sábado, 25 de janeiro de 2014

3ª domingo comum - Na Galiléia dos pagãos, no caminho do mar, convocados para dialogar e reconstruir confiança no futuro que já chegou! (Mt. 4,12-23)

Muitas vezes tomamos decisões que marcam o resto da nossa vida a partir da ausência, do distanciamento ou daquilo que nós interpretamos ser o fracasso de pessoas próximas. Vivemos a dúvida e a indecisão até quando alguém que vinha significando muito para nós, por alguma razão se distancia ou, nós mesmos o fazemos para demarcar o nosso próprio espaço de atuação em relação a ele. É como se num determinado momento da vida quiséssemos nos emancipar de quem nos inspirou e motivou. Sem desprezar o que ele fez por nós sentimos que temos que partir para algo próprio e diferente do nosso inspirador. É o que ocorreu com Jesus! Jesus devia muito a João Batista. Havia sido ele a abrir seus olhos sobre a realidade de desigualdade e de dependência de Israel. E a sacudi-lo para que Jesus assumisse a sua responsabilidade de cidadão e de ‘enviado’ junto àquelas pessoas que eram esquecidas pelas elites e pelos ‘puros’ de Israel. Jesus, mesmo compreendendo e aceitando a sua nova consciência de servidor dos esquecidos no seu batismo, ainda não tinha tomado a decisão concreta de partir para um ‘vôo próprio’. Isto se dá, segundo Mateus, justamente quando João é preso. Quando Herodes e seus asseclas tentam silenciar o ‘leão que rugia no deserto’ contra os que produziam escravidão e medo. Jesus intui que um ciclo se havia completado e encerrado. Não somente porque de forma ilegal e violenta mandaram calar a boca de João, mas porque Jesus sente que Deus em lugar de castigar e de se vingar pela infidelidade de Israel, - como João pregava, - estava querendo lhe oferecer, de forma compassiva, uma nova chance de conversão e de graça. Jesus não se adaptou ao deserto como João. 

Jesus escolhe os centros habitados, onde havia gente para socorrer e convocar. Mais que isso. Escolhe uma aldeia em particular como sua nova residência. Uma aldeia de pescadores impuros da ‘Galiléia dos pagãos’, mas que tinha a ‘sorte’ de estar situada ‘no caminho que leva ao mar’. O caminho que favorecia o diálogo com novas culturas e experiências de vida. Numa encruzilhada existencial, onde as pessoas tinham que dialogar, cooperar entre si e optar. A escolha de Jesus implicou uma clara ruptura com o seu passado, com os conhecidos e bitolados parentes e co-nacionais de Nazaré. Significou também assumir o desafio de construir novas redes de relações humanas, de amizade e colaboração.  É nesse novo espaço que Jesus entra em contato com pessoas que partilham a sua mesma visão de mundo e os seus valores. Junto, o novo grupo, decide re-construir a sua própria autoconfiança abalada e tenta devolver a esperança ameaçada a numerosos invisíveis e esquecidos. No caminho pelo qual passavam mercadorias, estrangeiros e fiscais do Império, Jesus e o seu grupo inicia uma força-tarefa para dar um novo sentido para viver e lutar. Um modo inédito de viver e de administrar a vida. O modo de Deus, e não o de César! Cabe a cada um de nós se sentir chamado e convocado a reconstruir a paz agredida, e a proclamar que ainda temos chance de construir o 'modo de ser' de Deus! 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Sociedade - Oitavo pecado capital: desperdiçar alimentos!

Diariamente, 95,4 toneladas de alimentos vão para o lixo em Manaus, capital de um Estado onde 648,6 mil pessoas estão inclusas na faixa de extrema pobreza. A Secretaria Municipal de Limpeza (Semulsp) informou que recolhe diariamente 95,4 toneladas de alimentos nas lixeiras, em 39 feiras e mercados. Por mês, os alimentos desperdiçados somam 2.862,9 toneladas. Em janeiro do ano passado, a média mensal era 270 toneladas. O resultado do desperdício, também, pesa no bolso do consumidor. Quanto mais frutas, legumes, verduras e peixe no lixo, mais caro estes alimentos chegarão à mesa. Os apelos á sobriedade e ao combate ao desperdício parecem não mexer com a consciência de milhares de pessoas. O nosso país continua sendo campeão em desperdícios e estragos de grãos, principalmente pelas péssimas condições de armazenamento e transporte. Gerentes de supermercados ao invés de doar alimentos cujo prazo de vencimento está próximo preferem jogar para o lixo...Fome zero já foi lema para ‘inglês ver’!

