Se eu caminho, Marília, nas estradas de ouro preto
sinto teu olho rasgar o lacre da minha carne
sinto o duro e permanente viés com que interrogas
meus estratos seminais que só pulsam do teu lado
sinto, Marília, dizer que no teu olho apagado
acabo de anoitecer, num mundo vitrificado
na morte mais indizível de que alguém quer morrer.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
sábado, 6 de fevereiro de 2016
Polícia ataca homens e mulheres que protestavam contra a VALE em Parauapebas, PA. Quem mandou a polícia sem mandato?
No dia 03 de fevereiro, quarta, um comando de operações policiais, composta por homens da PM, GTO e Policia Rodoviária, sem mandato judicial , realizaram ato de extrema violência contra trabalhadores riais sem terra, acampados as margens da Fazenda Santa Clara, localizada entre a região conhecida como Santa Cruz que faz divisa com o Garimpo das Pedras. A ação truculenta das forças policiais se deu quando trabalhadores da região da APA, protestavam contra a Vale denunciando os crimes ambientais no Rio Gelado, principal Rio da região e que sofre com as consequências de ter em sua cabeceira uma das maiores barragens de rejeito do País. Ainda pelas 10 horas da manhã, quando o movimento já se desarticulava, trabalhadores rurais resolveram fazer uma marcha no entorno da sede da fazenda, na verdade área grilada do patrimônio público sob domínio do Instituto de Terras do Pará-ITERPA, por um pretenso proprietário de prenome Damião Macedo, elemento que é tido na região como truculento e de ter se apossado de terras de pequenos agricultores, de dano ao meio ambiente, destruição de floresta, pratica de trabalho escravo, e utilização de mão de obra infantil em serrarias clandestinas, além de outros crimes denunciados por trabalhadores das comunidades vizinhas. Logo ao chegarem às proximidades da fazenda, os trabalhadores foram recebidos à bala, bombas de gás, que atingiram crianças, mulheres e idosos. Até o momento três pessoas estão consideradas desaparecidas. Mas de 120 pessoas foram transportados em caminhões escoltados pelas viaturas da policia até a Delegacia de Parauapebas. Sete integrantes do acampamento estão presos, sendo um deles uma mulher. Dezesseis pessoas já registram queixas e fizeram exame de corpo delito. Durante o processo violento de despejo dos trabalhadores, 35 pessoas foram feridas ou sofreram escoriações pelo corpo, incluindo 10 crianças, mulheres e idosos que tiveram que ser tratados as pressas visto a gravidade da saúde dos mesmos. Os movimentos sociais da região , entidades civis e a sociedade de Parauapebas, vem a público pedir imediata intervenção da Ouvidoria Agrária Nacional, do INCRA, do ITERPA, assim como dos organismos de Direitos Humanos para que esse tipo de ataque aos direitos a cidadania, não transforme - pela alianças explicita entre capital mineral, latifúndio e estado – a luta pela Reforma Agrária num anuncio de um novo Massacre de Eldorado dos Carajás, que este ano completa o infame aniversário de 20 anos de impunidade.
Parauapebas, 04 de fevereiro de 2016
COORDENAÇÃO DO ACAMPAMENTO BOA ESPERANÇA
VALE despeja famílias de terra da União no Pará. Juiz altera decisão em 15 dias e sai de férias
Centenas de trabalhadoras e trabalhadores foram despejadas na tarde de dia 03 de fevereiro, das terras em que moravam no município de Canaã dos Carajás no Estado do Pará. O mais grave nesse caso é que a VALE obteve reintegração de posse apesar de não ter titularidade da terra já que as áreas pertencem à União. O Juiz Lauro Fontes Junior da Comarca de Canaã havia suspendido a reintegração de posse no dia 14 de janeiro pelo fato de que no pedido da empresa, não constavam elementos que comprovassem seu direito de propriedade sobre as áreas. Surpreendentemente, o mesmo juiz, no dia 29 de janeiro, alterou sua decisão e saiu de férias, sem ao menos publicá-la, impedindo as/os advogadas/os que representam as famílias tomassem ciência. Mais de 600 famílias vivem em áreas requeridas pela VALE divididas em dois acampamentos, o Planalto Serra Dourada e o Grotão do Mutum. São 400 hectares de terra ocupadas com o plantio de arroz, feijão, milho, mandioca, maracujá, mamão, abóbora e hortaliças. A VALE se apropria de uma enorme área no município de Canaã dos Carajás, retirando as famílias de terras agricultáveis tornando-as improdutivas. (Fonte: Brigadas Populares)
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Aldeia e acampamentos dos índios Kaiowá são carbonizados por pistoleiros no Mato Grosso do Sul
Servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) estão desde a manhã desta terça, 2, no tekoha Kurusu Ambá, onde indígenas Guarani e Kaiowá sofreram um ataque violento no último domingo, 31 de janeiro. Eles confirmam as informações de que um acampamento inteiro foi incendiado por pistoleiros, e temem a explosão de um conflito grave no local. “Nós estamos vendo agora. Ainda tem casas sendo queimadas. Todas as casas que estavam na fazenda Bom Retiro foram queimadas”, relata o coordenador regional da Funai de Ponta Porã, Elder Ribas. Ele explica que os fazendeiros tomaram posse parcial da fazenda, embora os indígenas não tenham deixado o local. Não há previsão da chegada da polícia no local.“Nós chegamos e vimos as casas sendo queimadas, pessoas correndo, gritando. A gente tá ligando desesperadamente pras autoridades. A gente tem medo de sair daqui e a coisa piorar. Eles vão atacar”, conta Jorge. “Os indígenas nos mostraram as cápsulas de balas. A gente vê o movimento de caminhonetes, cavalos”. Os indígenas foram atacados no dia 31 de janeiro, após a tentativa de retomada da fazenda Madama. Em represália, pistoleiros atacaram os três acampamentos que compõem Kurusu Ambá. Por volta das 10 horas da manhã do domingo, um grupo de homens armados não-identificados em ao menos três caminhonetes atacaram a tiros a nova área retomada pelos indígenas, na fazenda Madama, expulsando os Kaiowá do local. "Enquanto novos crimes e atentados premeditados podem estar prestes a ocorrer, as forças policiais, o Ministério da Justiça e o governo do estado do Mato Grosso do Sul assistem a tudo calados, garantindo assim aos jagunços porteira aberta para a possibilidade de novos assassinatos”, afirmou o CIMI em nota. (Fonte: Cimi)
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
Quando o ódio cega!
... No Brasil a raiva e o rancor histórico foi acrescido depois das eleições de 2014. Houve quem não aceitou a derrota e deslanchou um torrente de raiva e de ódio que contaminou não apenas o partido vencedor, mas toda a sociedade. Inegavelmente criou-se um consenso ideológico-político de alguns meios de comunicação que, com total desfaçatez, difundem esse sentimento. O que leva um radialista da Rádio Atlântica FM, ligada à RBS gaúcha, conclamar a população a “cuspir na cara do ex-Presidente Lula” senão um ódio explícito e incontido? A verdadeira perseguição judicial que Lula está sofrendo, tentando enquadrá-lo em algum crime, é movida não tanto pela fome e sede de justiça, mas pela vontade de punir, de desfigurar seu carisma e liquidar sua liderança. Grassa um maniqueísmo avassalador que amargura toda a vida social. Bem dizia Bernard Shaw:”o ódio é a vingança dos covardes”. Mas tentando ir um pouco mais a fundo na questão do ódio, precisamos reconhecer que ele se enraíza em nossa própria condição humana, um feixe de contradições. Somos, por natureza, e não por desvio de construção, seres contraditórios, compostos de ódios e de amores, de abraços e de rejeições. É a escolha que fizermos que irá dar rumo à nossa vida: ou a benquerença ou a aversão. Mesmo escolhendo o amor, o ódio nos acompanha como uma sombra sinistra. Se não cuidamos dele, ele invade nossa consciência e produz sua obra nefasta. Esse realismo o encontramos na Bíblia. Mas também num pensador como Bertrand Russel que observou com acerto: ”o coração humano tal como a civilização moderna o modelou, está mais inclinado para o ódio do que pra a fraternidade”. ...
....Por detrás da busca ”da glória de mandar” e do poder, revestido de raiva e de ódio, se esconde, atualmente, a vontade daqueles que sempre o detiveram e que agora o perderam e fazem de tudo para recuperá-lo por todos os meios possíveis.
* Leonardo Boff é articulista do JB on line
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Banco do Brasil e Natura são as únicas empresas brasileiras entre as 100 mais sustentáveis no mundo!
As empresas brasileiras Natura e Banco do Brasil são duas das 100 empresas mais sustentáveis deste ano, de acordo com ranking divulgado nesta semana pela empresa de mídia Toronto Corporate Knights. A Natura, agora na 61ª posição, era a única companhia brasileira a aparecer na lista do ano passado, quando ocupou a 44ª. O Banco do Brasil, por sua vez, ocupa a 75ª posição. O primeiro lugar é ocupado pela BMW, montadora de carros e motocicletas de luxo baseada em Munique. A empresa ganhou notas altas principalmente por “uso eficiente de água e energia e pouco desperdício”, assim como por “abordagem responsável de pagamento de impostos, investimento alto em inovação, baixas taxas de demissão e baixa diferença salarial entre CEO e funcionários médios.” O ranking é divulgado todos os anos no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, e é baseado em informações públicas de 4.353 empresas médias, grandes e mega com capital de mercado acima de US$ 2 bilhões. Em seguida, as companhias são avaliadas de acordo com 12 “indicadores chave de performance” que medem a administração de recursos, funcionários e finanças. (Fonte: Blog do Luis Nassif)
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