Certa
vez um ex-ministro da economia elogiou publicamente um ex-presidente da República,
seu opositor político, por ter ele tirado da fome mais de 30 milhões de pessoas, num breve espaço de tempo, com baixos investimentos e com alguns ajustes nos programas sociais. Sem mágicas, aquele mandatário mostrou que com pouco se pode
fazer muito em favor de quem passa fome, e que não pode ‘comprar’ comida. A
preocupação de Jesus no evangelho de hoje não é tanto com a falta de alimento,
pois Ele sabia que, mesmo mal distribuído, já se encontrava no meio da
multidão. A angústia do Mestre era, antes, ‘multiplicar o pão da compaixão e da
generosidade’ daqueles que têm abundância de comida, mas têm escassez de sensibilidade.Diante
do drama de um povo faminto, Jesus descarta, radicalmente, aderir à lógica do
mercado: comprar e vender; quem têm dinheiro, compra, quem não têm, passa necessidade. Entende que poucos pães e alguns peixes, - se, generosamente,
postos em comum, - poderiam saciar um grande número de famintos. Ao persuadir
pessoas, - geralmente egoístas e indiferentes, - a colocarem em comum a sua comida pessoal
em favor de todos, Jesus opera um verdadeiro ‘milagre’. Um gesto-sinal que, no entanto, está ao
nosso alcance! Que sejamos incansáveis multiplicadores e reprodutores de
compaixão e de justiça para os que têm fome e sede de equidade!
quarta-feira, 29 de julho de 2026
18° Domingo Comum - MULTIPLICAR COMPAIXÃO PARA QUE NINGUÉM PASSE FOME!
terça-feira, 28 de julho de 2026
"A Cisjordânia está sangrando, os colonos estão aterrorizando". Artigo de Padre Ibrahim Faltas
Na Terra Santa, a violência que nunca a abandonou está se intensificando novamente. Essa violência se estende a novos atos de vingança, aumenta o número de mortos e a destruição, diminui as perspectivas de paz e aprisiona mentes e corações atrás de arame farpado. A Cisjordânia queima, sangra e clama em dor e sofrimento. Assim como Gaza, a Cisjordânia é um território que perdeu sua noção de escala e limites, irreconhecível, uma terra dividida física e socialmente, devastada por feridas profundas e violada em sua identidade histórica. Cada canto desta terra sofre violência e destruição diariamente; cada habitante suporta dificuldades, limitações, sofrimento e humilhação que aumentam a cada dia.
Pessoas estão morrendo em uma guerra não oficial, não
declarada, porém contínua, constante e generalizada. A queima de casas e terras
é incontável; não é mais possível viajar de uma cidade para outra, ou mesmo
entre cidades próximas, para buscar atendimento médico de emergência,
trabalhar, ajudar parentes ou defender pequenas propriedades familiares
ocupadas e adquiridas ilegalmente por colonos autoritários e violentos. Recebo
inúmeros pedidos de ajuda para necessidades que se tornaram graves, perigosas e
difíceis de atender. Os inúmeros postos de controle — mais de mil — e postos de
controle móveis agora fazem parte de uma paisagem que antes definia a história
e a vida dos palestinos: trabalho nos campos, vastos olivais, animais pastando,
cidades, grandes e pequenas, repletas de sons, cores e vida.
Ao longo dos anos, os assentamentos cercaram todas as aldeias, todos os sinais e símbolos de coexistência. A vida palestina é permeada pela violência, mas eles não a acolhem; pelo contrário, a sufocam. Abafam as esperanças dos jovens que nem sequer conseguem imaginar o seu futuro, destroem as expectativas daqueles que trabalharam incansavelmente para construir o passado e o presente, e destroem os sorrisos e os sonhos das crianças que veem a sua terra devastada, reduzida a nada e desprovida de cor. Pais impossibilitados de levar seus filhos ao hospital para cuidados frequentes, filhos impedidos de reencontrar seus pais idosos e doentes, pais detidos em postos de controle que os impedem de ir trabalhar: essas são situações que se repetem há meses, até mesmo anos, na Cisjordânia. As pessoas estão desesperadas e aterrorizadas pelas inúmeras incursões de colonos que, impunemente, semeiam medo e terror entre os pobres, que não encontram refúgio nem mesmo em suas próprias casas.
