segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

FUNAI esclarece: a notícia do corpo queimado de uma criança indígena 'não passou de boato. Uma mentira'

Em nota de esclarecimento a FUNAI – Regional de Imperatriz veio a público, ontem, 08 de janeiro, esclarecer que matérias veiculadas nesses dias noticiando a morte de uma criança indígena Awá tendo o seu corpo queimado não passou de ‘um boato infundado. Uma mentira’. Uma produção irresponsável de órgãos de imprensa que não souberam ou não quiseram investigar e averiguar o fato. Nos dias de 06 a 8 desse enviou três funcionários daquela Regional para recolher informações in loco. Contatou o indígena Clóvis Guajajara que supostamente foi a principal testemunha, e a fonte da denúncia, –segundo vários relatos divulgados, – e este admitiu que ‘em momento algum viu um corpo queimado de uma criança, que não filmou nada, e que os Awá continuam perambulando nas proximidades da aldeia Vargem limpa, e que os madeireiros continuam no lugar de sempre’. A própria equipe da FUNAI flagrou a presença de um madeireiro dentro da T.I. Araribóia. O caminhão estava sendo dirigido por Neraldo Alves Machado filho de Alderina e Leontino Alves Machado reincidentes no roubo de madeira na terra indígena. Ele contava com o consentimento do indígena Evanildo Guajajara que fugiu ao perceber a presença do carro oficial da Funai. Este blogueiro já havia levantado uma série de dúvidas e reservas a respeito do que foi veiculado sobre o ‘acontecimento’, pois havia evidências de ‘contaminação’ e de manipulação (ver postagem do dia 7 de janeiro) e concluía dizendo: Não estranharia se mais uma vez se dissesse que foi uma lorota com objetivos desconhecidos. E mesmo que seja ninguém poderá minimizar o drama pelo qual estão passando os Awá-Guajá daquelas e de outras terras em que perambulam. Continuamente obrigados a se deslocarem do seu território para fugir de madeireiros, plantadores de eucalipto, criadores de bois e... de instituições omissas e de ‘presidentes da República’ que fingem que não estão vendo...Afinal, esses ‘restinhos étnicos’ são um estorvo ao desenvolvimento do Estado e da Nação Brasil!

sábado, 7 de janeiro de 2012

A dança das versões sobre a criança indígena queimada. Verdade ou não, o drama dos Awá é real !

Foi no dia 5 de janeiro que mediante o face book tomei conhecimento da notícia da morte horrível de uma criança indígena na região de Arame. Uma amiga me perguntava se sabia algo a respeito. Respondi que não, mas que iria fazer algumas ligações e averiguar. Imediatamente liguei para a Funai de Imperatriz e conversei com um funcionário que reputo sério e estranhou a informação, pois nunca tinha chegado àquela instituição algum tipo de denúncia desse feitio. Assegurou que iria atrás de informações e que me daria um retorno. Foi o que ocorreu. Pouco tempo depois, após ter feito várias ligações descobriu que se falava bastante nesse caso nas aldeias e em Arame, e me garantiu que no dia seguinte iriam mandar uma equipe para averiguar in loco o ocorrido. Acompanhando a cobertura da imprensa sobre o caso tem-se a clara impressão de que há um desencontro e um descompasso entre as várias matérias e versões que nos deixam atônitos. E que podem dar margem a graves dúvidas sobre a própria veridicidade do acontecimento. Disso tudo verifico que:
  • Uma das primeiras versões dizia até que ‘os madeireiros estavam tripudiando enquanto assistiam à criança ser consumida pelo fogo....’ Ora, nem sabemos se foram eles mesmos a fazer isso! Por que acrescentar esse detalhe fantasioso que poderia ‘contaminar’ o relato todo e jogar suspeitas sobre a gravidade do acontecido?
  • Outra versão dá conta de que ‘um índio Guajajara que costumava caçar por lá viu o corpinho e comunicou a outros que teriam tirado algumas fotos mediante aparelho de celular’. Essas imagens depois de 2 meses ainda não haviam chegado à sede da Funai de Imperatriz ou a qualquer delegacia para comprovar a existência do corpo queimado!?
  • Numa outra versão, se diz que a Funai, - mas não se diz se a de Brasília ou a de Imperatriz, teria recebido a denúncia sobre isso ainda em novembro. As duas sedes negam, mas agora, a de Brasília afirma que houve uma denúncia anônima à época, mas que não pediu averiguações (por ser anônima?) Acrescenta o jornalista de que o órgão federal daria até segunda próxima dia 9, o ‘laudo’. Laudo de que? O corpo continua lá, depois de dois meses?
Não estranharia se mais uma vez se dissesse que foi uma lorota com objetivos desconhecidos. E mesmo que seja ninguém poderá minimizar o drama pelo qual estão passando os Awá-Guajá daquelas e de outras terras em que perambulam. Continuamente obrigados a se deslocarem do seu território para fugir de madeireiros, plantadores de eucalipto, criadores de bois e... de instituições omissas e de ‘presidentes da República’ que fingem que não estão vendo...Afinal, esses ‘restinhos étnicos’ são um estorvo ao desenvolvimento do Estado e da Nação Brasil!

