quinta-feira, 29 de junho de 2023

Polícia Federal não perde tempo reprime madeireiros e traficantes dentro da terra indígena Arariboia

 

A Araribóia é a maior terra indígena do Maranhão, na transição entre o Cerrado e a Amazônia. Ocupa uma área de mais de 410 mil hectares, onde vivem quase 10 mil indígenas Guajajara e Awá Guajá. Os agentes destruíram 177 máquinas e caminhões usados no beneficiamento e transporte da madeira e explodiram fornos das carvoarias. A destruição de equipamentos durante operações de fiscalização é prevista por lei desde 1998 e regulamentada por decreto em 2008.Os agentes prenderam oito em flagrante e cumpriram um mandado de prisão preventiva de um suspeito que era procurado em outra operação, no início de 2023. Os investigados poderão responder por crimes de receptação qualificada e por armazenamento de madeira sem comprovação de origem. O valor das multas aplicadas chega a quase R$ 17 milhões."Trata-se da terceira ação da Polícia Federal executada na região, no ano de 2023, o que vem refletindo na redução no número de alertas de desmatamento, em comparação a 2022, caiu mais da metade. Outras ações continuarão sendo executadas nos próximos meses", afirma o delegado da PF Daniel Alves.

sábado, 24 de junho de 2023

12 domingo comum - NÃO TENHAIS MEDO! (Mt. 10, 26-33)

NÃO TENHAIS MEDO.......de ser o que vocês são, com suas luzes e sombras, sem disfarces e sem camuflagens! De se expor publicamente, e de proclamar de cabeça erguida o que sentem e o que pensam! De defender e construir valores e sonhos que são indefensáveis para a 'onda global'! De ir contra correnteza, e de não adular nem o governante e nem o líder religioso da moda! Daqueles que torturam e assassinam o seu corpo, mas não conseguem corrompê-los!

....MAS TENHAIS MEDO.......daqueles que a toda hora falam em Deus, Família, Pátria e Liberdade, mas são dominados pelo ódio e a intolerância, e detestam a justiça! Daqueles que lhes prometem felicidade plena, poder ilimitado e dinheiro fácil, utilizando o nome de Deus  acreditando que vocês poderão se convencer  que é verdade! Daqueles que se disfarçam de 'pastores carismáticos, de guias iluminados, e de pessoas de bem', mas que têm o poder sedutor e diabólico de 'comprar a sua alma'.....

RESISTAM, LUTEM, E NÃO SE ESCONDAM: VOCÊS SÃO SAL E LUZ DO MUNDO! 


São João, o batista - Conversão ética, não 'religiosa'!

João, o Batista, praticava o ‘seu próprio’ batismo. Um batismo que não servia para cancelar supostos pecados originais, nem para inserir os batizados numa hipotética comunidade eclesial devolvendo-lhes uma filiação divina que nunca havia sido negada. Nada disso! João fazia mergulhar nas águas do batismo somente aqueles que lhe prometiam estarem dispostos 'a dar uma  túnica a quem não tem e a fazer o mesmo com a comida; não cobrar mais do que a lei manda; não usar violência, não extorquir e não prender ilegalmente as pessoas’. Um batismo que passava pela assunção pública de compromissos éticos, os únicos capazes de reverter, - possivelmente, mas não certamente - o destino que já estava escrito para Israel: a sua autodestruição. João deixava claro que não adiantava oferecer a carteira de identidade hebraica, de pertença a uma religião ou etnia, como passe livre para evitar a ação do ‘machado já posto às suas raízes para cortá-los’ definitivamente. João pregava uma reviravolta social e ética, mas ele mesmo desconfiava da sinceridade daquelas ‘raças de víboras’! A nós a coragem e o espírito de autêntica conversão para provar que a humanidade ainda pode evitar o machado da sua autodestruição


sexta-feira, 23 de junho de 2023

Surto de virose atinge os Awá no Maranhão. Uma criança morre e outras 11 são hospitalizadas em condições precárias

