sexta-feira, 30 de outubro de 2026

SOLENNITÁ DI TUTTI I SANTI, DI IERI E DI OGGI

SANTO sei tu, oggi, che hai saputo educare il tuo cuore all'empatia e alla compassione, liberandolo da ogni arroganza e indifferenza, e lo hai trasformato in un rifugio sempre attento e aperto a tante persone povere e dimenticate in questo mondo. Per questo possiamo proclamare:

SANTI siete voi che, dopo aver versato tante lacrime di dolore, offrite la vostra spalla a tante persone sconsolate e afflitte affinché trovino consolazione e comprensione. SANTI siete voi che non vi lasciate sedurre dall'idolatria alla sfrontatezza degli arroganti di questa terra e credete nel potere trasformativo della mitezza. SANTI siete voi che non vi sentite mai sazi e combattete la vostra fame e sete lottando contro i produttori di ingiustizia, di disuguaglianza e di fame di pane. SANTI siete voi che consapevoli della vostra fragilità non giudicate chi sbaglia, ma nel perdono offrite loro un' ennesima opportunitá di conversione. SANTI siete voi che detestate travestimenti e maschere, che non aderite alle pratiche degli ipocriti, dei bugiardi e degli adulatori. Nei vostri cuori umili e puri, scoprite che il Padre si rivela nella verità e nella trasparenza. SANTI siete voi, oggi, che pur non avendo il vostro nome stampato in un calendario o venerato in un santuario, continuate, anonimamente, a "compiere miracoli" di caritá e solidarietà con i perseguitati e i calunniati per causa della giustizia, e non vi stancate mai di credere che il "Regno del Padre" è già iniziato, grazie a voi! Credete: il vostro nome è già stato scritto in lettere indelebili nel libro della VITA!

  

Lula venceu e Flávio Bolsonaro fugiu. Artigo de Valerio Arcary

 Lula venceu e Flávio Bolsonaro fugiu. A história acelerou, abruptamente. Nada será como antes. A virada era difícil, e até improvável, mas se confirmou, mais uma vez, que nada é impossível quando a classe trabalhadora se coloca em movimento, inspirando a maioria dos oprimidos, como nas Diretas Já, em 1984, e em 1992 na campanha Fora Collor.

Não foi somente uma campanha eleitoral, embora tudo dependesse do desfecho nas urnas. Aconteceu um levante cívico-eleitoral democrático com impulso revolucionário. Talvez uma forma de “revolução democrática” do século XXI, diante da ameaça fascista. A surpresa do desfecho do primeiro turno, com Flávio Bolsonaro à frente de Lula, e o perigo real e imediato da extrema-direita conquistar um “poder total” nas instituições, foi o gatilho que disparou um alerta geral. O que teria acontecido, se Lula tivesse chegado em primeiro lugar? Não podemos saber. Milhões de pessoas, até então, politicamente inativas teriam despertado para uma militância febril e arrebatadora? Os estudantes teriam saído das universidades para ser a faísca que arrastou mulheres e homens, de distintas gerações, para um ativismo frenético nas ruas e redes? Mas não foi somente o medo. O medo somente não mobiliza. Somente o medo conduz ao desespero. A outra força motriz do ascenso, tão ou mais importante, foi a confiança que era possível vencer. O nome desta fé é a esperança. Em 2018, tivemos o momento tragédia com a eleição de Bolsonaro pai. Em 2026, o momento comédia com a fuga em pânico de Bolsonaro filho.

O que é certo e mais importante é que ficou demonstrado, de forma irrefutável, a força social de choque da classe trabalhadora brasileira, o maior proletariado da América Latina. O Brasil viveu, nas três semanas antes do segundo turno das eleições presidenciais, uma experiência rara, avassaladora e inusitada de mobilização política de massas. A vitória eleitoral de Lula no domingo 25 de outubro é incomparável e não tem precedentes. A virada teve um “empurrão revolucionário”, algo novo, e foi garantida pelo engajamento de uma vanguarda de milhões. O empoderamento da irrupção de massas em uma onda vermelha que ocupou as ruas e tomou as redes sociais foi uma “escola”. As pessoas descobriram que, quando se unem na luta, têm uma força de impacto que é arrasadora. Da Avenida Paulista à praia de Copacabana, de Porto Alegre a Belém, de Salvador a Brasília, de Belo Horizonte a Recife, de Curitiba a Fortaleza, por todas as capitais, mas também em cidade médias e mesmo pequenas, ocorreram as maiores manifestações da história.

