terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Garimpeiros desviam e vendem remédios enviados a indígenas

Remédios do SUS destinados ao tratamento de malária estão sendo vendidos em grupos de WhatsApp em que garimpeiros comercializam de tudo, de balsa para exploração de minérios a mercúrio em Roraima. O Ministério da Saúde apura se houve desvios dos medicamentos que seriam destinados a indígenas Yanomami. 

No grupo, chamado de "Amigos do Rio Uraricoera" - em referência à principal via fluvial usada pelos garimpeiros para chegar aos acampamentos dentro da Terra Indígena Yanomami, uma pessoa segura cartelas de medicamentos e faz a oferta: "tratamento para malária". Outro, anuncia: "remédios para malária disponível". Em outro momento, um homem compartilha uma imagem dos remédios artesunato + mefloquina e pergunta: "alguém te disponível eu quero 50 tratamento desse [sic]]. O medicamento é indicado para o tratamento de malária Plasmodium falciparum, o tipo mais grave da doença e que pode levar à morte. Homem pede 50 unidade de remédio para malária em grupo de garimpeiros 

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) suspeita o artesunato + mefloquina foi o medicamento desviado para atender garimpeiros invasores. Por isso, o Ministério da Saúde abriu investigação. Nas mensagens sobre o medicamento de malária, todos têm os números de telefone com o DDD 95, de Roraima. Foi em um grupo também chamado de "Amigos do Rio Uraricoera" que, em maio do ano passado, uma mulher foi ofertada como prêmio principal de um bringo destinado a garimpeiros.

No mesmo grupo, onde os integrantes comentam sobre remédios para malária, integrantes também fazem ofertas de tudo que envolve a cadeia ilegal do garimpo, como balsa, voos, e canoas que navegam o rio com mantimentos que sustentam os os invasores dentro da reserva. Em um dos casos, uma pessoa pergunta se há canoa disponível para transportar 70 kg de comida, motor e uma pessoa. "Alguma canoa vai subir o rio hoje ou amanhã que dê pra levar 70 quilo de rancho e um motor que pesa quilos e um homem. Tudo no total vai dá 300 kg quem puder levar vem no meu PV". Uma mulher prontamente responde: "canoa com menos de meio frente pra subir" e avisa que falar no privado com o interessado.

O grupo tem até agenciadores de voos para comunidade na Terra Yanomami invadidas por garimpos, como Uxiu, Xitei e Parafuri. "Agenciamos voo Pará", diz a mensagem com a lista de destinos e valores que indicam o preço da passagem. Uma das mais cara é para Parafuri: R$ 9.500. Maior reserva indígena do Brasil em extensão territorial, a Terra Indígena Yanomami está no centro das discussões políticas e de saúde nacional em razão da grave crise sanitária, com registros de casos malária e desnutrição severa em adultos, principalmente, entre crianças. O problema é causado pelo avanço do garimpo ilegal, que, em um ano, aumentou 46% no território.

O Ministério da Saúde está apurando a denúncia e irá investigar junto aos órgãos competentes 

(Fonte: G1)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Guajajara de T.I. Canabrava, no Maranhão, denunciam a falta de medicamentos e assistência médica


 Moradores da Terra Indígena Cana Brava, localizada na região central do Maranhão, denunciam a falta de medicamentos e assistência médica no local. No território estão localizadas mais de 260 aldeias indígenas. A Terra Indígena Cana Brava abrange 137 mil hectares, onde vivem cerca de 15 mil indígenas da etnia Guajajara. A região possui somente três postos de saúde para atender 263 comunidades. E os poucos que possuem, não funcionam como deveriam. 

