Tinha somente 19 anos. Não mexia com ninguém. Jovem trabalhador e respeitador. Agora faz parte da abundante lista dos jovens da Vila Embratel que estão sendo dizimados pela violência gratuita, cega, e bárbara. Ninguém imaginava que uma briga banal numa quadra de futsal em que houve alguns xingamentos recíprocos a parentes próximos redundasse num homicídio bárbaro, a poucos metros da minha casa. A jovem vítima foi barbaramente esfaqueada por outro jovem com passagem pela polícia, irmão daquele que havia se desentendido com a vítima. Atualmente se encontra foragido. Voltará, como sempre ocorre, quando não houver mais o ‘flagrante’ e continuará imperturbável a semear mais violência sob os olhos da polícia que não investiga e nem prende, e de uma população que com medo da represália ficará calada e cega. A mesma população que quando houve o assassinato correu para ver e imortalizar digitalmente a deprimente cena, sem pudor, nem dor, sem se preocupar sequer em avisar a Emergência local. Homicídio por aqui virou macabro espetáculo, gratuito e corriqueiro. Natural. Não há mais espaço para a indignação, e nem para a compaixão. Só as lágrimas de uma mãe desolada e inconformada que perdeu aquele que trazia para casa o que comer e o que vestir.
sábado, 17 de janeiro de 2015
Chamados para deixar crescer os outros, e não para correr atrás de cargos e mandar! (Jo. 1,35-42)
Não podemos negar que temos muitos casos
de irmãos nossos que em nome de um chamado divino frequentam uma igreja,
participam de pastorais, leem a bíblia, assumem responsabilidades e ministérios,
mas sua motivação real é a procura doentia do reconhecimento público. É a
possibilidade de ser notado. É a chance de controlar e mandar nas pessoas. Às
vezes ‘a pessoa chamada’ nem dá fé dessas suas atitudes. Parece algo natural. É
o seu jeito de ser, e nem toma consciência. Muitas vezes nem reflete e nem se
avalia sobre determinados comportamentos. O evangelho de hoje se torna mais claro
se o lemos nessa ótica. Ou seja, o que nos move de fato nas nossas ações
pastorais e religiosas? O que procuramos realmente quando nos inserimos numa
pastoral ou frequentamos uma igreja? È fazer crescer em humanidade e sensibilidade as pessoas às quais nos sentimos chamados a servir, ou queremos
acumular nosso poder pessoal de influência sobre elas? O evangelho de João não
fica só relatando a crônica do chamado feito por Jesus a alguns discípulos. Afinal,
nem de crônica histórica se trata! É mais bem uma apresentação de um esquema
para que os membros da sua comunidade cristã possam se avaliar constantemente em
suas reais motivações em seu compromisso de seguir as opções de Jesus de Nazaré.
Vejamos alguns pontos: 1. João Batista compreende que chegou a sua hora de
deixar espaço para que o ‘Cordeiro de Deus’ cresça. Perguntemo-nos: na nossa
comunidade sabemos compreender quando chega a nossa vez de valorizar e apoiar
outras pessoas que querem anunciar e testemunhar Jesus, ou queremos ser sempre
nós os protagonistas? 2. Jesus não acolhe ingenuamente um ou outro candidato a
discípulo. Ele questiona sobre suas reais intenções e aspirações: ‘a quem
procurais’? Perguntemo-nos: estamos atrás de quem ou de que no nosso serviço
evangélico e pastoral na nossa comunidade? É o poder, a visibilidade, os cargos,
os interesses mesquinhos, ou é a intenção sincera de acolher, de colaborar, de proteger,
de ajudar, fraternal e gratuitamente? 3. Jesus antes de enviar os seus discípulos
lhes pede um estágio: ‘Vinde ver, e permaneçam comigo’. Só depois eles vão ver,
de forma livre, se eles têm estrutura e motivação profunda para seguir o mestre!
Nas nossas comunidades nós também somos convocados a exercer o discernimento
franco e aberto, analisar e reconhecer qualidades, motivações, aspirações,
juntamente com estilos de comportamento próprio das pessoas que se sentem
chamadas a coordenar e servir na comunidade. A humildade, a capacidade de
dialogar e escutar, a gratuidade e a atenção às pessoas, - sejam elas quem forem,
- são os sinais visíveis, que o ‘chamado’ não foi algo subjetivo e fruto da
nossa emotividade pessoal, mas uma vocação que veio do alto, do coração de Deus!
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Onde estão os chefes de estado para apoiar as vítimas cristãs do terrorismo na Nigéria?
