Dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao governo federal, apontam a diminuição acentuada na desigualdade social brasileira. Apesar disso, o Brasil continua entre as 15 economias mais desiguais do planeta. Analistas reconhecem avanços, fruto dos esforços governamentais de distribuição de renda nos últimos anos, mas questionam a sustentabilidade dessas políticas e acusam falhas que dificultam a promoção da justiça social, como investimentos públicos insuficientes em educação e saúde. "Transferir renda para quem não tem traz resultados tanto políticos, como sociais e econômicos, mas os esforços do governo não tocam em alguns elementos estruturais da desigualdade no Brasil. As medidas que vêm sendo adotadas têm impacto de curto prazo, mas em longo prazo não permitem uma ascensão das classes mais baixas", observa Sérgio Costa, professor titular de sociologia da Universidade Livre de Berlim. Analistas questionam a atual pretensa sustentabilidade afirmando que o Estado prioriza a transferência de renda, se esquecendo de investir em estruturas básicas, que permitam o acesso da população mais pobre a serviços essenciais. "Não há investimento em outros tipos de medidas onde a ação do Estado é fundamental, como a promoção da educação pública de qualidade, do transporte público de qualidade", lamenta Sérgio Costa. Ele argumenta que, ao frequentar escolas públicas ruins, os mais pobres são "condenados a permanecer na mesma condição de classe. A economista Lena Lavinas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, lembra que as sociedades modernas promovem a igualdade através de uma infraestrutura social de qualidade, aspecto que tem sido deixado de lado na atual política federal. "O gasto social no Brasil é feito para transferir renda para as famílias e não para promover serviços", sublinha. "O governo brasileiro é muito preocupado em transferir renda, o que é importante, mas insuficiente. Os mais pobres não precisam só de renda, mas de oportunidades", destaca. "E os gastos públicos com educação, saúde, transporte e saneamento não crescem na proporção que deveriam." (Fonte: IHU)
sábado, 29 de setembro de 2012
Índios Tembé exercem direito de legítima defesa e tocam fogo em caminhões e tratores de madeireiros ilegais
Indígenas Tembé incendiaram caminhões e maquinários de madeireiros ilegais nesta sexta-feira, 28. A madeira era extraída ilegalmente da Terra Indígena (TI) Alto Rio Guamá, no trecho do território que fica no município de Nova Esperança do Piriá, no Pará, divisa com Maranhão. A terra foi homologada em 1993. "Eles tiram madeira de lá faz muitos anos. Não é de hoje", explica uma liderança indígena Tembé. Para o indígena, a ausência de uma política de Estado que proteja a terra faz com que a situação perca o controle. "A gente sempre avisa a polícia, às vezes pega a máquina, traz pra aldeia e avisa polícia. Mas aí o madeireiro entra na Justiça e a polícia acaba tendo que devolver, ele recupera a máquina e invade de novo. A única saída é tocar fogo", afirma. "Acontece que lá, os indígenas acabam fazendo vigilância por conta própria", explica Juscelino Bessa, coordenador técnico da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Belém. "Na quarta-feira [26], eles encontraram quatro caminhões, três tratores e duas caminhonetes [de madeireiros] e, pela primeira vez, destruíram os maquinários. Isso demonstra que a situação é bastante grave", expõe. Através de imagens de satélite, é possível observar que cerca de 50% da área já foi devastada. "O norte [da TI] já foi completamente depredado. O que ainda resta de madeira está na região sul, na divisa com o Maranhão", conta Juscelino. Em geral, os extratores de madeira são pequenos proprietários que trabalham para compradores de madeira. "Na verdade, quem retira são só testas-de-ferro. Estão à frente do serviço, mas tem outras pessoas por trás. É só você observar o investimento, os caminhões, tratores novos. Aqueles colonos não têm dinheiro pra esse tipo de equipamento". Indígenas, indigenistas e Funai temem uma retaliação por parte dos madeireiros. Os Tembé enviaram relatórios sobre os últimos acontecimentos à Funai, que por sua vez encaminhou denúncia ao Ministério Público Federal, e aguarda posição do Estado para realizar uma operação no território indígena.(Fonte: Porantim)
