quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Anuário da Segurança: PMs mataram mais e morreram menos em 2024 (Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025)

 

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 revela um cenário contraditório na violência envolvendo policiais no país. Enquanto as mortes de agentes de segurança diminuíram 1,4% em 2024, as mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP) aumentaram 8,2% no mesmo período. Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 4.378 pessoas morreram por ação policial no ano passado, contra 4.046 em 2023.

As mortes de policiais registraram leve queda, passando de 216 casos em 2023 para 213 em 2024. A redução de três casos representa diminuição de 1,4% na vitimização de agentes de segurança. Por outro lado, a letalidade policial cresceu de forma significativa, com 332 mortes adicionais causadas por intervenções de policiais civis e militares.

Letalidade policial atinge maior patamar em década

O aumento de 8,2% nas mortes por intervenção policial coloca 2024 entre os anos mais letais da última década. São mais de 12 mortes por dia causadas por ação policial no Brasil, número que representa grave violação de direitos humanos segundo organismos internacionais. A discrepância entre a redução das mortes de policiais e o aumento da letalidade policial levanta questionamentos sobre a proporcionalidade do uso da força. Especialistas apontam que o dado sugere possível despreparo técnico ou uso excessivo de armamento letal em operações policiais.

Violência policial concentrada em poucos estados

Embora o levantamento abranja todo território nacional, a violência policial tradicionalmente se concentra em estados com maior densidade populacional e altos índices de criminalidade. Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia historicamente lideram os rankings de letalidade policial no país. O perfil das vítimas de intervenção policial segue padrão conhecido: jovens negros, moradores de periferias urbanas, em sua maioria sem antecedentes criminais. A seletividade racial e social da violência policial brasileira é documentada há décadas por pesquisadores e organizações de direitos humanos.

Redução na morte de policiais não se traduz em menos violência

A diminuição de 1,4% nas mortes de policiais poderia sugerir melhoria nas condições de segurança dos profissionais. No entanto, o aumento simultâneo da letalidade policial indica que a redução na vitimização dos agentes não resultou em abordagens menos violentas por parte das corporações. Os 213 policiais mortos em 2024 representam média de quase 18 óbitos mensais entre agentes de segurança. O número inclui mortes em serviço e fora do expediente, abrangendo policiais civis, militares e de outras corporações de segurança pública.

Desafio para políticas de segurança pública

Os dados contraditórios evidenciam os desafios das políticas de segurança pública no Brasil. O país precisa simultaneamente proteger seus agentes de segurança e reduzir a letalidade das ações policiais, objetivos que exigem investimento em capacitação, equipamentos não letais e reformas estruturais nas corporações. A manutenção de altos índices de letalidade policial compromete a legitimidade das forças de segurança e alimenta ciclos de violência urbana. Especialistas defendem investimento em inteligência policial, policiamento comunitário e uso progressivo da força como alternativas ao modelo atual, excessivamente letal e pouco eficaz na redução da criminalidade.

 - Os assassinatos praticados por policiais estão sendo naturalizados no nosso País. Da mesma forma as mortes de policiais. Nesses momentos atuais assistimos às manifestações de milhares de cidadãos nos EUA contestando o assassinato de dois cidadãos americanos pelas mãos da ICE, os milicianos do Trump. Da mesma forma, quando ocorre um homicídio de um negro por um policial inúmeras revoltas ocorrem no País....Aqui parece que se naturalizou definitivamente a matança, a chacina, o linchamento de bandido e não bandido, das mortes por 'bala perdida'.....quanta diferença!  

"TAXEM-NOS! TAXEM OS SUPER-RICOS. QUEREMOS NOSSA DEMOCRACIA DE VOLTA!" RICAÇOS PEDEM PARA SER TAXADOS!

Seis em cada dez milionários e bilionários do G20 rejeitam as políticas do presidente dos EUA. Em uma carta aberta, eles propõem uma solução para restaurar a democracia: "Taxem-nos, taxem os super-ricos". Novas fissuras estão surgindo entre os super-ricos, apoiadores históricos (e eleitores) de Donald Trump. Enquanto o presidente americano e outros líderes mundiais se reúnem em Davos para o Fórum Econômico Mundial, uma pesquisa realizada pela Survation para Milionários Patriotas revelou que seis em cada dez milionários acreditam que o atual governo dos EUA teve um impacto negativo na estabilidade da economia global e no padrão de vida das pessoas comuns.