Os apelos urgentes do Santo Padre pelo fim
da violência devem ser ouvidos tanto por aqueles que a perpetram quanto por
aqueles que se omitem em intervir para deter essa espiral interminável. As
eleições anunciadas e agendadas para os próximos meses em Israel e na Palestina devem trazer um novo equilíbrio
e verdadeira justiça para ambos os povos. A esperança de que o curso da
história possa ser mudado não abandona aqueles que têm fé e confiança no Senhor.
A geração mais conectada de todos os tempos nunca esteve tão sozinha. Artigo de Josiane Tonelotto
Nunca uma geração teve tanto acesso à informação, entretenimento e conexão com qualquer parte do planeta. Basta um toque para falar com alguém do outro lado do mundo ou acompanhar a vida de milhares de pessoas. Ao mesmo tempo, nunca se relatou tamanha sensação de vazio. Esse paradoxo é um dado que merece muita atenção. Já em 2019, antes da pandemia, a Organização Mundial da Saúde registrou que cerca de 14% dos adolescentes no mundo tinham algum transtorno mental.
O suicídio respondia por mais de uma em cada cem mortes nessa faixa etária. A Covid-19 não criou o problema, mas o tornou visível e de forma brutal. No Brasil, estudo da Fiocruz publicado em dezembro de 2025 com dados do SUS mostrou que jovens de 15 a 29 anos têm o maior risco de suicídio do país: 31,2 por 100 mil habitantes, acima da taxa geral de 24,7. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2024, do IBGE, com mais de 118 mil estudantes de 13 a 17 anos, divulgada em março de 2026, revela que 3 em cada 10 adolescentes se sentem tristes sempre ou na maior parte do tempo. Quase um em cada cinco diz que a vida não vale a pena. São números dolorosos que, mais do que conhecer, precisamos compreender. O sofrimento dessa geração não é fraqueza nem modismo. Tem causas concretas, que se sobrepõem no período mais delicado do desenvolvimento humano: a adolescência e início da vida adulta. Do ponto de vista biológico, neste momento o cérebro ainda está em plena reorganização. O córtex pré-frontal, responsável pelo controle emocional e pela tomada de decisões, só atinge maturidade por volta dos 25 anos. É também o período em que cada jovem busca responder, as vezes sem apoio suficiente, às perguntas mais difíceis da vida: quem sou, o que valorizo, onde me encaixo. Essas perguntas sempre existiram. O que mudou profundamente foi o ambiente em que precisam ser respondidas: um ambiente de comparação permanente, pressões aceleradas e vínculos cada vez mais frágeis.
Esse período de vulnerabilidade biológica coincide com transformações tecnológicas, culturais, familiares e institucionais mais rápidas do que nossa capacidade coletiva de resposta. Os jovens não estão piores do que os de gerações anteriores: enfrentam condições mais complexas, com menos suporte do que precisam e uma profusão de estímulos informacionais, justamente no momento do desenvolvimento em que são mais vulneráveis. Esse é um terreno fértil para o adoecimento. Ansiedade e depressão são hoje os transtornos mentais mais comuns entre jovens, com crescimento expressivo no consumo de antidepressivos, inclusive por automedicação. O sinal de alerta está aceso. A pergunta que se impõe não é apenas o que está acontecendo com os nossos jovens, mas sim o que estamos fazendo, ou deixando de fazer, para mudar esse quadro.
