quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Os risíveis e patéticos estudantes da extrema direita universitária....


A Associação dos Dirigentes de Instituições federais de Ensino Superior (Andifes) se reuniu com o Ministério Público Federal pedindo ajuda para conter "ações e atitudes incompatíveis com o mundo civilizado", as informações são da coluna Painel da Folha de S.Paulo. 

Um dos casos mais recentes aconteceu na Universidade de São Paulo (USP). Quatro alunos foram fotografados dentro de uma sala da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA). Eles usavam armas, uma bandeira nacionalista americana, uma mensagem de ódio às mulheres e indicaram apoio ao presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). 

Durante o encontro, os reitores apresentaram preocupação com a postura de conflito "dos que estão liderando, contra a imprensa e contra a universidade", avaliando a necessidade de moderação para evitar surgimento de atos de violência. 










Sônia Guajajara critica possível fusão das pastas do Meio Ambiente e Agricultura


A líder indígena Sônia Guajajara (Psol), vice do coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, o pessolista Guilherme Boulos (Psol), no primeiro turno da eleição presidencial, criticou a fusão do Ministério do Meio Ambiente com o da Agricultura proposta pelo governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL. A fusão do Min. de Meio Ambiente com o de Agricultura será lembrado como um dos símbolos do início da tragédia socioambiental que será a gestão do governo Bolsonaro. Entregar a Mãe Terra nas mãos de ruralistas gananciosos é o gatilho p/ desastres criminosos como foi o de Mariana", afirmou Sônia no Twitter.

O futuro ministro da Casa Civil, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), informou nesta terça-feira (30) que Bolsonaro manteve a fusão das duas pastas. Na campanha, o então presidenciável afirmou que recuaria da proposta por causa das críticas que havia recebido.Na quarta-feira, dia 24 de outubro, Bolsonaro concedeu entrevista e comentou as críticas de ambientalistas à proposta de fundir as duas pasta. "Está havendo um ruído nessa área e eu sou uma pessoa que estou aberto para o diálogo, pode ser que a gente não encampe essa proposta realmente", afirmou na ocasião.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

'Nós fechamos muitas feridas históricas sem limpar...Agora inflamaram!'

 “Eu acho tudo isso que está acontecendo positivo no macro, embora esteja sendo dificílimo no micro. Explico: todo esse ódio, toda essa ignorância, essa violência, isso tudo já existia ao nosso redor. Agora é como se tivessem tirado da gente a possibilidade de fingir que não viu. Caíram as máscaras. O Brasil é um país construído em bases violentas, mas que acreditou no mito do "brasileiro cordial". Um país que deu anistia a torturadores e fingiu que a ditadura nunca aconteceu. Que não fez reparação pela escravidão e fala que é miscigenado e não é racista. 
Nós fechamos muitas feridas históricas sem limpar e agora elas inflamaram. Estamos sendo obrigados a ver que o Brasil é violento, racista, machista e homofóbico. Somos obrigados a falar sobre a ditadura ou talvez passar por ela de novo. Estamos olhando para as bases em que foram construídas nossas famílias e dizendo “Essa violência acaba em mim. Eu não vou passar isso adiante.” Como todo processo de cura emocional, esse também envolve olhar pras nossas sombras e é doloroso, sim, mas é o trabalho que calhou à nossa geração.  O lado positivo é que, agora que estamos todos fora dos armários, a gente acaba descobrindo alguns aliados inesperados. Percebemos que se há muito ódio, há ainda mais amor. Saber que não estamos sós e que somos muitos nos deixa mais fortes. Precisamos nos fortalecer, amores. Essa luta ela não é dos próximos 15 dias, é dos próximos 15 anos. Mais: é a luta das nossas vidas. Não cedam ao desespero. Não entrem  na vibe da raiva. Não vai ser com raiva que vamos vencer a violência. E se preparem, tem muito chão pela frente."
Peter Pál Pelbart - filósofo, ensaísta, professor e tradutor húngaro residente no Brasil: 

Escola e posto de Saúde do Povo Pankararu (PE) são depredados e incendiados. A barbárie começou!