Foram atos de esquerda, de uma esquerda que é diversa e plural, em que se ovacionava Lula. A avalanche mudou a relação social e política de forças: estivemos durante dez anos em uma situação reacionária e defensiva. As “placas tectônicas” da estrutura da sociedade se moveram. Estamos agora em ofensiva, e abriu-se uma situação transitória. Mas nada está garantido de antemão. Tudo está em disputa. Vai depender, sobretudo de dois fatores:

(i) da capacidade de iniciativa, da ousadia e determinação do governo Lula;

(ii) da manutenção da disposição de luta popular. A “onda vermelha’ pode morrer na praia.

A construção de uma segunda “onda” será, portanto, o desafio estratégico.

A extrema direita sofreu a maior derrota de sempre e está agora, transitoriamente, acéfala. Mas vai se reorganizar. Além do apoio da Casa Branca tem posições institucionais nos governos estaduais e no Congresso mais fortes do que antes. Se as massas recuarem, pelas mais diversas razões, pode se estabilizar uma situação de impasse na luta de classes. Se mantiverem a confiança de que é necessário ir além pode se abrir uma dinâmica de radicalização pré-revolucionária. Tanto a evolução do governo, se irá avançar ou pactuar, como a evolução da força das ruas, se irá se manter, e crescer para novas formas de democracia direta e auto-organização, mais “leves e rápidas”, embriões de poder popular ou não, definirão nosso destino.

Aprender com a experiência da “onda vermelha” será crucial para o futuro da esquerda. Este é uma daqueles momentos em que devemos recorrer ao bom método do “empirismo leninista”. Isso significa estudar, minuciosa e pacientemente, o que aconteceu, porque foi inesperado e inédito, surpreendente e colossal. Nada foi tão decisivo como o impulso de luta ininterrupta e permanente, todos os dias.

 

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS E SANTAS DE HOJE E DE ONTEM

SANTO é você, hoje, que sabe educar o seu coração à empatia e à compaixão, livrando-o de toda arrogância e indiferença, e que o mantém como abrigo sempre atento e aberto para tantos pobres e esquecidos desse mundo. Por isso podemos proclamar:

SANTOS são vocês que, após terem derramado tantas lágrimas de dor, disponibilizam seu ombro para tantos aflitos encontrarem consolo e compreensão. SANTOS são vocês que não se deixam seduzir pela idolatria à truculência dos prepotentes desta terra, e acreditam na força transformadora da mansidão. SANTOS são vocês que nunca se sentem saciados, e combatem sua fome e sede lutando contra e os produtores das injustiças, das desigualdades e da fome de pão. SANTOS são vocês que têm consciência de sua própria fragilidade e não julgam os que erram, mas no perdão lhes oferem uma inédita chance de conversão. SANTOS são vocês que detestam disfarces e máscaras, que não aderem à prática dos hipócritas, dos mentirosos e dos bajuladores. No seu coração sem subterfúgios e límpido descobrem que o Pai se revela na verdade e na transparência. SANTOS são vocês, hoje, que, mesmo não tendo o seu nome impresso num calendário ou venerado num santuário, continuam, anonimamente, a ‘operar os milagres’ da caridade e da solidariedade para com os perseguidos e os caluniados por causa da justiça, e não cansam de acreditar que o ‘Reinado do Pai’ já começou! Acreditem: o seu nome já está escrito com caracteres indeléveis no livro da VIDA!

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

XXX Domingo Comum - Não maltratem o 'estrangeiro'! Vocês se esquecem o quanto dói ser ignorado e excluído?

Após a segunda guerra mundial, meu pai com outros jovens deixaram o nosso povoado à procura de trabalho nas minas de carvão mineral, na França. Naquele frio subsolo respiravam pó de carvão, medo e preconceito. Mamãe fez o mesmo caminho com outras jovens, mas na Suissa, trabalhando como mulher de limpeza, num hotel. Todos eles sentiram na alma o que significou ‘ser estrangeiros’. Às vezes, tem-se a impressão de que as ‘nossas’ segunda e terceira geração olvidaram que nossos pais e avôs fizeram a indelével experiência de serem ‘oprimidos e maltratados’ em terra estrangeira, e reservam aos estrangeiros de hoje, em nossa própria terra, a mesma xenofobia que os nossos antepassados sofreram outrora. Em muitos casos, numa irracional generalização, os estrangeiros são considerados invasores, responsáveis pela violência, pela crise econômica, pela intolerância e pelo desmantelo cultural atual, tal como ocorria na época do Êxodo e do Israel de Jesus. É o próprio Mestre que no evangelho de hoje nos diz que é preciso interromper essa lógica. É preciso amar o nosso próximo, unilateralmente, sem exigir reciprocidade. Amar não somente o parente biológico ou o membro da mesma igreja, ou nação, mas quem ‘convive ao nosso lado’, que trabalha, chora e sonha conosco, independentemente de sua origem, opção sexual, etnia e religião. O amor e não o ódio, a compaixão e não a intolerância, têm o poder de nos transformar em seres que aprendem a amar como o Pai ama seus filhos. Afinal, é amando os filhos de Deus Pai que amamos Ele, diretamente!


segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Como podemos acabar com a tirania do presente na política? Entrevista com Pierre Rosanvallon

 

Em ‘A tirania do presente’, você constata que nossas sociedades deixaram de se preocupar com o longo prazo e as gerações futuras. Quando isso começou?

Podemos fazer retroceder essa desconexão à modernidade. A modernidade representa a ruptura do mundo dos direitos, da subjetividade e da humanidade. E essas rupturas ocorreram ao nos libertarmos das amarras do passado e das promessas do futuro incorporadas por religiões que antes ensinavam o sacrifício do presente. Os ritmos políticos e o próprio conceito de coesão social mudaram. Porque se os indivíduos se tornarem senhores do seu próprio futuro, poderão remodelá-lo. Substituímos as instituições imutáveis e herdadas por instituições que podem ser perpetuamente questionadas.

Será que a própria estrutura do nosso sistema político complica a nossa relação com o longo prazo?

A democracia é um regime do presente, e é crucial que assim permaneça, mas deve obedecer a vários ritmos: o das instituições, o da vontade geral, o da lei… Mas a vontade geral não pode ser reduzida simplesmente ao “capricho do momento” ao qual as eleições parecem estar sujeitas. Uma nação tem uma existência que faz parte de um contínuo, portanto, são necessários guardiões dessa continuidade.

Para conciliar urgência e longo prazo, o senhor nos convida em seu livro a examinar nossa condição de terranos, além da de indivíduos e cidadãos. O que esse novo rótulo permitiria?

Os procedimentos institucionais para estabelecer o longo prazo são essenciais, mas não são suficientes. Os indivíduos também precisam ter internalizado essa prática de planejamento futuro. Porque você pode tomar todas as decisões que quiser sobre os comportamentos a serem adotados para reduzir o consumo de energia, por exemplo, mesmo assim os resultados serão extremamente ruins se eles não forem internalizados pelos cidadãos. Na democracia, as decisões institucionais e o comportamento individual devem estar alinhados. Em regimes totalitários, onde o conceito de indivíduo não existe, o problema não se coloca – a vontade da China torna-se a vontade do povo chinês, porque este é forçado a conformar-se; não há diálogo social. Mas, em uma democracia, esse alinhamento é essencial.

E como criamos as condições para esse alinhamento?

O mundo moderno era inicialmente um mundo do indivíduo. O que permitiu que o conceito de cidadão se consolidasse foi o fato de ter emergido gradualmente como uma forma de proteção. Isso não aconteceu de forma repentina. Se deu devido a guerras, lutas de classes e muitas outras provações que demonstraram a importância dessa segunda dimensão.

Você cita Cynthia Fleury na introdução, que essencialmente escreve que, enquanto não “batermos no muro”, não seremos capazes de nos “colocar a caminho”. Pode-se pensar que, entre o retorno da guerra à Europa, a pandemia de Covid-19 e verões que chegam a 42°C, já fomos lançados à realidade em velocidade vertiginosa. E, no entanto, nada parece realmente mudar…

Edgar Morin disse algo semelhante: o “nós” prevalece sobre o “eu” quando enfrentamos uma provação terrível. Mas os eventos atuais mostram que essa narrativa do muro não é totalmente precisa. Não acredito em um caminho de Damasco para as mudanças climáticas, na lógica da conversão pela brutalidade dos acontecimentos.

