quinta-feira, 30 de maio de 2013

Carta dos indígenas em Belo Monte - PAREM DE NOS AMEAÇAR. CHEGA DE VIOLÊNCIA!

Nós ocupamos o canteiro de obras de Belo Monte. Nós estamos defendendo nossa terra. Uma terra muito antiga que sempre foi nossa. Uma parte vocês já tomaram. Outra vocês estão tentando tomar agora. Nós não vamos deixar. Vocês vão entrar para matar. E nós vamos ficar para morrer. Nós não vamos sair sem sermos ouvidos. O governo federal anunciou um massacre contra os povos indígenas, os 170 guerreiros, mulheres, crianças e lideranças e pajés que estão aqui. Esse massacre vai acontecer pelas mãos das polícias, da Funai e da Justiça. Vocês já mataram em Teles Pires e vão matar de novo quando for preciso para vocês. Vocês mataram porque nós somos contra barragens. Nós sabemos do que vocês são capazes de fazer. Agora quem pediu para nos matar foi a Norte Energia, que é do governo e de empresários. Ela pediu para o juiz federal, que autorizou a polícia a nos bater e matar se for preciso. A culpa é de todos vocês se algum de nós morrer. Chega de violência. Parem de nos ameaçar. Nós queremos a nossa paz e vocês querem a sua guerra. Parem de mentir para a imprensa que estamos sequestrando trabalhadores e ônibus e causando transtornos. Está tudo tranquilo na ocupação, menos da parte da polícia mandada pela Justiça mandada pela Norte Energia mandada pelo governo. Vocês é que nos humilham e ameaçam e intimidam e gritam e assassinam quando não sabem o que fazer. Nós exigimos a suspensão da reintegração de posse. Até dia 30 de maio de 2013, quinta-feira de manhã, o governo precisa vir aqui e nos ouvir. Vocês já sabem da nossa pauta. Nós exigimos a suspensão das obras e dos estudos de barragens em cima das nossas terras.  E tirem a Força Nacional delas. As terras são nossas. Já perdemos terra o bastante. Vocês querem nos ver amansados e quietos, obedecendo a sua civilização sem fazer barulho. Mas nesse caso, nós sabemos que vocês preferem nos ver mortos porque nós estamos fazendo barulho.

Canteiro de obras de Belo Monte, Vitória do Xingu, Pará, 29 de maio de 2013

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Festa do Corpus Christi - 'CORPUS HOMINI', TEMPLO INVIOLÁVEL DO ESPÍRITO DO DEUS DA VIDA

