sábado, 18 de janeiro de 2025

O noivo Jesus oferece o vinho do novo amor a um povo vítima do desamor!

Toda relação conjugal, ou aliança e amizade social, ou vida em comum passam por momentos de crise. A rotina cotidiana, a mesmice, a falta de procura e de interesse de um pelo outro podem se infiltrar nessa relação e torná-la árida a ponto de se acabar. Era o que estava para acontecer entre Deus/Javé e o seu povo. Uma aliança que não empolgava mais, alimentada por práticas litúrgicas insossas e sem sentido. Era urgente encontrar algo ou alguém que pudesse devolver o amor originário entre os dois. No trecho evangélico de hoje Maria 'mulher/esposa' desvenda e escancara essa crise esponsal: 'esse povo não tem mais vinho'! O vinho do amor inebriante e arrebatador acabou. Ela se dirige ao único capaz de devolver o amor original e força a intervenção de Jesus, cuja 'hora ainda não havia chegado'! Maria que havia educado Jesus a ser compassivo e amoroso com todos, agora o lança definitivamente para estreitar uma aliança amorosa definitiva com um povo que havia perdido a vontade de amar e de viver! Sejamos vinho inebriante e motivador para tantos mal amados dessa humanidade! 


terça-feira, 14 de janeiro de 2025

O ano da graça é hoje! Por Alberto Maggi

Se, quando nos perguntarem o que é o Jubileu, respondermos que é uma corneta, teremos respondido corretamente. De fato, “jubileu” deriva de um termo hebraico (Yobel) que indica o chifre (de carneiro) ao som do qual se inaugurava um tempo particularmente sagrado (Lv 25,9). A motivação por trás do Jubileu é o desejo do Senhor de que entre o seu povo “não haja pobres” (Dt 15,4).

Para evitar que alguém acabasse permanentemente na pobreza, foi decretado que a cada sete anos todas as dívidas seriam canceladas (Dt 15,1-11). Além disso, a cada quarenta e nove anos, foi estabelecido um quinquagésimo ano em que não haveria semeadura nem colheita, e todas as propriedades deveriam retornar ao seu proprietário original (Lv 25,8-17). Ambas as leis, do sétimo e do quinquagésimo ano, logo se mostraram ineficazes e inaplicáveis. De fato, a lei da remissão das dívidas, de medida em favor dos pobres, foi um tiro que saiu pela culatra para as classes mais desabonadas, uma vez que ninguém emprestava dinheiro a menos que tivesse certeza de que seria reembolsado dentro do sétimo ano. E a lei do Jubileu a cada cinquenta anos era tão utópica que permaneceu como uma intenção piedosa e nunca foi implementada. Concebida para evitar que houvesse pobres no povo, a aplicação do Jubileu teria reduzido todo o povo à pobreza. Pois, se a cada 49º e 50º anos não se podia semear nem colher, a carestia era garantida, e necessitado se tornaria todo Israel. 

Apesar disso, o ideal do Jubileu, como ano em que o Senhor restauraria a justiça, permaneceu vivo no povo e foi proclamado por Jesus na sinagoga de Nazaré. Ali, Jesus anunciou “o ano da graça do Senhor” e afirmou que o tempo em que cada um teria experimento o amor de Deus não seria a cada cinquenta anos, mas que cada dia seria um tempo de libertação: “Hoje se cumpriu esta escritura em vossos ouvidos” (Lc 4,21). Os presentes na sinagoga, no entanto, não gostaram do anúncio da implementação desse ano do Jubileu. Enquanto o Jubileu continuava sendo uma lei utópica, todos concordavam com ele, mas quando Jesus anunciou sua realização imediata, todos se voltaram contra ele: “E todos, na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira. E, levantando-se, o expulsaram da cidade, e o levaram até ao cume do monte em que a cidade deles estava edificada, para dali o precipitarem” (Lc 4,28-29). Jesus, que veio para cumprir a vontade do Pai, não falha em seu propósito e continua a propor a realidade do Jubileu, tornando-o uma característica visível da comunidade do Reino de Deus.

