sábado, 19 de julho de 2008

ANOTAÇÕES PARA UMA ANÁLISE DE CONJUNTURA ECLESIAL II

II Cenário
Há outros setores dentro da igreja que percebem que é urgente aprender a dialogar com essa modernidade líquida, com as suas contradições e desafios e procuram fazê-lo. Sabem que não é satanizando o inédito nem suas mutações que se avança e se resolvem impasses, nem se refugiando num passado idealizado e a-histórico que se constroem novas identidades. Esses setores eclesiais procuram se inserir ativa e inteligentemente nessa macro-sociedade mutante, atacando problemas, se engajando nas instâncias sociais e políticas com ardor, - embora nem sempre à altura-, mas se sentem amarrados e condicionados por estruturas e metodologias consolidadas, pesadas e inadequadas. Sentem demais o peso e as pressões institucionais (administração do templo, dos sacramentos, das práticas litúrgicas, aplicação rigorosa de normas canônicas e preceitos ...), das formas de coação moral que existem interna e externamente à igreja, dos problemas difusos e não conseguem levam o diálogo e a inovação ousada até as últimas conseqüências. A maioria prefere se adequar, administrar o dia-a-dia, esconde a moeda que recebeu. Fazem a experiência de se sentir deslocados, incompletos, angustiados, às vezes ineficientes... Muitos também, abandonam, desistem, têm a sensação de viver num eterno desgaste, de não avançar, de estar num permanente estado de imobilidade. É um cenário eclesial onde se dá um vácuo de liderança moral, carismática e mobilizadora com quem as pessoas possam se identificar e motivar.
Ilustração do II cenário
"O senhor recebeu alguma pressão para não publicar o livro? - Quando o texto estava pronto, uma cópia foi tirada do meu computador sem minha autorização indo parar nas mãos do núncio apostólico, dom Lorenzo Baldisseri, que pediu à Editora Paulus para não publicar o trabalho. O livro está saindo por outra editora, a Olho d'Água. Gozando de plena liberdade, agora posso elogiar ou criticar também autoridades eclesiásticas sem considerar cargos ou pessoas". (Dom Clemente Isnard, bispo aposentado, ex-vice presidente da CNBB, padre conciliar, sobre o livro que lançou recenetemente, em que defende o sacerdócio das mulheres, fim do celibato obrigaório, escolha democrática dos bispos...)

ANOTAÇÕES PARA UMA ANÁLISE DE CONJUNTURA ECLESIAL III


III Cenário
Há uma terceira postura/tendência que vislumbro, e um conseqüente possível cenário a ser construído ou aprofundado, e que está presente, - embora de forma minoritária, - em alguns poucos setores (pessoas, grupos) da igreja. É a postura daqueles que na verdadeira liberdade dos filhos e filhas de Deus, não se apegam a cargos, nem se deixam condicionar por ambições de carreira, nem estão preocupados com a administração eficiente da paróquia, nem com as disposições da doutrina da fé ou com o rigor litúrgico, nem com a pastoral do dízimo....Mas em sintonia com o espírito profético de Jesus de Nazaré se expõem, denunciam abusos internos e externos, criam comunidades fraternas, igualitárias, horizontais, rompem com falsos pudores litúrgicos e teológicos e se colocam a serviço do reino/humanidade. O reino/humanidade dos direitos à vida de todas as pessoas, mas principalmente das vítimas, dos impuros, dos afastados, dos não dignos, dos ameaçados, dos “sem”, ou seja, daquela parcela de humanidade que não freqüenta os suntuosos templos e não participa das catequeses e missas. Alguns conseguem fazê-lo sistematicamente, com coragem, arcando as conseqüências disso (ameaças, difamação, calúnias, isolamento institucional, repressão disciplinar, anátemas institucionais...) outros o fazem na qualidade de aposentados ou próximos ao pôr do sol de sua vida.....pois na “ativa” não tiveram liberdade para fazê-lo (há leigos, padres, bispos, comunidades inteiras...è o caso de alguns prelados.....) Acredito ser esse, hoje, o cenário que temos que construir para o futuro da igreja e da humanidade, até como forma de reconstruir novas identidades e relações em que muitos haverão de se espelhar.

