sábado, 14 de fevereiro de 2026

Mundo entrou em uma nova era de “falência hídrica”, mostra a ONU

 

Cerca de 4,4 bilhões de pessoas enfrentam escassez de água por pelo menos um mês ao ano; as consequências socioeconômicas e políticas já são sentidas.Um novo relatório da Universidade das Nações Unidas (UNU), braço de pesquisa da ONU, alerta que o mundo entrou em uma era de “falência hídrica”. O termo não é uma metáfora, e sim uma condição crônica que se desenvolve quando um local utiliza mais água do que a Natureza consegue repor, explica o diretor do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da UNU e autor do estudo, Kaveh Madani, no site The Conversation.

Os sinais dessa emergência são abundantes: aproximadamente 70% dos aquíferos subterrâneos estão em declínio de longo prazo; metade dos grandes lagos do mundo está encolhendo; secas em grande escala estão se tornando mais frequentes; cerca de 4,4 bilhões de pessoas enfrentam escassez de água durante pelo menos um mês por ano. O relatório também mostra que a falência hídrica já está causando estragos econômicos e políticos, como o aumento da migração ilegal do México para os Estados Unidos em meio às secas. Como a Folha destaca, os conflitos por água aumentaram de 20 em 2010 para mais de 400 em 2024. Segundo Madani, o desafio não desaparecerá tão cedo, pois as atividades humanas já causaram danos irreversíveis a muitos dos sistemas que geram, regulam e armazenam água doce. O maior desafio – e também maior oportunidade – está no setor agrícola, que consome 70% do uso de água da humanidade.

Para Madani, a tarefa central é prevenir ainda mais danos irreversíveis enquanto reorganizamos o sistema em torno de um orçamento hidrológico menor. E essa mudança é urgente porque “ninguém sabe exatamente quando todo o sistema entrará em colapso”. A ponta de esperança é que, para o especialista, abordar esses desafios produzirá cobenefícios em outras áreas; por exemplo, a restauração de zonas úmidas pode ajudar a reduzir tempestades de poeira, melhorando a qualidade do ar e a saúde pública. Técnicas para aumentar a capacidade das terras agrícolas de reter água podem ajudar os solos a absorver mais carbono.

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