terça-feira, 11 de agosto de 2026

BREVES E....TRÁGICAS

Nunca houve um julho tão quente nos registros científicos para os oceanos da Terra. Dados do serviço de monitoramento climático Copernicus, da União Europeia, confirmaram que o mês passado repetiu a trajetória de junho e se tornou o julho mais quente já registrado nos oceanos fora das regiões polares. A temperatura média da superfície do mar foi de 20,96ºC, superando o recorde anterior, de 20,89ºC, em 2023. Considerando os oceanos polares, o número do último mês ficou apenas 0,01ºC abaixo do recorde histórico de julho de 2024. 

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Em meio ao crescimento acelerado dos contágios de sarampo nos Estados Unidos, Donald Trump assinou nesta segunda-feira um novo decreto para reduzir as vacinas previstas para as crianças e dividir a injeção contra sarampo, caxumba e rubéola. A ordem executiva é a mais recente tentativa do governo republicano de impor seu critério ao calendário de vacinação estipulado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do país. São os CDC, e não a Casa Branca, que têm autoridade para isso.

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terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na manhã de segunda-feira, o pior deste século, teve seu epicentro em uma região assolada pela pobreza há décadas: Chocó. Setenta por cento de seus habitantes, em sua maioria afro-colombianos, vivem abaixo da linha da pobreza monetária (132 euros por pessoa por mês, à taxa de câmbio atual). Essa é uma realidade paradoxal para uma área rica em recursos naturais e com 374 quilômetros de litoral no Oceano Pacífico. Imagens de ruas caóticas e prédios reduzidos a escombros agravam a tragédia de uma região cronicamente negligenciada pelo Estado colombiano.

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Os ataques de colonos são frequentes em Taybeh, a última aldeia cristã na Palestina. O padre Bashar Fawadleh, pároco latino da igreja Cristo Redentor, teme que as famílias sejam forçadas a abandonar suas terras."Não se esqueçam de Taybeh! Taybeh não deve desaparecer no silêncio."Este é o grito de alarme emitido pelo Padre Bashar Fawadleh, que descreve as difíceis condições de vida a leste de Ramallah, na Cisjordânia, onde se localiza a última aldeia totalmente cristã da Palestina. Em Taybeh, mencionada na Bíblia como Efraim, Jesus e seus apóstolos teriam se refugiado. Atualmente, a comunidade local enfrenta intimidação e a ocupação de propriedades privadas, incluindo terras agrícolas e áreas residenciais da aldeia.

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Com grande parte da Cúria Vaticana em clima de férias e o Papa Leão XIV tendo acabado de retornar a Roma após um período de descanso, cardeais e bispos conservadores estão aproveitando a calmaria no noticiário para pedir maior acesso à Missa em latim e lançar dúvidas sobre o processo sinodal em curso.Essas vozes, incluindo três cardeais influentes, recorreram a meios de comunicação aliados para apoiar objetivos que muitas vezes divergem da mensagem do próprio papa. O período de descanso de Leão XIV em Castel Gandolfo, de 5 a 27 de julho, criou um vácuo de notícias na mídia católica, justamente quando a Igreja em geral absorvia dois grandes acontecimentos: a reunião, no final de junho, dos cardeais de todo o mundo para discutir a governança da Igreja e sua ruptura formal mais consequente em tempos recentes, a excomunhão dos adeptos da ultraconservadora Fraternidade São Pio X.

 

Arsenal atômico da Rússia é obra da 'providência divina', diz o patriarca putinista Cirilo!

O Patriarca de Moscovo e líder da Igreja Ortodoxa Russa considerou recentemente que o arsenal nuclear que a Rússia detém, desde os tempos da União Soviética, se devem à “providência divina”, permitindo àquele país manter-se livre e independente. A afirmação foi feita, segundo o site da Letónia Meduza e várias outras fontes, no mosteiro de São Serafim, na festa da descoberta e reconhecimento oficial das relíquias deste santo, que ocorre em 1 de agosto.