Ilustração do III cenário
Devemos afirmar que o mais urgente (para a igreja) é a defesa ou a proclamação da dignidade da pessoa humana, a proclamação dos direitos fundamentais do homem...” (Dom Aloísio Lorscheider)

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Eduardo Galeano: continua a surpreender!

Vou reproduzir, parcialmente, um artigo de Eduardo Galeano que me enviaram...Vale a pena ler!
"Nossa região é o reino dos paradoxos.Brasil, peguemos alguns casos:Paradoxalmente, Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais altas belezas da arte da época colonial;paradoxalmente, Garrincha, arruinado desde a infância pela miséria e pela poliomielite, nascido para a infelicidade, foi o jogador que mais alegria deu em toda a história do futebol;e, paradoxalmente, já completou cem anos de idade Oscar Niemeyer, que é o mais novo dos arquitetos e o mais jovem dos brasileiros.
Peguemos o caso da Bolívia: em 1978, cinco mulheres enfrentaram uma ditadura militar.Paradoxalmente, toda Bolívia riu delas quando iniciaram sua greve de fome.Paradoxalmente, toda Bolívia terminou jejuando com elas, até que a ditadura caiu.Eu conheci uma dessas cinco lutadoras. Domitila Barrios, no povoado mineiro de Llallagua. Em uma assembléia de operários das minas, todos homens, ela se levantou e fez todos se calarem.- Quero lhes dizer isto - disse. Nosso inimigo principal não é o imperialismo, nem a burguesia, nem a burocracia. Nosso inimigo principal é o medo, e o levamos dentro de nós.E anos depois reencontrei Domitila em Estocolmo. Expulsa da Bolívia, foi ao exílio, com seus sete filhos. Domitila estava muito agradecida pela solidariedade dos suecos, cuja liberdade admirava, mas eles lhe davam pena, tão solitários que estavam, bebendo sozinhos, comendo sozinhos, falando sozinhos. E lhes dava conselhos:- Não sejam bobos – dizia a eles. Nós, lá na Bolívia, nos juntamos. Ainda que seja para lutar, nos unimos.
E quanta razão tinha.Porque eu digo: Existem os dentes, e não se juntam na boca? Existem os dedos, e não se juntam na mão?Juntamos: e não apenas para defender o preço de nossos produtos, mas também, e sobretudo, para defender o valor de nossos direitos. Estão juntos, embora de vez em quando simulem rixas e disputas, os poucos países ricos que exercem a arrogância sobre todos os demais. Sua riqueza come pobreza, e sua arrogância come medo. Há bem pouco tempo, peguemos este caso, a Europa aprovou a lei que converte os imigrantes em criminosos. Paradoxo dos paradoxos: a Europa, que durante séculos invadiu o mundo, fecha a porta nos narizes dos invadidos, quando retribuem a visita. E essa lei foi promulgada com uma assombrosa impunidade, que seria inexplicável se não estivéssemos acostumados a ser comidos e viver com medo.Medo de viver, medo de dizer, medo de ser. Esta nossa região faz parte de uma América Latina organizada para o divórcio de suas partes, para o ódio mútuo e a mútua ignorância. Mas, somente estando juntos seremos capazes de descobrir o que podemos ser, contra uma tradição que nos adestrou para o medo e a resignação e a solidão e que cada dia nos ensina a não nos querermos, a cuspir no espelho, a copiar em lugar de criar."

sábado, 28 de junho de 2008

Pedro e Paulo: apostólos para todas as épocas!

