Muitos
de nós se lembram do que se comentava à época da covid: ‘Nunca mais seremos os
mesmos’. Mergulhados naquela experiência traumática supunha-se que iríamos
aprender a ser, no futuro, mais humanos e mais compassivos, entre outras
coisas. Ledo engano. Após alguns meses, e diminuídos os casos da pandemia, voltou-se
a uma intrigante e constrangedora normalidade. Continuamos com os mesmos vícios
e dependências e, em alguns casos, tornamo-nos até mais embrutecidos. Não
aprendemos a lição de vida que nos era revelada através da dor e da perda! No
evangelho de hoje Jesus enfatiza a necessidade de perdoar sempre, o tempo todo.
Jesus entende que uma pessoa ao se sentir perdoada e agraciada, deveria, por
sua vez, aprender a perdoar e a ser generoso com os demais. Contudo, o Mestre
observa que, infelizmente, o ser humano tende a se deixar dominar pelas suas
pulsões de dominar e humilhar, de controlar e oprimir. Esquece que um dia, ele
mesmo, foi um agraciado, um poupado! É nesse contexto que Jesus deixa claro que
perdoar não é ignorar o mal cometido por alguém. Isto seria uma grave omissão que
cheira a cumplicidade. Perdoar é, antes de tudo, praticar um amor ativo e exigente,
ou seja, ajudar quem errou a praticar, concretamente, a compaixão lá onde ele semeou
brutalidade, e a tolerância onde praticou intolerância.
Claudio Maranhão
foto: Claudio Bombieri -
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
XXIV domingo comum - PERDOAR NÃO É IGNORAR O MAL COMETIDO; É PRATICAR UM AMOR EXIGENTE, E NÃO DESISTIR JAMAIS DO PECADOR
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Sem controle, novos modelos de IA representam 'risco existencial para a humanidade', diz ONU
O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, alertou nesta segunda-feira (7) para a necessidade de elaborar rapidamente mecanismos de governança da inteligência artificial (IA). Segundo ele, formas avançadas da tecnologia "podem representar um risco existencial para a humanidade". Para Volker Türk, quando uma IA escapa de seu ambiente de testes ou chantageia desenvolvedores para evitar ser desligada, "ela é uma IA poderosa demais". A declaração foi feita na abertura da 63ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra. Ele também pediu a adoção de salvaguardas sólidas para a segurança e a proteção dessas ferramentas, "antes que seja tarde demais". O comissário criticou o monopólio em torno da tecnologia, que, segundo ele, está nas mãos de um grupo com poder quase ilimitado sobre a IA e sua capacidade de processamento. "Ela nos é constantemente apresentada como inimaginável. As empresas falam de liberdade, mas, ao olhar mais de perto, percebe-se que se trata sobretudo da liberdade de explorar nossos dados", afirmou. A IA que engana seres humanos já é uma realidade. Os modelos mais recentes não se limitam a seguir instruções e chegam a mentir, agir de forma manipuladora ou fazer ameaças para alcançar seus objetivos, o que preocupa parte da comunidade científica.
terça-feira, 8 de setembro de 2026
O Patriarca e o criminoso de guerra Ratko Mladić
As imagens correram o mundo: longas filas se formaram em frente à Igreja Ortodoxa de São Lucas, na capital sérvia, Belgrado. As pessoas carregavam bandeiras e cartazes, e camisetas estampavam o retrato de Ratko Mladić. Elas vieram prestar suas últimas homenagens a um homem que entrou para a história como o "Açougueiro dos Balcãs" e foi condenado à prisão perpétua como criminoso de guerra. E fizeram isso com a bênção da Igreja Ortodoxa Sérvia. Mais de 300 sacerdotes ortodoxos compareceram à missa de sétimo dia de Mladić na manhã de segunda-feira. Entre os presentes, estavam diversos representantes do governo sérvio. O político nacionalista Milorad Dodik viajou da República Sérvia, a entidade dentro da Bósnia e Herzegovina. A cerimônia religiosa foi presidida pelo próprio chefe da Igreja Ortodoxa Sérvia: o Patriarca Porfirije Perić conduziu pessoalmente o sepultamento. Em seu sermão, o Patriarca minimizou os veredictos do tribunal de crimes de guerra da ONU e defendeu a reabilitação moral de Mladić. "Ele fez um sacrifício e deu a vida pela defesa e sobrevivência de seu povo", disse Porfirije, enfatizando que "os tribunais terrenos não são infalíveis e não aplicam todos o mesmo padrão". Somente o julgamento de Deus é autoritativo. Mladić morreu no hospital penitenciário de Haia há cerca de uma semana e meia. Em 2017, o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia condenou o ex-chefe do exército sérvio-bósnio à prisão perpétua por genocídio e crimes contra a humanidade cometidos durante a Guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995. Seu nome está indissoluvelmente ligado ao massacre de Srebrenica, em 1995. As tropas sérvias sob seu comando invadiram o enclave protegido pela ONU e assassinaram aproximadamente 8.000 homens e meninos muçulmanos. Mladić também foi condenado por crimes cometidos durante o cerco de quase quatro anos à capital bósnia, Sarajevo. Apesar dessa convicção, Mladić continua sendo reverenciado como um "herói" na Sérvia, mesmo após sua morte. Isso ficou evidente não apenas pelas grandes multidões presentes em seu funeral, mas também pela extensão dessa veneração aos mais altos círculos da Igreja Ortodoxa Sérvia. Na semana passada, o Metropolita Metódio da Igreja Ortodoxa Sérvia de Budimlje-ikšić homenageou Mladić como um "santo guerreiro sérvio" durante uma missa em sua memória. "Que a Virgem Maria, cuja Assunção celebramos, eleve também sua alma entre todos os santos guerreiros sérvios, o renomado General Ratko", disse o Metropolita aos numerosos presentes.
