Ainda há gente que se sente culpada por 'sentir' dentro de si o que ele acha que não deveria jamais sentir. O problema não é sentir, mas é aderir ao que sentimos, quando nos deixamos levar pelo desejo de mandar, manipular, dominar, e de nos apropriar de coisas e de pessoas. Quem se deixa conduzir pelo Espírito terá que arcar, permanentemente (40 dias, ou seja, sempre!) com inúmeros testes/tentações para perceber se possui estrutura para enfrentar os desertos da vida, e testemunhar a fertilidade da Vida/Boa Nova. É preciso sermos 'tentados' sim, para verificar se podemos, de fato, seguir o Mestre pelos caminhos da Galileia, da missão. O tempo urge. Ele se encurtou de vez. É preciso se definir, e assumir. Muita gente não sabe mais o que significa receber uma 'boa notícia' (evangelho) de esperança, de confiança, de amor verdadeiro. Continuar a seguirmos o senso comum e a mentalidade da maioria é fracasso na certa! Daí a necessidade de 'mudar de pensamento/lógica' (conversão) e investir todo o próprio ser (crer) de que a Vida Nova é possível, pois ela está ao nosso alcance. Nós, como Jesus, podemos ser Boa Nova, hoje, agora!
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024
sábado, 10 de fevereiro de 2024
6º domingo Comum - É preciso transgredir para poder viver!
Há momentos na vida que é preciso transgredir para se manter vivos! Muitas vezes ao seguirmos, acriticamente, regras e convenções sociais somos relegados ao esquecimento e ao abandono. Por isso que nos momentos mais escuros da nossa existência o ‘princípio vida' tem que ser determinante nas nossas decisões. Da mesma forma que fez o leproso do trecho evangélico de hoje. O ‘impuro’ por excelência ignora todas as prescrições religiosas e sociais que o mantinham longe das 'pessoas sadias', e 'chega perto de Jesus'. O seu pedido de cura se transforma num desafio ao próprio Mestre que 'tem poder de curar'. Aquele atrevimento mexe com Jesus e desperta a Sua 'compaixão' de forma tal que Jesus o 'toca', e o cura. Com isso, o leproso arrasta o próprio Jesus para o estado de 'impureza e ilegalidade' perante o sistema judaico. Para Jesus e para o leproso a integridade física e moral está acima de toda obediência a leis elaboradas por humanos interesseiros e hipócritas. No fim de tudo, o atrevido leproso, já curado, nem ao próprio Jesus obedece mais: proibido de falar ele grita para todos quem lhe devolveu a vida! Hoje, na nossa igreja, os arrogantes 'devotos’, institucionalizados, continuam a excluir e a proibir numerosos irmãos de ‘chegar perto de Jesus’ para serem curados de várias formas de ‘lepra’! Não se apercebem esses falsos puros que quem precisa de cura são eles mesmos!
Comissão de Direitos Humanos investiga casos de agressão contra indígenas em Alto Turiaçu
Representantes da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estiveram nesta semana na Terra Indígena (TI) Alto Turiaçu, no oeste do Maranhão, para realizar uma audiência com os integrantes das comunidades sobre um ataque contra a comunidade feito no mês passado. A comunidade tem sido alvo constante de grileiros e madeireiros ilegais que invadem as terras e agridem os moradores. No ano passado, a Força Aérea Nacional de Segurança iniciou uma operação no território para conter a invasão de madeireiros e garimpeiros e a pressão de mineradoras e criadores de gado que agem ilegalmente na floresta, onde vivem os povos Ka'apor, Tembé e os Awá-Guajá, uma das últimas tribos nômades da Amazônia brasileira.
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024
Entrevista ao pensador alemão Hartmut Rosa: “Tudo passa tão rápido que perdemos o contato com a vida”
Estamos vivendo muito rápido, muito acelerado?