Na Aldeia Coquinho o posto de saúde foi reformado em julho após os indígenas colocarem pressão nas autoridades. Cerca de 500 indígenas deveriam ser atendidos pela unidade de saúde que, mesmo após ter sido reformada, não funciona. Equipamentos que seriam usados para a instalação de um gabinete odontológico, tais como um compressor, estão sendo consumidos pela poeira e estão guardados há mais de cinco anos. Além disso, alguns dos únicos medicamentos que estão no local, estão vencidos desde 2019. "Não dão remédio, dão receita para os índios. Às vezes precisa de uma operação de cirurgia e o pessoal não estão nem aí com a gente. Não tem uma, nenhuma aldeia que está melhor né? Está tudo igual, sofrimento igual", diz o indígena Zé Luciano, cacique da aldia. Uma indígena, de 78 anos, tem doença de Parkinson e depende de medicamentos de uso prolongado, para controlar as crises. A família conta que ela nunca conseguiu receber de graça no posto de saúde e nem sempre, tem dinheiro para comprar. "Hoje mesmo não tem não [remédio]. Faz é dia que não tem, acabou. É porque não tem 'real' para comprar", diz Eliezer de Sousa Guajajara, lavrador.

Sem médicos

O acesso à saúde nas aldeias é de responsabilidade do Distrito Industrial Indígena (DISEI), órgão ligado à Secretaria Especial de Saúde Indígena.Só em 2022, os indígenas já fizeram quatro protestos contra a situação, sendo o último em julho. A ação pedia o afastamento de Alberto José Braga, coordenador do DISEI, que continua no cargo. Os indígenas afirmam que desde que ele assumiu ao cargo, nenhum médico pisa na Aldeia Coquinho."Aqui não entrou mais nenhum médico de junho para cá. Entrou um dentista bem aqui, mas o resto de médico nunca veio para cá. E o médico que trabalhava dentro da equipe, o coordenador tirou e até agora não colocou mais nenhum", explica o cacique José Luciano Caminha Guajajara, presidente da Organização do Conselho Supremo dos Caciques. O filho de Linair Lopes Guajajara tem 16 anos e desde a infância, tem paralisia cerebral. Por conta do problema de saúde, o adolescente precisa tomar ao menos três remédios de uso contínuo. Sem receber os medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a aposentada precisa gastar parte do dinheiro que recebe para comprar os remédios. Além disso, o adolescente sofre sem a presença de médicos para avaliar seu estado de saúde. "Mais de R$ 500 [gasto por mês com remédios]. Quando ele pega uma tosse, algo assim, ou ele está com febre, eu mesmo que cuido dele, dou remédio para ele. Nem daqui vai para o hospital de Grajaú, para o do Jenipapo, só eu que cuido dele. Estou meio adoentada agora, tem horas que não me sinto bem de saúde, dor de cabeça, tontura, é assim que eu sinto", desabafa Linair.

Sem assistência

A manicure Eline Mariano Guajajara, de 24 anos, convive com uma pedra nos rins desde os 14 anos. Ela conta que quando tem crises, não consegue suportar a dor e reclama que não tem como conseguir um medicamento para amenizar o problema. "Quando eu fico com as crises, eu tenho que suportar a dor na minha casa. Porque não tem como ter um medicamento para tomar, entendeu? Para poder passar a dor. Tem hora que nós mesmos compramos remédios, antibióticos, para poder passar a dor. E quando não tem dinheiro, tem que sofrer com a dor", conta. Kerliane Nascimento Sousa é moradora da Aldeia Coquinho há mais de 17 anos. Ela diz que muitos moradores convivem com dezenas de doenças, mas sem acesso à saúde, os problemas de saúde só aumentam. "Aqui tem vários tipos de doença, tem a diabete, tem a pressão alta, tem a barriga distendida que se chama diarreia, tem as crianças 'manchadas'. A gente não sabe o diagnóstico dessas crianças que estão sendo manchadas", disse Kerliane. Há crianças, como a neta de Bernardino Soares Guajajara, que está com o corpo coberto por manchas. Sem médico, a menina não tem como ter um diagnóstico sobre o que se trata o problema.

Procurado, o Ministério da Saúde não se manifestou sobre as denúncias dos indígenas até a publicação desta reportagem.

