domingo, 9 de novembro de 2025

Teologia e velocidade. Artigo de Riccardo Cristiano

Nos últimos dias, o padre Antonio Spadaro, editor de longa data de La Civiltà Cattolica e atual subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação Católica, proferiu o discurso de abertura do 76º ano acadêmico da Academia Alfonsiana em Roma. Ao longo dos últimos meses, Spadaro tem conduzido uma discussão teológica sobre a necessidade de uma teologia rápida, um termo que precisa ser compreendido para que se entenda por que ela é necessária agora:

De um lado está a terra do século XX, com seus valores, ideais e tragédias; do outro, emerge um novo "continente", gerado pela revolução digital e pela rejeição dos horrores do passado, animado por uma forma diferente de inteligência. A tensão entre os dois mundos é sísmica: o século XX resiste, mas está destinado a se tornar memória, material de museu. Contudo, seu declínio não é pacífico. Como um animal ferido, o século passado, pressentindo seu fim, redescobriu sua ferocidade: a ferocidade que o levou a acreditar na guerra como solução e a considerar o sofrimento civil um preço inevitável. Assim, enquanto o novo mundo avança, o velho se debate em um espasmo final e violento, evocando suas piores sombras. Eis, então, sua proposta: uma teologia rápida, visto que não estamos em um tempo de mudança, mas sim em uma mudança de era, a percepção do Papa Francisco de alguns anos atrás, da qual sua proposta se origina. A era da Inteligência Artificial, dos algoritmos e das mídias sociais está transformando o mundo, e o faz rapidamente, capturando, carregando e arrastando, como torrentes velozes quando a chuva se transforma em tempestade.

A teologia rápida, portanto, não é um conjunto de respostas novas, fáceis e rápidas, mas uma teologia oportuna diante das mudanças de época: "A teologia rápida não exclui a lentidão, mas a integra. Não nega a profundidade, mas a vive no ritmo do presente, como quem sabe refletir enquanto caminha." A teologia rápida, portanto, é oportuna; mas, para prosseguir, há uma premissa crucial: que "teologia rápida" não é "rápida". Rapidus, por outro lado, não é aquilo que corre, mas aquilo que arrebata, arrasta, subjuga. E também é capaz de envolver atitudes, estilos de vida, compreensões da realidade, da política. A invenção da luz elétrica “capturou” o ritmo dos nossos dias; as redes sociais capturaram nossa capacidade de relacionamento; a inteligência artificial capturou nossa maneira de pensar. A teologia rápida, portanto, não é um atalho intelectual. É, ao contrário, a capacidade de apreender as questões à medida que surgem e de oferecer respostas com uma flexibilidade quase intuitiva, sem pretender ser exaustiva. Não se trata de correr atrás das notícias, mas de vivenciar a história enquanto ela acontece, superando a tentação de adiar, que é o perigo de um certo tradicionalismo. O desafio crucial é reconhecer que o Espírito de Deus age em tempo real, no meio das crises e das mudanças. "A rapidez do mundo contemporâneo gera confusão, ansiedade e solidão. É por isso que a teologia não pode se limitar a interpretar processos: ela deve ter empatia com as pessoas que os vivenciam. Uma teologia rápida é uma teologia empática. Significa permitir-nos ser tocados pelas feridas do tempo, escutar os medos, reconhecer em novas linguagens — mesmo aquelas frágeis ou temporárias — um desejo autêntico de sentido. Não há rapidez sem compaixão. A intuição espiritual mais rápida é sempre a do amor."

Portanto, este período tempestuoso é o momento de partir para o mar, e a referência evangélica é muito clara: à noite, Jesus está diante da multidão junto ao Mar da Galileia, um corpo d'água exposto a repentinas tempestades de vento. Ele fala de um pequeno barco balançando nas ondas. Naquele exato momento — talvez o menos oportuno — ele os convida a atravessar. Está escuro. Não será uma travessia à luz da lua: o caos chega na forma de águas turbulentas. De repente, "houve uma grande tempestade de vento, e as ondas se quebravam no barco, de modo que ele já estava se enchendo de água". O caos não perturba Jesus. De fato, ele está deitado na popa, dormindo sobre seu travesseiro. E esse sono deve ter sido profundo, se ele não acordou nem mesmo com o bater das ondas e a água que invadiu o barco! O caos não perturba o repouso. O Senhor é sempre o senhor da situação, mesmo quando "dorme". E assim ele intervém como um libertador. Então, imediatamente, "o vento cessou, e houve uma grande calmaria". Jesus pode, portanto, dizer aos seus discípulos: "Por que vocês estão com medo? Vocês não têm fé?"

Esta cena do Evangelho expressa poderosamente a condição da Igreja neste tempo de correnteza: somos chamados a uma fé que não espera a tempestade passar para partir, mas que a atravessa, certos de que o Senhor está conosco, mesmo que pareça estar dormindo.

 

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