Caro irmão Bento XVI, paz e graça em Jesus! Escrevo-lhe essas poucas linhas, mesmo sabendo que dificilmente irá lê-las. Gostaria de manifestar de um lado a minha admiração pela coragem com que nessa sua avançada idade continua a enfrentar os desafios da igreja. Do outro lado, não posso deixar de expressar minha divergência quanto às suas últimas declarações, principalmente as que pronunciou por ocasião da quinta feira santa ao citar um grupo de padres que estariam invocando uma ‘desobediência organizada’ contra certas normas vigentes na nossa igreja católica. Entendo, em parte, seus temores e angústias, mas não achei que o senhor estivesse agindo coerentemente com o ‘gesto histórico’ do nosso Inspirador maior, Jesus de Nazaré. Ao lavar os pés dos seus seguidores e de suas discípulas o nosso Mestre nos ensina a não fazer prevalecer o prestígio do cargo que ocupamos, mas a servir sem reservas, colocando-nos sempre no último lugar. Por que, então, o senhor apela ainda à obediência cega e acrítica, em lugar da persuasão? Por que tenciona intimidar padres e bispos em suas visitas ‘ad limina’ a Roma por pedirem simplesmente que uma pessoa que é confirmada pela igreja na sua vocação sacerdotal possa também casar, se assim o desejar? Por que resistir ainda a abrir um debate universal-católico para ver a possibilidade de ‘conceder’ o sacerdócio ministerial às mulheres que têm vocação para tanto? O senhor que é teólogo refinado sabe, como nós sabemos, que não há nenhum impedimento teológico e dogmático. Que ao conceder isto, em momento algum ofenderia a prática de Jesus de Nazaré. Perdoe-me se me atrevo a dizer mais uma coisa: falei em ‘conceder’, pois esta é a linguagem comum utilizada na nossa igreja, mas numa igreja participativa e fraterna deveríamos utilizar outros termos. Concessão manifesta uma relação assimétrica entre as partes. Há alguém que decide, manda, e alguém que aceita e que executa. Não assim deveria agir a igreja de Cristo que tem como única cabeça Jesus de Nazaré. Imagino o quão dolorido seja para o senhor ter que ouvir isso e entendo que talvez a sua idade não o ajude a manter serenidade e paz interior. Não posso ignorar os clamores e as críticas, - nem todas injustas, - contra um modelo de igreja que parece se afastar sempre mais das práticas do Reino que Jesus testemunhou. Caro irmão, acredito que senhor merece um justo e merecido repouso. Deixe que outros mais novos e com mais estrutura psicofísica assumam o pesado fardo de coordenar a nossa igreja. Continue no nosso meio como ‘sábio apóstolo e conselheiro.' Um irmão que doou sua vida para confirmar os seus irmãos e irmãs na fé, mas que agora, com sentimento de dever cumprido abre espaço para que outros assumam essa missão! Seu irmão na fé....
segunda-feira, 9 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
PÁSCOA - DE RESSUSCITADOS A RESSUSCITADORES!

Os mais significativos sinais de presença da vida no cosmos se manifestam nos pequenos elementos. Nos micro-organismos. Não nas grandes e espetaculares manifestações de diferentes fenômenos, mas em algo quase invisível ao olho humano. O sinal-prova da Ressurreição de Jesus não nos é oferecido mediante a comprovação de alguma espetacular explosão molecular supostamente registrada em algum objeto utilizado por Jesus, e sim em pequenos gestos. Em micro-sinais. E, além disso, algo muito subjetivo. Impossível de ser catalogado nas corriqueiras categorias humanas. Ressurreição é experiência de fé. Experiência histórica e de caráter místico-espiritual de um grupo de pessoas ligado a Jesus de Nazaré. Em outras palavras, em discípulos e discípulas do mestre da Galiléia que asseguram sentir presente e vivo (ressuscitado) nel@s Jesus na medida em que reproduzem os seus mesmos gestos de compaixão, de acolhida, de fraternidade genuína para com os pobres, os mendigos e os pecadores. Enfim, aquele que foi morto torna a viver e a atuar nel@s e através del@s! Torna-se sempre mais complicado para uma sociedade ‘educada’ a ser sempre vencedora e a apostar nos milagres espetaculares que mudam a própria vida, acreditar que a única prova de Jesus ressuscitado é o testemunho da caridade e da compaixão de um grupo de seguidores. Que compreendeu que a única forma de manter vivo o amado que se foi é reproduzir e multiplicar sua herança humana e espiritual.
