Frequentemente as nossas atitudes e perspectivas denunciam que somos ainda demasiadamente terrenos, quase rasteiros. Não conseguimos nos desvencilhar de um imediatismo interesseiro e opaco. Temos dificuldade de nos transcender, de enxergar um pouco mais além do nosso nariz. Afinal, somos crias e multiplicadores de uma cultura supostamente pragmática e eficiente do aqui e agora. Jesus, no evangelho de hoje, ao se distanciar fisicamente dos seus discípulos, em lugar de consolá-los e conformá-los, os incentiva a fazer novos discípulos, novas testemunhas do Pai. Em outras palavras, os catapulta para fora do mundinho tapado em que viviam e atuavam, e os envia para se inserirem nos grandes cenários e desafios da sociedade. Jesus não quer uma seita de cultuadores piedosos, adoradores submissos da sua pessoa, mas reprodutores incansáveis de sua prática, e protagonistas ousados da Boa Nova nos quatro cantos do planeta. Chegou a hora de pensar e agir grande. De olharmos a nossa realidade com os olhos de quem a vê desde o Céu. Que sabem descortinar com clarividência, agora, novos e invisíveis horizontes e perspectivas de vida. Mas para tanto é preciso, urgentemente, que aprendamos a nos elevar, a nos distanciar de nós mesmos e a nos educar a enxergar as pessoas da nossa humanidade que ninguém vê e ninguém convida!
Claudio Maranhão
foto: Claudio Bombieri -
sábado, 16 de maio de 2026
terça-feira, 12 de maio de 2026
Pela primeira vez, as guerras estão deslocando mais pessoas do que inundações, tempestades e outros desastres naturais
Imaginemos um assentamento que abrigasse mais de 82 milhões de pessoas — praticamente a população da Alemanha. Isso é real, mesmo que não sejam todas juntas: é o número de pessoas que foram deslocadas internamente dentro de seus próprios países no final de 2025, após fugirem de conflitos armados ou desastres naturais, de acordo com as estimativas mais recentes do Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC), a principal organização global para medir e analisar esse fenômeno, que publicou seu relatório anual nesta terça-feira.
Cada ano traz um desenvolvimento diferente, mas todos apontam na mesma direção: a deterioração global está se agravando. Durante anos, desastres naturais — inundações, tempestades, ciclones — causaram muito mais deslocamentos populacionais do que conflitos armados. De fato, 2024 foi um ano excepcionalmente devastador em termos climáticos. Mas as guerras vêm ganhando terreno na dinâmica global de deslocamento forçado e, em 2025, pela primeira vez desde que registros globais comparáveis começaram a ser mantidos, guerras e violência causaram mais deslocamentos forçados dentro dos países do que desastres naturais: os conflitos desencadearam um recorde de 32,3 milhões de movimentos populacionais (um aumento de 60% em relação ao ano anterior), em comparação com 29,9 milhões ligados a desastres naturais. Em 31 de dezembro de 2025, um total de 68,6 milhões de pessoas estavam vivendo longe de suas casas devido à guerra e outras 13,6 milhões devido a eventos relacionados ao clima. (IHU)
Nem galinhas nem crocodilos: a lição das mães que nos ensinam a voar. Artigo de Massimo Recalcati
A literatura psicanalítica, basicamente, forneceu um retrato patológico da mãe. Um bestiário variegado a descreveu como uma desgraça a ser evitada como a peste: a mãe — a mãe galinha ou crocodilo, polvo ou vampiro — é a mãe que invade abusivamente a vida do filho, recusando sua perda; na linguagem freudiana, mas também junguiana, é a mãe devoradora que, em vez de se separar de seu fruto, o absorve canibalisticamente. Mas essa versão tentacular da mãe — da qual a prática clínica ainda oferece inúmeros exemplos hoje — só pode ser a versão patológica da maternidade. A essa, dever-se-ia acrescentar a figura da mãe morta ou fria, como o oposto da devoradora, ou seja, a mãe que abandona seus filhos tornando-se ausente. Também dever-se-ia tentar, contudo, ser mais justos com a mãe e, portanto, evocar não apenas sua onipotência devastadora, mas também seu ser figura insubstituível de cuidado. O filho, dizia Rainer Maria Rilke em um poema pungente, é como o orvalho que precisa de uma planta para se sustentar. E essa planta seria, precisamente, a mãe. Para além da identidade biológica, dever-se-ia lembrar, antes de tudo, que ser mãe não é o mesmo que ser a figura genitorial do filho.
