sábado, 14 de fevereiro de 2026

"O retorno da direita é também o retorno de uma espécie de aliança entre a cruz e a espada". Entrevista com Gianni La Bella

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............Impressiona-me o fato de nos encontrarmos em meio a uma metamorfose do contexto sociopolítico; está nascendo uma "América Latina diferente", que deve ser interpretada com novas chaves de compreensão.

Será que foi obra de Trump?

A questão é mais complexa, mas sem dúvida um elemento fundamental é justamente o fato de que, com o governo Trump, a América Latina voltou a ocupar o centro do espectro político. A ideia é restabelecer uma forte hegemonia, após o desinteresse demonstrado pelos governos Obama e Biden. Fala-se abertamente de um retorno à "Doutrina Monroe". De fato, Miami é a "capital" dessa linha política, cuja figura-chave é o subsecretário Marco Rubio, um cubano exilado. Ele é o "cérebro" dessa operação, que visa eliminar a esquerda do continente. Outro aspecto é o desejo de contrabalançar a China, que tem se tornado cada vez mais presente nos últimos anos, especialmente no Chile e no Peru.

No entanto, você também mencionou uma mutação genética interna. O que é isso?

O mais óbvio é que o anti-americanismo, entendido como hostilidade contra os "gringos", os Estados Unidos, não existe mais. Hoje, na América Latina, todos olham para o norte; todos esperam ir morar nos Estados Unidos, considerados a terra da prosperidade. A consequência é a crise do ideal "bolivariano", que fascinou gerações de latino-americanos nos últimos cinquenta anos: o anseio por um subcontinente unido, livre de influência estrangeira. Hoje, nenhum líder da direita latino-americana se refere a essa ideia; todos olham para Washington.

Nesse cenário, o que está à esquerda está fora de lugar?

Por um lado, parece quase "jurássico", com líderes ainda em cena após vinte anos. Por outro lado, justamente aquele que se apresentava como uma grande novidade, o jovem presidente do ChileGabriel Boric, que emergiu como líder dos protestos populares, decepcionou as expectativas e não conseguiu atingir seus objetivos.

De que maneira uma situação social e política tão complexa afeta a Igreja?

Este ressurgimento da direita é também o retorno de uma certa dimensão religiosa, uma espécie de aliança entre a "cruz" e a "espada", que, no entanto, é liderada pelo mundo neoevangélico, por vezes por certas seitas. A voz da Igreja parece fraca... Contudo, nas últimas décadas, a voz da Igreja continental, através do CELAM, tem sido particularmente significativa, e é urgente que continue a sê-lo. É difícil imaginar uma Igreja que permaneça confinada às fronteiras nacionais.

O que esperar?

Papa Francisco, precisamente com vistas a um renovado compromisso social e político, defendeu os movimentos populares em quatro discursos muito importantes. A estas palavras somou-se o quinto discurso, o do Papa Leão XIV, em alguns aspetos ainda mais "revolucionário". Mas devemos acreditar nele; devemos abraçar esta perspectiva. (IHU)

 

Marx chama Kirill de "herege" por sua defesa da "guerra santa" russa na Ucrânia

 

O Arcebispo de Munique, Cardeal Reinhard Marx, manifestou-se contra a instrumentalização da religião para fins políticos, violentos e bélicos, e criticou duramente o Patriarca russo Kirill. Segundo um comunicado da arquidiocese, ele declarou na noite de quarta-feira: "O que o Patriarca de Moscou está dizendo é heresia". Kirill tem endossado repetidamente as políticas do presidente russo Vladimir Putin e descreveu a guerra na Ucrânia como uma "guerra santa". Em uma mesa-redonda realizada durante o terceiro simpósio teológico sobre a paz, que coincidiu com a Conferência de Segurança de Munique, Marx acrescentou: "Vemos a religião sendo instrumentalizada em todos os lugares; alguns líderes religiosos adoram estar perto do poder". Ele enfatizou: "A religião não deve estar do lado dos poderosos, mas do lado dos fracos e das vítimas".

 

Mundo entrou em uma nova era de “falência hídrica”, mostra a ONU

 

Cerca de 4,4 bilhões de pessoas enfrentam escassez de água por pelo menos um mês ao ano; as consequências socioeconômicas e políticas já são sentidas.Um novo relatório da Universidade das Nações Unidas (UNU), braço de pesquisa da ONU, alerta que o mundo entrou em uma era de “falência hídrica”. O termo não é uma metáfora, e sim uma condição crônica que se desenvolve quando um local utiliza mais água do que a Natureza consegue repor, explica o diretor do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da UNU e autor do estudo, Kaveh Madani, no site The Conversation.