O que dita o nosso modo de vida hoje, em muitos aspectos, são os calendários e as agendas. Você pergunta a alguém: 'Como vai você?' E ele responde: 'Bom, mas estou com pressa, não tenho tempo.' Achamos que a culpa é nossa porque vivemos muito rápido, mas é um problema universal. Pelo menos para as classes médias. Não estou dizendo que a velocidade é sempre ruim. Não há problema em ter uma conexão rápida com a Internet, um trem rápido ou um caminhão de bombeiros rápido. Ou mesmo se você for numa montanha-russa: a gente aproveita. Mas as coisas acontecem tão rápido que perdemos o contato com a vida ou com os lugares onde nos encontramos.
A culpa é do capitalismo?
O capitalismo é uma das principais forças que impulsionam esta lógica. O capital é investido apenas quando há perspectiva de criação de mais capital. A circulação de capital está em constante aceleração e exige inovação e crescimento constantes. Mas, ao contrário de alguns dos meus amigos da esquerda, não afirmo que o capitalismo seja a única fonte de velocidade.
Que outras fontes?
A minha ideia é que a lógica das instituições modernas depende daquilo que chamo de estabilização dinâmica. A modernidade representa uma mudança de um modelo mais estático para um modelo de estabilização dinâmica. E isto significa que só podemos manter os nossos quadros institucionais através de um aumento permanente. As atividades econômicas só são realizadas se houver perspectiva de crescimento.
Devemos parar?
É como uma bicicleta: se você andar rápido, você estabiliza, mas se frear, você cai. Na economia, se não crescermos – se a produção, o consumo e a circulação não acelerarem – o desemprego aumenta e as empresas fecham. Mas o problema não é apenas econômico. Nem podemos manter o sistema de saúde, nem o sistema de pensões, nem o Estado-providência, nem a ciência e as artes. Tudo depende do crescimento permanente. Ou crescemos, aceleramos e inovamos, ou a sociedade entra em colapso.
Qual é a solução?
Toda a nossa cultura depende da ideia de que aumentar o horizonte do que podemos alcançar e do que podemos acessar nos dará uma vida melhor. Mas acredito que tornar o mundo mais acessível e atingível, mais disponível, não conduz a uma vida boa. Há pessoas com dinheiro, um ótimo emprego, amigos no Facebook e possibilidades de viajar que estão infelizes. Grande parte da frustração política que vemos não se deve a problemas econômicos, mas sim porque a vida não está a cumprir o que prometeu. A alienação consiste em não conseguirmos nos apropriar ou nos conectar com lugares e pessoas, que é o que acontece quando corremos de um lugar para outro. Foi por isso que criei o conceito de ressonância: como solução para a velocidade.
O que é ressonância?
A velocidade nem sempre é ruim. Somente quando leva à alienação, que é a perda do contato: quando você sente que está em um lugar, mas que perdeu a conexão, e o mundo está morto e surdo, e você também está morto e surdo nele. O oposto da alienação é o cordão vibratório: quando em um lugar ou conversa você sente que ele fala com você, que te toca, que significa algo, e você se sente capaz de responder a isso. Então você começa a se sentir vivo. É quase uma sensação física, uma energia dinâmica que vai e volta entre mim e o mundo.
Como sabemos que a ressonância está ocorrendo?
Você pode analisar se um relacionamento é ressonante se quatro elementos estiverem presentes. Primeiro, que o sujeito se sinta tocado, comovido por outro. Eu chamo isso de carinho. A segunda chamo de emoção: e-move em latim, mover-se para fora. Abro-me a sons, ideias, pessoas, lugares. O terceiro elemento é a transformação: com essa conexão eu mudo e aquilo com que estou em contato muda. E a quarta é a indisponibilidade: a ressonância não pode ser garantida, às vezes acontece e às vezes não, e não sabemos qual será o resultado nem quanto tempo vai durar. A ressonância não é um estado emocional, mas uma forma de relacionamento. A tristeza, por exemplo, é considerada algo negativo. Mas você vê um filme e pode dizer: “Foi maravilhoso, não conseguia parar de chorar”. Se é triste, por que você gosta? Por causa da ressonância.
É um conceito político?
A política neoliberal criou um ambiente institucional de escassez de tempo, ansiedades existenciais e competição. A lógica de aceleração, crescimento, inovação e otimização do mundo em que vivemos é incompatível com a da ressonância. Quando você está com pressa porque está atrasado no aeroporto, você não consegue entrar em ressonância com ninguém nem com nada. Ou se você está num contexto competitivo, em que eu ganho ou você ganha, também não podemos entrar em ressonância. A ressonância só é possível com confiança e tempo, e sem medo.