“Quando a riqueza é excessiva, torna-se um risco para a democracia”

Especialistas entrevistaram 3.900 milionários em países do G20. Destes, 77% acreditam que indivíduos extremamente ricos podem obter influência política neste momento histórico, enquanto 71% acreditam que aqueles com imensa riqueza podem usá-la para influenciar significativamente os resultados das eleições. Existe também uma forte convicção de que o financiamento privado de partidos e figuras políticas deve ser limitado (82%) e de que a influência das classes mais ricas sobre os políticos impede a adoção de medidas para combater a desigualdade (69%). Além disso, mais da metade dos super-ricos (63%) acredita que a riqueza excessiva representa um risco para a democracia.

“Taxem-nos, taxem os super-ricos”

A pesquisa é acompanhada por uma carta assinada por quase 400 bilionários e milionários de 24 países, incluindo Mark Ruffalo, Brian CoxBrian EnoAbigail Disney e, entre os italianos, membros da família Marzotto. "Quando até mesmo milionários, como nós, reconhecem que a riqueza extrema custou a todos os outros tudo o mais, não pode haver dúvida de que a sociedade está perigosamente à beira do abismo ", diz a carta, coordenada pelos grupos Patriotic MillionairesMillionaires for Humanity e Oxfam International e publicada no site Time to Win. “Estamos cansados ​​de ver tudo isso. Queremos nossas democracias de volta. Queremos nossas comunidades de volta. Queremos nosso futuro de volta.” A solução proposta em voz alta pelos ricos filantropos os afeta diretamente: “Parem de nos fazer perder tempo” e “Taxem a gente, taxem os super-ricos”. A mesma pesquisa mostra que apenas 17% do público se oporia a uma tributação mais alta para a parcela mais pobre da população, a fim de investir em serviços públicos e enfrentar a crise do custo de vida.

A indignação das elites

A principal referência é Donald Trump, embora a carta seja endereçada a todos os participantes do Fórum Econômico Mundial. "Se os líderes em Davos estão falando sério sobre a ameaça à democracia e ao Estado de Direito, eles devem se engajar seriamente na luta contra a extrema concentração de riqueza ", diz o ator e diretor Mark Ruffalo, que descreveu o ocupante da Casa Branca como um "presidente fora de controle" e uma "ameaça singular à democracia americana". A luta da qual Ruffalo fala inclui, segundo ele, "taxar os ricos como eu. Se queremos democracia, e não oligarquia, taxar os ricos é essencial para devolver o poder ao povo." A disparidade entre a riqueza pública e a privada está aumentando. Nos últimos 50 anos, a ascensão dos magnatas foi sem precedentes. O 1% mais rico detém agora três vezes a riqueza pública global total, que inclui bens pertencentes à sociedade, como terras e parques públicos, hospitais, escolas, redes rodoviárias, habitação social e tribunais. Em 1975, dados recentes divulgados pela Oxfam mostram que a diferença entre a riqueza pública e a privada era de aproximadamente US$ 36 trilhões; em 2024, essa diferença subiu para US$ 435 trilhões. Nesse ritmo, alertam os especialistas, em 2075 a riqueza privada terá ultrapassado a riqueza pública em quase US$ 900 trilhões.

A reportagem é de Emma Bonotti, publicada por La Repubblica, 22-01-2026.

  

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Jovem indígena Guajajara é executado a caminho da rodoviária em São Luís

 

Luan Guajajara Soares, jovem indígena de 23 anos da região de Grajaú foi executado a caminho da rodoviária de São Luís no dia 23 de janeiro passado. Às 21:00h. naquele mesmo dia havia sido solto pelas autoridades prisionais da SEAP- Pedrinhas, onde se encontrava detido, acusado de uso abusivo e tráfico de entorpecentes. Na madrugada do dia 24/01/2026, o corpo foi encontrado no percurso do presídio para a rodoviária. A família que em momento algum foi informada da sua soltura, tomou conhecimento por terceiros que viram a foto da vítima no jornal. É imprescindível apurar a relação do procedimento da soltura da vítima do Sistema Carcerário com possíveis circunstâncias de vulnerabilidade que facilitaram a execução da vítima. Saber qual foi o tratamento médico dado à vítima durante o período que esteve sob a custódia do Estado, sendo que a vítima sofria de depressão? Por que a família não foi avisada da soltura? Por que o serviço social do Sistema Carcerário não contatou a FUNAI ou o seu defensor legal para avisar da soltura? Qual foi o horário exato da soltura? É preciso esclarecer, também, os verdadeiros motivos de sua surpreendente transferência de Grajaú para Pedrinhas, para ser solto logo a seguir, e ser executado no mesmo dia de sua soltura. Não há como não suspeitar que houve troca de informações internas entre fontes da SEAP e o executor ou os executores do Luan Guajajara. Alguns órgãos de defesa dos Diretos Humanos já foram acionados com o intuito de fazer luz sobre esse caso. Espera-se que se faça justiça. Afinal, o assassinato de uma pessoa, mesmo que réu de delitos, não pode jamais ser justificado. Que os assassinos de Luan e seus cúmplices sejam encontrados e julgados por isso!

