O itinerário de Jesus, principalmente na sua derradeira semana de vida não é mais trágico e mais dolorido do que o itinerário de milhões de seres humanos de hoje. Contemplar as atuais farsas de julgamentos formais, supostamente imparciais, os cotidianos abusos de policiais e os brutais assassinatos de milhões de seres humanos cometidos por governos fantoches e pelos ‘democraticamente eleitos’ sob os olhos complacentes de igrejas e de ‘instituições filantrópicas’ nos ajuda a mergulhar no drama vivido pelo próprio Jesus. É olhando o hoje que podemos intuir e compreender o ontem! Pouco adiantaria sentir pena da horrível morte subida por Jesus no Calvário se isso não produzir um forte sentimento de indignação pelas inúmeras injustiças que todo dia ferem de morte a dignidade de muitos inocentes. Em nada adiantaria dramatizar espetacularmente a Via Sacra nas nossas ruas se não deixarmos brotar em nós atitudes de compaixão e de solidariedade. Em nada adiantaria chorar ao ouvir o último e lancinante grito do agonizante Jesus se, depois, continuarmos a apoiar a pena de morte e a aplaudir os linchadores de ladrão de celulares. Celebrar a paixão de Jesus é celebrar o nosso compromisso de fé e de vida em combater toda indiferença e intolerância, e todos os prepotentes que crucificam filhos e filhas do Pai. Celebrar a Paixão é acreditar que toda vida é sagrada, e que toda morte jamais será em vão.
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