Desconfiemos
daqueles ‘devotos’ que, com frequência, colocam o nome de Deus em seus lábios! Que
com petulância citam e invocam o Seu Santo nome, mas é para ocultar e justificar
seus sórdidos projetos de manipulação e de dominação. Que gritam, com empáfia, em
alto e bom som, que ‘Deus está acima de tudo e de todos’, mas não dizem que o
‘deus’ em que, supostamente, acreditam é, na realidade, um ‘ídolo’ que eles mesmos criaram para
si. Um ídolo moldado à sua imagem e semelhança, utilizado de acordo com seus
interesses e conveniências. No fundo, por trás de ‘tamanha devoção’ se escondem
verdadeiros idólatras! A solenidade da Trindade Santa vem para nos lembrar o que
‘Deus’ jamais poderá ser, e o que Ele deveria ser para quem faz a opção de
seguir radicalmente Jesus de Nazaré. Se é verdade que ninguém viu Deus, e,
portanto, Ele não pode ser descrito e nem definido, também é verdade que, a
partir de Jesus de Nazaré, Deus pode ser sentido e experimentado como Pai. Como
uma fonte inesgotável de amor, de compaixão e de ternura para com seus filhos e
filhas. Um Deus-Pai-Mãe incapaz de condenar, de ameaçar, de chantagear e de
punir, e que nos educa para agirmos da mesma forma. Só quem faz a experiência
de acolher e amar os filhos de Deus é que pode acreditar, de fato, no Deus-Pai
de Jesus. Fora isso, só charlatanice!
sábado, 30 de maio de 2026
SOLENIDADE DA TRINDADE SANTA - CRER NO DEUS-PAI DE JESUS, E REJEITANDO OS ÍDOLOS
sexta-feira, 29 de maio de 2026
MPF pede medidas urgentes para proteger terras indígenas Kanela no Maranhão
A ação foi movida contra a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a União, o estado do Maranhão e o município de Fernando Falcão. Segundo o MPF, houve falhas do poder público na proteção territorial e ambiental das comunidades indígenas. As investigações começaram em 2023, após denúncias encaminhadas pelo Conselho Indigenista Missionário no Maranhão (Cimi-MA) sobre crimes cometidos na região. Em caráter de urgência, o MPF pede que os órgãos responsáveis apresentem, em até 30 dias úteis, um plano emergencial provisório para proteger as terras indígenas Porquinhos e Kanela. O documento deve informar as ações que serão adotadas, o cronograma de execução e os mecanismos de monitoramento. O órgão também pediu que o estado do Maranhão suspenda imediatamente licenças e autorizações concedidas para atividades agrossilvipastoris na Terra Indígena Porquinhos, ou comprove o cancelamento desses atos.
De acordo com as investigações, indígenas têm sido ameaçados por madeireiros e pela extração ilegal de madeira. Roças da comunidade também teriam sido incendiadas, e o fogo chegou a atingir casas dentro da aldeia enquanto moradores participavam de uma festa cultural na Aldeia Escalvado. As apurações apontam ainda aumento da presença de fazendeiros, madeireiros e pessoas não indígenas na região, além do avanço do desmatamento ilegal, da destruição do cerrado e da exploração das florestas. Segundo o MPF, a Terra Indígena Porquinhos esteve entre as terras indígenas mais desmatadas do país em 2023. Relatórios citados na ação também indicam problemas em licenças ambientais emitidas no entorno das terras indígenas. Ainda segundo o MPF, cerca de 12 fazendas ocupam, total ou parcialmente, áreas reivindicadas pelos indígenas, sem consulta prévia às comunidades. A procuradora da República Anne Caroline Aguiar afirmou que a situação representa um processo contínuo de violação de direitos. “Tais circunstâncias evidenciam que não se trata de danos pontuais ou isolados, mas de um processo contínuo de erosão dos direitos fundamentais das comunidades indígenas, com impacto direto sobre sua reprodução física, cultural e espiritual”, disse. A Terra Indígena Kanela já é oficialmente reconhecida pela União. Já a Terra Indígena Porquinhos tem uma área demarcada, mas os indígenas reivindicam a ampliação do território tradicionalmente ocupado. Esse processo ainda não foi concluído. Um diagnóstico técnico feito em 2022 pelo Centro de Trabalho Indigenista apontou avanço da soja, desmatamento do cerrado, uso frequente de agrotóxicos, contaminação ambiental, redução da fauna, impactos nos rios e abertura de estradas ilegais nas terras indígenas Porquinhos e Kanela.
Ao final da ação, o MPF pede a
criação de uma instância permanente de articulação entre os órgãos públicos e
os povos indígenas para coordenar a proteção das terras indígenas. O órgão
também requer que União e Funai adotem medidas permanentes de proteção
territorial, com plano de contingência, monitoramento contínuo, retirada de
invasores e reforço na fiscalização. Em relação ao estado do Maranhão, o pedido
inclui o cancelamento e a suspensão de licenças ambientais consideradas
irregulares, reforço da segurança pública e medidas preventivas no entorno das
terras indígenas. O município de Fernando Falcão deve participar das ações de
proteção e não autorizar intervenções que afetem os territórios indígenas. Já o
Ibama deve intensificar a fiscalização ambiental e adotar medidas imediatas
contra infrações (G1)
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Magnifica Humanitas: um escândalo necessário
O documento interpela prioritariamente os cristãos, mas se dirige de forma explícita àqueles aliados, diz o Papa, que se mostrem sensíveis à tríade platônica do bem, da verdade e da beleza. Mais do que isso, a exortação de Leão é clara: o diálogo deve ser sempre onipresente e deve ser estabelecido com todos os homens e mulheres do nosso tempo. Sem exceção. Essa universalidade que paira em cada pessoa, singular, sofredora e concreta é um dos traços que atravessam todo o texto.