Ser mãe não é um dado da natureza, mas uma experiência que consiste não tanto em gerar a vida, mas em cuidar dela de forma autêntica. Nesse sentido, Françoise Dolto lembrava que toda mãe é fundamentalmente sempre adotiva, no sentido de que o que a torna tal não é a continuidade biológica com o filho, mas, precisamente, o ato de cuidar. Poderíamos então dizer, de forma mais radical, indo além da identificação do materno com um único sexo específico, que existe uma mãe sempre que há um ato de cuidado ou, se preferir, que todo ato de cuidado se revela, em sua essência, profundamente materno. Mas em que consistiria um ato de cuidado? A resposta a essa pergunta nos leva a perceber como a lição da mãe vai muito além do bestiário no qual se gostaria de aprisioná-la.O ato de cuidado materno consiste, basicamente, em reconhecer a diferença substancial que distingue o nome do número. Aos olhos de uma mãe, de fato, cada filho é filho único, mas não na ordem do número. É filho único porque é filho insubstituível e incomparável. A lógica que inspira o cuidado materno nunca é aquela do geral, mas aquela do particular. Nesse sentido, Lacan lembrava que o amor materno é sempre amor pelo nome. É amor pela diferença do outro que rejeita ou encara com justificada suspeita qualquer generalização. A lição da mãe nos lembra, em outras palavras, que o amor que cuida nunca pode ser amor pela vida em geral, mas apenas amor de cada um, pelo filho por ser único, pelo seu nome mais próprio. Seu cuidado, portanto, nunca poderá ser procedural, protocolar, nunca será anônimo, impessoal, mas sempre particularizado. Nesse sentido, a lição materna também deveria ressoar em nossa vida civil e política, que com muita frequência demonstra sinais de incúria, ou seja, de confundir, em vez de distinguir, o nome do número.
Quando
nos sentimos mais maltratados senão justamente quando nosso nome é confundido
com um número? Esse é o risco da ação política, que muitas vezes pensa por meio
de números em vez de nomes. Basta pensar na guerra como o fenômeno mais radical
da incúria, podemos ver claramente como ela contradiz radicalmente o código
materno. Se a maternidade, ao cuidar de cada indivíduo, torna a vida
insacrifável, digna de ser considerada, como o Papa Francisco nos lembrou com força,
"imensamente sagrada", a política pode, ao contrário, fazer do
sacrifício do particular a sua ideologia subjacente. As vidas individuais não
valem nada em relação à necessidade geral. Diversamente, o ensinamento materno
nos lembra que ninguém é dono da vida de seu filho, nem mesmo quem a concebeu
ou adotou. Pelo contrário, o que a maternidade demonstra é a
existência de uma hospitalidade — acolher a vida do filho no próprio corpo —
que renuncia a todos os direitos de propriedade.
É
isso que vemos nestes belos meses de primavera nos parques públicos, quando
encontramos mães ensinando seus filhos a caminhar. Um gesto aparentemente
simples, mas que carrega em si toda a lição do amor materno: a você
que foi sangue do meu sangue, vísceras nas minhas vísceras, eu ensino a
caminhar, a se afastar de mim, a trilhar seu próprio caminho. Esse é o cerne
mais profundo da grande narrativa bíblica do Rei Salomão. Seu famoso estratagema da espada revela que a
verdadeira mãe não é aquela que reivindica o filho como sua propriedade, mas
aquela que está disposta a perdê-lo, a renunciar a toda propriedade, contanto
que a vida daquele filho seja salva.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
'MAMÃE EU QUERO SER PREFEITO...MENTIR SOZINHO EU SOU CAPAZ....'
‘Mamãe,
não quero ser prefeito, pode ser que eu seja eleito
e alguém pode querer me assassinar. Eu não preciso ler jornais
mentir sozinho eu sou capaz, não quero ir de encontro ao azar...’
