Quantas
vezes achamos que não temos mais nada a aprender na vida porque, afinal, nos
nossos delírios, acreditamos já possuir um conjunto de valores consistentes e
de comportamentos bem estruturados! Estamos tão autoconfiantes e cristalizados nas nossas
posições que somos incapazes de nos deixar questionar por pessoas que mostram
um outro modo de sentir, de pensar e de encarar a vida! Foi o que ocorreu com o
próprio Jesus ao se confrontar com uma mulher cananeia, pagã, impura, tratada
com desprezo pelos judeus que chegavam a se dirigir àqueles cidadãos chamando-os
de ‘cachorros’! A atrevida mulher, contudo, não parece alimentar os mesmos
preconceitos. Aproxima-se do judeu Jesus e, aos berros, invoca a cura da filha
afligida por graves problemas psicológicos. Jesus que havia deixado claro que a
sua atenção prioritária era para as ‘ovelhas perdidas da casa de Israel’ parece reproduzir os mesmos preconceitos dos seus patrícios, e reafirma que ‘o pão-alimento
é para os filhos, e não para os cachorros pagãos’! A inconformada cananeia lembra
a Jesus que também os cachorros têm o direito de pelo menos comer as migalhas
do pão que é reservado aos filhos de Israel. Jesus e o seu grupo se dão conta
de que não serão os filhos de Israel, mas os ‘seus filhos perdidos’ e os ‘impuros
extracomunitários’ que acolherão e darão continuidade à prática evangélica de
Jesus. E se abrem, definitivamente, a eles! Torna-se sempre mais urgente, hoje, que a igreja de Jesus que se autodefine 'sinodal' se deixe interpelar por aqueles que, em geral, são deixados, por ela, à margem de tudo.
sábado, 15 de agosto de 2026
XX domingo comum - É urgente superar preconceitos e posturas cristalizadas, e se abrir 'aos impuros e perdidos'!
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