quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Massacres na Síria. A bola da vez. Núncio Apostólico faz revelações horripilantes!


Ainda massacres na Síria. Outras 130 pessoas perderam a vida nos últimos dois dias, vítimas da repressão. Sobre a emergência humanitária que está vivendo o povo sírio o Núncio Apostólico em Damasco, Dom Mario Zenari.falou à Rádio Vaticano.

.....Na segunda-feira, contatou-me um sacerdote de Homs para me dizer que ele não podia sair às ruas, onde há cadáveres de soldados, de civis, onde há feridos; é muito arriscado sair às ruas e recolher os feridos, os corpos das vítimas. Quando retornei segunda-feira a Damasco, fora do aeroporto, havia grupos de mulheres, vestidas de preto, e o sacerdote sírio que me acompanhava disse que se tratava de uma manifestação de luto, saudamos essas pessoas, e trocamos algumas palavras. As muilheres eram parentes de soldados cujos corpos estavam prestes a chegar: 12 soldados mortos no conflito.

....Fiquei impressionado ao ver as crianças vítimas deste conflito. O UNICEF fala de 500 crianças mortas. Alguns dias atrás eu li uma notícia sobre um bebê de apenas 10 meses, que foi pego junto com toda a sua família, se não erro 17 pessoas, em uma cidade perto de Homs: toda a família foi colocada na parede e metralhada, incluindo o bebê de 10 meses. Quantas dessas histórias se conhecem e se pode ver as imagens. A situação humanitária é grave, especialmente em certos lugares, como a cidade de Homs, onde há uma forte crise: faltam alimentos, medicamentos, é difícil socorrer e curar os feridos, enterrar os mortos. Há também os sofrimentos de todas as pessoas neste país. Fala-se de milhares e milhares de desabrigados, de pessoas que vivem com graves dificuldades devido à falta de gêneros de primeira necessidade. Muitas vezes falta luz e outras coisas necessidades, mas eu diria que neste clima tão triste, tão doloroso, se quisermos ver também um pouco, o outro lado da moeda, é bom ver a solidariedade internacional, um pouco em todos os níveis....’ (Fonte: Rádio Vaticano)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Foi dada a largada para as celebrações dos 400 anos. 400 anos de que, mesmo?


Sábado, 25 de fevereiro, no Castelinho, foi dada a largada solene às celebrações dos 400 anos da chegada do ‘evangelho’ ao Maranhão. Para a igreja católica parece ser isso. E, talvez, alguma coisa mais! Para outras instituições ou setores da sociedade certamente serão outros 400...Tipo: 400 anos da chegada dos europeus (se bem que os espanhóis já haviam pisado o nosso solo maranhense bem antes!); 400 anos de colonialismo e dominação; 400 anos....de ‘sei lá mais o que’.... É um fato que a fatídica data acaba congregando, embora com diferentes interesses e objetivos, estado e igreja. Trono e altar. Um ‘assemblage’ explosivo que se pensava definitivamente superado, mas que volta e meia vem à tona. Os 400 anos parecem quebrar aquela legítima separação, - mesmo que simbólica, - que se pensava consumada e enterrada. Os 400 anos parecem romper as legítimas autonomias e os convenientes ‘distanciamentos’ institucionais. No ‘Castelinho’, - que contava inclusive com a presença do ‘próprio’, à sombra do seu ‘irmão maior, o Castelão’- transformado pela ocasião em templo eclético, assistimos com certa perplexidade, simultaneamente, à execução dos vários hinos, ao hasteamento das várias bandeiras, à patética representação do primeiro encontro dos Tupinambá com os frades capuchinhos (da França, e não da Lombardia), ao planejado e já manjado 'descuido do primeiro cidadão’ da cidade na hora de receber a hóstia. Temia passar inobservado pelo povo dos fiéis e, claro, pela imprensa!

Bom, é difícil afirmar qual será o saldo de tudo isso depois de setembro de 2012. Gastos e investimentos, promoções e mobilizações tendo como pano de fundo os 400 anos serão com certeza uma bela vitrina para muita gente e uma excelente oportunidade para algumas ‘empreiteiras...amigas’.
Uma ocasião única para românticos oportunistas declarar o seu eterno e mal-disfarçado amor para uma cidade e para um Estado que sempre foram objeto de saque por gente de fora e de dentro. Cidade e Estado que foram palcos de derramamento de sangue de quilombolas e de índios, de lavradores, de funcioários públicos, de operários e de gente que, ‘estupidamente’, tem teimado em ficar do seu lado. Mais uma eternidade de justiça e paz para São Luis e o Maranhão!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

1º domingo de quaresma: SER TENTADOS É PRECISO! (Mc. 1,12-15)


