quarta-feira, 3 de abril de 2019

Quarta estação: Jesus é julgado pelo poder religioso por desacato à autoridade religiosa, por desobediência às leis e com base em falsos testemunhos


Cenário - Conduzem Jesus aos 3 desembargadores do Tribunal de Justiça. O presidente do tribunal em tom de deboche começa a interrogar Jesus:’Me disseram que você é o cara...Que faz coisas prodigiosas como ‘manipular’ ops, desculpe, MULTIPLICAR pão e peixe para mais de 5.000 pessoas, expulsar capetinhas, devolver a vista a cegos, abrir os ouvidos aos surdos e tantas outras mágicas... Nossa, gostaria de aprender esses seus truques. É verdade tudo isso? Mas Jesus fica calado. 

- O presidente do Tribunal retoma a fala e diz ‘Outros me disseram que você chamou os meus nobres colegas aqui presentes de hipócritas e exploradores porque estariam jejuando, louvando, e orando só para se mostrarem, mas que o coração deles estaria cheio de maldade e de mentiras...Você falou inclusive que estariam fazendo longas orações nas casas das viúvas para explorá-las. Falou ainda que a misericórdia é mais importante do que as nossas celebrações, e que não precisa pagar o dízimo ou outros impostos para agradar a Deus! Eu lhe pergunto: Falou ou não falou tudo isso? Mas Jesus nada fala. 

O presidente finalmente diz;’Você sabe que é uma falta de respeito não responder ao presidente da corte suprema quando é interrogado, e aos meritíssimos juízes? Venha mais próximo de mim (Jesus se aproxima do presidente...). Preste atenção: volte atrás de todas essas coisas de que te acusam, e seja um de nós. Nós iremos esquecer tudo. Vamos livrar a tua barra. Podemos fazer muitas coisas juntos. O que me diz, hein? Mas Jesus nada fala.

- Até que enfim, o presidente do TJ diz: ‘Chega, cansei. Levem ele para o grande julgador para que seja torturado, e seja crucificado como inimigo da pátria amada e da religião oficial’!

Quinta estação: Jesus é condenado à morte de cruz, segundo a pena reservada aos rebeldes, aos desobedientes e aos inconformados


Cenário - Jesus é amarrado num pau de arara e é torturado segundo o sistema da ditadura militar, com choques elétricos, saco plástico e os guardas rindo e debochando, e gritando:Fala Galileu, confessa que queria tomar o lugar do nosso governante. Diga para nós quem te financiou para boicotar o nosso sistema econômico, para falar mal do nosso País e desprezar a nossa religião. Diga quem lhe deu tanta habilidade  e poder para fazer a cabeça de tantos ingênuos, pobretões, e devotos....Fala!

- Depois de ser torturado Jesus é levado de volta ao Julgador e este começa a falar:’Gente, eu não quero assumir a responsabilidade sozinho a respeito do destino desse homem. Quero que vocês me digam quem querem poupar: ou esse homem que para mim não cometeu crime algum, ou um bandidão que eu tenho aqui preso na delegacia. Todos vocês conhecem o que ele andou aprontando na nossa cidade e pelo interior do nosso Estado. Esse cara apagou um bocado desses comunistas defensores da mata, do ambiente, de índios e de lavradores preguiçosos. Quero ser generosos com vocês nessa Páscoa e vou soltar aquele que vocês escolherem, agora. Vou soltar Jesus ou o bandido assassino? Vou soltar aquele que diz que defende a vida e a felicidade das pessoas, ou aquele que andou semeando o terror? 

As pessoas quase enlouquecidas começam a gritar: ‘Solta o cara, e mata esse Jesus. Esse Jesus não é de nada. Não sabe matar sequer uma barata. Queremos gente valente que saiba apagar os malandros. Queremos ele! Ele é o cara! 