Os sinais dessa emergência são abundantes: aproximadamente 70% dos aquíferos subterrâneos estão em declínio de longo prazo; metade dos grandes lagos do mundo está encolhendo; secas em grande escala estão se tornando mais frequentes; cerca de 4,4 bilhões de pessoas enfrentam escassez de água durante pelo menos um mês por ano. O relatório também mostra que a falência hídrica já está causando estragos econômicos e políticos, como o aumento da migração ilegal do México para os Estados Unidos em meio às secas. Como a Folha destaca, os conflitos por água aumentaram de 20 em 2010 para mais de 400 em 2024. Segundo Madani, o desafio não desaparecerá tão cedo, pois as atividades humanas já causaram danos irreversíveis a muitos dos sistemas que geram, regulam e armazenam água doce. O maior desafio – e também maior oportunidade – está no setor agrícola, que consome 70% do uso de água da humanidade.

Para Madani, a tarefa central é prevenir ainda mais danos irreversíveis enquanto reorganizamos o sistema em torno de um orçamento hidrológico menor. E essa mudança é urgente porque “ninguém sabe exatamente quando todo o sistema entrará em colapso”. A ponta de esperança é que, para o especialista, abordar esses desafios produzirá cobenefícios em outras áreas; por exemplo, a restauração de zonas úmidas pode ajudar a reduzir tempestades de poeira, melhorando a qualidade do ar e a saúde pública. Técnicas para aumentar a capacidade das terras agrícolas de reter água podem ajudar os solos a absorver mais carbono.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

VI domingo comum - Os discípulos de Jesus, diferentemente dos fariseus, precisam ir para além da lei e se revestir de compaixão!

 

Infelizmente existem pessoas que escolhem a obediência cega às leis, às nomenclaturas canônicas e aos preceitos achando que vão encontrar vida. Não suspeitam que por trás disso pode se esconder a armadilha da manipulação e da ilusão de achar que estão quites consigo mesmos e com Deus. É preciso libertarmo-nos do jugo do legalismo anestesiante e irmos para além daquilo que a fria lei manda.  Só assim é que fazemos a experiência de sermos discípulos de Jesus e não alunos de qualquer escola de direito ou de moral. No evangelho hodierno Jesus disseca e denuncia as posturas hipócritas e alienantes daqueles numerosos religiosos que se atêm ao rígido cumprimento das normas e proibições, mas são incapazes de sentir dentro deles o ‘imperativo ético’ de, não somente evitar o mal, mas de produzir o bem. Afirmam que nunca desrespeitaram a lei que proíbe de matar, mas, hipocritamente, aplaudem as matanças praticadas por policiais, os linchamentos de ladrão de iPod, e as práticas de difamação e de fake News. Juram de pé junto que nunca traíram a sua legítima esposa, mas, longe dela, são assediadores e predadores patológicos, promotores e coniventes com inúmeras formas de objetificação da mulher. São incapazes de sentir a dor alheia e de ser empáticos com quantos sofrem os abusos da lei e de seus intérpretes. Detestam quem muda uma vírgula do script litúrgico e ritual, mas são incapazes de tornar atual o 'banquete que acolhe!' É PRECISO ‘MORRER PARA A LEI’, como nos lembra Paulo, e assumir a armadura da compaixão e da caridade!


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Brasil mantém patamar de 6 mil mortos por ano pela polícia

 

Dados do Ministério da Justiça mostram que País está há quatro anos em patamar elevado de letalidade policial. Especialistas apontam escolhas políticas como principal causa das 6.519 mortes registradas em 2025. Brasil voltou a registrar em 2025 mais de 6 mil mortes em ações policiais, patamar que se mantém pelo quarto ano consecutivo. A série histórica indica que, após um crescimento contínuo entre 2015 e 2021, o país estacionou em um nível elevado de letalidade policial, sem apresentar reduções consistentes.

Em 2015, foram registradas 2.427 mortes em ações policiais. Seis anos depois, em 2021, o número chegou a 6.544 — pico da série. Desde então, as oscilações são pequenas: 6.451 em 2022, 6.398 em 2023, 6.238 em 2024 e 6.519 em 2025. Os números indicam que há um modelo consolidado de segurança pública que mantém esses números tão altos. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança PúblicaAo longo de 2025, as mortes por intervenção policial se mantiveram, em grande parte do ano, num patamar de 500 vítimas por mês. O maior pico ocorreu em outubro, com 705 mortes, seguido por novembro, com 585. O menor número foi registrado em dezembro, com 450. A análise por estados reforça o caráter nacional do problema. A Bahia, governada pelo petista Jerônimo Rodrigues, lidera em números absolutos as mortes por intervenção policial em 2025. O estado nordestino é seguido por São Paulo, onde o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos) comanda. O Rio de Janeiro, sob a batuta de Cláudio Castro (PL), também ligado ao bolsonarismo, ficou em terceiro no registro de mortes.Na sequência aparecem ParáParanáGoiásMinas GeraisCearáSergipe e Maranhão. Estados de diferentes regiões e governados por distintos espectros políticos figuram entre os mais letais. Esse cenário de violência policial institucionalizada se materializa em episódios de grande impacto.

