A deriva autoritária não chega com o rugido dos tanques. Muitas vezes, chega com a normalidade. Um presidente revoga cinquenta autorizações de segurança. Um agente 007 é demitido sem que lhe seja dada qualquer explicação. Aqueles que deveriam se opor optam por não fazê-lo, ou aprendem rapidamente a permanecer em silêncio. Enquanto isso, o presidente se dirige ao país, promete "defender os americanos de inimigos internos" e questiona a integridade do sistema eleitoral.
O alerta vem de mais de 400 ex-funcionários da inteligência americana, que, na plataforma online Substack, denunciaram o plano de Donald Trump: o empresário que prometeu ir a Washington para expor o "estado profundo" está criando uma máquina para centralizar seu poder como nunca antes na história americana. O magnata, dizem eles, está seguindo o manual de instruções de todo autocrata em seu segundo mandato: está enfraquecendo os mecanismos de controle e equilíbrio de poder e tornando o país menos seguro. "Autocratas têm maneiras relativamente comuns de conquistar e exercer o poder", explica Paul Kolbe, ex-funcionário da CIA que trabalhou na antiga URSS e nos Bálcãs. "Para mim, tudo isso se assemelha ao que estamos vendo acontecer nos Estados Unidos", acrescenta. Mark Zaid, advogado de segurança nacional cuja autorização de segurança foi revogada por Trump, está convencido de que o presidente não vai parar: "Todas as barreiras de segurança foram removidas", afirma. "E acho que o pior ainda está por vir." (IHU)
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