terça-feira, 29 de novembro de 2011

A Suzano no Maranhão: a que preço!!!!!

A poderosa empresa Suzano Papel e Celulose, que cerca Chapadinha com promessas de milhões em investimentos e milhares de empregos, há muito ronda outros municípios da região deixando rastro de conflitos agrários, suspeita de dano ao meio ambiente e denúncias de grilagem de terras, desrespeito e truculência contra trabalhadores rurais e comunidades tradicionais do Baixo Parnaíba. A última comunidade a ter problema com a Suzano recebe o nome de Formiga e fica a 45 quilômetros de Anapurus. Na sexta-feira (18) a empresa paulista conseguiu um mandado de reintegração de posse em caráter liminar (provisório), com decisão de juiz substituto proferida contra pessoas que ocupam a área por pelo menos três gerações. No cumprimento da decisão judicial três casas foram postas abaixo, cercas foram arrancadas, um antigo cemitério teria sido atingido pela derrubada de árvores e um poste de iluminação fora quebrado pelos tratores que executaram o serviço.
A Suzano diz na ação que adquiriu a terra em 1996, mostra uma cessão de direitos registrada em seu favor no Cartório Monteles de Anapurus, datada no mesmo ano de 1996 e documentos e taxas expedidos pelo INCRA com base na mesma cessão de direitos.Os trabalhadores, quase todos herdeiros de Francisco Rodrigues do Nascimento, que constituiu família ali e tinha efetiva posse da terra há mais de noventa anos. Segundo relatos foram gerações sobrevivendo da pequena agricultura e do extrativismo (bacuri, pequi e babaçu) até a Suzano a reclamar a terra. Os agricultores apresentam certidão do Cartório de 1º Ofício de Brejo em que a demarcação das terras em favor da família tem registro desde 1966. O advogado dos agricultores é enfático em suspeitar de grilagem, “infelizmente por conta de uma grilagem gigantesca, a Suzano e outras empresas de grande porte, que por cá estão se assentando, vem promovendo um verdadeiro atentado às nossas famílias do campo. De olho em terras, vem forçando uns e outros lavradores a deixarem suas terras (seu mais precioso bem)”, frisou o advogado. Atualmente o Cartório de Anapurus passa por intervenção do Tribunal de Justiça por suspeita de irregularidades em registro de terras e outros documentos. (Fonte: blog de alexandre-pinheiro)

sábado, 26 de novembro de 2011

Advento: antenado o tempo todo! (Mc.13, 33-37)



Quantas vezes andamos desatentos na vida, e nos deixamos escapar oportunidades únicas? Quantas vezes vivemos desligados com o que ocorre ao nosso redor, e perdemos a chance de encontrar a pessoa certa. Aquela que pode mudar o rumo da nossa vida? Quantas vezes, de forma leviana, por não querer acompanhar ou por não saber interpretar informações, notícias, pesquisas, anúncios quebramos a cara? E permitimos que outros também a quebrem por causa da nossa distração? Quantas vezes achamos que ‘dormir no ponto’ ou ‘estar ligado’ não faz diferença, pois imaginamos que não temos poder para modificar o ambiente em que nos encontramos? Porque achamos que há um destino já escrito que determina tudo com ou sem a interferência dos humanos. Pois bem, o evangelho de hoje nos dá uma aula de vida. De ‘compromisso social e humano’! E de assunção de responsabilidade com tudo o que ocorre ao nosso redor. Enganam-se aqueles que acham que Jesus, na narração evangélica hodierna, esteja se referindo ‘à vinda última e definitiva’ de Deus ou à uma segunda vinda do ‘filho do homem’! Enganam aqueles que acham que Jesus esteja propondo uma acolhida ‘digna’, adequada, a ‘Alguém’ que como ladrão poderia estar chegando nas horas mais impróprias para flagrar os seus filh@s ou empregad@s em alguma contradição...