Ressurreição não é crer num cadáver que voltou à vida físico-biológica. Nem num suposto espírito-fantasma que penetra paredes e se desloca instantânea e ilimitadamente. Ressurreição não tem nada a ver com ‘corpo físico’, com organismo biológico, com circulação sangüínea. Tem a ver conosco. Com a nossa capacidade transformadora. Com nossa postura humana e política perante a vida. Uma opção clara e definitiva: acreditar e testemunhar o poder humano-divino que está em nós. E que nos dá a coragem de devolver esperança ao desesperado. Oferecer amor e pão ao excluído e faminto. Fazer justiça ao injustiçado. Respeitar e acolher o diferente rejeitado. Do mesmo modo que o fazia Jesus quando percorria os caminhos da Galiléia. Essa opção de vida não garante manchetes nos jornais e nem nas telinhas dos canais religiosos. Não reserva um futuro opulento para os que fazem essas opções e nem para seus supostos beneficiados. Como outrora, o único sinal que Jesus oferece a uma geração incrédula e faminta de milagres é a sua morte violenta e humilhante. O seu ‘fracasso e o seu desespero’ diante da aparente ‘omissão’ do Pai. Esse sinal é para que outros ‘fracassados e desesperados’ como Ele não aceitem isso como ponto final da sua existência. Para que não desistam em lutar para arrancar da cruz e das tumbas tantos Lázaros cujos gestos de fraternidade e compaixão haviam sido sepultados pela indiferença e a prepotência humana. Serão esses micro-sinais que nos confirmarão que continuamos vivos! Que podemos ser pessoas novas! Que ressurgimos! Esta experiência nos dará a coragem de devolvermos vida e esperança a outros Lázaros, a outros ‘Jesus’.....! De ressuscitados seremos ressuscitadores! Fazer para crer!
FELIZ PÁSCOA!
Ressurreição não é crer num cadáver que voltou à vida físico-biológica. Nem num suposto espírito-fantasma que penetra paredes e se desloca instantânea e ilimitadamente. Ressurreição não tem nada a ver com ‘corpo físico’, com organismo biológico, com circulação sangüínea. Tem a ver conosco. Com a nossa capacidade transformadora. Com nossa postura humana e política perante a vida. Uma opção clara e definitiva: acreditar e testemunhar o poder humano-divino que está em nós. E que nos dá a coragem de devolver esperança ao desesperado. Oferecer amor e pão ao excluído e faminto. Fazer justiça ao injustiçado. Respeitar e acolher o diferente rejeitado. Do mesmo modo que o fazia Jesus quando percorria os caminhos da Galiléia. Essa opção de vida não garante manchetes nos jornais e nem nas telinhas dos canais religiosos. Não reserva um futuro opulento para os que fazem essas opções e nem para seus supostos beneficiados. Como outrora, o único sinal que Jesus oferece a uma geração incrédula e faminta de milagres é a sua morte violenta e humilhante. O seu ‘fracasso e o seu desespero’ diante da aparente ‘omissão’ do Pai. Esse sinal é para que outros ‘fracassados e desesperados’ como Ele não aceitem isso como ponto final da sua existência. Para que não desistam em lutar para arrancar da cruz e das tumbas tantos Lázaros cujos gestos de fraternidade e compaixão haviam sido sepultados pela indiferença e a prepotência humana. Serão esses micro-sinais que nos confirmarão que continuamos vivos! Que podemos ser pessoas novas! Que ressurgimos! Esta experiência nos dará a coragem de devolvermos vida e esperança a outros Lázaros, a outros ‘Jesus’.....! De ressuscitados seremos ressuscitadores! Fazer para crer!
FELIZ PÁSCOA!
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Semana Santa IV - O povo palestino crucificado pelos Pilatos israelitas!
