quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Brasil mantém patamar de 6 mil mortos por ano pela polícia

 

Dados do Ministério da Justiça mostram que País está há quatro anos em patamar elevado de letalidade policial. Especialistas apontam escolhas políticas como principal causa das 6.519 mortes registradas em 2025. Brasil voltou a registrar em 2025 mais de 6 mil mortes em ações policiais, patamar que se mantém pelo quarto ano consecutivo. A série histórica indica que, após um crescimento contínuo entre 2015 e 2021, o país estacionou em um nível elevado de letalidade policial, sem apresentar reduções consistentes.

Em 2015, foram registradas 2.427 mortes em ações policiais. Seis anos depois, em 2021, o número chegou a 6.544 — pico da série. Desde então, as oscilações são pequenas: 6.451 em 2022, 6.398 em 2023, 6.238 em 2024 e 6.519 em 2025. Os números indicam que há um modelo consolidado de segurança pública que mantém esses números tão altos. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança PúblicaAo longo de 2025, as mortes por intervenção policial se mantiveram, em grande parte do ano, num patamar de 500 vítimas por mês. O maior pico ocorreu em outubro, com 705 mortes, seguido por novembro, com 585. O menor número foi registrado em dezembro, com 450. A análise por estados reforça o caráter nacional do problema. A Bahia, governada pelo petista Jerônimo Rodrigues, lidera em números absolutos as mortes por intervenção policial em 2025. O estado nordestino é seguido por São Paulo, onde o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos) comanda. O Rio de Janeiro, sob a batuta de Cláudio Castro (PL), também ligado ao bolsonarismo, ficou em terceiro no registro de mortes.Na sequência aparecem ParáParanáGoiásMinas GeraisCearáSergipe e Maranhão. Estados de diferentes regiões e governados por distintos espectros políticos figuram entre os mais letais. Esse cenário de violência policial institucionalizada se materializa em episódios de grande impacto.

Letalidade é fenômeno político

Para Rafael Rocha, coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz, a letalidade policial é um fenômeno político antes de tudo. Ele avalia que o crescimento observado entre 2015 e 2021 está ligado tanto ao aumento dos conflitos entre facções quanto à consolidação de um discurso que passou a normalizar a violência policial.“A gente tem um aumento ininterrupto de 2015 a 2021. Tem vários fatores, mas talvez dois dos principais sejam o aumento dos conflitos entre o crime e um discurso que vai ser uma das estruturas do bolsonarismo, de que a polícia tem que matar, que ‘direitos humanos é para humanos direitos’”, afirma.Segundo Rafael, esse discurso foi incorporado por governadores de diferentes partidos e orientações ideológicas, inclusive em estados governados pela esquerda, o que ajuda a explicar por que a letalidade se mantém elevada em diversas regiões do país. “Vai ter isso em Minas, vai ter isso em Goiás, vai ter em São Paulo e mesmo na Bahia, que é um estado governado pela esquerda. Os governadores encamparam em vários momentos esse discurso”, diz. 

A reportagem é de Catarina Duarte, publicada por Ponte Jornalismo, 04-02-2026.

 

 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

V domingo comum - Nas trevas e no 'não sentido' da vida é preciso ser luz e sal!

 

Escuridão e trevas parecem marcar a nossa existência muito mais do que a luz. A mídia parece até sentir um gostinho mórbido em publicizar homicídios brutais, guerras, abusos de todo tipo e violência generalizada. Como acreditar que nesse inferno é possível achar e emitir raios luminosos de esperança? Nós mesmos nos autoconvencemos de que somos, mesmo que indiretamente, alimentadores e cúmplices da deterioração social e do obscurantismo político e econômico que corrói a humanidade. Sentimentos de culpa e de impotência se misturam com expectativas de que, se algo bom e iluminador poderá acontecer, num futuro próximo, este só pode vir de fora, jamais a partir de nós mesmos! No entanto, Jesus de Nazaré, continua a convidar um grupinho, um resto minoritário de discípulos, de ontem e de hoje, a ser luz do mundo e sal da terra. Jesus não é ingênuo. Sabe que não se trata somente de disputa simbólica com os produtores de trevas e de ‘não sentido’ que parece dominar mentes e corações. Chegou a hora, e é agora, em que as vítimas da escuridão e do desespero precisam ver e sentir que ainda há pessoas que resistem às trevas da mentira e da manipulação, e que estão dispostas a caminhar ao seu lado para dar sentido ao vazio e à dor que imobilizam sonhos e esperanças. Não desista: seja luz. Seja sal!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