O horizonte da parábola é a Realeza de Deus. O jeito novo de Deus governar a humanidade. Jesus é um homem/cidadão inserido na história. Antenado nela. Sabe que cabe aos humanos ‘construir’ a nova humanidade a partir daquilo que Deus sonha e quer para os humanos. Jesus não delega para Deus algo que cabe a todos. Ao mesmo tempo, porém, percebe que os humanos confundem freqüente e propositalmente ‘vontade de Deus’ com ‘interesses próprios’. A manipulação e a esperteza estão sempre à espreita. Muit@s, de fato, usam e abusam do ‘nome e da vontade de Deus’ para justificar formas de escravidão e opressão. É preciso, portanto, vigiar. Desmascarar. Revelar. É preciso educar-se e educar ao senso crítico. De quem não bebe tudo o que vê ou que acha que vê. Que não se empolga com atitudes e manifestações espetaculares, - sejam elas sociais, políticas ou religiosas - que apontam para soluções rápidas e fáceis. Mágicas e milagrosas. Que dispensam a responsabilidade pessoal e coletiva. O discípulo de Jesus é aquele que ‘não deixa escapar nada’! É aquele que vive em estado de alerta permanente. Investiga e quer uma explicação para tudo. Que não se distrai mesmo sem renunciar à beleza e ao ‘prazer’ de viver. Que analisa, com atenção, pessoas e acontecimentos. Que intui que nas pessoas e nos acontecimentos é que residem saídas e luzes para a humanidade. Que nelas, se bem discernidas, encontram-se a ‘vontade e a realeza de Deus’! Enfim, que não fica esperando, mas sabe quando faz a hora...
Bom advento!

domingo, 20 de novembro de 2011

Entidades religiosas condenam crime contra o povo Kaiwá

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em carta aberta responsabiliza a presidenta da República, Dilma Rousseff, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o presidente da Funai, Márcio Meira e o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli pela chacina praticada contra a comunidade Kaiowá Guarani do acampamento Tekoha Guaiviry, na manhã desta sexta-feira (18). Os 42 pistoleiros, além de matar o cacique Nisio Gomes e levar o seu corpo, balearam mais três jovens indígenas e feriram vários outros por balas de borracha. Dois estão desaparecidos e outro se encontra hospitalizado. ‘O governo da presidenta Dilma, - afirma o CIMI - é perverso e aliado aos latifundiários criminosos de Mato Grosso do Sul. Insiste em caminhar para o massacre e se encontra banhado em sangue indígena, camponês e quilombola’. Por outro lado, - continua a carta do CIMI - a Polícia Federal tampouco investiga os assassinatos dos indígenas. A Polícia Federal precisa investigar exaustivamente o crime, proteger a comunidade e apresentar os criminosos’. As comunidades acampadas no Mato Grosso do Sul estão unidas contra mais este massacre, numa demonstração de profundo compromisso e firme decisão de chegar aos territórios tradicionais. Indígenas de todo o Estado se dirigiram ao acampamento tão logo souberam do covarde ataque. Na última quarta-feira, inclusive, estiveram lá para prestar solidariedade aos Kaiowá Guarani que retomaram um pequeno pedaço de terra mesmo sob risco de ataque – o que aconteceu, mas sem maiores repercussões. ‘O Cimi, - conclui a carta - mais do que nunca, acredita que a força, beleza e espiritualidade desses povos os manterão firmes e resistentes na luta, apesar de invisíveis aos olhos de um governo que escolheu como aliados os assassinos dos índios brasileiros.

Brasília, 18 de novembro de 2011.
Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

COMBONIANOS DO BRASIL NORDESTE REPUDIAM
ATO BÁRBARO CONTRA O POVO KAIWÁ

O Missionários Combonianos do Brasil Nordeste, de quem este blogueiro é coordenador, condenam veementemente não somente o ato vil e bárbaro cometido por 42 pistoleiros a mando de inescrupulosos contra o povo indígena Kaiwá-Guarani, mas também todas aquelas instituições assim ditas públicas que em lugar de defender os desprotegidos dessa terra omitem-se criminosamente quando estes são barbaramente trucidados. Mais uma página da história desse País está sendo escrita com sangue, crime e vergonha. Justiça para os povos indígenas do Brasil!

Missionários Combonianos Brasil Nordeste - 20 de novembro de 2012

20 de novembro: DIA DA CONSCIÊNCIA ....HUMANA!