(Fonte Imirante)

sábado, 24 de dezembro de 2022

‘Radiografia do desmonte’’: Alckmin elenca 11 pontos principais no relatório final da transição

 Na manhã desta quinta-feira (22), o futuro vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), líder da equipe de transição para o Governo Lula (PT), apresentou um relatório com uma “radiografia do desmonte do Estado e das políticas públicas” durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Em suas redes sociais, Alckmin listou algumas das maiores questões levantadas no documento:

Na área da educação, a constatação é que, nos últimos três anos, o número de crianças que não conseguem ler e/ou interpretar textos saltou de 50% para 70%, o pior resultado em dez anos. O governo federal reduziu em 85% o orçamento e em 66% o número de servidores na cultura.

Para a saúde, o ponto principal foi a pandemia de covid-19. Com 2,7% da população mundial, o Brasil registrou 11% do total de óbitos pela doença no mundo, sendo o 2º país com maior número de vítimas. Ainda, o documento aponta que 34 milhões de cidadãos brasileiros não receberam nenhuma dose da vacina contra a covid-19, enquanto 3 milhões de doses foram inutilizadas por perda de validade. A vacinação contra a poliomielite em crianças de até quatro anos caiu de quase 100%, em 2015, para 70%, em 2022, diz o documento.

No desenvolvimento social, chamou a atenção o aumento de 11% na hospitalização de crianças por carência alimentar, o pior índice em 14 anos. Mais da metade da população brasileira, 125,2 milhões de pessoas, vive com algum tipo de insegurança alimentar. O país também bateu o recorde no número de feminicídios, com 700 casos em seis meses de 2022.

Ainda de acordo com o relatório, o índice de desmatamento na Amazônia aumentou 59% entre 2019 e 2022. No último mês, foi registrado um aumento de 1.216% em focos de incêndio nos estados de Amazonas, Acre e Rondônia. Na infraestrutura, 93,66% da malha rodoviária federal com contrato de manutenção não possui serviço de prevenção e restauração das rodovias.

Na habitação, o governo zerou as contratações de famílias com renda de até R$ 1.800 do programa Casa Verde Amarela. Na transparência, 26,5% dos pedidos de acesso à informação requisitados foram negados por decretos de sigilo, número quatro vezes superior à gestão anterior. Além disso, o Brasil deve R$ 5,5 bilhões em aportes obrigatórios junto a órgãos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU).

Quem matou a índia Estela Kaiowá Guarani?

 O assassinato da indígena Estela Vera Guarani, de 67 anos, é um acontecimento estarrecedor. É o quinto homicídio de indígenas Kaiowá e Guarani em áreas de conflito em Mato Grosso do Sul, somente em 2022. E isso parece estar longe de acabar. Rezadora tradicional e liderança em sua aldeia, Estela foi morta a tiros no dia 15 de dezembro. Estava em casa com seu filho quando, às 15h, dois homens encapuzados e armados entraram e os atacaram. Tentaram fugir, mas Estela foi atingida pelos disparos.

No local, foram encontrados pela polícia cartuchos de arma calibre 36, de uso mais comum em espingardas de caça. Até agora, ninguém foi preso, e outros detalhes da morte permanecem sem explicação. Entidades e parlamentares do estado estão cobrando atenção ao caso. Se os detalhes do crime ainda permanecem ocultos, o contexto onde ele ocorreu é de conhecimento geral. Trata-se do problema estrutural da falta de terra. Enquanto aguardam a demarcação de suas terras ser efetivada pelo Estado, os Guarani e Kaiowá vêm sofrendo profundamente, há décadas, todos os males que a subtração do território e da floresta poderia causar em suas vidas. Apinhados em pequenas reservas, e expostos à enorme pressão do agronegócio, os territórios indígenas padecem de uma epidemia de violência, escalando cada vez mais nas comunidades.