Ontem ao chegar à Penitenciária de Pedrinhas o coordenador da pastoral carcerária do Maranhão que acolá se encontrava para um culto ecumênico com os detentos me informou que a polícia acabava de atirar em dois presos ferindo-os gravemente. Em algumas ocasiões ao visitar presos, - algo que, lamentavelmente, não faz parte ainda da minha rotina pastoral, - flagrava detentos com o rosto inchado e ensanguentado saindo de uma sala daquela delegacia conduzidos por policiais. Cansei de ver olhos e rostos deformados de mulheres e até de crianças espancadas por companheiros ou familiares.  Costumo dizer que quando uma pessoa recorre aos meios violentos para se impor ou convencer o outro a respeito de algo é sinal evidente do seu fracasso como veiculador de ‘humanidade’. Virou bicho, e bicho bruto!
Quando criança sempre me chamava a atenção a notícia que uma determinada igreja havia sido invadida e que o seu sacrário havia sido violado. Os ‘profanadores’ espalhavam as hóstias consagradas pelo chão da igreja num gesto que provocava nas pessoas indignação e espanto. Os atos de desagravo naquela igreja, - uma forma litúrgica para ‘devolver’ a sacralidade ameaçada, -  promovidos pelos párocos eram muito concorridos. Em alguns deles o próprio bispo se fazia presente. Crescendo, compreendi que esses atos de ‘profanação’ mesmo sendo gestos injustificáveis e desrespeitosos não produziam nenhuma deformação ao ‘corpo’ de Jesus. Jesus já vivia e vive à direita do Pai, e ninguém poderia ameaçar a sua integridade física. Compreendi que aquelas hóstias consagradas eram sim ‘sacramento-sinal’ da presença de Jesus, mas que não coincidiam com o seu ‘corpo’ físico, histórico, o mesmo que andou anunciando, pregando, curando, perdoando. Aquele corpo está numa outra dimensão e nenhum gesto profanador iria produzir dor ou humilhação a Jesus. 
Crescendo, compreendi que existem ‘corpos’ reais, históricos, ‘sacramentos e templos do Espírito Santo’ que são machucados, torturados, seviciados, violados produzindo dores e espasmos horríveis. Corpos profanados! Muitas vezes a virulência e a brutalidade perpetradas por ‘outros corpos sem alma’ contra ‘esses corpos’ deixam marcas indeléveis, espantosamente deformantes ao longo de toda a sua vida. Algo que profana e que parece negar a ‘presença real’ do Deus Criador e Senhor da vida nos corpos dos violados e dos torturados, templos vivos da Sua presença. Isso sim mereceria um permanente desagravo não somente litúrgico e canônico, mas social e humano! Constato, tristemente, que muitas pessoas de fé ao verem tantos ‘corpos’ sendo torturados, violentados e assassinados não sentem a mesma indignação ao se depararem com o desprezo de outras pessoas por uma hóstia consagrada. Preferem ‘adorar’ o sinal, o símbolo, o significante’ ignorando hereticamente o seu ‘significado’, nesse caso o ser humano impregnado de divindade, aquele ‘templo-moradia de Deus, real e efetivo, capaz de manifestar e veicular a própria presença salvadora do Senhor da vida! Que ao fazermos comunhão com o ‘Corpus Christi’ possamos fazer comunhão real e efetiva com tantos ‘Corpus homini’ machucados e feridos!  

Em São Luis os prefeitos dos 23 municípios da Estrada de Ferro Carajás (COMEFC) despertam repentinamente para os abusos da VALE e querem a sua grana!

Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão, com o Consórcio dos 23 Municípios maranhenses da Estrada de Ferro Carajás, em 28 de maio de 2013.

Onde estavam esses prefeitos do COMEFC alguns meses atrás quando a Vale, de forma sorrateira, vinha ‘impondo’, à sua maneira, a duplicação da ferrovia? Onde estavam eles ao constatar as artimanhas da empresa ‘legitimamente brasileira’ quando vinha descaradamente ludibriando audiências públicas, chamando-as de ‘encontros’, e agredindo as etapas e as condições legais para o processo de licenciamento? Onde estava a ‘bela (musa) adormecida’ do COMEFC quando o trem da Vale vinha atropelando cidadãos, mães e pais de famílias, do seu município? Onde estavam os prefeitos antenados e responsáveis quando o Sr. Ministro de Minas e Energia, o maranhense Edson Lobão, vinha negociando com empresas mineradoras o novo Código Mineral e as porcentagens das Royalties? Causou-nos estranheza que, ontem, na assembléia legislativa, após tantas denúncias, - genéricas na realidade, - de crimes e abusos ambientais’, supostamente cometidos pela Vale, esses administradores, na sua maioria, ainda não criaram os Conselhos Municipais do Meio Ambiente para dar sequência judicial ao que proclamam aos quatro ventos. Não nos consta, até agora, a formalização de algum tipo de denúncia ao MPF ou à justiça federal contra a Vale por parte desses municípios.  Muito estranho. 
Na audiência pública o que mais chamou a atenção foi a ostentação da velha e arcaica retórica de sempre, própria dos políticos famintos de qualquer tipo de grana, venha de onde vier! O que está, então, por trás desse repentino ‘despertar’ municipal que segundo alguns seria o maior movimento revolucionário dos últimos 50 anos? Evidente que os nossos queridos prefeitos querem uma parcela dos lucros que a Vale vem gerando. Deram fé que ela é uma boa fonte de lucros e uma generosa distribuidora de dividendos para seus acionistas. Querem ser acionistas ‘legais’ da Vale, jogando por fora. Aparentemente, suas reivindicações, uma vez atendidas, ajudariam a melhorar o índice de desenvolvimento humano dos seus munícipes, a melhorar as infra-estruturas, a ter mais educação, e blá, blá, blá.... Em momento algum disseram em que e como iriam gerenciar a eventual grana da Vale. Compreensível: em 4 horas de lero-lero e de auto-promoção não havia tempo suficiente para explicar tudo isso, principalmente se as reais vítimas da Vale teriam assento cativo no destino da grana. Agora, só uma Comissão Especial Mista para dizer aquilo que não disseram ou não quiseram dizer. Viver para ver!