Ainda hoje há muito debate sobre os verdadeiros motivos que determinaram a condenação legal de Jesus à morte. Muitas vezes afirma-se que Jesus foi morto porque se opôs a isto e àquilo. Ou que foi radical nisto e naquilo. Ou até que ele se havia definido ‘filho de Deus’.....como se isso tudo merecesse morte de cruz.....É bom lembrar que também naquela época, seja num tribunal romano bem como num sinédrio, havia leis, e estas deviam ser respeitadas. Embora admitindo que, como também hoje ocorre, há abusos. Em outras palavras: para matar Jesus devia-se ter um pretexto-motivo legal. Qual foi? Um primeiro elemento a lembrar é que Jesus foi executado pelos Romanos mediante a pena que eles previam para quem atentava à soberania do Império: crucifixão. Os Judeus não conseguiram encontrar um motivo sequer que pudesse se encaixar em sua complexa legislação para merecer a morte por apedrejamento. Alguns estudiosos afirmam que o silêncio de Jesus perante o sumo sacerdote merecia a morte, pois estava previsto no livro do Deuteronômio. Mas isto já havia ocorrido em outras ocasiões com outras pessoas e não se havia apelado a essa lei para condenar um judeu à morte! Certamente o sinédrio se tivesse encontrado qualquer motivo legal, mesmo assumindo a responsabilidade de se manchar com o sangue de um co-nacional, o teria feito. Em que pese a tradição, - lamentável e injusta, diga-se de passagem, - de responsabilizar os judeus, genericamente, pela morte de Jesus, essa história não se sustenta. A prova cabal é que morreu na cruz dos romanos e não numa praça pública por apedrejamento!
Pelos relatos da paixão, - que não são plenamente históricos, mas essencialmente teológicos, não emerge o elemento legal. Dizer que Jesus se declarou rei e que isto ameaçava o poder do imperador, além de ridículo não corresponde à verdade histórica e a dos próprios evangelhos, pois Jesus em momento algum afirmou isso. É mais provável que Jesus tenha morrido por causa de um flagrante abuso de poder cometido por Pilatos. Ele simpesmente exorbitou de suas funções e poderes. Não possuía motivos legais, mas mesmo assim o crucificou. Por motivos que ignoramos, mas certamente em conluio com o sinédrio. Sem direito aparente a uma defesa (defensor público) Jesus foi vítima de um governador que pisou flagrante e criminosamente nas leis vigentes.
Espero que hoje na celebração da sexta feira santa não se reze pelos Judeus (mais uma vez tomados na sua totalidade!) pelo fato de eles serem ‘os assassinos’ de Jesus ou pelo fato de esperarem ainda um messias. Se é para rezar por eles é, no caso, para pedir que Deus arranque o coração de pedra que existe no atual e nos anteriores governos de Israel. Governos indiferentes à dor humana, que continuam a massacrar o povo palestino, crianças, mulheres e velhos, só por represália a grupos radicais que atentam...à sua segurança nacional. Os abusos de Pilatos que outrora vitimaram Jesus, um judeu, estão sendo incorporados e perpetuados por governos israelitas. Sem pena e sem dor. E diante da indiferença do mundo! Que o sangue desses inocentes recaia sobre eles e seus filhos!
Pelos relatos da paixão, - que não são plenamente históricos, mas essencialmente teológicos, não emerge o elemento legal. Dizer que Jesus se declarou rei e que isto ameaçava o poder do imperador, além de ridículo não corresponde à verdade histórica e a dos próprios evangelhos, pois Jesus em momento algum afirmou isso. É mais provável que Jesus tenha morrido por causa de um flagrante abuso de poder cometido por Pilatos. Ele simpesmente exorbitou de suas funções e poderes. Não possuía motivos legais, mas mesmo assim o crucificou. Por motivos que ignoramos, mas certamente em conluio com o sinédrio. Sem direito aparente a uma defesa (defensor público) Jesus foi vítima de um governador que pisou flagrante e criminosamente nas leis vigentes.
Espero que hoje na celebração da sexta feira santa não se reze pelos Judeus (mais uma vez tomados na sua totalidade!) pelo fato de eles serem ‘os assassinos’ de Jesus ou pelo fato de esperarem ainda um messias. Se é para rezar por eles é, no caso, para pedir que Deus arranque o coração de pedra que existe no atual e nos anteriores governos de Israel. Governos indiferentes à dor humana, que continuam a massacrar o povo palestino, crianças, mulheres e velhos, só por represália a grupos radicais que atentam...à sua segurança nacional. Os abusos de Pilatos que outrora vitimaram Jesus, um judeu, estão sendo incorporados e perpetuados por governos israelitas. Sem pena e sem dor. E diante da indiferença do mundo! Que o sangue desses inocentes recaia sobre eles e seus filhos!
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Semana Santa III - a ceia de despedida. Um conto.

