domingo, 31 de janeiro de 2021

Pastores afastam indígenas da vacinação, relatam lideranças. 'Estão alinhados com o discurso do Bozo' diz Nara Baré

 


Na Terra Indígena Araribóia, na Amazônia maranhense, doses de vacina contra a covid-19 começaram a chegar. Ao mesmo tempo que aldeias aguardam com ansiedade o imunizante, há também uma resistência grande. Pastores e membros de igrejas evangélicas locais vêm pedindo aos indígenas que não se vacinem, segundo relatos coletados pela DW Brasil. “Eles [líderes evangélicos] estão dizendo que [a vacina] vem junto com um chip, que tem o número da besta, que vira jacaré…”, conta uma assistente social que conversou com a DW Brasil e prefere não ter seu nome revelado nesta reportagem. Ela está em missão especial na região para esclarecer como as vacinas de fato funcionam. A campanha de desinformação é difundida via áudios e vídeos pelo celular, pelo sistema de radiofonia entre as aldeias e por cultos presenciais, aponta. No caso do Maranhão, relatam indígenas, a maior influência é da igreja Assembleia de Deus. A DW entrou em contato com a Convenção Geral das Assembleias de Deus para esclarecer se a entidade é contrária à vacinação, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. Até esta quinta-feira (28/01), mais de 220 mil brasileiros morreram vítimas da covid-19. Segundo apontaram testes, as duas vacinas aplicadas atualmente momento no Brasil, Coronavac e Oxford-AstraZeneca, com eficácias diferentes, ajudam a diminuir o número de pacientes graves que precisam de internação, além de protegerem contra o vírus. Segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, foram confirmados 41.251 casos da doença entre essa população, com 541 mortes. O dado oficial, que não considera aqueles que vivem fora dos territórios homologados, não reflete a realidade da pandemia, afirmam organizações indígenas, apontando que o número seria, na verdade, três vezes maior.

“Vacina não é de Deus”

No estado do Amazonas, que sofre com a alta de casos e falta de oxigênio para pacientes, há relatos semelhantes de desinformação. “Há pastores orientando os parentes [como indígenas se chamam] para que não tomem a vacina, porque ‘não é de Deus'”, afirma Nara Baré, coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), mencionando casos relatados em Itacoatiara, região do rio Urubu, Manaus, Xingu (Mato Grosso) e Rondônia. Mapear o curso dessa campanha de desinformação entre indígenas, por outro lado, tem sido um desafio. “A grande questão é que os que são seguidores dessas igrejas não falam. São os familiares desses parentes que contam porque eles estão muito preocupados”, detalha. Na região do Vale do Javari, que tem a maior concentração de povos isolados do mundo, a situação se repete, segundo Beto Marubo, da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava). “Aldeias já disseram à Sesai que não irão aceitar a vacina”, conta.As comunidades resistentes seriam aquelas vinculadas a grupos evangélicos. “Na comunicação que eles fazem por rádio, que todas as aldeias escutam, eles dizem que a vacina foi fabricada muito rápido para os indígenas virarem cobaia”, explica Marubo. A postura desses religiosos, analisa Nara Baré, está alinhado ao discurso do presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia. “Ele fala mal da vacina, deslegitima a própria ciência. E a gente agora está fazendo uma campanha para incentivar a vacinação e combater as fake news e essa propagação pelos pastores”, afirma. (Fonte DW Brasil)


sábado, 30 de janeiro de 2021

Paulo Ricardo, o cavaleiro bolsonarista ultraconservador de batina. Algumas vergonhosas pérolas.....

 ARMAS

Um dos seus posicionamentos mais conhecidos é sobre a questão da liberalização das armas de fogo no país. Justifica-o assim: “Bom, numa abordagem superficial, você pode pegar o catecismo a respeito da guerra, e você irá encontrar ali uns parágrafos bem suculentos na mão, àqueles que são a favor do desarmamento (...) A igreja é a favor do desarmamento. Errado, luz vermelha para você” Afirma que a Igreja não é a contra o armamento da população apenas no “contexto bem específico de corrida armamentista (...) Igreja é a favor de diminuir essas armas tão letais, de armas de destruição em massa (...) Entendamos meu irmão: o cristão é pacífico, não pacifista”.

