sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

IV domingo comum - AS BEM-AVENTURANÇAS NO PRESENTE INDICATIVO!

Feliz é você que ao vencer o seu orgulho e a sua indiferença se torna humilde de coração, e na solidariedade empática se torna do pobre um verdadeiro irmão!

Feliz é você que ainda se comove ao ver uma mãe que chora. Feliz é você quando diante da sua dor você não a ignora, com ela também chora e, com ternura, a consola.  

Feliz é você que abomina grileiros e os arrogantes; que repudia os que expulsam e prendem sem flagrantes, e desterra todos os que violam a mãe terra.

Feliz é você que não se sente abastecido enquanto não se fartar do pão da justiça e da equidade. Feliz é você que aprendeu a vomitar o refugo da corrupção e da desigualdade.

Feliz é você que sabe se compadecer e amparar, porque ser misericordioso não significa ser cúmplice daqueles que não sabem acolher e nem perdoar. É com a mão estendida que se cura a ferida. 

Feliz é você que numa sociedade enfeitiçada de falsidade e de aparência, no espelho do seu coração você reflete só verdade e transparência. 

Feliz é você que persiste no diálogo e na paz, que não recua diante das armas dos fortes e enfrenta, sem temor, os abusos do déspota e do capataz.

Feliz é você quando, mesmo caluniado, continua coerente e honrado. Feliz é você que não vende a sua alma mesmo quando é pelo seu algoz trucidado.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Anuário da Segurança: PMs mataram mais e morreram menos em 2024 (Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025)

 

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 revela um cenário contraditório na violência envolvendo policiais no país. Enquanto as mortes de agentes de segurança diminuíram 1,4% em 2024, as mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP) aumentaram 8,2% no mesmo período. Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 4.378 pessoas morreram por ação policial no ano passado, contra 4.046 em 2023.

As mortes de policiais registraram leve queda, passando de 216 casos em 2023 para 213 em 2024. A redução de três casos representa diminuição de 1,4% na vitimização de agentes de segurança. Por outro lado, a letalidade policial cresceu de forma significativa, com 332 mortes adicionais causadas por intervenções de policiais civis e militares.

Letalidade policial atinge maior patamar em década

O aumento de 8,2% nas mortes por intervenção policial coloca 2024 entre os anos mais letais da última década. São mais de 12 mortes por dia causadas por ação policial no Brasil, número que representa grave violação de direitos humanos segundo organismos internacionais. A discrepância entre a redução das mortes de policiais e o aumento da letalidade policial levanta questionamentos sobre a proporcionalidade do uso da força. Especialistas apontam que o dado sugere possível despreparo técnico ou uso excessivo de armamento letal em operações policiais.

Violência policial concentrada em poucos estados

Embora o levantamento abranja todo território nacional, a violência policial tradicionalmente se concentra em estados com maior densidade populacional e altos índices de criminalidade. Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia historicamente lideram os rankings de letalidade policial no país. O perfil das vítimas de intervenção policial segue padrão conhecido: jovens negros, moradores de periferias urbanas, em sua maioria sem antecedentes criminais. A seletividade racial e social da violência policial brasileira é documentada há décadas por pesquisadores e organizações de direitos humanos.

Redução na morte de policiais não se traduz em menos violência

A diminuição de 1,4% nas mortes de policiais poderia sugerir melhoria nas condições de segurança dos profissionais. No entanto, o aumento simultâneo da letalidade policial indica que a redução na vitimização dos agentes não resultou em abordagens menos violentas por parte das corporações. Os 213 policiais mortos em 2024 representam média de quase 18 óbitos mensais entre agentes de segurança. O número inclui mortes em serviço e fora do expediente, abrangendo policiais civis, militares e de outras corporações de segurança pública.

Desafio para políticas de segurança pública

Os dados contraditórios evidenciam os desafios das políticas de segurança pública no Brasil. O país precisa simultaneamente proteger seus agentes de segurança e reduzir a letalidade das ações policiais, objetivos que exigem investimento em capacitação, equipamentos não letais e reformas estruturais nas corporações. A manutenção de altos índices de letalidade policial compromete a legitimidade das forças de segurança e alimenta ciclos de violência urbana. Especialistas defendem investimento em inteligência policial, policiamento comunitário e uso progressivo da força como alternativas ao modelo atual, excessivamente letal e pouco eficaz na redução da criminalidade.