O
início da encíclica é aberta e explicitamente social, o que poderá surpreender
quem não está acostumado a ler encíclicas. Leão XIV apela
à destinação universal dos bens, à subsidiariedade,
à solidariedade e, inclusive, ironiza a ineficiência da mão
invisível do mercado, enfatizando a imperiosa necessidade de que existam redes
sólidas que garantam uma educação pública. A opção preferencial pelos pobres, as
referências abertíssimas aos migrantes e a insistência nos marginalizados, nos
fracos e nos que sofrem revelam sua inapagável sensibilidade missionária. Quem
viveu entre os pobres não consegue esquecer disso, e Prevost exibe
com orgulho e lucidez aquelas verdades das quais foi testemunha.
Haverá quem intua rupturas ou revoluções. Também não faltará quem queira traduzir as teses do Papa para um esquema ideológico e político. Vão se equivocar por dois motivos. Em primeiro lugar, porque o mais radicalmente social afirmado por Leão é legitimado nas palavras de seus predecessores. Sem rupturas. E, em segundo lugar, porque cada afirmação passível de ser encaixada no precário sistema da esquerda ou da direita corre o risco de entrar em colisão com afirmações que figuram em outro lugar do texto. Leão adverte que o progresso científico não acarreta necessariamente o progresso moral e lembra as palavras de Romano Guardini quando apontou que “o homem moderno não está educado para usar corretamente o seu o poder”. A IA nos torna mais capazes, mas potencializar nossas faculdades torna mais possível do que nunca o aumento das desigualdades, quando não da escravidão.
Penso
que o valor mais original da encíclica está na matriz moral ou nas premissas
éticas que inspiram o diagnóstico e a terapia. Leão XIV impugna
não apenas a eficiência e o cálculo - isso muitos fazem. O Papa nos
alerta sobre os riscos de interpretar a humanidade em termos de capacidade e
superação pura. Sua antropologia, naturalmente baseada no pano de fundo
do Evangelho, insiste em acolher a vulnerabilidade e o limite da
humanidade não como um defeito, mas como sua condição mais própria.
Frente à fantasia transumanista ou pós-humanista que busca transcender nosso limite exacerbando nossas faculdades, Prevost reivindica a humanidade ferida, de pele e coração sofrido, consciente de seu limite e aberta, sobretudo, ao rosto e à limitação alheia. A consideração teórica e abstrata ganha altitude de forma abertamente soberana, sem esquecer as condições concretas nas quais a IA se desenvolve e que requer “corpos marcados, mutilados, consumidos para que o fluxo dos cálculos não se interrompa”. Ao lado da abstração metafísica do teólogo, convive sempre a prática concreta e executiva do Prevost missionário. Junto com a IA, a guerra é o outro grande eixo sobre o qual a Magnifica Humanitas se concentra, uma ameaça antiga que se situa e se agrava no mundo contemporâneo. Mais uma vez, o eterno paira em uma circunstância concreta, desta vez, como problema. Neste ponto, o Papa redobra sua ambição e se serve da exortação quase desesperada de Paulo VI: “Nunca mais a guerra!”. O slogan poderia parecer vazio, se não estivesse sustentado por uma quantidade de argumentos sólidos e até radicais, no melhor sentido da palavra.
Leão XIV não é um ingênuo, nem um publicista delicado de uma moral infantil ou beatífica. Tem consciência dos argumentos realistas, mas sua aposta na civilização do amor ultrapassa a praticidade daqueles que resumem a política à gramática do amigo-inimigo, do eles ou nós. A Realpolitik é considerada e explicitamente desprezada como uma forma de irresponsabilidade. O Papa não só propõe desarmar a IA, mas exorta, implora e roga aos cristãos que também desarmem a linguagem. Este documento tem algo de escandaloso, e nota-se a vocação de impacto que possui sobre o âmbito civil e, inclusive, sobre a ordem mundial. Por trás de cada guerra, diagnosticará o pontífice, não costuma haver mais do que um interesse econômico tão injusto quanto ilegítimo. Por trás da agressividade polarizadora dos discursos, costuma acabar aparecendo, sempre, o ídolo maligno do dinheiro.
Se virtudes teologais como a fé e a caridade atravessam todo o documento, o Papa reserva a última parte da encíclica para invocar a esperança. Em cada momento da história, mesmo nas noites mais escuras, apareceram homens e mulheres capazes de semear essa civilização do amor. Diante dos grandes desafios da IA ou das guerras globais, Leão reivindica a moral da proximidade praticada nos ambientes cotidianos. Essa pequena fidelidade que cada um de nós tem ao alcance das mãos é o lugar a partir do qual se constrói a paz e a justiça, segundo seu diagnóstico.Falar com todos, negociar com todos, dialogar com todos em nome da vulnerabilidade humana é o primeiro passo para reconstruir um mundo que, aos olhos de todos, encontra-se irremediavelmente ferido.
Com essa encíclica, fica claro que Leão XIV não está disposto a se conformar com um papado figurativo. Magnifica Humanitas não é um documento cômodo, nem foi escrito com este propósito. Mais uma vez, uma verdade antiga volta a se fazer nova: como deixou escrito São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios, aquele Cristo Crucificado era um escândalo para os judeus e uma loucura para os gentios. E a receita continua vigente. Não devemos ter medo de sujar as mãos na obra do nosso tempo, adverte Prevost no início da encíclica. E este Papa parece disposto a agir assim, convidando-nos a pensar o que significa continuar sendo humanos em uma época fascinada com a possibilidade de deixar de ser.