Também a presidente Dilma, ontem, em Salvador, não pode esconder o que é evidente para a maioria dos brasileir@s: a pobreza no Brasil é ‘negra e é feminina’. Poderíamos acrescentar:’...e feminina negra’!Ela se baseou nos dados atualizados do IBGE de 2010, mas publicados recentemente. Uma fotografia do momento, claro, mas que reflete uma seqüência de fotos que se repete há séculos, no nosso País. Esses dados, porém, não medem o nível de ‘pobreza moral/cidadã’ de inúmeros brasileir@s que continuam alimentando a indústria do racismo e da intolerância. Em suas consciências cativas e tapadas imaginam que desenvolvimento e o progresso nacional continuem fazendo rima com cidadãos/ãs de ‘boa (branca) aparência’. Os povos negros do Brasil continuam funcionais a determinadas elites que perpetuam de forma sempre mais camuflada e sorrateira um modelo de neo-escravatura que parece não mais irritar e chocar as consciências nacionais. Nem as de muit@s negr@s! Hoje celebra-se o Dia da Consciência Negra. Para negr@s e para não negr@s. Para os que se assumem a sua origem e história, e se orgulham, e para os que se envergonham.

Aliás, como não nos envergonhar por sermos tão estúpidos e idiotas em alimentar ainda no XXI século preconceitos tão arcaicos (com todo respeito à origem etimológica da palavra)? Como não nos sentir vis em continuar a praticar ou a ignorar práticas escravagistas em plena ‘pós-modernidade’, que é considerada a panacéia do momento atual? Como não nos envergonhar por ‘lutar por espaço’ na política e na sociedade – supostamente para defender os direitos universais do gênero humano, – mas na realidade, é para ocupar cargos e prestígio às custas de tant@s negr@s massacrad@s...esquecid@s por nós mesmos? Que nasça um nova consciência humana!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

42 pistoleiros invadem acampamento dos Kaiwá-Guarani e executam o cacique.

No início da manhã desta sexta-feira (18), por volta das 6h30, a comunidade Kaiowá Guarani do acampamento Tekoha Guaviry, município de Amambaí, Mato Grosso do Sul, sofreu ataque de 42 pistoleiros fortemente armados. O massacre teve como alvo o cacique Nísio Gomes, 59 anos, executado com tiros de calibre 12. Depois de morto, o corpo do indígena foi levado pelos pistoleiros – prática vista em outros massacres cometidos contra os Kaiowá Guarani no MS. As informações são preliminares e transmitidas por integrantes da comunidade – em estado de choque. Devido ao nervosismo, não se sabe se além de Nísio outros indígenas foram mortos. Os relatos dão conta de que os pistoleiros sequestraram mais dois jovens e uma criança; por outro lado, apontam também para o assassinato de uma mulher e uma criança.
“Estavam todos de máscaras, com jaquetas escuras. Chegaram ao acampamento e pediram para todos irem para o chão. Portavam armas calibre 12”, disse um indígena da comunidade que presenciou o ataque e terá sua identidade preservada por motivos de segurança. Conforme relato do indígena, o cacique foi executado com tiros na cabeça, no peito, nos braços e nas pernas. “Chegaram para matar nosso cacique”, afirmou. O filho de Nísio tentou impedir o assassinato do pai, segundo o indígena, e se atirou sobre um dos pistoleiros. Bateram no rapaz, mas ele não desistiu. Só o pararam com um tiro de borracha no peito.Na frente do filho, executaram o pai. Cerca de dez indígenas permaneceram no acampamento. O restante fugiu para o mato e só se sabe de um rapaz ferido pelos tiros de borracha – disparados contra quem resistiu e contra quem estava atirado ao chão por ordem dos pistoleiros. Este não é o primeiro ataque sofrido pela comunidade, composta por cerca de 60 Kaiowá Guarani. Desde o dia 1º deste mês os indígenas ocupam um pedaço de terra entre as fazendas Chimarrão, Querência Nativa e Ouro Verde – instaladas em Território Indígena de ocupação tradicional dos Kaiowá. A ação dos pistoleiros foi respaldada por cerca de uma dezena de caminhonetes – marcas Hilux e S-10 nas cores preta, vermelha e verde. Na caçamba de uma delas o corpo do cacique Nísio foi levado, bem como os outros sequestrados, estejam mortos ou vivos.
“O povo continua no acampamento, nós vamos morrer tudo aqui mesmo. Não vamos sair do nosso tekoha”, afirmou o indígena. Ele disse ainda que a comunidade deseja enterrar o cacique na terra pela qual a liderança lutou a vida inteira. “Ele está morto. Não é possível que tenha sobrevivido com tiros na cabeça e por todo o corpo”, lamentou. A comunidade vivia na beira de uma Rodovia Estadual antes da ocupação do pedaço de terra no tekoha Kaiowá. O acampamento atacado fica na estrada entre os municípios de Amambaí e Ponta Porã, perto da fronteira entre Brasil e Paraguai.