terça-feira, 28 de maio de 2013

Muito mais que frases do dia......



Os médicos daqui não querem saber do interior atrasado, não importa que mercado haja aí e que condições sejam oferecidas. Mesmo as periferias das cidades são incapazes de atraí-los no número necessário, como prova a procura para os hospitais e postos públicos. A mera recusa à contratação de espanhóis, cubanos e portugueses despreza ainda outra realidade inegável: a dos milhões deixados a sofrimentos que até conhecimentos médicos elementares podem evitar ou atenuar” Jânio de Freitas, jornalista, comentando a PEC 37 – Folha de S. Paulo, 26-05-2013.

A realidade completa entende-se melhor não a partir do centro, mas das periferias”Papa Francisco – Agência Zenit, 26-05-2013.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Conjuntura indigenista - Configurar o 'novo Brasil multi-étnico' tirando todo 'entulho constitucional'!

O jogo parece já feito, mas há ainda espaço para bagunçar o coreto e chutar o barraco. Os povos indígenas parecem estar dispostos a vender cara a própria pele! A depender dos interesses em jogo, há uma evidente ‘feliz-infeliz’ coincidência de circunstâncias no que tange à questão indígena como um todo na atual conjuntura do Brasil. Se de um lado não parece ser tão imediata a compreensão do momento presente, - pois muito pouco se sabe ainda sobre interesses e objetivos não ditos e ocultados à sociedade em geral, - do outro lado parece haver um volume de manifestações, pressões, propostas de mudanças, e decisões envolvendo vários atores sociais (governo, congresso, povos indígenas, agro-negócio, mineração, etc.) de tal envergadura que sinalizam que estamos não somente no olho do furação, mas num momento crucial para delinear  o ‘Brasil econômico e multi-étnico’ dos próximos anos. Concretamente, parece haver nesse momento o seguinte quadro: temos um governo federal, - notadamente aquele controlado pela moderna e mutante esquerda petista, - com a presidente e seus colaboradores mais próximos, - ainda fortemente influenciado pelas reminiscências de um marxismo arcaico que sob a genérica categoria social ‘pobres’ (só faltava chamá-los de proletários) concentra e trata uniformemente uma vasta gama de grupos sociais, ‘classes’, povos e etnias. Sob o falso pretexto de oferecer ‘igual tratamento’ coloca-os na vala comum das genéricas políticas assistenciais, mais ou menos focadas, mas subordinadas ‘aos interesses nacionais’ de cunho elitista. Por detrás daquilo que eufemisticamente são chamados de ‘interesses nacionais’ estão essencialmente dois objetivos políticos bem claros.