Desmatamento fica abaixo de 1 milhão de hectares pela 1ª vez desde 2019, mostra MapBiomas
O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD) do MapBiomas, lançado na 4ª feira (27/5), trouxe uma boa notícia para o meio ambiente e o clima. O desmatamento no Brasil caiu 21% em 2025 em relação ao ano anterior. Além disso, o desmate de 984.794 hectares – apesar de ser equivalente a seis vezes o território da cidade de São Paulo – foi o menor em seis anos.
A devastação atingiu todos os biomas brasileiros, incluindo os dois mais desmatados: o Cerrado registrou uma diminuição do desmate de 17%, e a Amazônia, de 23,5%. A maior redução percentual na área desmatada foi no Pantanal, com queda de 48,4% em relação a 2024, informam g1 e O Globo. Apesar da queda, o Brasil ainda perde 2.698 hectares por dia de vegetação nativa – o equivalente a 17 Parques do Ibirapuera. No Cerrado, foram perdidos 1.482 hectares por dia. Na Amazônia, o desmate foi de 792 ha por dia – o que equivale à perda de cerca de 5 árvores por segundo, destacam Veja e UOL. Juntos, Amazônia e Cerrado responderam por mais de 84% da área desmatada no país em 2025. O Cerrado permanece como o bioma com a maior área desmatada – 540.614 hectares (54,9% do total), apesar da queda de 16,9% em relação a 2024. Na Amazônia, foram desmatados 289.478 hectares – uma redução de 23,5% frente ao ano anterior. Se este nível de desmatamento vier a ser confirmado pelo PRODES, será o menor desmate da série histórica. Segundo o RAD, o principal vetor de supressão foi a agropecuária, responsável por mais de 97% da perda de vegetação no país entre 2019 e 2025. O MATOPIBA – região que engloba os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – concentrou 40% de todo o desmate no país e 70% da devastação do Cerrado, mesmo com queda de 24% em relação a 2024, apontam o IPAM e a CNN Brasil. Os dados escancaram o que pode ocorrer depois que os deputados federais limitaram os embargos via satélite sobre áreas ilegalmente desmatadas na “Semana do Agro”. Como explica o coordenador-geral do MapBiomas, Tasso Azevedo, a mudança aprovada pelos deputados enfraquece justamente um dos principais instrumentos usados para interromper rapidamente o avanço do desmatamento, destaca o Brasil de Fato. “Todo o sistema de monitoramento de desmatamento hoje é feito no mundo inteiro por imagens de satélite, porque a imagem de satélite acaba sendo, em muitos casos, uma prova quase tão boa quanto a própria visita a campo”, explica. “Imagina que eu decidisse que não posso mais usar o radar para aferir a velocidade com que o veículo anda”, compara.
Cerca de 65% das áreas desmatadas identificadas pelo MapBiomas foram alvo de ações concretas das autoridades em 2025. De acordo com a Folha, a relação havia sido de 54% em 2024 e de apenas 5% em 2019, no primeiro ano do (des)governo de Jair Bolsonaro. Em nota, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) afirmou que os números positivos resultam da implementação dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas (PPCDs), que, pela primeira vez, abrangem todos os biomas do país. A pasta também destaca a intensificação das ações de fiscalização ambiental e as novas normas para acesso ao crédito rural, segundo o Estadão.
quarta-feira, 27 de maio de 2026
Cientistas repudiam ‘Pacote do Dia do Agro’ aprovado na Câmara e alertam para riscos ambientais
O documento, intitulado “Pacote do Dia do Agro não é sustentável”, expressa oposição ao avanço de propostas legislativas consideradas prejudiciais à conservação ambiental, à biodiversidade e ao enfrentamento da crise climática. Segundo as entidades, os projetos representam “graves retrocessos ambientais” e podem gerar impactos sociais, econômicos e climáticos em diferentes regiões do país.
A nota critica três propostas aprovadas na Câmara dos Deputados. Entre elas está o PL 364/2019, que exclui campos nativos e outras formações vegetacionais abertas do conceito de vegetação nativa protegida pela legislação ambiental brasileira. Os cientistas alertam que a medida poderá facilitar a destruição de milhões de hectares de ecossistemas naturais, afetando espécies únicas e comprometendo serviços ecossistêmicos fundamentais, como a proteção do solo, a recarga de aquíferos, o abastecimento de água, a polinização e o sequestro de carbono. Outra preocupação é o PL 5900/2025, que amplia o poder do Ministério da Agricultura sobre normas relacionadas a espécies de interesse econômico. Para os pesquisadores, a proposta enfraquece atribuições de órgãos ambientais e científicos, além de concentrar decisões no Ministério da Agricultura em temas que podem impactar diretamente ecossistemas e atividades produtivas.Já o PL 2564/2025, que busca impedir que órgãos ambientais, como o Ibama, realizem embargos e punições baseados em imagens de satélite e monitoramento remoto. De acordo com a nota, a proposta dificultaria a fiscalização ambiental, especialmente em regiões de difícil acesso, como a Amazônia.