Assim começa a música ‘Cowboy fora- da- lei’ de Raul Seixas em 1987. Certamente o nosso autor sabia muito bem que eventuais assassinatos preconizados nas letras da sua canção não viriam pela mão de um povo desiludido ou ludibriado pelas promessas não mantidas por prefeitos vencedores. Afinal, quem teria coragem de cometer tais barbaridades com administradores públicos só pelo fato de não cumprirem o que prometeram? É tão corriqueira essa realidade no nosso País que, se assim fosse, teríamos poucos prefeitos sobreviventes! Em geral, as fantásticas promessas que os candidatos gritam de seus palanques ou chegam até a assinar em cartório são dirigidas para o ‘povão’ que, sistematicamente, sabe que jamais serão cumpridas e que jamais serão punidas pela justiça. Dito de outra forma, ninguém do ‘povão’, pelas informações que temos desses últimos 45 anos, atentou à vida de algum prefeito em exercício por ele não ter cumprido suas promessas. Entretanto, o mesmo não pode ser dito daqueles grupos políticos com densidade política e interesses econômicos de destaque dentro de uma unidade municipal, sejam eles aliados de ocasião ou opositores de conveniência ao prefeito vencedor. Interesses variados contrariados, promessas de cargos não mantidas aos amigos ou supostamente tais, desentendimentos e disputas internas que fogem ao controle são motivos mais que razoáveis para a eliminação física de quem administra. Pelas estatísticas, na maioria dos casos de assassinato de prefeitos, há sempre um ‘vice’ envolvido. Ou seja, parece ser ‘briga de branco’ em que o ‘povão’, sempre à margem, não se imiscui. Somado a tudo isso, há que se constatar que até aqueles setores do ‘povão’ mais aguerridos em reivindicar ou denunciar coerência e cumprimento do prometido, há bastante tempo deixaram de fazê-lo. Cansaço, luta permanente desgastante, articulação paciente, diária, têm prazo de validade. Dessa forma, fica bastante óbvio que, em geral, um prefeito administra, preferencialmente, em favor de uma minoria de sanguessugas e de apaniguados que, paradoxalmente, são os únicos que poderiam atentar ao seu cargo e à sua vida.
Uma outra característica de um candidato a prefeito que o Raul cita nas letras da sua obra é a sua capacidade de mentir, da mesma forma que os jornais mentem! Ou melhor, candidatos sabem mentir sozinhos sem ter cumplicidade ou respaldo da mídia. É próprio de um candidato mentir. É tão visceral e tão generalizada essa postura que não chega a escandalizar ou a indignar ninguém. Quantas vezes ouvimos expressões do tipo ‘É o calor da campanha, sabe como é...deixa pra’ lá, releva!’ para tentar justificar os excessos no palavreado, nos gestos, nas promessas alucinantes de uma infinidade de candidatos de todos os espectros políticos e ideológicos. Quem não lembra, por exemplo, daquele famoso candidato que prometia que ‘ia metralhar a petralhada?’, mas acabou ‘metralhando’, com sua incompetência, mais de 700 mil amigos e inimigos?
Dito
tudo isso, qual o peso que se deve dar, então, a um candidato a prefeito que
após ter ouvido um grupo de cidadãos que apresentam um conjunto de normais e
óbvias reivindicações em favor da cidade, e não do grupo, o aprova e se
compromete colocando formalmente a sua assinatura? Será que aquele candidato, uma
vez eleito, ao não cumprir o seu compromisso poderia invocar o ‘calor da
campanha’, ou o ‘clima de campanha e suas dinâmicas’ como justificativa? Ou,
simplesmente, deixa de ser ‘homem de palavra’ em que para ele mentir e assumir
compromissos com a população sabendo, de antemão, que não irá cumpri-los é um
gesto sem peso, sem valor e, principalmente, sem consequências legais? Nobre, seria, se por parte daquele prefeito
eleito ao não conseguir cumprir os compromissos assumidos publicamente viesse a
público esclarecer, mostrar, expor e debater as causas efetivas do seu não
cumprimento. Ocorre que, ao contrário disso, os descumpridores de promessas e
de compromissos fogem, se escondem e voltam a mentir sobre as suas próprias mentiras
que um dia assinaram.
O
caso emblemático do prefeito de Açailândia, no caso Piquiá!