 De um lado a manutenção, a qualquer custo, da hegemonia petista no governo federal para no mínimo mais um mandato. E, do outro, intimamente ligado e complementar a esse, alavancar de forma irreversível o que vem sendo definido, genericamente, de ‘aceleração do crescimento’, aproveitando o suposto momento favorável da conjuntura mundial. Pergunta-se se diante desses interesses haveria espaço para uma política diferenciada e respeitosa para ‘minorias’ que segundo o imaginário coletivo consolidado estariam ocupando territórios ‘produtivos’ capazes de despertar definitivamente o gigante adormecido’. Esse mesmo governo federal entende que não chegou somente a hora de ‘botar para quebrar’, mas, principalmente, percebe que os sinos tocam para que se redefinam legalmente, num outro patamar, as relações sociais e as ‘propriedades’ ou, no mínimo, a sua ocupação e exploração física. Dito de forma mais direta, - embora ainda não declarada por insano pudor governamental, - os povos indígenas e os quilombolas estariam usufruindo de territórios vastíssimos ociosos que poderiam servir ao País para exportar o que até agora não se conseguiu. E permitir ao País se firmar não somente como potência econômica, mas como nação com as bases (infra-estruturas) dignas de um País dito ‘moderno’.

 Isto, porém, tem que ser feito de forma legal, nem que isso implique rever princípios constitucionais que pareciam consagrados e consolidados desde a eternidade. O atual governo federal finge que vem sendo pressionado agressivamente pelos representantes do ‘agro-mínero-negócio’, mas na realidade ele vem concordando em número, gênero e grau com suas reivindicações que, diga-se de passagem, não são pontuais, mas de caráter sistêmico. De fato, o que parece não ser evidenciado por trás das escaramuças das ‘Kátias Abreus’ da vida e company, e dos senhores do minério e agro-negócio, é uma firme vontade de dar uma nova configuração ao Brasil, mais em consonância com as exigências próprias da elite financeira e exportadora e, supostamente, ‘da realidade planetária’. Para eles não podem ser esses ‘selvagens arcaicos’ a deter esse projeto que, afinal, viria a modernizar e a beneficiar o País como um todo. É nesse jogo de empurra-empurra que se escondem as táticas, sendo que a estratégia parece já estar definida. Ou seja, as táticas cuidariam somente de ver qual a melhor forma e qual o momento mais oportuno para produzir e anunciar mudanças substanciais já decididas na Constituição, no Código de Mineração via Medidas Provisórias, etc. Evidentemente, tentando não parecer demasiado impopulares aos olhos de alguns setores da elite intelectual da sociedade civil que esperneia e faz barulho, uma vez que a sociedade em geral parece estar bem alheia ao que vem acontecendo. Parece sintomática a campanha propagandística dos já 10 anos de governo federal do PT. 

Diferentemente do que apregoavam os tucanos com FHC que pela voz do Sérgio Motta diziam em alto e bom som que eles vieram para ficar pelo menos 20 anos, agora, é o seu inimigo histórico, o atual mutante PT que sem alardear a sua sede de ‘governança’ parece querer reproduzir o mesmo desejo e, dessa forma, dar a feição final da ‘modernização’ definitiva do País. Paradoxalmente, completando o que os tucanos haviam iniciado (ou melhor, o próprio Collor de Melo), confirmando, assim, que possuem e aderem à mesma matriz política em que o governo federal de turno, - não importa qual cor partidária, - permanece fielmente amasiado aos setores elitistas do agro-negócio, banqueiros, exportadores. Sem descuidar, contudo, para que outros setores periféricos (indígenas, quilombolas, trabalhadores escravos, etc.), mas de grande badalação internacional, não estraguem a ‘festa ecumênica’. Negociar, dialogar, construir consensos não são palavras e práticas utilizadas nesse momento em que urge impor o sonho que foi acalentado ao longo décadas por elites mesquinhas e substancialmente arcaicas!

sábado, 25 de maio de 2013

TRINDADE - NÓS HUMANOS DIVINOS SOMOS 'UM' E 'TRINOS' COM O DEUS 'UM' (Jo.16,12-15)