Quantas vezes fizemos a experiência de sermos tentados! Tentados em desistir de lutar pelos nossos legítimos projetos e sonhos. Achando que jamais iríamos realizá-los. Tentados em desistir de acreditar e viver valores que sentíamos como algemas na alma. E que pareciam nos impedir de ‘sermos nós mesmos’! Tentados em desistir daquele ‘esforço sobre-humano’ constante de manter coerência e fidelidade a opções evangélicas de vida. E que freqüentemente as víamos como castradoras. Quantas vezes nos sentimos culpados só por sentirmos dentro de nós essa dupla tendência! Pois bem, era o Espírito que nos colocava em situação de sentirmos essas tentações no nosso coração! Sim, o mesmo Espírito que nos havia mostrado precedentemente a beleza de viver valores profundamente humanos e divinos! Parece existir um caráter profundamente pedagógico no modo de agir do Espírito. Ele nos chama para uma grande e bonita missão e, a seguir, nos testa dura e permanentemente. Para ver se possuímos condições e capacidades de fazermos frente ao que ela comporta. É o mesmo que nos conduz, - como conduziu Jesus, - aos desertos da vida. Para sermos permanentemente tentados e testados pelo ‘diabólico dispersor (v.12) O paradoxal é que o mesmo espírito que confirma Jesus na sua condição de ‘filho amado do Pai’ e o chama a anunciar a proximidade da realeza de Deus o leva a uma direção que parece negar o que acaba de fazer! Mas ser tentados é preciso! A tentação parece ser a ‘conditio sine qua non’, - a condição sem a qual - não podemos ser admitidos a fazer parte da grande missão de anunciar e testemunhar a iminente realeza de Deus.
Todavia, o fato de sermos tentados não significa sucumbir e aderir à ‘outra perspectiva’, a desistência da missão. Por isso Marcos nos apresenta um Jesus sistematicamente tentado sim (40 dias), - como o foi Adão e o povo de Israel no deserto, - mas rejeitando com firmeza a alternativa diabólica que os seus progenitores, ao contrário, haviam acolhido. É no deserto árido e tentador, longe do ‘jardim ideal’ e da ‘terra onde corre leite e mel’ que Jesus experimenta a plenitude da comunhão e da paz com Deus e com o universo (v.13). Para significar que a tentação faz parte da missão. Que não é algo escandaloso. O novo homem-Jesus-Adão entrando e saindo das tentações que não o abandonam se fortalece sempre mais. Testado e aprovado, sente-se mais capacitado e motivado para enfrentar novos ‘atentados’ à sua missão. Sempre mais consciente e seguro de si. E daquilo que o espera. O anúncio da ‘boa nova’ - o novo reino - que Ele começa a pregar e a realizar mediante gestos de acolhida, comunhão e compaixão para com os ‘pequenos/invisíveis’. Isto prova que o paraíso provisoriamente perdido pela adesão do ‘velho homem Adão-povo’ ao diabólico está sendo resgatado por Jesus de Nazaré. Este prova que é possível reconstruir o ‘sonho-paraíso perdido’. A hora chegou, o tempo se cumpriu. A HORA É AGORA!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O 'Lírio dos Mohawk' é a primeira índia santa da América do Norte!


“Uma grande honra para toda a América do Norte, mas de modo particular para os povos indígenas”. Assim a Conferência Episcopal Canadense expressa sua alegria pela próxima canonização de Catarina Tekakwhita, a primeira indígena americana a ser elevada às honras dos altares. Como anunciou Bento XVI no último sábado, o rito de canonização está fixado para o próximo dia 21 de outubro deste ano. A alegria pela futura Santa Tekakwhita é partilhada pelos bispos canadenses com seus irmãos norte-americanos: “Unimo-nos aos nossos irmãos e irmãs norte-americanos recebendo esta bonita notícia”, escreve numa nota o Presidente dos Bispos canadenses, Dom Richard Smith. “Como nos recordou Bento XVI – continua a nota – os santos e as santas ‘através seus diferentes percursos de vida, nos apontam diferentes itinerários de santidade, tendo todos um único denominador: ser Cristo e conformar-se com Ele, último objetivo de nossa peregrinação humana’ (Angelus, 1º de novembro de 2011)”.
Chamada “o lírio dos Mohawk”, a bem-aveturada Tekakwhita nasceu na metade do século XVII na atual cidade norte-americana de Albany. Uma epidemia de sarampo a desfigurou e cegou, sendo rejeitada pela sua etnia. Rejeitada também por causa de sua conversão ao cristianismo, se refugiou no Canadá e viveu seus últimos anos de existência em profunda oração. Enfraquecida fisicamente, Catarina faleceu aos 24 anos, enquanto os sinais do sarampo desapareciam de seu rosto. (Fonte: Ecooos)

