In gravi momenti di crisi sociali segnate dalla violenza generalizzata, dalla corruzione in tutti i campi, dallo sfruttamento nelle relazioni di lavoro e dalla lentezza nelle soluzioni giudiziarie sembra sorgere spontaneo invocare un salvatore della patria che 'con braccio forte' libera la nazione dal caos e disordine. Candidati fraudolenti che si fingono 'redentori della patria' modellano i loro discorsi al palato di una massa delusa, con promesse di soluzioni rapide ed efficaci, fatto che, storicamente, non è mai accaduto! Ieri, come oggi, molti i discepoli di Gesù, - così come i tre liders degli apostoli, - scommettono nel legalismo giustizialista e punitivo di Mosè e nel 'profetismo' aggressivo e minaccioso di Elia come unica soluzione per ricostruire una società alla deriva! La catechesi della Trasfigurazione ci insegna che la 'soluzione vittoriosa' rivelata e confermata dal Padre continua ad essere quella annunciata e testimoniata da Gesù di Nazareth. Gesù preferisce morire piuttosto che adottare la stessa metodologia della paura, della minaccia e della violenza praticata da coloro che hanno prodotto caos, abbandono sociale e alienazione religiosa. Preferisce morire piuttosto che abbandonare le vittime nelle grinfie dei falsi salvatori della patria! Né Mosè né Elia, solo Gesù di Nazareth al centro!
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Transfiguração - Na crise sistêmica, nem justicialismo e nem ameaça! Só a solidariedade radical e resistente com as vítimas é a saída vitoriosa!
Às vezes diante de graves crises sociais marcadas pela violência generalizada, pela corrupção em todas as esferas, pela exploração escravagista nas relações de trabalho e pela lerdeza nas soluções judiciais parece surgir espontâneo invocar um salvador da pátria que ‘com braço forte’ libere a nação do caos e da desordem. Farsantes valentões metidos a redentores da pátria moldam seus discursos ao paladar de uma massa decepcionada, e prometem soluções rápidas e eficazes que, historicamente, nunca ocorrem! Ontem, como hoje, muitos discípulos de Jesus, assim como os três líderes dos apóstolos, apostam no legalismo justiceiro e punitivista de Moisés e no ‘profetismo’ agressivo e ameaçador de Elias como a única solução para reerguer uma sociedade à deriva! A catequese da Transfiguração nos ensina que a ‘solução vitoriosa’ revelada e confirmada pelo Pai continua sendo aquela anunciada e testemunhada por Jesus de Nazaré. Jesus prefere morrer a adotar a mesma metodologia do medo, da ameaça, da truculência praticada por aqueles que produziram caos, desamparo social e alienação religiosa. Prefere morrer a abandonar as vítimas nas garras dos falsos salvadores da pátria! Nem Moisés e nem Elias, só Jesus de Nazaré no meio!
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
Os povos originários: nossos mestre e doutores. Artigo de Leonardo Boff
Hoje
nos sentimos todos mais ou menos perdidos. A situação de nossa civilização,
assim nos parece, chegou ao seu limite. Perdida nas contradições que ela mestra
criou, dá-se conta de que o corpo de conhecimentos e o arsenal de técnicas que
ela mesma criou, não oferecem soluções que poderiam nos tirar dos graves
problemas que enfrentamos. Temos que mudar ou nas palavras de Sygmunt
Bauman, ”vamos engrossar o cortejo daqueles que estão caminhando para a
vala comum”.
A
civilização atual não nos apresenta um futuro que seja esperançador. Como
advertiu um dos últimos grandes naturalistas franceses Théodore Monod em
seu livro-testamento:”Se a humanidade vier a desaparecer” (Paris
2000):”Seria o justo castigo pelas agressões que por séculos temos infligido à
Terra”. Mesmo assim continuamos esperando o imponderável e o imprevisível, pois
a evolução não é linear, mas dá saltos na direção de ordens mais complexas e
estruturadas ou também numa direção destrutiva. A nossa esperança é que o salto
seja construtivo. Em momentos de impasses como estes, buscamos fontes que nos
inspirem e que apontem para uma alternativa possível. Assim surgem em nossa
consideração os povos originários. Não são “índios”, pois estes não
existem. O que existem são povos com suas culturas, tradições e religiões.