6 ª domingo de Páscoa - VENHA A NÓS O ESPÍRITO DA VERDADE PARA DEFENDERMOS OS INDEFESOS
Como se pode manter convicções e valores de vida em uma realidade onde tudo parece se esvair na atmosfera, e uma trajetória de vida coerente é rotulada pelo ‘senso comum’ como alienação ou insensatez? Como deter, afinal, o rolo compressor do ‘efeito manada’ que, tragicamente, sempre desponta em épocas de crises profundas em que predominam as atitudes massivas do ‘salve-se quem puder’, ou do ‘cada um por si e Deus por todos’? Jesus, no evangelho hodierno, parece deixar claro que não existem saídas individuais. Que a salvação entendida como plenitude de vida, aqui e agora, vem como resultado de um conjunto de imperativos éticos (mandamentos) conscientes, construídos e praticados coletiva e reciprocamente. A superação da sensação de perdição, de rejeição e de desamor é possível somente quando fazemos a experiência concreta de nos sentir defendidos, apoiados e amados por alguém que está sempre ao nosso lado. Um alguém que, mesmo não sendo visível e palpável, o sentimos como um ser vivo que emana segurança, acolhimento amoroso e paz interior. Um ‘ser-espírito’ que nos revela, sistematicamente, que não somos uma massa de órfãos abandonados, ou uma manada alienada de indivíduos enlouquecidos, mas sim, filhos queridos e irmãos solidários de uma mesma família planetária.
VIVA O DIA DAS MÃES!
terça-feira, 5 de maio de 2026
CAOS ADMINISTRATIVO E SOCIOAMBIENTAL EM PIQUIÁ: DE FARSA A TRAGÉDIA!
Muitos
maranhenses não sabem onde fica Piquiá. Poucos sabem que esse vilarejo de pouco
mais de 4 mil residências pertencente ao município de Açailândia é responsável
por quase a metade do quarto maior PIB do Estado do Maranhão. De Piquiá saem
quase 2 bilhões de Reais em aço, ferro-gusa e outros derivados do minério de
ferro que a empresa Vale distribui às empresas siderúrgicas locais e suas
terceirizadas. Diante disso surge espontânea a ideia de que esse aglomerado de
famílias vindas, em diferentes etapas, e de diferentes estados da Federação num
outrora recanto florestal paradisíaco rico em ‘pequi’, ao longo de quase 50
anos, estaria vivendo numa redoma de prata. Ledo engano. Piquiá, em 2026, vive
jogada às traças pelas recidivas e desastrosas administrações municipais, pela
inoperância e o descaso socioambiental sistêmico de suas poderosas empresas
minero-siderúrgicas. Hoje, Piquiá não possui saneamento básico, são poucas as ruas
pavimentadas, verdadeiras crateras surgidas pela falta de manutenção recolhem
esgoto fedorento e águas pluviais, e sem contar com uma praça que seja digna de
tal nome. Entretanto, Piquiá oferece um outro trágico primado que a coloca a
competir de igual para igual com São Luís do Maranhão: os altos índices de
poluição que, quase sempre, são superiores aos permitidos pela OMS (Organização
Mundial de Saúde). Um morador histórico de Piquiá que tem acompanhado as
vicissitudes desse vilarejo ao longo desses últimos 40 anos costuma afirmar que
‘Piquiá é a terra das promessas jamais cumpridas’, tecendo justas críticas aos
diferentes administradores municipais que têm se sucedido e às notórias
empresas minero-siderúrgicas que vêm se notabilizando não somente por suas
superproduções de ferro-gusa, aço, e outros insumos, mas principalmente por
‘distribuírem o pó preto’ que emana de suas chaminés, sem nenhum investimento
significativo, e sem compromisso com iniciativas concretas consistentes de
compensação socioambiental e social’ para a população local.