Indígenas do Peru contestam acordo energético entre Brasil e Peru

Uma ação civil pública ajuizada na quinta-feira passada por uma organização indígena peruana contra o Congresso e o Ministério das Relações Exteriores daquele país demanda a suspensão do acordo energético entre Brasil e Peru assinado em junho de 2010, pelos ex-presidentes Lula e Alan Garcia. A Central Ashaninka del Rio Ene (CARE) entrou com a ação no Superior Tribunal de Justiça em Lima com pedido de liminar contra o acordo que prevê a construção de uma série de grandes hidrelétricas na Amazônia peruana pela Eletrobrás e empreiteiras brasileiras, afirmando que os empreendimentos violam os direitos de populações indígenas. "Os direitos à vida, à integridade, à liberdade, à terra e ao consentimento livre, prévio e informado são ameaçados, considerando que o acordo jamais foi objeto de consulta com os povos indígenas”, disse David Velasco, advogado da Fundação Ecumênica para o Desenvolvimento e Paz (FEDEPAZ), ONG peruana de assessoria jurídica. "A legislação peruana e internacional estabelece a obrigatoriedade de consultas prévias com povos indígenas no caso de projetos de desenvolvimento que afetem seus territórios, e isso não aconteceu." Milhares de indígenas, inclusive grupos não-contatados, e outras populações locais sofreriam deslocamento e outras conseqüências negativas da construção de hidrelétricas previstas no acordo, segundo a ação. O pedido de liminar visa a proteger os direitos constitucionais dos povos indígenas ao consentimento livre, prévio e informado sobre assuntos de Estado que possam ter impacto sobre os seus direitos. O acordo ainda não foi ratificado pelos parlamentos dos dois países. (Fonte: ADITAL)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quarta feira de cinza: filh@s do pó cósmico-divino, consciente e transformante!


Somos filh@s do pó. Do pó cósmico-divino. De um barro estrelar repleto de vida invisível. Somos comunhão com um universo – no qual estamos inseridos, - que pulsa como um pulmão humano. Que incha, inspira e se expande. E que expira, desincha e se retrai com ritmos e lógicas próprias. Do mesmo jeito que fazemos nós ‘Adãos e Evas’ juntamente com muitos nossos semelhantes e seres vivos que habitamos esse planeta. Somos filh@s-fruto da ‘quebra espontânea da simetria’ inicial entre fótons e bósons. Entre matéria e anti-matéria. Assim nos dizem os físicos. Filh@s de um duelo entre vida e destruição. Frutos, enfim, da ‘não lógica’, mas não do acaso. Como se um ‘alguém’, totalmente livre e não preso a essas rígidas leis físicas decidisse ‘quebrar’ aquela espécie de equilíbrio inicial instável e ‘inventar-criar’ algo inédito. Aproveitando brechas e se insinuando em comportamentos e movimentos ‘ilógicos’ do cosmos deu origem a um novo jeito de ser vida.

A quaresma/cinza/pó nos convida a alimentar a consciência de que somos ‘matéria consciente’. Um pó pensante, amante, transformante, celebrante. Que por termos a mesma origem da matéria cósmica produzida por Aquele que ‘rompeu’ a ‘lógica física’ que aprisionava novas formas vidas temos uma missão a cumprir. A missão de preservar todas as formas de vida que Ele planejou e que permitiu nascer. A missão de identificar quanto e quantos ameaçam com suas opções de vida o futuro dos seres vivos e chamá-los com vigor a ‘retomar/voltar’ à consciência de ‘pertença cósmica comum’. A missão de sermos ousados como o foi Aquele que rompeu a lei da ‘simetria espontânea’ e darmos origem a novas formas de convivências humanas.
Para não nos esquecer que por sermos filh@s do ‘pó cósmico-divino’ temos um dever ético de re-criar comunhão com o cosmos inteiro e salvaguardá-lo de tanta ‘anti-matéria humana’ destrutiva! Boa quaresma!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Cinza na cabeça e água nos pés!

Cinzas na cabeça e água nós pés
Curta é a distância da cabeça aos pés.
Só pouco mais de quarenta dias separam a quarta-feira de cinzas
do lava-pés da quinta-feira santa.
Bem mais longa, porém, é a distância que separa a nossa cabeça
dos pés dos outros.
E haja cinzas, quaresmas e desertos
para desconstruir nossas rígidas convicções,
posturas e práticas encrustadas
que nos afastam cada vez mais
das feridas do próximo
e da força libertária
do Evangelho de Jesus de Nazaré.
O mesmo Espírito
que conduziu Jesus ao deserto
“para ser tentado”,
nos empurre para lá também,
onde contemplarmos
a tenacidade de Jesus
e nos fortalecermos
no embate quotidiano contra as tentações
dos demônios pós-modernos.
(Tirado do Blog de Marcos Passerini)