sábado, 22 de maio de 2010
É Pentecostes!
segunda-feira, 17 de maio de 2010
perdendo a capacidade de se indignar?!
Peguei dois sustos hoje pela manhã. O primeiro: no Bom dia Brasil desta manhã foi dada a informação que mais um padre de Londrina foi detido após ter sido flagrado bêbado e pelado num carro, depois de ter participado de uma festa de casamento em que ele teria assediado um adolescente e um policial. O advogado do padre, na entrevista, justificou o fato alegando que o clérigo havia ingerido comprimidos antidepressivos com bebidas alcoólicas que teriam causado transtorno momentâneo. Para o sim ou para o não, mais um padre é objeto de manchete, e sempre pelos mesmos motivos.
O que vem me chamando a atenção nessas denúncias de pedofilia cometidas por padres da igreja católica pelo mundo afora é que todos os envolvidos até agora denunciados pertencem à igreja eufemisticamente chamada ‘conservadora’. Todos eles, padres e bispos até aqui denunciados com provas e claros indícios de responsabilidade nos casos de pedofilia, são ferrenhos inimigos da teologia da libertação, das pastorais sociais, da igreja popular, das CEBs, da democracia na igreja, etc. Ao mesmo tempo, são defensores intransigentes da moral sexual vaticana, do clericalismo mais despótico, do papismo monárquico, e da liturgia fundamentalista, mas tolerando as show-missas dos padres-artistas. Ah, esqueci: o padre de Londrina era um ‘show-clerical-men’ que reunia até 50.000 pessoas nas missas....se é que elas podem ser definidas assim!
O segundo susto: a foto da governadora do Maranhão ladeada pelos dois caciques do PT Regional do Maranhão no jornal O Estado do Maranhão. Não que estranhe tal aliança, afinal estava no ar. Poucos haviam engolido aquela votação em que 87 delegados petistas contra 85 haviam rejeitado a aliança com o PMDB maranhense. Tampouco fico escandalizado por esse eventual casamento entre um setor do PT (no caso aquele que manda!) e o PMDB, afinal a política partidária nesses tempos tem o poder de ‘nivelar’ e achatar todos.
Todos se equivalem. Nenhum partido hoje em dia pode se arvorar em ser mais puro e honesto que outro. Puro e impuro, honesto e corrupto, direita e esquerda, conservador e progressista, oligarca e democrata estão a formar uma unidade indissociável, uma espécie de ‘amasio’ consentido, embora não sacramentado. Faces pluriformes da mesma moeda. Nesse contrato carnal ‘todos são de todos’....melhor dito: ‘ninguém é de ninguém’, mas estão juntos, hoje!
Mas venhamos ao susto. Em que consistiria, afinal, o meu susto? Ele está exatamente nisso: na minha incapacidade de me assustar, de experimentar estranheza, indignação, escândalo diante das imponderáveis pirotecnias da política partidária maranhense.
Aos recém-amasiados, cuidado: fidelidade mesmo só com o bicho ‘águia’....que é por sua natureza....fiel, mas só ela!
sexta-feira, 14 de maio de 2010
ASCENSÃO DE JESUS: O CÉU NA TERRA PARA DIVINIZÁ-LA
Frequentemente ao longo da nossa vida fazemos a experiência de uma dúplice dimensão dentro de nós mesmos. De um lado vivemos a plena materialidade, a concretude, mas percebemos que ela tem uma vida que a anima e que a transcende. Vivemos na terra finita, mas aspiramos alcançar realidades que vão além da sua finitude. Fazemos a experiência da angústia, da dúvida, mas ao mesmo tempo almejamos o seu oposto: a paz interior permanente, a certeza e a segurança, embora não na sua plenitude. Sentimos o que significa sofrimento, dor, morte, mas possuímos dentro de nós a capacidade de imaginar e desejar serenidade, vida plena....permanente.
A catequese/acontecimento da ascensão de Jesus nos faz mergulhar nas dinâmicas mais profundas da nossa vida: o morto voltou a viver, o humilhado foi exaltado, o cativo da ‘terra finita’ conquistou definitivamente o céu da liberdade plena. São duas faces da mesma moeda. Realidades aparentemente contraditórias formam uma unidade integrada do processo existencial de cada pessoa: vida e morte, terra e céu, luz e sombra, humilhação e exaltação, fidelidade e traição, medo e coragem, paz e guerra...fechamento e abertura ao outro, ao mundo!