Então o supremo julgador decide e sentencia:’Vocês quiseram, e eu cumpro. Seja feita a vontade de vocês. Não se arrependam mais adiante. Sentencio à morte Jesus de Nazaré, e com ele, todos aqueles que atentam à ordem constituída, à religião do nosso governo e às suas normas, e desobedecem à vontade dos nossos chefes maiores. Cumpre-se a pena, imediatamente. Guardas, tragam a cruz!

Sexta estação: Jesus recebe a cruz do ódio, do racismo, da intolerância, do machismo, da barbárie, do desemprego e da violência física e moral. Ele cai três vezes debaixo do peso das nossas desgraças

Cenário - Jesus entra escoltado pelos dois policiais, carregando uma cruz, e nela estão penduradas várias fitas com várias palavras como ódio, racismo, intolerância, pistolagem, drogas.......)

Jesus avança entre as pessoas. Algumas debocham dele. Outros jogam objetos. Cai uma primeira vez, e aí aparecem algumas pessoas que começam a gritar:‘Ei, porque você não chama as mulheres que você tanto defendia para te ajudarem a carregar a cruz? E as criancinhas que você abraçava. Chame os inocentes agora! 

Os soldados dão pontapés. Jesus levanta, avança e cai uma segunda vez. Outras pessoas começam a debochar:’De novo! Você está fraco mesmo! É só um pedaço de pau. Você não sabe lidar com madeira? KKKKK

Outro fala para ele:’Você não era marceneiro em Nazaré? Quem sabe lá quantas cruzes você já fabricou para os outros serem crucificados, não é? Por quanto dinheiro você as vendia aos romanos, hein?KKKKKk

Jesus exausto cai pela terceira vez. Nesse momento aparece o pistoleiro miliciano que estava sentado ao lado do grande julgador. Com chapéu, revolver, óculos de sol e debocha de Jesus:’Sempre te disse que você tinha escolhido o lado errado na vida. Você sempre quis ficar do lado dos perdedores, dos fracos, daqueles que não contam, que não têm costas quentes. Onde estão os seus amigos, sabe, aqueles seguidores que estavam contigo no monte das oliveiras....e aqueles ladrões públicos, cobradores de impostos, cheios da grana, que comiam e bebiam contigo e que você sempre defendia? A história não perdoa, doutor. Agora você paga o preço de suas escolhas erradas....’ 

Sétima estação: Jesus recebe a solidariedade concreta de pessoa comuns, sensíveis e generosas, que o ajudam a carregar as numerosas cruzes da vida!


Cenário - Jesus anda no meio das pessoas e de repente uma pessoa do povo avança em direção a Jesus, e segura a cruz de Jesus. Depois olha para a multidão...

....E começa a gritar:’Como pode uma única pessoa, sozinha, carregar o peso de tantas cruzes? (e levanta as fitas com as palavras....) Já experimentaram serem vítimas do ódio? (arranca a fita com a palavra ódio e a joga ao chão....) Já foram vítimas, alguma vez, da cruz da violência? (arranca e joga ao chão....) Eu não vou fazer isso sozinho, não...Quem me ajuda arrancar essas cruzes que muitos humanos, sem coração e sem alma, jogam nas nossas costas? Venham, pelo menos nessa hora, e tenhamos um pouco de humanidade. Não tenham medo, me ajudem aqui e vamos ajudar o Homem.....’ (ele convida outras pessoas do público a fazer a mesma coisa, a arrancar e jogar fora as fitas-cruzes...). 

- Depois olha para Jesus e diz:’Jesus, poucos dentre nós entenderam o que você fez por nós. Você carregou a dor de tantos doentes que nunca tinham sido assistidos e protegidos. Você acolheu pessoas que todo mundo excluía e humilhava. Você amou pessoas como ninguém amou antes, dando carinho e confiança. Gostaríamos de destruir essas cruzes que nos destroem, mas nem sempre é possível. Que, pelo menos, possamos carregá-las juntos. Assim pesam menos. Deixe-nos carregarmos juntos essa cruz. Venham meu povo, vamos carregar essa cruz juntos! (e convida outras pessoas a carregar a cruz, agora sem fitas, sem as palavras....e avançam no meio das pessoas com a cruz...)