A celebração da festa dos apóstolos Pedro e Paulo nos repropõe uma reflexão inadiável sobre os modelos e identidades de igreja a serem construídos e as metodologias de evangelização a serem adotadas nesse novo milênio. Olhar para as práticas evangelizadoras dos dois pilares da igreja católica não significa mergulhar num arqueologismo a-histórico, mas recuperar caminhos, intuições, metodologias que, à época, produziram mudanças sócio-culturais supreendentes. Discernir a "iluminação metodológica inicial" de Pedro e Paulo significa incorporar/adotar de forma atualizada e criativa a capacidade de falar de forma significativa aos homens e mulheres do nosso tempo!
O que fariam e o que diriam hoje os dois apóstolos históricos à nossa sociedade planetária que experimenta a falta de sentido do "ser"? Que não pode mais se apoiar nos velhos dogmas da família nuclear, da autoridade, da religião, das instituições religiosas, da moral natural que aparentemente davam sentido, solidez e segurança? Que vive numa situação de "liquidez" de valores e relações onde tudo pode ser mudado a qualquer hora, com novas regras, novos jogos, tendo a sensação de "sisifiana memória", de ter que começar sempre de novo?
Pedro e Paulo nos oferecem algumas dicas, pelo menos a partir daquilo que nos é possível intuir a partir dos escritos neo-testamentários...
1. Não de pode jamais renunciar ao imperativo de dialogar com "o outro", "o diferente", "o pagão", respeitando suas raízes sociais, identitárias e culturais. O "outro, o pagão" pode ser membro de uma mesma e nova "comunidade eclesiasl e social" sem renunciar a ser ele mesmo. A única coisa a ser pedida é a adesão a um projeto plural alicerçado no respeito ao outro!
2. Não se pode renunciar ao direito de debater, questionar, admoestar, alertar quem quer que seja. Paulo e Pedro que o digam: os conflitos e discussões entre os dois nunca ameaçaram a estima e o respeito que um tinha para com o outro. Numa sociedade e numa igreja em que a submissão obsequiosa às autoridades, a bajulação servil às hierarquias e o silêncio cúmplice (omertá) tornam-se práticas norteadoras sistemáticas, os apóstolos nos ensinam a nos expor, a argumentar e a praticar a dissensão, o contraditório, a contraposição.
3. Numa sociedade e numa igreja em que prevalecem os princípios da eficácia administrativo-financeira em detrimento da dimensão/força moral/carismática, da ostentação e do luxo litúrgico, do autoritarismo e centralismo hierático e hierárquico, Pedro e Paulo apontam para o serviço desinteressado e gratuito, para a participação plena e diferenciada, para a simplicidade e a sobriedade de vida.
Será que a igreja católica terá a coragem de não somente venerar liturgicamente os dois históricos, mas também de incorporar suas atitudes e intuições? Afinal, o que está em jogo é a construção de uma nova(s) identidade(s) de igreja que tenha a disposição de se deixar questionar, de mudar, sempre, o tempo todo, para permanecer sempre a mesma?

sábado, 21 de junho de 2008

Evangelho de domingo: a pedagogia do conflito em Jesus

A prática educativa que ao longo dos anos foi adotada nas culturas ocidentais de matriz cristã sempre tem sido a da negação e do não enfrentamento do conflito. Diante do conflito, seja ele o que for, era preciso se afastar e evitá-lo. O conflito tem sido visto como algo que ameaçava a paz, a serenidade, o equilíbrio entre os seres humanos. A religião, a escola, a família nuclear, as práticas comerciais, as relações humanas deviam pautar-se na aceitação, consciente ou não, da Ordem Estabelecida que por sua natureza não reconhece e não admite des-ordem e dissensão. Essa suposta ordem, herdada como algo divino, revelado e absoluto, não devia ser questionada. Era emanação da vontade divina que está acima das vontades e dos desejos humanos. As pessoas chamadas a justificar a Ordem Estabelecida e a salvaguardá-la deviam ser respeitadas e jamais criticadas, pois eram o longo braço da vontade de Deus. Dessa forma, a obediência submissa e obsequiosa, a-crítica e ingênua, tem se tornado, ao longo da história, uma das maiores virtudes....

