quinta-feira, 5 de julho de 2018

Saqueadores Federais entregam 70% do pré-sal a petroleiras internacionais. TCU, aquele das pedaladas....confirma.

Com o Brasil anestesiado pela Copa, a Câmara dos Deputados selou mais uma etapa do entreguismo, ao aprovar a entrega de 70% das reservas do pré-sal cedidas a Petrobras pela União a petroleiras internacionais; nas últimas 24 horas, o regime golpista acelerou a entrega também da Eletrobrás e da Embraer. 
O Tribunal de Contas da União retirou o obstáculo que restava para a realização de leilões do governo federal até o fim do ano; a decisão é que o novo protocolo de acompanhamento de “desestatizações” só valerá a partir de 2019; com isso, leilões bilionários poderão ser feitos ainda no governo Temer, que chegou ao poder numa conspiração apoiada por grandes petroleiras

Comissão da ONU investigará a PARCIALIDADE de Moro no caso Triplex. Preparem-se, pois haverá Atibaia e mais alguns....


Enquanto os desembargadores do TRF 4 não veem problema algum em Moro continuar a julgar Lula de forma 'parcial' e se juntar para jantar com Tucanos candidatos a Comissão dos Direitos Humanos da ONU pensa diferentemente. Em vídeo divulgado nas redes sociais do ex-presidente Lula, o advogado Geoffrey Robertson informa que a Comissão de Direitos Humanos da ONU negou pedido do governo brasileiro para suspender a denúncia de violação dos direitos fundamentais de Lula na sentença do juiz Sérgio Moro no caso do triplex do Guarujá; "A Comissão apresentou na última semana uma decisão na qual rejeitou a tentativa do governo brasileiro de parar a tramitação do caso e disse que julgaria o mérito da causa", afirmou; "Então, o Brasil terá que se defender internacionalmente contra as alegações de ter violado o direito de Lula à presunção de inocência, de lhe ter imposto um julgamento injusto perante um juiz parcial"

quarta-feira, 4 de julho de 2018

"Hino ao juiz"...(MORO????) - de Vladimir Maiakovski


Pelo Mar Vermelho vão, contra a maré

Na galera a gemer os galés, um por um.

Com um rugido abafam o relincho dos ferros:

Clamam pela pátria perdida – o Peru.



Por um Peru-Paraíso clamam os peruanos,

Onde havia mulheres, pássaros, danças.

E, sobre guirlandas de flores de laranja,

baobás – até onde a vista alcança.



Bananas, ananás! Pencas felizes.

Vinho nas vasilhas seladas...

Mas eis que de repente como praga

No Peru imperam os juízes!



Encerraram num círculo de incisos

Os pássaros, as mulheres e o riso.

Boiões de lata, os olhos dos juízes

são faíscas num monte de lixo.



Sob o olhar de um juiz, duro como um jejum,

Caiu, por acaso, um pavão laranja-azul;

Na mesma hora virou cor de carvão

A espaventosa cauda do pavão.



No Peru voavam pelas campinas

Livres os pequeninos colibris;

Os juízes apreenderam-lhes as penas

E aos pobres colibris coibiram.



Já não há mais vulcões em parte alguma,

A todo monte ordenam que se cale.

Há uma tabuleta em cada vale:

“Só vale para quem não fuma”.



Nem os meus versos escapam à censura:

São interditos, sob pena de tortura.

Classificaram-nos como bebida

Espirituosa: “venda proibida”.



O equador estremece sob o som dos ferros.

Sem pássaros, sem homens, o Peru está a zero.

Somente, acocorados com rancor sob os livros,

Ali jazem, deprimidos, os juízes.



Pobres peruanos sem esperança,

Levados sem razão à galera, um por um.

Os juízes cassam os pássaros, a dança

A mim e a vocês e ao Peru.


Sugestão: em lugar da palavra Peru coloque a palavra BRASIL e terá o mesmo efeito!

terça-feira, 3 de julho de 2018

Aos batedores de panelas: a redenção, por Gustavo Gollo

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo, ( ...)
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,  (...)

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;  (...)

Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida...

Então só eu que é vil e erróneo nesta terra? ...