 - Os assassinatos praticados por policiais estão sendo naturalizados no nosso País. Da mesma forma as mortes de policiais. Nesses momentos atuais assistimos às manifestações de milhares de cidadãos nos EUA contestando o assassinato de dois cidadãos americanos pelas mãos da ICE, os milicianos do Trump. Da mesma forma, quando ocorre um homicídio de um negro por um policial inúmeras revoltas ocorrem no País....Aqui parece que se naturalizou definitivamente a matança, a chacina, o linchamento de bandido e não bandido, das mortes por 'bala perdida'.....quanta diferença!  

"TAXEM-NOS! TAXEM OS SUPER-RICOS. QUEREMOS NOSSA DEMOCRACIA DE VOLTA!" RICAÇOS PEDEM PARA SER TAXADOS!

Seis em cada dez milionários e bilionários do G20 rejeitam as políticas do presidente dos EUA. Em uma carta aberta, eles propõem uma solução para restaurar a democracia: "Taxem-nos, taxem os super-ricos". Novas fissuras estão surgindo entre os super-ricos, apoiadores históricos (e eleitores) de Donald Trump. Enquanto o presidente americano e outros líderes mundiais se reúnem em Davos para o Fórum Econômico Mundial, uma pesquisa realizada pela Survation para Milionários Patriotas revelou que seis em cada dez milionários acreditam que o atual governo dos EUA teve um impacto negativo na estabilidade da economia global e no padrão de vida das pessoas comuns.

“Quando a riqueza é excessiva, torna-se um risco para a democracia”

Especialistas entrevistaram 3.900 milionários em países do G20. Destes, 77% acreditam que indivíduos extremamente ricos podem obter influência política neste momento histórico, enquanto 71% acreditam que aqueles com imensa riqueza podem usá-la para influenciar significativamente os resultados das eleições. Existe também uma forte convicção de que o financiamento privado de partidos e figuras políticas deve ser limitado (82%) e de que a influência das classes mais ricas sobre os políticos impede a adoção de medidas para combater a desigualdade (69%). Além disso, mais da metade dos super-ricos (63%) acredita que a riqueza excessiva representa um risco para a democracia.

“Taxem-nos, taxem os super-ricos”

A pesquisa é acompanhada por uma carta assinada por quase 400 bilionários e milionários de 24 países, incluindo Mark Ruffalo, Brian CoxBrian EnoAbigail Disney e, entre os italianos, membros da família Marzotto. "Quando até mesmo milionários, como nós, reconhecem que a riqueza extrema custou a todos os outros tudo o mais, não pode haver dúvida de que a sociedade está perigosamente à beira do abismo ", diz a carta, coordenada pelos grupos Patriotic MillionairesMillionaires for Humanity e Oxfam International e publicada no site Time to Win. “Estamos cansados ​​de ver tudo isso. Queremos nossas democracias de volta. Queremos nossas comunidades de volta. Queremos nosso futuro de volta.” A solução proposta em voz alta pelos ricos filantropos os afeta diretamente: “Parem de nos fazer perder tempo” e “Taxem a gente, taxem os super-ricos”. A mesma pesquisa mostra que apenas 17% do público se oporia a uma tributação mais alta para a parcela mais pobre da população, a fim de investir em serviços públicos e enfrentar a crise do custo de vida.

A indignação das elites

A principal referência é Donald Trump, embora a carta seja endereçada a todos os participantes do Fórum Econômico Mundial. "Se os líderes em Davos estão falando sério sobre a ameaça à democracia e ao Estado de Direito, eles devem se engajar seriamente na luta contra a extrema concentração de riqueza ", diz o ator e diretor Mark Ruffalo, que descreveu o ocupante da Casa Branca como um "presidente fora de controle" e uma "ameaça singular à democracia americana". A luta da qual Ruffalo fala inclui, segundo ele, "taxar os ricos como eu. Se queremos democracia, e não oligarquia, taxar os ricos é essencial para devolver o poder ao povo." A disparidade entre a riqueza pública e a privada está aumentando. Nos últimos 50 anos, a ascensão dos magnatas foi sem precedentes. O 1% mais rico detém agora três vezes a riqueza pública global total, que inclui bens pertencentes à sociedade, como terras e parques públicos, hospitais, escolas, redes rodoviárias, habitação social e tribunais. Em 1975, dados recentes divulgados pela Oxfam mostram que a diferença entre a riqueza pública e a privada era de aproximadamente US$ 36 trilhões; em 2024, essa diferença subiu para US$ 435 trilhões. Nesse ritmo, alertam os especialistas, em 2075 a riqueza privada terá ultrapassado a riqueza pública em quase US$ 900 trilhões.