Quando Cabral aportou em nossas terras, havia cerca de 5
milhões de habitantes, agrupados em 1.400 povos, falando 1.300 línguas, a maior
proliferação conhecida na história. Infelizmente devido à dizimação, ocorrida
ao longo de mais de 500 anos, restaram apenas 180 línguas, uma perda da ordem
85%, um dano irreparável para toda a humanidade. Os que sobreviveram, segundo
a ONU, são vários milhões em quase todas as partes do mundo.
Conservam um tesouro de experiências, de sabedoria ancestral e modos de se
relacionar com a comunidade de vida (natureza) que podemos afirmar aquilo que
os Padres da Igreja antiga diziam dos pobres: eles são nossos mestres e
doutores. Efetivamente, eles são isso e sua ancestralidade pode ser o nosso
futuro (Ailton Krenak).
Eles ensinaram aos europeus como viver nos trópicos, a começar por tomar banho, ao menos uma vez ao dia. Mais que tudo nos ensinaram uma integração sinfônica com a natureza. Eles se sentem parte da natureza e não um estranho dentro dela. Por isso, em seus mitos, seres humanos e outros seres vivos, como animais, convivem e casam entre si. Intuíram o que sabemos pela ciência empírica que todos formamos uma cadeia única e sagrada de vida. Eles são exímios ecologistas. A Amazônia, por exemplo, não é terra intocável. Em milhares de anos, as dezenas de nações originárias que aí viveram e ainda vivem, interagiram sabiamente com ela. Quase 12% de toda floresta amazônica de terra firme foi manejada por eles, promovendo “ilhas de recursos”. Os Yanomami sabem aproveitar 78% das espécies de árvores de seus territórios, tendo-se em conta a imensa biodiversidade da região, na ordem 1200 espécies por área do tamanho de um campo de futebol. Lição para nós: não podemos manter uma relação meramente utilitarista para com a natureza, sentindo-nos fora e donos dela. Mas de convivência sentindo-nos parte dela, cuidando-a e preservando sua integridade e regeneração. Se não aprendermos deles essa lição dificilmente salvaremos nossos biomas, base de nossa subsistência. Os povos originários revelam uma atitude de respeito e veneração por tudo o que existe e vive e vem carregado de mensagens que eles sabem decifrar. A árvore não é apenas uma árvore. Ela tem braços que são seus ramos, tem mil línguas que são suas folhas, une a Terra com o Céu pelas raízes e pela copa. Para eles, o invisível é parte do visível. Essa lição importa aprender deles, pois vivemos uma radical coisificação da natureza que nos torna surdos e cegos para mensagens que ela nos transmite. Para nossa cultura as coisas são apenas coisas e não símbolos de uma Energia de Fundo, poderosa e amorosa que tudo penetra e sustenta. A sabedoria deles se teceu através da sintonia fina com o universo e na escuta atenta do pulsar da Terra. Sabem melhor do que nós, casar céu e terra, integrar vida e morte, compatibilizar trabalho e diversão, confraternizar o ser humano com a natureza. Nesse sentido eles são altamente civilizados embora sejam tecnologicamente primitivos.
Essa
sabedoria precisa ser resgatada por nossa civilização dominante, fundada na
vontade de potência e de dominação.
Comerntário - Mal conseguimos escutar os 'nossos' aliados, familiares, amigos, pessoas que estimamos, imaginemos assumir a lógica, a sabedoria, os valores dos povos originários. Resgatar é uma coisa, aderir e adotar a sabedoria alheia é outra coisa....Admiremos, contudo, o idealismo desse grande escritor e teólogo!
Indígenas ocupam balsa de soja no rio Tapajós contra privatização de hidrovias
Mobilização
indígena amplia pressão sobre o governo federal após inclusão de hidrovias em
três rios amazônicos no Programa Nacional de Desestatização, que
abre caminho para privatização das vias e aprofundamento dos canais de
navegação. O protesto indígena no terminal da Cargill avançou
para o leito do Tapajós nesta quinta-feira (19). Cerca de 400
pessoas, em quatro barcos, interceptaram uma embarcação que transportava grãos
no trecho urbano do rio, em Santarém (PA), nas
proximidades do porto da multinacional, ocupado desde 22 de janeiro.
A mobilização é contra o Decreto 12.600/2025, que incluiu as hidrovias dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no PND (Programa Nacional de Desestatização). Os indígenas afirmam que a medida faz parte dos planos do governo federal de realizar intervenções no leito do rio para ampliar o escoamento de grãos, porém, sem a realização de consulta prévia, livre e informada às comunidades afetadas, como prevê a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), ratificada pelo Brasil. “Esse rio é nossa rua. É nossa fonte de alimento, é morada de nossos peixes e é essencial para o equilíbrio da floresta e do clima. Como transformar essa riqueza em corredor para soja?”, questiona Auricélia Arapiuns, liderança do Baixo Tapajós. A ação é mais uma pressão para que o governo federal revogue o decreto de privatização das hidrovias e também anule o edital de dragagem do rio Tapajós, que foi suspenso após duas semanas de protesto.
