O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD) do MapBiomas, lançado na 4ª feira (27/5), trouxe uma boa notícia para o meio ambiente e o clima. O desmatamento no Brasil caiu 21% em 2025 em relação ao ano anterior. Além disso, o desmate de 984.794 hectares – apesar de ser equivalente a seis vezes o território da cidade de São Paulo – foi o menor em seis anos.
A devastação atingiu todos os biomas brasileiros, incluindo os dois mais desmatados: o Cerrado registrou uma diminuição do desmate de 17%, e a Amazônia, de 23,5%. A maior redução percentual na área desmatada foi no Pantanal, com queda de 48,4% em relação a 2024, informam g1 e O Globo. Apesar da queda, o Brasil ainda perde 2.698 hectares por dia de vegetação nativa – o equivalente a 17 Parques do Ibirapuera. No Cerrado, foram perdidos 1.482 hectares por dia. Na Amazônia, o desmate foi de 792 ha por dia – o que equivale à perda de cerca de 5 árvores por segundo, destacam Veja e UOL. Juntos, Amazônia e Cerrado responderam por mais de 84% da área desmatada no país em 2025. O Cerrado permanece como o bioma com a maior área desmatada – 540.614 hectares (54,9% do total), apesar da queda de 16,9% em relação a 2024. Na Amazônia, foram desmatados 289.478 hectares – uma redução de 23,5% frente ao ano anterior. Se este nível de desmatamento vier a ser confirmado pelo PRODES, será o menor desmate da série histórica. Segundo o RAD, o principal vetor de supressão foi a agropecuária, responsável por mais de 97% da perda de vegetação no país entre 2019 e 2025. O MATOPIBA – região que engloba os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – concentrou 40% de todo o desmate no país e 70% da devastação do Cerrado, mesmo com queda de 24% em relação a 2024, apontam o IPAM e a CNN Brasil. Os dados escancaram o que pode ocorrer depois que os deputados federais limitaram os embargos via satélite sobre áreas ilegalmente desmatadas na “Semana do Agro”. Como explica o coordenador-geral do MapBiomas, Tasso Azevedo, a mudança aprovada pelos deputados enfraquece justamente um dos principais instrumentos usados para interromper rapidamente o avanço do desmatamento, destaca o Brasil de Fato. “Todo o sistema de monitoramento de desmatamento hoje é feito no mundo inteiro por imagens de satélite, porque a imagem de satélite acaba sendo, em muitos casos, uma prova quase tão boa quanto a própria visita a campo”, explica. “Imagina que eu decidisse que não posso mais usar o radar para aferir a velocidade com que o veículo anda”, compara.
Cerca de 65% das áreas desmatadas identificadas pelo MapBiomas foram alvo de ações concretas das autoridades em 2025. De acordo com a Folha, a relação havia sido de 54% em 2024 e de apenas 5% em 2019, no primeiro ano do (des)governo de Jair Bolsonaro. Em nota, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) afirmou que os números positivos resultam da implementação dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas (PPCDs), que, pela primeira vez, abrangem todos os biomas do país. A pasta também destaca a intensificação das ações de fiscalização ambiental e as novas normas para acesso ao crédito rural, segundo o Estadão.
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