A reportagem é de Emma Bonotti, publicada por La Repubblica, 22-01-2026.

  

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Jovem indígena Guajajara é executado a caminho da rodoviária em São Luís

 

Luan Guajajara Soares, jovem indígena de 23 anos da região de Grajaú foi executado a caminho da rodoviária de São Luís no dia 23 de janeiro passado. Às 21:00h. naquele mesmo dia havia sido solto pelas autoridades prisionais da SEAP- Pedrinhas, onde se encontrava detido, acusado de uso abusivo e tráfico de entorpecentes. Na madrugada do dia 24/01/2026, o corpo foi encontrado no percurso do presídio para a rodoviária. A família que em momento algum foi informada da sua soltura, tomou conhecimento por terceiros que viram a foto da vítima no jornal. É imprescindível apurar a relação do procedimento da soltura da vítima do Sistema Carcerário com possíveis circunstâncias de vulnerabilidade que facilitaram a execução da vítima. Saber qual foi o tratamento médico dado à vítima durante o período que esteve sob a custódia do Estado, sendo que a vítima sofria de depressão? Por que a família não foi avisada da soltura? Por que o serviço social do Sistema Carcerário não contatou a FUNAI ou o seu defensor legal para avisar da soltura? Qual foi o horário exato da soltura? É preciso esclarecer, também, os verdadeiros motivos de sua surpreendente transferência de Grajaú para Pedrinhas, para ser solto logo a seguir, e ser executado no mesmo dia de sua soltura. Não há como não suspeitar que houve troca de informações internas entre fontes da SEAP e o executor ou os executores do Luan Guajajara. Alguns órgãos de defesa dos Diretos Humanos já foram acionados com o intuito de fazer luz sobre esse caso. Espera-se que se faça justiça. Afinal, o assassinato de uma pessoa, mesmo que réu de delitos, não pode jamais ser justificado. Que os assassinos de Luan e seus cúmplices sejam encontrados e julgados por isso!

domingo, 25 de janeiro de 2026

Autoridades avaliam envio da Força Nacional à Terra Indígena Governador, no Maranhão

 

O governo do Maranhão e órgãos do governo federal acolheram recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para avaliar a necessidade de envio da Força Nacional na Terra Indígena Governador, localizada no município de Amarante do Maranhão. A medida busca conter a escalada da violência e garantir a segurança das comunidades diante do agravamento dos conflitos na região. A recomendação foi encaminhada ao governador do Maranhão, ao secretário de Segurança Pública do estado, ao coordenador regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e aos secretários executivos dos Ministérios dos Povos Indígenas e da Justiça e Segurança Pública. Ao acolher o pedido, as autoridades se comprometeram a analisar a urgência da intervenção policial para preservar a ordem pública e evitar novos episódios de violência. De acordo com o MPF, a situação na Terra Indígena Governador é considerada de extrema gravidade. Relatórios recentes indicam o aumento dos conflitos entre indígenas e não indígenas, motivados principalmente pela extração ilegal de madeira dentro do território.

Entre os episódios registrados estão:

§  homicídio ocorrido em 15 de julho de 2025 no interior da terra indígena;

§  ameaças diretas contra moradores da região;

§  ataques com armas de fogo a veículos;

§  vigilância e agressão física grave registrada em agosto deste ano.