A FACADA DO BOZO

O vídeo “Padre Paulo Ricardo se pronuncia sobre o atentado contra Bolsonaro e o vídeo viraliza na web” do dia 11 de setembro de 2018 mostra isso. Numa parte compreensível avista-se o cavaleiro do apocalipse de batina dizendo: “Como você cala a boca das pessoas? Ou você dá uma facada.... (a plateia diz: mito! Mito! Mito!)”. Com ele se percebe o apoio da plateia e do padre a Bolsonaro, quando mesmo discursando numa paróquia não pede para as pessoas se acalmarem diante da citação ao ocorrido ao candidato. Mais que isso. Com a afirmação indica que a facada sofrida por Bolsonaro no âmbito das eleições de 2018 foi uma tentativa de “calar” o candidato. No discurso desenha a figura do candidato Bolsonaro como um mártir. Na sequência lembra de um papa representativo para o catolicismo conservador: Bento XVI. Assim “ou você realiza aquilo que Bento XVI chama de ‘martírio dos tempos modernos’, que é caluniar, desacreditar, inventar mentiras sobre essas pessoas”. 



EDUCAÇÃO ESQUERDISTA E GRAMSCIANA 

O padre movido por absoluto preconceito contra os educadores tece acusações cegas típicas de teorias de conspiração primárias. Diz sobre os professores que “eles (...) não querem que você aprenda nada, que você estude nada, pra estudar, do jeito que eles querem, isso é o gramscismo, na prática!”. Ainda diz: “mesmo que você não tenha ouvido falar de Antonio Gramsci você é um profundo conhecedor de Gramsci (...) um conhecedor prático, porque foi vítima dele”. Culpa os professores de ensino básico de construir uma ideologia “esquerdista”, baseada em Gramsci, chamada por ele de “nova ordem mundial cristã. Assim, dá para entender por que Bolsonaro despreza a classe professoral.

COVID É HISTÉRIA...FRUTO DO PECADO

No dia 1 de abril, próximo à Páscoa, lançou mais um vídeo da série sobre o Covid-19. No material tenta responder à pergunta se o Covid-19, e outras pestes, são castigos de Deus. O padre indaga: – se Deus é um “pai bondoso e compassivo como permitiria tamanhos males sobre os inocentes?”. Nesse vídeo pondera que “o problema da humanidade é o pecado”, ou seja, o problema dos milhares de mortos no mundo é o pecado. Numa leitura teológica da realidade social e biológica entende que é o pecado que está matando as pessoas.  É impressionante que nesse momento com o número exponencial de mortes pelo Covid-19 tal evocação mais parece parte de um sadismo teológico, que pouco se identifica com o sofrimento das pessoas. Ainda mais comparando-o com o martírio de Jesus: “O que estou sofrendo não é nada, diante do que sofreu por mim na cruz”. Além disso, aproveita para chamar a pandemia de “histeria coletiva”.



4º domingo comum - Jesus desmascara os maus espíritos dos falsos pregadores que manipulam e dominam os filhos de Deus! (Mc 1,21-28)

Há pregadores que só pregam. Não interessa o seu conteúdo, e tampouco a coerência entre pregação e testemunho. Eles podem ser evangélicos, católicos ou de outra denominação. Repetem as mesmas coisas. Muitos ameaçam, alguns condenam, outros apelam para o moralismo barato, e há quem faça piadinhas de mau gosto, e outros, enfim, se exibem como cantores e showman. Eles mesmos são seu próprio púlpito. Os seus ouvintes, passivos, desligam e ficam a fantasiar até o ‘sermão’ findar. Os doutores da lei contemporâneos de Jesus se assemelhavam aos de hoje. O pregador da Galileia, no entanto, Jesus de Nazaré, se diferenciava deles. Não tinha mandato para pregar, mas o fazia igualmente. Não tinha diploma fornecido por nenhuma escola rabínica, mas mesmo assim ‘pregava com autoridade’. E por isso chama a atenção dos ouvintes, e os perturba profundamente. A diferença está na sua postura, no conteúdo e na metodologia. Quem dava aos escribas e doutores a suposta legitimidade para pregar era a lei e o seu sistema sofisticado. Algo que eles mesmos e a sua tradição haviam elaborado. Jesus falava com autoridade não porque exibia uma fascinante oratória, ou uma erudição incomum, mas porque atribuía o seu mandato de pregador ‘sui generis’ à própria autoridade divina. Nem homens, nem tradição e nem leis lhe davam legitimidade. É como se Jesus dissesse: ‘se Deus, hoje, estivesse aqui de forma visível, diria e faria tudo aquilo que estou dizendo e fazendo’! A pregação de Jesus carregada de ‘autoridade’ se diferencia das demais porque ela realiza o que prega. Prega e liberta, simultaneamente. Da mesma forma que Deus no Gênesis cria falando...’E Deus disse, e foi feito o céu...a terra....’!