domingo, 25 de janeiro de 2026

Autoridades avaliam envio da Força Nacional à Terra Indígena Governador, no Maranhão

 

O governo do Maranhão e órgãos do governo federal acolheram recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para avaliar a necessidade de envio da Força Nacional na Terra Indígena Governador, localizada no município de Amarante do Maranhão. A medida busca conter a escalada da violência e garantir a segurança das comunidades diante do agravamento dos conflitos na região. A recomendação foi encaminhada ao governador do Maranhão, ao secretário de Segurança Pública do estado, ao coordenador regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e aos secretários executivos dos Ministérios dos Povos Indígenas e da Justiça e Segurança Pública. Ao acolher o pedido, as autoridades se comprometeram a analisar a urgência da intervenção policial para preservar a ordem pública e evitar novos episódios de violência. De acordo com o MPF, a situação na Terra Indígena Governador é considerada de extrema gravidade. Relatórios recentes indicam o aumento dos conflitos entre indígenas e não indígenas, motivados principalmente pela extração ilegal de madeira dentro do território.

Entre os episódios registrados estão:

§  homicídio ocorrido em 15 de julho de 2025 no interior da terra indígena;

§  ameaças diretas contra moradores da região;

§  ataques com armas de fogo a veículos;

§  vigilância e agressão física grave registrada em agosto deste ano.

Segundo o Ministério Público Federal, os fatos demonstram risco iminente à integridade física das comunidades locais, o que reforça a necessidade de avaliação urgente do envio da Força Nacional na Terra Indígena Governador. Na recomendação, o MPF também sugeriu que as autoridades avaliem o aproveitamento do efetivo da Força Nacional que já atua na região, atualmente empregado em ações de extrusão na Terra Indígena Araribóia. A estratégia tem como objetivo otimizar a logística, reduzir custos e acelerar a resposta das instituições de segurança pública, garantindo proteção tanto para indígenas quanto para não indígenas que vivem ou transitam pela área da Terra Indígena Governador.O acolhimento da recomendação não significa o envio imediato das tropas, mas a abertura de uma avaliação técnica e administrativa sobre a necessidade da medida. Segundo o MPF, a atuação preventiva da Força Nacional pode ser decisiva para evitar o agravamento dos conflitos e restaurar a segurança na região. (Imirante)

 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

III Terceiro Domingo Comum - É URGENTE PESCAR DIFERENTE!

Há momentos na vida em que, para se manter coerentes e cumprir um chamado personalíssimo, é preciso romper drasticamente com o próprio passado e com o nosso entorno. Sim, ‘é preciso obedecer primeiro a Deus, à própria consciência, e depois aos homens”! O Jesus que emerge da experiência luminosa do batismo no Jordão não é o mesmo que havia sido moldado e educado na sua comunidade em Nazaré. Ele se vê forçado a romper com a sua família biológica e com a sua própria comunidade religiosa por elas não reconhecerem o seu inédito chamado e a sua nova missão. Ele percebe que não vale mais a pena investir numa comunidade religiosamente bitolada e espiritualmente fechada ao ‘novo’ que Deus sempre comunica aos seus filhos! O ‘convertido’ Jesus abandona definitivamente Nazaré e se muda para a ‘terra dos pagãos’, na aldeia de Cafarnaum, terra de ‘pescadores de peixes’. O seu desafio é persuadir pessoas religiosamente não bitoladas, mas abertas ao 'novo', a mudarem de mentalidade e de direção. Jesus convoca leigos e leigas não religiosos, especialistas em pescaria, a pescar diferente: a ‘pescarem homens’. Em outras palavras: a puxarem para fora das turvas águas do mar do desespero, do medo, da violência, da dependência e da morte, um número infinito de pessoas que estavam a afogar. É este ato permanente de ‘pescar, curar e libertar gente' que prova que o novo jeito de 'governar de Deus' está ao nosso alcance. O Reinado da compaixão e da misericórdia, - e não das liturgias bitoladas dos sacerdotes e dos devotos do templo, - se torna, agora, possível em Jesus! Mas como é difícil entender e praticar isto!!!!