É por isso que estou desenvolvendo o conceito de exercícios democráticos. Precisamos implementar experimentos, como um “parlamento das gerações”, que poderia ser modelado a partir de convenções cidadãs e nos permitiria abordar diretamente a questão da justiça intergeracional e compartilhar o conhecimento. As teorias da justiça (que são teorias da distribuição) são geralmente concebidas em termos de ricos contra pobres. Essa questão deve ser ampliada para as relações entre gerações. Refletir sobre o que constitui a justiça entre gerações também poderia ter a vantagem de atrair as gerações mais jovens de volta à política. Porque, atualmente, os eleitores mais assíduos são também os mais idosos. Enquanto se poderia pensar que deveria ser o contrário: ao completar 18 anos hoje, você terá que viver a vida inteira com as decisões tomadas pelos governos.

Que mandato exato daríamos a esses “parlamentos das gerações”?

Precisamos de assembleias permanentes das gerações futuras que desenvolvam uma abordagem mais ponderada para o futuro, que permitam a coexistência de vozes divergentes. Mas essas experiências não devem se tornar instituições. As instituições diminuem o ritmo, acalmam as mentes, mas elas devem permanecer despertas.

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

XXIX domingo comum - AOS IMPERADORES DE HOJE SÓ DEVOLVEMOS SEUS AMULETOS, A DEUS PAI DEVEMOS O COMPROMISSO DE PROTEGER QUEM FOI CRIADO À SUA IMAGEM!

A humanidade parece viver um verdadeiro paradoxo, planetário, trágico e, aparentemente, irreversível. Parece que quanto mais a sociedade avança desde um ponto de vista tecnológico, mais ela involui na sua consciência social, organizacional, política. Tem-se a impressão que estamos voltando a cultuar caudilhos, imperadores civis, líderes políticos como se fossem verdadeiros pais-patrões salvadores de uma nação que, incontestavelmente, se submete às suas autocráticas vontades. Jesus, na notória diatribe sobre a licitude ou não de pagar imposto a César coloca algumas orientações e questões centrais que continuam atuais. Aos imperadores de ontem e de hoje é preciso devolver as efígies e os símbolos que eles próprios forjaram, no intuito de perpetuar o seu suposto sagrado poderio. A eles não devemos nada! Só se devolve um desgastado objeto de metal, uma moeda de ferro que representa a sua deformada cara de falso senhor do mundo!  Agora, ao verdadeiro Senhor que não submete e nem escraviza, que não ameaça e nem persegue devemos tudo o que nós temos e somos. Ao Deus que criou o ser vivo à sua ‘imagem’ e semelhança temos a obrigação de cuidar, proteger e salvar os seus filhos e filhas. Afinal, é neles que Deus ‘cunhou’ a sua cara’! Ao protegermos esses templos vivos, reflexos indeformáveis do Pai, e vítimas dos donos das moedas virtuais de hoje, estaremos prestando o único e verdadeiro culto que é agradável ao Deus de Jesus de Nazaré!


sexta-feira, 9 de outubro de 2026

XXVIII Domingo Comum - QUEM ACEITA PARTICIPAR DO BANQUETE DO PAI NÃO PODE FICAR DO LADO DE QUEM EXCLUI DO BANQUETE!

Há oportunidades que aparecem na nossa vida que são únicas. Existem convites específicos a nós dirigidos que devem ser acolhidos no instante, pois nunca mais voltarão. Ocorre que estamos tão obtusamente fixados no que conhecemos e experimentamos de forma rasteira que não percebemos tudo isso como ‘momentos inéditos de graça’ que poderiam mudar qualitativamente a nossa existência. Só com o tempo é que constatamos, com tristeza, o que perdemos. O evangelho de hoje nos alerta sobre duas coisas. 1. Os convites a entrarmos numa nova lógica e prática de vida que as circunstâncias do cotidiano nos oferecem, ao serem ignorados e desprezados por nós, serão aproveitados, inexoravelmente, por outras pessoas. Depois disso, não cabe nem inveja e nem ressentimento. 2.Ao compreendermos, porém, a importância única de aceitarmos o convite a entrar na nova lógica da Realeza do Pai, com atitudes e valores bem específicos e bem diferentes daqueles que o anti-reino oferece, faz-se necessário "vestir a camisa'. Ou seja, é imprescindível assumir radical e definitivamente aquele compromisso-missão de construir o novo jeito de ser e viver inaugurado por Jesus. Aceitar o convite para o banquete do reino e não vestir-incorporar a sua lógica de fraternidade, de comunhão, de justiça, produzirá a nossa própria autoexclusão. Afirmar ser discípulo de Jesus e apoiar os representantes do anti-reino que excluem e perseguem é sinal que nunca vestimos, de fato, a camisa do Reino do Pai!