Porque, ó meu São João, não convidaste as estrelas rodopiantes do céu de Upaon-Açu a dançar ao passo das matracas do Boi de Axixá para alumiar os cegos corações de quem se alimenta das turvas águas do Bacanga e do Anil?
Porque, ó meu São João, o hipnótico rufar dos teus tambores não comoveu Ogum a baixar, impávido, em quem nunca vibrou na vida, e naqueles corpos suados e transfigurados que só desmaiam pela fome, pelo cansaço e pela dor?
Porque, ó meu São João, ainda iludes as delirantes praças e seus exaltantes arraiais a acreditarem que ainda haverá um amanhã de sol quando, tu bem sabes, que os únicos lampejos nos céus de Gaia são só as flechas incandescentes dos seus temporais?