Na
exortação Dilexi Te, que trata sobre “o amor para com os pobres”, o
Papa Leão XIV, assumindo o documento preparado pelo Papa Francisco,
afirma algo que teologicamente é muito importante para a Igreja e para a
comunidade teológica: “Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais
pequeninos, a mim mesmo o fizestes (Mt 25, 40). Não estamos no horizonte
da beneficência, mas no da Revelação” (n. 5).
O
amor aos pobres e a crítica às injustiças sociais que negam
aos pobres o direito de viver com dignidade não é uma mera questão do campo da
beneficência ou da teologia moral ou da doutrina social da Igreja. Mas, sim da
Revelação. Com isso, esse documento critica a forma “tradicional” moderna de
separar (a) a teologia dogmática ou sistemática, – que trataria do “ser” de
Deus e, por isso, seria o mais importante e a que merece, de fato, o título
de “teologia” – da (b) teologia moral ou teologia ética, que seria
uma teologia de segunda categoria que aplicaria as teses da
teologia dogmática na vida pessoal e na sociedade.
Pessoas formadas nesse horizonte de teologia dogmática não entendem e não aceitam a linha teológico-pastoral assumida pelo Papa Francisco e também agora pelo Papa Leão XIV. Em parte, porque vai contra tudo que estudou ou entende sobre Deus e a revelação. Por isso, a frase “Não estamos no horizonte da beneficência, mas no da Revelação” é tão importante e conflitante. Para formação teológica “tradicional”, a Igreja pode e é bom que ajude os pobres porque essas “beneficências” seriam uma “prova” de que somos de uma igreja e religião de pessoas “boas”. Mas, essa ajuda não define se a nossa teologia é correta ou não no que se refere ao ser Deus. Porém, o Papa Francisco e o Papa Leão XIV dizem algo diferente. Para eles, amar aos pobres e fazer opções práticas para defender a vida dos pobres é a revelação do quem Deus é. Isto é, na opção pelos pobres e vítimas de injustiça entendemos corretamente a revelação do ser de Deus.
Deus
se nos revela na pessoa de Jesus, Jesus esse que amou aos pobres e
a todas as pessoas sofridas. Nem todas as imagens de deuses anunciados nas
igrejas ou nas religiões são verdadeiramente de Deus. Muitas delas são apenas
ídolos, deus-falso que é insensível aos sofrimentos dos pobres e oprimidos. Uma
imagem do ser de Deus que justifica as injustiças do mundo é apenas de um
ídolo. Por isso, os temas da opção pelos pobres e das estruturas do pecado
social – temas fundamentais no Dilexi Te – estão diretamente
ligados à revelação do quem e como Deus é.
Sensibilidade
social (teologia espiritual), indignação ética frente à injustiça social
(teologia do pecado social) e a opção prático-social em favor dos que
têm a sua vida negada (teologia prática) são pressupostos e comprovações
de que estamos no caminho correto (teologia dogmática) da compreensão da
revelação de Deus.
(por motivos editoriais o artigo foi sintetizado pelo blogueiro, sem deformar o conteúdo)
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