Em
dezembro, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de
Transportes) publicou edital para contratar a dragagem de manutenção do rio Tapajós, no trecho entre Santarém e Itaituba,
estimada em R$ 74,8 milhões e planejada para abranger cerca de 250 quilômetros
do rio. Após a mobilização indígena, o governo federal suspendeu o pregão, mas
o protesto foi mantido porque o Decreto 12.600/2025 continua em vigor. Antes da
suspensão, a Repórter Brasil mostrou que a empresa que
liderava o certame, a DTA Engenharia, acumulava três
autos de infração ambiental do Ibama por irregularidades em
obras de dragagem, somando R$ 1,9 milhão em multas
Além
de parar as barcaças de grãos no rio, a mobilização mantém bloqueado o acesso
terrestre ao terminal da Cargill há quase um mês. “Já são 29
dias ocupando e qual o resultado que trouxe para nós? Até agora foi só
enrolação. Os governantes e o Congresso estão negociando
a Amazônia e muitos estão em silêncio”, diz Alessandra Munduruku, uma das principais lideranças
indígenas do Brasil. “Estamos nessa luta para defender nosso futuro”, afirma. Procurada,
a Cargill não respondeu ao pedido de posicionamento até a publicação desta
reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
A Cargill é uma das maiores indústrias de alimentos do mundo. No Brasil desde 1965, a empresa opera em 17 estados e atua no processamento de grãos, produção de óleos, ingredientes e nutrição animal. É uma das principais exportadoras de grãos do país e detém marcas conhecidas no varejo, como Liza e Pomarola. O decreto do governo Lula autoriza a concessão da chamada “manutenção da navegabilidade”, o que permitiria dragagens e outras intervenções estruturais para ampliar o transporte de cargas.
A
reportagem é de Daniel Camargos, publicada por Repórter Brasil,
19-02-2026.
Iª domingo de Quaresma - Ou a Realeza do Pai ou o anti-reino dos manipuladores e espertinhos sem compaixão!
Ainda hoje, ao falarmos de tentações, somos condicionados por uma mistura de má fé e de moralismo barato. A questão central nas ‘três tentações’ de Jesus, no entanto, é proporcionar aos discípulos elementos essenciais para optar e aderir definitivamente a um sistema totalizante chamado ‘Realeza de Deus’ em contraposição a um seu antagônico ’anti-reino’, igualmente totalizante. É no duelo diário entre desejos e práticas, às vezes irrefreáveis e contraditórias, de mandar, de manipular e monopolizar coisas e pessoas, que descobrimos se temos feito uma opção fundamental em favor da Realeza que educa ao serviço, ao respeito, à partilha. Ou, se, ao contrário, nos tornamos alienados e submissos soldados que defendem um ‘anti-reino’ que exalta a violência, a esperteza, a mentira, a posse ilimitada. Escorregões fazem parte da vida, mas só eles não nos identificam como cúmplices de um sistema diabólico conscientemente desumano. Entretanto, a falta sistemática de compaixão e de empatia e a tendência permanente em se aproveitar dos outros são indícios claros de que o maligno está ganhando a parada! Que essa Quaresma nos ajude a nos definir, e a optar uma vez por todas!
sábado, 14 de fevereiro de 2026
"O retorno da direita é também o retorno de uma espécie de aliança entre a cruz e a espada". Entrevista com Gianni La Bella
.
............Impressiona-me
o fato de nos encontrarmos em meio a uma metamorfose do contexto sociopolítico;
está nascendo uma "América Latina diferente", que deve ser
interpretada com novas chaves de compreensão.
Será que foi obra de Trump?
A
questão é mais complexa, mas sem dúvida um elemento fundamental é justamente o
fato de que, com o governo Trump, a América Latina voltou
a ocupar o centro do espectro político. A ideia é restabelecer uma forte
hegemonia, após o desinteresse demonstrado pelos governos Obama e Biden.
Fala-se abertamente de um retorno à "Doutrina Monroe". De fato, Miami
é a "capital" dessa linha política, cuja figura-chave é o
subsecretário Marco Rubio, um cubano exilado. Ele é o "cérebro"
dessa operação, que visa eliminar a esquerda do continente.