Tráfico humano - A 90 Km de São Paulo trabalhadores escravizados são libertados e Haitianos são escravizados no 'civilizado' Brasil centro-sul

Quatro equipes compostas por auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, procuradores do Ministério Público do Trabalho, mais de 100 agentes da Polícia Rodoviária Federal, técnicos do Instituto Florestal, representantes da Advocacia Geral da União e da Justiça do Trabalho realizaram nesta terça-feira, 21, uma megaoperação de fiscalização em carvoarias no interior de São Paulo, a cerca de 90 km da capital. Além de infrações ambientais, as autoridades flagraram também trabalho escravo e infantil na produção de carvão que abastece supermercados e churrascarias da capital e de cidades do Estado. Segundo o primeiro balanço parcial da fiscalização, foram identificados 19 casos de exploração de trabalho escravo e dois de trabalho infantil em Piracaia (SP), além de quatro casos de trabalho infantil em Joanópolis (SP) e um em Pedra Bela (SP). 


O Haiti é o país em que ocorreu a mais famosa revolta de escravos durante o período colonial. Em 1791, milhares de pessoas começaram uma revolta que culminou na abolição da escravidão do país, tornando-se o primeiro do mundo a abolir a prática. O processo abalou proprietários de escravos em toda a América e inspirou diferentes mobilizações em outros países. Mais de dois séculos depois, haitianos voltam a ser escravizados, agora no Brasil. Ao todo, 121 migrantes foram resgatados de condições análogas às de escravos em duas operações diferentes realizadas em 2013. Na maior delas, em que 100 pessoas foram resgatadas, o auditor fiscal Marcelo Gonçalves Campos, que acompanhou ação de fiscalização pelo Ministério do Trabalho e Emprego, comparou a situação em que um grupo estava alojado com a da escravidão do passado. “Uma das casas parecia uma senzala da época da colônia, era absolutamente precária. No fundo, havia um espaço grande com fogões a lenha. A construção nem era de alvenaria”, afirmou.O principal caso envolvendo a libertação de haitianos no Brasil até hoje culminou no resgate de 172 trabalhadores – entre eles, os 100 haitianos que viviam em condições degradantes. O flagrante de escravidão aconteceu em uma obra da mineradora Anglo American no município mineiro de Conceição do Mato Dentro, que tem população de 18 mil habitantes e fica a 160 quilômetros de Belo Horizonte. (Fonte: Repórter Brasil) 


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sociedade - Quase 60% dos médicos recém formados são reprovados no exame do Conselho de Medicina de São Paulo. Será que a culpa é dos médicos Cubanos?

Saíram os resultados do exame de suficiência aplicado pelo Conselho de Medicina de São Paulo. 59,2% dos mais de 2.843 médicos formandos foram reprovados por não terem atingido 60% de acertos nas questões oferecidas, resultado pior do que o de 2012, quando 54,5% não atingiram o índice esperado. Pediatria foi a área de pior desempenho:  a média não atingiu mais que 47% de acertos entre os médicos formados em São Paulo. Nenhum destes médicos deixará de ter o registro concedido pelo Conselho. Muitas de suas deficiências serão supridas na residência médica, pela prática  e pelo tempo. Mas existe uma que, infelizmente, não foi medida na prova e não vai ser corrigida, ao contrário, tende a piorar.O desinteresse pelo paciente e o mercantilismo com que se observa a saúde. O resultado do exame do Cremesp não é razão para debochar ou desmerecer estes médicos, dos quais o país e as pessoas precisam. É razão, sim, para olharmos o que está se tornando a medicina. Quando os dirigentes da categoria parecem mais assustados com a chegada de médicos para atender pessoas que estão abandonadas e às quais os médicos brasileiros – nem mesmo os novos, recém formados – querem ir atender do que com mais da metade dos formandos não saber que reduzir a pressão arterial diminui o risco cardíaco num hipertenso, há algo muito mais sério que esta surpreendente ignorância.Porque a ignorância se supre, com esforço. Um esforço que muito raramente vemos existir, infelizmente. Mas a indiferença, o mercantilismo e a desumanidade, nem com muito esforço. (Fonte: Blog Conversa Afiada)

