Não houve acordo. O governo teve uma pequena amostra, na semana passada, da resistência que enfrentará para levar adiante seu projeto de construção de hidrelétricas ao longo do rio Tapajós, uma região isolada da Amazônia onde vivem hoje cerca de 8 mil índios da etnia Munduruku. Um grupo de líderes de aldeias localizadas no Pará e no norte do Mato Grosso, Estados que são cortados pelo rio, esteve em Brasília para protestar contra ações de empresas na região, que realizam levantamento de informações para preparar o licenciamento ambiental das usinas. Os índios tiveram uma reunião com o ministro de Minas e Energia (MME), Edison Lobão. Na mesa, os projetos da hidrelétricas de São Luiz do Tapajós e de Jatobá, dois dos maiores projetos de geração previstos pelo governo. Lobão foi firme. Disse aos índios que o governo não vai abrir mãos das duas usinas e que eles precisam entender isso. Valter Cardeal, diretor da Eletrobras que também participou da discussão, tentou convencer os índios de que o negócio é viável e de que eles serão devidamente compensados pelos impactos. Os índios deixaram a sala. Para o cacique Arnaldo Koba Munduruku, que lidera todos os povos indígenas da região do Tapajós, o resultado do encontro foi negativo. "Nosso povo não quer indenização, nem quer o dinheiro de usina. Nosso povo quer o rio como ele é", disse Koba ao Valor. "Não vamos permitir que usinas ou até mesmo que estudos sejam feitos. Vamos unir nossa gente e vamos para o enfrentamento. O Tapajós não vai sofrer como sofre hoje o rio Xingu", afirmou o líder indígena, referindo-se às complicações indígenas que envolvem o licenciamento e a construção da hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA). Com as usinas de São Luiz e Jatobá, o governo quer adicionar 8.471 megawatts de potência à sua matriz energética. O custo ambiental disso seria a inundação de 1.368 quilômetros quadrados de floresta virgem, duas vezes e meia a inundação que será causada pela hidrelétrica de Belo Monte. O governo diz que é pouco e que, se forem implementadas todas as usinas previstas para a Amazônia, menos de 1% da floresta ficaria embaixo d'água. (Fonte: O Valor)
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Indo além das aparências e acreditar na esperança possível (Lc.9,28-36)
O que pode parecer algo surpreendente e espetacular reservado a algumas poucas pessoas pode estar ao nosso alcance: a transfiguração de pessoas e realidades. Ou seja, a capacidade de conhecer e ver além do que vemos física e sensoriamente. Um conhecimento antecipado de pessoas e coisas. Se analisarmos o itinerário da nossa vida, podemos perceber que em determinados momentos fizemos a experiência concreta, histórica, de ter intuído o que determinados acontecimentos ou pessoas iriam significar para nós. Ou seja, perceber com uma clareza reveladora que tipo de impactos iria produzir em nossa vida. Enfim, não uma distorção da realidade produzida pela mente, e sim um sentir diferente, único, revelador. Podemos chamar essa experiência profundamente humana de ‘trans-figuração’!É a experiência que Jesus fez ao perceber intuitivamente que a sua escolha de anunciar a boa nova aos invisíveis e pequenos da sociedade, e descortinar os mecanismos que os subjugavam, iria produzir impactos fatais para a sua própria sobrevivência física. Ao mesmo tempo, porém, teve a percepção que a sua morte não seria em vão, mas daria vida algo novo, inédito (vestes brancas). Em suma, nada que não tenha sido fruto de uma profunda capacidade, por parte de Jesus, de compreender as relações humanas, os jogos e as disputa de poder, as contradições e antagonismos sociais e econômicos.