A originalidade da pregação-testemunho de Jesus desperta nas pessoas não somente curiosidade, desnorteamento e perplexidade, mas também expõe seus complexos, suas fobias mais ocultas, e as neuroses que se alojam no seu inconsciente. Principalmente de quem foi educado de forma unidirecional e rígida. O novo, de fato, quase sempre assusta. Revela um lado desconhecido de si próprio. Informa que a sua vida poderia ser outra, e bem diferente do que é e aprendeu até então. As suas reações de caráter emotivo eclodem com virulência, pois não se sente mais seguro como acreditava ser: ’o que quer de nós Jesus de Nazaré, nós sabemos quem você é....’ É a típica reação agressiva de quem descobre que foi enganado o tempo todo, e não aceita que outros, de fora, lhe mostrem a sua dura realidade pessoal. E ataca quem lhe mostra, de fato, o outro lado da moeda, e quer libertá-lo. Começa a intuir que, talvez, alguém o tenha permanentemente manipulado e controlado. Percebe que aquele espaço sagrado foi utilizado por supostos ‘homens de Deus’ para submetê-lo às suas vontades humanas e interesseiras. Descobre-se, tragicamente, no fundo, um ‘possuído’, um não livre! O evangelista Marcos, dessa forma, com uma ironia atroz faz uma crítica ao sistema religioso da época. Na prática nos diz que os doutores da lei e os escribas eram eles mesmos, de fato, os maus espíritos que possuíam e dominavam seus fregueses. Jesus com sua pregação diametralmente oposta à deles estava a desmontar e a desmoralizar tudo aquilo que eles vinham ‘ensinando e pregando’! O ‘exorcista libertador’, Jesus, tem que intervir com força para devolver a liberdade e a vida àquele coitado possuído, para ele experimentar, definitivamente, o espírito bom que liberta e salva. 

O teólogo Marcos procede na sua crítica ao sistema religioso institucional sem pena e sem dó ao nos informar que ‘a possessão’ se dá, preferencialmente, nos templos/sinagogas/igrejas e nos dias a ele sagrados (sábado). Os maus espíritos rondam sistematicamente os espaços que o sistema religioso define como sagrados, diferentemente do que proclama Jesus segundo o qual tudo é sagrado e nada é impuro, a não ser o que sai de um coração humano cheio de ambições e arrogâncias. Hoje não podemos negar que essa prática persiste e se torna a cada dia sempre mais atual e ameaçadora. Baste, para tanto, constatar a atuação de um enorme exército de pregadores que não ensinam e não agem com a autoridade que vem de Deus, mas somente movidos por seus interesses pessoais e escusos. Pregadores, cujos patrocinadores são empresários sem responsabilidade social, setores podres do poder público, milícias, promotores de intolerância, etc. É preciso, portanto, assumir o ensinamento novo’ de Jesus de Nazaré denunciando esses abusos, esclarecer, educar e libertar pessoas para que não aceitem nenhuma forma de dominação, de mentiras revestidas de ‘falsa profecia’. Como nos dizia o evangelho de domingo passado é preciso se tornar ‘pescadores de homens’, ou seja, arrancar do mar da injustiça, da manipulação, da violência institucionalizada e do desespero todos aqueles humanos que nele estão a afogar!



sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Preso um suspeito de ter matado uma criança indígena de 5 anos no Maranhão

 A Polícia Civil prendeu, na tarde desta quarta-feira (27), um homem suspeito de ter matado a criança indígena Vanessa Guajajara na Aldeia Barreirinha, na região entre Buriticupu e Arame, a cerca de 476 km de São Luís. O local pertence a Terra Indígena Arariboia. O crime aconteceu na última terça-feira (26) e um laudo apontou morte por asfixia com a utilização de algum instrumento, que ainda não foi localizado. Vanessa tinha cinco anos e foi encontrada pelo pai no rio Zutiwa, na aldeia Barreirinha, com marcas de violência no pescoço. Após o crime, a polícia abriu um inquérito e cumpriu a prisão de um suspeito, com base em um mandado da Justiça. O homem, que não teve o nome revelado, foi levado para a Unidade Prisional de Santa Inês e as investigações continuam. 