Tudo está pronto para a ceia da páscoa. O clima ameno daquele final de dia é convidativo. A enorme mesa de cedro do Líbano posta na sala espaçosa daquele sobrado de pedra clara hospeda as velas a fervilhar, e as tigelas cheias de pão. O seu perfume, misturado com o aroma do vinho e o cheiro azedo do cordeiro com ervas amargas exalam por toda a sala. São verdadeiros sacramentos da abundância divina e do suor transformador das criaturas humanas. Os apóstolos já chegaram todos. Estranhamente, bem arrumados e perfumados. Alguns deles haviam conseguido trazer alguns familiares da Galiléia. Outras três famílias amigas de Jerusalém haviam sido convidadas para a ceia, e se juntaram ao grupo. Há também alguns idosos entre elas. São os pilares firmes da memória histórica do povo de que fazem parte. As mulheres, as fiéis do grupo de Jesus, não arredam. Elas estão lá, coordenando e ajeitando para que não haja surpresas na hora de iniciar a liturgia pascal. Afinal, é uma páscoa especial esta!Uma páscoa com sabor de despedida. O mestre os havia alertado. É preciso celebrar intensamente o memorial de um passado eternamente presente. Hoje mais do que ontem.
O memorial de um Deus-Javé que continua permanecendo ao lado daqueles que não aceitam a escravidão. Nem a dominação. A de ontem, e a de hoje. Que não querem servir aos faraós e nem aos imperadores! E que têm ainda a coragem de atravessar ‘os Mares Vermelhos’ do medo, da covardia, da conformação. Alguns ficam a bisbilhotar e comentam entre si que o rosto de Jesus, hoje, tem um semblante estranho. Ele parece quase que encoberto por um véu de tensão, mesmo que contida. Ele acolhe sorrindo os convivas, mas não parece ser efusivo como em outras ocasiões. Todos parecem intuir que algo diferente está para acontecer.....Não há espaço para sermões ou discursos. Pareceria algo retórico e inadequado naquele momento. São os gestos simbólicos, afinal, - aqueles gravados na mente e no coração - que deixam uma marca indelével! Jesus sabe disso e, em silêncio, começa a lavar os pés de cada um. E da cada uma d@s presentes. Lava justamente a parte do corpo mais exposta à contaminação. Aquela parte que acumula mais poeira, sujeira, bactérias e micróbios. Jesus lava aqueles pés que percorreram com ele léguas e léguas. De povoado em povoado. Pés feridos e inchados. Pés que os haviam conduzido a anunciar esperança e vida nova a pessoas que haviam perdido a vontade de viver e sonhar. Jesus, agora, ajoelhado aos pés de cada um parece quase adorá-los. Lava-os com carinho, enxuga-os com uma toalha de linho fino, e beija-os com delicadeza. Parece retribuir a tod@s o mesmo gesto que poucos dias antes uma mulher discípula havia feito com ele. Com perfume, lágrimas e longos cabelos. O rosto de Jesus, agora, está mais sereno. Não há mais tensão nele. É o semblante de uma pessoa profundamente grata. A gratidão por el@s existirem em sua vida. Por o terem acompanhado até aí. Por não o terem abandonado. Por dividirem com ele o pão da compaixão e da solidariedade. Por beberem com ele o vinho da alegria. A alegria de viver e de esperar. O vinho do martírio. O vinho que ajuda a superar o medo de morrer! Agora ele pode, enfim, partir....
O memorial de um Deus-Javé que continua permanecendo ao lado daqueles que não aceitam a escravidão. Nem a dominação. A de ontem, e a de hoje. Que não querem servir aos faraós e nem aos imperadores! E que têm ainda a coragem de atravessar ‘os Mares Vermelhos’ do medo, da covardia, da conformação. Alguns ficam a bisbilhotar e comentam entre si que o rosto de Jesus, hoje, tem um semblante estranho. Ele parece quase que encoberto por um véu de tensão, mesmo que contida. Ele acolhe sorrindo os convivas, mas não parece ser efusivo como em outras ocasiões. Todos parecem intuir que algo diferente está para acontecer.....Não há espaço para sermões ou discursos. Pareceria algo retórico e inadequado naquele momento. São os gestos simbólicos, afinal, - aqueles gravados na mente e no coração - que deixam uma marca indelével! Jesus sabe disso e, em silêncio, começa a lavar os pés de cada um. E da cada uma d@s presentes. Lava justamente a parte do corpo mais exposta à contaminação. Aquela parte que acumula mais poeira, sujeira, bactérias e micróbios. Jesus lava aqueles pés que percorreram com ele léguas e léguas. De povoado em povoado. Pés feridos e inchados. Pés que os haviam conduzido a anunciar esperança e vida nova a pessoas que haviam perdido a vontade de viver e sonhar. Jesus, agora, ajoelhado aos pés de cada um parece quase adorá-los. Lava-os com carinho, enxuga-os com uma toalha de linho fino, e beija-os com delicadeza. Parece retribuir a tod@s o mesmo gesto que poucos dias antes uma mulher discípula havia feito com ele. Com perfume, lágrimas e longos cabelos. O rosto de Jesus, agora, está mais sereno. Não há mais tensão nele. É o semblante de uma pessoa profundamente grata. A gratidão por el@s existirem em sua vida. Por o terem acompanhado até aí. Por não o terem abandonado. Por dividirem com ele o pão da compaixão e da solidariedade. Por beberem com ele o vinho da alegria. A alegria de viver e de esperar. O vinho do martírio. O vinho que ajuda a superar o medo de morrer! Agora ele pode, enfim, partir....