Uma recente pesquisa patrocinada pela Associação Carlo Ubbiali em parceria com o Departamento de Ciências Sociais – Grupo de Estudo e Pesquisa Trabalho e Sociedade, da UFMA (Universidade Federal do Maranhão), realizada ao longo de 2025 junto a cerca de 200 famílias de Piquiá sobre suas percepções a respeito da realidade socioambiental e do mercado de trabalho dos moradores de Piquiá, revela que 92% identificam a Poluição como o principal problema a ser combatido. Em segundo e terceiro lugar vem a ausência de saneamento básico e a ausência de pavimentação das ruas, respectivamente. Sabe-se que a identificação pura e simples de problemas estruturais como estes não garante a sua solução, mas pode motivar as vítimas do descaso a pressionarem e obrigarem os administradores públicos e outros atores econômicos que impactam o cotidiano de milhares de famílias a rever, radicalmente, a sua (in)capacidade de planejar e apontar prioridades. Foi com esse intuito que na manhã do dia 04 de maio uma comissão de representantes dos moradores de Piquiá reuniram-se com o Ministério Público da cidade de Açailândia. Não é que em diferentes ocasiões não se tenha tentado tecer um diálogo direto com o prefeito e alguns dos seus secretários para debater esses problemas estruturais. Ao contrário. Em pelo menos 4 ocasiões houve a possibilidade de pôr na mesa dos gestores públicos essas ‘feridas socioambientais’ que há mais de quatro décadas atentam o direito básico de uma vida digna, entretanto, do lado dos administradores públicos só ouvia-se uma monótona promessa de que ‘em 2026 iremos surpreender Piquiá’, ou ‘os projetos já estão prontos, carecem somente alguns ajustes burocráticos’, ou ‘nas próximas semanas formaremos uma equipe para mensurar o nível de poluição, identificar os responsáveis e exigir que as empresas tomem as medidas cabíveis, ou ‘os ônibus para o transporte público (do itinerário Piquiá-Açailândia-Piquiá) já chegaram, falta só criar a empresa municipal e começar a rodar...’ e outras lorotas que só vêm a desmoralizar e desacreditar o que, eufemisticamente definimos como ‘poder público’ de Açailândia. A Promotoria manifestou sensibilidade, esclareceu aos representantes algumas questões específicas e manifestou total disponibilidade em desempenhar o seu papel de mediação e de defensor de direitos coletivos convocando as partes, mas com alguns pontos centrais bem firmes, a saber: 1. Do lado da população ficou a tarefa de resgatar o documento contendo, por exemplo, os compromissos de campanha assinados pelo então candidato e, hoje, prefeito de Açailândia; a síntese e sistematização dos conteúdos-resultados emergidos das diferentes reuniões formais e informais realizadas com representantes da Prefeitura e, por último, a entrega dos resultados da pesquisa realizada ao longo de 2025 sobre as percepções da população de Piquiá a respeito da sua realidade socioambiental. Do lado da Prefeitura, o representante do Ministério Público iria comunicar formalmente o prefeito e os seus secretários para que se preparassem adequadamente, a partir do material fornecido, e em data a ser marcada de comum acordo, a administração pública iria expor tudo o que está sendo planejado para Piquiá, deixando claro os prazos e as modalidades. Haveria, finalmente, uma reunião conjunta para a apresentação e debate, finalizando com a assinatura de um termo de ajuste de conduta. Caso isso não venha a acontecer por falta de cumprimento do acordado, a população de Piquiá não terá outra saída a não ser a judicialização do caso.
AQUI ABAIXO ALGUMAS RUAS DE PIQUIÁ......
sábado, 2 de maio de 2026
5ª Domingo de Páscoa - Ao reproduzirmos as obras de compaixão de Jesus o Pai será visto em nós, e nós seremos um com Ele!
‘Ir ao Pai’ não é fugir da realidade onde vivem e lutam os Seus filhos e filhas. Não é alienar-se de suas existências e, supostamente, contemplar um deus-pai criado sob medida. É, ao contrário, encontrar a essência do amor do Pai comum no mais íntimo das pessoas. É compreender que quanto mais nos adentrarmos nos dramas, nas angústias, nas dores, nas aspirações e esperanças de Seus filhos e filhas poderemos descobrir o verdadeiro caminho para a sua superação. Jesus havia construído uma relação muito profunda e íntima com um Deus concebido e tratado como Pai ao agir com compaixão e ternura para com doentes e rejeitados da sociedade. Quanto mais Jesus se aproximava deles, mais intensamente sentia a paternidade de Deus agindo nele. Isso foi tão forte que Jesus chega a afirmar que quem via Ele, via o próprio Pai, invisível, sim, mas atuante por meio Dele. O mais espantoso, contudo, é que quem acreditar e reproduzir essa relação de amor e de compaixão poderá não somente encontrar verdade e vida, mas poderá produzir ‘obras maiores’ do que aquelas realizadas pelo próprio Jesus. As obras são ações históricas concretas de libertação e de superação de toda dependência, indiferença e intolerância, e não execuções de liturgias vazias e alienantes!