Morte de criança indígena repercute na imprensa e novos dados emergem

O corpo foi encontrado carbonizado em outubro do ano passado num acampamento abandonado pelos Awá isolados, a cerca de 20 quilômetros da aldeia Patizal do povo Tenetehara, região localizada no município de Arame (MA). A Fundação Nacional do Índio (Funai) foi informada do episódio em novembro e nenhuma investigação do caso está em curso. As suspeitas dão conta de que um ataque tenha ocorrido entre setembro e outubro contra o acampamento dos indígenas isolados. Clovis Tenetehara costumava ver os Awá-Guajá isolados durante caçadas na mata. No entanto, deixou de encontrá-los logo que localizou um acampamento com sinais de incêndio e os restos mortais de uma criança. “Depois disso não foi mais visto o grupo isolado. Nesse período os madeireiros estavam lá. Eram muitos. Agora desapareceram. Não foram mais lá. Até para nós é perigoso andar, imagine para os isolados”, diz Luís Carlos Tenetehara, da aldeia Patizal. Os indígenas acreditam que o grupo isolado tenha se dispersado para outros pontos da Terra Indígena Araribóia temendo novos ataques. Conforme relatam os Tenetehara, nos últimos anos a ação de madeireiros na região tem feito com que os Awá isolados migrem do centro do território indígena para suas periferias, ficando cada vez mais expostos aos contatos violentos com a sociedade envolvente. Além disso, a floresta tem sido devastada pela retirada da madeira também colocando em risco a subsistência do grupo, essencialmente coletor. Estima-se que existam três grupos isolados na Terra Indígena Araribóia, num total de 60 indígenas. Os Tenetehara conservam relação amistosa e afastada com os isolados, pois dividem o mesmo território.
Denúncias antigas
“A situação é denunciada há muito tempo. Tem se tornado frequente a presença desses grupos de madeireiros colocando em risco os indígenas isolados. Nenhuma medida concreta foi tomada para proteger esses povos”, diz Rosimeire Diniz, coordenadora do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Maranhão. Para a missionária, confirmar a presença de isolados implica na tomada de medidas de proteção por parte das autoridades competentes. Rosimeire aponta a situação como de extrema gravidade e que não é possível continuar assistindo situações de violência relatadas por indígenas. Durante o ano passado, indígenas Awá-Guajá foram atacados por madeireiros enquanto retiravam mel dentro da terra indígena e os Tenetehara relatam a presença constante dos madeireiros, além de ameaças e ataques. “Não andamos livremente na mata que é nossa porque eles estão lá, retirando madeira e nos ameaçando”, encerra Luiz Carlos.
(A reportagem é de Renato Santana e publicado pelo sítio do Cimi, 06-01-2012)

