quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Indígenas Gavião e madeireiros de Amarante (MA) entram em confronto

Um confronto entre indígenas do povo Pyhcop Catiji Gavião e madeireiros armados resultou na morte de um suposto madeireiro que tentava invadir a aldeia Governador. O caso aconteceu na madrugada da última sexta-feira (8), na Terra Indígena Governador, em Amarante do Maranhão (MA), a cerca de 683 km de São Luís. O motivo seria a tentativa de um grupo de madeireiros que queria assassinar um morador da aldeia. Caso está sendo apurado pela Polícia Federal. Segundo o Cimi, o clima de tensão no território começou em julho, quando lideranças indígenas flagraram madeireiros retirando estacas dentro da área indígena. Desde então, as denúncias de invasões e extração ilegal de madeira têm sido recorrentes. A organização afirma que, além das tentativas de invasão, os agressores utilizam drones à noite para intimidar a comunidade. O Cimi relata ainda que, na última terça-feira (5), um indígena foi agredido enquanto dormia por três homens não identificados, que o espancaram e jogaram água quente sobre seu corpo. A vítima, que sofreu queimaduras de segundo e terceiro grau, está internada no Hospital São José de Ribamar, em Amarante. Ele acusa o irmão do madeireiro morto no confronto desta sexta-feira de ser o responsável pelas ameaças e ataques. O Cimi informa ainda que, antes do ataque desta madrugada, equipes da Polícia Militar e da Força Nacional chegaram a fazer rondas no território, mas os madeireiros se esconderam na mata e agiram após a saída das forças de segurança.


sexta-feira, 8 de agosto de 2025

19º domingo comum - A nós é dado de administrar a Realeza do Pai! Façamos por merecer!

É só um 'pequeno rebanho’ minoritário, hoje, na igreja de Jesus, que não faz parte e nem comunga com as práticas majoritárias incrustadas de clericalismo, de procura de poder e grandeza, e de preocupações com as formalidades litúrgicas e rituais. Um 'pequeno resto' que compreende que a ‘Realeza do Pai’, é confiada aos que vivem e praticam a compaixão e a misericórdia. Que são generosos em compartilhar tudo com os despossuídos, e não têm medo de servir, sempre! Este é o verdadeiro tesouro que faz a diferença na vida/missão de um discípulo e que, jamais, poderá ser assaltado e sequestrado. Ocorre que nem sempre é percebido como tesouro e é valorizado como tal. No nosso dia a dia nos desconectamos com o verdadeiro sentido da vida, e aderimos à lógica da esperteza e do pragmatismo. Damos asas ao nosso desejo de emergir instrumentalizando pessoas e circunstâncias para ‘nos dar bem’ na vida e nos autoafirmar! Muitos supostos ‘servos/discípulos’ entram nessa lógica perversa, ignorando os valores da honestidade, da permanente vigilância responsável, da capacidade de acolher e de servir! Jesus, mais uma vez, lembra aos seus discípulos a importância de estarem sistematicamente conectados com uma realidade que frequentemente nega e combate ‘a Realeza do Pai’. E agirem com responsabilidade social, cuidando e protegendo as pessoas que lhes foram confiadas, pois o próprio Pai, ao ver isto, Ele mesmo irá servir aqueles que souberam servir sistemática e responsavelmente, como os verdadeiros pais fazem! FELIZ DIA DOS PAIS!