Em meio à comoção gerada pelos atentados terroristas em Paris, na França, um arcebispo nigeriano acusou países ocidentais de ignorarem a ameaça representada pelo grupo extremista Boko Haram. O Arcebispo da cidade de Jos, Ignatius Kaigama, ainda pediu que a mesma atenção dada aos atentados na França seja dada aos militantes que atuam com cada vez mais violência no nordeste do país africano. Segundo ele, o mundo precisa agir de forma mais determinada para conter o avanço do Boko Haram na Nigéria. No último fim de semana, 23 pessoas foram mortas por três mulheres-bomba, uma das quais tinha apenas 10 anos de idade. Outras centenas de mortes foram registradas na semana passada, segundo relatos, durante a captura pelo Boko Haram da cidade de Baga, no Estado de Borno, no nordeste do país.
Comentário do blogueiro - Diga-se de passagem que na Nigéria não existe aquele ‘jornaleco’ francês que com muito mau gosto ironiza e escranece, em nome da liberdade de expressão, valores e crenças alheias. Talvez eu seja tradicionalista, mas considero ainda vilipêndio da religião, seja ela qual for, um crime. Claro está que a punição não deve jamais se materializar em assassinatos e atentados à vida dos supostos criminosos e provocadores, mas exigir que os acusados passem a agir dentro do princípio do respeito às crenças e ao pluralismo religioso que vale inclusive para quem de forma leviana e idiota faz sarcasmos sobre o que dá sentido à vida de muitas pessoas e povos.
Polícia de Dino como a francesa: matar sempre, prender nunca?
A polícia maranhense parece ter feito a mesma opção que a francesa fez no combate aos ‘terroristas’ muçulmanos: prender nunca, matar assim que aparecer a oportunidade! Do início do ano até hoje são quase dez ‘bandidos’ assassinados só na capital e, supostamente, em conflito com a polícia, ou seja, reagindo. O resultado conta com a aprovação da maioria da população da capital que continua fiel ao lema ‘bandido bom é bandido morto’! Serão esses números a prova de que a ‘nova polícia’ do novo governo é mais eficiente na perseguição aos desordeiros ou indica uma nova postura: a de matar, pura e simplesmente e, de quebra, agradando à plebe sedenta de sangue? Com certeza não haverá nenhum tipo de investigação para apurar se houve abusos por parte da polícia na morte dos ‘bandidos’ e se alguém defender isso, - como deveria ser, - será tachado, fatalmente, de ‘amigo dos direitos humanos’, ou seja, defensor de...’bandido’! Se essas mortes numerosas e em tão poucos dias de governo indicarem uma tendência do novo comando da polícia, - a tendência assassina,- como solução definitiva da insegurança que reina na capital, teremos que colocar o novo governador na vala comum de todos os governos anteriores. Talvez seja cedo para afirmar isso, mas não deixa de ser preocupante o que vem ocorrendo até agora, nesse alvorecer do governo Dino!
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
A ministra da agricultura Kátia Abreu pirou! Segurem ela, por favor!
"Eles, (os índios) saíram da floresta e passaram a descer nas áreas de produção’; “no Brasil não existe latifúndio"; e sobre o Decreto 1775/96 que regulamenta o procedimento de demarcação de terras: "é inconstitucional, unilateral, ditatorial, louco, maluco". Estas são algumas das declarações malucas da nova ministra da agricultura, a senadora ruralista Kátia Abreu. Declarações irresponsáveis, próprias de quem não somente desconhece a história, mas de quem não tem consciência do papel que deve exercer no governo e na sociedade. Quem serão os interlocutores dessa senhora? Quem irá por limites ao que vem afirmando de forma histérica e leviana? Mesmo o cidadão mais incauto e desligado da política institucional entende que a nomeação da senadora ruralista não responde somente a exigências de governabilidade. Ou a presidente Dilma conhece bem e sabe que a nova ministra ao se expor de forma ridícula e irresponsável como já vinha fazendo estaria desmoralizando o setor ruralista - e, mais adiante, exigiria ‘por justa causa’ a sua cabeça, - ou a presidente optou definitivamente para botar mais gasolina no campo e nas delicadas e tensas questões fundiárias e indigenistas. Uma declaração aberta de renovado conflito no campo, arcaico em sua forma de apresentação, mas urgente e atual no seu conteúdo e estratégia produtivista e desenvolvimentista. Em suma, ‘deixa o circo pegar fogo para ver como fica’. Complicado acreditar na seriedade do executivo escolhendo e deixando ministros com essa configuração. Até o César Borja, o ‘príncipe’ de Maquiavel teria dificuldade de engolir essa porque a 'dama' desgasta demais a ‘rainha’ com suas loucuras!