Cuidar da saúde mental dos jovens não é tarefa exclusiva de
especialistas. É uma responsabilidade coletiva: validar emoções em vez de
minimizá-las, criar espaços reais de escuta, permitir que a frustração faça
parte da vida, porque ela faz, e compreender que resiliência não é ausência de
sofrimento, mas a capacidade de atravessá-lo e seguir. Uma geração que não
aprende a lidar com o que sente não encontrará, no futuro, recursos para lidar
com o que viver.
quinta-feira, 23 de julho de 2026
COMUNIDADES CATÓLICAS DE AÇAILÂNDIA NO DIA 26 DE JULHO CELEBRAM MAIS UMA 'FESTA DA COLHEITA'
FESTA
DA COLHEITA 2026 – MORADIA E POLÍTICAS PÚBLICAS
Não existe colheita se não há frutos! Como celebrar a Festa da Colheita se há escassez de frutos porque não houve verdadeira semeadura, ou por ela ter sido inadequada?
Muitos de nós que vêm se engajando e
participando da tradicional Festa da Colheita que, há mais de 10 anos a igreja
católica da região pastoral de Açailândia vem promovendo, gostariam de saborear
alguns frutos das Políticas Públicas que são implementadas no nosso território.
Infelizmente, estamos submetidos a uma espécie de jejum forçado. Constatamos
uma grave escassez de frutos maduros quanto ao reconhecimento concreto dos
nossos direitos à habitação, à educação, à saúde, às infraestruturas, ao ambiente,
à assistência para quem produz e trabalha na terra.
O tema da Festa da Colheita – Moradia e Políticas Públicas, - deste
ano se transforma num grito de alerta para que os gestores públicos do nosso
município despertem, e cuidem conosco do imenso solo que somos nós, cidadãos e
cidadãs de Açailândia!
Em primeiro lugar a moradia, - que é o tema central da
Campanha da Fraternidade deste ano, - entendida como espaço não somente físico,
mas como lugar humanizador de direitos.
Moradia
como ‘manjedoura acolhedora’, onde nos sentimos aliados uns dos outros,
protegidos e amados. Onde deveríamos experimentar respeito e paz, segurança afetiva
e alimentar, moral e ambiental, para nós e para os nossos filhos.
Lamentavelmente, constatamos que a
maioria absoluta das nossas moradias carece ainda de saneamento básico, de água
potável, de calçamento adequado, e iluminação pública suficiente, entre outros,
no entanto os valores das taxas públicas que temos que pagar, mensalmente, chegam
a ser escorchantes. Muitas das nossas famílias ainda não possuem casa própria,
vivem precariamente, sem documentação, e de aluguel, cujos valores aumentam a
cada dia.
Em segundo lugar, o prato das Políticas Públicas que nos é servido
pela administração municipal e estadual comprova que faltam aquelas ‘primícias
essenciais’ que ardentemente almejamos, e que desde há muito tempo nos foram
prometidas.
Muitas famílias gostariam de colher e de
se fartar dos frutos maduros de um sistema educacional abrangente e de
qualidade; de um acompanhamento atencioso à saúde preventiva, - principalmente
para os mais fragilizados, - e no atendimento médico-hospitalar digno; de uma
implementação urgente e definitiva de um sistema de saneamento básico para
todos e, enfim, de mecanismos efetivos para combater e evitar a poluição que
vem destruindo vidas.
Que nesta Festa da Colheita nos sintamos autênticos semeadores,
dedicados, e conscientes de que temos muitas sementes boas para plantar no
nosso território. Que ninguém desperdice essas sementes e que ninguém se canse de
preparar adequadamente o ‘solo humano-espiritual’ de cada cidadão e
cidadã para que germine e floresça, abundantemente, a justiça, a paz, e o
BEM-VIVER!
17ª domingo comum - É preciso investir tudo no que dá sentido à vida!