Para os Padres dos Pobres, o governo de Milei é o pior da história
O grupo católico Padres pelos Pobres (OPP) afirmou que o governo de Javier Milei está "mergulhando a população em um profundo abandono social" devido à falta de políticas públicas que beneficiem os setores marginalizados. Apontaram para a perda de empregos formais, o endividamento dos bairros, o aumento dos suicídios e as práticas imperialistas e corruptas empregadas por funcionários do governo. Em sua declaração, afirmaram: "Precisamos nos libertar desta encruzilhada neoliberal e fascista. Precisamos rejeitar este, o pior governo da nossa história democrática." O grupo de padres se reuniu na cidade de Sañogasta, em La Rioja, e compartilhou aquela que seria a mensagem final do encontro. Ali, constataram que a pobreza e o desemprego entre os argentinos “só diminuíram nos discursos oficiais” e convidaram os diversos atores sociais e políticos a serem criativos na “busca de soluções para a gravidade da situação para a qual esse modelo está nos conduzindo”. Em relação ao modelo econômico libertário, o grupo afirmou que ele foi concebido para beneficiar "uma minoria privilegiada que não está disposta a abrir mão de seu modo de vida". Além disso, sustentaram que "dar tempo a este governo" significa "afastar-se cada vez mais de uma solução democrática para este projeto nefasto". Eles também apontaram para o uso sistemático de “mentiras como arma política”, mentiras que são amplificadas nas redes sociais por trolls, bots e algoritmos “direcionados em favor dos suspeitos de sempre”. A mensagem condena a “evidente interferência do império”, que pode ser vista nas ações de líderes políticos que “se vendem ao maior lance, traindo assim suas consciências e seu país”. Apesar de tudo, os sacerdotes expressaram otimismo quanto à construção de uma solução democrática, mas enfatizaram que é imprescindível que a sociedade reflita sobre o tipo de país que deseja para o futuro. “Sabemos que uma pátria de irmãos e irmãs é possível, não uma pátria de opressores e oprimidos, patrões e clientes, senhores e escravos.” Para concluir, mencionaram a próxima visita do Papa Leão XIV, de quem esperam receber uma defesa da justiça social e uma crítica ao governo atual: “que ele demonstre compaixão pelos pobres e uma condenação inequívoca dos responsáveis pelas mortes”. (IHU)
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
XXIII domingo comum - APRENDER A RESPEITAR OS RITMOS DE MUDANÇA DE CADA PESSOA, EVITANDO CONDENAÇÕES E ELIMINAÇÕES!
Com inaudita leviandade muitas pessoas se arvoram a juízes das outras. Ignoram os condicionamentos,
os dramas, as atenuantes, e as angústias interiores de cada pessoa e, mesmo
assim, publicam suas sentenças definitivas sobre as demais. Tornam-se
executoras implacáveis e sumárias de supostas normas e padrões de
comportamento, a partir de suas percepções subjetivas. Não há espaço para a
compreensão, para o diálogo, para a escuta sincera, para a busca de caminhos
consensuais. Para esses hipócritas paladinos da rígida moral oficial tudo isso seria sinal
de fraqueza, de cumplicidade e de permissivismo escancarado. No trecho
evangélico de hoje o ‘educador misericordioso’ Jesus nos alerta sobre a
importância de não nos precipitar em julgar alguém que errou, mas deveríamos tentar
compreendê-lo, dialogando, alertando-o, e respeitando o seu ritmo de mudança.
E, mesmo quando a pessoa não dá ouvido às reiteradas admoestações, o que cabe é
um mero pedagógico e provisório afastamento da comunidade, mas jamais uma rejeição ou uma condenação definitiva. Afinal, todos nós sabemos com qual compaixão e
ternura Jesus tratava ‘os pagãos e os pecadores públicos’! Jesus garante àqueles seguidores que se reunem e agem no nome Dele, - e não em nome de seus próprios interesses e conveniências, - a Sua presença efetiva e confirmadora. Afinal, o Pai de Jesus e nosso,
continua apostando na mudança-conversão do coração de seus filhos, em que pesem a
sua brutalidade, insensibilidade e egoismo.