“Um tiro no pé para o agronegócio”
Para Valério Pillar, professor do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), os projetos demonstram desprezo pela conservação ambiental e podem trazer consequências negativas inclusive para o próprio agronegócio. “Esses projetos de lei aprovados na Câmara dos Deputados expressam o desdém da maioria dos parlamentares pela conservação da biodiversidade e pelos benefícios que a natureza provê a toda a sociedade. Desprotegem campos nativos e cerrados em todo o Brasil, limitam a fiscalização por satélite e debilitam a autoridade do Ministério do Meio Ambiente. É um ‘tiro no pé’ para o agronegócio, pois compromete a sustentabilidade da agricultura diante das mudanças climáticas e do maior risco de eventos extremos de chuva e seca”, afirma. No documento, pesquisadores também alertam que a flexibilização da legislação ambiental pode ampliar as emissões de carbono, reduzir a capacidade de resposta aos eventos climáticos extremos e aumentar o risco de sanções comerciais internacionais e boicotes a produtos brasileiros em mercados que exigem critérios socioambientais mais rigorosos. (IHU)
O pensamento escravocrata na era da Inteligência Artificial. Artigo de Moisés Mendes
Essa foi uma das crueldades cometidas em nome do fim da escravidão: o Brasil é que iria se livrar dos danos do escravismo. Não eram os escravizados que iriam se libertar do sistema que os explorava há mais de 300 anos. Mesmo os pensadores considerados liberais do século 19 cometiam esse ‘erro’ de avaliação. É o que os jornais publicavam. Antes de pensarem no que a libertação significaria para o escravizado, as elites refletiam sobre os benefícios do fim da escravidão para o país. É mais ou menos o que dizem hoje os pensadores liberais do século 21, com um detalhe que os diferencia. Os liberais do século 19, influenciados por fatos históricos recentes, como a Revolução Francesa, eram mais ‘iluministas’ do que os liberais produtivistas de hoje. Faíscas daqueles tempos vinham de fora e iluminavam ou pareciam iluminar os abolicionistas.
Hoje, não. Tudo o que se lê, sob o ponto de vista da elite empresarial, em reflexões de pensadores do liberalismo, passa sempre pela questão ‘racional’ posta por essa pergunta, diante da possibilidade de acabarem com a escala 6X1: o que o país ganha com isso? Não perguntam o que pode mudar na vida das pessoas se elas tiverem dois dias de folga e como isso pode repercutir na qualidade de vida e em todas as atividades, mesmo sob o ponto de vista da economia. Dois exemplos pontuais, que estão na capa do jornal O Estado de São Paulo, na edição desse 26 de maio. O primeiro, em texto de um dos pensadores ‘liberais’ do jornal, o cientista político Fernando Schüler, tem esse título em forma de interrogação: “A pergunta real sobre o fim da escala 6×1. Haverá ganho de produtividade?”.
O segundo exemplo, no mesmo Estadão, é do colunista Rodrigo da Silva, com essa chamada: “Por que o debate sobre a escala 6×1 precisa de menos romantismo e mais aritmética”. Os liberais do século 19, apesar dos erros que cometiam ao verem os negros como passivos à espera de uma abolição redentora, abandonaram cedo essas contas básicas da matemática que atormenta hoje os liberais dos tempos da Inteligência Artificial. Os liberais do século 19 diriam hoje: é muito mais do que a aritmética, estúpido. Um jornal de São Paulo, criado em 1875, foi uma das vozes mais fortes do abolicionismo no Brasil, apesar de durante muito tempo publicar na capa anúncios em que eram oferecidos, como mercadorias à venda, negros escravizados. Esse jornal chamava-se A Província de São Paulo e mais tarde passou a se chamar O Estado de São Paulo. É o que chamam há muito tempo de O Estadão, da família Mesquita, publicado até hoje como porta-voz do conservadorismo brasileiro e atualmente sob gestão profissional que inclui prepostos de banqueiros.Pois esse jornal abolicionista de 1875, que mobilizou os liberais paulistas pelo fim do escravismo, é o mesmo que mobiliza agora os liberais produtivistas do século 21 em defesa da manutenção da escala 6X1. Porque, segundo esses liberais, a questão é matemática.
domingo, 24 de maio de 2026
O ESPÍRITO JÁ ESTÁ DENTRO DE NÓS! É URGENTE RECONHECÊ-LO!
O Espírito não criado, o preexistente,
que com sua centelha original alumiou as trevas,
nunca deixou de pairar sobre os seres vivos.
Jamais deixou de permear o cosmos infinito com
sua seiva vital.
Hoje, continua a ser invocado e suplicado,
mas ELE JÁ ESTÁ DENTRO DE CADA SER VIVO...
...que, no entanto, ainda teima em pedir que Ele venha!
Talvez fosse sensato compreender que são os
seres vivos
que ainda não sentem o Sopro do Pai presente e
atuante dentro deles.
INVOQUEMOS O ESPÍRITO NÃO PARA QUE VENHA,
MAS PARA QUE SEJA RECONHECIDO E ACOLHIDO!
quinta-feira, 21 de maio de 2026
PENTECOSTES - O 'TERREMOTO EXISTENCIAL' QUE MUDA A NOSSA VISÃO DE MUNDO E A NOSSA PRÁTICA!