patriarca Cirilo nomeou dois físicos soviéticos que lideraram a equipa de investigadores que criaram a arma atómica. “Eles criaram a arma sob a sombra de São Serafim de Sarov, porque, pela inefável providência de Deus, esta arma foi criada no mosteiro de São Serafim”, declarou o patriarca. Ainda que a posição do patriarca de Moscovo acerca das armas nucleares tenha sido já glosada, no passado, o facto de ele ter apoiado e legitimado ativamente a atual guerra de invasão e agressão contra a Ucrânia amplificou-as ainda mais. As reações têm-se sucedido. O chefe da Igreja Ortodoxa Finlandesa, arcebispo Elias, recordou que a ortodoxia convoca a Igreja a orar pela paz em todo o mundo, e não pela vitória das armas de qualquer país. Nessa linha, manifestou profunda preocupação com a forma como o patriarca Cirilo utiliza a retórica cristã para justificar as armas nucleares e respetivo uso. E foi certamente também a pensar nas posições do patriarca Cirilo que o Núncio papal na Ucrânia comentava, numa entrevista ao Vatican News, na última quarta feira, 5 de agosto, contrapondo à importância dos apelos à paz que vêm sendo feitos por Leão XIVQuem pode justificar a guerra? Quem ousa afirmar que a guerra tem algum sentido? Creio que ninguém. Por isso, é preocupante ouvir que ainda há quem procure distorcer a realidade, atribuir valor moral à guerra ou mesmo abençoá-la. É por isso que rezamos pela conversão dos nossos irmãos e irmãs”.

Existem insanos para todos os gostos. Cirilo é um péssimo representante!

 

 

400 ex-agentes 007 dos EUA denunciam Trump por autoritarismo e culto à personalidade

deriva autoritária não chega com o rugido dos tanques. Muitas vezes, chega com a normalidade. Um presidente revoga cinquenta autorizações de segurança. Um agente 007 é demitido sem que lhe seja dada qualquer explicação. Aqueles que deveriam se opor optam por não fazê-lo, ou aprendem rapidamente a permanecer em silêncio. Enquanto isso, o presidente se dirige ao país, promete "defender os americanos de inimigos internos" e questiona a integridade do sistema eleitoral. 

O alerta vem de mais de 400 ex-funcionários da inteligência americana, que, na plataforma online Substack, denunciaram o plano de Donald Trump: o empresário que prometeu ir a Washington para expor o "estado profundo" está criando uma máquina para centralizar seu poder como nunca antes na história americana. O magnata, dizem eles, está seguindo o manual de instruções de todo autocrata em seu segundo mandato: está enfraquecendo os mecanismos de controle e equilíbrio de poder e tornando o país menos seguro. "Autocratas têm maneiras relativamente comuns de conquistar e exercer o poder", explica Paul Kolbe, ex-funcionário da CIA que trabalhou na antiga URSS e nos Bálcãs. "Para mim, tudo isso se assemelha ao que estamos vendo acontecer nos Estados Unidos", acrescenta. Mark Zaid, advogado de segurança nacional cuja autorização de segurança foi revogada por Trump, está convencido de que o presidente não vai parar: "Todas as barreiras de segurança foram removidas", afirma. "E acho que o pior ainda está por vir." (IHU)

 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

19° domingo comum - É PRECISO ENFRENTAR OS CONFLITOS DA VIDA SEM SE DEIXAR AFOGAR PELO MEDO E PELO DESESPERO!

Conflitos, provações e tensões fazem parte de um cotidiano sempre mais difícil de ser encarado e administrado. No entanto, não há como evitar e fugir das turbulências da vida, frequentemente  carregada de experiências dolorosas de fracasso, de impotência, de decepção e que, às vezes, nos provam para além das nossas forças. Há quem se recuse a reconhecer os dramas da sua vida, não os enfrenta, e se refugia em paliativos, achando que o tempo se encarrega de solucionar. Há quem se apavore diante de desafios desconhecidos, imprevisíveis; fica paralisado, e não consegue esboçar nenhuma reação para encontrar saídas próprias. Jesus, no evangelho de hoje, deixa claro que quem embarca na aventura da vida-missão e deseja alcançar a ‘outra margem’ deve saber que poderá se defrontar com ventanias e tempestades assustadoras, mas terá que encará-las e enfrentá-las, mesmo sentindo medo. O testemunho de Jesus e de outras pessoas que não fugiram perante as perseguições e os conflitos da vida deveria nos motivar-educar a fazer o mesmo: a termos a coragem de surfar as ondas impetuosas da vida sem nos deixar afogar pelo desespero e pelo medo. Saber que, em última instância, outros passaram por isso e venceram. Ter fé que não seremos jamais deixados sozinhos a enfrentar os nossos 'fantasmas', e que, talvez, eles não venham até nós na escuridão da noite da vida para nos assustar e derrubar, mas para nos fortalecer na fé, e para segurar a nossa mão! 


domingo, 2 de agosto de 2026

Quis Jesus de Nazaré o sacerdócio?