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

RICAÇOS SEMPRE MAIS RICAÇOS! A ESTRONDOSA VITÓRIA DA DESIGUALDADE

O Relatório Mundial sobre a Desigualdade (WIR) de 2026 mostra que cerca de 56.000 pessoas – 0,001% da população mundial – detêm três vezes mais riqueza do que a metade mais pobre da humanidade. Isso se dá em quase todos os países. No Reino Unido, por exemplo, 50 famílias possuem mais riqueza do que 50% da população junta. É possível acompanhar o crescimento de suas fortunas. Em 2024, segundo dados da Oxfam, a riqueza dos 2.769 bilionários do mundo aumentou em US$ 2 trilhões. O gasto global total com ajuda internacional no ano passado foi projetado em, no máximo US$ 186 bilhões – menos de um décimo do aumento em suas riquezas. 

Os governos nos dizem que “não podem arcar” com mais investimentos públicos. No Reino Unido, os bilionários ficaram, em média mais de 1.000% mais ricos desde 1990. A maior parte de sua riqueza deriva de imóveis, heranças e finanças. Em outras palavras, eles ficaram tão ricos às nossas custas. A questão afeta todos os aspectos da política. Trump não está se apropriando da riqueza petrolífera da Venezuela em benefício dos pobres dos EUA. Ele não se importa com eles, como revelou seu Orçamento para 2026 (“big, beautiful bill”) – que rouba dos pobres para dar aos ricos. Ele cobiça a Groenlândia em nome dos mesmos interesses da elite, da qual é o avatar. Quando o homem mais rico do mundo, Elon Musk, ajudou a destruir a vida dos mais pobres ao desmantelar a USAID, ele o fez em nome de sua classe. O mesmo se aplica aos ataques de Trump à democracia e à sua guerra contra o mundo natural. São os ultrarricos que mais se beneficiam da destruição, tanto ao ganhar quanto ao gastar dinheiro. O WIR mostra que o 1% mais rico da população mundial é responsável por 41% das emissões de gases de efeito estufa provenientes da propriedade de capital privado: quase o dobro da porcentagem emitida pelos 90% mais pobres. E, por meio de seu consumo, outro estudo demonstra que esse 1% produz tantos gases de efeito estufa quanto os dois terços mais pobres. A desigualdade prejudica todos os aspectos de nossas vidas. Décadas de pesquisa de Kate Pickett e Richard Wilkinson mostram que uma maior desigualdade, independentemente dos níveis absolutos de riqueza, está associada a mais criminalidade, pior saúde pública, maior incidência de vícios, menor nível de escolaridade, maior ansiedade por status (levando a um maior consumo de bens posicionais), maior poluição e destruição e uma série de outros problemas.(IHU)


O feminicídio está sendo naturalizado, diz a vice-presidente do Instituto Maria da Penha!

Uma das principais vozes no combate aos feminicídios e na luta pelos direitos das mulheres no Brasil, Regina Célia Barbosa, cofundadora e vice-presidente do Instituto Maria da Penha, faz um alerta. Em 2026, quando chegamos aos 20 anos da Lei Maria da Penha, principal instrumento legal de combate à violência de gênero no país, considerada uma das mais avançadas do mundo, “o feminicídio está chegando a um processo de naturalização”.

Os dados confirmam a afirmação da professora e cientista política. A cada dia no Brasil, quatro mulheres são assassinadas, em média. No ano passado, ultrapassamos a marca de mil feminicídios no país. Não são apenas os números que chocam, também os relatos. “Quando você tem uma mulher assassinada, arrastada pelo carro, por quase um quilômetro. Quando você tem mulheres que são ateadas fogo junto com seus filhos e queima também uma parte de uma comunidade, entre outras questões, você observa que está havendo o quê? Está havendo uma banalização da prática da violência dessa mulher”, afirma Barbosa. As mulheres estão sob ataque e a violência, inflamada pela cultura machista e pelos discursos misóginos, também mira nas ativistas como Barbosa e na própria Maria da Penha, que têm sido alvo de ataques online e de desinformação. No ano passado, investigações apontaram que um documentário da produtora de extrema direita, Brasil Paralelo, forjou documentos para desacreditar Maria da Penha e a lei de proteção às mulheres. Enquanto a violência segue nos ambientes online e na vida real, os governos falham em oferecer respostas rápidas. Há, na opinião de Barbosa, “um descompasso”. “As mulheres estão denunciando mais, estão fazendo a parte delas, mas cadê o feedback?”, pergunta. “A gente está lutando contra uma estrutura que infelizmente não está dando prioridade na atenção à garantia dos direitos das mulheres”, afirma, em entrevista para a Agência Pública