sábado, 31 de julho de 2010

"Ricos para Deus"! (Lc.12,13-21)


Na nossa profunda insegurança, nós humanos, muitas vezes, nos agarramos e depositamos nossa confiança em ‘coisas’. São objetos, mercadorias, produtos que são criações dos nossos próprios desejos, sonhos, aspirações. Algo finito, passageiro, que se corrompe e desgasta. Como, então, depositar nisso as aspirações mais profundas da nossa ‘alma’? Como achar que vamos encontrar ‘segurança’ naquilo que por sua própria natureza é ‘inseguro’ e efêmero? Claro, nós vivemos também de emoções e sensações, mesmo que pontuais e de rápido efeito. Muitas vezes nos sentimos profundamente inebriados ao contemplar e usar todos aqueles objetos que ‘possuímos’. Na maioria das vezes são de escassa utilidade, mas acreditamos que ao expô-los publicamente nos proporcionam prestígio, reconhecimento público, força social e econômica. Ao contrário, muitas vezes, não tomamos consciência de que eles expõem as nossas verdadeiras carências. Os nossos desejos reprimidos e a nossa necessidade de emergir. São expressão da nossa vontade inconsciente de encobrir um passado de necessidades materiais ou escancaram a nossa dependência e submissão escrava a ‘coisas’. São uma mensagem para dizer ao mundo que, enfim, graças à posse desses objetos, nós existimos!

Jesus, sem ter feito apurados estudos sobre o comportamento humano, havia percebido algo que estava presente no ser humano e que o destruía, aos poucos, por dentro. Jesus não condena a mera posse dos bens, mas o fato de os humanos ‘doarem suas almas/vidas’ a eles. Ou seja, entregarem o que eles têm de mais profundo: sua liberdade, sua consciência, sua abertura ao infinito, para ídolos criados por eles próprios. De forma sutil Jesus desmascara quantos querem ocultar a sua dependência da ganância tentando justificar que seus ‘inúmeros bens’ são fruto de sua capacidade produtiva, de sua iniciativa e criatividade, ou pior, que é dádiva de Deus. Historicamente se tem apregoado e abençoado a prosperidade que vem Deus. Esta seria uma forma de Deus reconhecer e abençoar aqueles que acumularam bens apelando para o Seu nome santo. Para Jesus essas pessoas não passam de ‘insensatas’ que ainda não compreenderam que o que dá sentido à sua breve existência humana é serem ‘ricos para Deus’! Ou seja, livres para partir o pão com o faminto e fazer comunhão com ele, livres de tanta roupa, máscaras, medos, ambições que nos mantêm cativos de nós mesmos.

Livres, enfim, para contemplar os lírios do campo.....

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Há 25 anos atrás o comboniano Pe. Ezequiel era assassinado por defender vidas ameaçadas!


Ezequiel, o que é ressurreição?


Diga-nos, mártir da luta, como acreditar na vida quando os direitos dos pobres continuam negados e seus defensores violentados.Lembrando sua paixão pela causa dos povos indígenas é bom que você saiba que, ainda hoje, mais de 50% de suas terras continuam sem identificação, demarcação ou homologação.Você deu a vida para garantir ao seu povo um pedaço de chão. Ainda hoje, porém, o Brasil continua campeão mundial na concentração da terra. Como você está vendo, o plebiscito de setembro 2010, pelo limite à propriedade e pelo direito à partilha deste bem tão essencial?
Ainda ressoam suas palavras: "muitas vezes sinto uma grande vontade de chorar, ao ver os quilômetros de cerca...". Como não chorar hoje, Ezequiel irmão nosso, diante da aprovação da reforma do Código Florestal que, em vez de preservar a natureza como fonte de vida, continua matando as florestas e reduzindo as áreas de preservação permanente?A vida continua cada vez mais ameaçada pela ilusão do crescimento e do progresso! Mas que progresso é este que suga das veias abertas da America Latina a madeira do mato, o ferro da terra e a fertilidade do chão?