É claro que na vida real isso não se dá de uma forma sempre clara e distinta. Nem ocorre que somos integralmente ou uma coisa ou outra. O importante é percebermos que tudo isso está potencialmente dentro de nós ao mesmo tempo, sincronicamente, e que podemos, em parte, construir historicamente uma ou outra dimensão, a depender das escolhas e opções de vida que fizermos.
Jesus anunciou e lutou pelo direito à vida, à felicidade, à saúde. Alimentou o sonho dos pobres da Palestina por uma existência que fosse além de conquistas imediatas e circunstanciais. Educou-os a sonhar ‘alto’ e olhar ‘longe’. Ajudou-os a compreender que a existência humana não acabava naquilo que eles viam e sentiam. Que era possível construir outra realidade que não fosse a ‘finita e estática’ que experimentavam, mas os ajudou a transcender a que eles eram obrigados a viver.
Propunha a eles não uma realidade ‘celestial’, desencarnada da história, mas uma realidade que transformasse definitivamente a que os mantinham limitados e cativos. Jesus fez isso em contraposição a quantos semeavam e impunham morte, sofrimento, dor, miséria e escravidão. Jesus mostrou que nas duas faces da moeda Ele escolheu e lutou por um lado: o da vida, da luz, da liberdade, da felicidade e da vida infinita como o é o ‘céu’.
Ascensão de Jesus significa reconhecer que é possível libertar-se dos condicionamentos e escravidões, de interesses materiais e mesquinhos, de tudo o que nos prende e nos apavora. Significa de um lado saber permanecer no lugar do desafio, da confrontação, em Jerusalém, mas saber compreender quando está na hora de sair para ‘Betânia’, o lugar da ‘revelação e da bênção’, a porta de entrada para o mundo. Não mais presos a um lugar específico, estreito, mas disponíveis para reiniciar em todos os lugares e tempos a mesma prática Daquele que nunca subiu para o ‘céu’ porque o céu já o havia trazido para a terra para libertá-la definitivamente de suas amarras e, enfim, divinizá-la!
quinta-feira, 13 de maio de 2010
A semana dos povos indígenas no Maranhão: oportunidade perdida?
É louvável que o Governo do Estado mediante as suas secretarias tenha criado o belo hábito de promover anualmente a semana dos Povos Indígenas do Maranhão. Não deu para fazê-lo nos dias que costumeiramente se faz em todas as regiões do Brasil, ou seja, em abril (19 dia nacional dos povos indígenas).
Aqui no Maranhão começou ontem, dia 12 de maio e se estende até o dia 15. Basicamente se reproduz o mesmo esquema: oficinas, exposições de artesanato, algumas mesas redondas, mas, convenhamos, não deixa de ser uma oportunidade para manter viva a consciência de que a nossa matriz sócio-cultural fundadora é indígena. Que somos, em parte, o que somos, graças a determinados alicerces postos por ancestrais que nos repassaram valores e visões de mundo que ‘fortalecem a nossa humanidade’.
Valores como o sentido de pertença e de solidariedade existente entre todos os integrantes de uma mesma grande família, a concepção-prática de tempo, espaço e trabalho em que tudo está subordinado não à vontade doentia de ganhar e lucrar, mas à vontade de ‘conviver, celebrar, festejar....’, o sentimento profundo de que tudo está integrado (seres humanos, seres espirituais,‘seres inanimados, natureza, etc.) entre outros, marcam a estrutura social e cultural desse Estado. Tudo isso é um patrimônio humano-moral valioso que muitos não indígenas desconhecem, mesmo se beneficiando.
Infelizmente, as ‘semanas indígenas’ não passam de ‘homenagens formais’ supostamente de caráter cultural que frisam somente o caráter ‘externo e material’ das sociedades indígenas. Os seus grandes problemas e conflitos fundiários, os direitos negados, os preconceitos raciais, as omissões e negligências institucionais para com elas, não são debatidos e enfrentados, nessas oportunidades.
O projeto-proposta que a Associação Carlo Ubbiali - à qual pertenço - de que o Estado disponibilize espaço e condições para a criação um ‘museu/espaço vivo dos povos indígenas do Maranhão’ continua encontrando indiferença e falta de interesse nas instituições públicas. Índio só incomoda, principalmente hoje!!!!!
terça-feira, 11 de maio de 2010

A campanha ’Justiça nos Trilhos’ lançada cerca de dois anos atrás por várias entidades e movimentos do Maranhão, entre os quais os Missionários Combonianos do Brasil Nordeste, editou recentemente a revista ‘Não Vale’ colocando dados e informações sobre a atuação deletéria do colosso brasileiro de mineração, a empresa multinacional VALE.
