terça-feira, 10 de setembro de 2019

Índios Guajajara, mais eficientes que a polícia do Bozo, prendem madeireiros em suas terras e entregam para a PF.

Na última sexta-feira (6), um grupo de índios conseguiu deter madeireiros que estavam destruindo suas terras, na reserva Araribóia, no sudoeste do Maranhão. No local havia 8 madeireiros e uma tenda improvisada. Os índios também encontraram uma quantidade enorme de madeira cortada e papéis com anotações sobre o controle dos trabalhos e os valores nas vendas da madeira. Os madeireiros prestaram depoimentos e estão presos na Polícia Federal de Imperatriz. Segundo depoimento de um dos homens, eles estavam na reserva Araribóia desde novembro de 2018. Na época, ele diz que cortou 300 estacas e que agora estava voltando para buscar o material e cortar mais 600 estacas. A madeira seria revendida para um fazendeiro em Açailândia. Esse grupo de índios, conhecido como “Guardiões da Floresta”, foi criado em 2008 por conta dos ataques que vinham sofrendo em suas terras. Há mais de 10 anos enfrentando e reagindo à violência dos madeireiros, o grupo ficou conhecido e desde então várias etnias estão criando grupos de autodefesa com o mesmo nome. Como estamos acompanhando, os ataques aos indígenas só têm aumentado desde o golpe de Estado e agora com o apoio do presidente fascista Jair Bolsonaro, que já se declarou inimigo do povo indígena, a situação tende a degenerar e piorar. Diante essa ofensiva, a ação das lideranças indígenas em formar grupos de autodefesa, não só está certíssima, como deve ser ampliada. Só através da união e articulação poderão exercer o direito de autodefesa e garantir seus direitos e sua sobrevivência.

sábado, 7 de setembro de 2019

Domingo XXIII – Não é para todos ser seguidor de Jesus. Coitado daquele que o segue para se dar bem na vida! (Lc. 14, 25-33)


Vivemos épocas de profunda desconfiança. Desconfiamos de tudo e de todos. E não é pra’ menos. Vemos por todos os cantos aproveitadores e manipuladores. Oportunistas e carreiristas. Parece haver pouco espaço para a autenticidade e a coerência. Para o desapego e a generosidade sincera. Mas tudo isso não é de hoje. Jesus, profundo conhecedor da alma humana, já havia percebido essa tendência do ser humano. As multidões que o seguiam não o faziam por convicção. Elas visavam obter vantagens futuras. Achavam que Ele era ‘o cara’ que se tornaria poderoso. E queriam, desde já, garantir o seu pedaço na distribuição de poder no futuro governo de Deus! É nesse contexto que Jesus coloca de forma clara e contundente quais são as condições para ser um seguidor Dele.

1. O seguidor não pode colocar os vínculos familiares acima da missão de construir o Reino. Isso não significa desprezar a sua família, mas compreender que a urgência do momento exige dedicação prioritária e total ao anúncio da Boa Nova. Este é o único capaz de construir a ‘verdadeira família do Pai’!
2. O seguidor que não sabe ‘levantar e carregar a cruz’ da perseguição, do desprezo, da calúnia, - por ele pertencer ao grupo de Jesus, - não pode ser um seu discípulo. Quem se envergonha de Jesus, e só se preocupa com a sua imagem e prestígio, já era! 
3. O seguidor, cujo coração bate lá onde estão seus bens, não tem condições de segui-lo.  Só o seguidor desprendido, generoso e solidário com os pobres do povo pode ser discípulo permanente de Jesus. Aquele cristão que usa o nome de Jesus e se diz seu discípulo para só se dar bem na vida é um pobre coitado, fadado ao fracasso total na vida. Um infeliz. 

sábado, 31 de agosto de 2019

XXII Domingo – Jesus detona a lógica hipócrita da ‘mão que lava a outra’ praticada pelos exibicionistas papa-hóstias! (Lc. 14, 1.7-14)


Não é de hoje que a nossa sociedade pratica a lógica das aparências. A adoção de uma ‘mascara social’ para esconder medos, defeitos, fragilidades. ‘Não é suficiente ser honesto; tem que aparecer honesto’, dizem os adeptos da hipocrisia e da falsidade. A cultura social incentiva também a distribuição de favores e de privilégios, mas só entre amigos. Entre os amigos de corriolas e patotas tudo lhes é permitido: furar a fila, perdoar abusos, abrir mão de obrigações morais e legais. Danem-se os outros!Ainda hoje continua atual o velho ditado ‘aos amigos os favores da lei, aos inimigos os rigores da lei’. Ou ’Uma mão lava a outra’! Ofereço-lhe algo para que você também faça o mesmo comigo! É a terrível lei da reciprocidade obrigatória. Jesus, no evangelho de hoje detona esse modo de agir perverso, mesquinho e tapado. De um lado critica as relações sociais e interpessoais baseadas na duplicidade, na simulação e na hipocrisia. E, do outro, deixa claro como deveria agir um seu seguidor: 1. Ocupar social e fisicamente os ‘últimos lugares’. Ou seja, os lugares escondidos e reservados àqueles que não são importantes socialmente.  Abandonar o exibicionismo social e a procura doentia de reconhecimento público, pois batem de frente com a atitude evangélica de ser solidário com os excluídos. 2. Cristão é aquele que convida a fazer parte da sua vida os que são rejeitados e ignorados pelos ‘carreiristas doentios, os santos bajuladores hipócritas, os papa-hóstias e os beija-bancos’. Cristão é aquele que sente em sua alma e em seu corpo a humilhação perpetrada por essa cambada de orgulhosos a tantos pequenos e pobres. E se alia a esses humilhados para sempre! 


sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Governo do Bozo não só deixará de demarcar Terras Indígenas como quer fazer uma revisão de todas elas!

O  ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, o general da reserva do Exército Augusto Heleno, defendeu nesta quinta-feira a revisão de todas as demarcações de terras indígenas, e alegou haver indícios de fraudes em várias delas. Na transmissão feita semanalmente ao vivo nas redes sociais pelo presidente Jair Bolsonaro, Heleno disse que há denúncias de que a demarcação de algumas áreas foi feita com base em laudos forjados.
Essas demarcações merecem ser todas revistas, uma vez que há provas, de dentro da própria Funai, denúncias de demarcações fraudulentas para terras indígenas. Tem demarcações que foram forjadas, muito aumentada na sua extensão por gente interessada em lucrar com isso. Então isso precisa ser muito bem estudado”, disse o ministro, sentado do lado de Bolsonaro, durante a transmissão. Sem dar detalhes, ele citou a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, como um caso em que, segundo ele, ficou “praticamente comprovado” que a demarcação se baseou em um laudo fraudulento.

“Essas terras precisam ser devidamente demarcadas de acordo com a realidade. E a partir daí, vamos pensar se vale a pena”, acrescentou o general, que disse que tem recebido no Palácio do Planalto indígenas que têm pedido para serem integrados na sociedade brasileira. Na transmissão, Bolsonaro voltou a afirmar que não assinará a demarcação de nenhuma nova área indígena. O presidente aproveitou reunião com governadores da região amazônica nesta semana, marcada para discutir os incêndios florestais na Amazônia que geraram forte pressão internacional sobre o Brasil, para criticar as demarcações de áreas indígenas, quilombolas e de reservas florestais.Assim como fez durante a reunião, Bolsonaro voltou a afirmar durante a transmissão que as demarcações dessas áreas visam inviabilizar o Brasil. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

MPF requisita PF para defender território dos Xikrin.....que Bozo quer liberar para fazendeiros explorarem

O Ministério Público Federal (MPF) requisitou uma operação da Polícia Federal, em caráter de urgência, contra invasores da Terra Indígena na Trincheira Bacajá (PA). Eles estariam se preparando para atacar aldeias da etnia Xikrin. A reportagem do jornal Folha de S. Paulo destaca que "as ameaças são uma resposta à retomada das áreas invadidas por dezenas de guerreiros Xikrin, no último sábado (24). No mês passado, grileiros desmataram e queimaram ilegalmente 15 km2 de floresta amazônica, segundo cálculo da ONG Imazon." A procuradora Thais Santi despachou: "ao Ministério Público Federal trata-se de conflito da mais alta gravidade, tendo em vista que houve ação por parte dos indígenas no sentido de expulsar os invasores de suas terras, após mais de um ano aguardando atuação policial na região”."

Sem projeto de Brasil Bozo quer liberar terras indígenas para serem exploradas....por índios ou por latifundiários???

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira que o governo irá trabalhar para permitir que os indígenas possam explorar economicamente suas terras e chamou de “picaretas” ONGs internacionais que, segundo ele, “escravizam” os indígenas.“Não justifica viver nessa situação (de pobreza) com a riqueza que vocês têm. A decisão tem que ser de vocês, sem intermediários. Vai depender do Parlamento, mas a gente vai buscar leis para mudar isso”, disse Bolsonaro ao lado de lideranças indígenas. Os líderes de etnias como Pareci, Ianomami e outras, foram trazidas ao Planalto pelo secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Nabhan Garcia, pecuarista e com um histórico de conflitos com indígenas. O secretário, que já defendeu a reversão de demarcação de terras indígenas, chegou a declarar que os índios são hoje os maiores latifundiários do país.