 A comunidade indígena awa-guajá da aldeia Awá, localizada no Maranhão, enfrenta um surto de gripe no território. No dia 10 de junho, uma criança, de um ano, faleceu por causa de complicações da doença enquanto tentava chegar ao hospital mais próximo da aldeia, na cidade de Alto Alegre do Pindaré. Crianças e adultos adoeceram nos últimos dias na comunidade indígena. Até o momento, nenhuma equipe médica foi enviada até o local. Sem médicos na unidade de saúde da aldeia Awá, os doentes são atendidos somente por técnicos de enfermagem. No hospital da cidade de Alto Alegre do Pindaré, uma médica que estava de plantão afirmou a um grupo de indígenas que a unidade não possuía estrutura para atender todos os pacientes. De acordo com os awá-guajá, a direção da unidade de saúde disponibilizou então transporte para transferi-los até o Hospital Municipal de Santa Inês, onde novamente foram recusados por causa da escassez de leitos. As crianças foram medicadas e encaminhadas para Bom Jardim. Após o falecimento do bebê de um ano, outras 11 crianças precisaram de internação e três delas apresentaram sintomas com quadros mais graves da doença. No hospital de Bom Jardim, uma ala foi reservada para receber exclusivamente os indígenas doentes, vítimas do surto gripal. “Desde quarta-feira a gente vem recebendo um fluxo maior de indígenas, mais de oito já foram internados aqui”, disse Jairon Pereira, coordenador do hospital de Bom Jardim. Construída em 2017, a Unidade Básica de Saúde (UBS) da aldeia Awá nunca passou por uma manutenção e sofre com a falta de instrumentos médicos. O posto, por exemplo, conta com apenas um aparelho de nebulização disponível para uso.

Segundo o advogado Diogo Cabral, especialista em direitos humanos, equipes médicas do  Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) e da Secretaria de Saúde Indígena realizarão a assistência na aldeia Awá. “O Conselho Estadual de Direitos Humanos fará uma missão na região e também, através de sua associação, os Awá encaminharão informes para o Conselho Nacional dos Direitos Humanos, para a Relatoria Especial de Povos Indígenas das Nações Unidas e também para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos”, afirmou Diogo. Em relação ao óbito da criança awá-guajá, a Prefeitura de Alto Alegre do Pindaré informou que o bebê já estava morto quando chegou no Hospital Municipal João Antônio Santos. Por meio de nota a prefeitura de Alto Alegre do Pindaré informou que a criança já tinha ido a óbito quando deu entrada no Hospital Municipal João Antônio Santos. O órgão também afirmou que depois da morte do bebê, mais sete crianças foram levadas ao hospital de Alto Alegre do Pindaré e que todas elas receberam atendimento. (Difusora)

sábado, 17 de junho de 2023

11º domingo – Nós TOD@S somos, hoje, @S DOZE! (Mt.9,36-10,8)

Muitas vezes nos consideramos impotentes e incompetentes para modificar a realidade em que nos encontramos. Alegamos que não temos formação adequada, que os deveres de família nos ocupam sobremaneira, que somos frágeis e insignificantes diante dos grandes protagonistas e formadores de opinião, e de lideranças sociais e políticas que governam o planeta. Ignoramos que nós mesmos somos chamados, na condição e do jeito que somos, a construir, permanentemente, a ‘Governança de Deus’. O mundo do jeito que Deus Pai quer! Fingimo-nos de surdos para não ouvir a voz interior, inventamos pretextos inverossímeis, delegamos covardemente a outros um dever que é nosso, pessoal e intransferível: o de libertar pessoas, motivá-las, apoiá-las, assisti-las e protegê-las. Fingimos esquecer que se Jesus para reconstruir a ‘Nação’ escolheu, simbólica e didaticamente, 12 pessoas, é porque, na realidade, Ele estava a chamar TOD@S. Longe de Jesus escolher uma elite de homens, de seguidores pur@s e sant@s, Ele nos convida a acrescentar nessa ‘lista dos doze’ - que indica totalidade, -  também o nosso nome. De homens e mulheres com rosto e identidade dispost@s a colocar energia e tempo para gerar VIDA!


