sábado, 1 de novembro de 2025

2 DE NOVEMBRO - CORPOS RESSURGIDOS

Corpos feitos de carne estrelar. Gerados pelo hálito do ‘Cosmos Infinito’. Corpos humanos de divindade encarnada. Corpos de parto humano dolorido, de gemidos que geram novos sonhos. Corpos que nunca viram o sol da manhã. Corpos largados de crianças sem lar e sem afago. Corpos que nunca receberam um beijo daqueles que só os conceberam sem amor. Corpos abusados e violados por quem lhes prometia fidelidade e amparo. Corpos traídos, jamais acariciados. Corpos torturados, desfigurados pela brutalidade de quem tinha o dever de lhes dar novo rosto e nova esperança. Corpos retorcidos, mutilados pela droga, a fome e a guerra. Corpos dependentes que aspiram a uma nova e improvável criação. Corpos apodrecidos de necrotérios anônimos, corpos sepultados em covas frias, sem epitáfio e sem prece. Corpos abatidos e imolados no altar do ‘bem comum’. Corpos sem voz e sem vez. Corpos sem voto e sem nome. Corpos suados, confinados e escravizados pela ganância daqueles que vestem terno preto e gravata importada. Corpos sem alma, porque expropriada pelos mercadores dos mistérios sagrados, geradores de culpa e negadores da Compaixão Paterna.

Corpos ressurgidos, que não se desintegram sem cumprir a missão pela qual foram gerados. Corpos espirituais onipresentes de um ‘Cosmos prenhe de Amor Infinito’.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Leão XIV, aos movimentos populares: "Terra, teto e trabalho são direitos sagrados pelos quais vale a pena lutar"

Em consonância com seu antecessor Leão XIII (o Papa que o inspirou a se chamar Leão), o Papa Prevost deixou de lado sua visão profética diante dos movimentos populares e, assumindo o lugar de Bergoglio, seu amado antecessor, mais uma vez cantou louvores aos três T's (terra, teto e trabalho), fazendo um raio-x da atual situação terrível dos pobres e trabalhadores da periferia, apontando "as velhas injustiças no novo mundo", denunciando "o impacto dos novos desenvolvimentos sobre os excluídos" e elogiando "a justa luta dos movimentos populares". Em um discurso poderoso, Leão XIV elogiou os movimentos populares porque "suas vozes se levantam em busca de soluções em uma sociedade dominada por sistemas injustos". Porque, em sua opinião, "hoje, a exclusão se tornou a nova face da injustiça social". E, após denunciar o "consumo desenfreado", Prevost enviou uma mensagem a Donald Trump, sem nomeá-lo: "Quando migrantes vulneráveis ​​são abusados, a soberania nacional não está sendo exercida legitimamente, mas sim crimes graves estão sendo cometidos ou tolerados pelo Estado".

 "A bandeira que você está agitando é tão relevante que merece um capítulo inteiro no pensamento social cristão sobre os excluídos no mundo contemporâneo."

"As periferias muitas vezes clamam por justiça, e vocês não clamam "por desespero", mas "por desejo". Sua voz se levanta em busca de soluções em uma sociedade dominada por sistemas injustos.

Hoje, a exclusão se tornou a nova face da injustiça social. A lacuna entre uma "pequena minoria" — 1% da população — e a vasta maioria aumentou drasticamente.

"Quando migrantes vulneráveis ​​são abusados, a soberania nacional não está sendo exercida legitimamente; em vez disso, crimes graves estão sendo cometidos ou tolerados pelo Estado." 

