Acredite se quiser, mas a Secretaria Estadual de Educação do Maranhão não fornece e nem autoriza a entrega de certificado de conclusão dos estudos para estudantes indígenas que frequentaram as escolas indígenas reconhecidas por ela mesma sem a realização de uma prova única a ser realizada numa escola estadual indicada pelo órgão estadual. Aconteceu a três estudantes indígenas da aldeia Arymy, em Grajaú. Eles estão estudando em centro de ensino superior, mas ainda não conseguem exibir o seu histórico escolar e provar a conclusão do ensino médio, pois a secretaria o condiciona à realização de uma prova que consta de 110 perguntas objetivas sobre 10 disciplinas e num prazo de uma hora e trinta! O paradoxal disso tudo é que os três estudaram numa escola indígena bilíngue autorizada a funcionar por decreto emitido pelo executivo estadual, mas que não lhe foi dado o poder para entregar o histórico. Mais paradoxal foi quando no dia da prova no CAIC de Grajaú os três estudantes deram fé que eram os únicos a realizar tal prova. Colocados em três salas diferentes e monitorados por três professores se debruçaram sobre as 110 perguntas que pouco tinham a ver com a grade curricular prevista pela Escola Indígena onde haviam estudado anos a fio. Um total desrespeito com o que a própria Secretaria vem pregando e em pleno desacordo com os princípios previstos pelas Diretrizes e Leis Básicas da educação escolar indígena que preveem o bilinguismo, a interculturalidade, a especificidade da educação escolar indígena. A associação Carlo Ubbiali, de acordo com os estudantes indígenas e professores da aldeia Arymy, já encaminhou ofício ao Procurador da República, ao Promotor de Justiça de Grajaú, ao Secretário Estadual de Educação e à secretária da SECADI (MEC) n sentido de exigir o fim dessas provas adicionais totalmente descabidas e preconceituosas e a obrigação de fornecer a todo estudante indígena que o solicitar, o seu histórico escolar, pois é direito sagrado possuí-lo. Isto não tem nada a ver com eventuais provas de admissão ou seleção para centros de ensino, faculdades, e outros. O que parece óbvio, nem sempre o é para aqueles que continuam alimentando desconfiança e preconceito.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Índios Guarani são envenenados e sede da FunaI invadida
A sede da Coordenação Técnica Local (CTL) da Fundação Nacional do Índio (Funai), responsável pelo atendimento à terra indígena Guarani Ñandeva de Yvy Katu, foi invadida na madrugada de domingo para segunda, 24, em Iguatemi (MS), fronteira com o Paraguai. "Arrombaram a porta, levaram dois computadores. Tentaram levar uma L200, mas não conseguiram tirar, só levaram a chave”, relata um servidor da Funai que prefere não ser identificado.“É muito estranha a situação”, conta. "Levaram os computadores que tinham todos os documentos da Funai. Todos os registros de projetos das aldeias, de atendimentos, todos os dados dos indígenas, agendamentos de INSS, todos os dados sobre as famílias, maternidades. Todos os dados sistematizados pela Funai estão lá dentro”. No último dia 17, três Guarani da terra indígena Yvy Katu, foco do maior conflito na região do último período, foram hospitalizados com diarreia aguda, após terem ingerido aguardente de carotes dados a indígenas por uma pessoa não identificada pelos membros da comunidade. A suspeita dos Guarani é de que a bebida contida dos frascos estaria envenenada.Para o servidor da Funai, não há dúvidas de que a intoxicação teria sido proposital. “O envenenamento foi um ataque contra a comunidadade Yvy Katu”, explica. “Aproveitaram a situação [de vulnerabilidade ao uso de álcool] pra largar vários corotes de pinga envenenados, a gente acha que com chumbinho dentro. Três beberam só um pouco e passaram mal quase na hora”, diz. “Foram direto pro hospital, ficaram dois dias internados com dor de barriga aguda e vômito”.Há cinco meses, mais de cinco mil Guarani Ñandeva estão acampados nos 7,5 mil hectares da Terra Indígena Yvy Katu que estavam na posse de fazendeiros criadores de gado. A terra estava com processo de demarcação paralizado desde 2005. (Fonte: IHU)
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Consistório - Entrevista ao cardeal e teólogo Walter Kasper
Síntese da entrevista ao cardeal teólogo Walter Kasper por ocasião do consistório em Roma sobre a família.
Decidiu-se algo em relação à possibilidade de dar a comunhão aos divorciados recasados?
Eu falei da necessidade de discernir; há situações muito diferentes, há regras gerais, mas também há situações concretas. O Papa falou de uma pastoral inteligente, corajosa e cheia de amor; inteligência pastoral; eu falei sobre o discernimento das situações concretas: cada pessoa não é apenas um caso, mas também tem sua dignidade e deve ser reconhecida.