A solidão do padre! Por Piotr Zygulski

Solidão não é estar sozinho; aliás, um padre muitas vezes tem gente demais ao redor, ou no seu encalço. Solidão é não saber a quem confiar aquela sua paixão de verão, aquela preocupação que você não pode revelar do púlpito, aquela grande confusão que aprontou na noite passada, aquele problema com uma paroquiana insistente, com um catequista invasivo, com um confrade fofoqueiro ou com o bispo invejoso que te trata como uma peça no tabuleiro. É ver suas necessidades humanas, relacionais, espirituais e psicológicas sendo pisoteadas em nome da funcionalidade. Quantas vocações, usadas mas ignoradas no íntimo, acabam murchando assim! Isso também não é, por acaso, “cultura do descarte”? Solidão é ter que estar sempre disponível, senão as pessoas pensam mal. E pensam de qualquer forma, mesmo quando você de fato está disponível. Solidão é ter que guardar tudo para si, reprimir a raiva e a frustração, responder sempre “tudo bem, obrigado”, porque você não pode se dar ao luxo de dizer que está mal sem que algum curioso vá investigar sua vida, ou sem que se apressem para te salvar legiões de devotas samaritanas. Solidão é ser – ter que ser, aos olhos dos outros – antes de tudo um papel: o do clero. E esse ministério que te torna uma pessoa à parte. Isso vale para todos: não precisamos de pessoas que perguntem superficialmente como estamos, mas de pessoas que nos pareçam suficientemente capazes de acolher, sem julgar nem se escandalizar, qualquer resposta que possamos dar. (IHU)

Conjuntura - Por Flávio Lazzarin

Tento acompanhar diariamente inúmeras interpretações, que circulam na rede sobre as atuais conjunturas mundiais e nacionais e fico só em parte satisfeito com essas leituras, porque parecem-me abordar, com sérias e detalhadas intenções analíticas, somente aspectos parciais que compõem a complexa situação histórica em que estamos mergulhados e aparentam esquecer a abrangência de um todo – não uma totalidade como “a noite em que todos os gatos são pardos” - que com certeza não teria o poder de desatar todos os nós das conjunturas, mas poderia hipotisar e talvez indicar a possibilidade da emergência de um denominador comum em todos os fragmentos geopolíticos da atualidade.

Abundam os boletins de emergência sobre a poluição do Planeta e o desastre climático, mas não chegam a incomodar o capitalismo com a suas teses negacionistas e seu desenvolvimento cada vez mais destrutivo e suicida. Cotidianamente, temos à disposição análises detalhadas das relações políticas dos EUA do Trump com a Rússia de Putin, Zelensky, Netanyahu, Canada, China, Iran, Índia, Brasil, Brics, Taiwan, Nova Rota da Seda, tarifaço do Trump, sem obviamente esquecer Gaza, Cisjordânia, Hamas, Turquia, Síria... e a quase sempre esquecida África...Podemos acessar a incontáveis registros do avanço da direita política na maioria dos países do mundo, onde os soberanistas e neopopulistas governam ou ameaçam conquistar o poder político. Governos e partidos autoritários ou explicitamente ditatoriais são a normalidade do panorama geopolítico no Ocidente e no Oriente. Quando, porém, se analisam as realidades políticas da Pindorama e da Abya Ayala, na maioria dos casos, temos uma banal redução da leitura da polarização política aos interesses eleitorais, sem a mínima preocupação de evidenciar, com um mínimo de clareza, contextos internacionais. Uma possível resposta sobre a hipótese de um paradigma mor, que sintetize fragmentação e complexidade, é dada por quem reduz a crise a reconfiguração da ordem mundial, que contesta a ordem liberal internacional estabelecida após a Guerra Fria. Mas, quem assim argumenta é obrigado a acrescentar corolários a está ótica fundamental: intensificação de disputas e guerras por poder, território e influência; desafios a hegemonia ocidental na Ucrânia, Israel, Taiwan; crise das instituições multilaterais; disputas por recursos e influência tecnológica. Porém, eu me pergunto sobre a surpreendente novidade dos fenômenos políticos e não me satisfaço com a compulsão a repetir o que sempre se diz e se disse. Com efeito – e essa é a hipótese de um denominador comum - o novo fascismo da aldeia ocidental, à diferença do seu modelo, não se constitui como farsa, nos moldes do ‘18 de Brumário’, mas é, de forma inédita e criativa, ‘não expansionista’; volta para casa; desiste das guerras contra inimigos externos e faz a guerra de controle e extermínio dentro de casa. ‘Precisa salvar o Ocidente cristão’ é esta a palavra de ordem! Por isso opressão e repressão será reservada aos de casa, onde temos e teremos os únicos coerentes e determinados enfrentamentos em defesa da vida e da fraternidade e sororidade de todos os seres vivos articulados pelos povos originários, quilombolas e minorias camponesas tradicionais. Se assim acontecer, quando todo katechon está sendo cancelado, não ficará outra possibilidade a não ser se identificar com a desumanização das vítimas, com os pobres de Jesus. E essa deveria ser a única missão messiânica da Igreja, além de toda falaciosa confiança no arcabouço datado da doutrina social. 