Indígenas - Índios Krikati liberam a MA-280 e torres começam a ser recuperdas

Os índios da etnia Krikati encerraram a interdição da MA-280, no trecho entre os municípios de Montes Altos e Sítio Novo, localizados na Região Tocantina. Com a utilização de troncos de árvores e pedras os indígenas haviam bloqueado, há mais de 15 dias, a estrada para cobrar melhorias em várias áreas e ainda a retirada de não índios da área da reserva. Os índios também derrubaram duas torres das Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte) que passam na área da reserva. O fim do movimento se deu após uma longa reunião realizada na tarde da terça-feira (21), na aldeia Jerusalém, da qual participaram representantes do governo do Estado, Procuradoria da República, da construtora responsável pela recuperação da rodovia, da Fundação Nacional do Índio (Funai) e lideranças indígenas. Segundo Eravan Pimentel, o representante da Funai na reunião, o Governo do Estado se comprometeu a cumprir o Plano Básico Ambiental. Pimentel ressaltou que ficou acordado que, entre outras providências, o governo do Estado vai recuperar a MA-280 no trecho que passa pelas aldeias, construir lombadas, guaritas, uma estrada vicinal ligando as três aldeias da área, além de uma cerca de extensão de 10 quilômetros para evitar que o gado dos Krikatis seja atropelado. Durante o protesto, os índios cobravam, também, compensações pela operação das torres de alta tensão, instaladas na reserva, a mudança da gestão do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) no Maranhão, com a saída dos atuais coordenadores. Com o acordo fechado, o trânsito de veículos voltou à normalidade na MA-280. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Francesco - Mensagem dura do papa ao Fórum Econômico Mundial em Davos.

 “É intolerável – escreve Francisco -, que milhares de pessoas continuem a morrer todos os dias de fome, apesar de serem disponíveis notáveis quantidades de alimento que frequentemente são desperdiçadas”. Esta é uma das expressões fortes utilizadas por Francesco na sua mensagem ao Forum Econômico Mundial  em Davos, na Suíça. Dignidade do homem, economia a serviço do bem comum, inclusão social, luta contra a fome e atenção aos refugiados: esses são outros principais temas que o papa encaminhou. No documento pontifício, endereçado ao Presidente executivo do Fórum, Klaus Schwab, o Santo Padre faz votos de que o encontro se torne “ocasião para uma reflexão aprofundada sobre as causas da crise econômica mundial”, porque – escreve –, apesar de em alguns casos a pobreza ter sido reduzida, “por vezes permaneceu mesmo assim uma ampla exclusão social”, e ainda hoje, “a maioria de homens e mulheres continua a experimentar todos os dias a insegurança, muitas vezes com consequências dramáticas”. Daí, o convite do Papa a fim de que a política e a economia trabalhem para a promoção de “uma abordagem inclusiva que leve em consideração a dignidade da pessoa e o bem comum”. Ao mesmo tempo, o Papa sublinha que “não podemos ficar indiferentes diante de tantos refugiados em busca de condições de vida minimamente dignas e que não só não encontram hospitalidade, mas às vezes, tragicamente, morrem durante o percurso de um lugar para outro”. “Sei que essas são palavras fortes e até mesmo dramáticas – destaca o Santo Padre –, mas elas querem tanto afirmar quanto desafiar a habilidade deste encontro a fazer a diferença”. O que é necessário, reafirma o Pontífice, é “um sentido de responsabilidade renovado, profundo e amplo da parte de todos”, para “servir mais eficazmente ao bem comum e tornar os bens deste mundo mais acessíveis a todos”.


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Desigualdade - Mais de 200 milhões de pessoas estão desempregadas no mundo, ao passo que 85 indivíduos controlam o equivalente à renda de 3,5 bilhões de pessoas!

A crise financeira iniciada em 2008 expulsou do mercado de trabalho 62 milhões de pessoas no mundo e, hoje, 202 milhões de pessoas estão desempregadas, o equivalente a um Brasil inteiro. Enquanto isso, uma elite composta por apenas 85 indivíduos controla o equivalente à renda de 3,5 bilhões de pessoas no mundo.Dados divulgados nesta segunda-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela entidade Oxfam revelam o impacto social da crise de 2008. Meia década depois do colapso dos mercados, os ricos estão mais ricos e a luta contra a pobreza sofreu forte abalo. Hoje, 1% da população mundial tem metade da riqueza global.O estudo parte de dados objetivos de várias instituições oficiais e relatórios internacionais que constatam a “excessiva” concentração da riqueza mundial nas mãos de poucos. São dados como esse, de que 85 indivíduos acumulam tanta riqueza como os 3,570 bilhões de pessoas que formam a metade mais pobre da população mundial. Ou que a metade da riqueza está em mãos de 1% de todo mundo. Isso sem contar, adverte o relatório, que uma considerável quantidade desta riqueza está oculta em paraísos fiscais.(Fonte: IHU)