Existem na nossa vida uma multiplicidade de acontecimentos aparentemente contraditórios, de encontros fortuitos, de gestos ambíguos e de enigmáticas tendências. Num primeiro momento, tudo isso nos parece um amontoado de fatos sem conexão, sem propósitos e sem intencionalidades. No entanto, é possível que, ao fazermos experiências fortemente impactantes, verdadeiros terremotos interiores, tudo isso mude. São radicais mutações do nosso ser que nos obrigam a olhar a totalidade da nossa existência com outros olhos e com uma inédita disposição. Ficamos tão atônitos, e até intimidados com esse tipo de descoberta que não titubeamos em afirmar que ‘na vida nada acontece à toa’ ou que ‘Deus sabe o que faz, pois Ele escreve certo por linhas tortas’. Graças a essas experiências inéditas, mesmo que dolorosas, tudo nos parece interconectado, carregado de sentido, e o que nos parecia incompreensível e misterioso acaba se tornando, surpreendentemente, um marco referencial na nossa vida. Esta foi, de alguma forma, a mesma experiência luminosa que fizeram os discípulos de Jesus em Pentecostes, após a sua morte e a sua definitiva ausência física. Uma experiência coletiva, original, reveladora, sofrida, irrepetível, da compreensão e dos propósitos de suas vidas e de sua missão. Quando isto ocorre, todos os acontecimentos, os encontros, os gestos se iluminam e adquirem sentido, inclusive o fracasso, a decepção, a dor e a morte! Deixemos Pentecostes acontecer!
sábado, 16 de maio de 2026
SOLENIDADE DA ASCENSÃO - CHEGA DE RASTEJAR, É PRECISO SE ELEVAR E OLHAR COM OS OLHOS DE QUEM OLHA DESDE O CÉU!
Frequentemente as nossas atitudes e perspectivas denunciam que somos ainda demasiadamente terrenos, quase rasteiros. Não conseguimos nos desvencilhar de um imediatismo interesseiro e opaco. Temos dificuldade de nos transcender, de enxergar um pouco mais além do nosso nariz. Afinal, somos crias e multiplicadores de uma cultura supostamente pragmática e eficiente do aqui e agora. Jesus, no evangelho de hoje, ao se distanciar fisicamente dos seus discípulos, em lugar de consolá-los e conformá-los, os incentiva a fazer novos discípulos, novas testemunhas do Pai. Em outras palavras, os catapulta para fora do mundinho tapado em que viviam e atuavam, e os envia para se inserirem nos grandes cenários e desafios da sociedade. Jesus não quer uma seita de cultuadores piedosos, adoradores submissos da sua pessoa, mas reprodutores incansáveis de sua prática, e protagonistas ousados da Boa Nova nos quatro cantos do planeta. Chegou a hora de pensar e agir grande. De olharmos a nossa realidade com os olhos de quem a vê desde o Céu. Que sabem descortinar com clarividência, agora, novos e invisíveis horizontes e perspectivas de vida. Mas para tanto é preciso, urgentemente, que aprendamos a nos elevar, a nos distanciar de nós mesmos e a nos educar a enxergar as pessoas da nossa humanidade que ninguém vê e ninguém convida!
terça-feira, 12 de maio de 2026
Pela primeira vez, as guerras estão deslocando mais pessoas do que inundações, tempestades e outros desastres naturais
Imaginemos um assentamento que abrigasse mais de 82 milhões de pessoas — praticamente a população da Alemanha. Isso é real, mesmo que não sejam todas juntas: é o número de pessoas que foram deslocadas internamente dentro de seus próprios países no final de 2025, após fugirem de conflitos armados ou desastres naturais, de acordo com as estimativas mais recentes do Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC), a principal organização global para medir e analisar esse fenômeno, que publicou seu relatório anual nesta terça-feira.
Cada ano traz um desenvolvimento diferente, mas todos apontam na mesma direção: a deterioração global está se agravando. Durante anos, desastres naturais — inundações, tempestades, ciclones — causaram muito mais deslocamentos populacionais do que conflitos armados. De fato, 2024 foi um ano excepcionalmente devastador em termos climáticos. Mas as guerras vêm ganhando terreno na dinâmica global de deslocamento forçado e, em 2025, pela primeira vez desde que registros globais comparáveis começaram a ser mantidos, guerras e violência causaram mais deslocamentos forçados dentro dos países do que desastres naturais: os conflitos desencadearam um recorde de 32,3 milhões de movimentos populacionais (um aumento de 60% em relação ao ano anterior), em comparação com 29,9 milhões ligados a desastres naturais. Em 31 de dezembro de 2025, um total de 68,6 milhões de pessoas estavam vivendo longe de suas casas devido à guerra e outras 13,6 milhões devido a eventos relacionados ao clima. (IHU)
Nem galinhas nem crocodilos: a lição das mães que nos ensinam a voar. Artigo de Massimo Recalcati
A literatura psicanalítica, basicamente, forneceu um retrato patológico da mãe. Um bestiário variegado a descreveu como uma desgraça a ser evitada como a peste: a mãe — a mãe galinha ou crocodilo, polvo ou vampiro — é a mãe que invade abusivamente a vida do filho, recusando sua perda; na linguagem freudiana, mas também junguiana, é a mãe devoradora que, em vez de se separar de seu fruto, o absorve canibalisticamente. Mas essa versão tentacular da mãe — da qual a prática clínica ainda oferece inúmeros exemplos hoje — só pode ser a versão patológica da maternidade. A essa, dever-se-ia acrescentar a figura da mãe morta ou fria, como o oposto da devoradora, ou seja, a mãe que abandona seus filhos tornando-se ausente. Também dever-se-ia tentar, contudo, ser mais justos com a mãe e, portanto, evocar não apenas sua onipotência devastadora, mas também seu ser figura insubstituível de cuidado. O filho, dizia Rainer Maria Rilke em um poema pungente, é como o orvalho que precisa de uma planta para se sustentar. E essa planta seria, precisamente, a mãe. Para além da identidade biológica, dever-se-ia lembrar, antes de tudo, que ser mãe não é o mesmo que ser a figura genitorial do filho.