A empresa que costuma apresentar um rosto bem ‘maquiado’ com truques ambientalistas e humanitários é radicalmente desmascarada por um conjunto de artigos que não deixam margem a qualquer réplica. Desde os altos índices de poluição que a Vale produz no mundo, e especificamente em São Luis, até os impactos causados pelo trem da Vale às comunidades que vivem à beira da ferrovia, passando pelos métodos arrogantes e inescrupulosos da empresa para com o ambiente, seus funcionários e terceirizados.
Uma mistura explosiva que vale a pena ler e manter na estante da sala para uma permanente consulta. Associada à revista vai também o vídeo ‘Não Vale’ produzido pelo diretor italiano Silvestro Montanaro mostrando os dramas que o ‘orgulho nacional’ da mineração-siderurgia vem produzindo. Vale a pena adquirir. Podem entrar em contatos com este blog ou mediante o site ‘www.justicanostrilhos.org’
sábado, 8 de maio de 2010
AMAR É GUARDAR A PALAVRA-TESTEMINHO PARA GERAR MAIS TESTEMUNHO! (Jo.14, 23-29)
Vivemos em uma sociedade que produz e mercantiliza a palavra. Uma sociedade prolixa e verborrágica. Que consegue separar a palavra do seu sentido e conteúdo. Uma sociedade que consegue deturpar e manipular o que a palavra jamais quis revelar.
A palavra, muitas vezes, não é usada de forma coerente com o que o seu autor sente e pensa realmente. Ela se torna instrumento de ruptura entre o pensamento/sentimento e a ação...não correspondente. A palavra deixou de ser, progressivamente, a expressão direta e inconteste da identidade/personalidade/intencionalidade do seu autor. Tornou-se um conjunto de sons emitidos para proteger/escancarar, esconder/revelar, elogiar/caluniar, simultaneamente, os interesses, as conveniências e os projetos do seu emissor.
Manter a ‘palavra dada’ não passa de uma expressão esdrúxula. Só um otário entra nessa, de acreditar! Até a palavra registrada em cartório levanta suspeita e dúvida. Pode ser facilmente contestada. Contraditoriamente vivemos em uma sociedade que cria, inventa e utiliza de um volume incalculável de ‘palavras’, mas que sabe que elas são inconsistentes e voláteis. Um produto, enfim, descartável, como qualquer outro.
Respeitadas as devidas ressalvas (exceções e contradições) os povos da antiguidade atribuíam à palavra um valor por nós inimaginável. E não somente por não possuírem a escrita, ou por ela não ser tão desenvolvida como hoje! Era expressão do que efetivamente o seu emissor pensava e sentia. Não só: a palavra não podia ser compreendida se fosse desligada do sentido que ela veiculava, e da ação que revelava. Palavra e ação correspondente era uma coisa só! Indissociáveis. Daí o fato que no Gênesis, por exemplo, Deus cria falando. Deus disse e as coisas tomam vida!
Jesus no discurso de despedida, na versão de João, afirma que a prova que se ama alguém é ‘guardar as suas palavras’. A prova que não se ama uma pessoa consiste em ‘não guardar as suas palavras’. ‘Guardar’ não é sinônimo de ‘proteger escondendo’. Tampouco significa decorar ou divulgar e transmitir fielmente as palavras da pessoa amada.
Só podemos entender essa expressão segundo os critérios dos ‘antigos’, ou seja, manter viva a palavra-ação, a palavra -testemunho. Amar alguém significa, portanto, manter vivo o patrimônio moral e humano de alguém que deu sentido ao seu existir. Não deixar sufocar nem deturpar a sua humanidade, as suas opções, o seu testemunho de vida. Mais: amar é saber reinterpretar e readaptar as palavras do amado/a aos novos contextos, para que ‘o amor da pessoa amada’ não morra. Para que ela continue dando sentido àquele que fez a experiência de se sentir amado por ela e que, agora, ao estar sem a sua proximidade, já não pode deixar de manifestar, reproduzir e multiplicar a intensidade e a beleza de amar e ser amado...para mantê-lo permanentemente VIVO/A
No dia das mães não necessitamos fazer manifestações verborrágicas de que as amamos. É suficiente garantir a elas, a nós mesmos e aos que entram em comunhão conosco de que o testemunho do seu amor e de sua dedicação nunca irão morrer. Isto porque nós, os filhos/as do amor delas, poderemos reproduzir o seu testemunho em gestos férteis e geradores de mais amor e de mais dedicação.