Outro aspecto é o desejo de contrabalançar a China, que tem se
tornado cada vez mais presente nos últimos anos, especialmente no Chile e no
Peru.
No entanto, você também mencionou uma mutação genética
interna. O que é isso?
O
mais óbvio é que o anti-americanismo, entendido como hostilidade
contra os "gringos", os Estados Unidos, não existe mais.
Hoje, na América Latina, todos olham para o norte; todos esperam ir
morar nos Estados Unidos, considerados a terra da prosperidade. A consequência
é a crise do ideal "bolivariano", que fascinou gerações
de latino-americanos nos últimos cinquenta anos: o anseio por um subcontinente
unido, livre de influência estrangeira. Hoje, nenhum líder da direita
latino-americana se refere a essa ideia; todos olham para Washington.
Nesse cenário, o que está à esquerda está fora de lugar?
Por
um lado, parece quase "jurássico", com líderes ainda em cena após
vinte anos. Por outro lado, justamente aquele que se apresentava como uma
grande novidade, o jovem presidente do Chile, Gabriel Boric, que emergiu como líder dos protestos
populares, decepcionou as expectativas e não conseguiu atingir seus objetivos.
De que maneira uma situação social e política tão complexa
afeta a Igreja?
Este
ressurgimento da direita é também o retorno de uma certa
dimensão religiosa, uma espécie de aliança entre a "cruz" e a
"espada", que, no entanto, é liderada pelo mundo
neoevangélico, por vezes por certas seitas. A voz da Igreja parece
fraca... Contudo, nas últimas décadas, a voz da Igreja continental, através
do CELAM, tem sido particularmente significativa, e é urgente que
continue a sê-lo. É difícil imaginar uma Igreja que permaneça
confinada às fronteiras nacionais.
O que esperar?
O Papa
Francisco, precisamente com vistas a um renovado compromisso social e
político, defendeu os movimentos populares em quatro
discursos muito importantes. A estas palavras somou-se o quinto discurso, o
do Papa Leão XIV, em alguns aspetos ainda mais
"revolucionário". Mas devemos acreditar nele; devemos abraçar esta
perspectiva. (IHU)
Marx chama Kirill de "herege" por sua defesa da "guerra santa" russa na Ucrânia
O Arcebispo de Munique, Cardeal Reinhard Marx, manifestou-se contra a instrumentalização da religião para fins políticos, violentos e bélicos, e criticou duramente o Patriarca russo Kirill. Segundo um comunicado da arquidiocese, ele declarou na noite de quarta-feira: "O que o Patriarca de Moscou está dizendo é heresia". Kirill tem endossado repetidamente as políticas do presidente russo Vladimir Putin e descreveu a guerra na Ucrânia como uma "guerra santa". Em uma mesa-redonda realizada durante o terceiro simpósio teológico sobre a paz, que coincidiu com a Conferência de Segurança de Munique, Marx acrescentou: "Vemos a religião sendo instrumentalizada em todos os lugares; alguns líderes religiosos adoram estar perto do poder". Ele enfatizou: "A religião não deve estar do lado dos poderosos, mas do lado dos fracos e das vítimas".
Mundo entrou em uma nova era de “falência hídrica”, mostra a ONU
Cerca
de 4,4 bilhões de pessoas enfrentam escassez de água por pelo menos um mês ao ano; as
consequências socioeconômicas e políticas já são sentidas.Um novo relatório
da Universidade das Nações Unidas (UNU), braço de pesquisa da ONU,
alerta que o mundo entrou em uma era de “falência hídrica”. O termo não é uma
metáfora, e sim uma condição crônica que se desenvolve quando um local utiliza
mais água do que a Natureza consegue repor, explica o diretor do
Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da UNU e autor do estudo, Kaveh Madani, no site The Conversation.
Os sinais dessa emergência são abundantes: aproximadamente 70% dos aquíferos subterrâneos estão em declínio de longo prazo; metade dos grandes lagos do mundo está encolhendo; secas em grande escala estão se tornando mais frequentes; cerca de 4,4 bilhões de pessoas enfrentam escassez de água durante pelo menos um mês por ano. O relatório também mostra que a falência hídrica já está causando estragos econômicos e políticos, como o aumento da migração ilegal do México para os Estados Unidos em meio às secas. Como a Folha destaca, os conflitos por água aumentaram de 20 em 2010 para mais de 400 em 2024. Segundo Madani, o desafio não desaparecerá tão cedo, pois as atividades humanas já causaram danos irreversíveis a muitos dos sistemas que geram, regulam e armazenam água doce. O maior desafio – e também maior oportunidade – está no setor agrícola, que consome 70% do uso de água da humanidade.