Segundo o Ministério Público Federal, os fatos demonstram risco iminente à integridade física das comunidades locais, o que reforça a necessidade de avaliação urgente do envio da Força Nacional na Terra Indígena Governador. Na recomendação, o MPF também sugeriu que as autoridades avaliem o aproveitamento do efetivo da Força Nacional que já atua na região, atualmente empregado em ações de extrusão na Terra Indígena Araribóia. A estratégia tem como objetivo otimizar a logística, reduzir custos e acelerar a resposta das instituições de segurança pública, garantindo proteção tanto para indígenas quanto para não indígenas que vivem ou transitam pela área da Terra Indígena Governador.O acolhimento da recomendação não significa o envio imediato das tropas, mas a abertura de uma avaliação técnica e administrativa sobre a necessidade da medida. Segundo o MPF, a atuação preventiva da Força Nacional pode ser decisiva para evitar o agravamento dos conflitos e restaurar a segurança na região. (Imirante)

 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

III Terceiro Domingo Comum - É URGENTE PESCAR DIFERENTE!

Há momentos na vida em que, para se manter coerentes e cumprir um chamado personalíssimo, é preciso romper drasticamente com o próprio passado e com o nosso entorno. Sim, ‘é preciso obedecer primeiro a Deus, à própria consciência, e depois aos homens”! O Jesus que emerge da experiência luminosa do batismo no Jordão não é o mesmo que havia sido moldado e educado na sua comunidade em Nazaré. Ele se vê forçado a romper com a sua família biológica e com a sua própria comunidade religiosa por elas não reconhecerem o seu inédito chamado e a sua nova missão. Ele percebe que não vale mais a pena investir numa comunidade religiosamente bitolada e espiritualmente fechada ao ‘novo’ que Deus sempre comunica aos seus filhos! O ‘convertido’ Jesus abandona definitivamente Nazaré e se muda para a ‘terra dos pagãos’, na aldeia de Cafarnaum, terra de ‘pescadores de peixes’. O seu desafio é persuadir pessoas religiosamente não bitoladas, mas abertas ao 'novo', a mudarem de mentalidade e de direção. Jesus convoca leigos e leigas não religiosos, especialistas em pescaria, a pescar diferente: a ‘pescarem homens’. Em outras palavras: a puxarem para fora das turvas águas do mar do desespero, do medo, da violência, da dependência e da morte, um número infinito de pessoas que estavam a afogar. É este ato permanente de ‘pescar, curar e libertar gente' que prova que o novo jeito de 'governar de Deus' está ao nosso alcance. O Reinado da compaixão e da misericórdia, - e não das liturgias bitoladas dos sacerdotes e dos devotos do templo, - se torna, agora, possível em Jesus! Mas como é difícil entender e praticar isto!!!!


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

RICAÇOS SEMPRE MAIS RICAÇOS! A ESTRONDOSA VITÓRIA DA DESIGUALDADE

O Relatório Mundial sobre a Desigualdade (WIR) de 2026 mostra que cerca de 56.000 pessoas – 0,001% da população mundial – detêm três vezes mais riqueza do que a metade mais pobre da humanidade. Isso se dá em quase todos os países. No Reino Unido, por exemplo, 50 famílias possuem mais riqueza do que 50% da população junta. É possível acompanhar o crescimento de suas fortunas. Em 2024, segundo dados da Oxfam, a riqueza dos 2.769 bilionários do mundo aumentou em US$ 2 trilhões. O gasto global total com ajuda internacional no ano passado foi projetado em, no máximo US$ 186 bilhões – menos de um décimo do aumento em suas riquezas. 

Os governos nos dizem que “não podem arcar” com mais investimentos públicos. No Reino Unido, os bilionários ficaram, em média mais de 1.000% mais ricos desde 1990. A maior parte de sua riqueza deriva de imóveis, heranças e finanças. Em outras palavras, eles ficaram tão ricos às nossas custas. A questão afeta todos os aspectos da política. Trump não está se apropriando da riqueza petrolífera da Venezuela em benefício dos pobres dos EUA. Ele não se importa com eles, como revelou seu Orçamento para 2026 (“big, beautiful bill”) – que rouba dos pobres para dar aos ricos. Ele cobiça a Groenlândia em nome dos mesmos interesses da elite, da qual é o avatar. Quando o homem mais rico do mundo, Elon Musk, ajudou a destruir a vida dos mais pobres ao desmantelar a USAID, ele o fez em nome de sua classe. O mesmo se aplica aos ataques de Trump à democracia e à sua guerra contra o mundo natural. São os ultrarricos que mais se beneficiam da destruição, tanto ao ganhar quanto ao gastar dinheiro. O WIR mostra que o 1% mais rico da população mundial é responsável por 41% das emissões de gases de efeito estufa provenientes da propriedade de capital privado: quase o dobro da porcentagem emitida pelos 90% mais pobres. E, por meio de seu consumo, outro estudo demonstra que esse 1% produz tantos gases de efeito estufa quanto os dois terços mais pobres. A desigualdade prejudica todos os aspectos de nossas vidas. Décadas de pesquisa de Kate Pickett e Richard Wilkinson mostram que uma maior desigualdade, independentemente dos níveis absolutos de riqueza, está associada a mais criminalidade, pior saúde pública, maior incidência de vícios, menor nível de escolaridade, maior ansiedade por status (levando a um maior consumo de bens posicionais), maior poluição e destruição e uma série de outros problemas.(IHU)


