Muitos repórteres estão afastados de seus entes queridos e sofrem com o medo constante que sentem depois que Israel matou mais de 200 de seus colegas.“Há muito tempo que me mantenho afastado do que chamamos de 'alvos previsíveis' aqui. Isso inclui lugares e pessoas. E Anas era um deles”, admite um cinegrafista da Cidade de Gaza. O repórter se refere ao jornalista da Al Jazeera, Anas al-Sharif, que Israel matou no domingo, juntamente com outros quatro funcionários do veículo de comunicação do Catar.
"Tenho muita vergonha de dizer isso hoje, porque meu coração está partido, mas eu o evitava, mesmo amando-o muito. Eu teria tido muito medo de dormir no mesmo lugar que ele", acrescenta este repórter, que pede para ser identificado como Hatem porque não quer que seu nome apareça em nenhuma mídia. "Já estamos em perigo suficiente", explica. Anas al-Sharif havia sido ameaçado diretamente por oficiais militares israelenses e, no domingo, o exército postou uma mensagem no X com as palavras "Atingido", uma espécie de reivindicação de responsabilidade pelo ataque. O mesmo atentado também matou o repórter Mohammed Qreiqeh, os cinegrafistas Ibrahim Zaher e Moamen Aliva, e o assistente Mohammed Noufal, da Al Jazeera, bem como Mohamed al-Khalidi, do veículo local Sahat. Todos viviam e trabalhavam em uma tenda em frente ao Hospital Al-Shifa, na Cidade de Gaza, buscando em vão a proteção que os hospitais costumam oferecer em tempos de guerra. Mas não há como proteger um jornalista de Gaza neste momento, concordam Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Al Jazeera, ONGs e coordenadores de segurança da mídia. Alguns profissionais da mídia optam por ficar em casa, mas muitos estão se distanciando de seus entes queridos devido ao medo constante que sentem e à falta de ajuda para conseguir comida todos os dias. Alguns vivem e trabalham em grupos, enquanto outros se movem sozinhos, misturando-se à população e sem um colete com a inscrição "imprensa" porque, em vez de se sentirem protegidos, se sentem isolados. (IHU)
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