Para Madani, a tarefa central é prevenir ainda mais danos irreversíveis enquanto reorganizamos o sistema em torno de um orçamento hidrológico menor. E essa mudança é urgente porque “ninguém sabe exatamente quando todo o sistema entrará em colapso”. A ponta de esperança é que, para o especialista, abordar esses desafios produzirá cobenefícios em outras áreas; por exemplo, a restauração de zonas úmidas pode ajudar a reduzir tempestades de poeira, melhorando a qualidade do ar e a saúde pública. Técnicas para aumentar a capacidade das terras agrícolas de reter água podem ajudar os solos a absorver mais carbono.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
VI domingo comum - Os discípulos de Jesus, diferentemente dos fariseus, precisam ir para além da lei e se revestir de compaixão!
Infelizmente
existem pessoas que escolhem a obediência cega às leis, às nomenclaturas canônicas e aos preceitos achando que vão encontrar vida. Não suspeitam que por trás disso pode se esconder a
armadilha da manipulação e da ilusão de achar que estão quites consigo mesmos e
com Deus. É preciso libertarmo-nos do jugo do legalismo anestesiante e irmos
para além daquilo que a fria lei manda. Só
assim é que fazemos a experiência de sermos discípulos de Jesus e não alunos de
qualquer escola de direito ou de moral. No evangelho hodierno Jesus disseca e
denuncia as posturas hipócritas e alienantes daqueles numerosos religiosos que
se atêm ao rígido cumprimento das normas e proibições, mas são incapazes de
sentir dentro deles o ‘imperativo ético’ de, não somente evitar o mal, mas de produzir
o bem. Afirmam que nunca desrespeitaram a lei que proíbe de
matar, mas, hipocritamente, aplaudem as matanças praticadas por policiais, os linchamentos de
ladrão de iPod, e as práticas de difamação e de fake News. Juram de pé junto que nunca traíram a sua legítima esposa, mas, longe dela, são assediadores e predadores patológicos, promotores
e coniventes com inúmeras formas de objetificação da mulher. São incapazes de
sentir a dor alheia e de ser empáticos com quantos sofrem os abusos da lei e de seus intérpretes. Detestam quem muda uma vírgula do script litúrgico e ritual, mas são incapazes de tornar atual o 'banquete que acolhe!' É
PRECISO ‘MORRER PARA A LEI’, como nos lembra Paulo, e assumir a armadura da
compaixão e da caridade!
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Brasil mantém patamar de 6 mil mortos por ano pela polícia
Dados do Ministério da Justiça mostram que País está há quatro anos em patamar elevado de letalidade policial. Especialistas apontam escolhas políticas como principal causa das 6.519 mortes registradas em 2025. O Brasil voltou a registrar em 2025 mais de 6 mil mortes em ações policiais, patamar que se mantém pelo quarto ano consecutivo. A série histórica indica que, após um crescimento contínuo entre 2015 e 2021, o país estacionou em um nível elevado de letalidade policial, sem apresentar reduções consistentes.
Em 2015, foram registradas 2.427 mortes em ações policiais. Seis anos depois, em 2021, o número chegou a 6.544 — pico da série. Desde então, as oscilações são pequenas: 6.451 em 2022, 6.398 em 2023, 6.238 em 2024 e 6.519 em 2025. Os números indicam que há um modelo consolidado de segurança pública que mantém esses números tão altos. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ao longo de 2025, as mortes por intervenção policial se mantiveram, em grande parte do ano, num patamar de 500 vítimas por mês. O maior pico ocorreu em outubro, com 705 mortes, seguido por novembro, com 585. O menor número foi registrado em dezembro, com 450. A análise por estados reforça o caráter nacional do problema. A Bahia, governada pelo petista Jerônimo Rodrigues, lidera em números absolutos as mortes por intervenção policial em 2025. O estado nordestino é seguido por São Paulo, onde o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos) comanda. O Rio de Janeiro, sob a batuta de Cláudio Castro (PL), também ligado ao bolsonarismo, ficou em terceiro no registro de mortes.Na sequência aparecem Pará, Paraná, Goiás, Minas Gerais, Ceará, Sergipe e Maranhão. Estados de diferentes regiões e governados por distintos espectros políticos figuram entre os mais letais. Esse cenário de violência policial institucionalizada se materializa em episódios de grande impacto.
