domingo, 15 de janeiro de 2017

Indignidades e aberrações éticas enlameiam governo e País. CHEGA!

O colunista Janio de Freitas avalia que os líderes do PSDB, que articularam e avalizaram o golpe de 2016, são responsáveis pela indignidade moral que marca o governo Michel Temer, com escândalos como o de Geddel Vieira Lima; "Com a mesma obviedade, o que seria a entrega do governo a Michel Temer e seu grupo não ficou impressentido pela cúpula do PSDB, pelos Reales e Bicudos do impeachment. Tão responsáveis, hoje, quanto Michel Temer", diz ele

Jornalista Tereza Cruvinel demonstra "surpresa nenhuma" com a operação sobre o escândalo na Caixa Econômica Federal, envolvendo Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha; "E também não se registra qualquer indignação, qualquer panelaço, qualquer ato na Avenida Paulista contra a corrupção oceânica todo dia revelada", e que "até há poucos meses mobilizava milhares", observa; "O próprio presidente tem explicações a dar sobre recursos recebidos de empreiteiras. E no entanto, cadê as panelas? Cadê a Janaína Paschoal e os garotos amestrados pela cada vez mais revelada ação americana no golpe?", cobra Tereza, prevendo que "anestesias uma hora passam. (Brasil 247)

II Domingo comum - Cordeiros imbuídos do Espírito do Pai para libertar extirpar o ‘pecado de dominação do mundo (Jo. 1,29-34)

Nós humanos existimos e nos realizamos plenamente como gente só se procuramos acolher, proteger e amar os nossos semelhantes de forma livre e soberana. Quem segue exclusivamente seus próprios interesses e ambições individuais, querendo dominar e escravizar os outros, vai se dar mal. Experimenta vazio interior, permanente insatisfação, tristeza na alma e o sentimento angustiante de ter fracassado na vida. No evangelho de hoje, João nos apresenta Jesus como o ‘cordeiro que extirpa o pecado’ do mundo. O cordeiro, cujo sangue simbolizou no Egito do Faraó preservação e liberdade, representa no atual ‘Egito global’ –através de Jesus e da sua prática, - , a plena libertação das novas e refinadas formas de escravidão. As comunidades de João que vinham sofrendo perseguição brutal são convidadas a acreditarem no modo de agir/governar de Jesus (e não no do César) para serem poupadas pelos novos faraós, e para praticarem uma resistência que venha a derrubar quem ameaça vidas e direitos. Nós vivemos numa realidade em que é preciso reproduzir com urgência e radicalidade do jeito firme de Jesus em dar atenção e assistência aos doentes, aos idosos e crianças, aos sem teto e aos sem emprego. Os Herodes, Pilatos, Escribas e Saduceus de hoje não parecem nem um pouco inibidos em promover um sistema que corrói  direitos e esperanças. Andam semeando tragédias e falências múltiplas. Precisamos de mais ‘cordeiros’ que imbuídos pelo Espírito de Deus’ que segurem esse Espírito para terem mais coragem e ousadia em enfrentar a dominação exercida pelos donos do mundo sobre  corpos e almas. 

TEMER-ário intensifica o bombardeamento aos direitos indígenas e camponeses. Oh encomenda maligna!

Muito cacique para pouco índio. A tradicional expressão brasileira que sugere excesso de autoridades para um reduzido número de seguidores inverte-se na realidade vivenciada pelos índios na política nacional. Ausentes nos espaços de poder, os indígenas veem seus dramas se intensificarem, com a fragilização da Fundação Nacional do Índio (Funai), a ofensiva da bancada ruralista e o massacre de etnias impulsionado pela guerra de especuladores do agronegócio, percebida por muitos como a continuação de um genocídio. Resta aos indígenas lutar pelas reservas, mas mesmo essa solução está longe do ideal. O próprio conceito de reserva, centro do conflito entre indígenas e agricultores, não atende às necessidades dos povos. "Lutamos pela demarcação, mas a prioridade das comunidades é a sustentabilidade. Não adianta a terra estar demarcada e desassistida", diz o cacique Rafael Weere, liderança do PDT. "Vivíamos como nômades e agora estamos ilhados. Os recursos naturais diminuem e a população aumenta. O governo deveria nos garantir alternativas", afirma.(Carta Capital)