O importante é acolher e proteger 'os pequeninos'....venha de onde vier! (Mc.9,38-43.45.47-48)
Na provinciana e obtusa Galiléia um seu cidadão, Jesus de Nazaré, parece querer romper com a mentalidade e a prática clânica e sectária que vigorava à sua época. Desmascara sem inibição não só sentimentos de inveja, ciúmes, posse, superioridade, mas também o cego egocentrismo nada evangélico que domina os seus seguidores, de ontem e de hoje. De fato, quem de nós nunca se sentiu enciumado porque alguém reproduziu uma nossa ideia ou ‘plagiou’ uma nossa reflexão apresentando-a como se fosse de sua autoria? Quem não experimentou irritação ao constatar que alguém próximo de nós, que reputávamos possuir ‘menos autoridade ou preparação intelectual’ do que nós conseguiu mais resultados e sucessos na vida do que nós? Poderíamos continuar com infinitos outros exemplos que manifestam a nossa mesquinhez de viver e o nosso modo de nos relacionar com ‘os outros’. O evangelho de hoje mostra, ao contrário, uma dimensão humana de Jesus claramente antagônica à essa prática mesquinha de encarar a vida. Algo extremamente inovador para os padrões da época e para os nossos atuais onde, apesar de vestir o manto da globalização, continuamos profundamente ‘sectários e provincianos’.
Jesus, afinal, reconhece como aliados seus e da sua causa todos aqueles/as que independentemente da sua pertença social, política ou religiosa ‘expulsam os demônios do anti-reino, acolhem e protegem os pequeninos e não são instrumentos de escândalo’. Jesus, de forma inequívoca, declara que ‘todos aqueles que recebem um pequenino recebe não tanto Ele, e sim, Aquele que o enviou’. Indiretamente está afirmando que não é importante pertencer ao seu grupo e nem a uma determinada igreja ou religião. O importante, isso sim, é acolher, proteger e oferecer o copo da água da vida e da esperança ‘àqueles pequeninos’ que ninguém ou poucos sabem proteger. Para Jesus a primazia não está numa identidade clara e definida, nem numa hipócrita ostentação de um mandato formal e reconhecido oficialmente por quem quer que seja, mas na prática ética. Ou seja, na assunção de princípios e opções existenciais em que a frágil vida dos pequeninos é defendida de forma intransigente contra os inúmeros e poderosos ‘demônios humanos’. Contra todas as formas de escândalo e abuso que lhes nega o direito de viver, esperar e crer. Para Jesus os que cometem tais práticas negadoras de vida é preferível que sejam radicais consigo mesmo, agora. Que arranquem deles, enquanto ainda há tempo, a causa principal que lhes impede de serem aliados da causa de Jesus, não se importando com sua pertença formal. Amanhã, talvez, seja tarde demais!
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
BREVES....E TRÁGICAS!
Mais dois Guajajara mortos no Maranhão- Dois índios guajajaras foram assassinados na madrugada deste domingo (23), no povoado Auzilândia, que fica a 30 km do município de Alto Alegre do Pindaré. De acordo com informações da Superintendência de Polícia Civil do Interior, os assassinatos ocorreram após um desentendimento. Ainda segundo informações da polícia, foram apreendidas armas de fogo e uma arma branca. O autor do crime também ficou ferido e foi trazido para São Luís em estado grave. Ainda não se conhecem os reais motivos do duplo homicídio.
Desenvolvimento a qualquer custo afeta população indígena - De 82 obras de transporte previstas para estradas e hidrovias entre 2011 e 2014, ao menos 43 afetam uma ou mais terra indígena, direta ou indiretamente, seja seu território ou sua população. Em termos práticos, isso significa que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), órgão responsável pelas obras federais, tem que elaborar um plano básico ambiental (PBA) sobre o componente indígena para cada empreendimento que pretenda licitar. Procurado pelo Valor, o Dnit informou que, atualmente, tem sete PBAs indígenas em execução. Outros nove estudos, de acordo com um balanço da autarquia realizado até maio, estariam no cronograma.