Há um ditado italiano segundo o qual ’quem faz por si faz por três’ – ‘chi fá da sé fá per tre.’ Uma clara negação da construção coletiva e do valor da relação com o outro. A exaltação do individualismo mais mesquinho, mas supostamente eficiente. A desconfiança, enfim, de que ao ter mais que uma pessoa para executar uma determinada tarefa estaria ameaçada a sua efetiva realização. Segundo essa postura o ‘outro’ em lugar de somar poderia puxar para uma direção não desejada pelo ‘um’, o indivíduo solitário. Trindade é, ao contrário, reconhecer que nós humanos somos ‘um’ entre nós e com Deus que é fonte e inspiração de comunhão. Trindade é crer que ‘o outro’ que está ao meu lado é manifestação daquele Deus que é ‘um’ conosco. Celebrar a Trindade não é repetir litúrgica e mecanicamente uma formulação doutrinal histórica e culturalmente elaborada por uma elite teológica e imperial desconectada com o mundo e com as ‘criaturas divinas’ que vivem nele. Nem tampouco é crer no ‘deus’ invocado solenemente por governantes e senhores para justificar suas atrocidades e abusos. Não é também o ‘deus’ dos falsos piedosos aclamado para consolar e conformar as vítimas das escravidões e das injustiças humanas. 
Celebrar a Trindade é se aproximar com humildade e respeito ao ‘Deus de Jesus de Nazaré’. Ver nessa ‘criatura divina’, Jesus de Nazaré, em seus gestos profundamente humanos, de relação compassiva e amorosa com ‘os outros’, o rosto do Deus invisível e não plenamente compreensível. Jesus de Nazaré nos deixou intuir e nos revelou, embora parcialmente, quais são os traços identitários do Deus que está conosco, que caminha conosco, e que está dentro de nós. O Deus que não vemos, mas que podemos sentir. Aquele que não quer ‘fazer por si porque faria por três’, mas o Deus que mesmo sendo ‘todo-poderoso’ necessita dos seus filhos e filhas para continuar a ser....Deus. Um Deus Humano que paradoxalmente deixaria de ser Deus se Ele não necessitasse e não se relacionasse com as suas criaturas. Afinal são elas que O descobrem, O revelam e O sentem presente e atuante em suas vidas, mesmo que indigna e parcialmente. Trindade não é, portanto, uma mera confissão de fé na comunhão existente entre três ‘pessoas divinas’, teológica e ortodoxamente definidas, mas reconhecer e provar com gestos e opções históricas e concretas que nós agimos humana e amorosamente porque somos ‘um’ com Deus e Ele se revela e constrói através de nós ‘humanos divinos’. Nós somos ‘um’ e ‘três’!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Desmatamento volta a crescer na Amazônia. Alta é de 88%. Um absurdo!

Segundo medições feitas por satélite, o desmatamento voltou a subir na Amazônia e especificamente no Pará. Os dados do programa de monitoramento do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostram a retomada do desmatamento. Na comparação do período de agosto a março de 2012 e o mesmo período em 2013, houve alta de 88% na Amazônia. Os maiores aumentos ocorreram no Pará (com mais 144%), no Amazonas (mais 143%) em Tocantins (mais 126%). A medição feita pelo Inpe também revelou a devastação. Entre agosto a março de 2012 e o mesmo período em 2013 foi um aumento de 50% na Amazônia toda. Cerca de 80% dos novos desmatamentos no estado do Pará aconteceram em terras públicas federais, ao longo da Transamazônica e da BR 163, que liga Cuiabá a Santarém. São terras invadidas por grileiros ou pecuaristas, que desmatam para apressar a posse da área.Técnicos do Imazon e do Programa Municípios Verdes fizeram uma análise dos tipos de motivações que levam aos novos desmatamentos. Estão indicados no mapa abaixo. O desmatamento tradicional é típico de áreas privadas numa região com ocupação já consolidada. É o desmatamento do proprietário de uma fazenda que busca expandir sua área para pecuária ou algum cultivo. Já o corte para assentamentos é a abertura de áreas em projetos do Incra ou de assentamentos estaduais. O mais triste é que, pelo que mostra a experiência na região, os assentados devastam inutilmente, porque continuam miseráveis e depois precisam de uma nova terra para ir. O terceiro tipo de desmatamento atual no Pará é o especulativo, típico da fronteira de ocupação. É a retirada de floresta por quem deseja tomar posse da área, geralmente terras públicas invadidas. (Fonte: IHU)