O trecho do evangelho de Mateus desse domingo manifesta qual era a prática educativa de Jesus para com seus seguidores: não temer quem quer impor a Ordem e que persegue quem não a reconhece. Ou seja, não temer quem se apresenta como defensor e único intérprete da verdade/ordem estabelecida. Enfrentar, questionar, rebater, desmascarar....sempre! Custe o que custar! Não temer de revelar e desvendar o que é urdido nos bastidores, no calar da noite para fazer aceitar a Ordem. Não temer se essa ousadia e petulância provocar divergências intra-familiares, intra-eclesiais, sociais, separando marido da esposa e pais dos filhos. Afinal, é preferível isso a permitir cooptar a alma/consciência em nome de uma suposta defesa da paz e da harmonia natural... Jesus adotou propositalmente a pedagogia do conflito como forma de exigir das pessoas a assunção de posições/posturas inequívocas, claras e coerentes. Adotou a pedagogia da espada. A espada, ou seja, a palavra afiada que penetra até o miolo da alma. Separa-a e divide-a. Questiona-a e re-motiva-a.(Mt.10,34) Não havia em Jesus a preocupação de preservar nem o prestígio pessoal, nem a imagem pública e sequer a sua integridade física. Em tempos de "faz-de-conta", de cuidados para não se "expor e se queimar", de "falsa sensatez e equilíbrio para não comprometer cargos e carreiras" o modo de proceder e educar de Jesus revela-se extremamente "fora de lugar". Nada moderno, e por isso mesmo, único e original! Algo a ser reproduzido, sob pena de viver permanentemente cooptado pela Ordem e seus caudatários!

terça-feira, 17 de junho de 2008

"Os índios, sequer são considerados humanos..."

Reproduzo, a seguir, trechos de uma reflexão da ex-ministra do meio Ambiente, Marina Silva, que apareceu na coluna do Terra em que afirma em claras letras que os índios por muitos setores sequer são considerados humanos, e explica....

"O Brasil ainda tem cerca de 220 povos indígenas que falam mais de 200 línguas. Essa é uma poderosa interpelação porque permite escolhas e, portanto, exige que estejamos à altura da oportunidade de optar. A discussão é de caráter civilizatório, não se esgota em circunstâncias ou polêmicas pontuais. O Brasil é uma potência ambiental e humana e não pode se conformar em querer, séculos depois, a mesma trajetória que fez dos países desenvolvidos, ricos, porém com graves desequilíbrios ambientais. Nossa meta deve ser: desenvolvidos, porém por meio de caminhos diferentes...."
"A falsa polêmica em torno da demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, resume a radicalidade exigida por essa interpelação. Como ministra do Meio Ambiente enfrentei, ao lado dos ministérios da Justiça e do Desenvolvimento Agrário, uma situação no Pará em que um grande grileiro apossou-se de 5 milhões de hectares na Terra do Meio. Conseguimos criar nessa área a maior estação ecológica do país, com 3 milhões e 800 mil hectares. Vi a Polícia Federal implodir 86 pistas clandestinas usadas para tráfico de drogas e roubo de madeira. E nunca ninguém disse que aquele grileiro era ameaça à soberania nacional. Mas os 18 mil índios de Roraima são assim considerados por alguns e muitas vezes tratados como se fossem mais estrangeiros do que os estrangeiros, porque sequer são reconhecidos como seres humanos em pé de igualdade com os demais."
"Pode parecer, para quem acompanha o caso de Raposa Serra do Sol, que a criação da reserva indígena foi um procedimento autoritário e injusto, que desconsiderou direitos dos não-índios. Não é verdade. A legislação brasileira define detalhadamente critérios para demarcação. O contraditório é garantido por decreto, exigindo que sejam anexados, ouvidos e examinados os argumentos contrários. Manifestam-se proprietários de terra, grileiros, associações, sindicatos de trabalhadores ou patronais, prefeituras, órgãos públicos estaduais e federais, apresentando tudo o que considerem relevante. Por isso, a demarcação física das áreas leva, em geral, muitos anos, o que elimina quaisquer possibilidades de açodamento.
Roraima tem cerca de 400 mil habitantes num território de cerca de 225 mil quilômetros quadrados. A população rural não chega a 90 mil pessoas, das quais 46 mil são indígenas, ou seja, 52% do total, ocupando 47% das terras. Raposa Serra do Sol ocupa 7,7% da área do Estado e abriga 18 mil índios. Por outro lado, seis rizicultores ocupam 14 mil hectares em terras da União. Em maio último, o Ibama autuou a fazenda Depósito, do prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero, por ter aterrado duas lagoas e nascentes, além de margens de rios, e por ter desmatado áreas destinadas à preservação permanente e à reserva natural legal.
"Estamos perto da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a demarcação contínua de Raposa Serra do Sol. Será um grande desafio para a instituição e para todo o País, num momento que o mestre Boaventura de Souza Santos chama de bifurcação histórica. Diz ele que as decisões do STF condicionarão decisivamente o futuro do país, para o bem ou para o mal. Que esta decisão seja parte da resposta que devemos dar à interpelação ética sobre nosso futuro."
Parabéns, Marina!

