quinta-feira, 15 de junho de 2023

Capitais brasileiras não completaram os estudos para minimizar os efeitos das mudanças climáticas

De 27 cidades, 17 não completaram os estudos para minimizar e enfrentar tragédias causadas pelos extremos climáticos. Em maio, Aracaju e Porto Alegre, duas capitais brasileiras separadas por mais de 3 mil quilômetros, enfrentaram o mesmo evento extremo: chuvas intensas. Na capital gaúcha, os temporais na primeira semana do mês corresponderam praticamente à média histórica de todo mês de maio. Um deslizamento destruiu quatro casas no Morro da Cruz, desalojando dez pessoas e ferindo duas. Já na capital sergipana, em cinco dias choveu mais do que a média histórica do mês de maio. Deslizamentos levaram à interdição de três imóveis e 16 famílias foram retiradas de suas casas por causa do risco de transbordamento do rio Poxim. As chuvas em Aracaju e Porto Alegre não são casos isolados. Com intensidades diferentes, eventos extremos como esses já ocorrem por todo o país devido às mudanças climáticas. Segundo alertam cientistas, a tendência é que se tornem cada vez mais fortes e frequentes. 

Segundo apuração da Agência Pública, Aracaju e Porto Alegre ilustram o despreparo das capitais brasileiras para responder aos desafios postos pela emergência climática. Elas estão entre as 17 das 27 capitais (incluindo o Distrito Federal) que não possuem planos municipais de mudanças climáticas. Além de Aracaju e Porto Alegre, as seguintes capitais não possuem plano de mudanças climáticas: Florianópolis, Vitória, Campo Grande, Goiânia, Cuiabá, Palmas, Porto Velho, Macapá, Boa Vista, Manaus, Belém, Maceió, São Luís, Teresina e Natal. (IHU)


domingo, 11 de junho de 2023

10º domingo - Misericórdia quero, e não louvor! (Mt. 9,9-13)

Se Jesus chama Mateus, um pecador público, para segui-lo e fazer parte do seu grupo, todos os outros pecadores se sentem legitimados em, pelo menos, se aproximarem Dele! Jesus nasceu para ser sinal de contradição, e não é para menos! Segundo a 'religião' só os purificados podem aceder ao templo, mediante abluções e ‘lavagens’ de vários tipos. E, para amolecer o coração de um Deus punitivo é preciso oferecer muitos sofrimentos e dores sem fim. Ainda imaginamos que Deus poderá nos escutar só mediante uma bela confissão, uma santa comunhão, muitas mortificações e muito louvor. Ledo engano. Ainda hoje Jesus continua nos lembrando que Ele prefere o exercício da misericórdia a todo tipo de ritualismo e devoção. Não condena nem ritos e nem orações desde que estejam sempre acompanhadas pela compaixão misericordiosa que, em geral, é o que nos falta. Sem isso, tudo vira hipocrisia e alienação religiosa!


quarta-feira, 7 de junho de 2023

Corpus Christi - Devoção ou fé?

 


A festa do Corpus, hoje em dia, parece ter se tornado um mero espetáculo de devoção, e não de fé.  A preocupação parece ser a de quantificar os devotos numa procissão, e não a de organizar os que deveriam se comprometer a combater a fome e a promover os verdadeiros banquetes que incluem  e que protegem os corpos famintos, dilacerados e violentados!  A devoção extrai do cotidiano um 'objeto', isola-o do resto, e o venera como algo prodigioso, supostamente capaz de modificar, por si só, uma realidade em que o ser humano se acha incapacitado. Já a fé encontra suas raízes/motivações em gestos e em testemunhos históricos significativos e totalizantes em que a própria pessoa é o agente transformador. A fé compromete integralmente a pessoa, o tempo todo, em todas as circunstâncias, e exige o seu engajamento concreto, e não só contemplativo. A impressão que temos é que a festa do Corpus e a relativa 'adoração da hóstia' não refletem e não reproduzem os gestos originários dos banquetes permanentes em que Jesus se engajava totalmente para saciar as múltiplas fomes de numerosos famintos....A fé subverte, já a devoção tranquiliza e conforma. 