O evangelista Lucas no-lo apresenta sob uma roupagem metafórica surpreendente: o alto monte, o branco luminoso de Jesus, as 3 tendas para dois personagens que representam a lei e o profetismo. É como se o evangelista nos dissesse que Jesus previu que ao sintetizar e ao superar duas grandes dimensões da estrutura religiosa de Israel (a lei mosaica e o profetismo anti-monárquico de Elias) iria colher o reconhecimento formal de Deus (a nuvem e a voz), mas também a rejeição do próprio povo de Israel. Essa ‘transfiguração’ da história, ou seja, essa possibilidade humana de ir além das meras aparências e fenômenos externos para colher o sentido profundo dos acontecimentos, permitiu a Jesus encarar com realismo, sem pavor, sem fatalismos e sem fanatismo, o desfecho assustador e fatal que o estava aguardando. Nas horas da angústia, da dúvida, da tentação, espera-se que estejamos atentos para captar as inúmeras sinalizações emitidas por Deus através dos acontecimentos da história para nos sentir confirmados em nossas opções ou para ter coragem para redirecionar rumos e fazer outras opções.(Fonte: Padre Bombieri, 2009)
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Missionários Combonianos debatem na Cidade do México a sua ação juntos aos povos indígenas do continente
Cidade do México - Os missionários Combonianos que atuam juntos aos povos indígenas do continente americano estão reunidos na Cidade do México para partilhar experiências, problemas, metodologias e tentar afinar a sua prática evangelizadora. O encontro iniciou no dia 18 deste e se encerrará no dia 23. Os 30 participantes, incluindo algumas indígenas e religiosas do México, representam os 7 países onde os Combonianos estão presentes. A primeira parte do encontro foi reservada à apresentação das diferentes realidades em que os missionários vêm atuando, enfatizando principalmente os desafios sociais e culturais, a metodologia de trabalho e as perspectivas. Emergiu um amplo e variado leque de esperanças, riquezas culturais, resistências, juntamente com relatos de ameaças à integridade física das pessoas e dos territórios, dramas sociais, deslocamentos maciços por causa do narcotráfico e do abandono por parte dos poderes públicos, e outros. Se de um lado os Combonianos constatam uma nova emergência dos povos indígenas no sentido em que eles vêm apresentando com altivez e firmeza suas reivindicações, e exigem reconhecimento e respeito aos seus direitos, do outro lado percebem com tristeza que eles continuam sendo considerados para os governos nacionais um estorvo ao crescimento econômico. Os cerca de 50 milhões de indígenas que hoje habitam o continente, em que pesem os problemas em que estão mergulhados, continuam sendo portadores de valores humanos e de projetos de vida que várias culturas dos países do norte do mundo já têm abandonado. Um dado que pode comprovar isso é, por exemplo, o fato que hoje o país com os mais altos ‘índices de felicidade’ é o Guatemala, um país com fortes influências indígenas. Já os Estados Unidos, que ainda é considerado o paradigma a ser seguido, ocupa o 136º lugar. Os Combonianos como também outros missionários e cidadãos do mundo tentam beber sempre mais dessas fontes indígenas acreditando que no modo de ser dos povos indígenas do nosso continente podem estar presentes formas alternativas de ‘crescimento, de desenvolvimento e de progresso’ e que proporcionam não tanto lucros financeiros, e sim motivações para o BEM-VIVER!
Ruralistas propõem emenda constitucional que permitiria explorar 50% da área das terras indígenas
Os ruralistas estão querendo atacar novamente. Após ter rasgado o Código Florestal eles querem atacar as áreas protegidas. As duas últimas investidas são pesadas, e pretendem mudar a Consituição brasileira. Já tramitando na Câmara, sob batuta do deputado Nelson Padovani (PSC-PR), a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 237/13). Ela permitiria abrir até 50% da área das terras indígenas aos produtores rurais. O argumento dele seria “a vida financeira dos índios se deteriora cada vez mais. A miséria, as doenças, o tráfico de drogas e o consumo de álcool avançam em terras indígenas”, disse o preocupado deputado. Ele só não explicou como ou por que a chegada do agronegócio – que historicamente tem causado conflitos com os indígenas – solucionaria esses problemas. A proposta de Padovani vem na esteira de vários outros ataques – dos poderes legislativo e executivo – às áreas protegidas. Um outro projeto que chama a atenção e causa arrepio a indigenistas e ao movimento ambientalista é a PEC 215/2000, de autoria do deputado Almir Sá (PPB/RR). Também tramitando na Câmara, a proposta quer entregar ao Congresso Nacional – o mesmo que definhou nossa legislação florestal – as decisões sobre aprovar, demarcar e ratificar as terras indígenas.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
200 famílias Kaiwá retomam área da fazenda onde foi assassinado o jovem Denilson de 15 anos!
Cerca de 200 famílias da aldeia Tey’ikue retomaram área da fazenda onde foi assassinado o jovem Kaiowá Denilson Barbosa, em Caarapó (MS). O jovem de 15 anos foi encontrado morto com um tiro na cabeça na manhã de domingo, 17. Segundo os indígenas, a terra onde hoje incide a fazenda, cujo proprietário Orlandino Carneiro Gonçalves cria gado e arrenda para lavouras de soja, faz parte do antigo tekoha Pindoty, tradicionalmente ocupado pelos Kaiowá antes das expulsões, ao longo do século XX. Os indígenas reivindicam a presença permanente da Força Nacional na área para garantir a proteção das famílias. "Hoje [terça, 19] o fazendeiro esteve aqui com a polícia local. Veio tirar os bois", conta uma indígena que prefere não ser identificada. "A Força Nacional tem que vir aqui e ficar para proteger a gente”.Segundo a indígena, a polícia não teria feito perícia no local onde ocorreu o assassinato. "Eles [Polícia Civil] foram só na estrada onde estava o corpo. Eles têm que fazer perícia na fazenda, onde mataram ele [Denilson]", defende.Após o enterro do jovem Kaiowá, na tarde desta segunda-feira, 18, familiares do indígena assassinado começaram a erguer barracos, no sentido de protestar contra o assassinato e retomar o território reivindicado como tradicional. "Estamos dormindo ao ar livre, quase não temos lona, mas não vamos sair daqui", garante a indígena. As áreas do entorno da reserva ocupadas por fazendas foram analisadas nos levantamentos feitos pelo Grupo Técnico de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Dourados-Amambaipeguá, cujo relatório ainda está sob avaliação da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Brasília.(Fonte: IHU)
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Mataram mais um índio Kaiwá de 15 anos! E aí?