Ser mãe não é um dado da natureza, mas uma experiência que consiste não tanto em gerar a vida, mas em cuidar dela de forma autêntica. Nesse sentido, Françoise Dolto lembrava que toda mãe é fundamentalmente sempre adotiva, no sentido de que o que a torna tal não é a continuidade biológica com o filho, mas, precisamente, o ato de cuidar. Poderíamos então dizer, de forma mais radical, indo além da identificação do materno com um único sexo específico, que existe uma mãe sempre que há um ato de cuidado ou, se preferir, que todo ato de cuidado se revela, em sua essência, profundamente materno. Mas em que consistiria um ato de cuidado? A resposta a essa pergunta nos leva a perceber como a lição da mãe vai muito além do bestiário no qual se gostaria de aprisioná-la.O ato de cuidado materno consiste, basicamente, em reconhecer a diferença substancial que distingue o nome do número. Aos olhos de uma mãe, de fato, cada filho é filho único, mas não na ordem do número. É filho único porque é filho insubstituível e incomparável. A lógica que inspira o cuidado materno nunca é aquela do geral, mas aquela do particular. Nesse sentido, Lacan lembrava que o amor materno é sempre amor pelo nome. É amor pela diferença do outro que rejeita ou encara com justificada suspeita qualquer generalização. A lição da mãe nos lembra, em outras palavras, que o amor que cuida nunca pode ser amor pela vida em geral, mas apenas amor de cada um, pelo filho por ser único, pelo seu nome mais próprio. Seu cuidado, portanto, nunca poderá ser procedural, protocolar, nunca será anônimo, impessoal, mas sempre particularizado. Nesse sentido, a lição materna também deveria ressoar em nossa vida civil e política, que com muita frequência demonstra sinais de incúria, ou seja, de confundir, em vez de distinguir, o nome do número.
Quando
nos sentimos mais maltratados senão justamente quando nosso nome é confundido
com um número? Esse é o risco da ação política, que muitas vezes pensa por meio
de números em vez de nomes. Basta pensar na guerra como o fenômeno mais radical
da incúria, podemos ver claramente como ela contradiz radicalmente o código
materno. Se a maternidade, ao cuidar de cada indivíduo, torna a vida
insacrifável, digna de ser considerada, como o Papa Francisco nos lembrou com força,
"imensamente sagrada", a política pode, ao contrário, fazer do
sacrifício do particular a sua ideologia subjacente. As vidas individuais não
valem nada em relação à necessidade geral. Diversamente, o ensinamento materno
nos lembra que ninguém é dono da vida de seu filho, nem mesmo quem a concebeu
ou adotou. Pelo contrário, o que a maternidade demonstra é a
existência de uma hospitalidade — acolher a vida do filho no próprio corpo —
que renuncia a todos os direitos de propriedade.
É
isso que vemos nestes belos meses de primavera nos parques públicos, quando
encontramos mães ensinando seus filhos a caminhar. Um gesto aparentemente
simples, mas que carrega em si toda a lição do amor materno: a você
que foi sangue do meu sangue, vísceras nas minhas vísceras, eu ensino a
caminhar, a se afastar de mim, a trilhar seu próprio caminho. Esse é o cerne
mais profundo da grande narrativa bíblica do Rei Salomão. Seu famoso estratagema da espada revela que a
verdadeira mãe não é aquela que reivindica o filho como sua propriedade, mas
aquela que está disposta a perdê-lo, a renunciar a toda propriedade, contanto
que a vida daquele filho seja salva.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
'MAMÃE EU QUERO SER PREFEITO...MENTIR SOZINHO EU SOU CAPAZ....'
‘Mamãe,
não quero ser prefeito, pode ser que eu seja eleito
e alguém pode querer me assassinar. Eu não preciso ler jornais
mentir sozinho eu sou capaz, não quero ir de encontro ao azar...’
Assim começa a música ‘Cowboy fora- da- lei’ de Raul Seixas em 1987. Certamente o nosso autor sabia muito bem que eventuais assassinatos preconizados nas letras da sua canção não viriam pela mão de um povo desiludido ou ludibriado pelas promessas não mantidas por prefeitos vencedores. Afinal, quem teria coragem de cometer tais barbaridades com administradores públicos só pelo fato de não cumprirem o que prometeram? É tão corriqueira essa realidade no nosso País que, se assim fosse, teríamos poucos prefeitos sobreviventes! Em geral, as fantásticas promessas que os candidatos gritam de seus palanques ou chegam até a assinar em cartório são dirigidas para o ‘povão’ que, sistematicamente, sabe que jamais serão cumpridas e que jamais serão punidas pela justiça. Dito de outra forma, ninguém do ‘povão’, pelas informações que temos desses últimos 45 anos, atentou à vida de algum prefeito em exercício por ele não ter cumprido suas promessas. Entretanto, o mesmo não pode ser dito daqueles grupos políticos com densidade política e interesses econômicos de destaque dentro de uma unidade municipal, sejam eles aliados de ocasião ou opositores de conveniência ao prefeito vencedor. Interesses variados contrariados, promessas de cargos não mantidas aos amigos ou supostamente tais, desentendimentos e disputas internas que fogem ao controle são motivos mais que razoáveis para a eliminação física de quem administra. Pelas estatísticas, na maioria dos casos de assassinato de prefeitos, há sempre um ‘vice’ envolvido. Ou seja, parece ser ‘briga de branco’ em que o ‘povão’, sempre à margem, não se imiscui. Somado a tudo isso, há que se constatar que até aqueles setores do ‘povão’ mais aguerridos em reivindicar ou denunciar coerência e cumprimento do prometido, há bastante tempo deixaram de fazê-lo. Cansaço, luta permanente desgastante, articulação paciente, diária, têm prazo de validade. Dessa forma, fica bastante óbvio que, em geral, um prefeito administra, preferencialmente, em favor de uma minoria de sanguessugas e de apaniguados que, paradoxalmente, são os únicos que poderiam atentar ao seu cargo e à sua vida.