Segundo as informações preliminares, a criança teria desaparecido na manhã do dia 25 de janeiro, quando estava junto de sua mãe, que teria se afastado momentaneamente para buscar água em um rio próximo a sua residência e deixado a criança brincando no chão. Logo após retornar, a criança teria desaparecido, tendo sido encontrada morta, 30 horas depois. A delegada de Polícia Civil Vilene Rodrigues, de Buriticupu, que comanda as investigações, esteve nesta quarta-feira (27) na região, acompanhada de investigadores, e colheu mais de quatro depoimentos. A mãe da criança relatou que a primeira pessoa que encontrou após o desaparecimento da menina foi um vizinho, que estava próximo da casa onde ela foi vista pela última vez. Ele foi um dos ouvidos pela polícia e segundo a delegada, pode ser um dos suspeitos. A mãe e o pai da criança foram ouvidos, um casal de vizinhos, e policiais militares que auxiliaram nas buscas no local onde o corpo da criança foi encontrado. "A criança é uma deficiente física, não andava direito, não falava. A Polícia Federal informou que o caso não se tratava de violação dos direitos indígenas e deve ficar a cargo da Polícia Civil, que ainda não sabe a motivação do crime. (Fonte:G1)


quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

O difícil diálogo entre Eletronorte e os Guajajara da T.I. Canabrava. A Polícia Federal interveio, mas não para defender os indígenas....

A Polícia Federal não se fez de rogada e chegou à Terra Indígena Canabrava, na aldeia Coquinho, Maranhão. Aqui, há vários dias se vive um clima de ‘alta tensão’. Não é para menos. De um lado a Eletronorte que há vários anos vem prometendo aos mais de 17.000 indígenas um plano global de intervenção, através de ações reparatórias e da partilha das royalties da distribuição de energia em cuja área, ao longo de 23 Km, passa a rede de alta tensão. E do outro lado, as centenas de aldeias impactadas que relembram sistematicamente as obrigações legais que a empresa tem para com a população indígena local. Já faz uma semana que o Conselho Geral dos caciques da terra Indígena convidou os diretores da Eletronorte a sentar, dialogar e negociar. Finalmente, uma comissão da empresa chegou à aldeia Coquinho e, na presença de centenas de indígenas, foram expostas inúmeras reivindicações, sem deixar de lembrar a histórica omissão no cumprimento de acordos informais e promessas feitas no passado. Diante da crise generalizada que afeta sobremaneira todas as aldeias, os indígenas engrossaram a voz e intimaram a empresa a comparecer e 'conceder' de forma emergencial uma ajuda econômica. Após inúmeras discussões, parecia que se estivesse chegando a um acordo, mas em vão. A quantia proposta pela Eletronorte foi considerada irrisória pelos indígenas, constatando o elevado número de famílias em situação de precariedade e, principalmente, diante dos ‘lucros’ que a empresa vem acumulando ao longo desses anos. 

Alguns caciques revelam que ‘estão cansados de serem enrolados toda vez que há uma audiência para se chegar a um acordo’. Não escondem que existem alguns setores indígenas que propõem ações mais ‘contundentes’ como forma de chamar para a responsabilidade social a diretoria da Eletronorte.  No início da semana deu-se conta de que uma das torres que sustenta a rede vinha sendo desmontada com a retirada de alguns enormes parafusos a partir de suas bases. Isso revoltou a empresa que não consegue perceber que, diante da sua própria ‘dureza’, aos índios só restaram essas armas... Hoje, - como alguns já esperavam, - chegou à aldeia a Polícia Federal, em diferentes carros e com um helicóptero. Mais uma vez o capital da Eletronorte deve ser defendido e protegido custe o que custar, inclusive utilizando a argumentação de que iria prejudicar milhares de famílias e indústrias que dependem da rede elétrica. Se isso é verdade, é bom também relembrar as repetidas omissões e descumprimentos de acordos da Eletronorte que beiram a criminalidade.  Lamentável, enfim, constatar que a mesma Polícia Federal que defende a Eletronorte não mostra o mesmo interesse, zelo e rapidez para combater madeireiros e invasores de todo tipo que vêm destruindo o escasso PATRIMÔNIO FEDERAL em que os indígenas da Canabrava sobrevivem!