Por isso, no Pai Nosso, a fórmula pela qual a comunidade se compromete a aceitar as bem-aventuranças, Jesus torna o Jubileu cotidiano com o pedido: “Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Mt 6,12). Jesus não fala de pecados, mas escolheu o termo dívidas, que vai além da transgressão de preceitos ou mandamentos. Enquanto é possível perdoar as culpas e permanecer na posse dos bens, o perdão das dívidas exige a renúncia a eles. Enquanto “pecado” é uma palavra que pertence à esfera religiosa e se refere a uma norma transgredida, “dívida” é um termo concretamente relacionado ao campo econômico e figurativamente às relações interpessoais (estar em dívida por algo). A dívida com Deus se deve ao fato de que o homem era considerado devedor ao Senhor pelos bens da criação. Deus não pretendia o pagamento impossível dessa dívida, mas pedia que os homens percebessem que estavam em dívida com ele para que tivessem o mesmo comportamento humano e solidário com seus devedores.

O perdão dessa dívida é, de fato, concedido pelo Pai somente com base em sua misericórdia, e não está condicionado a nenhum tipo de desempenho humano. O perdão aos outros deve ser uma consequência do perdão do Pai. Jesus, portanto, ao escolher o termo “dívidas”, pretende se referir ao que está prescrito no Livro de Deuteronômio, onde o verbo “ser devedor” aparece em referência à “lei do sétimo ano”: “Ao fim dos sete anos farás remissão. Este, pois, é o modo da remissão: todo o credor remitirá o que emprestou ao seu próximo; não o exigirá do seu próximo ou do seu irmão, pois a remissão do Senhor é apregoa” (Dt 15 1-2 LXX). Essa legislação foi contornada na época de Jesus por meio da prática do Prosbul, um certificado contendo uma declaração, feito perante o tribunal, em virtude do qual o devedor autorizava o credor a cobrar sua dívida a qualquer tempo, mesmo após os sete anos, independentemente da lei de remissão. Jesus se distanciou e rejeitou a instituição do Prosbul a fim de retornar à pureza do projeto primitivo de Deus, em oposição aberta à “tradição dos antigos” (Mt 15,9) que pretendia passar como ensinamentos divinos aqueles que eram meramente “preceitos de homens” (Mt 15,9; Is 29,13), suplantando a palavra original de Deus. Portanto, a remissão da dívida, e com ela a concessão do perdão, devem ser imediatas. Qualquer atraso na manifestação de um amor capaz de se traduzir em partilha generosa só aumenta a dívida para com o Pai que se originou da ausência de amor e empobrece toda a comunidade: “A ninguém devais coisa alguma, senão o amor com que vos ameis uns aos outros” (Rm 13,8).

Mas a proclamação desse Jubileu, verdadeira “boa notícia” para os pobres, transforma-se em um desastre para os ricos, que acreditam possuir o dinheiro, quando na realidade são possuídos por ele. E a fúria com que os fiéis da sinagoga de Nazaré expulsaram Jesus é a mesma fúria que se apodera daqueles que percebem que a verdadeira porta santa pela qual devem passar no Jubileu é aquela do banco, para aliviar sua conta e compartilhar o muito que têm com aqueles que nada têm. Desde que o Jubileu seja resolvido com uma prática religiosa, é bem recebido por todos, mas quando exige uma mudança de vida...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Seis indígenas assumem mandatos de vereador no Maranhão

MARANHÃO, 9 de janeiro de 2025 – Seis vereadores indígenas, eleitos em outubro do ano passado, tomaram posse em câmaras municipais do Maranhão no início de janeiro. Os mandatos são válidos para o período de 2025 a 2028. Ao todo, 67 candidatos indígenas participaram das eleições em 19 municípios do estado, sendo 65 postulantes ao cargo de vereador e dois a vice-prefeito. Esses candidatos receberam 14.788 votos, dos quais 12.895 foram destinados aos vereadores e 1.893 aos vices.

