quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

RICAÇOS SEMPRE MAIS RICAÇOS! A ESTRONDOSA VITÓRIA DA DESIGUALDADE

O Relatório Mundial sobre a Desigualdade (WIR) de 2026 mostra que cerca de 56.000 pessoas – 0,001% da população mundial – detêm três vezes mais riqueza do que a metade mais pobre da humanidade. Isso se dá em quase todos os países. No Reino Unido, por exemplo, 50 famílias possuem mais riqueza do que 50% da população junta. É possível acompanhar o crescimento de suas fortunas. Em 2024, segundo dados da Oxfam, a riqueza dos 2.769 bilionários do mundo aumentou em US$ 2 trilhões. O gasto global total com ajuda internacional no ano passado foi projetado em, no máximo US$ 186 bilhões – menos de um décimo do aumento em suas riquezas. 

Os governos nos dizem que “não podem arcar” com mais investimentos públicos. No Reino Unido, os bilionários ficaram, em média mais de 1.000% mais ricos desde 1990. A maior parte de sua riqueza deriva de imóveis, heranças e finanças. Em outras palavras, eles ficaram tão ricos às nossas custas. A questão afeta todos os aspectos da política. Trump não está se apropriando da riqueza petrolífera da Venezuela em benefício dos pobres dos EUA. Ele não se importa com eles, como revelou seu Orçamento para 2026 (“big, beautiful bill”) – que rouba dos pobres para dar aos ricos. Ele cobiça a Groenlândia em nome dos mesmos interesses da elite, da qual é o avatar. Quando o homem mais rico do mundo, Elon Musk, ajudou a destruir a vida dos mais pobres ao desmantelar a USAID, ele o fez em nome de sua classe. O mesmo se aplica aos ataques de Trump à democracia e à sua guerra contra o mundo natural. São os ultrarricos que mais se beneficiam da destruição, tanto ao ganhar quanto ao gastar dinheiro. O WIR mostra que o 1% mais rico da população mundial é responsável por 41% das emissões de gases de efeito estufa provenientes da propriedade de capital privado: quase o dobro da porcentagem emitida pelos 90% mais pobres. E, por meio de seu consumo, outro estudo demonstra que esse 1% produz tantos gases de efeito estufa quanto os dois terços mais pobres. A desigualdade prejudica todos os aspectos de nossas vidas. Décadas de pesquisa de Kate Pickett e Richard Wilkinson mostram que uma maior desigualdade, independentemente dos níveis absolutos de riqueza, está associada a mais criminalidade, pior saúde pública, maior incidência de vícios, menor nível de escolaridade, maior ansiedade por status (levando a um maior consumo de bens posicionais), maior poluição e destruição e uma série de outros problemas.(IHU)


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