Salvos e felizes pela misericordia e a caridade! (Mt. 25, 31-45))

Naquele tempo Jesus disse aos seus discípulos: ”Todo dia o nosso Pai que está entre nós acompanha os nossos passos. Não para cobrar, julgar e condenar. Mas para nos ajudar a compreender onda está a verdadeira felicidade. O meu Pai não é um juiz terrível e inflexível, como muitos dizem. Vingativo e incapaz de compreender as fraquezas dos filhos e filhas que gerou. Por isso, Ele não ordena e nem decreta sentenças. Mas aponta caminhos, sugere escolhas e opções, mostra onde podemos crescer mais. Indica onde Ele está presente, mesmo quando não o vemos do jeito que imaginamos. Haveremos, portanto, de ter surpresas no nosso dia a dia porque Ele está presente nas pessoas e nas circunstâncias mais impensáveis. Mas está presente, principalmente, naqueles homens e mulheres que sabem acolher, compreender e se compadecer de seus irmãos e irmãs mais necessitados. Por isso, a cada um de nós, a qualquer hora, poderia nos dizer:
Eu estava sem sementes, sem enxada, sem um torrão de terra para plantar e matar minha fome de pão e de justiça, e VOCÊ me ajudou a enfrentar os deuses do agro-negócio, e a combater seus dogmas desenvolvimentistas. Aprendi com você a ver e a sentir que é da terra molhada, fria ou seca que a vida é gerada. É desse útero fecundo do próprio Deus que nos fartamos de pão e de justiça. ’
‘Eu era um índio da aldeia global, vivia rejeitado e desprezado nas malocas da alma e das leis humanas, e VOCÊ me reconheceu como seu irmão/ã, como povo originário, numa terra finalmente livre de madeireiros e fazendeiros, rica de mel, de rios sem hidrelétricas, de araras de mil cores, de maracás sem tristeza, e de arcos sem flechas. ’
Eu era negro e negra que trazia na memória e na face as cicatrizes da discriminação e da hipocrisia da raça pura, e VOCÊ me dignificou, me ajudou a gostar de mim mesmo e das minhas raízes. Ajudou-me a gostar de todos aqueles/as que independentemente do arco-íris de sua pele lutam contra o racismo e a intolerância. ’
Eu vivia preso, torturado e seviciado nos calabouços das instituições de re-habilitação que enclausuram luz e esperança; mesmo condenado e vigiado pelos guardiões e manipuladores das leis VOCÊ me visitava, e me perdoava. Todo dia, juntos, serrávamos as grades da brutalidade, da injustiça e do deserto da minha solidão. Graças a você saboreei liberdade. ’
Eu me sentia vencido pelos fantasmas do meu medo interior, sem vontade de viver e crer, e VOCÊ me compreendeu. Não fugiu, ficou ao meu lado, e não se envergonhou de mim. Graças a você voltei a viver e a sorrir. ’
Eu vivia mendigando nas ruas e nas igrejas. No frio da indiferença humana não tinha o cobertor da proteção e o calor da hospitalidade. Desempregado, eu era considerado um falido e um indolente, mas VOCÊ me ajudou a matar a fome de pão e de vida. Não esqueço a força que me deu ao confiar em mim. Ao me oferecer aquele emprego que me devolveu a fé em mim mesmo e nos outros. ’
Eu era uma criança largada e abandonada, mas adulto antes de crescer. Conheci desde cedo o pior que pode acontecer a uma criança: arrancar a sua inocência, mas VOCÊ me amou mais que um pai e uma mãe de sangue. Protegeu-me contra tudo e contra todos. Compreendi, então, que uma criança pode ter um pai e uma mãe mesmo que não tenha os seus nomes escritos no registro de nascimento que só agora, graças a você, consegui ter. ’
Eu vivi nos inúmeros lazaretos públicos do SUS, deitado em seus corredores fedorentos e frios, sem UTI, e sem remédios. Sem o conforto de um familiar ou de um ministro de Deus, e VOCÊ me enxergou. Devolveu luz aos meus olhos mareados e apagados. Sobrevivi. Injetou em mim a energia da superação. Voltei a viver, mesmo sabendo que lágrimas e dor fazem parte da nossa vida. ’