Entre os eleitos, estão Lamartine Araújo (PDT), em Jenipapo dos Vieiras, com 542 votos; Abimael Guajajara (PDT), em Itaipava do Grajaú, com 527 votos; e Tapo (Republicanos), em Amarante do Maranhão, com 710 votos. Outros vereadores indígenas eleitos foram Awju Krikati (MDB), em Montes Altos, com 305 votos; Vladimir Rodiporo Canela (PP), em Fernando Falcão, com 216 votos; e Kassi Pompeu (MDB), em Barra do Corda, com 1.199 votos. Entre os partidos, o MDB liderou em candidaturas indígenas no Maranhão, com 13 postulantes, dois dos quais eleitos. O PDT apresentou nove candidatos e também elegeu dois vereadores. Já o PP, com oito candidaturas, conquistou uma vaga, assim como o Republicanos, com quatro candidatos. Outros partidos, como PT, PSB, PL, União Brasil, PCdoB, PSDB e Podemos, também lançaram candidaturas indígenas, mas não obtiveram êxito nas urnas. (Fonte: Linharesjr)

sábado, 11 de janeiro de 2025

BATISMO DE JESUS: A DESCOBERTA QUE DEUS NÃO AMEAÇA, MAS AMA!

Jesus e João, dois modos diferentes de profetizar. Sem disputas anunciam cada um a seu modo um momento novo. João denuncia a incompetência e a má vontade de um povo inteiro em mudar de vida. Daí a sua profecia agressiva e ameaçadora: Deus está irado e vai destruir quem não produzir frutos de justiça. Jesus concorda somente com o diagnóstico de João - e por isso aceita o seu batismo, - mas discorda frontalmente quanto à sua terapia. Deus não ameaça e nem age movido pela ira. Ele, ao contrário, está dando em Jesus uma nova oportunidade para o povo mudar de forma sistêmica a sua existência. E mudar de acordo com o jeito compassivo e paciente de Jesus, o filho amado! É no jeito carinhoso de acolher os pecadores, de libertar os dependentes de todo tipo, e de curar os sem esperança do humano Jesus que descobrimos o rosto misericordioso de um Deus que ama sem limites e sem condições. Só um batismo no Espírito para compreender e praticar isso!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

o 1% dos super ricos gastam, consomem, poluem sem limites, já os mais pobres.....

O 1% mais rico da população mundial vai terminar de consumir nesta sexta-feira (10) sua "cota anual" de emissões de gases causadores do efeito estufa de 2025. Já a metade mais pobre da população levará 1.022 dias para emitir a mesma quantidade de gases – ou seja, quase 3 anos.  Isso é o que indica o estudo "A Desigualdade de Carbono Mata", da organização internacional Oxfam, que discute a desigualdade social e econômica mundo afora. A Oxfam divulgou o estudo nesta sexta-feira justamente para marcar a data em que tal cota foi consumida. A entidade decidiu chamar o dia de "Dia dos Ricos Poluidores".

A Oxfam definiu a cota anual e individual considerando metas de emissão fixadas para que a temperatura média do planeta não suba mais do 1,5ºC, tida por cientistas como o limite para a sustentabilidade da humanidade. Segundo a Oxfam, essa cota é de 2,1 toneladas de carbono por pessoa por ano. Hoje, cada bilionário pertencente a 1% mais rico da população emite, em média, 76 toneladas de carbono por ano. Já cada pessoa da metade mais pobre emite, em média, apenas 0,7 toneladas de carbono. Para limitar o aquecimento global a 1,5°C, os mais ricos deveriam cortar 97% de suas emissões até 2030. "Os super-ricos continuam desperdiçando as chances da humanidade com estilos de vida extravagantes, investimentos poluentes e influência política nociva. Uma pequena elite está roubando bilhões de pessoas de seu futuro para alimentar sua ganância", disse Nafkote Dabi, líder de Política de Mudanças Climáticas da Oxfam. A pesquisa da Oxfam aponta ainda que, desde 1990, as emissões dos mais ricos já causaram trilhões de dólares em danos econômicos, perdas agrícolas extensas e milhões de mortes por calor extremo. "Nos últimos 30 anos, os países de baixa e média-baixa renda sofreram danos econômicos três vezes maiores do que os valores de financiamento climático prometidos pelos países ricos", declarou a entidade.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Executivos trumpistas e ultranarrativa: a vez de Zuckerberg que vai além do fim dos verificadores de fatos - Carlos del Castillo