Pastores estão sendo indicados para assumir a Funai e grileiros para controlar o INCRA. Alguém já está com saudade dos milicos....Nem eles chegavam a tanto!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Prefeito de Guanambi (BA) entrega as chaves da cidade ao Senhor Jesus Cristo. Banalização do nome de Jesus expõe doença dos 'prefeitos da Bíblia'!

Recém-empossado prefeito de Guanambi (BA), Jairo Silveira Magalhães (PSB) deixou de lado os princípios do Estado Laico e determinou, em decreto, a entrega da chave da cidade “ao Senhor Jesus Cristo”. No documento, publicado no Diário Oficial do Município desta segunda-feira (2), ele declarou que todos os setores da prefeitura estarão sob “a cobertura do Altíssimo”. E ainda que “todos os principados, potestades, governadores deste mundo tenebroso e as forças espirituais do mal, nesta cidade, estarão sujeitas ao senhor Jesus Cristo de Nazaré”, continuou o texto assinado por Magalhães.Além disso, o documento assinado por Magalhães cancela em nome de Jesus “todos os pactos realizados com qualquer outro Deus ou entidades espirituais”. E afirma ainda, ao final, que a palavra do prefeito é irrevogável.Em resposta ao polêmico decreto, o procurador Rômulo Moreira, do Ministério Público da Bahia (MP-BA), fez uma representação, nesta quarta-feira (3), solicitando à Procuradoria Geral que entre com uma ação contra o prefeito considerando inconstitucional o decreto. Se o pedido for aceito, será impetrada uma ação no Tribunal de Justiça da Bahia. (Fonte:Carta Capital)

A questão do sacerdócio corporativo, por Eduardo Hoornaert.

Reproduzo parcialmente um interessante artigo do historiador e teólogo Eduardo Hoornaert. O artigo completo pode ser encontrado no seu blog pessoal. Vale a pena ler.

O movimento de Jesus nasce em oposição ao sistema sacerdotal corporativo, hegemônico na religião judaica da época. O jovem movimento opta pelo sistema sinagogal, de cunho comunitário. Os primeiros líderes do movimento de Jesus são chamados ‘mestres, profetas, doutores, rabinos, rabis. É um modelo sem templo nem sacerdócio, sem ritos nem ordenamentos, centrado numa ação alimentada pela leitura da Palavra de Deus na cotidianidade da vida. Até o Concílio de Niceia (325), não há distinção jurídica entre pessoas sagradas e profanas no seio do movimento de Jesus. Todos são leigos, entre os quais alguns se destacam como ‘mestres. Já no século II, muitos mestres passam a ser chamados ‘hereges’ (embora a palavra ‘heresia’, de início, não tenha nada de pejorativo, pois o termo grego significa ‘livre escolha’: os cristãos escolhem livremente os mestres que gostam de ouvir e acompanhar). O que isso significa? A pesquisa histórica mostra que a luta contra heresias frequentemente esconde a luta por um novo modelo de liderança na Igreja, um modelo hierárquico e corporativo. A partir do século VII, a ‘heresia’ está sob controle e o modelo sacerdotal corporativo reina soberana
Mesmo assim, há documentos que nos revelam que, por parte do modelo comunitário (o modelo dos mestres), sinais de resistência tenaz continuam aparecendo ao longo dos séculos.  Ainda no Concílio de Calcedônia, em 451, há um Cânone em que se declara que ‘a ordenação de um sacerdote que não mantenha um vínculo efetivo e duradouro com uma determinada comunidade, é inválida’ (Schillebeeckx, E. Por uma Igreja mais humana, Paulus, São Paulo, 1989) Por que considerar a sacerdotalização da organização eclesial um problema? É que importa prestar atenção ao vínculo entre a sacerdotalização e a formação corporativa. O clero é uma corporação e seu efeito sobre a igreja povo de Deus é deletério e corrosivo, desmancha aos poucos o vínculo comunitário. Em vez de se relacionar diretamente com uma comunidade concreta (como ainda se verifica no século V), o líder cristão passa a se relacionar em primeiro lugar com sua corporação. Ele se torna membro de um clero. Escuta antes o bispo que as pessoas de sua comunidade. Historicamente há de se reconhecer que o retrocesso sacerdotal provém fundamentalmente de forças que atuam dentro da Igreja (não vem só de Constantino, por exemplo, como se diz tantas vezes). É um processo que se estende por séculos e que provoca aos poucos uma mudança de mentalidade. Quando, em muitas comunidades, aparecem ritos e preces (em vez de leituras bíblicas e comentários), logo aparecem líderes que se comportam como sacerdotes e que tendem a formar uma hierarquia (o fenômeno dos ‘mini-padres’). Iniciativas comunitárias e movimentos contrários aos interesses da hierarquia são gradativamente abafadas e marginalizadas, quando não violentamente eliminadas.