O
verdadeiro dilema e desafio na vida é descobrir uma vez por todas o ‘verdadeiro
tesouro’ que dá sentido e que proporciona a alegria de viver. De fato, parece
que ao longo da nossa trajetória humana, à procura de felicidade, nos
equivocamos frequentemente nas nossas escolhas. Afinal, a felicidade jamais
pode ser o objetivo último; ela é, isso sim, o ‘salário-tesouro’ que ganhamos
ao vivermos plenamente aqueles valores com os quais nos identificamos. Jesus
deixa claro que ao descobrirmos o verdadeiro sentido da nossa vida temos que
ser radicais em subordinar tudo a ele. Lembra-nos que não pode haver nenhuma
tentativa de conciliação entre o que nos preenche de verdade com o que as nossas
ambições desviantes, muitas vezes, almejam. Se descobrimos, por exemplo, que
nos sentimos bem em nos doar, em servir, em acolher, em sermos honestos, em
estar próximos das pessoas, - mesmo experimentando carências e incompreensões,
- é imperativo renunciar, radicalmente, ao desejo de querer acumular,
mandar, manipular, e se preocupar só consigo mesmo. É preciso, portanto, fazer
um discernimento-separação como um bom pescador faz após uma pescaria, e escolher o que vive e dá
vida-felicidade, e não o que representa podridão, morte e vazio interior.
quarta-feira, 22 de julho de 2026
A praga das bets. Artigo de André Islabão
Agora que a Copa do Mundo acabou de maneira constrangedora para os brasileiros, um dos assuntos mais quentes é a discussão sobre a praga das apostas virtuais (as chamadas "bets") e os danos que elas causam à sociedade. Para quem ainda não sabe, o vício em jogo já é bem estabelecido como uma doença mental (o transtorno do jogo ou ludopatia) e pode causar tantos males à saúde quanto o vício em cigarros, álcool, drogas e outras tantas adicções.
Porém,
as chamadas bets representam algo muito mais pernicioso para a
sociedade, uma vez que a tentação está sempre presente na tela do smartphone ou
computador do usuário, o que garante que o vício seja perpetuado por meio de um
círculo vicioso alimentado por doses generosas de ganância e dopamina.
É basicamente como ter um traficante de drogas dentro de casa
e sempre à disposição.
As
histórias de pessoas que perdem as economias de uma vida em apostas
virtuais ou que cometem suicídio em decorrência disso têm aumentado de
maneira assustadora, não deixando dúvida de que o vício em bets representa um
problema gigante em termos de saúde pública. Para se ter uma ideia,
um levantamento nacional sobre o assunto mostrou que mais de 10 milhões de
pessoas apresentam problemas relacionados ao jogo no Brasil, muitas vezes
envolvendo as apostas virtuais, o que desencadeia doenças mentais graves e
dificuldades financeiras que envolvem não apenas o paciente e a família, mas
toda a sociedade.
As
pesquisas também mostram que o país gasta mais em apostas virtuais do que
em saúde
pública. O gasto com as bets em 2026 já passa de incríveis 30 bilhões
mensais, enquanto o orçamento mensal do SUS não chega a 20
bilhões. A simples observação desses números deixa claro que vivemos em uma
sociedade absurdamente adoecida. Para piorar, gastamos duplamente com as bets:
gastamos bilhões ao fazer as apostas e depois gastamos mais um tanto para
oferecer atendimento a uma população cada vez mais viciada.
Para
quem ainda acredite na lisura dessas apostas virtuais, é
interessante observar um estudo de 2023-2024 realizado pelo Itaú após
analisar, durante um período de 12 meses, as movimentações financeiras
envolvidas na jogatina desvairada: enquanto os brasileiros gastaram nada menos
que 68 bilhões em apostas, os prêmios arrecadados pelos poucos felizardos
somaram escassos 200 milhões. Ou seja, as casas de apostas embolsaram
descaradamente bilhões de reais dos jogadores incautos.
Mas
o problema mais grave envolvendo as chamadas bets e a sociedade talvez
seja a desfaçatez com que lidamos com o problema. Enquanto os profissionais de
saúde lidam diariamente com um número crescente de doenças relacionadas ao
vício em jogo, a sociedade segue aplaudindo exatamente aquelas pessoas que só
fazem piorar o problema, ou seja, todos aqueles que aceitam dinheiro das
empresas de apostas virtuais para fazer propaganda da jogatina e levar as
pessoas e a sociedade à bancarrota econômica e moral.