O feminicídio está sendo naturalizado, diz a vice-presidente do Instituto Maria da Penha!

Uma das principais vozes no combate aos feminicídios e na luta pelos direitos das mulheres no Brasil, Regina Célia Barbosa, cofundadora e vice-presidente do Instituto Maria da Penha, faz um alerta. Em 2026, quando chegamos aos 20 anos da Lei Maria da Penha, principal instrumento legal de combate à violência de gênero no país, considerada uma das mais avançadas do mundo, “o feminicídio está chegando a um processo de naturalização”.

Os dados confirmam a afirmação da professora e cientista política. A cada dia no Brasil, quatro mulheres são assassinadas, em média. No ano passado, ultrapassamos a marca de mil feminicídios no país. Não são apenas os números que chocam, também os relatos. “Quando você tem uma mulher assassinada, arrastada pelo carro, por quase um quilômetro. Quando você tem mulheres que são ateadas fogo junto com seus filhos e queima também uma parte de uma comunidade, entre outras questões, você observa que está havendo o quê? Está havendo uma banalização da prática da violência dessa mulher”, afirma Barbosa. As mulheres estão sob ataque e a violência, inflamada pela cultura machista e pelos discursos misóginos, também mira nas ativistas como Barbosa e na própria Maria da Penha, que têm sido alvo de ataques online e de desinformação. No ano passado, investigações apontaram que um documentário da produtora de extrema direita, Brasil Paralelo, forjou documentos para desacreditar Maria da Penha e a lei de proteção às mulheres. Enquanto a violência segue nos ambientes online e na vida real, os governos falham em oferecer respostas rápidas. Há, na opinião de Barbosa, “um descompasso”. “As mulheres estão denunciando mais, estão fazendo a parte delas, mas cadê o feedback?”, pergunta. “A gente está lutando contra uma estrutura que infelizmente não está dando prioridade na atenção à garantia dos direitos das mulheres”, afirma, em entrevista para a Agência Pública


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

II Domingo Comum - É PRECISO COMBATER E ELIMINAR O PECADO DO MUNDO, AQUELE QUE AGRIDE E DESTRÓI A VIDA EM PLENITUDE!

A mentalidade moralista e espiritualista que vem impregnando as nossas consciências ao longo dos séculos impede que se encare o ‘pecado’ como algo concreto e pernicioso para a existência de todos os seres vivos! O pecado é visto ainda como algo espiritual, intimista, uma falta contra uma determinada moral produzida por grupos humanos. Algo que, ao ser confessado, expiado ou absolvido cessaria, automaticamente, de existir e, consequentemente, deixaria de destruir sonhos e vidas reais. O profeta João Batista no evangelho de hoje nos coloca no plano das atitudes éticas, e não dos comportamentos morais. De fato, ele reconhece no inspirado Jesus de Nazaré, - que curava integralmente as pessoas de toda doença, exclusão, dependência espiritual maligna, - como Aquele que tem o poder de ‘eliminar, destruir, tirar’, definitiva e concretamente, o ‘pecado do mundo’. Isto significa que Jesus ataca direta e concretamente não as pequenas, periféricas e insignificantes faltas morais, mas a origem, a causa principal que produz aqueles hábitos destrutivos e os comportamentos desviantes que negam e destroem a vida em plenitude para todos os seres. É o ‘pecado do mundo’ que encontra abrigo no nosso coração e que nos leva a destruir, possuir, negar, escravizar, manipular o outro. O nosso desafio é incorporar ‘o Espírito do Pai’ para que tenhamos coragem de atacar e destruir tudo o que agride e destrói a vida em abundância! Sim, o pecado de mundo!


