terça-feira, 14 de novembro de 2017

Golpe criou mais desempregos entre trabalhadores negros

Levantamento do Dieese mostra que o impacto da crise econômica e da alta do desemprego nos últimos anos foi maior entre a população negra; de 2015 para 2016, a taxa de desocupação entre os negros na Região Metropolitana de São Paulo aumentou de 14,9% para 19,4%, enquanto a dos não negros subiu de 12,0% para 15,2%; estudo reafirma também a desvantagem salarial dos trabalhadores negros. Em geral, eles recebem apenas 67,8% do que ganham os brancos

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Forte terremoto faz numerosas vítimas no Irã e Iraque

Um forte terremoto, de 7,2 graus na escala Richter, foi registrado neste domingo na fronteira entre o Irã e o Iraque; imprensa local informou a morte de pelo menos 200 pessoas e cerca de 1.500 pessoas feridas após o evento; cerca de 70 mil pessoas teriam ficado desabrigadas

Igreja católica do Brasil chama movimentos sociais para reagir e garantir Terra, Teto e Trabalho para Tod@s

"Embora pareça, o Brasil não é um país adormecido diante do avanço dos retrocessos da era Temer. A Igreja Católica, que teve papel tão relevante na luta pela democracia, está buscando um maior alinhamento com os movimentos sociais na luta contra a espoliação dos direitos e o aprofundamento das desigualdades e injustiças sociais", escreve a colunista Tereza Cruvinel; neste domingo, o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal dom Sergio da Rocha, reuniu-se na sede da Cúria Metropolitana com líderes e representantes de diversos movimentos sociais no “Encontro de Diálogo”, primeiro de uma série de eventos em busca de maior sinergia entre a Igreja e os que lutam pelos “três Ts”: Terra, Teto e Trabalho

O falso mito da 'democracia racial brasileira'....em números

A Oxfam, entidade humanitária  que combate a pobreza e promove a justiça social, estima que levará mais de 70 anos para negros e brancos terem rendimentos semelhantes no Brasil; segundo relatório da entidade, em 2015, considerando todas as rendas, brancos ganhavam, em média, o dobro do que ganhavam negros: R$ 1.589 em comparação com R$ 898 por mês; em 20 anos, os rendimentos dos negros passaram de 45% do valor dos rendimentos dos brancos para apenas 57%

Eleições 2018 - Direita brasileira sempre mais desesperada, sem rumo e sem candidato

"Com o gesto kamikaze de Aécio para salvar a própria pele, o partido paga a conta de sua cumplicidade com os bandidos que assaltaram o poder em 2016 e fica reduzido a um saco de gatos incapaz de se mobilizar como alternativa de poder", afirma o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão; "Aliar-se ao Sr. Temer foi bom para destruir direitos e criar uma terra arrasada do lado de quem poderia resistir a seu apetite ilimitado por porções orçamentárias de Leão. Mas não é uma alternativa sustentável no médio prazo, dada a impopularidade avassaladora da corja que representa", avalia; para ele, "a saída para a extrema direita parece ser o caminho natural para garantir a continuidade da irrigação de sua plantação financeira. E Bolsonaro logo se apercebe que tem que investir no discurso das 'reformas' para confiscar essa bandeira do governo golpista e se estabelecer com alternativa para o 'mercado'"

sábado, 11 de novembro de 2017

Domingo XXXII – Sem o óleo das boas obras não podemos construir a nova aliança com o Esposo Jesus ( Mt. 25, 1-13)