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Semana Santa II - Recuperar a paixão pelo Reino! Entrevista ao teólogo Pagola

Ele está há anos sendo vigiado. Os livros do teólogo espanhol José Antonio Pagola, que vendem como rosquinhas, sofrem todo tipo de censura eclesiástica, mas ele não sente “ressentimento”. Pelo contrário, os conflitos o ajudam a viver sua fé de uma forma “mais desnuda”. Sempre livre, sofre com a atual situação de involução eclesial e o “abandono do Concílio”. Mas, sempre positivo, acredita em uma Igreja “mais indignada” e “mais samaritana”. Eis alguns trechos da entrevista que ele deixou ao IHU (Instituto Humanitas Unisinos)
Por que o Jesus da história assusta ainda em certos ambientes eclesiásticos?
O medo de Jesus sempre existiu. É um fenômeno quase inconsciente, mas muito explicável. Jesus torna as pessoas mais livres; atrai para o amor, não para as normas; chama os seus seguidores para colaborar no projeto do Reino de Deus, não em qualquer estratégia pastoral; recorda-nos que os últimos serão os primeiros; centra os seus seguidores no essencial do Evangelho, não em práticas e devoções secundárias... Não há nada mais perigoso para uma Igreja que busca segurança, ordem e disciplina, que uma corrente forte de seguidores e seguidoras de Jesus, que recuperam seu espírito, seu fogo e sua paixão pelo Reino de Deus.
Como pode a nossa Igreja recuperar a credibilidade e a confiança social, perdidas segundo todas as pesquisas?
As pessoas vão começar a crer em nós no dia em que não nos preocuparmos tanto com a nossa credibilidade. Não podemos continuar vivendo em meio aos sofrimentos, contradições e conflitos desta sociedade com “a ilusão de inocência” própria de “espectadores” que pretendem estar quase sempre acima do bem e do mal. A sociedade vai crer em nós se nos virem vulneráveis e próximos, aceitando nossos erros e ignorâncias, mas sofrendo verdadeiramente junto com os que sofrem. Na Igreja, devemos nos perguntar com quem nos preocupamos, além de nos preocuparmos conosco mesmos. Só a compaixão fará a Igreja mais humana e crível. No dia em que descobrirmos o mundo com os olhos de Jesus e tratarmos as pessoas como ele as tratava, as pessoas vão se aproximar da Igreja. Como vão crer hoje na Igreja as mulheres maltratadas se não sentem a nossa indignação e a nossa defesa?
O que sente diante da proliferação de notícias sobre as intrigas vaticanas?
Tristeza e indignação. Costumo pensar em Jesus, que, ao chegar a Jerusalém, se põe a chorar dizendo: “Se compreendesses os caminhos da paz! Mas teus olhos seguem fechados”. Não sei se no Vaticano se sente necessidade de conversão. Seus ouvidos não ouvem os constantes apelos que se fazem em nome do Evangelho. Seus olhos estão fechados: não veem os caminhos que poderiam nos levar rumo a uma Igreja mais fiel ao seu único Senhor. E, contudo, intuo que uma tentativa lúcida e responsável de conversão, promovida pelo Papa, encontraria praticamente a aprovação entusiasta de todos os bispos. (Fonte: IHU)
Por que o Jesus da história assusta ainda em certos ambientes eclesiásticos?
O medo de Jesus sempre existiu. É um fenômeno quase inconsciente, mas muito explicável. Jesus torna as pessoas mais livres; atrai para o amor, não para as normas; chama os seus seguidores para colaborar no projeto do Reino de Deus, não em qualquer estratégia pastoral; recorda-nos que os últimos serão os primeiros; centra os seus seguidores no essencial do Evangelho, não em práticas e devoções secundárias... Não há nada mais perigoso para uma Igreja que busca segurança, ordem e disciplina, que uma corrente forte de seguidores e seguidoras de Jesus, que recuperam seu espírito, seu fogo e sua paixão pelo Reino de Deus.