(Leão XIV)

A centralidade do medo na modernidade e a esperança em novos inícios. Entrevista especial com Paulo Eduardo Bodziak Junior

“Penso que a modernidade é caracterizada pela centralidade do medo. Hobbes consolida o entendimento moderno desse afeto, mas a centralidade política do medo já remonta à antiguidade tardia romana. Não à toa, a célebre ideia de que o homem é o lobo do homem foi cristalizada na modernidade pelo filósofo inglês, mas sua origem remonta ao dramaturgo romano Plauto. Todavia, o medo sempre ocorre acompanhado da esperança, pois não há como separar as duas coisas. A ‘fé no mundo’, sempre renovada pela possibilidade de novos inícios, não é apenas uma convicção filosófica de Arendt, é uma experiência afetiva própria da modernidade”. A reflexão é do filósofo Paulo Eduardo Bodziak Junior na entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Em sua análise, o medo é um afeto político isolador, desolador. “Todavia, sua presença na esfera pública é inevitável, até mesmo porque não existem domínios políticos constituídos apenas de afetos alegres. Medo e esperança constituem a tensa relação que estabelecemos com o futuro, e qualquer experiência política voltada ao futuro, como é próprio da modernidade, será caracterizada por essa tensão”.

Manipulando com maestria as redes sociais, a extrema-direita enquanto fenômeno global catalisa com sucesso “a falência do capitalismo neoliberal” e se aproveita desse colapso, gerando medo nas sociedades de nosso tempo com ações como caçadas a imigrantes ou “pelo emprego de tropas em cidades governadas pela oposição de democrata nos EUA”, acrescenta Bodziak referindo-se ao exemplo norte-americano. Ações como essas não suspendem necessariamente a ação, mas tem o dom de recrudescer a violência. Se tomarmos em consideração o prólogo de uma das célebres obras arendtianas, A condição humana, perceberemos que ela é “toda atravessada pela tensão entre o medo da aniquilação nuclear e a esperança mantida pelos novos inícios. Arendt não recusa nem negligencia tal ameaça. No jargão arendtiano, ela quer ‘compreender’ a ameaça da aniquilação, pois essa é a condição de reconciliação com este mundo à sombra do poder nuclear. Isso nos permite enraizar nossa existência nesse mundo e nos habilita a agir nele e sobre ele. Portanto, o medo constitui o fundo sobre o qual se ergue e tensiona a própria esperança dos novos inícios. A estrela brilha sobre o céu escuro”.

sábado, 18 de outubro de 2025

29º domingo comum - O Pai já sabe de antemão do que precisamos, nós nem sempre! Para que pressioná-Lo?

Vivemos numa sociedade marcada por um imediatismo totalizante e anestesiante. Ou seja, desejamos e queremos tudo e agora, do nosso jeito, e ainda mais sem fazer o mínimo esforço para consegui-lo! E na maioria das vezes não sabemos discernir se o que queremos é algo essencial para a nossa vida. Essa distorção comportamental e existencial encontra o seu equivalente também na nossa caminhada espiritual. Jesus, em diferentes ocasiões, nos alerta que o nosso Pai já sabe de antemão do que realmente precisamos, e que não é preciso, portanto, gastarmos muitas palavras, insistir junto Dele e pressioná-Lo. Porque, então, Jesus pede para insistir junto de Deus para que Ele faça justiça aos que pedem com persistência? O final da narrativa evangélica nos dá a chave de leitura para compreender. Pedir com insistência não é para convencer Deus da bondade dos nossos pedidos e sensibilizá-Lo, mas é para exercitar, treinar a nossa fé a não esmorecer com ou sem concessões por parte do Pai! É para que nós possamos aprender a não desistir nunca na vida e na missão diante das injustiças estruturais e, porque não, diante do aparente e possível silêncio do Pai. É para que nos eduquemos, sistematicamente, a persistir conosco mesmos em descobrir o que realmente dá sentido à nossa vida, e agir de consequência. E isso só cabe a nós!