Álvaro de Campos, in "Poemas" - Heterónimo de Fernando Pessoa

Creio que, a essa altura, a maioria dos batedores de panela já tenha percebido o papel ridículo e nefasto desempenhado por eles, deixando-se manipular pelos poderes escusos que acabaram conseguindo destituir Dilma Roussef e interromper o processo de independência do Brasil que vinha sendo implementado havia já mais de uma década.
Longe de pretender culpá-los pelas manifestações obtusas – pois se não os culpo, não deixo de lhes reconhecer a sandice –, pretendo redimi-los, confessando meus próprios pecados, enquanto deixo aos príncipes que nunca tenham sido vis e errôneos nesta terra, o encargo de atirar a primeira pedra

segunda-feira, 2 de julho de 2018

A praga evangélica, por Wilton Cardoso Moreira

Em última análise, todo ser humano, sob o capitalismo atual é evangélico-protestante nas profundezas de seu espírito, mesmo que se declare católico, pagão ou ateu. Se a pessoa se converte ao cristianismo evangélico, como tantos estão a fazer no Brasil atual, ela está apenas explicitando o Deus que já habita as entranhas de sua alma e se encontrava em estado de latência. E este Deus só é o Cristo em aparência, pois o Cristo já morreu  há muito tempo. A ética do trabalho do homem-mercadoria, o ganhar e gastar do homem reto (a pessoa de bem), a disciplina para o estudo e a poupança (o próprio estudo é uma acumulação de capital humano para o futuro), a racionalidade instrumental, a subjetividade abstrata e puramente formal desdobrada no direito e na democracia, todos estes valores da cidadania se coadunam com uma vida humana entregue ao capital, dedicada ao único e verdadeiro Deus protestante: Mamon......

...........No capitalismo atual, a grande maioria de humanos miseráveis que habita o planeta tem um único e obsessivo objetivo: tornar-se homem classe média, ou seja, realizar-se como evangélico. Em verdade, já o são em espírito, pois procuram se educar a si e aos seus para a cidadania e o mercado e se aferram ao rígido ascetismo protestante da disciplina para o trabalho e o mercado.  Falta a esta maioria miserável, apenas a bênção de Mamom, tocando suas almas com o milagre da prosperidade e tornando-as ricas em valor. Falta-lhes a felicidade financeira da alma... E continuará faltando, pois os abençoados que poderão “fazer o pé de meia” serão uma minoria cada vez menor no capitalismo atual, cujo colapso tende a acentuar a concentração de capital. Toda pessoa da Terra já é, em espírito, homem classe média, tomada pelo desejo ardente (evangélico) de se tornar um capital individual produtivo para o capitalismo, mesmo que sua condição material seja a miséria. O desejo evangélico de aderir docilmente ao status quo capitalista é o desejo do escravo interior em submeter-se por vontade própria ao capital. O homem ideal do capitalismo total da atualidade é o homem classe média, idêntico ao cristão protestante/evangélico. A praga evangélica é bem mais geral e profunda do que se pensa, no Brasil e fora dele.



Perícia no MyWebDay não encontra nenhum tipo de pagamento a Lula....mas não vem ao caso, não é, Moro?

A defesa de Lula vai entregar ao juiz Sergio Moro, nos autos da ação penal sobre o sítio de Atibaia, o resultado de uma perícia no MyWebDay, um dos sistemas que a Odebrecht usava para efetuar pagamentos de propina no exterior. Segundo Painel da Folha desta segunda (2), a perícia mostra que "não há referência ao petista nos arquivos nem informações que o vinculem a atos ilícitos relacionados à Petrobras." No processo do sítio, Lula é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo as obras no imóvel que pertence, na verdade, aos empresário Jonas Suassuna e Fernando Bittar. As empreiteiras OAS e Odebrecht teriam feito reformas no espaço em troca de contratos com a Petrobras, dizem os procuradores de Curitiba.

Obs. - como já é modus operandi consolidado na republiqueta de Curitiba primeiro acusa-se e, depois, o réu que encontre as provas da sua 'suposta' inocência. Mais uma vez não existe sequer o rasto eletrônico 'personalizado' da empresa OAS e Odebrecht de propina a Lula, e menos ainda, vinculado a qualquer tipo de contrato com a Petrobrás. Alguém tem dúvidas que a motivação é política? Ah, sim, claro....a suas ....'seu coxinha'!