Essas
são as chamadas celebridades, aquelas pessoas que, muitas vezes por
motivos alheios ao bom senso, a sociedade escolheu para serem celebradas e
servirem de modelo à nação. Entre essas celebridades que
canhestramente emprestam seu nome e imagem para a exploração das bets estão
muitos jogadores de futebol, astros da música popular e apresentadores de
programas de TV. O que todos eles têm em comum, além de uma queda por ganhar
dinheiro fácil, é o descaso pelas consequências de suas decisões.
comentário do blogueiro - Tiro o chapéu para o craque de futebol francês, Mappé, que sempre vem se recusando a fazer qualquer tipo de publicidade em favor de Bets ou permitir o uso da sua imagem relacionada a essa praga....
terça-feira, 21 de julho de 2026
Indígena Guajajara é assassinado na Terra Indígena Canabrava no Maranhão
A
Polícia Civil do Maranhão instaurou um inquérito para investigar a morte do
indígena Gedequias Pereira Araujo Guajajara, de 35 anos. Ele foi
baleado no domingo (19), na Aldeia Jerusalém, em Jenipapo dos Vieiras. A
motivação do crime ainda é desconhecida. Segundo a polícia, Gedequias foi
baleado durante uma discussão em um bar e restaurante da comunidade. Familiares
o socorreram e seguiram em direção a Grajaú, mas ele morreu antes de chegar ao
hospital. A Polícia Civil apontou Manoel Ornilo Vieira Lopes como
o principal suspeito do homicídio. Ele fugiu do estabelecimento após o disparo
e ainda não havia sido localizado até a publicação desta reportagem. Indígena
morre após ser baleado durante discussão em aldeia no Maranhão. Os
levantamentos iniciais indicam que Gedequias e o investigado mantinham uma
convivência aparentemente pacífica. Até o momento, a polícia não encontrou
registros de desavenças anteriores entre os dois. A polícia vai apurar a
motivação e as circunstâncias do crime. Testemunhas que estavam no
estabelecimento durante a discussão também deverão ser ouvidas. (Imirante)
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Feminicídio aumenta, principalmnte na América Latina e Caribe
O Observatório
da Igualdade de Gênero da Comissão Econômica para a América
Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas registrou
19.254 feminicídios nos últimos cinco anos, ou seja, 11 mortes violentas de
mulheres por motivos de gênero todos os dias, uma a cada duas horas.
Em
2024, 14 dos 25 países com as maiores taxas relativas de feminicídio no mundo estavam localizados na América
Latina e no Caribe (ONU Mulheres e CEPAL), liderados por
Honduras, com 4,7 vítimas por 100.000 mulheres, seguidos pela Guatemala (1,9)
e pela República Dominicana (1,7). Este número não leva em
consideração a enorme subnotificação de dados, principalmente devido ao medo ou
à incapacidade de denunciar os crimes e, muitas vezes, à falta de confiança nas
forças policiais e no sistema judiciário, que é percebido como indiferente,
arrogante ou até mesmo conivente com os agressores.
Esses números superam em muito a média regional, que varia de 1 a 1,3 caso por 100.000 mulheres. Brasil e México lideraram a lista de países com o maior número absoluto de feminicídios, com 1.568 e 768 homicídios, respectivamente (2025). Quarenta e dois por cento dos ataques fatais são cometidos por um parceiro atual ou anterior, e o ambiente doméstico é a principal fonte de risco, particularmente para as mulheres entre 21 e 30 anos (22% dos feminicídios). Em 2025, em Honduras, o observatório do Centro de Direitos das Mulheres (CDM) registrou 936 ataques contra mulheres e meninas, incluindo 412 crimes sexuais e 262 feminicídios. Isso significa que, em Honduras, uma mulher ou menina é assassinada a cada 33 horas. Quarenta e seis por cento das vítimas têm entre 11 e 39 anos, representando um aumento de 49% em comparação com o ano anterior.