quarta-feira, 15 de outubro de 2025

COMUNIDADES IMPACTADAS PELO TREM DA VALE DA REGIÃO DE PIQUIÁ DENUNCIAM A PERSISTÊNCIA DOS MESMOS PROBLEMAS E OMISSÕES

As paredes da minha casa estão abrindo sempre mais por causa das vibrações do trem da Vale que passa dia e noite, logo atrás da minha residência. Dentro em breve prevejo o pior...’ Assim se expressou, ontem dia 15 de outubro, em Piquiá, uma das mais de 60 representantes das dezenas de comunidades do interior e da cidade de Açailândia que estão situadas ao longo da Estrada de Ferro Carajás, e que sofrem seus deletérios impactos. Algo que vem se alastrando há vários anos sem conhecer, no entanto, a aplicação de encaminhamentos concretos que deveriam ter solucionado os notórios e históricos impactos da passagem do trem. O encontro promovido pela própria empresa mineradora tinha como intuito ouvir queixas, demandas, sugestões e propostas de correção de rumo. Os representantes das comunidades não tiveram inibição e nem receio, a partir de suas realidades específicas, em listar um conjunto de problemas, empasses e omissões atribuídos à responsabilidade da Vale e demais empresas minero-siderúrgicas, a partir de promessas, acordos e termos de ajustes de conduta firmados a seu tempo com o Ministério Público e representantes das comunidades impactadas. O barulho ensurdecedor do trem, a sua falta de desaceleração ao passar pelos centros habitados; a total ausência de lona protetora do minério contido nos vagões; a construção de muros padronizados em várias comunidades do interior, supostamente para proteger a população, mas trazendo enormes transtornos; a persistência e, até aumento da poluição no Distrito de Piquiá; a subutilização de mão de obra local, apostando muito mais na trazida de fora; a falta de manutenção de estradas vicinais, o abastecimento de água potável em várias comunidades do interior são alguns dos problemas levantados pelos presentes.

     Não cabe dúvida que não se trata, aqui, de responsabilizar única e exclusivamente a Vale e as demais empresas pela atual precária situação na região de Piquiá e entornos, mas identificar e exigir tão somente tudo o que lhes cabe respeitar e realizar por direito. Uma outra participante desabafava constatando como a cidade de Parauapebas, por exemplo, havia se transformado nesses anos todos numa cidade de primeiro mundo, ao passo que Piquiá depois de anos de presença da Vale, permanecia sem infraestruturas, sem praças, sem locais públicos dignos, enfim, sem aspecto de cidade digna. Parece até uma tácita admissão de racismo ambiental por parte das empresas minero-siderúrgicas que aqui atuam. Nesse sentido a representante da Vale entregou um questionário com várias perguntas no intuito de colher dados interessantes e preciosos para elaborar um diagnóstico o mais fiel e coerente possível. Algo que não tem faltado nesses anos todos, no entanto, o que vem sobrando é a inoperância e o descaso com a região de Piquiá. 

    Ninguém dos representantes das comunidades desconhece, tampouco, a íntima relação de colaboração e diálogo das empresas minero-siderúrgicas que atuam na região e o poder público municipal e, evidentemente, as responsabilidades constitucionais deste para com a população em geral e, especificamente, com as comunidades impactadas pela ferrovia. É inadiável, hoje, que o governo municipal que recebe, anualmente, mais de 30 milhões de Reais como fundo compensatório por parte da Vale comece a atuar de forma mais transparente. É imprescindível que informe, também, quais acordos de colaboração existem, atualmente, entre o Poder Municipal e as empresas minero-siderúrgicas; e onde esse montante de dinheiro está sendo aplicado. E mais especificamente: quais ações socioambientais estão sendo planejadas a curto e médio prazo para amenizar ou zerar os efeitos nocivos dos impactos da indústria siderúrgica na nossa região, e dar um novo rosto à cidade. Até o presente momento com relação a Piquiá e às comunidades do interior, infelizmente, o atual governo municipal ainda não disse a que veio! 


terça-feira, 14 de outubro de 2025

Pontos de não retorno climáticos: o planeta à beira de um abismo imprevisível

O mundo acaba de entrar em “uma nova realidade”, na qual muitos componentes do sistema climático ameaçam, a qualquer momento, desembocar em um novo estado que exporia “bilhões de pessoas a riscos catastróficos”. Este é o alerta solene emitido por 160 cientistas de 23 países no relatório Global Tipping Points, publicado no dia 13 de outubro e coordenado por Timothy Lenton, professor da Universidade de Exeter, na Inglaterra. Esses pesquisadores estão entre os principais especialistas mundiais no estudo dos chamados pontos de não retorno climáticos. O termo refere-se ao limiar crítico além do qual um elemento-chave do clima da Terra (calotas polares, correntes oceânicas, florestas tropicais, etc.) pode atingir um novo estado, muitas vezes de forma irreversível. Dois anos após seu primeiro relatório, os membros da iniciativa Global Tipping Points destacam o quanto a situação já se deteriorou. A primeira má notícia é que os pontos de não retorno para a biosfera estão “se aproximando mais rápido do que se pensava anteriormente”, afirma o relatório.