Oitava estação: Jesus consola todas aquelas pessoas que perderam filhos, pais, amigos, terra, casa, emprego pelas mãos dos senhores da violência, da prepotência e da ganância, e as motiva a consolar quem mais sofre


Cenário - várias pessoas se aproximam de Jesus: duas mulheres vestidas de preto (sinal de luto) um casal, algumas crianças.....

Uma das mulheres enlutada se aproxima de Jesus com um pano, ou uma toalha e tenta limpar o rosto, os braços... de Jesus ensanguentado. A outra mulher se aproxima e diz:’O que podemos fazer por ti, Jesus? Como podemos te ajudar? Gostaríamos de aliviar seus sofrimentos, suas dores...’

Jesus responde:’Oh queridas, não se preocupem comigo. Vocês têm muitas esposas que ficaram viúvas como vocês para consolar. Vocês devem ajudar a superar a dor daquelas mães que perderam seus filhos pela violência, pelas drogas e pelo tráfico. Olhem quantos pais de família que estão sendo despedidos de seus empregos. Aqui mesmo entre nós temos famílias sem casa, e sem esperança. Vocês devem permanecer fortes, e devem fortalecer aqueles irmãos mais fracos para que não desanimem e não se entreguem...

Depois Jesus olha para as crianças, as abraça e fala para elas:’Venham aqui meus filhinhos. Vocês são o futuro dessa nação. Não joguem fora esses anos bonitos da sua vida. Não deixem de ir para a escola, não deixem de frequentar a catequese. Divirtam-se, mas sempre respeitando seus irmãozinhos, sem mangar deles, sem briguinhas. Ajudem seus pais. Prometem para mim que vão fazer isso? As crianças respondem....SIM!

Nona estação: Jesus é pregado na cruz, humilhado, crucificado, e assassinado barbaramente. Sua morte se torna o último protesto profético em que ele denuncia seus agressores, e condena toda forma de violência e tortura!

Cenário- lugar aberto, valorizar o espaço em que a cruz vai ser fincada. Só a cruz de Jesus, sem colocar as outras duas, as dos ladrões....Jesus é despido da camiseta branca. Ao lado da cruz de Jesus do lado direito vão estar os policiais, o executivo com a sua maleta, o pistoleiro miliciano, os desembargadores com bíblia e terço....e do lado esquerdo as mulheres viúvas, as crianças, um casal....

A cruz é depositada no chão e Jesus é colocado sobre ela, e amarrado nos pés e nos braços, e erguido. Os policiais começam a mangar dele:’Ei, rei do povão, cadê o seu chefe maior, o seu Deus que você chamava de Pai? Nunca vi um pai abandonar um filho, a não ser que fosse um problemático. Você, pelo jeito, criou problemas para o velho, não é? O Coroa te esqueceu’....kkkkkk

Outro policial diz:’Vai ver que esse pai aí tem muitos filhos para cuidar e se esqueceu de salvar justamente esse daqui, o problemático...kkkk!’

O outro policial diz:’Todo rei tem exército! Todo rei tem coroa. Onde estão as suas tropas armadas que vêm te salvar? Onde está a sua coroa? Deixa eu pegar uma aqui. (E coloca um boné na cabeça de Jesus) 

O outro guarda debochando fala:’E não é que lhe caiu bem? Deu certinho em ti, meu rei! Tem jeito de malandro mesmo!’ 

Jesus grita:’Estou com sede. Por favor, me deem um pouco de água’! 

Um policial se volta para Jesus e diz:’Sede de que? Está com sede ou está com medo? Você deve estar com sede de vingança, não é? Você não era o cara que fazia muitos milagres com esse povão. Cadê a samaritana para puxar água para ti, hein? Dá provas que continua poderoso! Desce daí e salve a você mesmo! Chegou a sua hora, de salvar a sua pele! 