Os fanáticos ressoam, multidões torcendo por um líder ou pelo nacional-socialismo na década de 1930. Existe uma ressonância destrutiva?
Eu pensei muito sobre essa questão. Eu diria que o fanatismo, embora motivado pela busca da ressonância, implica a perda da ressonância: o fanático não escuta nada nem ninguém, apenas segue uma ideia, enquanto a ressonância consiste em ouvir e responder. No Nacional-Socialismo havia apenas uma voz, a do líder, e o resto foi silenciado. Não é ressonância, mas uma câmara de eco
(IHU)
Parla Francesco! Entrevista a Francisco
Existe uma “guerra justa”?
Precisamos distinguir e ter muito cuidado com os termos. Se ladrões entram em sua casa com a intenção de roubar e agredir, você se defende. Mas não gosto de chamar essa reação de ‘guerra justa’, porque é uma definição que pode ser instrumentalizada. É justo e legítimo defender-se, isso sim. Mas, por favor, falemos de legítima defesa, para evitar justificar as guerras, que são sempre erradas.
Como você descreve a situação em Israel e na Palestina?
Agora o conflito está dramaticamente se ampliando. Havia o acordo de Oslo, tão claro, com a solução de dois Estados. Enquanto esse acordo não for aplicado, a verdadeira paz permanece distante.
O que o senhor mais teme?
A escalada militar. O conflito pode piorar ainda mais as tensões e as violências que já marcam o planeta. Mas, ao mesmo tempo, neste momento estou cultivando um pouco de esperança, porque estão sendo realizadas reuniões reservadas para tentar chegar a um acordo. Uma trégua já seria um bom resultado.
Como está agindo a Santa Sé nesta fase dos confrontos no Oriente Médio?
Uma figura crucial é o Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca de Jerusalém dos Latinos. Ele é muito bom. Ele se movimenta bem. Está tentando com determinação mediar. Os cristãos e as pessoas de Gaza – não me refiro ao Hamas – têm direito à paz. Eu faço diariamente uma vídeochamada para a paróquia de Gaza, nos vemos na tela do Zoom, converso com as pessoas. Há 600 pessoas lá na paróquia. Elas continuam suas vidas encarando a morte todos os dias. E além disso, a outra prioridade é sempre a libertação dos reféns israelenses.
Em Lisboa, no verão passado, perante milhões de jovens, o senhor gritou com força que a Igreja é para "todos, todos todos": tornar a Igreja aberta a todos é o grande desafio do seu pontificado?
É a chave de leitura de Jesus: Cristo chama todos para dentro. Todos. Há, de fato, uma parábola: aquela do banquete de casamento em que ninguém aparece, e então o rei manda os servos ‘para às saídas dos caminhos e convidais para as bodas todos os que encontrardes’. O Filho de Deus quer deixar claro que não quer um grupo seleto, uma elite. Aí talvez alguém entre ‘por baixo dos panos’, mas nesse caso já é Deus quem cuida dele, quem indica o caminho. Quando me perguntam: ‘Mas podem entrar também essas pessoas que estão em uma situação moral tão inoportuna?’, eu garanto: ‘Todos, o Senhor disse isso’. Recebo perguntas como essa especialmente nos últimos tempos, depois de algumas das minhas decisões....
Em particular a bênção dos “casais irregulares e do mesmo sexo”...
Eles me perguntam por quê. Eu respondo: o Evangelho é para santificar a todos. Claro, desde que haja boa vontade. E é necessário dar instruções precisas sobre a vida cristã (sublinho que não é a união que é abençoada, mas as pessoas). Mas somos todos pecadores: por que então fazer uma lista de pecadores que podem entrar na Igreja e uma lista de pecadores que não podem estar na Igreja? Isso não é Evangelho.
Durante a assistidíssima entrevista televisiva com Fabio Fazio no programa Che Tempo Che Fa, o senhor falou sobre o preço da solidão que tem que pagar depois de um passo como esse: como está vivenciando o clamor daqueles que se rebelam?