Uma escola e um Posto de Saúde da Família (PSF) localizados na aldeia Bem Querer de Baixo, do povo Pankaruru no município de Jatobá, foram incendiados nesse domingo, 29. Depredação do patrimônio ocorreu no mesmo dia em que Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil, em meio a um discurso de ódio e estímulo à violência contra indígenas, negros gays e outras minorias. "Os maiores prejudicados são as crianças sem escola nas vésperas do fim do ano letivo, a comunidade sem o PSF onde eram realizados cerca de 500 atendimentos mensais e a nossa alma que é constantemente ferida, machucada... Mas jamais silenciada", diz nota da comunidade Pankaruru. Leia, abaixo, a nota do povo Pankararu, divulgada pela Mídia Ninja:

A barbárie começou

Hoje nosso povo acorda com uma escola e um PSF destruídos pelo fogo do ódio, preconceito e da intolerância. A Escola São José e o PSF, prédios da Prefeitura de Jatobá, localizados na aldeia Bem Querer de Baixo, foram criminosamente incendiados tendo praticamente perda total da estrutura física, móveis, documentos, equipamentos... Pouca coisa se salvou. A comunidade Bem Querer de Baixo é uma das principais áreas de conflitos entre indígenas e posseiros e onde recentemente tivemos ganho de causa pela reintegração de posse da nossa reserva. Os maiores prejudicados são as crianças sem escola nas vésperas do fim do ano letivo, a comunidade sem o PSF onde eram realizados cerca de 500 atendimentos mensais e a nossa alma que é constantemente ferida, machucada... Mas jamais silenciada. Que se faça a devida investigação, que os culpados sejam punidos, que haja justiça!Hoje, mais do que nunca, resistir é a palavra de ordem.(Brasil 247)

A tristeza sem tamanho que abrigará a todos nós, por Paulo Endo


A tristeza está entre nós, ela é verdadeira, até esperada e necessária. Muitos já estavam tristes há meses diante da iminência de acontecer o que se concretizou. A tristeza é nossa. Ela é sábia. Nos ensina sobre o que perdemos e lutamos tanto para não perder. Nos informa sobre nossos bens mais preciosos, nossa responsabilidade para com eles e revela um desejo profundo de refundar o que perdemos e a busca incessante de, constatado o perdido, reiniciarmos a busca sobre onde mais poderemos reencontrá-lo. Não mais lá, mas aqui; não mais longe, mas ao lado; não mais entre os que atacam, mas ente os que zelam. E é preciso dizer: não mais no pranto, mas é no enxugar das lágrimas que vemos claro e enxergamos límpido após secar os olhos que marejam.

O caminho agora é turvo, mas quicá lentamente poderá se esclarecer. Precisaremos conseguir constatar que perdemos todas as principais lutas desde o impeachment de 2016. Pouquíssimas lutas importantes foram conquistadas nesse período, o que demonstra que a despeito de muitos que se levantaram após o golpe ficamos carentes de vitórias e as vitórias, pequenas ou grandes, são cruciais porque alimentam as lutas vindouras. Então será preciso pensar onde e na companhia de quem nos retroalimentaremos e redefinir nossos pontos de repouso onde a vitória se consagra.

Hoje o dia é de tristeza. A alegria ficou mais distante e o horizonte que esperávamos não se abriu. Todos com lanternas na mão somarão o facho de luz que possibilitará seguir adiante enquanto faz escuro. Mas não basta seguir adiante. Será preciso inventar atalhos, constatar caminhos novos, desnortear os inimigos com surpresas e e invisibilidades. E não tenhamos dúvidas e nem esperanças vãs. Os inimigos avançarão. Há anos o candidato eleito promete que o fará quando um dia chegasse à presidência.

Porém é preciso que fica claro desde já para os que agora assumem o pleito:

eles têm o governo, mas não terão o Brasil.

Fascismo venceu....o que nos espera? -

O que nos espera, A TODOS, nos próximos quatro anos, é de uma destruição impensada. Em primeiro lugar, viveremos dois meses de selvageria. Entre o dia de hoje e o primeiro de janeiro, Bolsonaro não tem qualquer responsabilidade com o país, e Temer quer apenas uma passagem para uma embaixada, para não ir para a Papuda. Isto será rapidamente arranjado pelo fascismo, que em pouco tempo vai mudar seu discurso “contra a corrupção” para aceitar toda a corrupção que apoiar o fascismo. Temer deve entregar o comando virtual do país, iniciando já a destruição proposta pelo fascista, em troca do salvo conduto dele, antes de deixar a faixa. Nestes dois meses, estamos sem nenhuma lei. As instituições brasileiras desceram a tal ponto que aceitaram terem tutores. Hoje, existem generais no STF, generais no executivo e, até mesmo, generais comandando poderosas tropas no Twitter e no Whatsapp. Os Juízes serão os primeiros afetados. Ou terão que se adequar e esconder o que pensam ou serão limados pela noção de “lei em movimento”. A ordem será “calar”......
 (Fonte Fernando Horta)