ENTIDADES E IGREJA CATÓLICA LANÇAM NOTA DE REPÚDIO CONTRA IRREGULARIDADES COMETIDAS PELA SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE DA PREFEITURA DE AÇAILÂNDIA EM PIQUIÁ DE BAIXO

 

NOTA DE REPÚDIO

 

Piquiá, 06 de fevereiro de 2026

 

Na manhã do dia 03 de fevereiro de 2026, ocorreu em Piquiá de Baixo mais um episódio de extrema gravidade institucional, revelador de ilegalidades administrativas, violação de direitos fundamentais e grave déficit de condução democrática no processo de finalização da transferência das famílias daquela comunidade. Na referida data, representantes da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, com o auxílio de maquinário pesado pertencente a empresa vinculada à AVB (Aço Verde Brasil), ingressaram na área de Piquiá de Baixo, entre os escombros de residências anteriormente demolidas, sem qualquer aviso prévio, notificação formal ou apresentação de ordem administrativa individualizada, procedendo à demolição imediata da histórica Igreja de São José, bem de inegável valor simbólico, cultural e religioso para a comunidade local.

Na sequência da intervenção, o agente que se identificou como responsável técnico e coordenador da operação, na qualidade de representante da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, passou a pressionar moradores presentes no local, aplicando multas, inclusive em situação que resultou na violação da porta de uma residência ainda ocupada, contendo móveis e eletrodomésticos, ato que somente não culminou em demolição em razão da intervenção direta e imediata do proprietário do imóvel.

A conduta acima descrita mostra-se incompatível com o exercício regular da função pública, sobretudo diante da posterior constatação de que a justificativa apresentada no momento da ação, a suposta existência de ato administrativo formal, consensuado com o Ministério Público, e amparado em um PRAD (Programa de Recuperação de Áreas Degradadas), não correspondia à realidade fática.

Tal afirmação foi expressamente desmentida, no prazo de 24 horas, pelo Promotor de Justiça do Meio Ambiente de Açailândia, que esclareceu a uma comissão da sociedade civil que o esboço do PRAD, - inclusive por ele solicitado reiteradas vezes ao longo de meses, - somente lhe fora apresentado na tarde daquele mesmo dia, pelo próprio Secretário Municipal de Meio Ambiente, para fins de análise e debate, inexistindo, portanto, qualquer autorização prévia para a ação executada.

O que se evidencia e desperta profunda indignação, portanto, é a adoção reiterada de um modus operandi administrativo marcado pela imposição unilateral e precipitada de medidas extremas e irreversíveis (demolição), pela supressão de instâncias de diálogo, pelo apagamento de memórias incômodas (poluição intensa, óbitos por doenças pulmonares, queimaduras graves pela munha quente despejada nas proximidades das casas, sistemática ausência dos poderes públicos, etc.) pelo desrespeito a acordos em construção e pela afronta a princípios basilares da administração pública, notadamente a legalidade, a finalidade, a publicidade, a razoabilidade e a participação social.

 Diante desses fatos, nós, associações, entidades da sociedade civil, Igreja Católica de Piquiá (Diocese de Imperatriz) e cidadãos e cidadãs abaixo assinados, tornamos pública nossa denúncia e veemente repúdio a mais um conjunto de abusos praticados por representantes da Prefeitura Municipal de Açailândia contra famílias que ainda permanecem em Piquiá de Baixo, à espera de solução definitiva e digna para sua realocação.