A maioria dos agressores fazia parte do círculo mais próximo das vítimas. Pela primeira vez, os crimes sexuais (44%) ultrapassaram os crimes contra a vida (31%), afetando principalmente meninas e mulheres jovens (297). Os relatos de violência doméstica totalizaram 41.895 e os de violência familiar chegaram a 48.642. Nos primeiros seis meses de 2026, a situação permaneceu inalterada. O Observatório registrou 126 mortes violentas de mulheres, uma a cada 34 horas. Em maio, oito mulheres foram assassinadas em apenas quatro dias, quatro delas menores de idade. Diante da gravidade da situação e da significativa subnotificação dos casos, o Centro de Direitos das Mulheres (CDM) e cerca de 20 organizações, coletivos e plataformas feministas e de mulheres se posicionaram, exigindo uma abordagem abrangente para a violência contra as mulheres.
“Esses
números não são estatísticas abstratas; representam vidas perdidas, famílias
destruídas e filhos e filhas crescendo sem suas mães. Cada estatística
representa um nome, uma história e uma comunidade que lamenta sua ausência.
Diante dessa realidade, nenhuma organização comprometida com os direitos das
mulheres pode permanecer em silêncio”, alertam em uma declaração conjunta.
Modo de vida dos povos indígenas é antídoto para mudanças climáticas, avalia geógrafo
Em
sua coluna no Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o
geógrafo Wagner Ribeiro, professor de pós-graduação em Ciência
Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), explica que as mudanças de temperatura e padrões de chuva, por exemplo, afetam diretamente a oferta
de alimentos de determinada comunidade.
“A temperatura mais elevada, por exemplo, vai alterar o ciclo biológico de algumas espécies que são consumidas. A fauna também muda. O pescado também muda, migra para outras áreas, às vezes águas mais quentes, às vezes águas mais frias, a depender da espécie. Então, não há dúvida de que as comunidades originárias acabam sofrendo mais duramente justamente pela sua relação com a natureza”, destaca. O estudo aponta ainda que a manutenção de modos de vida e culturas dessas populações por todo o mundo gera benefícios na conservação de biodiversidade. Nesse sentido, ressalta o professor, as políticas públicas de preservação desses territórios deveriam ser fortalecidas.
“Existem
trabalhos acadêmicos que mostram claramente que, nas terras indígenas,
a conservação de todo o ambiente é muito maior até do que você ter uma unidade
de conservação, por exemplo, fiscalizada por um governo estadual, municipal,
federal. Isso tudo representa justamente a manutenção dos ciclos
biogeoquímicos, que ocorre nessa área e que, muitas vezes, também tem
repercussão para outras áreas. Nós estamos falando, por exemplo, da floresta amazônica. Se você tem ali povos originários
vivendo em condição de menor agressão à natureza, eles conseguem manter a
floresta em pé, mantêm a possibilidade de reposição de chuvas, mantêm a
capacidade de sugar água do subsolo e, por meio da respiração,
também oferecer essa água para outras áreas, os rios voadores”, destaca Wagner
Ribeiro.
Apesar
de todas as evidências científicas, continua o geógrafo, infelizmente os povos
originários não têm o merecido reconhecimento e acabam sofrendo diversas violências. “A gente assiste à usurpação
de terras, à agressão, às vezes física, quando não verbal. A gente tem
acompanhado alguns episódios lamentáveis recentemente, inclusive envolvendo
autoridades de estados de destaque do Brasil, por exemplo, e quando, na verdade,
[os povos indígenas] deveriam ser reconhecidos pela importância dos
serviços ambientais e de manutenção dos ecossistemas”, defende Ribeiro. (IHU)
sexta-feira, 10 de julho de 2026
15 domingo comum - Não a semente, mas o solo-receptor é que faz a diferença!