Aqueles que protestam veementemente pertencem a pequenos grupos ideológicos. Um caso especial são os africanos: para eles a homossexualidade é algo ‘ruim’ do ponto de vista cultural, não a toleram. Mas, em geral, confio que gradualmente todos serão tranquilizados pelo espírito da declaração “Fiducia supplicans” do Dicastério para a Doutrina da Fé: quer incluir, não dividir. Convida a acolher e depois a confiar as pessoas e a confiar-se a Deus.
O senhor sofre de solidão?
A solidão é variável como a primavera: naquela estação você pode passar um dia lindo, com sol, céu azul e uma brisa agradável; 24 horas depois talvez o tempo mude e se sinta triste. Todos vivemos solidões. Quem diz ‘Não sei o que é solidão’ é uma pessoa a quem está faltando algo. Quando me sinto sozinho, antes de tudo rezo. E quando percebo tensões ao meu redor, procuro com calma estabelecer diálogos e trocas de opiniões. Mas sigo em frente, dia após dia.
Teme um cisma?
Não. Sempre na Igreja houve pequenos grupos que expressavam opiniões de viés cismático... devemos deixá-los fazer e passar... e olhar para frente.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024
“Vivemos em dois mundos paralelos e diferentes: o on-line e o off-line”. Entrevista com o sociólogo Zygmunt Bauman
Que aspecto da vida moderna lhe faz perder o sonho, ultimamente?
Bom, procuro simplificar e encontrar um denominador comum no que penso e no que digo, porque vivemos em um mundo problemático e o que subjaz em comum em todas as manifestações dos inconvenientes destes tempos é a fluidez, a liquidez atual que se reflete em nossos sentimentos, no conhecimento de nós mesmos.
Seguimos dominados pela incerteza?
A incerteza é nosso estado mental que é regido pelas ideias como “não sei o que irá acontecer”, “não posso planejar um futuro”. O segundo sentimento é o que traz impotência, porque mesmo quando sabemos o que é que devemos fazer, não estamos seguros de que isso será efetivado: “não tenho os recursos, os meios”, “não tenho poder suficiente para encarar o desafio”. O terceiro elemento, que é o mais prejudicial psicologicamente, é o que afeta a autoestima. Sente-se um perdedor: “não posso me manter por cima, afundo-me”, “os outros são os bem-sucedidos”. Neste estado anímico de instabilidade, maníaco, esquizofrênico, o homem está desesperado buscando uma solução mágica. Torna-se agressivo, brutal na relação com os demais. Usamos os avanços tecnológicos que, teoricamente, deveriam nos ajudar a estender nossas fronteiras, no sentido contrário. São utilizados por nós para nos tornar herméticos, para nos fecharmos no que chamo “echo chambers”, um espaço onde a única coisa que se escuta são ecos de nossas vozes, ou para nos fechar em um “hall dos espelhos”, onde só se reflete nossa própria imagem e nada mais.
Onde estamos melhor, on-line ou off-line?
Hoje, vivemos simultaneamente em dois mundos paralelos e diferentes. Um, criado pela tecnologia on-line, nos permite passar horas em frente a uma tela. Por outro lado, temos uma vida normal. A outra metade do dia passamos no mundo que, em oposição ao mundo on-line, chamo off-line. Segundo as últimas pesquisas estatísticas, em média, cada um de nós passa sete horas e meia em frente a tela. E, paradoxalmente, o perigo que jaz, aí, é a propensão da maior parte dos internautas tornar o mundo on-line uma zona ausente de conflitos. Quando se caminha pela rua em Buenos Aires, no Rio de Janeiro, em Veneza ou em Roma, não se pode evitar o encontro com a diversidade das pessoas. Deve-se negociar a coabitação com essa gente de distinta cor de pele, de diferentes religiões, diferentes idiomas. Não se pode evitar. Mas, sim, é possível se esquivar na Internet. Aí, há uma solução mágica para os nossos problemas. Utiliza-se o botão “apagar” e as sensações desagradáveis desaparecem. Estamos em processo de liquidez auxiliado pelo desenvolvimento desta tecnologia. Estamos esquecendo lentamente, ou nunca aprendemos, a arte do diálogo. Entre os danos mais analisados e teoricamente mais nocivos da vida on-line está a dispersão da atenção, a deterioração da capacidade de escutar e da faculdade de compreender, que levam ao empobrecimento da capacidade de dialogar, uma forma de comunicação de vital importância no mundo off-line.