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Dez teses sobre a nova era. Artigo de Steven Forti

O retorno de Trump à Casa Branca em janeiro de 2025 marcou o início de uma nova era. Nosso "mundo de ontem", para usar as palavras de Stefan Zweig, acabou. Kaputt. Precisamos perceber isso o mais rápido possível. Entramos em uma nova fase histórica, cujas características são, naturalmente, ainda incertas. Tentarei delinear seus contornos com base em dez teses.

1. O neoimperialismo substitui a ordem liberal global - A ordem liberal global criada no final da Segunda Guerra Mundial — frágil, imperfeita e frequentemente desconsiderada — está sendo substituída por uma lógica imperial governada por uma mistura da lei da selva — a força faz o direito — e pela divisão de esferas de influência — a nova doutrina trumpista foi definida como “geopolítica hemisférica” — e uma abordagem transacional. Se quisermos traçar um paralelo histórico, a nova era assemelha-se à época do imperialismo do final do século XIX: não se trata de um retorno à era imperialista clássica ou à antiga ordem de Vestfália, mas sim do estabelecimento de um sistema internacional "neomonárquico" estruturado por um pequeno grupo de elites hiperprivilegiadas que buscam legitimar-se apelando ao seu excepcionalismo para criar novas hierarquias materiais e de status.

2. O neoliberalismo abriu caminho para o novo autoritarismo - Os alicerces da nova era estão sendo construídos sobre as ruínas do neoliberalismo. Primeiro, as políticas neoliberais — privatizações, insegurança no emprego, cortes nos gastos sociais, etc. — enfraqueceram o modelo do Estado de bem-estar social, aumentando as desigualdades e fragmentando a coesão social. Segundo, tudo isso foi reforçado pelo fato de que, como ideologia, por mais “invisível” que seja, o neoliberalismo incutiu uma série de valores, como o individualismo desenfreado e a competitividade extrema, a ponto de forjar uma aliança com os setores etnonacionalistas e identitários da direita. Terceiro, o próprio conceito de democracia foi esvaziado de sua componente social: a democracia formal — o respeito a (algumas) regras e procedimentos — substituiu a democracia substantiva, cujo objetivo é a igualdade. Em quarto lugar, num contexto marcado pela globalização neoliberal, o poder efetivo deslocou-se para as elites económicas, com a consequente configuração de um sistema pós-democrático, no qual os organismos intermediários – partidos, sindicatos, associações da sociedade civil – se desfizeram gradualmente, a participação evaporou-se e a personalização da política, também facilitada pela transformação dos meios de comunicação social, favoreceu o surgimento de fenómenos “populistas” [3].

.3. Os tecnoligarcas assumem o controle do Estado - Na era do neoliberalismo triunfante, a conivência entre o poder político e o econômico era evidente. Houve resistência, com intensidade variável de país para país. Uma aparência de respeito pelas regras do jogo foi mantida (embora nem sempre, é preciso dizer): a influência das elites econômicas era visível, mas houve tentativas (pelo menos em certa medida) de ocultá-la. Na nova era, porém, o que se quer fazer, faz-se e diz-se, sem esconder. Isso se aplica tanto à geopolítica quanto às relações com as potências econômicas. Por um lado, Trump bombardeia Caracas e prende Maduro para controlar diretamente os poços de petróleo venezuelanos: a palavra “democracia” não aparece em seus discursos e está longe de ser um de seus objetivos, mesmo que apenas superficialmente. Por outro lado, os barões ladrões do terceiro milênio estabeleceram explicitamente uma aliança estratégica com os novos líderes autoritários: os tecnoligarcas do Vale do Silício não querem apenas encher os bolsos, mas, em primeiro lugar, defendem abertamente projetos autoritários e antidemocráticos — novas monarquias absolutas, movidas pela eficiência e governadas por CEOs-reis. 