Como pode a nossa Igreja recuperar a credibilidade e a confiança social, perdidas segundo todas as pesquisas?
As pessoas vão começar a crer em nós no dia em que não nos preocuparmos tanto com a nossa credibilidade. Não podemos continuar vivendo em meio aos sofrimentos, contradições e conflitos desta sociedade com “a ilusão de inocência” própria de “espectadores” que pretendem estar quase sempre acima do bem e do mal. A sociedade vai crer em nós se nos virem vulneráveis e próximos, aceitando nossos erros e ignorâncias, mas sofrendo verdadeiramente junto com os que sofrem. Na Igreja, devemos nos perguntar com quem nos preocupamos, além de nos preocuparmos conosco mesmos. Só a compaixão fará a Igreja mais humana e crível. No dia em que descobrirmos o mundo com os olhos de Jesus e tratarmos as pessoas como ele as tratava, as pessoas vão se aproximar da Igreja. Como vão crer hoje na Igreja as mulheres maltratadas se não sentem a nossa indignação e a nossa defesa?
O que sente diante da proliferação de notícias sobre as intrigas vaticanas?
Tristeza e indignação. Costumo pensar em Jesus, que, ao chegar a Jerusalém, se põe a chorar dizendo: “Se compreendesses os caminhos da paz! Mas teus olhos seguem fechados”. Não sei se no Vaticano se sente necessidade de conversão. Seus ouvidos não ouvem os constantes apelos que se fazem em nome do Evangelho. Seus olhos estão fechados: não veem os caminhos que poderiam nos levar rumo a uma Igreja mais fiel ao seu único Senhor. E, contudo, intuo que uma tentativa lúcida e responsável de conversão, promovida pelo Papa, encontraria praticamente a aprovação entusiasta de todos os bispos. (Fonte: IHU)
terça-feira, 3 de abril de 2012
Semana Santa I - Re-inventar dentro de nós a 'presença do ausente'!
Se para muitos a semana santa é oportunidade para sair da rotina e viajar sabe lá Deus aonde, para outros esse período constitui uma verdadeira experiência mística. Não precisamos percorrer fisicamente os lugares santos geográficos trilhados por Jesus de Nazaré. É suficiente olhar para dentro de nós e ao nosso redor. Descobriremos pessoas com coração cheio de tristeza, de abandono, de medo, de desespero. Pessoas que já vem carregando cruzes pesadas. As próprias e as alheias. Que vem subindo ininterruptamente o ‘calvário-Golgota’ da vida. Certamente celebrar a semana santa é fazer a experiência de se encontrar com o mistério da dor, da morte, do sofrimento, das feridas abertas, nossas e da humanidade. Mas é, principalmente, fazer a experiência místico-espiritual de ir para além do calvário e da cruz. Descobrir sim os muitos Cireneus que nos ajudam a carregar nossas cruzes, e a tornar mais leve o nosso viver, mas principalmente tentar imitar a persistência de Maria de Mágdala. Que não se conformava com a morte do amado. Cujo amor permaneceu tão forte e intenso que o ressuscitou. Dentro dela. E dentre os que continuavam a fazer a experiência de amar tod@s @s crucificad@s. Amá-l@s para além da cruz, da doença, da solidão e da morte! Fazer, enfim, a experiência de re-inventar dentro de nós a ‘presença do ausente’!
domingo, 1 de abril de 2012
Mãe Guajajara morre durante o parto no Hospital Geral de Grajaú. No novo hospital não há UTI!
Uma indígena Guajajara da aldeia Lago Branco, próxima da cidade de Arame, MA, faleceu ontem, 31, em Grajaú, no Hospital Geral por falta de UTI. Mãe já de 3 filhos, a indígena estava para ganhar o quarto, mas o parto apresentou complicações. Levada urgentemente ao recém inaugurado Hospital Geral de Grajaú veio a falecer pouco depois. Profissionais atestam que se tivesse havido uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no hospital a indígena não teria falecido. Espera-se que esses novos hospitais que levam o pomposo nome de ‘Geral’ sejam devidamente equipados. Enquanto isso, o nosso Estado continua a apresentar ainda altos índices de morte de mães durante o parto.
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