Muitas vezes nos perguntamos se as escolhas de vida que fizemos são aquelas certas. As que realmente desejávamos do profundo do nosso ser. Sabemos que na hora das grandes decisões, muitas vezes, somos condicionados pela formação que recebemos no passado, pelas circunstâncias, pelas pressões e pelas necessidades do presente. Ninguém tem a plena certeza que é Deus que nos chama para exercer esta ou aquela missão-vocação de vida. Temos, contudo, alguns critérios para poder verificar se, afinal, estamos percorrendo o caminho almejado. Quando sentimos, por exemplo, dentro de nós um profundo sentimento de alegria e de serenidade quando as pessoas nos dizem que ‘nascemos para fazer o que estamos fazendo, porque temos jeito’, quando vemos que as pessoas se alegram ao nos ver e conviver conosco, talvez estejamos no lugar certo. O Batismo de Jesus representa o coroamento de um caminho de busca, e o início de uma nova e inédita etapa da sua vida. Jesus como todos os humanos vinha refletindo sobre o que Deus queria dele. Qual o seu papel e a sua missão como cidadão da Galileia, como filho, como membro de uma comunidade. Nessa procura que vinha se arrastando há quase 30 anos ele sentiu angústia, inquietação, desnorteamento, como todos nós quando ainda não conseguimos respostas claras e definitivas sobre o nosso papel no mundo. Jesus também deve ter se perguntado muitas vezes se era isso mesmo que ele e Deus queriam. No Jordão, a contato coma pregação e o testemunho de João Batista, ele sentiu com uma clareza jamais experimentada antes o que Deus queria que ele fosse daí em diante. Mais do que isso: Jesus se sentiu chamado, ungido e enviado como ‘filho amado do Pai’, ou seja, com mandato do Pai para ‘representá-Lo’ em tudo o que faria. A sua compaixão e amor para com os pobres, a sua indignação diante das manipulações de sacerdotes hipócritas e violentos governantes, a sua liberdade profunda em se aproximar dos doentes, dos pecadores, das mulheres excluídas, confirmam que aquele chamado à beira do Jordão não foi uma ilusão!
sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
sábado, 5 de janeiro de 2019
Epifania (Mt.2.1-12) - Os 'herodes' se sentem ameaçados, mas os pobres e os pagãos pulam de alegria. O Amor chegou até eles!
Muitas vezes nós nos flagramos dominados pelo ciúme. Ficamos irritados, por exemplo, porque um nosso amigo, ou amiga, dá a mesma atenção e carinho a outras pessoas. Gostaríamos no fundo do coração de sermos os únicos. E nos incomodamos quando temos que dividir atenção, carinho, apoio, proteção com outras pessoas. A festa de hoje nos diz em alto e bom som que o amor de Jesus não se limita a um povo somente, ou a uma categoria. Que ninguém pode se achar indigno, e não merecedor da sua atenção e misericórdia. Os magos do Oriente simbolizam na Bíblia todos aqueles povos estrangeiros e pagãos que Israel desprezava e amaldiçoava. Os sacerdotes do templo invocavam Deus para que ‘descarregasse a sua ira sobre as nações que não invocam o seu nome’.
Ironicamente, para Mateus, os pagãos foram os primeiros a reconhecer que Jesus era a verdadeira luz. A estrela-guia, de fato, nunca aparece na cidade de Jerusalém, sempre hostil e ameaçadora, e nem no palácio do amedrontado e prepotente Herodes. Ela só brilha quando existem pessoas abertas e acolhedoras, não importa a sua origem religiosa e cultural. Foi assim que agirá Jesus já adulto: reconhecendo que os pagãos que se aproximavam dele possuíam uma fé que não existia em nenhuma pessoa religiosa de Israel! Hoje, diante de pessoas que exigem o culto a si próprias, na submissão e na bajulação, queremos oferecer a Jesus:
o ‘ouro’ que se doa àqueles reis que sabem servir, que respeitam e protegem seus cidadãos;
o ‘incenso’ da verdadeira liturgia e ação de graça, próprio das pessoas que, longe dos templos, fazem uma ligação permanente entre fé e vida;
a ‘mirra’ perfumada usada pelas noivas/pessoas que casam com o projeto de vida e de justiça de um ‘Esposo’ que nunca trai e abandona a sua família, e o seu povo!