Desde o início do processo de transferência das famílias de Piquiá de Baixo, instaurado há mais de um ano, para os locais previamente negociados e definidos de comum acordo para seu reassentamento, bem como para a subsequente demolição das moradias, os representantes da Prefeitura encarregados da execução dessas medidas vêm reiteradamente praticando irregularidades administrativas como a notória falta de notificação para muitas pessoas, em afronta direta aos princípios da legalidade, da participação social e da gestão democrática, condutas que não podem nem devem permanecer sem a devida apuração e responsabilização. O ocorrido em 03 de fevereiro não constitui fato isolado, mas representa reincidência grave de práticas administrativas irregulares, perpetradas por órgãos que têm o dever funcional de cumprir a lei, respeitar os acordos firmados, dialogar com a comunidade e mediar conflitos, e não de agravá-los por meio de ações arbitrárias.

 Diante do exposto, os signatários requerem e exigem:

1. A imediata apuração administrativa e o afastamento cautelar dos agentes públicos responsáveis pela ação que resultou na demolição da Igreja de São José e na tentativa de demolição de residência ocupada, sem prévia notificação, por manifesta incompatibilidade com a condução adequada do processo de realocação das famílias de Piquiá de Baixo.

2. Que a empresa AVB (Aço Verde Brasil) que desde o início do processo de transferência e de demolição das casas vem proporcionando apoio logístico concreto diga explicitamente qual o seu papel no processo de demolição das casas,  esclareça formalmente se tinha ciência ou não da metodologia adotada pelos órgãos municipais na execução da ação do dia 03 de fevereiro, e que tipo de apoio logístico concreto forneceu na ocasião, sob pena de ela ser suspeita de cumplicidade e de conivência com os autores das irregularidades.

3.   Que a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Maranhão, por intermédio da Delegacia de Polícia Civil de Açailândia, proceda à investigação rigorosa e imparcial dos fatos já noticiados por meio de Boletim de Ocorrência regularmente registrado, promovendo a devida apuração e responsabilização legal dos envolvidos;

4. Que o Ministério Público do Estado do Maranhão convoque, com urgência, reunião institucional com todos os atores sociais envolvidos, tendo com finalidade a análise de eventuais danos morais e materiais causados e a construção de metodologias consensuais, transparentes, respeitosas e legalmente adequadas, capazes de evitar a intensificação de conflitos, da vulnerabilidade social e o aprofundamento do sofrimento humano das famílias e cidadãos afetados.

 Paróquia Santa Luzia do Piquiá

Ass. Justiça nos Trilhos

Missionários Combonianos

Centro Frei Tito

Ass. Carlo Ubbiali

Sindicato Trabalhadores Rurais de Açailândia

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Depois de 25 anos de ressurgido padre Carlo Ubbiali continua presente naqueles que lutam por dignidade e direitos!

 

25 anos atrás, no dia 04 de fevereiro de 2001, vinha a falecer num acidente de carro o Padre Carlo Ubbiali, amigo, irmão e companheiro. Ele havia nascido em Brignano (Bergamo - Itália) aos 28 de junho de 1939. Um quarto de século já se passou, mas o legado desse missionário ‘fidei donum’ de Bergamo continua a interpelar e a iluminar. Chegado ao Maranhão no final dos anos 70 participa ativamente das mudanças sociopolíticas e eclesiais do Estado. Ele entendia que a igreja não era somente servidora do ‘altar’, mas do povo que participava ou que era excluído do banquete da vida e do direito. Desde cedo Carlo percebeu a triste realidade, violenta e insegura de milhares de camponeses e de indígenas do Maranhão. Tomou partido: escolheu de ficar com aqueles que não tinham voz e nem vez. Hoje, ao fazer referência a Carlo significa associá-lo imediatamente à sua atuação como missionário aliado e companheiro dos povos indígenas no Estado que ainda gritam por respeito e por direitos. Um grupo de amigos, entre missionários e leigos, nunca quis permanecer na contemplação de sua memória ou na mera saudade, mas deu vida a uma agremiação que é atuante até aos nossos dias, e que tenta dar continuidade ao que ele iniciou outrora: a Associação Carlo Ubbiali. Não quis e não quer ser uma simples homenagem à vida e ao testemunho de Carlo, mas uma ousada tentativa de manter viva a metodologia, a sensibilidade, os cuidados e as intuições e, porque não, amor mesmo, de alguém que mesmo ausente fisicamente continua iluminando e motivando.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Secretaria de Meio Ambiente de Açailândia derruba igreja de São José no Piquiá de Baixo sem dialogar e sem notificar