'Lavagem de bois' é cada vez mais comum em naturalização do desrespeito ao meio ambiente

De esquema em esquema, a lógica do desrespeito à proteção ambiental se mantém lucrativa. A situação apurada pela Repórter Brasil desta vez envolve a criação ilegal de bois em terra indígena e uma gigante no setor da carne (que já apareceu por aqui algumas vezes). Documentos mostram que pecuaristas que arrendaram de forma irregular fazendas dentro do território do povo Xavante escoaram este gado para outras propriedades em seu nome ou de familiares, localizadas em municípios vizinhos. Estas fazendas para as quais os bois eram escoados forneciam animais para a JBS – situação característica de uma manobra conhecida como “lavagem de gado”, quando produtores encobrem a origem ilegal de seu rebanho, registrando a passagem dos bois por uma fazenda que não tem impedimentos socioambientais para vender ao frigorífico. A brasileira JBS é a maior empresa de alimentos do mundo.


Governo lança edital para diminuir impacto das drogas entre indígenas

 

Os ministérios da Justiça e Segurança Pública e dos Povos Indígenas lançaram, nesta segunda-feira (5), em Brasília, edital no valor de R$ 3 milhões para financiar projetos de desenvolvimento sustentável em territórios indígenas ameaçados pelo narcotráfico e pelo crime organizado.  O evento ocorre no Dia Mundial do Meio Ambiente (05 de junho). A mesma data marca o primeiro ano dos assassinatos do indigenista e funcionário licenciado da Funai, Bruno Pereira, e do jornalista britânico Dom Phillips, no Vale do Javari, oeste do estado do Amazonas. O edital será coordenado pela Secretaria Nacional de Política sobre Drogas (Senad) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que, pela primeira vez, constrói uma política voltada às populações indígenas, de acordo com a secretaria da Senad, Marta Machado.  A secretária enumerou as consequências da atuação do crime organizado aos povos originários, que precisam ser prevenidas e combatidas com urgência. “O agravamento dessa situação impõe às populações indígenas uma série de violências, ameaças, coações, assassinatos de lideranças, violência e exploração sexual, trabalho forçado em atividades ilícitas, cooptação de jovens para o tráfico, disponibilização indevida de drogas em seus territórios. O avanço das organizações criminosas sobre as terras indígenas também impacta em questões de saúde indígena, como doenças e distúrbios associados ao abuso do álcool e de outras drogas”. 

Lançado para reduzir impacto do narcotráfico em populações indígenas, o edital vai financiar os trabalhos de organizações indígenas e comunitárias. São três os eixo de atuação:: -Enfrentamento de situações de vulnerabilidade social de jovens e adultos indígenas, por meio da geração sustentável de renda e participação social; -Prevenção de violência sexual física simbólica contra mulheres indígenas ou a mitigação dos efeitos dessas violências com ações de acesso a direitos para proteção, amparo e acolhida -Redução e prevenção de invasões territoriais por narcotraficantes e outras redes criminais. “Entendemos que as ações de repressão que vêm sendo retomadas e conduzidas pelas polícias devem andar par e passo com as ações de acesso a direitos e de desenvolvimento social e humano que fortaleçam as comunidades e as tornem mais resilientes”, esclarece Marta Machado. A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, presente no evento, reconheceu a fragilidade histórica na proteção dos territórios indígenas contra o narcotráfico e disse entender que a Funai poderá contribuir para a construção de políticas indígenas dentro da rede governamental.   “Quem mais que poderá orientar todas essas propostas de projetos, como o único órgão indigenista federal do nosso país, que tem a expertise nessa diversidade que estão os povos indígenas, mas também tem uma atuação local? A Funai, nesse governo, tem se colocado na mesa para o diálogo e também para propostas”, pontuou a presidente da Funai. (Repórter Brasil)