Qual é sua opinião pessoal sobre este problema?
Não se pode falar em geral. Dou um exemplo: fui bispo durante 10 anos e, quando era bispo, veio conversar comigo um pároco que me falou de uma mãe (que havia se divorciado e casado novamente) que estava preparando o seu filho para a Primeira Comunhão. O filho comungaria e ela não. Então, me perguntou: ‘Isto é possível? Existem o arrependimento, a misericórdia e o perdão de Deus. Podemos negar a remissão dos pecados?’
Falou com o Papa antes do Consistório extraordinário?
Sim, o Papa me disse: exponha perguntas, não soluções. E é correto colocar perguntas sobre a fé. A situação familiar mudou muito na sociedade ocidental. Fiz perguntas, mas não insisto nas minhas posturas. Eu não tenho uma solução, é preciso discernir, depois o Sínodo discutirá sobre estas questões. O Papa abriu uma discussão na qual não há decisões a priori; primeiro, temos que discernir.
Existe a possibilidade de uma divisão dentro do Colégio Cardinalício provocada por posturas sobre a família?
Não, este é um contexto sinodal, é preciso chegar a um consenso; e para isso necessitamos de intercâmbio, argumentos e também orações.
A Igreja é uma democracia?
Não, não é uma democracia; a Igreja toma decisões que são o fruto de um processo sinodal; a democracia é outra coisa. (Fonte: IHU)
MPF do Maranhão pede que governo do Estado cumpra com suas obrigações com a educação escolar do povo Canela
O Ministério Público Federal recomendou ao Estado do Maranhão, por meio da Secretaria Estadual de Educação, que sejam adotadas medidas necessárias para a oferta regular de ensino aos indígenas da Escola Indígena Moisés Canela (aldeia Porquinhos) e da Escola Indígena da Aldeia Escalvado, no município de Fernando Falcão (MA). Essa recomendação é um desdobramento do termo de compromisso de ajustamento de conduta firmado com o Estado para regularizar o funcionamento das escolas indígenas no Maranhão. Tanto a população da Aldeia Porquinhos quanto a o povo da aldeia Escalvado, em representação enviada a esta PR/MA, solicitaram a contratação de novos professores, bem como de profissionais essenciais ao funcionamento da escola, tais como diretor, vigia, secretário e zelador. Segundo a representação indígena, embora muitos alunos já tenham cursado o ensino fundamental, ainda não puderam concluir sua formação, uma vez que não há ensino médio nas escolas. Na recomendação, o MPF/MA propõe que o Estado adote as providências necessárias à disponibilidade e frequência de professores, bem como a viabilização da reforma das escolas para garantir condições mínimas de funcionamento com observância às características culturais dos povos indígenas. E, também, verifique a possibilidade de aumento de vagas e a oferta de materiais indispensáveis ao ensino. E mais, esclareça sobre o início efetivo do ano letivo e sobre medidas de controle quanto à aplicação do programa Dinheiro Direto na Escola. O MPF quer que, em 30 dias, o Estado encaminhe as informações sobre a situação encontrada e eventuais providências para a solução dos problemas.(Fonte: MPF/MA)
Comentário do blogueiro - Este blogueiro vem acompanhando e assessorando a escola indígena da aldeia Escalvado desde o início de 2013 e constata a situação de abandono e descaso com os quase 900 alunos que acolá existem. Sem carteiras, sem bebedouro, sem secretária, sem arquivo, sem lâmpadas...O público, os alunos, entre os mais atentos e dedicados que jamais vi, apesar desse descaso. Inacreditável!
Brasil - Aprendam da Bolívia do índio Evo Morales!
Uma vasta onda de conservadorismo econômico varre o Brasil. Neste exato instante, por exemplo, o ministro da Fazenda Guido Mantega batalha por um amplo corte no Orçamento da União para 2014. Reduzir investimentos públicos é, pensa ele, indispensável para “tranquilizar os mercados”, sinalizando que o governo Dilma não adotará políticas que os afetem e recuperando sua “confiança“. Entre os adversários mais fortes da presidente, o cenário é ainda mais devastador. Aécio Neves prega o retorno puro e simples às políticas neoliberais. Uma reportagem na edição de hoje do New York Times sugere desconfiar deste consenso. Trata de um país cuja força para resistir às pressões dos mercados financeiros é, em teoria, incomparavelmente mais reduzida que a do Brasil: a frágil Bolívia, com PIB (US$ 50 bilhões) cerca de 46 vezes inferior ao nosso. Traz revelações surpreendentes. A economia boliviana cresceu 6,5% no ano passado — uma das taxas mais altas do mundo. As reservas internacionais em moedas fortes são, proporcionalmente, quase duas vezes superiores às brasileiras. A dívida pública cai a cada ano. Tudo isso foi alcançado com medidas opostas às esboçadas pelos candidatos brasileiros.