Letalidade
é fenômeno político
Para Rafael Rocha, coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz, a letalidade policial é um fenômeno político antes de tudo. Ele avalia que o crescimento observado entre 2015 e 2021 está ligado tanto ao aumento dos conflitos entre facções quanto à consolidação de um discurso que passou a normalizar a violência policial.“A gente tem um aumento ininterrupto de 2015 a 2021. Tem vários fatores, mas talvez dois dos principais sejam o aumento dos conflitos entre o crime e um discurso que vai ser uma das estruturas do bolsonarismo, de que a polícia tem que matar, que ‘direitos humanos é para humanos direitos’”, afirma.Segundo Rafael, esse discurso foi incorporado por governadores de diferentes partidos e orientações ideológicas, inclusive em estados governados pela esquerda, o que ajuda a explicar por que a letalidade se mantém elevada em diversas regiões do país. “Vai ter isso em Minas, vai ter isso em Goiás, vai ter em São Paulo e mesmo na Bahia, que é um estado governado pela esquerda. Os governadores encamparam em vários momentos esse discurso”, diz.
A reportagem é de Catarina Duarte, publicada por Ponte Jornalismo, 04-02-2026.
sábado, 7 de fevereiro de 2026
V domingo comum - Nas trevas e no 'não sentido' da vida é preciso ser luz e sal!
Escuridão
e trevas parecem marcar a nossa existência muito mais do que a luz. A mídia
parece até sentir um gostinho mórbido em publicizar homicídios brutais,
guerras, abusos de todo tipo e violência generalizada. Como acreditar que nesse
inferno é possível achar e emitir raios luminosos de esperança? Nós mesmos nos
autoconvencemos de que somos, mesmo que indiretamente, alimentadores e
cúmplices da deterioração social e do obscurantismo político e econômico que
corrói a humanidade. Sentimentos de culpa e de impotência se misturam com
expectativas de que, se algo bom e iluminador poderá acontecer, num futuro
próximo, este só pode vir de fora, jamais a partir de nós mesmos! No entanto,
Jesus de Nazaré, continua a convidar um grupinho, um resto minoritário de
discípulos, de ontem e de hoje, a ser luz do mundo e sal da terra. Jesus não é
ingênuo. Sabe que não se trata somente de disputa simbólica com os produtores
de trevas e de ‘não sentido’ que parece dominar mentes e corações. Chegou a
hora, e é agora, em que as vítimas da escuridão e do desespero precisam ver e
sentir que ainda há pessoas que resistem às trevas da mentira e da manipulação,
e que estão dispostas a caminhar ao seu lado para dar sentido ao vazio e à dor
que imobilizam sonhos e esperanças. Não desista: seja luz. Seja sal!
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
ENTIDADES E IGREJA CATÓLICA LANÇAM NOTA DE REPÚDIO CONTRA IRREGULARIDADES COMETIDAS PELA SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE DA PREFEITURA DE AÇAILÂNDIA EM PIQUIÁ DE BAIXO
NOTA DE REPÚDIO
Piquiá, 06 de fevereiro
de 2026
Na
manhã do dia 03 de fevereiro de 2026, ocorreu em Piquiá de Baixo mais um
episódio de extrema gravidade institucional, revelador de ilegalidades
administrativas, violação de direitos fundamentais e grave déficit de condução
democrática no processo de finalização da transferência das famílias daquela
comunidade. Na referida data, representantes da Defesa Civil e da Secretaria
Municipal de Meio Ambiente, com o auxílio de maquinário pesado pertencente a
empresa vinculada à AVB (Aço Verde Brasil), ingressaram na área de Piquiá de
Baixo, entre os escombros de residências anteriormente demolidas, sem qualquer
aviso prévio, notificação formal ou apresentação de ordem administrativa
individualizada, procedendo à demolição imediata da histórica Igreja de São
José, bem de inegável valor simbólico, cultural e religioso para a comunidade
local.
Na
sequência da intervenção, o agente que se identificou como responsável técnico
e coordenador da operação, na qualidade de representante da Secretaria
Municipal de Meio Ambiente, passou a pressionar moradores presentes no local, aplicando
multas, inclusive em situação que resultou na violação da porta de uma
residência ainda ocupada, contendo móveis e eletrodomésticos, ato que somente
não culminou em demolição em razão da intervenção direta e imediata do
proprietário do imóvel.