Será
que as palavras, por si só, têm poder para motivar, seduzir e fascinar pessoas,
ou elas dependem, essencialmente, de quem as comunica? Seja o que for, Jesus parece sugerir um
outro caminho: as palavras e seus efeitos transformadores dependem de quem as
acolhe! Em outras palavras: podemos ter palavras-sementes de ótima qualidade,
serem proclamadas por hábeis e generosos ‘comunicadores-semeadores’, mas tudo
vai depender da abertura ou do fechamento de quem as escuta e acolhe! É,
afinal, a qualidade do ‘solo humano’, do receptor da palavra que faz a
diferença. A parábola hodierna nos mostra que o ‘semeador’ deixa cair,
paradoxalmente, sementes valiosas, de qualidade, em vários tipos de solos. Parece
não se preocupar em selecionar, previamente, o solo, nem analisar qual poderia
ser o mais apto, evitando, assim, desperdícios, e visando, unicamente, o seu
pleno aproveitamento. O semeador parece acreditar que todos 'os solos-pessoas', -
até os mais impróprios – possuem energia interna para fazer germinar a 'semente-palavra'.
Há, contudo, algumas condições para que isto aconteça:1. Não se deixar ‘sufocar’
jamais quando aparece a perseguição e a calúnia por manter fidelidade à palavra anunciada; 2. Jamais permitir
que a sedução da riqueza e do poder prevaleça; 3. Nunca desistir quando se experimenta medo e a angústia perante os conflitos e as turbulências da
vida. O nosso 'solo humano-espiritual' está pronto para tudo isso?
sexta-feira, 3 de julho de 2026
Festas juninas - Perguntas ao 'meu São João'....
Porque, ó meu São João, não convidaste as estrelas rodopiantes do céu de Upaon-Açu a dançar ao passo dos claríns do Boi de Axixá para alumiar os cegos corações de quem se alimenta das turvas águas do Bacanga e do Anil?
Porque, ó meu São João, o hipnótico rufar dos teus tambores não comoveu Ogum a baixar, impávido, em quem nunca vibrou na vida, e naqueles corpos suados e transfigurados que só desmaiam pela fome, pelo cansaço e pela dor?
Porque, ó meu São João, ainda iludes as delirantes praças e seus exaltantes arraiais a acreditarem que ainda haverá um amanhã de sol quando, tu bem sabes, que os únicos lampejos nos céus de Gaia são só as flechas incandescentes dos seus temporais?
14 domingo comum - Nada pesa para quem faz com amor!
Há fardos na vida que deixam de ser tais
quando compreendemos o sentido e o valor que eles escondem. Assistir um filho
ou uma mãe acamada, por exemplo, pode ser um peso fisicamente exigente, mas
pode se tornar um ‘jugo’ afetiva e moralmente leve. Compreender o valor da gratuidade
e da gratidão ou a generosa doação incondicional para com aqueles que precisam
de apoio, nos motiva a estarmos ao seu lado, custe o que custar. Para quem
entende isso não existe cruz pesada, nem jugo insuportável, nem sacrifício inútil,
nem destino amaldiçoado. As elites sacerdotais e os sabichões cegos da religião
oficial não podiam entender isso. Eles foram educados a manter uma relação
voltada única e exclusivamente para satisfazer um Deus supostamente desejoso de
sacrifícios e mortificações, e não para manifestar solidariedade e compaixão aos seus irmãos e irmãs! Jesus de Nazaré continua a nos alertar, hoje, que preceitos, celebrações,
liturgias e ritos, esses sim, se tornam verdadeiros jugos se ignoram que o único e
verdadeiro compromisso do discípulo é ouvir, acolher, confortar todos aqueles que
estão sendo esmagados sob o peso da indiferença, do abandono e da truculência dos
que alimentam a alienação do legalismo e do moralismo do templo, e da lógica perversa de quem
vive nos palácios.