Não é só o sistema carcerário....A justiça está falida!

"Quase 40% do total de presos no Brasil em 2015/16 nem sequer foram condenados. Quantos homens massacrados em Manaus e Bela Vista estavam jogados no inferno sem nem sequer um julgamento?", questiona a Laura Capriglione, dos Jornalistas Livres; "E as polícias militares seguem caçando nas ruas, superlotando de indivíduos suspeitos-padrão (isto é pretos, pobres, favelados) as celas das cadeias já superlotadas"
A secretária nacional de Direitos Humanos de Michel Temer, Flávia Piovesan, diz que uma das prioridades do país hoje deveria ser o combate "à cultura do encarceramento", que prega a prisão a torto e a direito de criminosos, em vez da adoção de penas alternativas; Plano Nacional de Política Criminal e Penitenciária, lançado no governo de Dilma Rousseff em 2015, já mostrava que "entre os anos de 1990 e 2014 a população prisional aumentou 6,7 vezes, passando de 90 mil pessoas presas para 607 mil"; no mesmo período, no entanto, "os homicídios quase dobraram", de 31.989 para 50.806

domingo, 1 de janeiro de 2017

1 de janeiro - Maria, mãe da Divina Humanidade

Deus não pode ser gerado. Ele é Plenitude existente desde sempre. Como poderia, então, ter...uma mãe? Por que a igreja nos convida a celebrar a festa de Maria Mãe de Deus? Por uma razão simples e lógica. Jesus foi o Imensamente Humano que revelou o divino infinito que está desde sempre em Deus. A humana Maria gerou e educou o seu filho Jesus a ser profundamente humano por ela compreender que na plenitude da sua humanidade estaria revelando o divino que não vemos. O divino gera o humano, e este, por sua vez, dá sentido e visibilidade ao divino que está presente em cada ser humano. Maria não é uma geradora biológica de ‘Deus’, e sim uma geradora e uma educadora aos valores humanos que só podem ser divinos. A benevolência de Deus para com os ‘impuros’ pastores no evangelho  subverte a tradição e a crença da religião interesseira, e introduz a lógica da misericórdia divina, em lugar da punição. Esse modo de proceder deixa perplexidade em todos, inclusive em Maria, pois o que devia ser marginalizado e excluído pela religião é acolhido e valorizado por Deus. Maria mesmo sem compreender não se fecha à lógica de Deus e começa a educar Jesus a se tornar o misericordioso que acolhe os que são colocados para fora das igrejas, dos templos e dos palácios. Deus em Jesus se torna o HUMANO visível. Para que sejamos em 2017 e sempre os DIVINOS HUMANOS!