E Jesus continuou: “Então o meu Pai se aproximará desta pessoa e tomando-a pela mão lhe dirá ‘ VOCÊ estava em Mim quando EU fazia estas coisas para cada um desses pequenos e invisíveis. Por isso, agora, VOCÊ é feliz. Experimente e curta a paz que está dentro de ti. Aquela paz que outros ainda não quiseram descobrir porque não quiseram ver no necessitado visível o Deus invisível que acolhia, protegia e servia através de VOCÊ!

sábado, 12 de novembro de 2011

Ampliar e valorizar o patrimônio espiritual e humano que Deus nos deixou (Mt. 25,14 ss.)

Em tempos de crise financeira global falar em ‘lucrar’, ‘multiplicar’ talentos e recursos – como o evangelho hodierno apresenta - é música suave. Aos ouvidos de quantos vivem ansiosamente à procura de possuir mais e mais. Viciados e dependentes como são do consumo, dos gastos insensatos, das mordomias e dos luxos vergonhosos. Há, porém, um outro lado dessa mesma moeda/realidade. A necessidade sim, de multiplicar e valorizar, sobremaneira, tudo o que sinaliza vida, fraternidade, participação, defesa da integridade moral e física dos humanos, e de todos os seres vivos. Ameaçados como são pelas manias doentias dos que querem lucrar sempre mais dinheiro à custa dos querem preservar vida, liberdade, sobriedade, e respeito. É justamente disso que a parábola de Jesus nos fala. Não se trata, com efeito, de considerar eventuais qualidades pessoais, ou uma espécie de conjunto de habilidades a serem valorizadas e multiplicadas na esfera pessoal/individual. Não que isso não seja importane! Mas trata-se, essencialmente, de tomar consciência de que ‘ Alguém’ confiou em nós, e nos deixou a responsabilidade de dar continuidade ao seu/comum patrimônio moral e existencial: a vida, a realeza de Deus. Ele o fez considerando as capacidades 'administrativas e gerenciais' de cada um. Sem intransigências, e nem falsas piedades. Mas a todos, sem exclusão, deixou parte desse patrimônio, para cuidar com competência e criatividade. Sem se omitir e se apavorar com essa responsabilidade. Mais do que isso: nos incentiva a administrar para ampliar, diversificar e estender sempre mais esse ‘patrimônio inicial’.
Aqui entram, porém, as duas diferentes posturas/comportamentos que podemos assumir perante essa missão de vida. De um lado tomar consciência de que temos autonomia e liberdade para mexer no ‘capital de vida’ que Deus nos deixou. Mexer, porém, só se for para ampliá-lo ainda mais. Para permitir que outros, muitos, possam se aproveitar dele. E para tanto precisamos ser corajosos. Temos que nos arriscar. Experimentar formas e caminhos novos para que haja mais vida, mais esperança, e mais fraternidade. Esta é a postura daqueles de investiram, arriscaram e dobraram o capital inicial recebido. Mas há também a outra postura. Aquela de quantos acham que o patrimônio de vida deixado inicialmente por Deus é simplesmente para ser ‘preservado’ tal como o herdamos. Ou seja, a postura de quantos acham que nós somos meros guardiões do ‘capital espiritual e humano’. O que poderia ser considerada uma atitude sensata, a de pelo menos não desperdiçar o bom que foi herdado, torna-se, neste contexto, objeto de crítica dura por parte de Jesus. Afinal, o Deus de Jesus não é um ‘conservador’ e um ‘ciumento’ do capital dele! Ao contrário, é um deus que tem consciência que a vida que possuímos é ‘patrimônio coletivo’. E cabe a todos, não simplesmente ‘guardar e conservar’ a vida, mas multiplicá-la e valorizá-la. Fazê-la ‘render’ infinitamente mais. Talvez porque a vida/patrimônio nunca tenha sido tão banalizada e ameaçada como hoje.