No meio das contradições e falências....


você costumava repetir que "trabalhar com os pobres é como criar primavera". Acreditamos nessa primavera, padre Ezquiel! Sentimos que a vida pulsa nas veias desse povo, apesar das ameaças que pairam sobre ele. Admiramos a cada dia a resistência e dedicação das mulheres líderes de comunidade. É delas que você deve ter aprendido!Sua paixão não foi em vão. Hoje, em nossas pequenas comunidades, os olhos do povo se iluminam quando fazemos a sua memória, a do padre Josimo, a da irmã Dorothy e de outros mais. Luzes distantes, mas permanentes, estrelas fixas no horizonte.Sim, apesar de tudo, nossos povos ainda têm horizontes.


Alguns perderam o sonho.


Mas outros ainda enxergam longe, lutam por reformas, acreditam na honestidade, doam-se até o fim. Você não imagina Ezequiel, quanto tem sido importante para eles seu exemplo e a vida de muitos outros batalhadores dos dias de hoje!Hoje suas palavras fecundam a vida de muitos jovens: "Tenho a paixão de quem persegue um sonho. Essa palavra tem tamanha intensidade que, quando a acolho em meu ânimo, sinto que uma libertação sangra por dentro de mim".


A Igreja que você sonhava....


e pela qual trabalhou ainda está em construção, depende de nós lhe dar um sabor de libertação. Você comentava: "É um novo jeito de ser igreja. Avanço nessa lógica. As atividades são ligadas ao social, a uma transformação concreta. O papel principal é dos leigos. Eles são igreja. Interessam-se por tudo. O trabalho é de coesão, juntos buscamos saídas para os problemas interconectados da terra, dos índios, da saúde e do analfabetismo..." "Meus olhos buscam com dificuldade a história de Deus aqui. A cruz é a solidariedade de Deus para com a caminhada e a dor humana. O amor de Deus é mais forte do que a morte. A vida é bela e estou feliz em doá-la!"


Ressurreição deve ser isso, Ezequiel: doar-se com alegria para que esse povo viva! Você ainda vive, mártir da terra e do sonho de Deus. Que essa vida se transmita apaixonada às muitas e aos muitos seguidores de Cristo que ainda seguem criando primavera!- (Escrito por Dário Bossi)

Pai nosso!



Lucas nos apresenta a sua versão do ‘Pai Nosso’. Sintética, humana e teologicamente densa. Uma oração que não se identifica com as fórmulas estereotipadas dos fariseus. Mais que oração é uma atitude de fundo que deveria perpassar qualquer oração/ação. Ela define o que significa ser ‘filhos e filhas, seguidores do Pai Nosso!

‘Pai nosso’ – ....porque nos reinos dos ‘césares’ as pessoas se dirigiam aos monarcas chamando-os de ‘todo-poderoso’, de ‘majestade’, de ‘divino’, etc. Na Tua família onde ninguém é maior que o outro, onde só existem relações de afeto e de mútua colaboração, - e não de dependência e de subalternidade, - Tu, nosso protetor, só pode ser acolhido como pai. Um pai coletivo, de todos, mas pessoal ao mesmo tempo.

seja santificado o teu nome’ - ....pois ele revela a Tua identidade e essência. Por isso que ninguém podia pronunciar o Teu nome diretamente, para evitar que a manipulassem e a moldassem a segunda de seus próprios projetos e interesses pessoais.. O teu nome encerra o teu insondável projeto de vida/salvação para conosco teus filhos e filhas. Santificarmos o Teu nome significa reconhecer, respeitar e aprovar que o Teu projeto/essência de amor e de vida plena dá sentido à nossa existência. Nele, nós também somos santificados, respeitados e reconhecidos!