Mas, nós católicos insistimos em reiterar o roteiro da ordem liberal pós-guerra fria, diante da realidade que mudou radicalmente e requereria discernimentos e criatividade para desertar o ocidente falido, a aldeia, presunçosamente civilizacional e constitutivamente genocida, que nós cristãos promovemos como artífices e cúmplices. Obcecado pela versão mais recente do antissemitismo, que considera o Islã o inimigo secular da aldeia ocidental, o Ocidente apoia Israel, que encena hoje os últimos excessos da húbris colonialista. Tenho, porém, a impressão que as guerras no Oriente Médio, em que pese a questão do petróleo, não estariam simplesmente dando continuidade ao que sempre se fez, mas estariam a serviço da recomposição autárquica da aldeia ocidental em crise. Quando Israel justifica a guerra de Gaza como guerra defensiva fala em nome de todo o Ocidente. Esta é a crise constitutiva, em que estamos vivendo, bem mais impactante da própria crise do imperialismo norte-americano. Um Israel completamente assimilado aos goyim, protagonista da recomposição do Ocidente a partir da polarização entre os que var ser ocidentais até a morte, apoiados por católicos tradicionalistas e evangélicos, e os que vão ser mortos por não caber mais no Ocidente

terça-feira, 5 de agosto de 2025

'Eleições' com voto secreto na Vida Religiosa ou Discernimento Comunitário fraterno e aberto? Por Claudio Bombieri

Mais um’ processo eleitoral’ foi deflagrado ao interno do Instituto Comboniano. Instados a seguir uma consolidada liturgia que se repete mecanicamente a cada três anos, os membros da nossa congregação são chamados a escolher, mediante o voto secreto, seus coordenadores provinciais e conselheiros pelo próximo triênio. É algo tão entranhado na estrutura e na configuração institucional que dificilmente chega a levantar qualquer tipo de questionamento. Afinal, seguem-se disposições e regras formais previstas e aprovadas pelos dispositivos jurídicos canônicos da Santa Sé, e pelas Constituições internas do próprio instituto. Haveria, então, a necessidade de mudar um mecanismo participativo que, afinal, vem garantindo a plena, livre e soberana vontade dos eleitores em ‘eleger’ seus legítimos coordenadores e representantes? Desde o meu ponto de vista pessoal, acredito que sim, e de forma urgente. É sobre isso que queria tecer algumas considerações com muita liberdade interior e simplicidade. 

Problematizando e desconstruindo um ‘modelo eleitoral’ que está esgotado, viciado e inadequado

Há uma questão de fundo que vem me incomodando há décadas, a saber: porque nós religiosos, membros de ‘cenáculos de apóstolos’ adotamos e mantemos o mesmo sistema eleitoral adotado por partidos, sindicatos, associações, clubes e outros? É porque consideramos este modelo o único e o mais eficiente para expressar e respeitar a vontade soberana e ‘anônima’ de cada voto/membro? Ou, talvez, por uma encrustada preguiça histórica em que obedecemos à tradição segundo a qual ‘sempre se fez assim, porque mudar’? Acredito que chegou a hora de nós religiosos adotarmos a metodologia daquilo que conhecemos, embora genericamente, como ‘discernimento comunitário’. Haverá quem diga que, afinal, o atual ‘sistema eleitoral’, não inibe e nem impede o ‘discernimento comunitário’, dando por descontado que o ‘discernimento pessoal’ nunca deixou de existir. De fato, o discernimento comunitário presencial pode ocorrer, embora, historicamente, na nossa província, pela minha experiência e conhecimento, tenha encontrado não poucas dificuldades de ser realizado da forma que uma correta adoção dessa metodologia prevê. Ou seja: um discernimento a ser realizado em assembleia presencial, às claras, sem restrições, inibições e constrangimentos, debatendo nomes concretos, expondo, pública e fraternalmente, qualidades e limitações que poderiam incidir no exercício da coordenação deste ou daquele confrade a ser, eventualmente, escolhido, por exemplo, por aclamação ou levantada de mão. Haverá quem diga que, afinal, tudo isso não passa de uma mera sofisticação técnica e nada mais, embora seja importante compreender que o cerne do processo como um todo não consista em ‘aclamar ou levantar a mão’ em favor deste ou daquele escolhido, mas na lógica e na alçada simbólica e pedagógica do discernimento comunitário fraterno presencial. 