Desenvolvimento a qualquer custo afeta população mundial - “Em um mundo mais quente, se nós não começarmos a agir, o conflito entre plantar milho para produzir combustível e para alimentação irá se tornar ainda mais intenso”, disse o ex-vice-presidente dos EUA dos governos Bill Clinton, Al Gore, destacando as altas nos preços dos alimentos nos últimos anos. Gore ressaltou ainda que as alterações no climáticas tendem a tornar difícil fazer previsões sobre o tempo, informações fundamentais para a agricultura. “A pertubação do ciclo biológico acabará com a possibilidade de se prever a ocorrência das chuvas”, disse, após demonstrar por meio de estatísticas que o planeta enfrentou nos últimos anos aumento nas temperaturas médias.
O ouro chamado madeira ilegal não conhece restrições - O comércio de madeira extraída ilegalmente na Amazônia, na África central e no sudeste Asiático movimenta de US$ 30 bilhões a US$ 100 bilhões por ano e é responsável por até 90% do desmatamento de florestas tropicais no mundo.O alerta foi feito ontem pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela Interpol, durante a divulgação do relatório Carbono Verde. De acordo com o levantamento, de 50% a 90% da exploração madeireira nos países daquelas três regiões é realizada pelo crime organizado, respondendo por até 30% do comércio global.
Milhões de seres humanos poderão morrer se não inverter rumos! - Mais de 100 milhões de pessoas vão morrer e o crescimento econômico global será reduzido em 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030 se o mundo fracassar no combate às mudanças climáticas, alertou um relatório encomendado por 20 governos divulgado nesta quarta-feira.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
TJ do Maranhão limpa os candidatos ficha suja
Dados do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) apontam que 72,54% das candidaturas que foram alvo de impugnação com base na Lei da Ficha Limpa acabaram sendo liberadas pela corte eleitoral maranhense. Do total de 102 processos que foram apreciados pelo Tribunal Regional Eleitoral através sob o prisma da Lei da Ficha Limpa, setenta e quatro tiveram o registro de candidaturas recebendo o aval do juizes do TRE maranhense, enquanto vinte e oito acabaram vetados. Tanto no caso das candidaturas que tiveram aval do TRE, quanto das que foram barradas pelo tribunal, cabe recurso a corte máxima, o Tribunal Superior Eleitoral(TSE). A Lei da Ficha Limpa estabelece que devem ter a candidatura vetada, as pessoas que sofrerem condenação confirmada por órgão colegiado, como os Tribunais de Justiça e os Tribunais Regionais Federais e também os candidatos cujas contas forem reprovadas pelos tribunais de contas. (Fonte: O Imparcial)
O grito ressoou
Não éramos muitos, mas significantes. Não éramos todos de um mesmo grupo, mas sim de uma mesma causa, embalando pela mesma indignação: como comemorar 400 anos de fundação de São Luís, quando a maioria de sua população vive em uma situação de total exclusão? Comemorar o quê? A pergunta ressoou e tornou-se um grito coletivo reunindo militantes, agentes pastorais, jornalistas, ateus, freiras, padre e juventudes.Uma capital comandada por uma oligarquia, um estado que vive em um sistema feudal, uma sociedade totalmente entregue a uma política de pão e circo e uma polícia ditatorial.Organizados para ocupar as ruas após o desfile oficial dos militares estávamos à espera de nossa hora de entrarmos na avenida e de uma hora para outra a polícia avança e quis a todo custo interromper qualquer registro do que estava acontecendo, neste furdunço - de repente -percebemos Ramon- membro das CEBs, jornalista da Rádio Educadora e integrante do Comitê Pe. Josimo- a ser pisoteado, arrastado, algemado e preso pelo braço armado do estado Maranhão (Polícia de Choque, GTA etc). Num ato imoral e repressor, prendeu uma das pessoas mais pacíficas só por estar exercendo o seu direito de liberdade de expressão e atuando como profissional.Quiseram sufocar o grito de toda aquela gente ali organizada, para que tanta polícia para um punhadinho de gente. A organização do povo ameaça tanto, por quê?Por que tanta violência com um jovem jornalista? Por que o cercaram? Por que o espancaram? Por que o prenderam?Será que a mesma sociedade que chorou pela morte do jornalista Décio Sá também se indigna com a violência com que foi tratado o jornalista Ramon Alves? Deixamos a pergunta no ar.O grito prosseguiu insistentemente na avenida e atrás do camburão da polícia até a delegacia da REFESA. Razões não se tinham para a prisão de Ramon, mas mil razões se têm para não dar nenhum passo atrás em prol de uma sociedade justa e libertária.Levante-se São Luís, solte seu grito, abaixo a repressão! Gritamos juntamente com Ramon quando ele foi solto ontem na delegacia e vamos grita mais alto ainda:grito dos 400 anos, por uma São Luís sem exclusão!