Venha a nós o Teu reino’ - ...e não o reino de César, nem de Pilatos ou Herodes, e nem de qualquer governador ou presidente! Pois o Teu reino diferentemente do deles, é reino de paz e justiça, de misericórdia e fraternidade. Nele as pessoas são reconhecidas e tratadas como filhos e filhas, e não como súditos ou escravos.

Dai-nos a cada dia o alimento necessário’ -...pois ele é sistematicamente acumulado, negado e sonegado a muitos filhos e filhas tuas. Pedimos-te o pão que preenche o nosso ser, que nos sustenta na provação, que dá força no desespero, que dá coragem no medo, que dá vigor ao desnutrido. Mas te pedimos também: dai-nos fome e sede de justiça que é a única coisa que não nos permite sonegar o pão ao nosso irmão!

Perdoa as nossas dívidas, como nós também procuramos perdoar as dos demais’ -....pois sentimos o peso da nossa intolerância, da nossa indiferença, da nossa leviandade em julgar e condenar, baseados em aparências e preconceitos. Dai-nos a humildade de reconhecer que somos devedores sim, mas de caridade, de compaixão, de amor verdadeiro. Arranca de nós a presunção de nos considerar sempre credores de tudo, para com todos!

não nos deixes cair na tentação’ -....de largar o teu projeto de vida, e de entrar na onda do reino dos césares, das facilidades e das espertezas da vida fácil, do desejo de possuir coisas, de dominar pessoas, de corromper e aceitar sermos corrompidos..

Esses são os males de que precisamos ser ‘livrados’!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Padre Flavio Lazzarin se despede da Secretaria da CNBB. Obrigado, Flavio!

São Luís do Maranhão, 21 de julho de 2010

Caríssimas irmãs e caríssimos irmãos,

Toda despedida e toda mudança comportam ritos que regulam a nossa convivência social e eclesial. Espero que estas minhas poucas linhas não sejam um dos tantos ritos vazios que, frequentemente, marcam as nossas vidas. Neste mês de julho, termina o meu serviço ao Regional Nordeste V da CNBB, mas, como dizia o mestre Paulo Freire, a gente muda de esquina, mas não muda de luta. Foram três anos importantes da minha caminhada, porque tive a oportunidade de me familiarizar um pouco mais com a nossa Igreja local e com a sua história bonita, bem simbolizada pelo sonho profético do principio que norteia, há muitos anos, a pastoral do Regional:

"Fiéis ao Deus dos pobres e aos pobres de Deus na construção do Reino, animados por nossos mártires da caminhada, optamos por ser uma Igreja missionária em permanente processo de conversão, que vive o espírito das CEBs:

- celebra e liga a fé com a vida;

- é toda ministerial, descentralizando poder e tarefas;

- é comprometida com o social, capaz de ver e ouvir os clamores da criação;

- é advogada da justiça e defensora dos pobres;

- é acolhedora, misericordiosa, profética e samaritana;

- é ecumênica, aberta ao outro, ao diferente, buscando a unidade na diversidade."

Agradeço a todos vocês, que tiveram paciência comigo e conseguiram ir além das limitações do meu temperamento e perdoaram as inevitáveis insuficiências do meu serviço. Fico com saudades dos muitos que no Secretariado e na Assessoria continuam contribuindo com a caminhada. Saúdo de forma especial os Bispos que estão deixando o serviço episcopal e aqueles que renovam, com juventude e entusiasmo evangélico, o rosto da Igreja do Maranhão.

Que o legado sinodal da Assembléia do Povo de Deus de 2004 continue sendo a inspiração do testemunho dos batizados e batizadas das nossas Comunidades, Paróquias, Dioceses, Pastorais, Organismos e Movimentos.

Um grande abraço carinhoso e agradecido.