Quando não temos como provar, concretamente, que amamos e admiramos alguém, muitas vezes nos escondemos atrás de belas declarações. Achamos que ao elogiar e falar belas palavras a uma pessoa podemos convencê-la que somos sinceros. Se essa astúcia pode dar certo com os humanos, com Jesus não pega. Repetidas vezes Ele nos lembra que ‘não é aquele que diz ‘Senhor, Senhor’ que entra no Reino dos Céus, mas quem faz a vontade do Pai’. A parábola de hoje vai no mesmo rumo. Ou seja, não adianta querer ir ao encontro do esposo Jesus, - construir o Reino de Deus, - se não temos conosco ‘óleo’, as práticas concretas de amor e compaixão. A narração não quer nos alertar simplesmente sobre a necessidade de vigiar, quanto sobre a necessidade de possuir o combustível necessário para sermos aceitos pelo esposo que quer celebrar uma nova e grande aliança conosco. Jesus nos diz claramente que este óleo não pode ser pedido a alguém ou emprestado. É algo que a pessoa tem ou não tem. As boas obras ou as iniquidades são algo próprio de cada pessoa. Não adianta, portanto, oferecermos belas orações e solenes liturgias achando que podemos agradar ao esposo. Ele dirá que não nos conhece! O que realmente vale é sermos construtores de paz e de misericórdia. Este é o ‘óleo’ que permite realizarmos com Ele o mundo novo que Deus quer para todos.

ALDERICO LOPES GUAJAJARA, O SÁBIO CACIQUE DOS DOIS MUNDOS


Alderico Lopes Guajajara entrou definitivamente na história do povo Guajajara e do povo de Grajaú, Maranhão, Brasil. Ele, na verdade, já tinha entrado ao ser um dos grandes protagonistas das principais reivindicações desse povo, nesses últimos 40 anos. A sua morte chegou um tanto inesperada, em Imperatriz, onde havia sido levado pelos familiares, após mais uma crise de mal estar generalizado. No dia 9 de novembro às 6,30 da manhã, aos 83 anos, deu o seu último suspiro, melhor dito, repassou o seu sopro vital a todos aqueles que queiram dar continuidade ao que ele realizou enquanto ‘guerreiro’ perspicaz e mestre iluminado de vida. Comoção, dor, e sentimento de abandono tomaram de conta não somente dos familiares, mas de um número incalculável de indígenas da região de Grajaú e de cidadãos ao ser velado, inicialmente, na Câmara Municipal, posteriormente na aldeia Chapadinha onde vivia ultimamente, e enfim, na aldeia Bacurizinho, onde havia passado a maior parte da sua vida. 