Uma outra característica de um candidato a prefeito que o Raul cita nas letras da sua obra é a sua capacidade de mentir, da mesma forma que os jornais mentem! Ou melhor, candidatos sabem mentir sozinhos sem ter cumplicidade ou respaldo da mídia. É próprio de um candidato mentir. É tão visceral e tão generalizada essa postura que não chega a escandalizar ou a indignar ninguém. Quantas vezes ouvimos expressões do tipo ‘É o calor da campanha, sabe como é...deixa pra’ lá, releva!’ para tentar justificar os excessos no palavreado, nos gestos, nas promessas alucinantes de uma infinidade de candidatos de todos os espectros políticos e ideológicos. Quem não lembra, por exemplo, daquele famoso candidato que prometia que ‘ia metralhar a petralhada?’, mas acabou ‘metralhando’, com sua incompetência, mais de 700 mil amigos e inimigos?
Dito
tudo isso, qual o peso que se deve dar, então, a um candidato a prefeito que
após ter ouvido um grupo de cidadãos que apresentam um conjunto de normais e
óbvias reivindicações em favor da cidade, e não do grupo, o aprova e se
compromete colocando formalmente a sua assinatura? Será que aquele candidato, uma
vez eleito, ao não cumprir o seu compromisso poderia invocar o ‘calor da
campanha’, ou o ‘clima de campanha e suas dinâmicas’ como justificativa? Ou,
simplesmente, deixa de ser ‘homem de palavra’ em que para ele mentir e assumir
compromissos com a população sabendo, de antemão, que não irá cumpri-los é um
gesto sem peso, sem valor e, principalmente, sem consequências legais? Nobre, seria, se por parte daquele prefeito
eleito ao não conseguir cumprir os compromissos assumidos publicamente viesse a
público esclarecer, mostrar, expor e debater as causas efetivas do seu não
cumprimento. Ocorre que, ao contrário disso, os descumpridores de promessas e
de compromissos fogem, se escondem e voltam a mentir sobre as suas próprias mentiras
que um dia assinaram.
O
caso emblemático do prefeito de Açailândia, no caso Piquiá!
6 ª domingo de Páscoa - VENHA A NÓS O ESPÍRITO DA VERDADE PARA DEFENDERMOS OS INDEFESOS
Como se pode manter convicções e valores de vida em uma realidade onde tudo parece se esvair na atmosfera, e uma trajetória de vida coerente é rotulada pelo ‘senso comum’ como alienação ou insensatez? Como deter, afinal, o rolo compressor do ‘efeito manada’ que, tragicamente, sempre desponta em épocas de crises profundas em que predominam as atitudes massivas do ‘salve-se quem puder’, ou do ‘cada um por si e Deus por todos’? Jesus, no evangelho hodierno, parece deixar claro que não existem saídas individuais. Que a salvação entendida como plenitude de vida, aqui e agora, vem como resultado de um conjunto de imperativos éticos (mandamentos) conscientes, construídos e praticados coletiva e reciprocamente. A superação da sensação de perdição, de rejeição e de desamor é possível somente quando fazemos a experiência concreta de nos sentir defendidos, apoiados e amados por alguém que está sempre ao nosso lado. Um alguém que, mesmo não sendo visível e palpável, o sentimos como um ser vivo que emana segurança, acolhimento amoroso e paz interior. Um ‘ser-espírito’ que nos revela, sistematicamente, que não somos uma massa de órfãos abandonados, ou uma manada alienada de indivíduos enlouquecidos, mas sim, filhos queridos e irmãos solidários de uma mesma família planetária.
VIVA O DIA DAS MÃES!
terça-feira, 5 de maio de 2026
CAOS ADMINISTRATIVO E SOCIOAMBIENTAL EM PIQUIÁ: DE FARSA A TRAGÉDIA!
Muitos
maranhenses não sabem onde fica Piquiá. Poucos sabem que esse vilarejo de pouco
mais de 4 mil residências pertencente ao município de Açailândia é responsável
por quase a metade do quarto maior PIB do Estado do Maranhão. De Piquiá saem
quase 2 bilhões de Reais em aço, ferro-gusa e outros derivados do minério de
ferro que a empresa Vale distribui às empresas siderúrgicas locais e suas
terceirizadas. Diante disso surge espontânea a ideia de que esse aglomerado de
famílias vindas, em diferentes etapas, e de diferentes estados da Federação num
outrora recanto florestal paradisíaco rico em ‘pequi’, ao longo de quase 50
anos, estaria vivendo numa redoma de prata. Ledo engano. Piquiá, em 2026, vive
jogada às traças pelas recidivas e desastrosas administrações municipais, pela
inoperância e o descaso socioambiental sistêmico de suas poderosas empresas
minero-siderúrgicas. Hoje, Piquiá não possui saneamento básico, são poucas as ruas
pavimentadas, verdadeiras crateras surgidas pela falta de manutenção recolhem
esgoto fedorento e águas pluviais, e sem contar com uma praça que seja digna de
tal nome. Entretanto, Piquiá oferece um outro trágico primado que a coloca a
competir de igual para igual com São Luís do Maranhão: os altos índices de
poluição que, quase sempre, são superiores aos permitidos pela OMS (Organização
Mundial de Saúde). Um morador histórico de Piquiá que tem acompanhado as
vicissitudes desse vilarejo ao longo desses últimos 40 anos costuma afirmar que
‘Piquiá é a terra das promessas jamais cumpridas’, tecendo justas críticas aos
diferentes administradores municipais que têm se sucedido e às notórias
empresas minero-siderúrgicas que vêm se notabilizando não somente por suas
superproduções de ferro-gusa, aço, e outros insumos, mas principalmente por
‘distribuírem o pó preto’ que emana de suas chaminés, sem nenhum investimento
significativo, e sem compromisso com iniciativas concretas consistentes de
compensação socioambiental e social’ para a população local.