A
conduta acima descrita mostra-se incompatível com o exercício regular da função
pública, sobretudo diante da posterior constatação de que a justificativa
apresentada no momento da ação, a suposta existência de ato administrativo
formal, consensuado com o Ministério Público, e amparado em um PRAD (Programa
de Recuperação de Áreas Degradadas), não correspondia à realidade fática.
Tal
afirmação foi expressamente desmentida, no prazo de 24 horas, pelo Promotor de
Justiça do Meio Ambiente de Açailândia, que esclareceu a uma comissão da
sociedade civil que o esboço do PRAD, - inclusive por ele solicitado reiteradas
vezes ao longo de meses, - somente lhe fora apresentado na tarde daquele mesmo
dia, pelo próprio Secretário Municipal de Meio Ambiente, para fins de análise e
debate, inexistindo, portanto, qualquer autorização prévia para a ação
executada.
O
que se evidencia e desperta profunda indignação, portanto, é a adoção reiterada
de um modus operandi administrativo marcado pela imposição unilateral e
precipitada de medidas extremas e irreversíveis (demolição), pela supressão de
instâncias de diálogo, pelo apagamento de memórias incômodas (poluição intensa,
óbitos por doenças pulmonares, queimaduras graves pela munha quente despejada
nas proximidades das casas, sistemática ausência dos poderes públicos, etc.)
pelo desrespeito a acordos em construção e pela afronta a princípios basilares
da administração pública, notadamente a legalidade, a finalidade, a
publicidade, a razoabilidade e a participação social.
Desde
o início do processo de transferência das famílias de Piquiá de Baixo,
instaurado há mais de um ano, para os locais previamente negociados e definidos
de comum acordo para seu reassentamento, bem como para a subsequente demolição
das moradias, os representantes da Prefeitura encarregados da execução dessas
medidas vêm reiteradamente praticando irregularidades administrativas como a
notória falta de notificação para muitas pessoas, em afronta direta aos
princípios da legalidade, da participação social e da gestão democrática,
condutas que não podem nem devem permanecer sem a devida apuração e
responsabilização. O ocorrido em 03 de fevereiro não constitui fato isolado,
mas representa reincidência grave de práticas administrativas irregulares,
perpetradas por órgãos que têm o dever funcional de cumprir a lei, respeitar os
acordos firmados, dialogar com a comunidade e mediar conflitos, e não de
agravá-los por meio de ações arbitrárias.
1. A
imediata apuração administrativa e o afastamento cautelar dos agentes públicos
responsáveis pela ação que resultou na demolição da Igreja de São José e na
tentativa de demolição de residência ocupada, sem prévia notificação,
por manifesta incompatibilidade com a condução adequada do processo de
realocação das famílias de Piquiá de Baixo.
2. Que
a empresa AVB (Aço Verde Brasil) que desde o início do processo de
transferência e de demolição das casas vem proporcionando apoio logístico
concreto diga explicitamente qual o seu papel no processo de demolição das
casas, esclareça formalmente se
tinha ciência ou não da metodologia adotada pelos órgãos municipais na execução
da ação do dia 03 de fevereiro, e que tipo de apoio logístico concreto forneceu
na ocasião, sob pena de ela ser suspeita de cumplicidade e de conivência com os
autores das irregularidades.
3. Que a Secretaria de Segurança Pública do
Estado do Maranhão, por intermédio da Delegacia de Polícia Civil de Açailândia,
proceda à investigação rigorosa e imparcial dos fatos já noticiados por meio de
Boletim de Ocorrência regularmente registrado, promovendo a devida
apuração e responsabilização legal dos envolvidos;
4. Que
o Ministério Público do Estado do Maranhão convoque, com urgência, reunião
institucional com todos os atores sociais envolvidos, tendo com finalidade a
análise de eventuais danos morais e materiais causados e a construção de
metodologias consensuais, transparentes, respeitosas e legalmente
adequadas, capazes de evitar a intensificação de conflitos, da vulnerabilidade
social e o aprofundamento do sofrimento humano das famílias e cidadãos afetados.
Ass.
Justiça nos Trilhos
Missionários
Combonianos
Centro
Frei Tito
Ass.
Carlo Ubbiali
Sindicato
Trabalhadores Rurais de Açailândia
SEGUEM MAIS ENTIDADES.......
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
Depois de 25 anos de ressurgido padre Carlo Ubbiali continua presente naqueles que lutam por dignidade e direitos!