"Pareciam como ovelhas sem ...pastor"

Aqui estou eu, após um período de sumiço da capital. Andava pelas bandas de Barra do Corda, nas aldeias do povo Guajajara. Como de costume, de alguns anos para cá, promovendo com a minha Associação (Carlo Ubbiali) cursos de formação e capacitação para professores indígenas e não indígenas que lecionam nas aldeias. Deu para perceber a vontade-anseio de numerosos professores em querer se aprimorarem nos processos de ensino-aprendizagem segundo um estilo próprio. Um jeito que permita de um lado avançar nos conhecimentos mais variados, inter-culturais, e do outro, em manter vivo o bilingüismo (tentehar-português), falado e escrito. É o eterno desafio da política educacional escolar indígena, uma política pública tão menosprezada pelo atual governo do Maranhão... O curso se deu na aldeia Colônia que dista a 46 km de Barra do Corda. Mais de 750 moradores vivem na aldeia. Segundo os padrões culturais dos Guajajara, uma quantidade inédita de pessoas vivendo numa única aldeia. O curso reuniu professores de outras aldeias próximas. Ao todo mais de 35 pessoas. Imaginava que com uma população tão significativa houvesse pelo menos um prédio escolar com 4-5 salas, mas para minha decepção, o Estado ainda não havia marcado presença. As três construções em que se davam as aulas para mais de 200 crianças eram de taipa e construídas em mutirão pelos próprios indígenas. A licitação para a construção de uma escola de duas (02) salas havia sido anunciada no Diário Oficial da União em setembro de 2007. Nada ocorreu até hoje. Nenhuma explicação ou informação. Nas demais aldeias que haviam enviado professores só uma possuía uma escola em alvenaria, mas não construída pelo Estado. Coincidentemente, nos dias do curso recebemos a visita de uma funcionária da procuradoria da República de São Luis com a missão de averiguar in loco as condições do atendimento à saúde naquelas aldeias. Estarrecedor: quase todos os indígenas da região bebiam a água do rio, com falta de medicamentos, de ambulância, com agentes indígenas de saúde que nunca foram treinados.... O PAC indígena e quilombola (Programa de Aceleração do Crescimento) conta com cerca de 200 milhões de reais, mas até agora quase nada foi utilizado. A presença histórica dos Guajajara em Barra do Corda não serviu até agora para alertar os poderes públicos de que eles “existem”, que são cidadãos do Brasil, que “têm direitos e deveres” e que o “governo DEVE ser para todos”, inclusive para os indígenas do Brasil.