Uma recente pesquisa patrocinada pela Associação Carlo Ubbiali em parceria com o Departamento de Ciências Sociais – Grupo de Estudo e Pesquisa Trabalho e Sociedade, da UFMA (Universidade Federal do Maranhão), realizada ao longo de 2025 junto a cerca de 200 famílias de Piquiá sobre suas percepções a respeito da realidade socioambiental e do mercado de trabalho dos moradores de Piquiá, revela que 92% identificam a Poluição como o principal problema a ser combatido. Em segundo e terceiro lugar vem a ausência de saneamento básico e a ausência de pavimentação das ruas, respectivamente. Sabe-se que a identificação pura e simples de problemas estruturais como estes não garante a sua solução, mas pode motivar as vítimas do descaso a pressionarem e obrigarem os administradores públicos e outros atores econômicos que impactam o cotidiano de milhares de famílias a rever, radicalmente, a sua (in)capacidade de planejar e apontar prioridades. Foi com esse intuito que na manhã do dia 04 de maio uma comissão de representantes dos moradores de Piquiá reuniram-se com o Ministério Público da cidade de Açailândia. Não é que em diferentes ocasiões não se tenha tentado tecer um diálogo direto com o prefeito e alguns dos seus secretários para debater esses problemas estruturais. Ao contrário. Em pelo menos 4 ocasiões houve a possibilidade de pôr na mesa dos gestores públicos essas ‘feridas socioambientais’ que há mais de quatro décadas atentam o direito básico de uma vida digna, entretanto, do lado dos administradores públicos só ouvia-se uma monótona promessa de que ‘em 2026 iremos surpreender Piquiá’, ou ‘os projetos já estão prontos, carecem somente alguns ajustes burocráticos’, ou ‘nas próximas semanas formaremos uma equipe para mensurar o nível de poluição, identificar os responsáveis e exigir que as empresas tomem as medidas cabíveis, ou ‘os ônibus para o transporte público (do itinerário Piquiá-Açailândia-Piquiá) já chegaram, falta só criar a empresa municipal e começar a rodar...’ e outras lorotas que só vêm a desmoralizar e desacreditar o que, eufemisticamente definimos como ‘poder público’ de Açailândia. A Promotoria manifestou sensibilidade, esclareceu aos representantes algumas questões específicas e manifestou total disponibilidade em desempenhar o seu papel de mediação e de defensor de direitos coletivos convocando as partes, mas com alguns pontos centrais bem firmes, a saber: 1. Do lado da população ficou a tarefa de resgatar o documento contendo, por exemplo, os compromissos de campanha assinados pelo então candidato e, hoje, prefeito de Açailândia; a síntese e sistematização dos conteúdos-resultados emergidos das diferentes reuniões formais e informais realizadas com representantes da Prefeitura e, por último, a entrega dos resultados da pesquisa realizada ao longo de 2025 sobre as percepções da população de Piquiá a respeito da sua realidade socioambiental. Do lado da Prefeitura, o representante do Ministério Público iria comunicar formalmente o prefeito e os seus secretários para que se preparassem adequadamente, a partir do material fornecido, e em data a ser marcada de comum acordo, a administração pública iria expor tudo o que está sendo planejado para Piquiá, deixando claro os prazos e as modalidades. Haveria, finalmente, uma reunião conjunta para a apresentação e debate, finalizando com a assinatura de um termo de ajuste de conduta. Caso isso não venha a acontecer por falta de cumprimento do acordado, a população de Piquiá não terá outra saída a não ser a judicialização do caso.
AQUI ABAIXO ALGUMAS RUAS DE PIQUIÁ......
sábado, 2 de maio de 2026
5ª Domingo de Páscoa - Ao reproduzirmos as obras de compaixão de Jesus o Pai será visto em nós, e nós seremos um com Ele!
‘Ir ao Pai’ não é fugir da realidade onde vivem e lutam os Seus filhos e filhas. Não é alienar-se de suas existências e, supostamente, contemplar um deus-pai criado sob medida. É, ao contrário, encontrar a essência do amor do Pai comum no mais íntimo das pessoas. É compreender que quanto mais nos adentrarmos nos dramas, nas angústias, nas dores, nas aspirações e esperanças de Seus filhos e filhas poderemos descobrir o verdadeiro caminho para a sua superação. Jesus havia construído uma relação muito profunda e íntima com um Deus concebido e tratado como Pai ao agir com compaixão e ternura para com doentes e rejeitados da sociedade. Quanto mais Jesus se aproximava deles, mais intensamente sentia a paternidade de Deus agindo nele. Isso foi tão forte que Jesus chega a afirmar que quem via Ele, via o próprio Pai, invisível, sim, mas atuante por meio Dele. O mais espantoso, contudo, é que quem acreditar e reproduzir essa relação de amor e de compaixão poderá não somente encontrar verdade e vida, mas poderá produzir ‘obras maiores’ do que aquelas realizadas pelo próprio Jesus. As obras são ações históricas concretas de libertação e de superação de toda dependência, indiferença e intolerância, e não execuções de liturgias vazias e alienantes!








