sábado, 13 de julho de 2019

Romper os grilhões da religião: revestir-se de compaixão, e sermos próximo que ama e protege os feridos da nossa sociedade (Lc. 10,25-37)


Jesus rompe com a crença religiosa segundo a qual Deus vem em primeiro lugar, e os homens em segundo. A Deus caberia amor absoluto, e aos homens só amor relativo. Mas Jesus não separa os dois amores. E nem os coloca um acima do outro. O amor a Deus e o amor ao próximo caminham juntos e fazem sentido só se um revela o outro. Afinal, já São João nos dizia ‘como podemos afirmar que amamos Deus que não vemos, se não sabemos amar o irmão que vemos?’ 
No evangelho de hoje Jesus critica diretamente os ‘promotores da falsa religião’. Os que separam o amor a Deus da compaixão para com os homens, principalmente quando necessitados. Critica aqueles religiosos hipócritas que por defenderem a pureza das normas e a obediência aos preceitos religiosos que eles mesmos inventaram, ignoram os feridos, os abandonados, os perseguidos que vivem ao seu lado. Jesus não quer uma igreja preocupada com a sua manutenção e administração. Que brilha pela beleza de suas liturgias e suas vestimentas. Ou que se preocupa com um dízimo polpudo desligado da solidariedade. Jesus quer pessoas revestidas de compaixão. Porque Deus é compaixão! Que tenham a coragem de se abaixar para tratar as feridas do ódio, as chagas da intolerância e o câncer da indiferença e devolver a dignidade a quantos são agredidos cotidianamente. Deus não é amado mediante lindos louvores ou através de belas e longas adorações, e sim, mediante a prática da misericórdia. O nosso próximo são todos aqueles humanos que nos assistem e protegem por puro amor. Que não têm nojo de nos carregar em seus braços quando fedemos a desprezo e a humilhação. Afinal, onde há amor verdadeiro, lá Deus está!

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