sábado, 3 de janeiro de 2015
Não há astros vagantes, a estrela permanente que ilumina é o próprio Jesus (Mt.2,1-12)
Nós humanos descobrimos que existe no nosso íntimo uma permanente sede do novo, do desconhecido. Se de um lado diante do estranho podemos experimentar medo, do outro nos sentimos atraídos por ele. Temos raízes fincadas nas nossas tradições e crenças, e isso fortalece a nossa identidade, mas ao mesmo tempo possuímos uma abertura sem limites ao alheio, ao outro que não conhecemos. O nosso desejo de conhecer e de nos aproximar do mundo do outro e do desconhecido é, ás vezes, para dominá-lo e combatê-lo, mas também é para nos enriquecer humana e culturalmente. A ‘estória’ dos ‘reis magos’ revela a abertura dos seres humanos em se abrirem às experiências de fé de outros seres, concretamente, à mensagem e ao testemunho da ‘estrela’ Jesus de Nazaré. Eles entendem que essa aproximação não ameaça a sua identidade cultural ou religiosa, mas a enriquece. Que as diferenças, sejam elas quais forem, nos enriquecem. Jesus se torna aquele que não apaga as diferentes luzes que cada povo-cultura possui, mas aquele que com sua luz valoriza as numerosas e plurais luzes-experiências humanas e espirituais. Daí a necessidade, na atualidade, de resgatar não as historinhas que foram criadas ao longo dos séculos ao redor dos ‘reis magos’ - que nos têm levado bem longe do real conteúdo da festa hodierna, - mas o seu profundo significado teológico.
A partir disso podemos compreender que o ‘desconhecido, o estranho, o outro que tem sotaque diferente e opções de vida diferente da nossa’ tem muitos valores a nos transmitir. Que ele não pode ser um campo aberto a ser ocupado, invadido e dominado, mas ao contrário, alguém a ser ‘venerado’ e com o qual conviver e construir juntos. Podemos compreender que todos os povos e seres humanos – não importa suas opções ideológicas, religiosas, sexuais, etc., têm sempre algo precioso a oferecer aos demais. Não são dons materiais, nem mercadorias a serem trocadas ou vendidas, mas valores éticos a serem, simplesmente, oferecidos. E por pura gratuidade, sem exigir reciprocidade. Assim foi com o próprio Jesus quando os ‘reis magos’ o revelaram ao mundo. A estrela de Belém, que é o próprio Jesus, ele mesmo se alimentou das ‘luzes-dons vindos do Oriente’. Jesus, já como adulto, percebeu que os assim chamados pagãos, os estranhos e desconhecidos, tinham muito a oferecer ao seu grupo. Eles deram manifestações de fé e de abertura que Jesus não havia encontrado na sua própria pátria. Hoje somos convocados a olhar-contemplar o outro, o desconhecido, não como um inimigo - como Herodes via Jesus, - mas como um potencial adorador da vida, da acolhida, do serviço, da paz. Dons tão raros que só poucos os aceitam e os valorizam. Dons que desmascaram a intolerância religiosa e cultural que ainda domina muitos idólatras.
Índios - Awá-Guajá isolados do Maranhão aceitam o contato com membros da mesma etnia
Após décadas resistindo ao contato com outras pessoas, inclusive de sua própria etnia, três índios Awá-Guajá que viviam isolados no interior da Terra Indígena Caru, na região oeste do Maranhão, aceitaram a aproximação de outros Awá-Guajás e seguiram com eles até aldeias onde vivem índios há tempos habituados ao contato com não índios. Segundo o coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) no Maranhão, Daniel Cunha de Carvalho, trata-se de duas mulheres e de um adolescente da mesma família (mãe, filho e avó) que moravam sozinhos. No domingo (28), índios da aldeia avistaram a família enquanto procuravam alimentos nas proximidades da Aldeia Tiracambu. As circunstâncias do encontro ainda não estão claras, mas é possível que ao aceitarem a aproximação do grupo, as duas mulheres tenham identificado algum laço de parentesco com eles, aceitando, assim, acompanhá-los até a aldeia. A Funai acionou o plano de contingência e pôs em prática as medidas necessárias à proteção dos índios isolados – suscetíveis a contrair alguma eventual doença contra a qual não tenham proteção imunológica. O coordenador garante que uma equipe da Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, também já foi deslocada para o local.O Estado brasileiro reconhece as terras indígenas awá-guajás há décadas. Mesmo assim, a extração ilegal de madeira continua e é objeto constante das denúncias de organizações ambientalistas e indigenistas e pelo Ministério Público (MP). Em janeiro, a pedido do MP, a Justiça Federal condenou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Funai e a União a instalarem postos de fiscalização para impedir a extração ilegal de madeira no interior das três terras indígenas existentes na região (Alto Turiaçu, Awá-Guajá e Caru). O juiz chegou a estabelecer prazo de 120 dias para que os órgãos públicos federais comprovassem ter adotado as necessárias medidas para garantir a efetiva proteção das áreas. Segundo o MP, as determinações não foram cumpridas. (Fonte: Agência Brasil)
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