É guardando as ‘palavras vivas’ desse amor que provamos que as amamos!
Feliz dia das mães!
À senhora Gina, minha mãe um grande beijo, cheio de gratidão e carinho. Que se recupere rápido da cirúrgia e volte a pessar pelas veredas dos nossos bosques.
sábado, 1 de maio de 2010
Para vencer o medo e a morte só amor, nada mais que.....amor! (Jo.13,31-35)
Judas sai do espaço/contexto em que Jesus acabava de mostrar que o que vale na vida é servir (lava-pés), numa atitude de gratuidade, sem aparecer, sem mandar e sem manipular. Judas abandona o ‘líder’ Jesus e o seu grupo por ter compreendido que o suposto ‘messias’ já não iria satisfazer as expectativas que ele havia alimentado até então. O próprio Jesus, conscientemente ou não, as havia mantido acesas até o final. Judas, a partir disso, deixa de ser um mero personagem ‘historicamente identificável’ e se eleva a ‘imagem’ de todas aquelas pessoas que se sentem ludibriados em seus sonhos pessoais e projetos sociais e políticos. E, ao perceberem que não há mais volta, o melhor que lhes resta a fazer é ‘destruir’ quem as iludiu.
É nesse contexto de conluio, de dupla traição, de ‘traidor traído’, de vingança política, - pois disso se trata, - que João vê a ‘glorificação’ de Jesus, e a emergência do ’novo mandamento’. Paradoxalmente, João vê na traição de Judas e na conseqüente morte-ressurreição de Jesus a sua glorificação, e o reconhecimento/confirmação por parte do próprio Deus.
João, na prática, tenta encontrar uma justificativa teológica para algo que representou, historicamente, um verdadeiro ‘escândalo’, um ‘trauma coletivo’ para os discípulos e seguidores históricos de Jesus de Nazaré: a sua morte mediante a crucificação. Uma pena esta reservada a escravos rebeldes, a grupos de oposição armada que insurgiam contra os romanos ou, enfim, a cidadãos suspeitos de ter colaborado com os insurgentes anti-romanos. Uma pena cruel que tinha o propósito de não somente erradicar os opositores declarados, mas de inibir futuras tentativas de se opor à força do império. Uma pena ignominiosa para quem a subia e para os familiares e amigos do condenado. Se já é um trauma a morte em si mesma, a morte de cruz assumia conotações de tragédia que ia além da perda biológica de uma pessoa querida. Era, afinal, símbolo de humilhação e derrota humana e social.
João e a sua comunidade, muitos anos após a morte de Jesus, se encontram a ter que enfrentar novos e inéditos acontecimentos que trazem novos sofrimentos e provações para a igreja de Jesus. Sentem-se, porém, mais fortes, pois possuem uma consciência que à época do Jesus histórico não possuíam, ou seja, que nem a cruz, nem a espada, nem a fome, nem as tribulações haviam conseguido matar o legado do profeta de Nazaré.
Em seu cotidiano carregado de novas traições, de desistências e perseguições ‘re-aparece’ no meio deles (na comunidade) Aquele que nunca havia sido eliminado na sua memória e celebração da vida. João e a sua comunidade percebem que é ‘quando são fracos, carregados de dúvidas e com medo é que são efetivamente fortes!’ Descobrem que, como havia acontecido ao mestre de Nazaré, a morte é, paradoxalmente, um sinal da presença (glória) de Deus, pois ela desencadeia relações e sentimentos que apontam sempre para a sua (morte) superação.
Em lugar de se deixar vencer e dominar pelo medo coletivo, pelo escândalo da ‘cruz/sofrimento/vergonha’ à comunidade só lhe cabe uma coisa: amarem-se uns aos outros. Em lugar de desistir e fugir, se fortalecer e se solidarizar. Em lugar de competir e rivalizar, amar e se deixar amar.
Afinal, a prática do ‘agape/amor fraterno e terno’ é que pode dar sentido a uma existência que cotidianamente tem que lidar com intolerâncias, ódio, truculência, arrogância, traições e violência. É na adoção de relações humanas alicerçadas no respeito, na mansidão, na paciência, na paz, na justiça – e não mediante as nossas solenes liturgias - que podemos ser reconhecidos como autênticos ‘seguidores de Jesus’.
Bom domingo para todos!