segunda-feira, 20 de julho de 2026

Feminicídio aumenta, principalmnte na América Latina e Caribe

 

Observatório da Igualdade de Gênero da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas registrou 19.254 feminicídios nos últimos cinco anos, ou seja, 11 mortes violentas de mulheres por motivos de gênero todos os dias, uma a cada duas horas.

Em 2024, 14 dos 25 países com as maiores taxas relativas de feminicídio no mundo estavam localizados na América Latina e no Caribe (ONU Mulheres e CEPAL), liderados por Honduras, com 4,7 vítimas por 100.000 mulheres, seguidos pela Guatemala (1,9) e pela República Dominicana (1,7). Este número não leva em consideração a enorme subnotificação de dados, principalmente devido ao medo ou à incapacidade de denunciar os crimes e, muitas vezes, à falta de confiança nas forças policiais e no sistema judiciário, que é percebido como indiferente, arrogante ou até mesmo conivente com os agressores.

Esses números superam em muito a média regional, que varia de 1 a 1,3 caso por 100.000 mulheres. Brasil e México lideraram a lista de países com o maior número absoluto de feminicídios, com 1.568 e 768 homicídios, respectivamente (2025). Quarenta e dois por cento dos ataques fatais são cometidos por um parceiro atual ou anterior, e o ambiente doméstico é a principal fonte de risco, particularmente para as mulheres entre 21 e 30 anos (22% dos feminicídios). Em 2025, em Honduras, o observatório do Centro de Direitos das Mulheres (CDM) registrou 936 ataques contra mulheres e meninas, incluindo 412 crimes sexuais e 262 feminicídios. Isso significa que, em Honduras, uma mulher ou menina é assassinada a cada 33 horas. Quarenta e seis por cento das vítimas têm entre 11 e 39 anos, representando um aumento de 49% em comparação com o ano anterior.

A maioria dos agressores fazia parte do círculo mais próximo das vítimas. Pela primeira vez, os crimes sexuais (44%) ultrapassaram os crimes contra a vida (31%), afetando principalmente meninas e mulheres jovens (297). Os relatos de violência doméstica totalizaram 41.895 e os de violência familiar chegaram a 48.642. Nos primeiros seis meses de 2026, a situação permaneceu inalterada. O Observatório registrou 126 mortes violentas de mulheres, uma a cada 34 horas. Em maio, oito mulheres foram assassinadas em apenas quatro dias, quatro delas menores de idade. Diante da gravidade da situação e da significativa subnotificação dos casos, o Centro de Direitos das Mulheres (CDM) e cerca de 20 organizações, coletivos e plataformas feministas e de mulheres se posicionaram, exigindo uma abordagem abrangente para a violência contra as mulheres.

“Esses números não são estatísticas abstratas; representam vidas perdidas, famílias destruídas e filhos e filhas crescendo sem suas mães. Cada estatística representa um nome, uma história e uma comunidade que lamenta sua ausência. Diante dessa realidade, nenhuma organização comprometida com os direitos das mulheres pode permanecer em silêncio”, alertam em uma declaração conjunta.

 

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