sexta-feira, 16 de junho de 2023

O que infecta o berlusconismo? - Por Vito Mancuso

O que exatamente infecta o berlusconismo? Vou responder logo, mas primeiro quero lembrar esta frase de Hegel: "A filosofia é o próprio tempo apreendido em pensamentos". Eu acho que aquilo que vale para a filosofia, aplica-se mais ainda para a economia e a política: seu sucesso depende estritamente da capacidade de saber apreender e satisfazer o desejo do próprio tempo. Berlusconi foi muito bom nisso. Com suas antenas pessoais (funcionando bem antes de instalar em Cologno Monzese as antenas de suas emissoras) ele soube apreender o desejo profundo do nosso tempo, reconheceu a alma leve e se colocou à sua caça exercendo todas as artes de sua sorridente e persistente sedução. Desta forma, se transformou em uma espécie de sumo sacerdote da nova religião que já há tempos havia tomado o lugar da antiga, sendo a religião de nosso tempo não mais a liturgia de Deus, mas o culto obsessivo e obcecado do Eu. O berlusconismo representa da maneira mais esplêndida e sedutora a derrubada da antiga religião de Deus e a sua substituição pela religião do Eu. E o nosso tempo se sentiu interpretado por ele no mais alto grau, atribuindo ao fundador as maiores honras e transformando-o um dos homens mais ricos e poderosos não só da Itália. Falei de berlusconismo como uma infecção, mas o que exatamente infecta? Não é difícil a resposta: a consciência moral. O berlusconismo representa o flagrante fim do primado da ética e o triunfo do primado do sucesso. Sucesso atestado através da certificação do aplauso e do consequente ganho imparável.

Desde os primórdios da humanidade, o conceito de Deus representou exatamente a emoção vital segundo a qual existe algo mais importante do que o meu Eu, do meu poder, do meu prazer (independentemente deste "algo" ser o único Deus, ou os Deuses, ou a Urbe, a Polis, o Estado, a Ciência, a Arte ou qualquer outro). O berlusconismo representou tal rebaixamento do nível de indignação ética da nossa nação a ponto de coincidir com a própria morte da ética nas consciências dos italianos. Bem, o triunfo do berlusconismo representa a derrota dessa tensão espiritual e moral. Como religião do Eu, proclama exatamente o oposto: não há nada mais importante do que Eu. Certamente não é por acaso que o partido-empresa de Berlusconi nunca teve um sucessor, e agora, morto o fundador, é provável que não tenha um bom fim.

Certamente, esta religião do Eu assume como condição imprescindível o que permite ao Eu afirmar sua primazia sobre o mundo, ou seja, o dinheiro. O dinheiro era para o berlusconismo o que a Bíblia é para o cristianismo, o Alcorão para o islamismo, a Torá para o judaísmo: o verdadeiro livro sagrado, a única Palavra sobre a qual jurar e na qual acreditar. O berlusconismo foi uma religião neopagã segundo a qual tudo se compra, porque tudo está à venda: empresas, casas, políticos, magistrados, homens, mulheres, jogadores de futebol, cardeais, corpos, palavras, almas. Todos têm um preço, e é preciso apenas faro e dinheiro para pagar e obter os melhores para si. Quem (de acordo a doutrina do berlusconismo) não deseja ser comprado? O berlusconismo representou tal rebaixamento do nível de indignação ética da nossa nação a ponto de coincidir com a própria morte da ética nas consciências dos italianos. Consciência que, de fato, hoje em dia está em coma, principalmente nos palácios do poder político. Mas o que significa a morte de ética? Significa o desmando da vulgaridade, termo a ser entendido não tanto como um uso de linguagem imprópria, como no sentido etimológico que se refere ao povo comum, populacho, plebe, ou seja, ao populismo como procedimento que tudo mede com base nos aplausos, como medidor de aplausos permanente que transforma os cidadãos de seres pensantes em espectadores que batem palmas. Ou seja: não é certo o que é certo, mas o que recebe mais aplausos. Aqui está a morte da ética, aqui está o triunfo do que politicamente se chama de populismo e que representa a degeneração da democracia em oclocracia (em grego antigo "demos" significa povo, "oclos" significa populacho).