Se nos sentimos conectados, para que precisaríamos recuperar o diálogo?
O futuro de nossa coabitação na vida moderna se baseia no desenvolvimento da arte do diálogo. O diálogo implica uma intenção real de nos compreender mutuamente para viver juntos em paz, graças as nossas diferenças e não apesar delas. É necessário transformar essa coexistência cheia de problemas em cooperação, o que se revelará em um enriquecimento mútuo. Eu posso aproveitar sua experiência inacessível para mim e você pode tomar algum aspecto de meu conhecimento que lhe seja útil. Em um mundo de diáspora, globalizado, a arte do diálogo é crucial. A ‘diasporização’ é um fato. Estou certo que Buenos Aires é uma coleção de diversas diásporas. Em Londres, há 70 diásporas diversas: étnicas, ideológicas, religiosas, que vivem uma ao lado da outra. Transformar essa coexistência em cooperação é o desafio mais importante de nosso tempo.
A vida on-line é um refúgio ou um consolo a essa ausência de diálogo?
Encontramos um substituto para nossa sociabilidade na Internet e isso torna mais fácil não resolver os problemas da diversidade. É um modo infantil de se esquivar viver na diversidade. Há outra força que atua contra e é a mudança de situação na regulação do mercado de trabalho. Os antigos lugares de trabalho eram espaços que propiciava a solidariedade entre as pessoas. Eram estáveis. Isso mudou, hoje, com os contratos breves e precários. As condições instáveis, flutuantes e sem perspectiva de carreira não favorecem a solidariedade, mas a concorrência. Estes dois fatores não incentivam as pessoas para o diálogo. Já sou uma pessoa idosa e acredito que vou morrer sem ver este problema resolvido. No entanto, em diferentes lugares do mundo, surgem processos de auto-organização social, a partir de baixo. Vizinhos que se auto-organizam para resolver problemas como a insegurança ou para recuperar a sociabilidade perdida. É uma alternativa ou um paliativo?
Os governos são cegos ou néscios a ponto de não admitir a globalização?
Propõem soluções locais para problemas globais. Não se pode pensar com esta lógica. É preciso desenvolver soluções que renunciem as fronteiras territoriais, assim como fizeram os bancos, os mercados, o capital de investimentos, o conhecimento, o terrorismo, o mercado de armas, o narcotráfico.
sábado, 3 de fevereiro de 2024
5° Domingo Comum - APROXIMAR-SE, SEGURAR PELA MÃO, AJUDAR A LEVANTAR ....PARA SERVIR!
É espantosa a síntese que o teólogo/catequista Marcos faz da metodologia pastoral adotada por Jesus ao longo do seu evangelho. Só num conciso versículo (v.31) estão detalhados, de forma paradigmática, os seus diferentes passos a serem assumidos por todo discípulo. 1. Aproximar-se da pessoa 2. Segurar a sua mão. 3.Ajudá-la a levantar-se. E os resultados dessa ação ficam bastante evidentes: 1. A febre/impedimento desaparece;2. A pessoa começa a servir. Jesus, para Marcos, é o ‘extremamente humano’ que não teme entrar em sintonia com ‘o outro’, doente ou impuro que seja. É a Sua compaixão que o torna próximo de quem se sente debilitado ou abandonado. Jesus não resolve sozinho os seus problemas, mas lhe infunde segurança e coragem ao segurar a sua mão para que ele mesmo se levante! LEVANTAR-SE é sinônimo de RESSUSCITAR, renascer. Quem passou do abandono para o amparo, da exclusão para a acolhida fraterna só lhe cabe uma coisa: servir e ajudar a levantar, gratuitamente, aquelas pessoas que estão a mergulhar no esquecimento e na invisibilidade social. Quem foi ‘agraciado’ é chamado a ser ‘graça’ permanente para tantos ‘des-graçados da sociedade’!