25 anos atrás, no dia 04 de fevereiro de 2001, vinha a
falecer num acidente de carro o Padre Carlo Ubbiali, amigo, irmão e
companheiro. Ele havia nascido em Brignano (Bergamo - Itália) aos 28 de junho
de 1939. Um quarto de século já se passou, mas o legado desse
missionário ‘fidei donum’ de Bergamo continua a interpelar e a iluminar. Chegado
ao Maranhão no final dos anos 70 participa ativamente das mudanças sociopolíticas e
eclesiais do Estado. Ele entendia que a igreja não era somente servidora do ‘altar’,
mas do povo que participava ou que era excluído do banquete da vida e do
direito. Desde cedo Carlo percebeu a triste realidade, violenta e insegura de
milhares de camponeses e de indígenas do Maranhão. Tomou partido: escolheu de
ficar com aqueles que não tinham voz e nem vez. Hoje, ao fazer referência a
Carlo significa associá-lo imediatamente à sua atuação como missionário aliado e companheiro dos povos indígenas no Estado que
ainda gritam por respeito e por direitos. Um grupo de amigos, entre missionários e
leigos, nunca quis permanecer na contemplação de sua memória ou na mera saudade,
mas deu vida a uma agremiação que é atuante até aos nossos dias, e que tenta
dar continuidade ao que ele iniciou outrora: a Associação Carlo Ubbiali. Não quis
e não quer ser uma simples homenagem à vida e ao testemunho de Carlo, mas uma
ousada tentativa de manter viva a metodologia, a sensibilidade, os cuidados e
as intuições e, porque não, amor mesmo, de alguém que mesmo ausente fisicamente continua iluminando e
motivando.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Secretaria de Meio Ambiente de Açailândia derruba igreja de São José no Piquiá de Baixo sem dialogar e sem notificar
Até a cruz decenal de madeira que acolhia com seus braços abertos e enrugados pelo tempo os fiéis que frequentavam, outrora, a igreja de São José, em Piquiá de Baixo, foi barbaramente arrancada por uma pesada máquina niveladora da Prefeitura de Açailândia. Tudo aconteceu hoje, dia 3 de fevereiro de 2026. Mais uma vez, esse dia será lembrado como um inesquecível momento marcado pelo abuso e pela truculência institucional. Funcionários da Prefeitura de Açailândia sob a batuta da Secretaria Municipal do Meio Ambiente entraram ostensivamente no Piquiá de Baixo para demolir os poucos imóveis que ainda sobravam. Entre eles a igrejinha de São José. O dramático se repete: sem notificação e sem algum tipo de diálogo com os donos dos imóveis que ainda sobreviviam acolá. Um verdadeiro rolo compressor de memórias e de dignidades. Para surpresa dos católicos, até a igreja católica de São José, um dos prédios mais antigos de Piquiá de baixo, foi reduzida a uma montanha de escombros. Houve alguns meses atrás conversas formais e informais para que o templo católico fosse contemplado como ‘patrimônio histórico’ a ser, possivelmente, preservado e adaptado para abrigar a memória do lugar. Infelizmente, nunca se chegou a um consenso ou, se houve algum tipo de entendimento a respeito, os diretos interessados não tomaram conhecimento. O tempo foi passando e a igrejinha, isolada e sem proteção alguma vinha sendo sistematicamente depredada. Algumas semanas atrás a coordenação da paróquia de Santa Luzia concordou que uma empresa pudesse, pelo menos, preservar o telhado, retirando a madeira ainda em bom estado (caibros e tesouras) para evitar futuras surpresas por parte de chacais. Em momento algum foi dada autorização a quem quer que seja para que, posteriormente, se pudesse demolir o prédio, haja vista que se aguardava uma resposta definitiva quanto ao seu destino como ‘patrimônio histórico’. Funcionários da Prefeitura alegaram, hoje, que havia sido aprovado um PRAD (Plano de Recuperação de Áreas Degradadas) em conjunto com o Ministério Público de Açailândia, algo a ser verificado. Em momento algum a coordenação da Paróquia e o bispo da Diocese de Imperatriz, direto responsável da igreja de São José, foram convidados para debater e negociar, ou foram notificados por escrito quanto à existência desse PRAD. Mais uma vez observa-se o alto grau de displicência, de irresponsabilidade institucional e de amadorismo administrativo dos representantes da Prefeitura que demonstraram um desproporcional zelo em ‘demolir e arrasar’, ao passo que deveriam começar a ‘construir casas populares, zelar pela atmosfera poluída, proporcionar saneamento básico, escolas, hospitais, praças para a população de Piquiá e do município de Açailândia. Assim não dá!