O berlusconismo efetivamente arrasou na mente da maioria dos italianos com o valor da cultura, reduzindo tudo a espetáculo, diversão, simpatia falsa e descaradamente superficial, sedução. A sedução deve ser entendida no sentido etimológico de se-ducere, ou seja, recondução para si mesmo de cada coisa, de acordo com aquela religião do Eu que foi o verdadeiro credo de Silvio Berlusconi e da qual não será fácil libertar e purificar a nossa "pobre pátria" (como a designava, justamente pensando no berlusconismo, Franco Battiato).

O artigo é do teólogo italiano Vito Mancuso, ex-professor da Universidade San Raffaele de Milão e da Universidade de Pádua, publicado por La Stampa, 13-06-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.


Operação na Arariboia combate invasores que levam morte a indígenas

Uma força-tarefa prendeu quatro suspeitos na Terra Indígena (TI) Arariboia, no Maranhão, por interceptação e armazenamento ilegal de madeira. As prisões integram as ações coordenadas da operação Arariboia Livre. A operação, iniciada na segunda-feira (12), atende a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e envolve 150 agentes das polícias Federal e Militar, do Ibama e ICMBio do Maranhão e de mais quatro estados. Doze madeireiras e moveleiras foram autuadas por não apresentarem licença ambiental e documentos que comprovem a procedência da madeira armazenada. 

Os agentes apreenderam, até o momento, mais de 200 metros cúbicos de madeira, o equivalente a 8 hectares de floresta desmatada. A operação segue em atividade durante o resto da semana. Além da TI Arariboia, os agentes estiveram na T.I. Porquinhos, do povo Apãnjekra-Kanela. Lá encontraram duas carvoarias com quase 100 fornos. O Ibama deu um prazo de 24 horas para verificar a documentação dos operadores. Neste ano, essa é a terceira operação realizada na TI Arariboia. O território abrange cinco municípios no centro-sul do Maranhão e é bastante fustigado por invasores. A terra indígena do tem uma área de 410 mil hectares. Nela vivem cerca de 10 mil indígenas dos povos Tenetehara/Guajajara, além dos Awá-Guajá em situação de isolamento voluntário, que acabam sendo agredidos pelos madeireiros invasores no interior da floresta. À imprensa, a superintendente do Ibama no Maranhão, Cilene Brito, afirmou que um dos objetivos é combater a migração de madeireiros. Ela explica que o movimento é comum de ocorrer com as grandes serrarias.  “Com essas serrarias menores e movelarias, a gente está começando a estudar esse risco de migração. Vamos manter o monitoramento contínuo para readequar as ações de fiscalização”, afirma.  

Genocídio - “A gente só pede que a Justiça aconteça, porque isso aí não é normal. O que está acontecendo nessa região é um genocídio. Está muito violento, muito perigoso para todos nós, principalmente em Arame”. A fala é de um indígena Guajajara que preferiu não se identificar e está relacionada ao ataque de fevereiro, mas reflete os anos a fio de convivência com mortes que poderiam ser evitadas com mais proteção à Terra Indígena. Outro fator que aumenta os riscos de “mortes matadas” entre os Guajajara é que o povo estruturou uma guarda do território, os Guardiões da Floresta, coibindo e expulsando invasores. Muitos dos assassinados eram guardiões. 

Um terço dos defensores mortos - Estudo das entidades Justiça Global e Terra de Direitos mapeou 1.171 violações de direitos humanos entre 2019 e 2022 . Entre elas, os indígenas assassinados correspondem a 29,6% dos defensores mortos, sendo que de 2021 a 2022 o número quase dobrou, de 10 para 17 casos. Os indígenas correspondem a 29,6% dos defensores mortos. O Maranhão é o estado com maior número de assassinatos de lideranças indígenas (com 10 casos), seguido de Mato Grosso do Sul (9), Amazonas e Roraima (7, cada um). No total, foram 50 ocorrências desse tipo. Para os realizadores do estudo, o incentivo à mineração em territórios indígenas, a intensificação de ações de grileiros e fazendeiros e a ausência de políticas públicas de demarcação de terras estão entre os fatores que motivaram os assassinatos de defensores indígenas. A operação Arariboia Livre atua no sentido de mitigar os últimos quatro anos de ações anti-indígenas que visam “passar a boiada” sobre as terras indígenas, em especial a TI Arariboia  (Renato Santana)