Letalidade é fenômeno político

Para Rafael Rocha, coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz, a letalidade policial é um fenômeno político antes de tudo. Ele avalia que o crescimento observado entre 2015 e 2021 está ligado tanto ao aumento dos conflitos entre facções quanto à consolidação de um discurso que passou a normalizar a violência policial.“A gente tem um aumento ininterrupto de 2015 a 2021. Tem vários fatores, mas talvez dois dos principais sejam o aumento dos conflitos entre o crime e um discurso que vai ser uma das estruturas do bolsonarismo, de que a polícia tem que matar, que ‘direitos humanos é para humanos direitos’”, afirma.Segundo Rafael, esse discurso foi incorporado por governadores de diferentes partidos e orientações ideológicas, inclusive em estados governados pela esquerda, o que ajuda a explicar por que a letalidade se mantém elevada em diversas regiões do país. “Vai ter isso em Minas, vai ter isso em Goiás, vai ter em São Paulo e mesmo na Bahia, que é um estado governado pela esquerda. Os governadores encamparam em vários momentos esse discurso”, diz. 

A reportagem é de Catarina Duarte, publicada por Ponte Jornalismo, 04-02-2026.

 

 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

V domingo comum - Nas trevas e no 'não sentido' da vida é preciso ser luz e sal!

 

Escuridão e trevas parecem marcar a nossa existência muito mais do que a luz. A mídia parece até sentir um gostinho mórbido em publicizar homicídios brutais, guerras, abusos de todo tipo e violência generalizada. Como acreditar que nesse inferno é possível achar e emitir raios luminosos de esperança? Nós mesmos nos autoconvencemos de que somos, mesmo que indiretamente, alimentadores e cúmplices da deterioração social e do obscurantismo político e econômico que corrói a humanidade. Sentimentos de culpa e de impotência se misturam com expectativas de que, se algo bom e iluminador poderá acontecer, num futuro próximo, este só pode vir de fora, jamais a partir de nós mesmos! No entanto, Jesus de Nazaré, continua a convidar um grupinho, um resto minoritário de discípulos, de ontem e de hoje, a ser luz do mundo e sal da terra. Jesus não é ingênuo. Sabe que não se trata somente de disputa simbólica com os produtores de trevas e de ‘não sentido’ que parece dominar mentes e corações. Chegou a hora, e é agora, em que as vítimas da escuridão e do desespero precisam ver e sentir que ainda há pessoas que resistem às trevas da mentira e da manipulação, e que estão dispostas a caminhar ao seu lado para dar sentido ao vazio e à dor que imobilizam sonhos e esperanças. Não desista: seja luz. Seja sal!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

ENTIDADES E IGREJA CATÓLICA LANÇAM NOTA DE REPÚDIO CONTRA IRREGULARIDADES COMETIDAS PELA SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE DA PREFEITURA DE AÇAILÂNDIA EM PIQUIÁ DE BAIXO

 

NOTA DE REPÚDIO

 

Piquiá, 06 de fevereiro de 2026

 

Na manhã do dia 03 de fevereiro de 2026, ocorreu em Piquiá de Baixo mais um episódio de extrema gravidade institucional, revelador de ilegalidades administrativas, violação de direitos fundamentais e grave déficit de condução democrática no processo de finalização da transferência das famílias daquela comunidade. Na referida data, representantes da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, com o auxílio de maquinário pesado pertencente a empresa vinculada à AVB (Aço Verde Brasil), ingressaram na área de Piquiá de Baixo, entre os escombros de residências anteriormente demolidas, sem qualquer aviso prévio, notificação formal ou apresentação de ordem administrativa individualizada, procedendo à demolição imediata da histórica Igreja de São José, bem de inegável valor simbólico, cultural e religioso para a comunidade local.

Na sequência da intervenção, o agente que se identificou como responsável técnico e coordenador da operação, na qualidade de representante da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, passou a pressionar moradores presentes no local, aplicando multas, inclusive em situação que resultou na violação da porta de uma residência ainda ocupada, contendo móveis e eletrodomésticos, ato que somente não culminou em demolição em razão da intervenção direta e imediata do proprietário do imóvel.