Timbira do Maranhão da escabiose e do abandono

Taynara tem apenas oito meses de idade. Há pelo menos metade desse tempo, ela convive com pequenas erupções na pele, coceira intensa e ferimentos constantes por todo o corpo. Fábio Timbira, pai da menina e liderança indígena da aldeia Esperança, no Território Indígena (T.I) Geralda Toco Preto, diz que o problema é comum às crianças das T.I.s do município de Itaipava do Grajaú, no interior do Maranhão. “A gente só sabe que é sarna porque algumas pessoas daqui, incluindo eu e minha filha, conseguimos ir ao centro de Itaipava e mostrar ao médico. Acho que a essa altura todo mundo da aldeia, criança e adulto, já esteve ou está com isso”, diz. Altamente contagiosa, a escabiose, conhecida como sarna humana, é um problema sério na região há pelo menos cinco meses. Fábio Timbira diz que essa os primeiros casos foram da doença no território, que hoje abriga 30 indígenas das etnias Timbira e Kreepum-Kateyê, foram vistos em novembro do ano passado. “É muito difícil de cuidar porque quando uma pessoa melhora, outra na casa dela está doente, e aí ela pega a doença de novo. Esse é o tipo de coisa que precisa de um tratamento coletivo, precisa ser todo mundo ao mesmo tempo, ou não resolve”, explica Fábio Timbira. Na página do site do Ministério da Saúde dedicada ao tema, há a recomendação de cuidado simultâneo entre pessoas que ocupam o mesmo espaço e podem estar expostas à doença. “Algumas das nossas crianças tiveram inclusive que raspar a cabeça para tratar a coceira no couro cabeludo. Isso acaba com a autoestima delas”, conta Timbira. 

À Agência Pública, lideranças indígenas locais enviaram cópia dos e-mails à secretaria de Direitos Humanos do estado do Maranhão nos quais pedem, reiteradamente, ações que facilitem o acesso a serviços de saúde. O problema foi levado ao Ministério Público Federal, em abril deste ano, numa reunião onde foram discutidos também outros temas, como abastecimento de água e energia. De acordo com as lideranças que participaram do encontro, uma ação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) ocorreu duas semanas depois no território, mas os moradores avaliam ter sido um esforço frustrado pela falta de logística. “Para nós não deu certo. Entregaram umas pomadas, ficaram pouco tempo, não explicaram nada sobre como prevenir, pareciam que estavam com pressa. Não deu tempo de avisar as outras aldeias, nós corremos, tentamos ligar para o pessoal vir pra cá correndo, mas não deu tempo. Ou seja, não adiantou de nada”, diz Gelson Guajajara, liderança da aldeia Araruna, a 40 quilômetros da Esperança, na T.I. Urucu-Juruá, onde vivem 85 pessoas da etnia Guajajara. Por lá também há um surto de sarna humana. Gelson Guajajara diz que o atendimento beneficiou apenas os poucos indígenas, que estavam no momento da ação da Sesai e a reinfecção da doença logo voltou a ocorrer. A partir das orientações encontradas no posto de saúde da cidade, Fábio Timbira diz ter comprado pomadas e sabonetes para o tratamento. Mas, como não há distribuição gratuita desses itens, nem todas as famílias conseguiram acesso. “Imagino que, somando todos nós, já foi mais de mil reais em pomadas. Tudo do nosso bolso”, lamenta. Questionada sobre a ação, a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), vinculada ao Ministério da Saúde, informou apenas que “foram realizados procedimentos como aferição de pressão arterial, teste rápido de glicemia capilar, antropometria, dispensação de medicação, acolhimento e escuta qualificada. Os especialistas da pasta atenderam indígenas gestantes, hipertensos e com queixas dermatológicas”.


sábado, 3 de junho de 2023

TRINDADE SANTA - QUEM VÊ JESUS, VÊ O AMOR DO PAI!

 

É difícil acreditar no amor de alguém que nós não conhecemos a não ser que a pessoa que nos fala desse amor, ela também, nos ame de verdade. Ou seja, podemos sentir o amor ou os cuidados de alguém que não conhecemos somente mediante os gestos concretos de amor de alguém que está ao nosso lado nos dando afeto e proteção. Os esquecidos e excluídos de Israel ao saborear os gestos de compaixão e de acolhida de Jesus podiam, de alguma forma, imaginar e crer que o Deus que eles não viam e nem conheciam poderia ser como Jesus. Podiam sentir que Deus os estava amando e acolhendo, pois o mesmo o sentiam e viam em Jesus. Jesus inverte a lógica da religião oficial judaica, e de todas as religiões: Deus é igual a Jesus, e não Jesus igual a Deus! Se Deus pudesse ser visto ELE agiria e amaria como Jesus. Com o testemunho de Jesus, Deus não precisa mais procurado, mas somente acolhido. O Deus não conhecido já veio até nós na pessoa de Jesus. Trindade é isso: amar como um Pai, acolher plenamente como um filho o amor do Pai, e possuir um Espírito de coragem para reproduzir e multiplicar permanentemente esse amor. E sermos, enfim, tão amorosamente ‘humanos’ ao ponto de sermos, de fato, ‘divinos’... como o foi o Homem/Deus, Jesus.