“Alguns querem que vocês fiquem dentro da terra indígena como se fossem um animal pré-histórico. Vocês são seres humanos e o Brasil precisa de todo mundo unido”, afirmou Bolsonaro. “Vocês têm terra, bastante terra, vamos usar essa terra. Vão continuar sendo pobre, sendo escravizados por ONGs, por deputado, senador que não tem compromisso com vocês, que usam vocês para se dar bem?” Em mais de um momento, Bolsonaro afirmou que vai defender que a exploração das terras independa de laudos ambientais ou da Funai, e tenha apenas a concordância dos povos. E chegou a dizer que a Fundação Nacional do Índio (Funai) teria que fazer o que os indígenas quisessem, ou ele demitiria toda a diretoria. Ao comentar a questão da terra dos Ianomamis, o presidente acrescentou que as ONGs só se preocupavam com as terras porque são ricas. “Se fosse terra pobre não tinha ninguém. Como é rica tem esses picaretas internacionais, picaretas dentro do Brasil e picaretas dentro do próprio governo dizendo que estão defendendo vocês”, afirmou.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Pastoral Carcerária do Ceará denuncia em Editorial o 'silêncio' dos vivem atrás das grades

EDITORIAL DA PASTORAL CARCERÁRIA DO CEARÁ

Se o atordoador silêncio que hoje emana de todos os que possuem, direta ou indiretamente, relação de interesse sobre o sistema penal do Ceará, trouxesse o sentimento real de segurança e justiça, talvez já fosse mesmo o tempo de se comemorar. Mas não vislumbramos justiça no momento. Que silêncio é esse que suscita mais dúvidas do que certezas? A mudez tomou conta de autoridades, servidores, instituições fiscais e, o que mais causa espanto: o “grito das prisões” silenciou. Será que tudo que está acontecendo nos cárceres é aceitável pela simples argumentação de que “é uma situação que se impõe?” Reflitamos à luz da lei.O que de fato originou esse silêncio? O que estará de fato acontecendo nas carceragens? Teria o Estado do Ceará encontrado a fórmula mágica para o controle das prisões e, o óbvio desse segredo era apenas mais coerção sobre os corpos? Inacreditável.

Os questionamentos que se podem formular não cabem nesse breve editorial. O fato é que o silêncio que vem de lá causa não só espanto, mas também apreensão. Tensão permanente.A história dos ergástulos nos apresenta outro olhar sobre esse cenário. A origem dessa mudez não está exclusivamente na força coercitiva empregada pela segurança prisional, embora ainda não se possa precisar qual ou quais outras causas o seriam. Um mistério “que se impõe”.Por mais otimista que se possa ser, qualquer euforia comemorativa toma contornos de prematuridade, notadamente pelo fato de que cerca de trinta mil vozes simplesmente calaram passivamente. Um grito inaudível.O ceticismo será companheiro presente até que se possa observar claras ações de justiça caminhando paralelas às ações de segurança. Até lá, que Deus permaneça no controle de tudo!

COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO AO EDITORIAL

Acabo de ler o editorial ‘O silêncio que vem de lá’, publicado pela Pastoral Carcerária do Ceará. Fiquei atônito e desconcertado. Não é para menos!Afinal, após aqueles terrificantes e inesquecíveis acontecimentos do começo do ano, marcados pela violência inaudita por parte das facções - mas também por forças policiais estaduais e nacionais, acreditava-se que o Governo do Estado do Ceará tinha encontrado uma fórmula que combinasse segurança pública com respeito mínimo aos direitos básicos dos aprisionados. E, o que mais interessa, uma política realista de ressocialização. 

Por mera coincidência, li, anteontem, uma reportagem publicada no Jornal Jangadeiro que chamou a minha atenção. Segundo o jornal, só neste ano, o Estado do Ceará gastou mais de 4 milhões de reais em aquisição de armas e na promoção de treinamentos para agentes penitenciários. A reportagem finaliza afirmando que o Ceará já seria referência para outros estados.Com base também nessas informações, torna-se mais esclarecedora a denúncia do Editorial da Pastoral Carcerária cearense. ‘O silêncio que vem de lá’, e o seu ‘grito inaudível’, parece ser o terrificante resultado de uma política do ‘‘tudo está dominado no pacificado Estado do Ceará"! Na realidade, parece-me ser o fruto podre e envenenado da ação repressora do Estado, que impõe submissão humilhante aos vencidos. E que censura toda reivindicação interna e externa. ‘O silêncio que vem de lá’, dos que vivem atrás das grades, é também o silêncio imposto pelos ‘vencedores’ aos seus familiares, cuja voz não pode e não deve mais ecoar.  Mas é, também, ‘o silêncio que vem de cá’! O silêncio cúmplice de uma sociedade que aplaude e se regozija intimamente com a tortura, o aprisionamento humilhante, a punição sádica.

É o silêncio criminoso de instituições, supostamente humanitárias, que se autoconvencem que a única medida social viável para retirar das ruas a ‘bandidagem’ é a ‘política do abate’. Ou o seu encarceramento puro e simples. É o silêncio farisaico de muitas igrejas que, ignorando a prática profética e misericordiosa de Jesus de Nazaré, acham que gritando exorcismos podem expulsar o satanás que se apossou de milhares de jovens infratores.É desolador constatar que mergulhamos num estado de anestesia humana e paralisia social.

Como cidadão, como humano e como padre, continuo acreditando que chegou a hora de ‘quebrar o silêncio’! Ou, como o Mestre da Galiléia já dizia: "O que vos digo na escuridão, dizei-o às claras. O que vos é dito ao ouvido, publicai-o de cima dos telhados."(Mt, 10,27)