Tenho a impressão que, a depender da província em que um confrade vive e trabalha, pode-se constatar duas atitudes diametralmente opostas dentro do nosso Instituto. Evidente que por motivos didáticos e de espaço as reduzimos somente a duas, das muitas outras possíveis. De um lado salta aos olhos um evidente desinteresse e uma clara saturação em termos de debate, de reflexão, e de confrontação interna sobre a vida da Província e do Instituto. Delega-se a um coordenador, conselho e aos secretariados a incumbência de animar, coordenar, administrar o grupo, mas cada confrade faz o que pode na sua realidade específica, sem maiores envolvimentos e preocupações com o todo. Isso, afeta, também, o debate sobre a escolha de confrades para serem coordenadores ou conselheiros. Parece que se chegou a um ponto tal em que a pessoa se tornou indiferente diante da tarefa de escolher este ou aquele confrade. Afinal, um vale o outro, tanto faz, pouco muda! Decênios atrás, contudo, a proximidade de uma eleição produzia nos confrades da nossa província um despertar repentino de interesse e debates formais, informais, e de corredor. E, do outro lado, simultaneamente, há uma atitude em que, - sempre a depender da província e de suas circunstâncias, - a proximidade de um ‘processo eleitoral’ interno desencadeia ainda um conjunto de articulações, alianças informais, campanhas clandestinas para ‘queimar ou promover’ este ou aquele possível candidato. Não se pode negar que, em muitos casos, os próprios possíveis badalados ‘candidatos a candidato’ fiquem neutros e alheios ao jogo eleitoral, mas ao contrário, tornam-se ativos e sorrateiros promotores de suas próprias candidaturas, mediante um conjunto de pequenas ações e artifícios e, até, tentativas de cooptação, que não vêm ao caso descrever aqui. Um fato, contudo, me parece inegável: o método arcaico de receber uma lista de nomes e cada confrade, ‘no segredo do seu quarto, na plena segurança e garantia do anonimato’ sinaliza com um X o nome do seu escolhido, sem qualquer tipo de debate e confrontação me parece que, além de favorecer a dispersão e a personalização do processo, é a negação de uma metodologia que uma comunidade/província religiosa deveria, ao contrário, adotar, sistematicamente. O desafio, portanto, me parece ser o de rever e reativar o exercício e a escolha dos nossos coordenadores e adotar um processo que seja coerente com a prática evangélica e se distanciar de modelos canônicos que foram adotados pelas circunstâncias históricas hoje não mais aplicáveis. Evidentemente, alguém, com justeza, poderá dizer que há questões bem mais centrais e urgentes. Lógico, mas quero me deter exclusivamente sobre essa dimensão eletiva por ser também expressão de uma lógica e de uma prática da vida religiosa que considero não somente ultrapassada, mas também nociva no atual quadro geral. 

Reconstruindo o tecido da fraternidade e da prática da participação plena e do discernimento comunitário. Algumas propostas concretas. 

Acredito ter clareza suficiente para perceber que não vão ser algumas propostas técnicas que vão evitar de um lado uma suposta indiferença dos confrades no processo de escolha dos novos coordenadores e, do outro, promover a superação de uma inegável ‘politização’ do processo eleitoral. Tenho também clareza que existem entraves canônicos e procedimentos legais a serem resolvidos, e não só internamente, embora não sejam tão insolúveis como poderíamos imaginar num primeiro momento. Dessa forma, sugiro:

1. Convocação de uma assembleia específica precedida por um retiro espiritual ‘ad hoc’ que ajude a incorporar atitudes, metodologias e práticas voltadas ao discernimento comunitário, ao valor da comunhão e da participação. Na assembleia faz-se uma avaliação completa e sistematizada da execução das prioridades em todos os níveis e da atuação dos diferentes secretariados, do conselho e conselheiros, e do coordenador provincial, seguindo um esquema lógico e coerente sempre consensual, naturalmente precedida por uma preparação adequada nas próprias comunidades ou setores. Sendo que seria uma assembleia de caráter especial, a cada três anos, avaliativa, programática e discernente, não há motivos de realizá-la às pressas só para cumprir tabela. 