A conduta acima descrita mostra-se incompatível com o exercício regular da função pública, sobretudo diante da posterior constatação de que a justificativa apresentada no momento da ação, a suposta existência de ato administrativo formal, consensuado com o Ministério Público, e amparado em um PRAD (Programa de Recuperação de Áreas Degradadas), não correspondia à realidade fática.

Tal afirmação foi expressamente desmentida, no prazo de 24 horas, pelo Promotor de Justiça do Meio Ambiente de Açailândia, que esclareceu a uma comissão da sociedade civil que o esboço do PRAD, - inclusive por ele solicitado reiteradas vezes ao longo de meses, - somente lhe fora apresentado na tarde daquele mesmo dia, pelo próprio Secretário Municipal de Meio Ambiente, para fins de análise e debate, inexistindo, portanto, qualquer autorização prévia para a ação executada.

O que se evidencia e desperta profunda indignação, portanto, é a adoção reiterada de um modus operandi administrativo marcado pela imposição unilateral e precipitada de medidas extremas e irreversíveis (demolição), pela supressão de instâncias de diálogo, pelo apagamento de memórias incômodas (poluição intensa, óbitos por doenças pulmonares, queimaduras graves pela munha quente despejada nas proximidades das casas, sistemática ausência dos poderes públicos, etc.) pelo desrespeito a acordos em construção e pela afronta a princípios basilares da administração pública, notadamente a legalidade, a finalidade, a publicidade, a razoabilidade e a participação social.

 Diante desses fatos, nós, associações, entidades da sociedade civil, Igreja Católica de Piquiá (Diocese de Imperatriz) e cidadãos e cidadãs abaixo assinados, tornamos pública nossa denúncia e veemente repúdio a mais um conjunto de abusos praticados por representantes da Prefeitura Municipal de Açailândia contra famílias que ainda permanecem em Piquiá de Baixo, à espera de solução definitiva e digna para sua realocação.

Desde o início do processo de transferência das famílias de Piquiá de Baixo, instaurado há mais de um ano, para os locais previamente negociados e definidos de comum acordo para seu reassentamento, bem como para a subsequente demolição das moradias, os representantes da Prefeitura encarregados da execução dessas medidas vêm reiteradamente praticando irregularidades administrativas como a notória falta de notificação para muitas pessoas, em afronta direta aos princípios da legalidade, da participação social e da gestão democrática, condutas que não podem nem devem permanecer sem a devida apuração e responsabilização. O ocorrido em 03 de fevereiro não constitui fato isolado, mas representa reincidência grave de práticas administrativas irregulares, perpetradas por órgãos que têm o dever funcional de cumprir a lei, respeitar os acordos firmados, dialogar com a comunidade e mediar conflitos, e não de agravá-los por meio de ações arbitrárias.

 Diante do exposto, os signatários requerem e exigem:

1. A imediata apuração administrativa e o afastamento cautelar dos agentes públicos responsáveis pela ação que resultou na demolição da Igreja de São José e na tentativa de demolição de residência ocupada, sem prévia notificação, por manifesta incompatibilidade com a condução adequada do processo de realocação das famílias de Piquiá de Baixo.

2. Que a empresa AVB (Aço Verde Brasil) que desde o início do processo de transferência e de demolição das casas vem proporcionando apoio logístico concreto diga explicitamente qual o seu papel no processo de demolição das casas,  esclareça formalmente se tinha ciência ou não da metodologia adotada pelos órgãos municipais na execução da ação do dia 03 de fevereiro, e que tipo de apoio logístico concreto forneceu na ocasião, sob pena de ela ser suspeita de cumplicidade e de conivência com os autores das irregularidades.

3.   Que a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Maranhão, por intermédio da Delegacia de Polícia Civil de Açailândia, proceda à investigação rigorosa e imparcial dos fatos já noticiados por meio de Boletim de Ocorrência regularmente registrado, promovendo a devida apuração e responsabilização legal dos envolvidos;

4. Que o Ministério Público do Estado do Maranhão convoque, com urgência, reunião institucional com todos os atores sociais envolvidos, tendo com finalidade a análise de eventuais danos morais e materiais causados e a construção de metodologias consensuais, transparentes, respeitosas e legalmente adequadas, capazes de evitar a intensificação de conflitos, da vulnerabilidade social e o aprofundamento do sofrimento humano das famílias e cidadãos afetados.

 Paróquia Santa Luzia do Piquiá

Ass. Justiça nos Trilhos

Missionários Combonianos

Centro Frei Tito

Ass. Carlo Ubbiali

Sindicato Trabalhadores Rurais de Açailândia

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