Epifania: procurar e percorrer caminhos, mesmo nas noites sem estrelas

Procurar é preciso. Sempre. Procurar pessoas. Relações. Sonhos. Lembranças. Sentidos. Procurar caminhos, e ter coragem de percorrê-los. Mesmo que não tenhamos ‘estrelas’ apontando a direção. E quando tivermos a sensação (ilusão?) que encontramos aquele certo, e conquistarmos o que procurávamos, saber que novos caminhos se abrirão. Novos e inimagináveis horizontes se descortinarão diante de nós. E obrigar-nos-ão a procurar, novamente, tudo e todos. Dando a impressão que o que percorremos era um mero vaguear. E o que apertamos com tanto ciúme e apego em nossas mãos - como fruto maduro das nossas buscas, - nada era! Fazemos constantemente a experiência de nunca termos chegado plenamente. De nunca termos encontrado o que consciente ou inconscientemente procurávamos. Sentimentos de insatisfação e angustia nos invadem. E nos deixam inseguros. Com a sensação de fracasso a nos acompanhar o tempo todo. Às vezes, não possuindo mais na nossa bagagem a coragem para recomeçar tudo de novo....
...Mas estrelas sempre aparecem nas noites sem luar da nossa existência. De luz intensa, mas nem sempre visíveis à primeira vista. Não porque as nossas pupilas não tenham capacidade para tanto. Mas porque o coração nem sempre está capacitado para enxergá-las. Afinal, é ele que enxerga de verdade! E ele precisa ser educado a penetrar na escuridão e a vencê-la. E a se mexer autonomamente dentro dela. E perceber como também na ‘escuridão-angústia’ há ‘estrelas-esperanças’ brilhando. De intensidade estonteante...
Que nos lembram que a esperança é mais forte do que o desespero.
Que o amor compreensivo é mais forte do que o ódio e a intolerância.
Que a manjedoura de Belém é mais ‘influente’ do que o palácio ‘dos Herodes’.
Que a procura humilde de Deus – mesmo que não seja achado - é mais frutuosa do que as verdades absolutas dos sacerdotes do templo.
Que uma estrela que ‘caminha’ com quem anda nas noites da vida é mais luminosa do que as ‘estrelas’ espetaculares e estáticas de quem acha que nunca vai experimentar escuridão porque acha que tem luz própria.
Que é preciso mudar sempre o ‘caminho de volta’ toda vez que se percebe que ele não leva mais para a vida, mas para a violência e a eliminação da vida.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Aumenta a revolta contra o bárbaro crime que vitimou criança indígena

Está causando revolta nas redes sociais a denúncia do assassinato de uma criança indígena, da etnia Awa-Gwajá, que teria sido queimada por madeireiros na região da terra indígena de Araribóia, no município de Arame-MA. A denúncia foi feita por índios guajajaras à jornalista Alice Pires, da OAB, e a Gilderlan Rodrigues da Silva, do Conselho Indigenista Missionário – CIMI. Segundo Gilderlan, os guajajaras das aldeias Jititiua e Patisal, durante suas atividades de caça, já vinham travando algum contato com o grupo Awá que se encontrava acampado a cerca de 20 km da aldeia Patisal. Desde o final de setembro, entretanto, com a entrada de madeireiros na área do acampamento, surgiram relatos de conflitos e os Awá se retiraram da área. A morte do indígena teria acontecido neste período. O CIMI está buscando mais informações sobre o caso, inclusive um novo contato com o índio Clóvis Guajajara, liderança da aldeia Patisal, que teria visto o corpo e repassado a informação à organização, para fazer uma denúncia formal.