2. O destaque, nesse sentido, por ser uma circunstância específica, será dado à metodologia da escolha do coordenador o do seu conselho. Não há motivos de se fazer, antecipadamente, pré-sondagens e/ou sondagens formais, como comumente se faz. Nem correria uma lista formal de confrades com voz ativa e passiva, pois todos são cientes dessas regrinhas básicas de quem têm direitos formais para ser escolhido ou não. 

3. O coordenador em exercício terá toda a liberdade e o tempo necessário de se colocar relatando dificuldades encontradas, analisando conflitos enfrentados, experiências significativas de confrontação, apontando desafios a serem enfrentados, e a sua disposição ou não de continuar a exercer o seu serviço. Abre-se para um amplo debate em que os participantes - e somente eles, pois não existiria mais o voto por correio, - fazem suas considerações, e já podem apontar nomes com as devidas justificativas. Naturalmente, os indicados, se não aceitarem uma determinada indicação poderão imediatamente desistir. Enfim, num clima de fraternidade se apontam falhas, acertos, propostas e nomes. Nada impede que um confrade por motivos de saúde ou outros, ao não estar presente, não possa dar a conhecer o seu parecer, a sua avaliação e também indicar explicitamente o nome que segundo ele acha ser o mais conveniente. 

4. Quando a equipe de mediação e coordenação com os próprios participantes acharem que há convergência razoável sobre este ou aquele nome poderá ensaiar a proposta formal e pública de apontar um determinado nome pedindo que a assembleia se manifeste levantando a mão, por exemplo. Verificada a maioria se declara a pessoa do escolhido como novo coordenador. Imediatamente se comunica ao Conselho Geral que em caso de proibição daquele nome (casos raríssimos) poderá sustar o atual discernimento e pedir uma nova rodada para escolher um novo nome. 

5. No que se refere à escolha dos conselheiros poder-se-á agir da mesma forma, mas com ressalvas. Cada um dos conselheiros em exercício se coloca perante os presentes, fazendo a sua autoavaliação e acolhendo as observações dos presentes. Manifesta a sua vontade de continuar ou de desistir. Todos sentir-se-ão livres de propor outros nomes, entretanto, proponho que a assembleia não proceda a uma espécie de ‘aclamação’ deste ou daquele nome, mas sim, que apenas aponte, de forma que caberá ao coordenador já escolhido encontrar tempo suficiente, com calma, no diálogo, para ele próprio escolher, posteriormente, os seus próprios conselheiros. Afinal, eles são conselheiros do coordenador provincial! O porquê dessa mudança? Muitas vezes ocorre que os conselheiros eleitos não são da total confiança do coordenador que foi escolhido; correm o perigo de não se sentirem suficientemente respaldados e/ou valorizados ou, se divergirem, sistematicamente, do coordenador, acabam criando empasses e constrangimentos internos. Isto ocorre mais do que imaginamos! E, afinal, na nossa tradição, os conselheiros não possuem muita importância representativa e/ou deliberativa. Acredito que os nomes e suas motivações já apontados pela assembleia dão elementos suficientes ao Coordenador para escolher este ou aquele confrade para ser conselheiro provincial. Contudo, poder-se-ia pensar, também, numa proposta intermédia, a saber, proceder para escolher dois conselheiros durante a assembleia no processo de discernimento comunitário presencial e dois que poderão ser escolhidos pelo coordenador, superando aqueles critérios de representatividade regional/setorial que nunca vigoraram para valer. Acredito que todos esses procedimentos poderão inibir eventuais joguinhos eleitoreiros e escaramuças de corredor para viabilizar na marra um ou outro confrade de sua preferência, pois, mesmo existindo essa tentação, ela poderá e deverá ser explicitada e justificada diante de todos. Com efeito, o debate e a escolha públicos, bem como a ausência do mecanismo que impede o anonimato inviabilizariam esse tipo de atitude pouco honesta e nada fraterna. 