Risco de “savanização” na Amazônia

A situação dificilmente é mais invejável para a floresta amazônica. Sujeita aos muitos estresses causados pelo aquecimento global, incluindo secas intensas, ela também deve enfrentar os estragos do desmatamento. Se muitas árvores desaparecerem, esta floresta tropical, que tem a maravilhosa característica de produzir parcialmente sua própria chuva, poderá entrar em um círculo vicioso: produzir cada vez menos precipitações e, não tendo mais umidade suficiente para sobreviver, transformar-se em savana. Este ponto de não retorno também estaria mais próximo do que o estimado anteriormente, ficando abaixo de 2°C de aquecimento, de acordo com os autores do relatório. Estudos citados pelos pesquisadores sugerem que uma perda de 20% da superfície atual da floresta amazônica, combinada com um aquecimento global entre 1,5°C e 2°C, poderia empurrar dois terços da Amazônia para além do ponto de inflexão. No entanto, as incertezas são significativas. Os cientistas estimam que o risco de “savanização” é crível com um alto grau de confiança para certas áreas da Amazônia em nível local, mas com apenas baixa confiança em nível continental.

Oceanos de imprevisibilidade

A situação também é particularmente crítica para as camadas de gelo do mundo, especialmente para as calotas polares. As calotas polares da Antártida Ocidental e da Groenlândia são os dois sistemas glaciais cuja vulnerabilidade é mais certa: seu colapso, uma vez iniciado, continuaria por várias décadas a vários séculos, ou mesmo milênios, levando a uma elevação de vários metros do nível do mar. No entanto, esse ponto de não retorno pode já ter ocorrido. Ele tem ameaçado ocorrer desde que ultrapassamos o limiar de aquecimento de 1°C. Correntes oceânicas, como a AMOC e o Giro Subpolar, também estão ameaçadas de cruzar os pontos de não retorno no nível atual de aquecimento, embora os pesquisadores observem que a compreensão e a evolução desses sistemas estão cercadas de incertezas significativas.

Pontos de não retorno em cascata

O outro ponto saliente e particularmente preocupante do relatório é a interconexão que ele documenta entre a maioria dos 20 pontos de não retorno avaliados. Quando um elemento ultrapassa um ponto de não retorno, é provável que tenha efeitos, na maioria das vezes desestabilizadores, sobre outros componentes do sistema climático, ameaçando levá-los a ultrapassar esse ponto de não retorno por sua vez. A AMOCé o melhor exemplo desses múltiplos possíveis efeitos em cascata. O enfraquecimento desta corrente atlântica, que desempenha um papel crucial na troca de calor entre o oceano e a atmosfera, poderia, por exemplo, exacerbar a desestabilização da camada de gelo da Antártida Ocidental. Ou poderia desestabilizar o fenômeno El Niño no Pacífico, o que, por sua vez, enfraqueceria ainda mais a floresta amazônica. Os efeitos em cascata não se limitam aos sistemas climáticos: os desastres climáticos induzidos ameaçariam representar grandes riscos a elementos-chave da estabilidade de nossas sociedades, “como a segurança alimentar, a infraestrutura energética, a estabilidade econômica e a coesão social, afetando bilhões de pessoas em todo o mundo”, escrevem os autores. “Os danos causados pelos pontos de não retorno serão muito diferentes dos danos clássicos causados pelas mudanças climáticas. Não estamos preparados para isso! Nossos políticos não entendem o que significam os pontos de não retorno”, enfatiza Manjana Milkoreit, pesquisadora da Universidade de Oslo e coautora do relatório.