4. Autocracias eleitorais substituem democracias - Na nova era, a democracia, mesmo em sua forma formal, é considerada um mero ornamento. De fato, foi reduzida a uma sombra do que já foi. Já na era do declínio do neoliberalismo, ou seja, a partir de 2008, a porcentagem da população mundial vivendo em democracias vem diminuindo constantemente, atingindo um modesto e preocupante patamar de 28% em 2024. A tendência é clara. Há cerca de vinte anos, vivenciamos a primeira grande onda de autocratização desde a Segunda Guerra Mundial; isto é, cada vez mais países se tornam autocracias eleitorais.

5. A extrema-direita é o principal ator da nova era - Juntamente com os líderes autoritários — leia-se: homens fortes — no poder em grande parte do mundo — Putin, Xi Jinping, Erdogan, Modi, os petro-monarcas do Golfo, e assim por diante — no Ocidente, é a extrema-direita que melhor representa esta nova era. De fato, ela está ganhando terreno eleitoral em todos os lugares e chegou ao poder em diversos países: dos Estados Unidos à Argentina, de Israel à Itália, da Hungria a El Salvador e ao Chile. Assim que tem a oportunidade, estabelece sistemas eleitorais autocráticos: a separação de poderes é corroída, o pluralismo midiático é atacado e os direitos de grandes segmentos da população desaparecem. O homem forte se apresenta como representante do povo, despreza os controles democráticos e coloca em movimento um projeto etnonacionalista reacionário.

6. Mais do que fascismo, é uma renovação do pensamento anti-iluminista - Costuma-se dizer que estamos vivenciando o retorno do fascismo, mais ou menos disfarçado. Embora existam elementos de continuidade entre o fascismo histórico e a extrema-direita do terceiro milênio — mais em alguns países do que em outros —, o conceito de “fascismo eterno”, proposto há mais de trinta anos por Umberto Eco, nos leva a conclusões equivocadas. Como aponta Santiago Gerchunoff, o uso compulsivo do termo — em suas diversas formas: fascismo tardio, fascismo fóssil, tecnofascismo etc. — revela, antes, “o desejo de encontrar uma palavra mágica que afaste o perigo da abstração do nosso mundo e, ao mesmo tempo, silencie qualquer discussão” [6]. É reconfortante, por assim dizer, chamar a nova extrema-direita de fascista porque, em certo sentido, isso nos dá a falsa certeza de saber o que estamos enfrentando. Contudo, as características desta nova era não são as mesmas do período entre guerras: passou-se um século desde os regimes de Hitler e Mussolini. Digamos o seguinte: pode-se ser reacionário, nacionalista, autoritário e antidemocrático sem necessariamente ser fascista. Mas isso não torna a situação menos grave. O que temos diante de nós é uma nova extrema-direita que defende um autoritarismo pós-liberal, anti-igualitário e orientado para a eficiência. As suas raízes encontram-se no pensamento anti-Iluminismo e no reacionarismo antiliberal do final do século XVIII. 

7. O extremismo é a nova corrente dominante - Nas últimas décadas, ideias extremistas se normalizaram. A Janela de Overton deslocou-se radicalmente para a extrema-direita: ideias antes consideradas inaceitáveis ​​tornaram-se senso comum e, como último recurso, foram consagradas em lei. Na Rússia e na Hungria, a homossexualidade é legalmente equiparada à pedofilia. Nos Estados Unidos, declarar-se antifascista implica ser considerado membro de um grupo terrorista. Já não choca ninguém quando influenciadores proeminentes do movimento MAGA afirmam publicamente que as mulheres não deveriam ter o direito ao voto, quando o presidente argentino Javier Milei considera a justiça social um câncer que deve ser erradicado, ou quando membros do governo israelense definem os palestinos como “animais” e defendem o genocídio no cenário mundial. Teorias da conspiração abundam, a começar pela Grande Substituição, segundo a qual as elites globalistas estariam executando um plano para substituir a população europeia por imigrantes muçulmanos. A nova era não é apenas a era da pós-verdade, da desinformação e das notícias falsas, mas também uma era em que o extremismo se tornou comum. 