Zuckerberg assumiu a ultranarrativa que esses atores usaram para desacreditar os verificadores de fatos. Ele os acusou de “censura”, de prejudicar a liberdade de expressão e de ser responsável pelo fato de o Facebook ter que “remover” publicações que não sejam desinformação por causa de suas falhas. “Mesmo que eles censurem acidentalmente apenas 1% das postagens, isso representa milhões de pessoas, e chegamos a um ponto em que há muitos erros e muita censura”, diz ele. “Vamos trabalhar com o Presidente Trump para confrontar os governos de todo o mundo que perseguem as empresas americanas e pressionam por mais censura”, afirma Zuckerberg, seguindo outra das principais linhas de argumentação dos movimentos anti-establishment. Isto garante que os verificadores atuem ao serviço dos poderes nacionais, que os utilizam para desacreditar aqueles que, supostamente, expõem as suas mentiras.

O problema é que não é assim que funciona o programa de verificação de fatos da Meta. “É mentira que a verificação implique a eliminação do conteúdo, como disse Zuckerberg. Apenas acrescenta um rótulo que diz: cuidado, o que se diz aqui é mentira. É um alerta para quem pensa em partilhá-lo”, explica Carlos H. Echeverría, chefe de Políticas Públicas da Maldita, uma das organizações que a Meta contratou para fazer esta verificação em Espanha.O especialista destaca que quando a corporação da rede decide excluir conteúdo, ela se baseia em suas políticas internas e no trabalho de seus moderadores contratados , e não no programa de verificação. “Nunca pedimos ao Meta para excluir nada e nunca faríamos isso. Não só porque não é a nossa motivação, mas também porque achamos que agrava a situação da desinformação. Quando as publicações desaparecem, a investigação fica difícil, pois encontram links mortos que impedem de saber o que aconteceu ou de medir a dimensão do problema”, continua em conversa com elDiario.es.

A forma como Zuckerberg vai “se livrar” dos verificadores de fatos depois de mais de cinco anos de associação levou outros especialistas a questionarem o seu real empenho na luta contra a desinformação. “O caro experimento da Meta com verificação de fatos sempre foi um esforço para desviar a responsabilidade pelos danos que suas plataformas amplificam, desviando a atenção de seu modelo de negócios principal: explorar seu domínio para chamar a atenção e rastrear incansavelmente os usuários, deixando de lado a ética e a precisão”, diz Jason. Kint, CEO da Digital Content Next, um renomado defensor da transparência na publicidade digital. “A retórica de Mark Zuckerberg sobre 'priorizar a expressão' nada mais é do que incentivo político para proteger os lucros, tudo às custas dos consumidores e anunciantes”, postou o especialista no Bluesky.

sábado, 4 de janeiro de 2025

Epifania: Jesus é revelado pelos pagãos rejeitados pelos palacianos e sacerdotes

A estrela não brilha lá onde existem palácios e templos que perseguem profetas, pobres e peregrinos!  Os arrogantes e autossuficientes que se autodenominam povo eleito não conseguem entender um Deus que acolhe pagãos, pastores e estrangeiros. Da mesma forma, hoje, nas nossas igrejas se formam perigosas bolhas de supostos devotos que desconfiam de todos aquelas pessoas que não adotam e rezam suas ortodoxas cartilhas. As cartilhas do moralismo barato e preconceituoso, da devoção superficial desligada de qualquer compromisso com a caridade e a justiça. O Menino-Deus, no entanto, foi revelado ao mundo não pelos frequentadores piegas do templo ou pelos teólogos da corte, e sim por desconhecidos e acolhedores pagãos detestados pelos líderes da religião oficial. A epifania vem para nos dizer, mais uma vez, que não é dobrando joelhos, ou acendendo velas e nem realizando corretas liturgias que testemunhamos a Verdadeira Luz escondida numa criança indefesa, num barraco inseguro, e no colo de uma  jovem mãe solteira, mas  na capacidade de sairmos de nossas bolhas viciadas, preconceituosas, autorreferenciais, e nos abrir para servir, acolher e proteger as vítimas dos carrascos religiosos que se escondem nos palácios e nas igrejas!