O pistoleiro miliciano intervém, pega uma esponja ou um pano, coloca vinagre nele e o encosta à boca de Jesus e diz:’O que acha da qualidade desse vinagre, hein? Você gostava de tomar vinho com os seus amigos em seus banquetes, em festas alegres...O que acha experimentar esse vinho estragado, agora, um vinho bem azedado, hein? Jesus rejeita...

Jesus grita, novamente:’Pai, onde está você? Pai, te suplico, não me abandone! Não me deixe só! Pai, me ajude a entender o seu silêncio. Fala comigo! Me ajude a dar sentido a essa minha agonia. Me ajude a entender para que serve essa minha morte... O policial fala:’Está variando já. Acho que está querendo comover o Pai dele!

O policial miliciano olha o relógio e diz:’Chegou a sua hora’. Depois olha para os desembargadores e diz:’Senhores, com a sua permissão, vamos executar o réu. A hora combinada é esta. Lá no templo está começando, nesse momento, o sacrifício dos cordeiros para obter a benevolência do deus verdadeiro, e não do Deus desse impostor que sempre detestou os sacrifícios. Hoje ele mesmo vai ser sacrificado ao Deus dele! Nenhuma misericórdia para os inconformados e rebeldes’
Depois extrai o revólver, se aproxima de Jesus, cobre o rosto dele com uma toalha, e dá um tiro no coração de Jesus (nesse momento solta-se um rojão de um tiro só). 

Décima estação: Jesus ressuscita em todas aquelas pessoas que como ele passam curando e assistindo os doentes, protegendo os indefesos, amparando os necessitados, lutando contra as armas e a violência, construindo a paz e defendendo o direito!


Cenário - Assim que Jesus é morto, as mulheres, o casal e as crianças correm até ele, o abraçam e jogam um lençol branco sobre ele....Debaixo do lençol e escondido do público Jesus se desamarra e é envolvem no lençol e o carregam (sempre escondido pelo lençol) para o centro...e o deitam....Assim que chega ao centro, os seus apóstolos, sempre ausentes na paixão, dão as caras. Aparecem com uma camiseta branca (ou se preferir do jeito que estavam no começo) e um dele vem trazendo uma camiseta branca e uma flor. Chegam até Jesus e as mulheres tiram o lençol e descobrem Jesus....Os apóstolos o abraçam. O último a chegar é o que leva a camiseta e a flor, e ajuda Jesus a vesti-la.....As mulheres tiram a roupa de luto, e mostram que abaixo delas tem uma camiseta branca, símbolo de vida nova e de paz...

Jesus levanta, abre os braços, olha para as pessoas, começa a andar no meio das pessoas  e fala:’Meus amigos e minhas amigas não somente eu mas todos vocês podem fazer a dramática experiência de morrer interior, de se sentirem perseguidos, excluídos, esquecidos pelos amigos, e até abandonados por Deus. Mas Deus é Pai de verdade. Nunca devemos desesperar principalmente nos momentos mais difíceis da vida. Quem de nós já fez a experiência da dor e do sofrimento e não desesperou, porque acreditou, tem o dever moral de apoiar, de ajudar e de amparar todos os irmãos que estão passando pela sua mesma situação. Cabe a vocês, agora, sentir que eu estarei presente e vivo quando curam os feridos, reerguem os caídos, alimentam os famintos, consolam os aflitos, acolhem os sem casa e os sem emprego, protegem os ameaçados, visitam os prisioneiros, e denunciam aqueles que torturam e matam. Cabe a vocês, agora, levar adiante a minha missão, a de construir uma nova nação, anunciando e construindo paz e não ódio, dar uma nova chance a quem lhe magoou e não se vingar. Cabe a vocês não ter medo de serem meus discípulos e discípulas aqui e em todos os cantos da terra.