Pe. Flávio Lazzarin

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Na terra onde canta o sabiá, a pobreza reina entre as palmeiras


O Maranhão segue em penúltimo lugar no país com as maiores taxa de pobreza absoluta (55,9%) e na taxa de pobreza extrema com 53,1%, ficando à frente somente de Alagoas.Os dados estão no comunicado do IPEA, "Dimensão, evolução e projeção da pobreza por região e por estado no Brasil". As linhas de pobreza absoluta e extrema utilizadas foram estabelecidas pelo critério de rendimento médio domiciliar per capita, respectivamente, de até meio salário mínimo mensal e de até um quarto de salário mínimo mensal. Em 2008, Alagoas foi o estado que registrou a maior taxa de pobreza absoluta (56,6%), seguido do Maranhão (55,9%) e Piauí (52,9%). Em 1995, os três estados com maior taxa de pobreza absoluta eram: Maranhão (77,8%), Piauí (75,7%) e Ceará (70,3%). Em relação à taxa de pobreza extrema, observa-se que em 1995, Maranhão possuía (53,1%), Piauí (46,8%) e Ceará (43,7%) eram os estados com maior proporção de miseráveis no país. Para o ano de 2008, Alagoas foi o estado da federação com a maior taxa de pobreza extrema (32,3%), seguido do Maranhão (27,2%) e do Piauí (26,1%). Curiosamente nesse período, o Maranhão está entre os três estados da federação com maior ritmo de expansão do PIB per capita: Tocantins (9,2%), Distrito Federal (6,5%) e Maranhão (6,2%), contudo, não foram aqueles com maior redução na taxa de pobreza absoluta.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Igreja católica debate com instituições públicas o abandono do centro histórico de São Luis


O esvaziamento, e o abandono do centro histórico - entendido não somente como acervo físico-cultural, mas como realidade sócio-cultural viva e dinâmica, - decorre, essencialmente, da cegueira e da irresponsabilidade administrativa. Os próprios ‘esclarecidos investidores privados’ da cidade não têm interesse algum em revitalizar um conjunto de estruturas urbanas que para eles não passam de ruínas de um passado glorioso que, agora, não produz lucros. Nem os turistas - que são fontes de renda pelo menos em algumas épocas do ano - interessam a eles. A ausência escandalosa de segurança no centro histórico parece, essa sim, planejada. Parece um claro recado à população para que esta procure em shoppings, na lagoa da Jansen e na litorânea o que procura no centro.

Bem que a Comissão Justiça e Paz tentou juntar representantes de órgãos públicos para debater a questão do abandono do centro histórico de São Luis e da sua segurança, no auditório da arquidiocese, ontem. Em vão. Emergiram os históricos descasos, a falta de planejamento, de verbas, de colaboração entre eles, as disputas políticas mesquinhas, e a falta de interesse em manter um patrimônio cultural que, no papel, foi definido, outrora, como sendo da humanidade. Lamentável que os titulares das instituições convidadas – Secretaria de Segurança, Prefeitura, Guarda municipal, Promotoria, entre outras, tenham enviado representantes sem nenhum poder de ‘fechar’ qualquer tipo de compromisso formal.

Para alguns deles, tudo não passa de 'falta de consciência' de uma população que tem baixos índices de instrução e destrói tudo o que é feito para ela"!!!!Se esta é a consciência esclarecida dos 'instruídos' que são pagos com dinheiro público para manter e cuidar da vida sócio-cultural do centro, eu fico com a população 'vândala'!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Onde está a verdadeira crise da Igreja?


Artigo de Leonardo Boff publicado em ADITAL


A crise da pedofilia na Igreja romano-católica não é nada em comparação à verdadeira crise, essa sim, estrutural, crise que concerne à sua institucionalidade histórico-social. Não me refiro à Igreja como comunidade de fiéis. Esta continua viva apesar da crise, se organizando de forma comunitária e não piramidal como a Igreja da Tradição. A questão é: que tipo de instituição representa esta comunidade de fé? Como se organiza? Atualmente, ela comparece como defasada da cultura contemporânea e em forte contradição com o sonho de Jesus, percebida pelas comunidades que se acostumaram a ler os envangelhos em grupos e então a fazer a suas analises.