O New York Times não nutre simpatias por Evo Morales, mas o texto reconhece, com honestidade: tais êxitos foram alcançados porque seu governo “abandonou as recomendações do FMI e de outras grandes fontes de financiamento”. Primeiro, inverteu-se a submissão automática aos mercados. Iniciado em 2006, Evo Morales lançou políticas ousadas de redistribuição de renda — em especial, aumento das aposentadorias e uma versão local do Bolsa Família. O percentual da população vivendo em extrema pobreza caiu de 38% para 24%, em seis anos. El Alto, subúrbio proletário e rebelde de La Paz, é marcado hoje, continua a reportagem, pela reforma febril das casas populares e pela multiplicação de padarias mais ou menos refinadas. No campo, as comunidades camponesas começam a substituir o arado puxado por animais por tratores. A exploração do gás — principal produto de exportação — foi renacionalizada em 2006. A alta das cotações internacionais do produto não encheu os bolsos de poucos proprietários privados (como ocorre com o agronegócio e as mineradoras, no Brasil). Ajudou, ao contrário a ampliar os programas sociais, os investimentos de infra-estrutura, a geração de ocupações. Em novembro do ano passado, Evo apoiou-se nesta alta para instituir um 14º salário para os servidores públicos e parte dos trabalhadores privados. Por fim, não houve (ao contrário do Brasil) concessões fiscais a grandes grupos econômicos. Ao contrário. As tentativas de desinvestimento, por parte do empresariado, foram enfrentadas com a nacionalização de pelo menos vinte companhias, numa série de setores econômicos.(Fonte: Carta Capital )
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Sociedade - População classe C do Brasil consome como um país do G20!
Se fosse um país, a classe média brasileira, com seus 108 milhões de pessoas, seria a 12ª nação do mundo em população, algo como a Alemanha inteira ou duas vezes a Austrália. Em matéria de consumo, a classe social que mais cresce no Brasil estaria em 18º lugar, ou seja, no G20 do consumo mundial, com um gasto calculado em 1,17 trilhão de reais em 2013. Os dados são da pesquisa realizada pelo instituto Data Popular em parceria com a Serasa Experian. De acordo com o levantamento, sozinha, a classe C, que compreende os brasileiros que ganham entre 320 reais e 1.120 reais por mês, consome mais que a Holanda ou a Suíça inteiras.Embora o montante seja alto, a comparação precisa levar em conta que a população da Holanda é de pouco mais que 16 milhões de habitantes, que produziram uma renda per capita de pouco mais de 42.000 dólares, ou 101.000 reais. Valor distante dos 22.400 reais gerado por cada brasileiro no mesmo ano, 2012. Já a Suíça, com seus oito milhões de habitantes, registra um PIB per capita de mais de 50.000 dólares.Além do que já foi consumido, o levantamento também traçou o que essa classe social pretende comprar neste ano de 2014. Em primeiro lugar, estão as viagens nacionais, seguida de aparelhos de TV, geladeiras e tablets. "Percebemos um crescimento grande do consumo de eletrônicos, basicamente porque esse bem é visto como uma ferramenta para a qualidade de vida", explica Meirelles. "Outro grande responsável pelo consumo são os serviços de beleza, impulsionados pela ingresso das mulheres mulheres no mercado de trabalho, já que, a cada cinco mulheres da classe média brasileira que estão trabalhando, quatro têm alguma função relacionada com o atendimento ao publico", diz. "E depois, vem a educação, que é vista como um investimento no futuro".