Desde há muito tempo vem causando estranheza na minha concepção teológica a natureza do sacerdócio e a sua perpetuidade tal como conhecemos hoje. Lendo e relendo as narrativas evangélicas salta aos olhos a ojeriza que Jesus alimentava em relação à classe sacerdotal em geral e às castas religiosas da sua época. Seria preciso se perguntar se essa atitude era ditada pela sua pessoal convicção de que Deus Pai não precisava de sacrifícios e de mediadores, ou seja, sacerdotes profissionais que executavam especificamente os sacrifícios num determinado espaço sagrado, ou se porque eles eram meros aproveitadores, executores incoerentes de uma prática histórica e cultural que estava açodada desde tempos remotos. Longe de nós em querer responder exaustivamente a tais perguntas. Cabe, no entanto, observar que não temos nenhum dado que relate que Jesus frequentava o templo para oferecer sacrifícios e, mais, para utilizar os serviços religiosos daqueles sacerdotes, seja qual for o serviço solicitado. Temos, isso sim, registros do repúdio veemente de Jesus para com todos aqueles que ofereciam sacrifícios e holocaustos e que achavam que mediante os sacrifícios poderiam angariar a benevolência e proteção do Pai que, diga-se de passagem, fazia chover sobre os bons e sobre os maus. ‘Misericórdia eu quero, e não sacrifícios’ repetia Jesus ao fazer coro com os profetas clássicos do Antigo Testamento. Ao considerar inúteis os sacrifícios, Jesus, direta ou indiretamente, decretava obsoleto o papel dos sacerdotes, os únicos habilitados a oferecer de forma legal e digna os sacrifícios pelo povo. 

Haverá quem diga que o sacerdócio de Jesus não se inscreve no perfil-natureza do sacerdócio do Antigo Testamento. Ele teria, então, criado um outro tipo de sacerdócio? Qual, quando, onde, para que? Ou, por acaso, os seus seguidores-discípulos lhe conferiram esse ‘título-serviço’ em contraposição ao sacerdócio clássico tradicional de matriz judaica, mesmo sem possuir qualquer tipo de registro histórico e testemunho a respeito? Teriam eles, os seguidores de Jesus, atribuído algo que o Jesus histórico nunca atribuiu a si próprio, e nem de longe teria imaginado reproduzir ou recriar uma espécie de sacerdócio pessoal ‘sui generis’? Há quem se identifique com a suposta ‘teologia do sacerdócio’ contida na carta aos Hebreus, mas não cabe dúvida que ela ‘produz um sacerdócio’ que passa longe de qualquer informação histórica da consciência e da prática de Jesus a esse respeito. Certamente é sedutor afirmar que Jesus é o único e verdadeiro Sumo Sacerdote, mas, vamos lá, Jesus detestava e desacreditava os sumos sacerdotes da sua época responsabilizando-os por ter transformado o templo num covil de ladrões, corruptos e manipuladores. Teria Jesus gostado de receber tal título a distância de anos, e que fazia referência e comparação com os seus antigos opositores? E mais: entraria na cabeça de Jesus uma referência direta a um tal de Melquisedeque para justificar um suposto ‘perpétuo sacerdócio’?

O impressionante é que até hoje para justificar que um sacerdote é ‘sacerdote para sempre’ cita-se, com a maior naturalidade, um velho xamã pagão (Melquisedeque), de duvidosa existência, - e Jesus, o ‘verdadeiro, o único mediador’ - está longe de ser citado por Ele não ter sustentado e justificado um sacerdócio formal que Ele jamais quis, instituiu, proclamou e defendeu...Se pudéssemos, paradoxalmente, entrar na mente-consciência de Jesus, - a partir, contudo, dos escassos dados bíblicos, - podemos intuir que o Mestre da Galileia aos seus seguidores-discípulos leigos e leigas, - a quem chamava de ‘amigos’, - nada lhes escondia, fazendo-os partícipes de tudo, assegurando, inclusive, que os gestos e os sinais que Ele fazia, eles também poderiam reproduzi-los, e até poderiam realizar coisas maiores do que as Dele. E mais: que o gesto supremo de tornar presente e atuante Aquele Mestre que se foi, mediante a partilha e ingestão de um pão e de uma taça de ‘vinho tinto de sangue’, eles, os leigos e leigas do grupo de Jesus, estariam assegurando a Sua permanente presença, de forma singela, fraterna, embora sem mandato, sem ordenação, e sem posse solene.

 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

18° Domingo Comum - MULTIPLICAR COMPAIXÃO PARA QUE NINGUÉM PASSE FOME!