É sempre difícil traçar um perfil objetivo e exaustivo de um personagem como Alderico, no momento em que nos sentimos ainda inconsolados com a sua ausência, e por perceber que a sua história pessoal se funde com a do seu povo Guajajara e com a de outros povos indígenas do Maranhão. Aqui queremos colocar, de forma sintética, o que desde o nosso ponto de vista Alderico representou, não somente para os Guajajara, mas também para a sociedade local e para algumas instituições. 
Alderico, talvez seja um dos principais líderes carismáticos Guajajara que compreenderam as mudanças sociais e políticas que vinham ocorrendo de forma incisiva no Brasil e no Maranhão a partir, principalmente, da década de 80. Mudanças de sistema de governo (democratização), emergências dos movimentos sociais e indígenas, imposição de ‘grandes projetos econômicos’ (Carajás e outros) que incidiam na vida cotidiana das aldeias. Encolhimento crescente dos poderes da FUNAI, introdução de aposentadorias e assalariamentos de indígenas que impactavam enormemente nas relações internas, etc. Em lugar de condenar de antemão o que vinha ocorrendo no Brasil e no Estado, Alderico e um grupo significativo de Guajajara buscaram encontrar o seu papel e o seu espaço nas novas mudanças estruturais e nas composições sociais e políticas regionais e nacionais. Essas lideranças Guajajara perceberam que naqueles momentos centrais da vida nacional se jogava o futuro da nação Guajajara: o seu protagonismo no cenário macro regional ou a triste perspectiva de ser relegada a nação periférica. E não deixaram para menos: houve já no final dos anos 70 e início dos anos 80, mobilizações indígenas significativas para arrancar dos coronéis de Brasília a demarcação e a homologação de seus principais territórios. Se os Guajajara do Maranhão, hoje, têm praticamente todas as suas terras demarcadas e homologadas foi graças também à incansável luta e mobilização desse núcleo central de lideranças Guajajara da região de Grajaú/Barra do Corda de quem Alderico fazia parte.
Outro ponto central que podemos destacar do legado que Alderico deixou está relacionado ao papel que ele exerceu como grande mediador entre as duas culturas regionais: a Tupi-Guajajara e a sertaneja/nacional/brasileira (definição não muito rigorosa, mas só para nos entender....). Em geral, nas cidades onde há uma forte presença indígena os preconceitos, a desconfiança, as sutis e patentes formas de racismo por parte dos não-indígenas se manifestam com mais intensidade e brutalidade. Grajaú não escapa disso. Quando isso ocorre é imprescindível que surjam pessoas carismáticas de ambas as partes que com coração livre, desprendido e tolerante rompam a espiral do medo e do preconceito e iniciem um diálogo aberto e sincero entre si. Talvez Alderico, melhor do que qualquer um tenha realizado esse papel na região. A sua personalidade de homem sábio, perspicaz, e arguto observador do ser humano, demonstrou ser possível o diálogo entre pessoas de culturas diferentes. Não a rivalidade e a disputa, e sim a capacidade de ouvir o outro, de respeitar e de se compreender mutuamente. Alderico percebeu que para entender a complexidade da cultura regional e ser socialmente aceito pelos ‘Karaiw’ não precisava vender-lhes a própria alma e nem o patrimônio indígena. Era preciso, antes de tudo, se apoderar de sua língua e de seus códigos culturais para melhor interagir e melhor se proteger. Ele não só se aplicou e se alfabetizou, - já em fase adulta, - bem como se tornou professor bilíngue de muitos indígenas, inclusive de seus próprios filhos. Alderico, - e com ele, hoje, muitos indígenas da região, - são perfeitos bilíngues, mas acima de tudo, sabem transitar sem subserviência, nos dois mundos, participando ativamente, e sem deixar ou se envergonhar de sua identidade originária. Pelo que conheço, a macro-região de Grajaú talvez seja hoje a única que melhor aplicou a assim denominada ‘interculturalidade’. Claro que esse processo está em permanente construção e que ele nem sempre se deu de forma pacífica e sem tensões. Alderico teve que engolir muitos sapos, mas soube ser firme sem ser intransigente ou intolerante. Isso o ajudou enormemente a aparar arestas internas e externas e superar potenciais conflitos que, diferentemente, teriam eclodido em confrontações trágicas. Nos acirramentos de ânimos, no recrudescimento da intolerância cultural e étnica, e nas variadas formas de prevaricação a que assistimos nos nossos dias, o testemunho de Alderico nos ajuda a renovar a nossa fé na força do diálogo, na escuta do outro, mas também na firmeza em defender direitos e dignidades, pois isto permanece inegociável. 
Os renovados interesses particulares de madeireiros e empresários do agronegócio, as constantes ameaças, os numerosos abusos de toda ordem que impactam sempre mais nos territórios indígenas e em suas populações, associados à negligência estrutural do Estado nacional com relação aos direitos essenciais dos povos indígenas, bem como a triste fragmentação dos movimentos indígenas e as não raras disputas entre lideranças deveriam nos motivar a recolher a herança cultural, espiritual e humana que Alderico nos deixou. Ele nos ensina que as divergências e diferenças são salutares e que não precisam se transformar em disputas e conflitos para suprimir o outro. Que para dialogar temos que respeitar, escutar e entender os sonhos, os interesses, as angústias, a cultura do outro, sem achar que o outro é, necessariamente, o nosso rival e inimigo. Que as conquistas na vida, sejam elas coletivas ou pessoais, exigem paciência histórica e negociação permanente, onde a herança cultural e espiritual dos nossos antepassados seja o cimento que vem a consolidar a construção de uma sociedade multiétnica  e participativa. Obrigado, Alderico!