Pastoral Carcerária do Ceará pede transparência sobre caso de tortura de presos em Sobral


A Pastoral Carcerária pedirá ao presidente do Conselho Penitenciário do Ceará, Cláudio Justa, que acompanhe as investigações sobre as denúncias de tortura a presos em Sobral. Nos dias 20 e 21 deste mês, pelo menos 40 internos da Penitenciária Industrial Regional de Sobral teriam sido espancados com golpes de cassetetes nas mãos e no abdômen, com spray de pimenta nos olhos e confinamento coletivo. Ontem, integrantes da Pastoral se reuniram para elaborar um documento pela transparência no processo investigatório. Principalmente no que diz respeito à informação para familiares dos lesionados. Até agora, segundo uma fonte, não foi aberto procedimento administrativo nem na Secretaria da Administração Penitenciária nem na Corregedoria Geral de Disciplina do Estado.

Mecanismo - O pivô das supostas torturas em Sobral envolveria a chefia de disciplina da penitenciária regional e os presos que, constantemente, estão em conflitos no interior da prisão. Em abril de 2019, um relatório do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura apontou violações nos presídios cearenses.

Pimenta - Um dos pontos relacionados no documento do Mecanismo Nacional, que pertence ao Governo Federal, é exatamente o "uso de spray de pimenta" por policiais penais em presos que não mantém a "imobilidade e o silêncio para realização do procedimento".

Naturalização - Padre Marcos Passerini, ex-coordenador da Pastoral Carcerária, lembra que, na época das denúncias, houve um pacto entre órgãos do poder público na "naturalização da força excessiva" implementada pela Secretaria da Administração Penitenciária. Inclusive, afirma, dos bispos da CNBB no Ceará.


sábado, 16 de janeiro de 2021

II domingo comum - O que procurais em época de crise totalizante? (Jo. 1, 35-42)

Há encontros que são verdadeiros divisores de água. Verdadeiros marcos divisórios entre passado e presente. Encontros nem sempre pacíficos. Momentos intensos em que nos sentimos questionados sobre algo que nos parecia, até então, tranquilo e adquirido. São, afinal, encontros que provocam uma crise, crucial e dolorosa. Contudo, quase sempre necessária. Aconteceu com Jesus no Jordão por ocasião do batismo. O mesmo o experimentou o próprio João ao perceber que a sua missão estava para findar, e que Outro Profeta ‘mais forte do que ele’ estava a aparecer no mesmo caminho. O trecho evangélico hodierno descreve o início da crise de Pedro, André e de outros cidadãos ao se encontrarem com Jesus, e ao desejarem ser seus discípulos. Os dois irmãos de Cafarnaum, fiéis seguidores de João, entram em crise quando o seu próprio mestre, João, parece descarregá-los e entrega-os a Jesus. Contudo, o Batista o faz conscientemente, não sem ter ‘fixado’, antes, Jesus, e ter percebido que Ele ‘era o novo cordeiro’. Aquele que com o seu sangue liberta pessoas de dominadores militares, e de políticos religiosos. O novo Mestre os acolhe com um questionamento que parece aprofundar ainda mais a crise já implodida na vida dos dois ‘o que procurais’? Não se trata de procurar ‘uma pessoa’, mas de eles buscarem ‘o sentido da própria existência’. Algo grandioso a ser entendido e acolhido. Estavam em jogo a felicidade pessoal, a sua realização como seres inseridos no mundo, e o futuro do seu povo! 

André e Pedro não conseguem responder: em tempo de crise só sabemos dizer ‘o que não somos e o que não queremos’! Quase que gaguejando como que a despistar Jesus por aquela ‘pergunta crítica’, respondem com outra pergunta ‘onde moras’? Jesus percebe que os dois não têm a curiosidade de conhecer o local de residência, mas de vivenciar o seu estilo de vida, suas opções, motivações, seus sonhos e decepções. Jesus não explicita, teoricamente, o que eles desejam conhecer, mas, simplesmente, os convida a ir com Ele e ‘ver’, sentir e tocar com mão a nova realidade. Os discípulos não têm medo de mergulhar no desconhecido, de se separar da sua rotina cotidiana, e entrar no mundo do outro. Convivem e vivem o intenso dia com Jesus, até ao entardecer. Os dois tomam consciência que todo um passado estava sendo relegado na noite da vida. Não porque era insignificante, mas porque agora, estava a raiar para eles um novo dia. Uma página inédita de vida, carregada de sentido, de motivações profundas. Na prática da compaixão e de serviço humilde daquele Mestre eles haviam encontrado ‘o que procuravam’ desde o início!