BREVES E DRAMÁTICAS II
Mais de 20 milhões de crianças e adolescentes sofreram abuso sexual facilitado pela tecnologia durante um ano
O
relatório estima que mais de 20 milhões de crianças e adolescentes entre 12 e
17 anos em 21 países sofreram algum tipo de exploração ou abuso sexual facilitado
pela tecnologia durante um período de um ano. Esse número representa um em cada
cinco menores que usam a internet nesses países. Cerca de 300 pastas, divididas
por município e organizadas alfabeticamente. Dentro delas, imagens sexualmente
explícitas de adolescentes, distribuídas sem o consentimento delas. Foram
anunciadas em um grupo do Facebook e posteriormente vendidas
via Telegram por apenas 7,5 pesos (0,38 euros). Foi enquanto
navegava nas redes sociais que uma garota mexicana de 16 anos descobriu que
suas imagens íntimas haviam sido colocadas à venda. A história delas é contada
no relatório "Através dos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias
Digitais Facilitam o Abuso Sexual", publicado nesta quinta-feira
pelo UNICEF,
Interpol e ECPAT International. Trata-se de um dos estudos
mais abrangentes do gênero. O relatório estima que mais de 20 milhões de
crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos em 21 países sofreram algum tipo de
exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia durante
um período de um ano.
A
ameaça da fome paira novamente sobre a Faixa de Gaza. Milhares de palestinos receberam uma
mensagem do Programa Mundial de Alimentos (PMA)
anunciando a suspensão da distribuição de pão. A decisão, tomada no final de
agosto, está ligada à crise financeira causada pela redução do financiamento
internacional. Segundo o PMA, dois terços da população de Gaza estão agora expostos a um
risco concreto de fome, enquanto o sistema alimentar se encontra à beira do
colapso. Para quem vive em campos de refugiados, o pão não é apenas mais um
alimento: muitas vezes é o único alimento disponível. "Dependemos de ajuda
humanitária para alimentar nossos filhos todos os dias", diz Maram
Obeid, de 35 anos, do campo de refugiados de Khan Younis. "Não temos dinheiro para comprar farinha.
Não há lenha nem gás para cozinhar e não temos dinheiro. Vivemos de ajuda
alimentar. Foi de partir o coração saber que até o pão foi cortado. Como vou
alimentar meus cinco filhos?"
Conflitos
no Sudão, República Democrática do Congo, Somália e
norte da Nigéria estão retirando milhões de crianças das
escolas, expondo-as à fome, ao sequestro e ao recrutamento por grupos armados.
Os líderes de diferentes Igrejas cristãs em África pedem que
sejam vistas sobretudo como vítimas e defendem mais proteção, apoio psicológico
e reintegração. "Não é simplesmente uma crise de segurança", mas
antes uma crise de proteção das crianças, de educação, de direitos humanos,
humanitária e de construção da paz. É assim que a reverenda Angele
Wilson Dogbe, diretora do escritório regional da Conferência das Igrejas de
Toda a África (AACC) em Lomé, no Togo, descreve a situação
de milhares de crianças afetadas pelos conflitos no continente. A declaração é
divulgada pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), num
momento em que várias Igrejas cristãs africanas reforçam sua intervenção junto
de crianças atingidas por guerras e deslocamentos.
sábado, 29 de agosto de 2026
XX domingo comum - SE É BOM PARA ELES, OS PREPOTENTES, NAO É BOM PARA NÓS. CRISTÃO TEM QUE ADOTAR OUTRA LOGICA!
Vivemos tempos dramáticos. São o resultados de lógicas de dominação, de negação, de expropriação e de ambições descontroladas, entre outros. Poucos se envergonham por desprezar e permanecer indiferentes diante de abusos de todo tipo, de injustiças e de desigualdades. O ditado ‘cada um por si, Deus por todos’ parece estar inspirando um neo-egoismo sempre mais intenso e carregado de intolerância e de uma violência inéditas. A tentação da solução autoritária e violenta vem permeando e moldando muitas consciências. Delegar a um suposto salvador da pátria que com ‘braço forte’ encontre saídas para todos parece ser a tendência predominante. Pedro e seus companheiros não eram imunes, já naquela época, a esse tipo de tentação e se revoltam quando o ‘suposto ungido’ não se adequa à sua lógica insana. Jesus não se assume como o Messias acalentado e almejado por eles. Não se rebaixa a comungar a mesma lógica alienante de devotos conservadores e das violências de extremistas tradicionalistas. A missão de servir e cuidar de inúmeros crucificados impõe ao seguidor de Jesus que renuncie radicalmente em adotar a lógica alienante e a prática violenta dos crucificadores. A lógica do Pai é outra e o martírio é a expressão mais coerente e radical de inconformismo e resistência aos prepotentes de hoje.