 



Até a cruz decenal de madeira que acolhia com seus braços abertos e enrugados pelo tempo os fiéis que frequentavam, outrora, a igreja de São José, em Piquiá de Baixo, foi barbaramente arrancada por uma pesada máquina niveladora da Prefeitura de Açailândia. Tudo aconteceu hoje, dia 3 de fevereiro de 2026. Mais uma vez, esse dia será lembrado como um inesquecível momento marcado pelo abuso e pela truculência institucional. Funcionários da Prefeitura de Açailândia sob a batuta da Secretaria Municipal do Meio Ambiente entraram ostensivamente no Piquiá de Baixo para demolir os poucos imóveis que ainda sobravam. Entre eles a igrejinha de São José. O dramático se repete: sem notificação e sem algum tipo de diálogo com os donos dos imóveis que ainda sobreviviam acolá. Um verdadeiro rolo compressor de memórias e de dignidades.  Para surpresa dos católicos, até a igreja católica de São José, um dos prédios mais antigos de Piquiá de baixo, foi reduzida a uma montanha de escombros. Houve alguns meses atrás conversas formais e informais para que o templo católico fosse contemplado como ‘patrimônio histórico’ a ser, possivelmente, preservado e adaptado para abrigar a memória do lugar. Infelizmente, nunca se chegou a um consenso ou, se houve algum tipo de entendimento a respeito, os diretos interessados não tomaram conhecimento. O tempo foi passando e a igrejinha, isolada e sem proteção alguma vinha sendo sistematicamente depredada. Algumas semanas atrás a coordenação da paróquia de Santa Luzia concordou que uma empresa pudesse, pelo menos, preservar o telhado, retirando a madeira ainda em bom estado (caibros e tesouras) para evitar futuras surpresas por parte de chacais. Em momento algum foi dada autorização a quem quer que seja para que, posteriormente, se pudesse demolir o prédio, haja vista que se aguardava uma resposta definitiva quanto ao seu destino como ‘patrimônio histórico’. Funcionários da Prefeitura alegaram, hoje, que havia sido aprovado um PRAD (Plano de Recuperação de Áreas Degradadas) em conjunto com o Ministério Público de Açailândia, algo a ser verificado. Em momento algum a coordenação da Paróquia e o bispo da Diocese de Imperatriz, direto responsável da igreja de São José, foram convidados para debater e negociar, ou foram notificados por escrito quanto à existência desse PRAD. Mais uma vez observa-se o alto grau de displicência, de irresponsabilidade institucional e de amadorismo administrativo dos representantes da Prefeitura que demonstraram um desproporcional zelo em ‘demolir e arrasar’, ao passo que deveriam começar a ‘construir casas populares, zelar pela atmosfera poluída, proporcionar saneamento básico, escolas, hospitais, praças para a população de Piquiá e do município de Açailândia. Assim não dá!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

IV domingo comum - AS BEM-AVENTURANÇAS NO PRESENTE INDICATIVO!

Feliz é você que ao vencer o seu orgulho e a sua indiferença se torna humilde de coração, e na solidariedade empática se torna do pobre um verdadeiro irmão!

Feliz é você que ainda se comove ao ver uma mãe que chora. Feliz é você quando diante da sua dor você não a ignora, com ela também chora e, com ternura, a consola.  

Feliz é você que abomina grileiros e os arrogantes; que repudia os que expulsam e prendem sem flagrantes, e desterra todos os que violam a mãe terra.

Feliz é você que não se sente abastecido enquanto não se fartar do pão da justiça e da equidade. Feliz é você que aprendeu a vomitar o refugo da corrupção e da desigualdade.