O Kaiowá Denilson Barbosa, de 15 anos, morador da aldeia Tey'ikue, foi encontrado morto no domingo, 17, no município de Caarapó (MS), em uma estrada vicinal a sete quilômetros do perímetro urbano da cidade, com um tiro na cabeça. Segundo relatos de testemunhas, Denilson e outros dois indígenas estavam indo pescar no sábado, 16, quando foram abordados por três pistoleiros ligados ao proprietário e arrendatário de uma fazenda vizinha à terra indígena de Caarapó, onde foi criada uma reserva no início do século XX. Os três homens atiraram contra os indígenas, que saíram em fuga do local. Dois deles conseguiram se esconder. Denilson caiu e ficou preso no arame farpado de uma cerca. Os três homens, então, o pegaram e passaram a desferir coronhadas na cabeça e no estômago do Kaiowá, mandando que ele se levantasse. Segundo os sobreviventes, quando se pôs de pé, Denilson foi alvejado com três tiros: dois na cabeça e um no pescoço. O corpo de Denilson foi encontrado por um caminhoneiro - segundo os indígenas, também funcionário de outra fazenda da região - que circulava pela vicinal, próxima à reserva, por volta das 5 da manhã de domingo, 17. Os indígenas acreditam que, após o assassinato, os pistoleiros desovaram o corpo de Denilson em uma estrada longe da fazenda, num entroncamento conhecido como "Pé de Galinha". A comunidade também planeja realizar uma série de protestos para denunciar a ação violenta. Conforme o relato dos indígenas sobreviventes e as características da morte, os indícios apontam para execução.(Fonte: IHU)
domingo, 17 de fevereiro de 2013
A diabólica idolatria que seduz e corrompe (Lc. 4,1-13)
Há quem insinue que o papa tenha abdicado ao seu cargo em razão da impossibilidade de por fim a tantas formas de conchavo, competição, procura de prestígio e de poder de tantos prelados que vivem no Vaticano. Em outras palavras, em razão da constatação de que ‘satanás’ vem controlando e dominando a vida e a consciência daqueles que deveriam testemunhar a sobriedade, a gratuidade, a humildade. Nem o próprio papa, com certeza, se viu livre, algum dia, de ter que lutar ferrenhamente contra o impulso de seguir as expectativas de um papado messiânico, triunfalista e poderoso. E, com certeza, como cada um de nós, em muitas ocasiões deve ter sucumbido! E, como cada um de nós, deve ter se arrependido, levantado novamente, e se preparado para enfrentar uma sucessiva investida do diabólico. Pela narração evangélica hodierna nem o próprio Jesus escapou de sentir impulsos para seguir um caminho diferente daquele traçado pelo Pai. Também Jesus, como qualquer de nós, teve que fazer as contas com as pressões de grupos e facções que o empurravam a seguir a lógica do ‘palácio real’. Só ele mesmo para resistir, e que a cada tentativa de ‘fazê-lo rei’ encontrava coragem de ‘se retirar num lugar deserto’ para rezar e se recarregar. E fugir, literalmente, do ‘canto da sereia’ da ambição e da procura de reconhecimento público. Nós humanos, ao contrário, vítimas de uma cultura que vem nos educando desde pequenos a dar asas a ambições e a sonhos de grandeza, com freqüência aceitamos as seduções diabólicas, até como forma de nos sentir aceitos socialmente, ou para não nos sentir esmagados por pessoas que as vemos como rivais e competidoras.
Uma coisa, contudo, deve ficar clara para nós ao refletirmos sobre essa narração. Nela não se quer condenar, - como se afirma costumeiramente, - o ter, o prazer e o poder. Nem tampouco o simples fato de sermos tentados. Afinal, tentação não significa adesão ao objeto da tentação. E mais: por que seria condenável o fato de possuirmos algo, ou de sentirmos prazer, ou termos consciência que se possui poder? Tudo isso, por si só, não constitui nenhum impedimento para ser discípulo de Jesus, e da realeza de Deus. Que bonito seria ‘possuir’ meios necessários, embora sóbrios e modestos, para anunciar e servir com mais eficácia os pobres e excluídos! Que bonito seria sentirmos entusiasmo e tesão infinitos naquilo que somos e fazemos em favor dos outros! Que bonito seria ter consciência que temos poder e força moral para influenciar positivamente relações humanas e sociais para que todos possam convergir em favor da defesa da vida! Definitivamente o problema não é esse! O problema central que Jesus teve que combater sistemática e permanentemente foi a tentação de ser um ‘alguém manipulado, controlado e dominado’ por outros, com outros projetos e outros interesses, no intuito de receber, em troca, reconhecimento e prestígio público. Em última instância, a tentação da idolatria, a tentação de servir e agradar os ídolos que hoje como ontem anestesiam consciências e estupram valores humanos e divinos.
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