Certa vez um ex-ministro da economia elogiou publicamente um ex-presidente da República, seu opositor político, por ter ele tirado da fome mais de 30 milhões de pessoas, num breve espaço de tempo, com baixos investimentos e com alguns ajustes nos programas sociais. Sem mágicas, aquele mandatário mostrou que com pouco se pode fazer muito em favor de quem passa fome, e que não pode ‘comprar’ comida. A preocupação de Jesus no evangelho de hoje não é tanto com a falta de alimento, pois Ele sabia que, mesmo mal distribuído, já se encontrava no meio da multidão. A angústia do Mestre era, antes, ‘multiplicar o pão da compaixão e da generosidade’ daqueles que têm abundância de comida, mas têm escassez de sensibilidade.Diante do drama de um povo faminto, Jesus descarta, radicalmente, aderir à lógica do mercado: comprar e vender; quem têm dinheiro, compra, quem não têm, passa necessidade. Entende que poucos pães e alguns peixes, - se, generosamente, postos em comum, - poderiam saciar um grande número de famintos. Ao persuadir pessoas, - geralmente egoístas e indiferentes, - a colocarem em comum a sua comida pessoal em favor de todos, Jesus opera um verdadeiro ‘milagre’. Um gesto-sinal que, no entanto, está ao nosso alcance! Que sejamos incansáveis multiplicadores e reprodutores de compaixão e de justiça para os que têm fome e sede de equidade!


terça-feira, 28 de julho de 2026

"A Cisjordânia está sangrando, os colonos estão aterrorizando". Artigo de Padre Ibrahim Faltas

Na Terra Santa, a violência que nunca a abandonou está se intensificando novamente. Essa violência se estende a novos atos de vingança, aumenta o número de mortos e a destruição, diminui as perspectivas de paz e aprisiona mentes e corações atrás de arame farpado. A Cisjordânia queima, sangra e clama em dor e sofrimento. Assim como Gaza, a Cisjordânia é um território que perdeu sua noção de escala e limites, irreconhecível, uma terra dividida física e socialmente, devastada por feridas profundas e violada em sua identidade histórica. Cada canto desta terra sofre violência e destruição diariamente; cada habitante suporta dificuldades, limitações, sofrimento e humilhação que aumentam a cada dia.

Pessoas estão morrendo em uma guerra não oficial, não declarada, porém contínua, constante e generalizada. A queima de casas e terras é incontável; não é mais possível viajar de uma cidade para outra, ou mesmo entre cidades próximas, para buscar atendimento médico de emergência, trabalhar, ajudar parentes ou defender pequenas propriedades familiares ocupadas e adquiridas ilegalmente por colonos autoritários e violentos. Recebo inúmeros pedidos de ajuda para necessidades que se tornaram graves, perigosas e difíceis de atender. Os inúmeros postos de controle — mais de mil — e postos de controle móveis agora fazem parte de uma paisagem que antes definia a história e a vida dos palestinos: trabalho nos campos, vastos olivais, animais pastando, cidades, grandes e pequenas, repletas de sons, cores e vida.

Ao longo dos anos, os assentamentos cercaram todas as aldeias, todos os sinais e símbolos de coexistência. A vida palestina é permeada pela violência, mas eles não a acolhem; pelo contrário, a sufocam. Abafam as esperanças dos jovens que nem sequer conseguem imaginar o seu futuro, destroem as expectativas daqueles que trabalharam incansavelmente para construir o passado e o presente, e destroem os sorrisos e os sonhos das crianças que veem a sua terra devastada, reduzida a nada e desprovida de cor. Pais impossibilitados de levar seus filhos ao hospital para cuidados frequentes, filhos impedidos de reencontrar seus pais idosos e doentes, pais detidos em postos de controle que os impedem de ir trabalhar: essas são situações que se repetem há meses, até mesmo anos, na Cisjordânia. As pessoas estão desesperadas e aterrorizadas pelas inúmeras incursões de colonos que, impunemente, semeiam medo e terror entre os pobres, que não encontram refúgio nem mesmo em suas próprias casas.

Os apelos urgentes do Santo Padre pelo fim da violência devem ser ouvidos tanto por aqueles que a perpetram quanto por aqueles que se omitem em intervir para deter essa espiral interminável. As eleições anunciadas e agendadas para os próximos meses em Israel e na Palestina devem trazer um novo equilíbrio e verdadeira justiça para ambos os povos. A esperança de que o curso da história possa ser mudado não abandona aqueles que têm fé e confiança no Senhor.