Ironicamente, para Mateus, os pagãos foram os primeiros a reconhecer que Jesus era a verdadeira luz. A estrela-guia, de fato, nunca aparece na cidade de Jerusalém, sempre hostil e ameaçadora, e nem no palácio do amedrontado e prepotente Herodes. Ela só brilha quando existem pessoas abertas e acolhedoras, não importa a sua origem religiosa e cultural. Foi assim que agirá Jesus já adulto: reconhecendo que os pagãos que se aproximavam dele possuíam uma fé que não existia em nenhuma pessoa religiosa de Israel! Hoje, diante de pessoas que exigem o culto a si próprias, na submissão e na bajulação, queremos oferecer a Jesus:
o ‘ouro’ que se doa àqueles reis que sabem servir, que respeitam e protegem seus cidadãos;
o ‘incenso’ da verdadeira liturgia e ação de graça, próprio das pessoas que, longe dos templos, fazem uma ligação permanente entre fé e vida;
a ‘mirra’ perfumada usada pelas noivas/pessoas que casam com o projeto de vida e de justiça de um ‘Esposo’ que nunca trai e abandona a sua família, e o seu povo!
sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
Secretário de Assuntos Fundiário do governo Bozo, - ruralista, - afirma que poderão ser revistas todas as demarcações desses últimos 10 anos!
O secretário especial de Assuntos Fundiários, o líder ruralista Luiz Nabhan Garcia, afirmou que o governo do presidente Jair Bolsonaro prepara uma revisão de demarcações de terras indígenas, titulações de áreas quilombolas e desapropriações para a reforma agrária feitas nos últimos dez anos. Segundo Garcia, que vai cuidar de demarcações de terras indígenas, áreas quilombolas e políticas de reforma agrária, existe a possibilidade reversão desses atos, em caso de constatação de "falha grave", "erro inadmissível" ou "fraude processual".
"Será feito um levantamento amplo e geral de tudo que aconteceu em questões fundiárias no Brasil, seja em reforma agrária, demarcação de terras indígenas e quilombolas. Se houve alguma falha e se tiver brecha que mostre para Justiça que houve um erro, tudo é possível de anular. Isto é previsto em lei, a possibilidade de abrir um novo processo e rever. Demarcação pode ser revista, sim senhor, se houve falha. Houve uma participação muito grande de processos políticos e ideológicos nessas demarcações, inclusive uma participação indevida de ONGs com interesses escusos. Isto aí é inaceitável", disse Nabhan ao jornal O Globo. A Secretaria Especial de Assuntos Fundiários foi criada no âmbito do Ministério da Agricultura, que passa a ficar responsável pela demarcação de terras indígenas, papel que era da Fundação Nacional do Índio (Funai).
Em fevereiro do ano passado (2018), o então deputado federal disse que não pretende demarcar terras indígenas. "As ONG’s e o governo estimulam o índio para o conflito. Se eu assumir como presidente da República, não haverá um centímetro a mais para demarcação. Na Bolívia temos um índio como presidente, porque aqui eles precisam de terra?”, disse ele, de acordo com o site Dourado News. (Brasil 247)
quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
PAI NOSSO 1- (Mt.6,9) - Reflexões
Pensemos por instante na decepção de um filho que não conhece seu pai. Ou na dor inconsolável de quem o perdeu precocemente. Ou na revolta interior daquele que nunca foi reconhecido como ‘filho’ pelo seu pai biológico. Pensemos, agora, na emoção indescritível de um pai que ouve pela primeira vez da boca do seu filhinho a palavra ‘p-a-i’! E sente que naquelas inéditas letrinhas balbuciadas com dificuldade estão contidos sonhos, projetos de vida, relações afetivas, emoções, proteções, e redes de solidariedade inimagináveis...