Durante os anos de governo Bolsonaro, a falta de terra aprofundou avassaladoramente a relação de dependência das comunidades indígenas e camponesas ao agronegócio. No Mato Grosso do Sul, os indígenas foram abandonados à fome pelo atual presidente. Centenas de famílias dependem de cesta básica para sobreviver, e a Fundação Nacional do Índio (Funai) não está realizando a entrega – ou realiza de quatro em quatro meses, projetando cenas de mães e crianças desesperadas. Produtores de soja, aproveitando-se da fome, têm arrendado áreas ilegalmente dentro dos territórios Guarani e Kaiowá. Estela era conhecida por lutar contra os arrendamentos, inclusive ao lado de outras lideranças femininas ameaçadas de morte e que já sofreram agressões, como é o caso de Kuña Kuarahy. As duas fazem parte de um corajoso movimento que se opõe aos arrendamentos no tekoha Yvy Katu, local onde Estela foi assassinada. Por resistirem ao arrendamento, as indígenas e seus familiares sofrem cotidianamente ameaças e coerção por uma rede que envolve Poder Público, fazendeiros e outras forças econômicas e políticas da região – todos envolvidos e beneficiários dos arrendamentos. A partir disso, decorre a hipótese de o assassinato de Estela estar relacionado ao conflito com produtores de soja, de gado e arrendatários. (IHU)

domingo, 4 de dezembro de 2022

II domingo de Advento - João e Jesus: dois modos antagônicos de ver a 'Governança/Reino de Deus'!

 João o último idealista do antigo testamento acredita que o novo modo de governar de Deus está ao alcance dos homens. Ou seja, que eles podem promover na terra o modo de governar de Deus. O primeiro desafio, contudo, é descobrir qual é, de fato, o modo de governar de Deus. Aí surgem as divergências entre Jesus e o próprio João. Para João os alicerces da ‘governança de Deus’ são: 1. Prática da justiça seletiva e punitiva; 2. Não há segunda chance, o fogo e o machado já estão agindo para cortar e queimar os que resistem! 3. Propagação, pelo medo, da desgraça e da ameaça, do castigo e da ira divina. Para Jesus os humanos deveriam governar assumindo ‘a governança de Deus’ tem os seguintes alicerces: 1. Deus é Pai – e não juiz implacável, - que faz chover sobre os bons e sobre os maus, que procura sempre a ovelha ferida e desgarrada. 2. Deus sempre dá a todos uma nova/infinita chance de mudar de vida; 3. Proclamar a todos o ‘Bom Anúncio’ de que a graça e a compaixão estão a chegar, e não a ‘desgraça’! São visões irreconciliáveis. Jesus se separa de João e inicia o seu próprio caminho, respeitando o jeito de João! E hoje, qual 'governança de Deus' nós queremos seguir? 


terça-feira, 29 de novembro de 2022

Quem tem medo das mulheres? - Por Massimo Recalcati

 Na base da violência machista contra as mulheres, há sempre a mesma aspiração: arrancar, rasgar, ferir, rejeitar, suprimir a sua liberdade. A justificação ideológica dessa terrível intenção tem como ponto fulcral a reivindicação de uma superioridade ontológica e moral do homem sobre a mulher que encontraria a sua codificação ideológica na leitura dogmática (e distorcida) do texto bíblico. Superioridade ontológica: o corpo da mulher viria daquele masculino - de sua famigerada "costela" - portanto, seria apenas uma expressão secundária e fatalmente inferior. Superioridade moral: a feminilidade encontraria seu símbolo maléfico em Eva, que encarnaria uma tentação pecaminosa capaz de empurrar o ser humano para a loucura da transgressão, para uma liberdade sem juízos que o mergulharia na natureza diabólica e perversa da sexualidade.

