Até
a cruz decenal de madeira que acolhia com seus braços abertos e enrugados pelo
tempo os fiéis que frequentavam, outrora, a igreja de São José, em Piquiá de
Baixo, foi barbaramente arrancada por uma pesada máquina niveladora da Prefeitura de Açailândia.
Tudo aconteceu hoje, dia 3 de fevereiro de 2026. Mais uma vez, esse dia será
lembrado como um inesquecível momento marcado pelo abuso e pela truculência
institucional. Funcionários da Prefeitura de Açailândia sob a batuta da
Secretaria Municipal do Meio Ambiente entraram ostensivamente no Piquiá de Baixo para demolir os poucos imóveis que ainda
sobravam. Entre eles a igrejinha de São José. O dramático se repete: sem notificação e sem algum tipo de diálogo
com os donos dos imóveis que ainda sobreviviam acolá. Um verdadeiro rolo
compressor de memórias e de dignidades.
Para surpresa dos católicos, até a igreja católica de São José, um dos
prédios mais antigos de Piquiá de baixo, foi reduzida a uma montanha de escombros. Houve
alguns meses atrás conversas formais e informais para que o templo católico
fosse contemplado como ‘patrimônio histórico’ a ser, possivelmente, preservado
e adaptado para abrigar a memória do lugar. Infelizmente, nunca se chegou a um
consenso ou, se houve algum tipo de entendimento a respeito, os diretos interessados
não tomaram conhecimento. O tempo foi passando e a igrejinha, isolada e sem
proteção alguma vinha sendo sistematicamente depredada. Algumas semanas atrás a
coordenação da paróquia de Santa Luzia concordou que uma empresa pudesse, pelo
menos, preservar o telhado, retirando a madeira ainda em bom estado (caibros e
tesouras) para evitar futuras surpresas por parte de chacais. Em momento algum
foi dada autorização a quem quer que seja para que, posteriormente, se pudesse demolir
o prédio, haja vista que se aguardava uma resposta definitiva quanto ao seu
destino como ‘patrimônio histórico’. Funcionários da Prefeitura alegaram, hoje,
que havia sido aprovado um PRAD (Plano de Recuperação de Áreas Degradadas) em
conjunto com o Ministério Público de Açailândia, algo a ser verificado. Em
momento algum a coordenação da Paróquia e o bispo da Diocese de Imperatriz,
direto responsável da igreja de São José, foram convidados para debater e negociar,
ou foram notificados por escrito quanto à existência desse PRAD. Mais uma vez
observa-se o alto grau de displicência, de irresponsabilidade institucional e de
amadorismo administrativo dos representantes da Prefeitura que demonstraram um
desproporcional zelo em ‘demolir e arrasar’, ao passo que deveriam começar a ‘construir casas populares, zelar pela atmosfera poluída, proporcionar saneamento básico, escolas, hospitais, praças para a população de Piquiá e do município
de Açailândia. Assim não dá!