Por telefone, o chefe de posto da Funai em Amarante, Luís Carlos Guajajaras, também confirmou que vários indígenas da região estão relatando este caso, mas que ainda não pôde fazer uma visita ao local do acampamento, onde estaria o corpo carbonizado. “Como é uma região de conflitos, é bastante perigoso andar por lá”, explica. Segundo ele, os indígenas da região dizem que há restos humanos em uma coivara – fogueira feita com a madeira que será dispensada em uma ação de desmatamento –, mas não soube precisar se seriam de uma criança. Acredita-se que a morte tenha sido causada por madeireiros exatamente pela situação de conflito e pelo fato da possível vítima estar queimada em um resto de desmatamento. Mas não há confirmação das condições em que teria acontecido a morte.Não foi possível fazer contato com nenhum indígena da região que tenha visto o corpo. Há relatos de que os guajajaras que foram até o local do acampamento chegaram a fazer um vídeo do corpo, com um celular, mas o CIMI ainda está buscando essa gravação. Ninguém obteve relatos diretos dos Awá que pudessem esclarecer o que de fato aconteceu antes do grupo deixar o acampamento. “Pelas informações que recebemos, eles devem estar próximos à Lagoa Comprida, em Amarante, área mais protegida da ação dos madeireiros”, informa Gilderlan. O CIMI nacional deve emitir uma nota pedindo a apuração das denúncias. “O histórico de violência contra indígenas na região é grande e já foram feitas denúncias de situações diversas ao Ministério Público de Imperatriz e à Frente de Proteção Etnoambiental da Funai”, conclui Gilderlan. No momento, ainda não há investigações conduzidas pela Polícia, pois não há uma denúncia formal. É importante ressaltar que a Funai já tem conhecimento das denúncias desde novembro, mas não realizou nenhuma visita à área para confirmar a existência do corpo.
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Por Lissandra Leite, jornalista

Corpo de criança indígena é encontrado totalmente queimado na região de Arame

Um corpo completamente queimado de uma criança indígena foi encontrado dias atrás nas imediações da aldeia Vargem Limpa na Terra Indígena Arariboia, próxima de Arame, Maranhão. A suspeita é de que seja o corpo de uma criança indígena Awá-Guajá sendo que nenhum indígena Guajajara da região reivindicou o corpo. Pessoas da região levantam a hipótese que tenham sido madeireiros que extraem ilegalmente madeira na terra indígena a realizarem esse crime hediondo. Próximo do local onde foi encontrado o corpo inteiramente queimado da criança há, de fato, um acampamento de madeireiros. Funcionários da Funai de Imperatriz estão investigando o fato. A notícia ainda em ‘forma’ de boato havia sido divulgada por internautas ontem no Facebook após o recebimento de uma ligação por um deles. Acredita-se que após a denúncia á Funai haja uma investigação mais rigorosa para apurar responsabilidades. Vários depoimentos indígenas dão conta de que há bastante tempo pequenos grupos de Awá-Guajá sem contato perambulam pela terra indígena Araribóia. Isso vem incomodando grupos de madeireiros sem escrúpulos que gostariam de ver suas ações predatórias totalmente ‘ocultas’ e impunes.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Escritório da Rede Justiça nos Trilhos é arrombado em Açailândia. E se a moda pegar?

Nesta madrugada, 04 de janeiro, foi arrombado o escritório de assessoria e consultoria jurídica da ‘Rede Justiça nos Trilhos’, em Açailândia. Os invasores entraram pela porta dos fundos, espalharam documentos e objetos vários, mas estranhamente não levaram nada. Computador e impressora e outros objetos de um certo valor estavam no mesmo lugar de sempre.A hipótese mais realista é de que os anônimos quiseram intimidar a entidade, mostrando que eles têm força e que podem fazer o que querem. Uma espécie de intimidação. Outra hipótese é de que estavam à procura de algum documento que eles avaliavam importante. Mas na sede só há documentos públicos e notórios. Evidente que os que fizeram o serviço ‘sujo’ obedecem a ordens vindas de ‘setores importantes’ que se sentem incomodados com a atuação da Rede Justiça nos Trilhos. A diretoria da entidade já prestou denúncia e foi elaborado um boletim de ocorrência. Aguarda-se o resultado da investigação. Evidente que parecem ser ações orquestradas e padronizadas nesse Estado. Os arrombamentos de sedes de entidades ligadas às causas populares que aconteceram recentemente no Maranhão possuem as mesmas características. Recentemente, CPT e CIMI foram vítimas disso.