Principais incertezas

Este conceito de pontos de não retorno é ainda mais difícil de incluir na agenda política porque a ocorrência desses fenômenos permanece cercada por muito mais incerteza do que outros desastres climáticos futuros. Mesmo dentro da comunidade científica, nem todos concordam sobre a sensatez de se comunicar com muita veemência sobre esses pontos de inflexão. Alguns temem que esses mecanismos complexos e ainda pouco compreendidos distraiam a atenção. Isso é ainda mais verdadeiro quando os esforços para se adaptar aos efeitos muito mais diretos e documentados das mudanças climáticas, como a intensificação de secas, tempestades, inundações e outros eventos, já são amplamente insuficientes.

“Pontos de não retorno positivos”

A boa notícia (e há algumas) é que, em termos de mitigação, não há escolha. Quer visemos os pontos de inflexão ou os efeitos mais clássicos das mudanças climáticas, as mudanças estruturais e radicais que os cientistas do clima pedem permanecem as mesmas: reduzir drasticamente nossas emissões de gases de efeito estufa, alcançar a neutralidade de carbono até 2050 e fazer todo o possível para limitar o aquecimento global o máximo possível. A outra vantagem do conceito de pontos de não retorno é que ele também pode ser invocado para manter a esperança e mobilizar a sociedade. O relatório, portanto, discute as possibilidades de ultrapassar “pontos de não retorno positivos”. Transporte público, agricultura e alimentação sustentáveis, ecossistemas... Estes também são numerosos. Assim como a recente queda drástica no custo dos painéis fotovoltaicos, o desenvolvimento de soluções não segue uma trajetória linear. Melhor ainda: um pequeno esforço adicional às vezes pode ser suficiente para provocar uma mudança tecnológica ou social que, um momento antes, parecia uma utopia distante.


A reportagem é de Vincent Lucchese, publicada por Reporterre, 13-10-2025. A tradução é do Cepat.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Sull’intelligenza artificiale e sulla stupidità naturale - Por Giorgio Agamben


«Comincia un’epoca di barbarie e le scienze saranno al suo servizio». L’epoca di barbarie non è ancora finita e la diagnosi di Nietzsche è oggi puntualmente confermata. Le scienze sono così attente a esaudire e persino precorrere ogni esigenza dell’epoca, che quando questa ha deciso che non aveva voglia né capacità di pensare, le ha subito fornito un dispositivo battezzato “Intelligenza artificiale” (per brevità, con la sigla AI). Il nome non è trasparente, perché il problema dell’AI non è quello di essere artificiale (il pensiero, in quanto inseparabile dal linguaggio, implica sempre un’arte o una parte di artificio), ma di situarsi al di fuori della mente del soggetto che pensa o dovrebbe pensare. In questo essa assomiglia all’intelletto separato di Averroè, che secondo il geniale filosofo andaluso era unico per tutti gli uomini. Per Averroè il problema era conseguentemente quello del rapporto fra l’intelletto separato e il singolo uomo. Se l’intelligenza è separata dai singoli individui, in che modo questi potranno congiungersi ad essa per pensare? La risposta di Averroè è che i singoli comunicavano con l’intelletto separato attraverso l’immaginazione, che resta individuale. È certamente sintomo della barbarie dell’epoca, nonché della sua assoluta mancanza di immaginazione, che questo problema non venga posto per l’intelligenza artificiale. Se questa fosse semplicemente uno strumento, come i calcolatori meccanici, il problema in effetti non sussisterebbe. Se invece si suppone, come di fatto avviene, che, come l‘intelletto separato di Averroé, l’AI pensi, allora il problema del rapporto col soggetto pensante non può essere evitato. Bazlen ha detto una volta che nel nostro tempo l’intelligenza è finita in mano agli stupidi. È possibile che il problema cruciale del nostro tempo abbia allora questa forma: in che modo uno stupido – cioè un non pensante ¬– può entrare in rapporto con un’intelligenza che afferma di pensare al di fuori di lui?

12 ottobre 2025