Os ataques de Israel ao Líbano nas últimas semanas estão sendo minuciosamente analisados por organizações internacionais como a Oxfam, que acaba de elaborar e publicar um relatório afirmando que o Estado israelense está utilizando táticas já empregadas durante o genocídio em Gaza no Líbano, com o objetivo de devastar sua infraestrutura hídrica, algo proibido pelo direito internacional humanitário.
“Em
apenas quatro dias, durante as primeiras semanas da mais recente escalada de
violência, Israel danificou pelo menos sete fontes vitais de água, incluindo
reservatórios, redes de tubulações e estações de bombeamento que abasteciam
mais de 7.000 pessoas somente no Vale do Bekaa”, afirma o relatório
da Oxfam. E não é só isso: “A destruição da infraestrutura civil
não se limitou a instalações básicas de água. Israel também destruiu redes
elétricas e pontes, interrompendo o fornecimento de serviços essenciais para
cidades e vilarejos inteiros”, conclui a organização, lamentando a
impossibilidade de acessar as áreas afetadas — referindo-se às regiões do sul
do Líbano próximas à fronteira — para realizar uma avaliação
dos danos.
“As consequências a longo prazo serão devastadoras para as comunidades se elas não tiverem acesso à água potável ao retornarem para casa”, alerta a Oxfam, que é inequívoca quanto à estratégia israelense: “É evidente que as forças israelenses estão repetindo o mesmo padrão no Líbano que em Gaza: atacando civis, infraestrutura civil crítica, equipes de serviços de emergência e trabalhadores humanitários”, afirma Bachir Ayoub, diretor da Oxfam no Líbano. “O objetivo deles é espalhar o caos e o medo entre a população, ignorando o direito internacional.”A organização, que acusa a comunidade internacional de ser “cúmplice” das atrocidades que Israel vem cometendo em Gaza e no Líbano, fala em “impunidade” e “crimes de guerra” para descrever as ações do Estado de Israel; uma visão compartilhada pela maioria das organizações humanitárias e por uma parcela significativa da comunidade internacional. “O mundo mostrou que Israel pode fazer o que quiser, quando quiser, sem consequências, e mais uma vez é a população civil que paga o preço mais alto por essa inação”, afirma Ayoub. (IHU)
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