A ANARQUIA DO JUDICIÁRIO BRASILEIRO

O golpe promoveu a mais profunda desorganização institucional que o país já experimentou nos breves períodos de sua frágil vida democrática. A corrosão da legitimidade institucional levou o Executivo e o Legislativo à irrelevância, à infuncionalidade e ao desgoverno. Esses poderes, simplesmente faliram. Com a falência do governo e do Congresso, sobrou o poder Judiciário, que se tornou o centro das decisões políticas do país, usurpando competências e violando a Constituição. Se, por algum tempo após o golpe, o Judiciário, comandado pelo STF, dava a aparência de ser um poder unitário com as naturais divergências, aos poucos foi revelando ser um poder anárquico e promotor da anarquia judicial, da ilegalidade e da recorrente violação da Constituição.

A anarquia judicial se acentuou após a criminosa omissão do STF em não barrar o impeachment sem crime de responsabilidade, permitindo que a Constituição fosse violada. Ali ficou claro que amplos setores do Judiciário integravam o golpe parlamentar-judicial. Igualmente criminosa foi a conivência do STF com os arbítrios de violação da Constituição cometidos pelo juiz Moro, a exemplo das conduções coercitivas, da transformação das prisões como instrumentos coativos para arrancar delações premiadas mentirosas e orientadas e da gravação ilegal da presidente Dilma e a divulgação do conteúdo. Em qualquer Estado democrático sério, Moro estaria preso por ter conspirado contra a segurança do Estado. Outro atentado grave ao ordenamento jurídico do país consistiu no fato de o juiz Moro ter julgado o caso do triplex, pois, não tendo este caso nenhuma relação com a Petrobras, Moro não era o juiz natural para julgá-lo. Assim, ficou evidente que a 13ª Vara Federal de Curitiba foi sendo transformada em tribunal de exceção e Moro em juiz de exceção. Agora Edson Fachin viola o mesmo princípio do juiz natural ao remeter recursos da defesa de Lula para o plenário do STF, quando o procedimento correto seria que eles fossem julgados pela segunda turma.

A anarquia judicial se define exatamente por isto: para cada caso e para casos semelhantes são aplicadas regras jurídicas diferentes, ao sabor do arbítrio do juiz e segundo seu interesse político ou segundo quem é a pessoa do réu. Lula tem seus direitos e garantias fundamentais violados de forma despudorada, criminosa e explícita.O caso da prisão em após condenação em segunda instância, sem que a sentença tenha transitado em julgado, como determina a Constituição, é a mais violenta transgressão das garantias e direitos individuais fundamentais.

Após as eleições será preciso organizar um movimento Constituinte do povo, que faça emergir uma nova Constituição a partir do poder popular. Uma Constituição fundante da soberania do povo quanto a sua origem popular e quando ao seu resultado. Isto significa que a Constituição terá que ser submetida a um referendum popular, sem o qual não há soberania do povo. Ao manter Lula preso sem crime e sem prova, sem prova porque sem crime, e ao tentar impedi-lo de concorrer às eleições, juízes, desembargadores e ministros dos tribunais superiores estão cometendo um grave crime político, não só contra Lula, mas contra o povo e contra a nação. O povo quer Lula presidente, pois, em sua maioria, o povo o reconhece como o único líder capaz de tirar o país da grave crise, do caos e da desesperança.O Judiciário será responsável por mergulhar o Brasil numa noite trevosa, de tormentas e de tormentos, mais grave da que já se encontra. O dilaceração social, econômica, política e moral do país requer um presidente que seja um líder forte, capaz de unificar o povo sob a sua liderança e seu governo. O povo chegou no limite da suportabilidade das injúrias, dos agravos e da humilhação que sofre por parte das elites e de um Estado que é seu inimigo. Isto precisa servir também de advertência às lideranças progressistas e de esquerda e a muitos deputados que nada representam a não ser esquemas ossificados de poder

A representação branca, de classe média, universitária, faliu. Pouco ou nada tem a dizer aos pobres, aos negros, às mulheres, aos jovens e ao povo das periferias. Pouco fez para esses abandonados e sem destino. Esses setores precisam se auto-representarem. Estão surgindo novas lideranças e novos candidatos no seio do povo sofrido. Mais dia menos dia forçarão as portas dos esquemas constituídos de poder e arrebentarão as fechaduras trancadas pelos esquemas burocráticos e acomodados do status quo. 

Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).