Irmã de Notre Dame de Namur e integrante do Comitê Pe. Josimo
sábado, 15 de setembro de 2012
Um messias humano, demasiadamente humano (Mc. 8, 27-35)
Frequentemente nos decepcionamos com pessoas que admiramos. A decepção, todavia, parece ser ditada mais pela nossa tendência em idealizar o ‘outro’ que admiramos do que pelas suas ações contraditórias. Temos dificuldade de encarar o outro estimado e admirado como um ser normal. Um ser sujeito às normais contradições da vida. A admiração pouca realista que alimentamos em relação à pessoa admirada nos leva a considerá-la uma espécie de super-homem sem defeitos, ou um anjo incapaz de cometer deslizes de qualquer tipo. Quando, porém, isso ocorre, experimentamos um forte sentimento de ‘traição’. Sentimo-nos enganados e manipulados quando a pessoa que admiramos e estimamos manifesta comportamentos que nós não aprovamos. Mesmo quando nós não somos diretamente afetados e prejudicados pelos seus gestos contraditórios. Essas reações que experimentamos diante de uma decepção com a pessoa que admiramos revelam, no fundo, que ao idealizá-la a colocamos numa espécie de redoma imutável. Num mundo irreal, inatingível. O admirado não poderá, na nossa idealização irreal, mudar de comportamentos e atitudes porque nós já o catalogamos e classificamos. Não poderá sair daqueles esquemas cristalizados em que nós o colocamos. Quando ele revela uma faceta do seu ser por nós desconhecida ou não plenamente partilhada e aceitada, sentimo-nos traídos e ludibriados. Entra em nós a decepção, a desconfiança e a insegurança.
Esta parece ter sido a mesma experiência de Pedro com relação a Jesus e que é narrada no trecho evangélico de hoje. Pedro havia construído na sua convivência com Jesus uma relação de profunda admiração por ele. Na sua idealização irrealista, - fruto também de suas ocultas ambições, - o via como aquele que ungido por Deus solucionaria poderosa e definitivamente os problemas estruturais de Israel. Recusava-se intimamente a encarar Jesus como um ‘ser normal’ sujeito às mudanças da vida, a sentir medo como qualquer um, e passível de ser derrotado e de fracassar em sua missão como qualquer humano. Pedro como outros da sua época, ao identificar Jesus como o ‘enviado de Deus’ atribuía-lhe simultaneamente todas as qualidades e funções próprias de um ‘salvador’ invencível. Jesus, porém, ao perceber o grau de idealização e ao mesmo tempo de ‘fechamento’ de Pedro em não querer compreendê-lo na sua plena ‘humanidade’ o traz de volta ao justo sentido da realidade. À sua verdadeira identidade e essência. Jesus é o enviado e ungido do Pai não porque é invencível e todo-poderoso, mas porque permanece fiel à missão do Pai precisamente na experiência do sofrimento desumano e na decepcionante derrota ministerial. Ao contrário, agimos de forma diabólica quando fugimos do sofrimento e da angústia que a fidelidade à missão comporta. Quando não permanecemos próximos das pessoas que sempre temos admirado na em que descobrimos a sua fragilidade. Uma fragilidade que sempre existiu nele, mas que nós nos recusávamos a vê-la e a aceitá-la porque indireta e inconscientemente revelava e denunciava a nossa. Que possamos descobrir quem nós somos ao fazermos a experiência da cruz, e nos capacitar a amar e acolher os que não sabemos quem são, mas que sabemos que carregam cruzes pesadas!
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