ de qualquer dignidade e oportunidade na vida. É um dado de fato que a falta de abrigos públicos, de agasalhos e cobertores em cidades como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e outras, continua vitimando centenas de pessoas pelas baixas temperaturas. É igualmente inegável que até nas ‘regiões quentes’ os moradores de ruas e muitos irmãos nossos continuam ‘socialmente des-vestidos’ pela nossa indiferença. O que mais deveria nos escandalizar, hoje em dia, não é tanto a nudez física, a corpórea, e sim a que deixa as pessoas completamente abandonadas e desesperadas. Nós cristãos guardamos na memória e no coração a parábola do juízo final em que Jesus se torna presente na ‘pessoa nua’, despossuída e sem esperança. Ela só é re-vestida plenamente quando um misericordioso se aproxima e faz comunhão com ela (Estava nu e me vestiste...Mt. 25,36). Os preconceitos raciais e de gênero, o culto das aparências, e outras pérolas da hipocrisia social impõem ‘modelos padronizados e universais’ de se vestir. Uma pessoa se não se vestir de um determinado jeito é excluída ou inferiorizada. Isso ocorre também em muitas nossas comunidades. Os pobres raramente aparecem nas nossas liturgias por achar que não possuem roupa à altura. Sentem-se ‘desnudados’ em sua autoestima e dignidade no banquete que sacramenta a acolhida, a igualdade e a comunhão para com todos. Vestir o nu é, em última análise, vesti-lo não somente de roupa, mas revesti-lo de dignidade, respeito, e valorização. São as pessoas em sua corporeidade dignificada os verdadeiros ‘lírios do campo que não trabalham e nem fiam, mas que são infinitamente mais preciosos do que as roupas que Salomão vestia em sua glória’! (Lc. 12,27)

VI -Visitar e socorrer os encarcerados.
Os destinatários dessa obra de misericórdia são pessoas que, em sua grande maioria, são responsáveis por ter cometido algum crime.  Por causa disso, para a maioria da sociedade, elas devem ser trancafiadas e punidas. Mesmo que em masmorras brutais! O brado atual da sociedade é por uma Justiça cada vez mais punitiva. Muitos acham que bandido tem que apodrecer na cadeia ou, pior ainda, ‘bandido bom é o bandido morto’! E não importa se esses ‘criminosos’ encarcerados, uma vez julgados com seriedade, 27% deles são declarados inocentes pela justiça! Tampouco preocupa se o Brasil adotou o encarceramento como único método para resolver os problemas estruturais da violência. Ou se a cadeia é só para Pobre, Preto e Prostituta! Pouco nos interessa aprofundar as causas do recrudescimento da violência, nem tampouco nos preocupa se o atual sistema carcerário é capaz ou não de restaurar os laços sociais rompidos pela prática criminosa. A banalização da realidade carcerária por parte de um certo tipo de mídia, continua a alimentar preconceitos de todo tipo. E contribui para que “visitar os encarcerados” seja a obra de misericórdia mais desafiadora e mais esquecida, e confiada a alguns poucos corajosos. É também verdade que onde existem presídios superlotados ou de segurança máxima, por causa de tantas barreiras burocráticas, - inclusive, pelas perquisições humilhantes aos visitantes, - não é simples se encontrar com os encarcerados. Nem por isso a comunidade cristã pode esquecer o convite de Jesus: “Estava preso e vocês me visitaram” (Mt. 25,36). Visitar e socorrer os encarcerados não se resume, contudo, a uma mera visita física, embora indispensável, mas antes de tudo, é adquirir um novo e radical olhar. É não aceitar como natural o linchamento público de qualquer suspeito. É condenar, veementemente, toda tortura física e psicológica aos presos, pois para o misericordioso toda pessoa humana é sempre inviolável em sua dignidade, seja qual for o crime que tenha cometido. Socorrer os encarcerados pode significar, por exemplo, apoiar, através da Pastoral Carcerária, da Comissão dos Direitos Humanos e de outros movimentos eclesiais e sociais, aquelas famílias que possuem algum membro encarcerado. E com elas tentar obter um julgamento justo para o encarcerado, e reinseri-lo na sociedade uma vez que sair. Sem preconceitos e fáceis moralismos. Afinal, “Cada vez que passo pela porta de uma prisão sempre me vem este pensamento: por que eles e não eu? A queda deles poderia ter sido a minha. Não me sinto melhor de quem tenho diante de mim” (Papa Francisco).

VII- Dar sepultura digna aos que se foram fisicamente, pois continuam vivos e em comunhão conosco. -
Assistimos, hoje em dia, a uma crescente indiferença diante de um número sempre mais assustador de ‘cadáveres’. A morte em geral, - e a morte violenta de alguém, especificamente, - parece não chocar mais. Muitas vezes o cadáver se torna, paradoxalmente, objeto de insana curiosidade e de exibição pública. Fotos digitais de corpos mutilados vítimas do trânsito ou de assaltos, corpos amontoados após uma chacina, ou tratados como carne de açougue jogada em camburões de polícia, circulam impunemente pelas redes sociais! Esquecemo-nos que mesmo dilacerados aqueles corpos continuam sendo sacramentos da ‘imagem do Criador’. E que não podem ser tratados como carniça imunda a ser exibida como macabro troféu de uma sociedade que faz da morte um espetáculo! Todo ser humano que morre tem direito a um ‘destino digno’ mesmo sabendo que nem todas as culturas ‘enterram os mortos’!Nada justifica, por exemplo, que existam ainda hoje cemitérios de luxo e cemitérios para indigentes ou sepulturas coletivas onde um finado é enterrado sobre um outro, sem placa de identificação.  Até na morte – realidade comum a todos, - permanecem as desigualdades sociais de quando ainda vivos. O que significa, então, hoje, para os discípulos da Ressurreição praticar essa obra de misericórdia? Ofereço algumas pistas de caráter mais pastoral e social. 
1. Inibir e punir mediante propostas específicas de lei não somente os maus tratos praticados aos cadáveres, como também a sua exibição pública não autorizada pelos familiares. 
2. Combater duramente a exploração das funerárias que oferecem até serviços religiosos com cachês caríssimos. 
3. Incentivar e apoiar nas nossas comunidades eclesiais pessoas que assumam o ministério de encomendar os corpos dos irmãos que faleceram, fortalecendo na esperança seus familiares e apoiando-os na realização de um enterro digno, e na obtenção rápida da certidão de óbito. 
4. Garantir um velório carregado de veneração e respeito para os que se foram: não somente preparando um espaço adequado, mas também evitando que nas redondezas existam, simultaneamente, farras, como frequentemente ocorre. 
5. Exigir dos poderes públicos uma permanente manutenção dos nossos cemitérios públicos, pois eles não são ‘depósitos de cadáveres anônimos’. Pela fé no Ressuscitado sabemos que o patrimônio afetivo e espiritual de uma pessoa querida que nos deixa não é enterrado com o seu cadáver. Aquele lugar se torna um verdadeiro santuário. Uma ‘terra santa’ que abriga ‘corpos espirituais’ que continuam sendo sacramentos de uma comunhão que nunca será interrompida.

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