8. Os partidos e as instituições democráticas estão passando por uma paralisia debilitante - Apesar de algumas vitórias eleitorais e algumas decisões acertadas, a maioria dos partidos e instituições democráticas não conseguiu compreender que tudo mudou. Raciocinam com base em paradigmas ultrapassados ​​e propõem soluções antiquadas que, além de serem irrealistas neste século XXI, já não despertam qualquer interesse, nem mesmo entre aqueles que as defendem. Na pior das hipóteses, demonstrando uma incrível falta de visão, o establishment liberal tenta copiar a extrema-direita para evitar ser canibalizado e sobreviver ao que acredita ser uma tempestade passageira, pavimentando, em última análise, o caminho para o autoritarismo pós-liberal. Apesar de seus erros e deficiências, poucos — Lula, Sánchez, Sheinbaum, Petro, Mamdami — parecem compreender o cerne da questão: nada será como antes.

9. A religião está sendo usada mais uma vez como arma política - A nova era é caracterizada pela renovada centralidade do uso político da religião em todo o mundo. Embora esse não seja um fenômeno novo nos mundos muçulmano ou hindu, certamente é novo no Ocidente, onde, após décadas de secularização, considerávamos a religião algo do passado. Apesar do aumento no número de ateus e agnósticos, novos líderes autoritários estão utilizando a religião mais do que nunca, invocando a suposta proteção de Deus, como se fossem novos monarcas absolutos por graça divina. É uma religião que se manifesta de forma agressiva, excludente e baseada na identidade.

10. A resposta para "O que fazer?" só pode ser coletiva - A resposta à antiga questão leninista não cairá do céu, nem será formulada por nenhum intelectual. Ela só pode emergir da sociedade; ou seja, só pode ser coletiva. Temo que levará tempo — certamente anos, provavelmente uma geração — porque o que precisa ser reconstruído, tanto do ponto de vista material quanto moral, aumenta a cada dia que passa. Iludir-se pensando que a derrota da extrema-direita em uma eleição específica significa uma virada é pura ilusão. Enquanto isso, pelo menos podemos evitar cair no abismo. Os partidos democráticos devem evitar sucumbir ao canto de sereia da extrema-direita e defender as instituições e os direitos arduamente conquistados. As instituições europeias devem opor-se veementemente ao neoimperialismo autoritário dos EUA, evitando a insolução do apaziguamento — um suicídio lento — e emergindo da letargia da “vassalagem feliz”. É necessário repensar completamente os paradigmas existentes: os antigos já não funcionam nesta nova era. Portanto, devemos começar do zero: reconstruir a sociedade — agora fragmentada e atomizada —, criar um senso de comunidade — que não seja do tipo identitário e etnonacionalista da extrema-direita —, reacender a batalha de ideias — a extrema-direita vem fazendo isso há anos e agora colhe os frutos — e forjar alianças e redes transnacionais — porque a solução não pode ser meramente local. Todos devemos nos sentir envolvidos. A única possibilidade é "voz", ou seja, participação e protesto. Este deve ser o ponto de partida. (IHU, artigo reelaborado pelo blogueiro)


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

BATISMO DE JESUS: NÃO UM RITO VAZIO, MAS A CONSAGRAÇÃO DE UMA NOVA E INÉDITA MISSÃO

Existem momentos de iluminação existencial em que descobrimos de forma lúcida quem somos e o que queremos. Experiências únicas. Irreproduzíveis.  Certamente, são o resultado de buscas interiores, de lutas internas, às vezes dolorosas.  Todavia, quando somos levados a mergulhar no ‘luminoso e surpreendente’ que elas produzem se revelam a nós de forma poderosa e totalizante. Tudo muda. A nossa 'nova' vida pode ser narrada e interpretada somente a partir daquele momento. A experiência luminosa, inédita, única de Jesus de Nazaré se deu no contexto do seu batismo. Entre as águas que corriam pelo deserto da Judéia. No espaço onde duelavam vida e morte. Desejos de redenção e pulsões de destruição. Na escuta e na confrontação com a profecia, com as ameaças e as denúncias de João Batista. Jesus descobre de forma única, clara, luminosa que se iniciava  uma nova etapa em sua vida. Uma nova vocação, a definitiva, a única. A de se colocar como instrumento de redenção e de libertação nacional. Mais do que isso: que essa missão nova vinha sendo confirmada e 'abençoada' pelo próprio Deus Pai. Um Deus que retoma a sua ação de redenção e recriação da humanidade mediante a prática da compaixão e da misericórdia do cidadão e filho fiel, Jesus! Que cada um de nós descubra a sua verdadeira missão aqui e agora, não somente na igreja, mas no mundo!