Hoje, temos a sensação de viver numa sociedade órfã de pai. Há muitos exímios reprodutores, e também padrastos nas fluídas relações conjugais. Temos até supostos ‘pais’ da Pátria amada’! Carecemos, contudo, de pais afetivos, provedores de compaixão e de ternura. Por longos e seguidos séculos deformamos gerações inteiras ao catequizá-las apresentando como modelo não um Deus-Pai, mas um sisudo ‘deus-patrão e fiscal’’. Um Deus entendido como Pai amoroso parecia demasiado perigoso para uma sociedade que era obrigada a viver submissa a reis e rainhas. E a cultivar o temor e o ‘respeito’ ao ditador de turno disfarçado de ‘paizão protetor’. O mais ameaçador parecia ser a ideia de que se Deus era Pai, ‘todos nós’ somos família, com obrigações éticas de nos respeitar, acolher, e proteger reciprocamente. Isto tem sido profundamente alarmante para sociedades alicerçadas em relações sociais em que as prevaricações e os privilégios de uma minoria autoritária deviam ser preservados. Num momento histórico em que muitos defendem a ideia de um pai autoritário, torna-se urgente resgatar o sentido profundo e inovador de Deus como ‘Pai’ tal como Jesus O apresenta nas versões de Mateus e de Lucas.
Parece paradoxal, mas a mais conhecida ‘Oração do Pai Nosso’, não é uma oração. Nem uma reza a ser repetida mecanicamente. Jesus resistiu à ideia de oferecer aos seus seguidores uma oração específica, pelo simples motivo que o ‘Pai já conhece as nossas necessidades antes mesmo de pedir’ (Mt. 6,7-8). O ‘Pai Nosso’ é uma declaração de intenções e compromisso dos seguidores de Jesus com Deus-Pai para transformar uma ‘nação’ numa ‘família planetária solidária’. Com isso, os discípulos-filhos passam a atuar como verdadeiros construtores de um ‘Reinado/Família’ onde quem governa é um pai, e não um déspota! Só um Pai para compreender a depressão de uma filha. Ou para aliviar o sentimento de culpa e de fracasso de um filho. Só um pai para ir à praça pública e gritar contra quem detona os direitos de seus filhos! E que se organiza em redes de famílias para propor ‘políticas públicas’ em favor daqueles filhos que estão sendo dominados e eliminados por outros filhos que não têm consciência de sua pertença à mesma família. Por isso que o contexto do surgimento do ‘Pai Nosso’ não é o Palácio do governador, e nem o templo de Jerusalém, - sinônimos de corrupção e de traição ao plano de Deus, - mas a realidade conflituosa da ação missionária onde as famílias se ajudam e lutam. É nesse cotidiano que construímos relações de afeto e de colaboração. Que podemos ser ‘pais afetivos ’ anunciadores da Boa Nova para aqueles filhinhos órfãos de afeto, de direito, e de esperança.
João no prólogo do seu evangelho nos diz que todos aqueles que acreditam e agem como Jesus lhes foi dado ‘o poder de se tornarem filhos de Deus’. Filiação não é um dado biológico adquirido. É opção consciente. É aderir a uma relação de confiança e de colaboração com um pai que quer o nosso bem. Jesus, também, foi educado a sentir que Deus era Pai absorvendo cotidianamente o jeito amoroso de pessoas próximas que agiam como verdadeiros pais. Aprendeu, progressivamente, no carinho e na compreensão que Deus não podia ser aquele ‘deus vingativo e terrível’ que lhe era apresentado pela religião oficial. Já adulto, Jesus condenou as manipulações dos influentes sacerdotes sobre Deus, e com uma desenvoltura desconcertante ousou chamá-Lo de ‘papai’, tal como faz uma criancinha. Sentiu-se tão profundamente unido a Ele que não teve receio em dizer a Filipe ‘Quem me viu, viu o Pai’ (Jo.14,9). Por isso que podemos dizer que não é Jesus que é igual a Deus, e sim, Deus é como Jesus! Se o Deus invisível pudesse ser visto Ele agiria como Jesus: um pai-pastor compassivo e misericordioso, principalmente com os pequeninos feridos e desgarrados. Mais que isso: para escândalo dos nacionalistas de Israel que tratavam Deus como uma sua ‘propriedade privada’ manipulável, afirmou que Ele é ‘Nosso’! Não de uma elite, nem de uma igreja, e nem de uma nação, mas de todos os seus ‘filhinhos pequeninos’ que O adoram em ‘espírito e verdade’. Que não querem enjaulá-Lo em templos esplendorosos, e que não colocam o seu santo nome em lemas de campanha política para ocultar racismos e intolerâncias. Hoje, queremos deixar ecoar dentro de nós ‘o Espírito do seu Filho que clama ‘Aba’, ó Papai! (Gl. 4,6-7), e viver não mais como escravos, e sim, como ‘filhos livres’. Livres para amar e proteger, como somente um ‘Pai Materno’ sabe fazer.