Feliz é você que sabe se compadecer e amparar, porque ser misericordioso não significa ser cúmplice daqueles que não sabem acolher e nem perdoar. É com a mão estendida que se cura a ferida. 

Feliz é você que numa sociedade enfeitiçada de falsidade e de aparência, no espelho do seu coração você reflete só verdade e transparência. 

Feliz é você que persiste no diálogo e na paz, que não recua diante das armas dos fortes e enfrenta, sem temor, os abusos do déspota e do capataz.

Feliz é você quando, mesmo caluniado, continua coerente e honrado. Feliz é você que não vende a sua alma mesmo quando é pelo seu algoz trucidado.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Anuário da Segurança: PMs mataram mais e morreram menos em 2024 (Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025)

 

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 revela um cenário contraditório na violência envolvendo policiais no país. Enquanto as mortes de agentes de segurança diminuíram 1,4% em 2024, as mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP) aumentaram 8,2% no mesmo período. Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 4.378 pessoas morreram por ação policial no ano passado, contra 4.046 em 2023.

As mortes de policiais registraram leve queda, passando de 216 casos em 2023 para 213 em 2024. A redução de três casos representa diminuição de 1,4% na vitimização de agentes de segurança. Por outro lado, a letalidade policial cresceu de forma significativa, com 332 mortes adicionais causadas por intervenções de policiais civis e militares.

Letalidade policial atinge maior patamar em década

O aumento de 8,2% nas mortes por intervenção policial coloca 2024 entre os anos mais letais da última década. São mais de 12 mortes por dia causadas por ação policial no Brasil, número que representa grave violação de direitos humanos segundo organismos internacionais. A discrepância entre a redução das mortes de policiais e o aumento da letalidade policial levanta questionamentos sobre a proporcionalidade do uso da força. Especialistas apontam que o dado sugere possível despreparo técnico ou uso excessivo de armamento letal em operações policiais.

Violência policial concentrada em poucos estados

Embora o levantamento abranja todo território nacional, a violência policial tradicionalmente se concentra em estados com maior densidade populacional e altos índices de criminalidade. Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia historicamente lideram os rankings de letalidade policial no país. O perfil das vítimas de intervenção policial segue padrão conhecido: jovens negros, moradores de periferias urbanas, em sua maioria sem antecedentes criminais. A seletividade racial e social da violência policial brasileira é documentada há décadas por pesquisadores e organizações de direitos humanos.

Redução na morte de policiais não se traduz em menos violência

A diminuição de 1,4% nas mortes de policiais poderia sugerir melhoria nas condições de segurança dos profissionais. No entanto, o aumento simultâneo da letalidade policial indica que a redução na vitimização dos agentes não resultou em abordagens menos violentas por parte das corporações. Os 213 policiais mortos em 2024 representam média de quase 18 óbitos mensais entre agentes de segurança. O número inclui mortes em serviço e fora do expediente, abrangendo policiais civis, militares e de outras corporações de segurança pública.

Desafio para políticas de segurança pública

Os dados contraditórios evidenciam os desafios das políticas de segurança pública no Brasil. O país precisa simultaneamente proteger seus agentes de segurança e reduzir a letalidade das ações policiais, objetivos que exigem investimento em capacitação, equipamentos não letais e reformas estruturais nas corporações. A manutenção de altos índices de letalidade policial compromete a legitimidade das forças de segurança e alimenta ciclos de violência urbana. Especialistas defendem investimento em inteligência policial, policiamento comunitário e uso progressivo da força como alternativas ao modelo atual, excessivamente letal e pouco eficaz na redução da criminalidade.

 - Os assassinatos praticados por policiais estão sendo naturalizados no nosso País. Da mesma forma as mortes de policiais. Nesses momentos atuais assistimos às manifestações de milhares de cidadãos nos EUA contestando o assassinato de dois cidadãos americanos pelas mãos da ICE, os milicianos do Trump. Da mesma forma, quando ocorre um homicídio de um negro por um policial inúmeras revoltas ocorrem no País....Aqui parece que se naturalizou definitivamente a matança, a chacina, o linchamento de bandido e não bandido, das mortes por 'bala perdida'.....quanta diferença!