Dito de forma breve mas não caricata: a instituição-Igreja se sustenta sobre duas formas de poder: um secular, organizativo, jurídico e hierárquico, herdado do Império Romano e outro espiritual, assentado sobre a teologia política de Santo Agostinho acerca da Cidade de Deus que ele identifica com a instituição-Igreja. Em sua montagem concreta não é tanto o Evangelho ou a fé cristã que contam, mas estes poderes, considerados como um único "poder sagrado" (potestas sacra) também na forma de sua plenitude (plenitudo potestatis) no estilo imperial romano da monarquia absolutista. César detinha todo o poder: político, militar, jurídico e religioso. O Papa, semelhantemente detém igual poder: "ordinário, supremo, pleno, imediato e universal" (canon 331), atributos só cabíveis a Deus. O Papa institucionalmente é um César batizado.


Esse poder que estrutura a instituição-Igreja foi se constituindo a partir do ano 325 com Imperador Constantino e oficialmente instaurado em 392 quando Teodósio, o Grande (+395) impôs o cristianismo como a única religião de Estado. A instituição-Igreja assumiu esse poder com todos os títulos, honrarias e hábitos palacianos que perduram até os dias de hoje no estilo de vida dos bispos, cardeais e papas.


Esse poder ganhou, com o tempo, formas cada vez mais totalitárias e até tirânicas, especialmente a partir do Papa Gregório VII que em 1075 se autoproclamou senhor absoluto da Igreja e do mundo. Radicalizando, Inocêncio III (+1216) se apresentou não apenas como sucessor de Pedro mas como representante de Cristo. Seu sucessor, Inocêncio IV(+1254), deu o último passo e se anunciou como representante de Deus e por isso senhor universal da Terra que podia distribuir porções dela a quem quisesse, como depois foi feito aos reis de Espanha e Portugal no século XVI. Só faltava proclamar Papa infalível, o que ocorreu sob Pio IX em 1870. O circulo se fechou.


A instituição igreja, ou muda ou se condena!


Ora, este tipo de instituição encontra-se hoje num profundo processo de erosão. Depois de mais de 40 anos de continuado estudo e meditação sobre a Igreja (meu campo de especialização) suspeito que chegou o momento crucial para ela: ou corajosamente muda e assim encontra seu lugar no mundo moderno e metaboliza o processo acelerado de globalização e ai terá muito a dizer, ou se condena a ser uma seita ocidental, cada vez mais irrelevante e esvaziada de fiéis. O projeto atual de Bento XVI de "reconquista" da visibilidade da Igreja contra o mundo secular é fadado ao fracasso se não proceder a uma mudança institucional. As pessoas de hoje não aceitam mais uma Igreja autoritária e triste como se fosse ao próprio enterro. Mas estão abertas à saga de Jesus, ao seu sonho e aos valores evangélicos.


Esse crescendo na vontade de poder, imaginado ilusoriamente vindo diretamente de Cristo, impede qualquer reforma da instituição-Igreja, pois tudo nela seria divino e intocável. Realiza-se plenamente a lógica do poder, descrita por Hobbes em seu Leviatã: "o poder quer sempre mais poder, porque não se pode garantir o poder senão buscando mais e mais poder". Uma instituição-Igreja que busca assim um poder absoluto fecha as portas ao amor e se distancia dos sem-poder, dos pobres. A instituição perde o rosto humano e se faz insensível aos problemas existenciais, como da família e da sexualidade.


O Concílio Vaticano II (1965) procurou curar este desvio pelos conceitos de Povo de Deus, de comunhão e de governo colegial. Mas o intento foi abortado por João Paulo II e Bento XVI que voltaram a insistir no centralismo romano, agravando a crise.


O que um dia foi construído pode ser num outro, desconstruído. A fé cristã possui força intrínseca de nesta fase planetária encontrar uma forma institucional mais adequada ao sonho de seu Fundador e mais consentânea ao nosso tempo.