(Este blogueiro escreve mensalmente no O Jornal do Maranhão, da Arquidiocese de São Luís)
17 canetadas do 'mito', em menos 24 horas, falam tudo sobre de que lado ele está!
Menos de 24 horas depois de assumir o comando do país, Jair Bolsonaro já colocou em prática seu projeto de país que coloca em risco o povo brasileiro, a liberdade da população e a soberania nacional. Da posse até aqui, são ao menos 17 medidas podem agravar ainda mais a crise iniciada após o golpe de 2016 e aumentar a violência contra pobres, negros e das minorias que tanto atacou durante sua vida parlamentar.
As decisões vão desde a redução do salário mínimo previsto para 2019 até a disposição imediata para curvar-se aos interesses do governo dos EUA.
Confira as 17 medidas de Bolsonaro contra o Brasil:
1) Garfou 8 Reais do salário mínimo aprovado pelo Congresso;
2) Extinguiu Secretaria da Diversidade, Alfabetização e Inclusão do MEC, para reimplantar o preconceito e impedir o ensino crítico;
3) Proibiu a Funai de demarcar áreas indígenas, que agora será feita pelo Ministério do Agronegócio;
4) Anunciou liberação a posse de armas e disse que vai tornar esse “direito” vitalício;
5) Anunciou que vai impor a prisão de condenados em segunda instância, atropelando o STF;
6) Extinguiu os ministérios do Trabalho, da Cultura, das Cidades, Esportes e Integração Racial;
7) Esvaziou a Comissão da Anistia, remetendo-a para o patético Ministério da Damares;
8) Liberou as chefias do Itamaraty para nomeações políticas, quebrando uma tradição secular da diplomacia profissional brasileira;
9) Anunciou que vai privatizar Eletrobras, apesar do veto do Congresso ao processo de capitalização da estatal;
10) Comprometeu-se com os EUA para atacar Venezuela, Cuba e Nicarágua;
11) Colocou a reforma contra os aposentados no topo da agenda de governo;
12) Confirmou a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém, mostrando que é submisso a Trump e ofendendo a comunidade árabe;
13) Reprimiu seus próprios apoiadores na posse e censurou violentamente a cobertura da imprensa;
14) Anunciou demissão sumária de servidores que criticaram suas políticas em redes sociais privadas;
15) Extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), que orienta o combate à fome e o Bolsa Família;
16) Acabou com o Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transportes e tirou do Senado a aprovação dos diretores do DNIT;
17) Fez um acordão com os partidos políticos que ele tanto criticou, para que o PSL apoie a reeleição de Maia e ganhe cargos na Câmara.
(GGN)
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
Bozo mal assume e já decreta que será o Ministério da Agricultura a demarcar as Terras indígenas. Ruralistas riem à toa!
Acredite se quiser. Mal assumiu e já estava pronta a Medida Provisória em que o Bozo transfere para o Ministério da Agricultura as funções que eram próprias da FUNAI até ontem: identificar, delimitar e demarcar terras indígenas. Agora serão os ruralistas a dizer o que e qual o tamanho de futuras terras indígenas, se é que para eles ainda há terras indígenas a ser legalizadas. O mesmo ocorre com os territórios quilombolas. Fora o INCRA e caminho aberto para o Ministério da Agricultura para dispor e indispor de terras tradicionais ocupadas por ex-escravos. Há vários processos em curso, inclusive aqui no Maranhão...A Terra dos Krenyê, no município de Tuntum pronta para ser legalizada, com dinheiro já empenhado poderá ser revista e sofrer fortes alterações, inclusive a sua total anulação processual. O mesmo ocorre com os Gamelas. O desmanche já estava no ar e agora se confirmou. Volta-se atrás de 60 anos, mas essa é a nova realidade a ser encarada e enfrentada.
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
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