Na história secular do Ocidente, essa superioridade ontológica e moral do homem foi veiculada por vários dispositivos repressivos abertamente sexófobos. Em primeiro lugar, aquele da exclusão da mulher da vida da cidade: sem palavra, sem língua, sem nome, sem direitos. Mas de forma mais sorrateira e mais capilar pela via da maternidade como emenda da pecaminosidade feminina. Estratégia de purificação da sensualidade demoníaca de Eva através de sua metamorfose no caráter imaculado da virgem Maria. O Ocidente patriarcal insistiu particularmente neste ponto: o destino iniludível de uma mulher é aquele da maternidade. É, de fato, na identificação da mulher com a mãe, que ele pretendeu resolver o temível problema da excedência anárquica da liberdade da mulher. Nessa perspectiva, o materno configurou-se não apenas como destino biológico necessário da mulher - inscrito na Lei da natureza - mas como negação de sua própria existência. Para muitos homens, ainda hoje, transformar a mulher na mãe de seus filhos é uma forma de exercer, consciente ou inconscientemente, um domínio de apropriação sobre a sua liberdade. Com o inevitável acréscimo de que assim a mulher que se torna toda-mãe efetivamente desaparece como mulher ("autorizando", entre outras coisas, o homem a buscar em outras mulheres a realização de seu desejo).

Esse teorema patriarcal da maternidade como uma emenda da feminilidade na verdade dá o aval à violência do homem contra a mulher. Não é por acaso que muitos homens exercem sua violência quando se deparam com o caráter irredutível da liberdade feminina. Acontece, em particular, quando termina um vínculo de casal. Nessas circunstâncias, o homem abandonado não pretende reconhecer o direito de escolha da mulher. A violência, até o extremo atroz do feminicídio, é então uma forma de tentar ser novamente o senhor da liberdade da mulher, de subjugar brutalmente a independência de seu desejo....Esse é o sadismo que caracteriza a violência masculina, inclusive do ponto de vista clínico: apropriar-se da liberdade da vítima tornando-a um objeto indefeso. Além disso, o paradoxo que foi historicamente determinado consiste no fato de que quanto mais o homem se empenha nessa empreitada de subjugação sádica da liberdade feminina, mais ele é obrigado a verificar o destino fracassado desse projeto, ou seja, reconhecer o caráter indomável da liberdade da mulher. Isso é o que está acontecendo hoje nas ruas do Irã. 

A repressão às mulheres promovida pelo regime patriarcal-religioso dos aiatolás sempre foi exercida no pressuposto da inferioridade ontológica e moral da mulher. Não é por acaso que se entrega a uma verdadeira e própria polícia moral de cunho medievalista a vigilância sobre os corpos das mulheres. Aqui não é apenas a sexualidade que deve ser ocultada pelo véu da repressão, mas é a própria liberdade - da qual a sexualidade é uma expressão fundamental - que é constantemente perseguida. Essa é a raiz última da violência machista contra as mulheres: a liberdade irredutível da mulher aterroriza o poder do patriarcado religioso que a todo custo a deve domar, disciplinar, extirpar como se fosse uma gangrena.

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

O golpe da crise permanente do mercado

 Notável pensador português, em seu último livro, “O futuro começa agora: da pandemia à utopia”, Boaventura Santos descreve o modo de atuação do tal mercado e o que ele denomina do álibi da “crise permanente”.

“Por exemplo, a crise financeira permanente é utilizada para explicar os cortes nas políticas sociais (saúde, educação, previdência social) ou a degradação dos salários. E assim impede que se pergunte pelas verdadeiras causas da crise.

O objetivo da crise permanente é não ser resolvida. Mas qual é o objetivo deste objetivo? Basicamente, são dois os objetivos: legitimar a escandalosa concentração de riqueza e impedir que sejam tomadas medidas eficazes para evitar a iminente catástrofe ecológica.

Se mantém algum resíduo de mediação, é com as necessidades e aspirações dos mercados, esse megacidadão informe e monstruoso que nunca ninguém viu, nem tocou, nem cheirou, um cidadão estranho que só tem direitos e nenhum dever. É como se a luz que ele projeta nos cegasse”. (GGN)