Os Promissores, ou 19% da classe média, são jovens com idade média de 22 anos, solteiros, com ensino médio completo e trabalham com carteira assinada. Eles consomem 230 bilhões de reais em sua maioria com beleza, automóveis, educação, entretenimento e tecnologia. 42% deles estão na região sudeste do Brasil. Os Batalhadores representam 39% da classe média, com 30 milhões de pessoas de idade média de 40 anos e 48% têm ensino fundamental completo. A maioria é solteira e 41% têm acesso à internet. Para esse grupo, o estudo é visto como uma oportunidade para ascensão social. Por ser a maior parcela, os Batalhadores são responsáveis pela maior parte do consumo: 389 bilhões de reais, gastos em viagens pelo Brasil, automóveis, imóveis, móveis, eletrodomésticos e seguros.Os Experientes são compostos por 20 milhões de pessoas ou 26% da classe média. Têm idade média de 65 anos e apenas 7% têm acesso à internet e continua trabalhando mesmo depois de se aposentar, em busca de uma atividade para preservar o padrão de consumo, que é de 274 milhões de reais ao ano. Esse dinheiro é gasto em viagens nacionais, eletrônicos, saúde, móveis e eletrodomésticos.O último grupo, os Empreendedores, abrangem 16% da classe média, com 11 milhões de pessoas, formando o grupo mais escolarizado: 42% deles estão cursando ou já concluíram o ensino médio e 19%, o ensino superior. Com idade média de 43 anos, 60% têm acesso à internet e 43% trabalham com carteira assinada. Consomem anualmente 276 bilhões de reais em educação, eletrônicos, turismo internacional, tecnologia, automóveis e entretenimento. (Fonte: El País)
Francesco - A guerra contra os mandarins da 'instituição'!
Passou quase um ano desde a eleição de Jorge Bergoglio ao sólio de Pedro, e agora toda a Igreja tem confiança nele, os fiéis, sobretudo. Também as estruturas institucionais, na Itália e em todo o mundo, o apoiam sem mais as reservas iniciais que não eram nem poucas nem marginais. Estimam-no e querem dialogar com ele os rabinos e as comunidades judaicas, os imãs que pregam o Alcorão e até – até – os não crentes. Roma tornou-se novamente a capital do mundo. Não a Itália, mas Roma, a cidade do Papa Francisco, é o centro do mundo. Mas Francisco vem desagradando a Igreja que tem como principal objetivo a sua conservação e o poder, o temporalismo que deles derivam. A que Francisco degradou em notável medida à categoria de "intendência", a que deve fornecer os serviços necessários para a Igreja combatente e missionária. Em suma, os mandarins, como os chamariam na China. Sempre houve os mandarins da Igreja Católica depois dos três primeiros séculos da Igreja patrística. Eles combateram guerras não só teológicas, mas também com lanças e espadas e espingardas e canhões e navios e cavaleiros e inquisições e perseguições. Derrotas e vitórias e cismas, heresias e vinganças e intrigas e diplomacias e dogmas e excomunhões. Essa foi a história do Papado e da Igreja; não em intervalos, mas continuamente. Uma Igreja vertical muito pouco apostólica. Vinte e um Concílios em 2.000 anos; muitos sínodos, mas com poucos poderes. Agora – e pela primeira vez – a Instituição está sob o risco de perder o seu status de guia. Em parte, já o perdeu, mas não totalmente. Os mandarins ainda existem. Fizeram ato de submissão, se alinharam, mas ainda combatem. Como? Eles acreditam que podem convencer Francisco a implementar boas reformas, mas não uma revolução. A Igreja-instituição não foi a pregada por Jesus, senão em parte. Por séculos e até por milênios, a prioridade de papel foi da Instituição consciente do valor da Igreja pobre, mas dedicada principalmente ao exercício do poder e, portanto, da temporalidade, embora atualizada aos tempos, mas dedicada ao fortalecimento e à ampliação da temporalidade.
O Papa Francisco sempre esteve em guerra contra a primazia da temporalidade. Ele é flexível e consciente e conhecedor da força dos seus adversários, é astuto na gradualidade e na necessidade de compromissos, mas também é sagaz para captar o momento do ataque radical dos obstáculos que os mandarins lhe opõem. Em suma, é uma guerra e vai durar por um longo tempo. O papa, que hoje conduz a obra de purificação e de transformação que Ratzinger não pôde fazer, tem dentro de si o objetivo do santo de Assis e a metódica de Inácio. A contradição é esta: a purificação do pântano é um propósito que Inácio também tinha bem presente no seu tempo, mas a sua metódica se desenvolvia no pântano, utilizava o pântano para tornar ainda mais necessária a presença da Companhia. Agora, ocorre que o jesuíta Bergoglio fez com que a metódica jesuíta passasse novamente de metódica a instrumento. Por isso, ele assumiu o nome de Francisco. Mas essa não é uma posição reformista que os mandarins tolerariam e até mesmo apoiariam. Essa é uma revolução. Um jesuíta que escolhe esse nome é, talvez contra as suas intenções, talvez mesmo sem que esteja plenamente consciente, uma bomba. Isso nunca tinha acontecido na história da Igreja. É a pessoa adequada para o escopo que se propôs. Mais de 90% dos fiéis estão com ele, mas os obstáculos são inúmeros, e o Espírito da terra, como se queira identificá-lo, é uma muralha de borracha dificilíssima de erradicar. (Fonte: síntese de um artigo de Eugenio Scalfari)
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