6. Tenho plena consciência de que essas considerações poderão deixar indiferentes vários confrades pelos mais diversos motivos: seja porque há coisas mais urgentes e prioritárias a debater; seja porque poderiam parecer demasiadamente idealistas e, aparente e canonicamente, inviáveis a médio prazo; seja porque o seu autor sequer participa de assembleias provinciais presenciais, - embora por motivos jamais investigados e exigidos, - contudo, seja o que for, acredito ser importante, nesse contexto de processo ‘eleitoral’ se debruçar sobre uma metodologia que reputo arcaica e à margem da lógica da vida religiosa fraterna. Só isso! 

Piquiá, 04 de agosto, dia do sacerdócio comum de tod@s @s batizad@s, 2025


sexta-feira, 1 de agosto de 2025

18º domingo comum - Só a riqueza em humanidade é que faz a diferença!

Em geral, o que mais choca nos ricos não é a riqueza em si, mas a sua ostentação. Suas atitudes exibicionistas e de esbanjamento irresponsável são repugnantes, principalmente quando se sabe que aquela riqueza acumulada dificilmente foi fruto do seu esforço pessoal, e nem de respeito aos direitos trabalhistas, com justiça e honestidade. A ostentação é, no fundo, uma forma narcisista infantil de complacência consigo mesmo. Afinal, o ricaço exibicionista acredita que deixa de ser um cidadão anônimo insignificante e passa a ser reconhecido como um ser que faz a diferença na sociedade. Não percebe que está expondo suas carências e vazios existenciais, e suas formas doentias de compensação. Um pobre coitado! Os evangelhos utilizam dois termos diferentes para definir o rico: o primeiro bem específico para descrever o rico dependente e viciado que acumula, compulsivamente, para si, e que ostenta de forma patológica e patética o que possui; e o outro para representar um homem que tem posses, mas que se sente livre para doar, para fazer caridade, patrocinar, ajudar os outros. Jesus é extremamente duro com o primeiro, não por ser rico, mas por ser um rico egoísta e tapado. E por colocar naquela sua riqueza passageira, - que ele acredita ser permanente, - o pleno sentido da sua existência. O idiota não entende que lhe falta algo essencial para ser feliz e fazer a efetiva diferença: ser rico em humanidade e compaixão perante Deus!


Caso de espancada com 61 socos evidencia alta da violência contra a mulher que teve recorde de estupros e mortes

O caso de feminicídio que aconteceu em Natal, no Rio Grande do Norte, no último fim de semana, exemplifica uma realidade brasileira comprovada em dados. Enquanto o Anuário da Segurança Pública mostra uma redução nos índices gerais da violência, as agressões contra mulheres aumentam no país. 

Divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o anuário aponta uma queda geral de 5,4% nas mortes violentas intencionais no Brasil em 2024. Por outro lado, feminicídios chegaram a 1.492 ocorrências, maior número desde 2015, ano em que a legislação definiu o crime. Além disso, foram contabilizadas 87.545 vítimas de estupro ou estupro de vulnerável. O resultado também é o mais alto da série histórica e representa uma alta de 100% desde 2011, quando o Anuário começou a ser divulgado. Três em cada quatro vítimas de estupro tinham até 14 anos. Em declaração ao Brasil de Fato, Luciana Araújo, da Marcha das Mulheres Negras ressalta ainda que mais de 60% dos casos de feminicídio atingem mulheres pretas e pardas, o que expõe os altíssimos níveis de influência do racismo e da desigualdade estrutural nesse tipo de crime. “O Estado tem que garantir cumprimento das medidas protetivas sem distinção às vítimas por sua raça e condição social, tem que ter políticas educacionais para cumprir as Leis Maria da Penha, do Feminicídio e 11.639/2003 desde a idade escolar, pois sem mudar a mentalidade vamos enxugar gelo a vida toda.” (IHU)